A esperada quarta parte da saga, que chega aos cinemas em dezembro, enfrenta uma contradição entre sua origem e a sua recepção: o filme foi mal interpretado e agora é uma bandeira conspiracionista
Cena do filme ‘Matrix’.CORDON PRESS
Em 22 de dezembro, a quarta parte de Matrixchegará aos cinemas (e ao HBO Max). Pouco se sabe sobre o filme dirigido por Lana Wachowski. Sem trailer e ainda sem imagens promocionais, o que emerge de um vazamento da fita, que já foi rodada, é que poderá ter como título Matrix resurrections. E que seu elenco, liderado por veteranos da sagau —Keanu Reeves (Neo), Carrie Ann-Moss (Trinity), Jada Pinkett-Smith (Níobe), Daniel Bernhardt (agente Johnson) e Lambert Wilson (Merovíngio)—, foi acrescido de nomes como Christina Ricci, Yahya Abdul Mateen II, Jessica Henwick, Neil Patrick Harris, Priyanka Chopra e Jonathan Groff.
Vinte e um anos após sua estreia, e depois de arrecadar 463,5 milhões de dólares (cerca de 2,38 bilhões de reais) e reformar esteticamente o cyberpunk com micro-óculos de sol e muito couro preto, Matrix enfrenta um curioso paradoxo em seu quarto filme: assumir que uma saga formulada como uma metáfora transacabou sendo engolida e mal interpretada pela machosfera e pelas comunidades conspiranoicas da internet, onde as comunidades da “pílula vermelha” recorrem aos símbolos do filme para pregar a necessidade de “sociedades despertas” —despertas, é claro, sempre que se apoie na misoginia mais furiosa, pregue contra a comunidade LGBTQ, exalte o essencialismo de gênero e as paranoias conspiracionistas mais selvagem. Como chegamos a isto?
Por que ‘Matrix’ é uma metáfora trans
Uma das criadoras de Matrix, Lilly Wachowski, confirmou que o filme é uma metáfora trans. Falou isso em um vídeo para o Netflix Film Club em 2020, onde esclareceu que, tal como vinha sendo debatido em vários fóruns, ensaios acadêmicos e até mesmo em ensaios de relevância viral, como o publicado pela jornalista Emily VanDerWerff, o filme é, de fato, sobre a experiência de ser transgênero. “Essa era a intenção original, mas o mundo não estava totalmente preparado”, revelou.
Lana Wachowski se declarou uma mulher trans em 2010 (embora os rumores sobre sua identidade de gênero, especialmente dolorosos e cruéis na imprensa da época, fossem galopantes desde o lançamento de Matrix Reloaded em 2003). Lilly Wachowski também tornou público que era trans em 2016, o que implica que, quando lançaram a primeira parte da saga, ainda não haviam oficializado sua identidade de gênero. Na época em que a confirmaram, durante anos a internet não hesitara em buscar referências ou símbolos escondidos na fita. Em 2020, uma das irmãs criadoras quis confirmar tudo.
Lançado em 1999, Matrix esboçava em linhas gerais que no futuro, após uma dura guerra mundial, quase todos os seres humanos estariam sendo escravizados por máquinas e inteligências artificiais. Em uma curiosa reviravolta profética, foi o primeiro filme de grande sucesso a retratar a internet como uma utopia capitalista envenenada que mantém a sociedade alienada de sua realidade. Esses escravos estão conectados à rede Matrix, suspensos no imaginário funcional do século XX tal como o concebíamos. Os libertos ou não escravizados vivem em uma cidade, Sion, uma paisagem desértica sem opulências, mas na qual se pode desfrutar do verdadeiro eu.
