A Comissão Mista de Orçamentos (CMO) do Congresso Nacional aprovou uma instrução normativa que autoriza o aumento do fundo eleitoral para R$ 5 bilhões em 2024, ano de eleições municipais.
O valor atual previsto no Orçamento de 2024 é de R$ 939,3 milhões. O Orçamento ainda não foi aprovado e precisa ser votado no Congresso.
A instrução normativa aprovada pela CMO autoriza os parlamentares a tirarem R$ 4 bilhões das emendas de bancadas estaduais para turbinar o “fundão”. Em valores exatos, o financiamento das campanhas ficará em R$ 4,962 bilhões.
A manobra pode tirar dinheiro da educação, da saúde e de obras de infraestrutura. Todos os anos, as emendas de bancada são direcionadas para essas áreas, com o objetivo de bancar projetos estruturantes e obras de grande vulto nos Estados.
Se o valor for aprovado, o fundo eleitoral para a campanha de prefeitos e vereadores será o mesmo que bancou as eleições presidenciais do ano passado. A quantia, porém, é mais do que o dobro das últimas eleições municipais, em 2020, de R$ 2 bilhões.
Os líderes do Congresso ainda não definiram se o aumento do fundo eleitoral vai ser realmente colocado em prática às custas das emendas de bancada. A regra aprovada nesta quarta-feira autoriza esse movimento.
A bancada de São Paulo, por exemplo, já negociou que mandará o valor das emendas para obras indicadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em troca, Tarcísio prometeu entregar R$ 10 milhões do orçamento estadual para cada deputado federal e senador de São Paulo indicar conforme bem entender.
O valor do “fundão” ainda pode aumentar. A quantia será fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Os dois projetos devem ser votados pelos parlamentares em dezembro.
Segundo o ex-presidente, o país terá o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) mais caro do mundo; ‘nosso futuro será o da Venezuela e Argentina’
Segundo Bolsonaro, setor de serviços será ‘duramente atingido’ pela reforma | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O plenário do Senado Federal votará, nesta quarta-feira, 8, o primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária. Demanda antiga dos brasileiros, a reforma do complexo sistema tributário do país tem, entre as principais medidas, a unificação de cinco impostos. Sua aprovação dependerá de 49 votos favoráveis.
Na manhã desta quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou em suas redes sociais duras críticas ao Senado, que tem em suas mãos uma reforma tributária “proposta por aquele que tem orgulho de ser comunista”.
“O Brasil não pode ter um ou outro Estado bem e os demais prejudicados”, avaliou o ex-presidente. A economia não irá girar. Todos perderão. Quem irá investir no Brasil sem mercado consumidor? Ou num país onde tudo que é produzido é extremamente caro? Os empresários, com toda certeza, investirão em outros países. Nosso futuro será o da Venezuela e Argentina”.
Pautas petistas
Bolsonaro disse ainda que o Partido dos Trabalhadores (PT) está ao lado da liberação das drogas, do aborto, do novo Marco Temporal, do fim da propriedade privada, da censura e que não considera o Hamas terrorista.
*Um voto que marcará o futuro de cada um de nós.*
– Hoje o Senado decide o futuro do Brasil. A Reforma Tributária, proposta por aquele que tem orgulho de ser chamado de comunista, será votada.
– Alguns senadores, que se elegeram ou reelegeram, dizem que tiveram algumas de suas…— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) November 8, 2023
*Um voto que marcará o futuro de cada um de nós.*
– Hoje o Senado decide o futuro do Brasil. A Reforma Tributária, proposta por aquele que tem orgulho de ser chamado de comunista, será votada.
– Alguns senadores, que se elegeram ou reelegeram, dizem que tiveram algumas de suas…
“O PT está ao lado de ditadores, contra o agronegócio, contra o legítimo direito à defesa, a favor da ideologia de gênero, ou seja, ao lado de tudo que repudiamos. Por que então essa proposta de Reforma Tributária seria boa?”, condenou.
Bolsonaro ressaltou que o setor de serviços, que mais gera empregos no Brasil, sofrerá um duro golpe por causa desta reforma. De acordo com ele, o agronegócio também terá prejuízos com aumento de carga tributária, assim como o setor de tecnologia e inovação.
“Já imaginou o pequeno empresário do setor de serviços, que hoje paga em torno de 8% de tributos, tendo que arcar com um IVA de quase 30%? Imagine você contratando um serviço, e descobrindo que irá pagar R$ 130 se o empresário emitir nota ou R$ 100 sem emitir nota? Fantasmas do passado irão retornar ao nosso país”, avaliou.
