Governo Trump estuda medidas para combater a atuação de grupos com perfis terroristas

O Departamento de Estado dos EUA afirmou nesta terça-feira, 10, que o governo norte-americano considera as facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional. A avaliação foi apresentada durante discussões em Washington sobre a adoção de instrumentos mais duros de combate ao narcotráfico.
Segundo o governo sob a liderança do republicano Donald Trump, organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre os grupos que atualmente preocupam autoridades de segurança no hemisfério.
Para os EUA, facções representam “ameaças significativas”
“Os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, representam ameaças significativas à segurança regional em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirmou o Departamento de Estado, em resposta por escrito ao jornal O Globo.
O órgão comandado pelo secretário de Estado Marco Rubio evitou comentar diretamente a possibilidade de classificar essas facções como organizações terroristas estrangeiras. Esse mecanismo jurídico utilizado pelos EUA amplia sanções e instrumentos legais contra determinados grupos.
“Não antecipamos possíveis designações terroristas nem deliberações sobre esse tipo de classificação”, afirmou o Departamento de Estado dos EUA. “Estamos plenamente comprometidos em adotar medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividade terrorista.”
A possibilidade de aplicação desse enquadramento a facções brasileiras é acompanhada com preocupação pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema foi tratado na noite do último domingo, 8, em conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e Rubio.
O Brasil tem defendido o aprofundamento da cooperação bilateral em segurança, mas argumenta que o combate ao crime deve preservar a soberania nacional. A discussão também deverá aparecer no próximo encontro entre Lula e Trump, em Washington, ainda sem data definida. O governo brasileiro pretende reforçar a ideia de parceria no enfrentamento ao crime organizado, mas com abordagem diferente da adotada por alguns países da região.
Nos últimos meses, a hipótese de classificar facções brasileiras como organizações terroristas passou a circular com mais força em debates dentro do governo norte-americano. Caso esse enquadramento avance, ele poderá abrir caminho para sanções financeiras, bloqueio de ativos e restrições legais contra integrantes e apoiadores desses grupos no sistema financeiro internacional.
Informações Revista Oeste