A jornalista Laura Hale, em um ensaio sobre por que Matrix é uma metáfora trans, escreveu: “A primeira linha do texto que aparece na tela contém a palavra ‘trans’: ‘Call trans opt’ (chamar trans opt). É literalmente a segunda palavra do filme. Talvez seja uma coincidência, mas a mesma linha de texto também aparece bem no final da fita. “O tempo lhe daria razão. A codiretora e coroteirista Lilly Wachowski explica, no clipe esclarecedor sobre o significado da trilogia: “Tudo em Matrix tem a ver com o desejo de transformação, mas tudo vinha de um ponto de vista que estava trancado”. Aquele desejo que as irmãs Wachowski tinham na cabeça se transformou plenamente no personagem Switch, um homem no mundo real e uma mulher em Matrix, no roteiro original, e que representava, segundo a diretora, “onde estavam nossos espaços mentais”.
O personagem Switch em ‘Matrix’ só aparece na primeira parte da saga.Warner Bros
Na abordagem do filme de Wachowski, Switch seria interpretado por dois atores de gêneros distintos com perfil andrógino, intercambiando-se dentro e fora da Matrix. O objetivo era provar que o corpo físico de uma pessoa e a maneira como ela vê a si mesma em um mundo em que pode controlar sua aparência podem nem sempre coincidir. Essa possibilidade foi eliminada do filme pelo estúdio, e a atriz Belinda McClory —que se apresentara para fazer metade do papel— acabou interpretando as duas versões da personagem.
Em sintonia com a libertação virtual das cadeias de gênero que Donna Haraway defendia em seu manifesto ciborgue e que agora o Feminismo Glitch defende, em Matrix as personagens de Sion rejeitam nomes binários e abraçam a possibilidade de transcender o gênero como o entendiam: Neo (Keanu Reeves), ao entrar em Sion, rejeita seu nome, Thomas Anderson; quando conhece Trinity (Carrie-Ann Moss), deixa escapar que entendia que era um homem, ao que ela responde: “Muitos caras pensam assim”. Seu uniforme também é uma extensão dessa liberação: veste-se de preto e de forma assexuada. Emily VanDerWerff escreveu em sua análise de Matrix: “O filme inteiro gira em torno da transcendência das formas de experiência física para explorar as possibilidades de nossa mente. Os corpos são, na melhor das hipóteses, uma sugestão. Seu cérebro é o que realmente importa”.
Mas foi o mítico discurso de Morpheus quando conheceu Neo que mudaria tudo, para o bem e para o mal:
“Deixe-me dizer por que você está aqui. Está aqui porque sabe de algo. Você não pode explicar, mas sente. Você sentiu isso durante toda a sua vida. Há algo que anda mal no mundo. Você não sabe o que é, mas está aí, como uma lasca em sua mente, deixando você louco. É essa sensação que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando?”
Essas palavras, e especialmente a pílula vermelha que logo em seguida se fazia presente para despertar sua mente e ficar consciente da Matrix, ironicamente se afastaram das crenças de Wachowski sobre a transcendência do gênero e suas infinitas possibilidades, e se instalaram e foram replicadas em fóruns que defendem as teorias da conspiração ou reforçam a cultura misógina mais selvagem da internet. Por quê?
Da machosfera ao QAnon
Tomar a pílula vermelha é uma referência que funciona como uma apropriação-senha de Matrix por parte da extrema direita, por causa daquilo de tomar a pílula certa, como Neo, para descobrir a realidade que os outros não querem ver. O fenômeno, que cresceu principalmente na última década, é formado em sua maioria por homens —embora também existammulheres antifeministas da comunidade Red Pill. Esses homens se definem como “Homens que seguem seu próprio caminho” (MGTOW, na sigla em inglês) na chamada manosfera ou machosfera. Seu reverso feminino são as trad wives(esposas tradicionais) ou mulheres da pílula vermelha. Mulheres que renegam o feminismo, essencialistas que vivem ancoradas nos valores tradicionais e que defendem a submissão feminina.