Senador Eduardo Braga (MDB-AM) | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Em resumo, a reforma tributária unifica cinco impostos — PIS, Cofins, IPI federais, ICMS estadual e ISS municipal — para criar um imposto único federal, o Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e o estadual, Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O IBS segue os moldes do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que vigora em mais de 170 países.
A reforma tributária foi aprovada nesta terça-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Na ocasião, apenas o Partido Liberal (PL) deu voto contrário ao texto, que tem como relator o senador Eduardo Braga (MDB-AM).
O Palácio do Planalto orientou ministros a não comentarem publicamente as críticas feitas ao Enem pela bancada do agronegócio. O diagnóstico é que qualquer movimento poderia escalar a crise com o setor.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pediu a anulação de questões do Enem por entender que elas tinham “cunho ideológico”. A bancada também quer a convocação do ministro da Educação, Camilo Santana, para dar explicações sobre ao Congresso sobre o ocorrido.
A reação acendeu o alerta no Planalto pelo risco de o episódio respingar na votação de projetos do governo. Diante disso, a ordem foi limitar qualquer resposta a notas e jogar a para o Inep, órgão encarregado de formular o Enem, a responsabilidade por rebater as críticas.
O diagnóstico feito pelo Planalto foi o de que os ministros da Educação e da Agricultura, Carlos Fávaro, deveriam ficar apartados do debate. A tendência era que eles acabassem dando mais munição aos ataques dos ruralistas, avaliou a Secretaria de Comunicação.
Isso porque, segundo apurou a CNN, Camilo e Fávaro têm visões divergentes sobre o episódio. O ministro da Educação rechaça a possibilidade de qualquer ingerência ideológica no exame. Já Fávaro advoga nos bastidores por concentrar nele as conversas sobre o tema e defende que haja gestos mais efetivos à bancada do agro.
Nos bastidores, aliados de Fávaro alertam para a necessidade de recompor com a bancada e reconhecem que a relação é distante e tem sido marcada por mal-estar entre as partes.
Sob reserva, fontes criticaram a participação de Fávaro na CPI do MST, marcada pelo embate entre o ministro e o então relator, Ricardo Salles (PL-SP), ao discutir a ocupação de terras pelo movimento.
A avaliação é de que cabe ao ministro a iniciativa de abrir diálogo com parlamentares ligados agro e evitar que o mau-humor respingue em pautas essenciais ao governo. A Frente Parlamentar é composta por 300 deputados e 44 senadores.
Para conselheiros do ministro, as reações da bancada contra o governo podem ser resolvidas com atendimento de pautas relevantes ao setor. Recentemente, o presidente da Frente reclamou, por exemplo, da demora na suplementação orçamentária para o seguro rural deste ano.
Na manhã desta terça-feira (07), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu para os homens “criarem coragem” para fazer o exame do toque que permite identificar os tumores da próstata que são palpáveis.
"Pergunte para sua mulher quantos toques ela leva na vida cada vez que vai no médico", diz Lula pic.twitter.com/sXmmluAoyr
“Seja homem, faça o exame de próstata”, comentou Lula em sua live semanal Conversa com o Presidente.
Nesse mês acontece a campanha ‘Novembro Azul’ com o objetivo de alertar para a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.
“Se ele tem medo de levar um toque do médico, ele pergunte para sua mulher quantos toques ela leva na vida cada vez que vai no médico, e sai a mesma mulher que entrou”, afirmou o petista na live.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse nesta terça-feira (7) concordar com a repatriação de imigrantes brasileiros que foram para Portugal se o país europeu devolver todo o ouro de Ouro Preto (MG) levado durante a colonização. A declaração foi dada após um comentário sobre a brasileira que sofreu xenofobia no aeroporto de Lisboa nesta segunda (6), durante a cerimônia de lançamento de um programa para fomentar capacitação de agentes de segurança. O R7 procurou a Embaixada de Portugal em Brasília e aguarda um posicionamento.
“Tem um vídeo atual, de ontem, de uma portuguesa xingando uma brasileira no aeroporto de Lisboa, dizendo ‘brasileira imunda, suja’, alguma coisa desse tipo, e ela diz assim no vídeo: ‘Vocês estão invadindo Portugal’. Bom, se for isso, nós temos direito de reciprocidade, né? Porque em 1500 eles invadiram o Brasil. E concordo, até que eles repatriem todos os imigrantes que lá estão, devolvendo junto o ouro de Ouro Preto, e aí fica tudo certo, a gente fica quite”, disse Dino.
