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Conselho Federal de Medicina reconhece procedimento em jovens a partir de 14 anos com obesidade grave; especialista detalha avaliação, riscos e cuidados no pós-operatório

O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou recentemente as regras para a realização de cirurgia bariátrica em adolescentes. Agora, o procedimento está autorizado para pacientes a partir de 14 anos de idade, desde que apresentem obesidade grave — definida por um índice de massa corporal (IMC) maior que 40, associado a complicações clínicas importantes — e que haja avaliação de uma equipe multidisciplinar e o consentimento dos responsáveis legais.

Para entender melhor essa nova resolução, o programa Rotativo News, apresentado por Emanueli Pilger, conversou nesta quarta-feira (28) com o médico cirurgião Dr. João Victor do Vale. Ele explicou que a mudança é um marco no tratamento da obesidade grave em adolescentes, mas exige atenção redobrada.

“A cirurgia bariátrica em adolescentes é uma alternativa segura e eficaz para casos muito específicos. Mas não é uma decisão simples. Ela só pode ser considerada após uma avaliação criteriosa da equipe médica, que envolve endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e o cirurgião responsável”, explicou

Critérios para avaliação e indicação

De acordo com o cirurgião, alguns critérios são fundamentais para definir a necessidade da cirurgia em adolescentes:

Riscos e benefícios

Embora seja uma ferramenta eficaz para o controle do peso e melhora das doenças associadas, a cirurgia bariátrica em adolescentes apresenta riscos que devem ser discutidos com clareza.

Segundo o médico, “o principal benefício é o controle precoce das comorbidades que, se não tratadas, podem impactar a saúde ao longo da vida. Mas existem riscos cirúrgicos, como sangramento, infecções, trombose e deficiência de nutrientes após a operação”.

Papel da equipe multidisciplinar

A decisão sobre a cirurgia bariátrica em adolescentes não cabe apenas ao cirurgião. Dr. João Victor destacou que o papel da equipe multidisciplinar é essencial: “São profissionais que avaliam o grau de obesidade, as doenças associadas, as questões emocionais e comportamentais. Isso garante que a cirurgia só ocorra quando realmente for a melhor opção e que o paciente tenha suporte antes e depois da operação. ”

Complicações clínicas e o pós-operatório

Entre as complicações clínicas mais comuns que justificam a cirurgia, estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias (colesterol e triglicerídeos elevados), apneia obstrutiva do sono e problemas ortopédicos severos. O pós-operatório exige acompanhamento rigoroso.

“No pós-operatório, o adolescente precisa seguir orientações alimentares, suplementar vitaminas e minerais, além de manter acompanhamento psicológico e endocrinológico. O objetivo é garantir que ele tenha uma boa evolução e que não ocorra reganho de peso ou deficiências nutricionais”, concluiu

A nova resolução do CFM representa um avanço no tratamento da obesidade grave, mas também um alerta para que pais, médicos e pacientes compreendam que a cirurgia é apenas parte de um processo que exige comprometimento, diálogo e responsabilidade.

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