“Na nossa realidade, a ideia de tomar a pílula vermelha reforçou o que há de pior na internet”, lamenta Emily VanDerWerff sobre como esse termo se padronizou no imaginário da extrema direita. Até uns dois anos atrás, se alguém adicionasse “pílula vermelha” ao seu nome de usuário ou à comunidade de seu fórum, provavelmente era para criticar as políticas progressistas, negar as desigualdades na justiça social, especialmente em questões relacionadas ao feminismo ou ao LGBTQ. Desde a crise do coronavírus, a narrativa de acordar tomando a pílula vermelha penetrou em novas comunidades, tornando-se um símbolo de grupos negacionistas do vírus ou paranoicos conspiratórios. É assim que se dissemina no Telegram de modo bem normal. Em QAnon Espanha ou espanhóis despertos, composto por mais de 3.000 pessoas, escrevem: “Não existe nenhum vírus. São resfriados e agora chamam isso de covid-19. Esse suposto vírus —o coronavírus— nem sequer foi fotografado, isolado ou purificado. Vamos ser um pouco mais sérios, vamos tomar a pílula vermelha, por favor”.
A jornalista Julia Ebner, que se infiltrou em fóruns antifeministas e conhece bem essas comunidades, fez uma lista de todos os símbolos culturais de que esses grupos se apropriaram, exaltando filmes e livros que abrem as portas para fazer parte de seus chats privados. “1984 é muito banal, pois é a metáfora de conhecimento geral normalmente usada pela extrema direita para se referir à censura e vigilância atuais. Clube da luta e Matrix também são filmes padrão da alt-right [abreviação de ‘direita alternativa’, a direita extremista e supremacista branca que está em ascensão nos EUA]”, escreveu ela em Going Dark – The Secret Social Lives of Extremists. Na verdade, segundo Ebner, Matrix está perdendo sua força na machosfera para outro discurso mítico, o de “somos os filhos esquecidos da história. Sem metas nem lar”, que Tyler Durden entoa no romance de Chuck Pahlaniuk, Clube da luta, para reforçar o ego ferido e a dissociação, 20 anos depois, de jovens brancos alienados.
Para entender toda essa virada irônica do destino, basta visualizar uma série de tuítes entre Elon Musk, Ivanka Trump e Lilly Wachowski. Quando o fundador da Tesla tuitou “Tome a pílula vermelha”, a filha do então presidente dos Estados Unidos respondeu “Tomei!”. A resposta da criadora de Matrix? “Fodam-se vocês dois.”
Em suas redes sociais, presidente voltou a falar sobre a imunização contra a Covid-19
Novo lote de insumos para produção de vacinas chegou ao Brasil neste sábado Foto: Freepik
O presidente Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais, neste domingo (13), para celebrar a chegada ao Brasil de insumos para a produção de vacinas contra a Covid-19. Em uma publicação nas redes sociais, ele também falou sobre a chegada de outros imunizantes e lembrou que o Brasil é o quarto país que mas vacina no mundo.
O novo lote de Insumos Farmacêuticos Ativo (IFA) desembarcou neste sábado (12) no Rio de Janeiro e será utilizado para a fabricação de 6 milhões de doses de vacina.
Leia o que disse o presidente:
1.1- Desembarcou na noite de ontem (12), no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, um novo lote de Insumos Farmacêuticos Ativo (IFA) para a produção de novas vacinas contra o covid da AstraZeneca/Fiocruz
1.2- O mencionado será suficiente para produzir, aproximadamente, 6 milhões de doses do imunizante. A nova remessa garante ainda o cumprimento do cronograma de entregas ao Ministério da Saúde, pela Fiocruz, até 10 de julho.
2.1- Para acelerar a vacinação do covid no Brasil, o Ministério da Saúde conseguiu antecipar mais de 3 milhões de doses do imunizante da Janssen, que devem chegar na próxima semana.
.2- Além disso, o valor do contrato reduziu em 25%, resultando em uma economia para o País de mais de R$ 480 milhões. Só serão pagas apenas as doses efetivamente aplicadas. São mais de 600 milhões de doses contratadas até então.
2.3- Mais de 109 milhões de doses distribuídas a todos os estados do Brasil. O país é o quarto que mais vacina no mundo. . Assinado contrato de transferência de tecnologia para produção nacional da AstraZeneca pela FioCruz.