Durante o evento, o ministro usou o exemplo da brasileira durante seu discurso sobre as reflexões, os desafios e as sugestões para o Brasil. Dino comentou ainda questões de liberdade de expressão e censura.
“Hoje se criou o seguinte: qualquer norma ou uma parte das normas é chamada de censura, liberdade de expressão. De onde tiraram a ideia que a liberdade de expressão protege você de xingar outra pessoa ou de você ameaçá-lá?”, completou.
Bolsa Formação
O programa do governo federal foi criado com o objetivo de capacitar agentes de segurança e disponibilizará 100 mil bolsas no valor de R$ 900 para policiais militares, civis e penais, bombeiros militares, integrantes de órgãos oficiais de perícia criminal e guardas municipais de estados.
Segundo o Ministério da Justiça, as ações de ensino buscam fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública e contribuir para questões relacionadas à proteção das mulheres, da população negra, de grupos em situação de vulnerabilidade e outros.
A CPI das ONGs no Senado pretende ouvir, ainda neste mês, Marina Silva para falar sobre eventuais favorecimentos a organizações não-governamentais ligadas à ministra do Meio Ambiente.
Segundo investigações da CPI das ONGs, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) – supostamente ligado à ministra – teria recebido financiamento de R$ 35 milhões do Fundo Amazônia. Desse montante, R$ 24 milhões foram utilizados para consultorias e viagens.
Caso Marina não queria comparecer ao colegiado, o presidente da comissão, senador Plínio Valério (PSDB-AM), cogita colocar em votação um requerimento de convocação de Marina. Hoje, a CPI da ONGs é a única em funcionamento no Congresso e tem maioria oposicionista.
A Frente Parlamentar do Agronegócio reclama que as perguntas da prova tinham “cunho ideológico”. “É inacreditável o governo federal se utilizar de desinformação em prova aplicada para quase 4 milhões de alunos brasileiros que disputam uma vaga nas universidades do Brasil”, disse a bancada.
A ineficiência do Estado Brasileiro está exposta. A vinculação de crimes a atividades legais no Brasil é um critério de retórica política para encobrir a ausência do Estado no desenvolvimento de políticas públicas eficientes e de combate a ilegalidades.” Trecho de nota da Frente Parlamentar do Agronegócio
Bancada pediu também a convocação do ministro da Educação, Camilo Santana, à Câmara e ao Senado. O grupo ainda quer informações sobre a banca organizadora do Enem e as referências usadas para a construção do exame.
Em nota enviada ao UOL, o Inep disse as questões são feitas por professores independentes e que não interfere nesse trabalho. “O processo envolve as etapas de elaboração e revisão pedagógica dos itens, além de validação pelo trabalho de uma comissão assessora. Os itens selecionados para a edição de 2023 passaram pelo fluxo estabelecido nas normativas do BNI (Banco Nacional de Itens)”, disse o órgão.
A reportagem também entrou em contato com o Ministério da Educação. Em caso de manifestação, esse texto será atualizado.
Veja as questões que a bancada do agro pede a anulação
O Enem é a principal porta de entrada ao ensino superior no país. Com o resultado da prova, os candidatos podem se inscrever no Prouni, programa de bolsas em universidades particulares, no Fies, mecanismo de financiamento, ou no Sisu, que oferta vagas nas instituições federais.Continua após a publicidade
Mais de 3,9 milhões de pessoas se inscreveram para o exame. Os candidatos responderam no 1º dia 90 questões de linguagens e ciências humanas e produziram uma redação de até 30 linhas.
Depois de três anos de queda no número de inscritos, houve aumento de cerca de 15% em 2023. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o Enem passou por tentativas de interferência, turbulências e registrou o menor número de inscritos em 17 anos — 3,4 milhões em 2022.
O segundo dia de exames acontece em 12 de novembro. Os candidatos terão de responder 90 questões de matemática e ciências da natureza. A prova tem início no mesmo horário, mas encerra às 18h30.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta segunda-feira, 6, que ainda não sabe qual será o encaminhamento dado por ele caso projetos que modifiquem o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam aprovados pelos senadores. O deputado, no entanto, defendeu uma proposta que possa limitar as chamadas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs).
“Não me cabe, eu nunca fiz, nem vou fazer agora julgamento do que o Senado está fazendo, se a Câmara vai fazer. Não sou o dono nem o chefe da Câmara. Eu apenas reúno o pensamento médio de todos os líderes de todos os partidos”, disse durante evento em São Paulo.
