A biometria facial tem se mostrado uma ferramenta eficaz no combate ao cambismo em jogos de Bahia e Vitória. Desde que a tecnologia passou a ser usada nos acessos da Arena Fonte Nova e do Barradão, os clubes registraram redução significativa nas tentativas de fraude. Apesar disso, a mudança também tem causado impacto direto no número de sócios, especialmente com o fim do “aluguel de carteirinha”.
A exigência do reconhecimento facial foi determinada pela Lei Geral do Esporte e se tornará obrigatória em estádios com mais de 20 mil lugares a partir de junho de 2025. Na prática, o torcedor precisa cadastrar seu rosto em uma plataforma digital no momento da compra do ingresso. Câmeras instaladas nas catracas fazem o reconhecimento em tempo real, impedindo o uso de entradas por terceiros e bloqueando o acesso de pessoas com histórico de violência ou mandados de prisão.
No Barradão
O Vitória saiu na frente e iniciou os testes com a tecnologia ainda em 2023. Em junho deste ano, encerrou de vez a venda de ingressos físicos. Agora, o acesso ao estádio é feito exclusivamente por meio digital com validação biométrica.
Na Arena Fonte Nova
O Bahia adotou o sistema de forma gradual. A biometria se tornou obrigatória a partir de agosto de 2024, inicialmente em setores como Cadeira Sudeste e Visitante. O primeiro jogo com a nova exigência foi contra o Paysandu, pela Copa do Brasil, no dia 21 de maio.
Combate ao cambismo
Vitor Ferraz, diretor de Operações e Relações Institucionais do Bahia, afirma que o sistema trouxe ganhos em segurança e praticidade. “O impacto é direto. Já não verificamos mais a prática do cambismo como antes”, afirmou.
No entanto, a torcida relata que o problema ainda resiste, embora em menor escala. O torcedor Bruno Santana contou ter visto cambistas vendendo ingressos nas proximidades da Fonte Nova. “Diminuiu bastante, mas ainda tem quem tente. A diferença é que hoje há mais controle e as filas também estão menores”, comentou.
Situação semelhante é observada no Barradão. Alguns torcedores ainda se deparam com ofertas de ingressos nas redondezas, com vendedores prometendo transferir a titularidade por meio do aplicativo oficial do clube. A prática, no entanto, gera desconfiança e medo de golpes.
Impacto nos sócios
Além de combater o cambismo, a biometria facial atingiu uma prática comum: o aluguel de carteirinhas de sócio. Com a exigência do reconhecimento individual, a comercialização indevida de acessos tornou-se inviável, o que impactou diretamente na base de associados dos clubes.
O Vitória, por exemplo, chegou a registrar 44 mil sócios em abril deste ano. Atualmente, o número de ativos caiu para cerca de 33 mil. A má fase do time pode ser um fator, mas a nova tecnologia também é apontada como causa da retração.
Éder Miranda, diretor do programa “Sou Mais Vitória”, reconhece a mudança como positiva. “Com o reconhecimento facial, garantimos que o verdadeiro sócio esteja presente no estádio. Isso reforça o caráter pessoal e intransferível do programa”, declarou.
No Bahia, a situação não era diferente. Torcedores já foram punidos por alugar suas carteiras de sócio, especialmente em jogos de maior apelo. A biometria agora limita esse tipo de fraude e ajuda a valorizar a experiência de quem é, de fato, associado ao clube.
*Metro1
Foto: Divulgação/Etice