Durante a segunda do movimento “Pela Bahia”, o presidente nacional do Democratas, ACM Neto, endossou neste sábado (12) o coro pelo asfaltamento da BR-030, no trecho que liga as regiões Oeste e Sudoeste do estado. Ele passou no trecho da rodovia em Carinhanha, no Oeste baiano, e afirmou que esta é uma reivindicação antiga da região ao governo federal.
“Eu fiz questão de visitar exatamente esse ponto. Aqui nós temos uma estrada de chão, mas podem crer: é uma BR, a BR-030. Se seguir direto aqui a gente vai dar lá em Feira da Mata e em Cocos. Os asfaltamento dessa br é um sonho antigo dessa região”, afirmou.
ACM Neto frisou que o asfaltamento da região vai beneficiar a produção. “Um projeto super importante para a Bahia, porque facilita a integração do Sudoeste com o Oeste do estado, portanto tendo resultados econômicos para potêncializar a produção, melhorar o escoamento. Nesse momento quero me associar a todos aqueles que reivindicam que governo federal possa, o quanto antes, garantir o asfaltamento da BR-030”, disse.
Neste final de semana, ACM Neto foi ao Sudoeste da Bahia, passando, entre outros pontos, por Guanambi e Caetité. Na primeira edição do “Pela Bahia” ele foi à Chapada Diamantina.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou neste domingo (13) um pedido liminar em mandado de segurança ajuizado pela coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fontana Fantinato, contra a quebra de sigilos telefônico e telemático aprovada pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado que investiga a pandemia.
Em seu pedido, Francieli alegou que o pedido de quebra de sigilo teria sido baseado em “ilações” e informações desprovidas de comprovação. Além disso, sustentou a servidora pública, ela sequer foi convocada como testemunha pela CPI para esclarecer fatos relativos às suas funções no ministério.
Apesar dos argumentos, Moraes considerou que a quebra de sigilo está entre as atribuições legais da CPI e o requerimento teria sido formulado de maneira fundamentada, tendo sido aprovado seguindo os ritos legislativos estabelecidos.
O despacho do ministro Alexandre de Moraes segue a mesma linha de uma outra decisão, tomanda ontem (12) pelo STF, que também manteve as quebras de sigilos dos ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello, e das Relações Exteriores Ernesto Araújo; bem como da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro. Eles também haviam ingressado com uma ação no STF para invalidar a devassa em suas comunicações pessoais.
Os requerimentos de quebra de sigilos foram aprovados em sessão da CPI ao longo da última semana.
Passo histórico encerra governo do primeiro-ministro que ficou mais tempo no comando do país. Nova frente inclui grupos políticos muito diversos. Naftali Bennett é o novo premiê.
Naftali Bennet na sessão do Knesset em que foi confirmado como novo premiê de Israel — Foto: Reuters/Ronen Zvulun
Israel inicia, neste domingo (13), uma nova etapa de sua história depois que uma votação no Parlamento ratificou uma “coalizão de mudança” no poder, derrubando o premiê Benjamin Netanyahu.
O Knesset se reuniu numa sessão especial para que o líder da oposição, o centrista Yair Lapid, e o chefe da direita radical Naftali Bennett apresentassem a equipe do novo governo, que em seguida foi ratificada em votação. Bennet é o novo premiê.
A coalizão é bastante heterogênea, pois inclui:
dois partidos de esquerda;
dois partidos de centro;
três partidos de direita ;
um partido árabe, pela primeira vez num governo de Israel.
A frente foi formada com o principal objetivo de remover Netanyahu e conseguiu uma apertada maioria necessária 60 votos a favor, 59 votos contra e uma abstenção.
Netanyahu, de 71 anos, está sendo julgado há um ano por suspeita de corrupção. Protestos pedindo sua renúncia ocorrem há meses. O último deles foi na noite de sábado.
Em frente à sua residência oficial em Jerusalém, os manifestantes não esperaram a votação no Parlamento para celebrar a “queda” do “rei Bibi”, o apelido de Netanyahu, que foi chefe de governo de 1996 a 1999 e, depois, de 2009 a 2021.
“A única coisa que Netanyahu queria era nos dividir, uma parte da sociedade contra a outra, mas amanhã estaremos unidos, direita, esquerda, judeus, árabes”, disse Ofir Robinsky, um manifestante.