Atualmente os senadores discutem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita decisões monocráticas e pedidos de vista dos ministros do STF. Sobre as ADIs, Lira disse que é preciso aumentar “o sarrafo” de quem pode acionar o Supremo.
“É preciso subir o sarrafo. Não me cabe, nunca fiz, nem vou fazer julgamentos do que o Senado está fazendo”, disse Lira.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) está enfrentando dificuldades na retirada de cerca de 30 brasileiros que se encontram na Faixa de Gaza, no Oriente Médio. A região está sob bloqueio israelense e egípcio, tornando o acesso humanitário complicado. Esse episódio expõe a falta de preparo da diplomacia brasileira para questões verdadeiramente importantes, contrastando com a agilidade demonstrada quando o interesse era minar o próprio presidente Jair Bolsonaro.
Segundo uma matéria da revista Veja, uma rede operava nos “porões” da instituição, agindo de maneira covarde e vil para desacreditar o presidente e privá-lo de informações importantes em suas relações com outros líderes mundiais. A instituição teria sido infiltrada por aliados políticos da esquerda progressista, resultando em uma clara ação de traição ao Brasil.
Este escândalo revela também uma crescente politização da diplomacia brasileira, que já não é mais vista como uma instituição respeitada. A fragilização e desmoralização do Itamaraty são preocupantes, pois essa instituição é crucial para a defesa dos interesses do Brasil no exterior.
O desafio presente na retirada dos brasileiros em Gaza, em meio a um contexto complexo e delicado, evidencia a necessidade de um planejamento adequado e de uma atuação diplomática eficaz. É fundamental que o Itamaraty se reestruture, reafirme sua credibilidade e dedique-se a questões prioritárias, como a proteção de cidadãos brasileiros em situações de emergência no exterior.
Para além disso, é essencial que os órgãos responsáveis investiguem as denúncias de manipulação política e traição institucional, visando a punição dos envolvidos e a restauração da confiança nos quadros diplomáticos do país. A sociedade brasileira, assim como os brasileiros em Gaza, merecem uma diplomacia transparente, comprometida com os interesses nacionais e capaz de atuar de forma responsável e eficiente em situações de crise.
O presidente Joe Biden está atrás do ex-presidente Donald Trump em cinco dos seis estados mais decisivos na disputa pela presidência dos EUA, a um ano de os americanos irem às urnas. Pesquisa do New York Times e da Universidade Siena divulgada neste domingo mostra que o democrata enfrenta dois grandes obstáculos para seguir na Casa Branca: convencer os eleitores de que sua idade não é um problema e a profunda insatisfação da maioria deles em relação a como o atual governo toca a economia americana.
Biden perde para Trump, seu mais provável rival no flanco republicano, por margens de três a 10 pontos percentuais em Nevada, Arizona, Geórgia, Michigan, e Pensilvânia. O democrata está à frente apenas em Wisconsin, por dois pontos percentuais. Na média, nos seis estados decisivos — e em todos Biden venceu Trump em 2020 — o republicano bate o democrata por 48% a 44%.
Foram entrevistados, por telefone, 3.662 eleitores registrados, de 22 de outubro a 3 de novembro. Quando todos os estados são combinados, a margem do erro é de 1,8 pontos.
Impressiona o tamanho do descontentamento com o atual governo. A maioria dos eleitores responde que as políticas de Biden os “prejudicaram pessoalmente”. E a coligação multirracial e multigeracional que elegeu Biden parece especialmente desgastada.
Os grupos demográficos que apoiaram Biden por margens esmagadoras em 2020 são agora mais disputados pelos republicanos, com dois terços do eleitorado total afirmando que o país ruma na direção errada. Eleitores com menos de 30 anos favorecem Biden por apenas 1%. Sua vantagem entre os eleitores de origem latino-americana caiu para a casa de um dígito e sua frente nas grandes áreas urbanas é metade da que Trump abriu nas regiões rurais. Embora as mulheres ainda prefiram Biden, os homens apoiam Trump por margem duas vezes maior, revertendo a vantagem de gênero que alimentou tantas conquistas democratas nos últimos anos.
E os eleitores afro-americanos – há muito uma fonte de votos para os democratas e para Biden – registram agora 22% de apoio a Trump nestes estados, nível jamais visto na política presidencial para um republicano.