Benjamin Netanyahu na sessão do parlamento em que sua saída do cargo de premiê foi confirmada — Foto: Reuters/Ronen Zvulun
A nova coalizão será liderada por Bennett, chefe do partido de direita Yamina, pelos primeiros dois anos, e depois por Yair Lapid por um período equivalente.
O partido Likud de Netanyahu se comprometeu com uma “transição pacífica de poder” após mais de dois anos de crise política com quatro eleições, cujos resultados não permitiram a formação de um governo ou levaram a uma união nacional que durou apenas alguns meses.
Depois das últimas eleições legislativas em março, a oposição se uniu contra Netanyahu e surpreendeu ao conquistar o apoio do partido árabe-israelense Raam, do líder moderado Manssur Abbas.
“O governo trabalhará para toda a população, religiosa, laica, ultraortodoxa, árabe, sem exceção”, prometeu Bennett.
Rastros de luz do sistema anti-míssil Israel enquanto ele intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza, vistos de Ashkelon — Foto: Reuters/Amir Cohen
“A população merece um governo responsável e eficaz que coloque o bem do país em primeiro lugar em suas prioridades”, acrescentou Lapid, que deve se tornar ministro das Relações Exteriores.
Mas também visa fortalecer a presença israelense na área C da Cisjordânia, ou seja, sobre a qual Israel tem total controle militar e civil e que representa cerca de 60% do território palestino ocupado desde 1967.
O governo, que inclui pela primeira vez um partido que representa a minoria árabe, que corresponde a 21% da população israelense, planeja amplamente evitar mudanças drásticas em questões internacionais polêmicas como a política em relação aos palestinos, para se focar em reformas domésticas.
Com poucas perspectivas de progresso em relação à resolução do longo conflito com Israel, muitos palestinos provavelmente continuam impassíveis com a mudança de governo, dizendo que Bennett irá provavelmente seguir a mesma agenda de Netanyahu.
Isso parece provável em relação à principal preocupação de segurança de Israel, o Irã. Um porta-voz de Bennett disse que ele promete “oposição vigorosa” a qualquer volta dos Estados Unidos ao acordo nuclear de 2015 com o Irã, mas que buscaria cooperar com o governo do presidente norte-americano Joe Biden.
Não faltarão desafios para o novo governo, como uma marcha planejada na terça-feira pela extrema direita israelense em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel.
O movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, um enclave palestino sob bloqueio israelense, ameaçou retaliar se essa marcha acontecer perto da Esplanada das Mesquitas, em um contexto de extrema tensão em relação à colonização israelense em Jerusalém.
Em 10 de maio, o Hamas disparou uma salva de foguetes contra Israel em “solidariedade” aos palestinos feridos em confrontos com a polícia israelense em Jerusalém, levando a um conflito de 11 dias com o exército israelense.
O confronto terminou graças a um cessar-fogo promovido pelo Egito, mas as negociações para chegar a uma trégua sustentável falharam. Resolver essa situação será outro desafio do executivo.
Os ministros Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiram hoje (12) manter as quebras de sigilo dos ex-ministros Eduardo Pazuello, da Saúde, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro.
O STF recebeu mandados de segurança questionando as quebras de sigilo determinadas na última quinta-feira (10) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.
O ministro Ricardo Lewandowski negou os pedidos de Mayra Isabel Correia Pinheiro e de Pazuello. Na decisão, Lewandowski destaca que “os dados e informações” da quebra de sigilo devem permanecer sob “rigoroso sigilo, sendo peremptoriamente vedada a sua utilização ou divulgação”.
Lewandowski justifica a decisão afirmando que o país “enfrenta uma calamidade pública sem precedentes, decorrente da pandemia”. “Diante disso, mostram-se legítimas medidas de investigação tomadas por pela Comissão Parlamentar de Inquérito em curso, que tem por fim justamente apurar eventuais falhas e responsabilidades de autoridades públicas ou, até mesmo, de particulares, por ações ou omissões no enfrentamento dessa preocupante crise sanitária, aparentemente ainda longe de terminar”.
O ministro Alexandre de Moraes, responsável por julgar o pedido de mandado de segurança feito por Ernesto Araújo, disse em sua decisão que os direitos e garantias individuais não podem servir de “argumento para afastamento ou diminuição da responsabilidade política, civil ou penal”.
Moraes acrescentou a CPI deve “equilibrar os interesses investigatórios pleiteados – eventuais condutas comissivas e omissivas do Poder Público que possam ter acarretado o agravamento da terrível pandemia–, certamente de grande interesse público, com as garantias constitucionalmente consagradas, preservando a segurança jurídica e utilizando-se dos meios jurídicos mais razoáveis e práticos em busca de resultados satisfatórios, garantindo a plena efetividade da justiça, sob pena de desviar-se de sua finalidade constitucional”.
Após arrastar uma multidão de motociclistas e pedestres, na motociata deste sábado (12), em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro discursou para os apoiadores após completar o percurso.
Na região do parque Ibirapuera, ponto em que o percurso acabou, Bolsonaro voltou a questionar o número de vítimas e a defender a flexibilização das medidas de restrição.
– No ano de 2020, retirando os quase 190 mil irmãos nossos que infelizmente perderam as suas vidas, mas que foi colocado razão de óbito Covid, se tirar de lá, o crescimento de 2020, levando-se em conta 2019, passa a ser negativo. Assim sendo, é mais um indicio robusto que houve, sim, supernotificações – afirmou.
Ainda segundo Bolsonaro, a razão de o número de mortes ser supostamente menor do que o oficial é o tratamento precoce.
– E caso nós venhamos a comprovar isso, vamos ver que o Brasil passaria a ser um dos países que tem o menor índice de morte por habitante. E onde está o segredo disso? Que parece ser pecado falar: está no tratamento precoce. No ano passado, eu com 65 anos de idade fui acometido de Covid e tomei hidroxicloroquina. No dia seguinte, estava curado – afirmou.
O presidente disse ainda que não existe “fundamentação” para a adoção do isolamento social como forma prevenir a disseminação do coronavírus.
– O isolamento social praticado no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação cientifica para tal. Sempre falei no isolamento vertical. O meu governo não fechou comércio, o meu governo não decretou lockdown. O meu governo não impôs toque de recolher. Quem fez isso, fez errado – afirmou.
No dia em que a Bahia registrou 130 mortes por Covid-19, na última quinta-feira (10), o governador Rui Costa (PT) reuniiu mais de 100 pessoas entre aliados, prefeitos e imprensa.
A aglomeração, não permitida dentro do próprio decreto do Governo do Estado, foi registrada durante a inauguração da Policlínica Regional de Eunápolis, na região do Descobrimento. No estado, de acordo com a última atualização das medidas de restrição de circulação, eventos profissionais e científicos estão limitados a acontecerem com até 50 pessoas, metade do que foi visto no evento de ontem (10).
Ainda na quinta-feira (10), o Política ao Vivo já havia registrado a grande quantidade de pessoas próximas a Ruienquanto discursava, pelo ângulo da transmissão em suas redes sociais. Entre as pessoas que estavam próximas ao governador, sem respeitar o distanciamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estava a prefeita de Eunápolis, Cordélia Torres (DEM). Mas, na divulgada logo após o evento, o espanto causado é ainda maior, já que é possível ver dezenas de pessoas, entre políticos e imprensa, juntas, sem respeitarem o distanciamento social.
Não é a primeira vez que Rui causa aglomeração em suas visitas no interior desde que foi vacinado contra a Covid, em maio. Apesar de colocar os profissionais na linha de risco ao cobrirem os eventos com grande quantidade de gente, Rui permanece contrário à imunização da categoria dentro do grupo prioritário da Covid-19, tendo declarado isso publicamente em diversas ocasiões.
Presidente nacional do Democratas realiza mais uma etapa do Movimento Pela Bahia, desta vez na região Sudoeste
Fotos: Max Haack
O presidente nacional do Democratas, ACM Neto, afirmou nesta sexta-feira (11) que a Bahia não pode se contentar com nada menos do que ser líder de toda a região Nordeste, durante coletiva de imprensa em Guanambi. Neste final de semana, Neto realiza mais uma etapa do movimento ‘Pela Bahia’, desta vez no Sudoeste do estado, onde visita Guanambi e Caetité, além da Bamin. Ele foi recebido pelo prefeito de Guanambi, Nilo Coelho (Democratas), ex-governador do estado, e pelo deputado federal Arthur Maia (Democratas).
No início da tarde desta sexta, ele visitou também, em Caetité, a Casa Anísio Teixeira, espaço que guarda o acervo de um dos mais importantes educadores brasileiros e que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
Como desafios para a região, ele citou questões relacionadas à infraestrutura e a melhores condições hídricas para que a produção possa ser ampliada. Citou como importante a recente concessão do trecho entre Caetité e Ilhéus da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o projeto Iuiu, iniciativa de irrigação do Vale do Iuiú.
“É preciso ter um plano de desenvolvimento econômico voltado para cada região, compreendendo exatamente o diferencial que cada uma tem para oferecer. Aqui por exemplo nós temos hoje alguns desafios que, na minha opinião, passam também pelo poder local, pelo poder federal, mas muito pela presença e pela atuação do poder estadual. Desafios de infraestrutura, desafios que permitam melhores condições hídricas para expansão da produção. Nós vamos por exemplo discutir a questão do Projeto Iuiu, que é uma coisa que precisa começar a sair do papel”, afirmou.
Sobre a FIOL, afirmou que é preciso esforço político por parte do estado para “definitivamente acontecer”. “É preciso que ela seja toda feita essa integração ferroviária do Oeste com o Leste, incluindo é claro o projeto do Porto Sul em Ilhéus. Isso vai permitir uma dinamização da mineração em toda a região. A gente sabe que a produção da Bamin pode aumentar mais de 20 vezes do que é feito hoje. Isso tudo significará movimentação econômica, geração de emprego e distribuição de renda”, frisou.
ACM Neto afirmou ainda que a Bahia é ainda “muito desigual do ponto de vista social”. Ele ponderou que o estado tem muitos problemas no campo da pobreza e, para ele, a superação de tudo isso passa por um plano, uma estratégia de desenvolvimento econômico. “A Bahia não pode se contentar com nada menos do que ser líder de toda a região Nordeste. Mas isso não acontece por acaso, isso não vai acontecer se não houver planejamento e, acima de tudo, uma estratégia bem montada”, pontuou.
O presidente do Democratas citou também o potencial de crescimento da geração de energia eólica da região. “Nós temos hoje aqui parques eólicos com potencial de expansão muito grande, que gera empregos na implantação, que gera renda depois para os proprietários de terra. Esse parque tem que ser estimulado, incentivado, inclusive porque esse potencial de expansão enorme se trata de energia limpa, de energia que dialoga com o futuro”, disse.
Ele também alertou que não está em pré-campanha. O movimento ‘Pela Bahia’, disse, “tem como objetivo principal gerar essa aproximação e sobretudo trazer uma mensagem da nossa perspectiva futura para a Bahia”. O ‘Pela Bahia’ foi iniciado no mês passado na Chapada Diamantina e está agora, no Sudoeste, em sua segunda edição. O objetivo é ir a todas as regiões do estado até maio de 2022.
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu quatro de mandados de segurança questionando quebras de sigilo que foram determinadas ontem (10) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.
Até o momento, a decisão da CPI é questionada pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, o secretário de Ciência e Tecnologia do ministério, Helio Angotti, e o ex-assessor especial da pasta, Zoser Hardman de Araújo.
Na sessão de ontem, a comissão teve 23 novos requerimentos aprovados. Também terão os sigilos quebrados o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, o empresário Carlos Wizard e o virologista Paolo Zanotto.
Há ainda quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático das empresas PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos, Artplan e Calia Y2 Propaganda, todas responsáveis pela publicidade institucional do governo desde 2020.