Num sinal notável de um possível realinhamento étnico entre os dois partidos, quanto mais diversificado o estado decisivo, mais atrás Biden aparece na pesquisa, liderando apenas no mais branco dos seis. Trump lidera por 10 pontos em Nevada e cinco no Arizona, estados com grande população hispânica, seis na Geórgia, com substancial eleitorado afro-americano, cinco em Michigan, e quatro na Pensilvânia.
Rejeição é alta nos dois lados
Biden e Trump são profundamente – e igualmente – impopulares, de acordo com a pesquisa. Mas os eleitores que afirmaram esmagadoramente que o país estava no caminho errado descarregam suas frustrações no presidente de forma enfática.
— O mundo está desmoronando sob Biden — diz Spencer Weiss, especialista em subestações elétricas de 53 anos de Bloomsburg, Pensilvânia, que apoiou Biden em 2020, mas agora pretende votar em Trump, embora ainda tenha algumas reservas.
— Prefiro um líder que seja um modelo positivo para o país. Mas pelo menos acho que Trump é inteligente — diz.
Biden ainda tem um ano para reverter a situação. Os indicadores económicos estão em alta, mesmo que os eleitores não concordem com eles. E Trump continua sendo uma figura polarizadora. Os conselheiros do presidente, que tem muito dinheiro para a campanha, fazem questão de lembrar que os democratas tiveram sucesso ao limitar as tidas como inevitáveis perdas do partido nas eleições de meio de mandato, em 2022, apesar dos baixos índices de aprovação de Biden.
Ainda assim, a pesquisa divulgada neste domingo mostra como Biden entrará em 2024 com enorme déficit de apoio, mesmo com Trump indiciado por acusações criminais e com prováveis batalhas nos tribunais nos próximos meses. Se os resultados da pesquisa fossem os mesmos em novembro próximo, Trump provavelmente obteria mais de 300 votos no Colégio Eleitoral, muito acima dos 270 necessários para voltar à Casa Branca.
Outro sinal amarelo para os democratas é que os eleitores, em todos os níveis de renda, dizem que as políticas econômicas implantadas por Biden em seu primeiro mandato os “prejudicaram pessoalmente”. E a resposta é oposta no caso de Trump. Trump tem uma vantagem de 17 pontos por tê-los ajudado e Biden uma desvantagem de 18 pontos por tê-los prejudicado.
Para Biden, que completa 81 anos no fim do mês, ser o presidente mais velho da história americana é, também, um problema cada vez mais evidente. Uma esmagadora maioria de 71% apontou na pesquisa que ele é “muito velho” para ser um presidente eficaz — opinião partilhada em todos os grupos demográficos e geográficos na sondagem, incluindo impressionantes 54% de quem diz que votará nele. Em contraste, apenas 19% dos eleitores de Trump, que tem 77 anos, o consideravam demasiadamente velho. Do eleitorado geral, 39%.
Economia é pedra no sapato de Biden
As preocupações com a idade e a acuidade mental do presidente – 62% dos entrevistados também responderam que Biden carece da “rapidez mental” necessária para o cargo – são apenas a ponta do iceberg de fraquezas de Biden revelados pela pesquisa.
Os eleitores, por uma margem de 59% a 37%, disseram que confiam mais em Trump do que em Biden na economia. A preferência por Trump neste quesito é maior entre homens e mulheres, nos com ou sem diploma universitário, em todas as faixas etárias e em todos os níveis de renda.
Isso é especialmente problemático para Biden porque quase o dobro dos eleitores disseram que justamente a economia determinará o seu voto em 2024, em comparação com as questões sociais e culturais, como aborto ou a posse de armas. E esses eleitores do “é a economia, estúpido” favorecem Trump com uma vitória esmagadora: 60% a 32%.
As entrevistas foram feitas após a campanha de Biden ter investido milhões de dólares em anúncios promovendo seu histórico e o presidente percorrer o país para defender a economia americana sob sua direção. “Pessoal, Bidenomics é apenas outra maneira de dizer o sonho americano!” ele declarou na quarta-feira em uma viagem a Minnesota.
Os eleitores, no entanto, mostra a pesquisa, discordam de Joe Biden. Apenas 2% avaliam que a economia dos EUA “está excelente”. Eleitores com menos de 30 anos – grupo que votou em massa em Biden em 2020 – disseram que confiavam mais em Trump do que em Biden na economia por uma margem de 28 pontos percentuais, após anos de inflação e altas taxas de juros, para os padrões americanos, que tornaram as hipotecas, por exemplo, muito menos acessíveis. Menos de 1% dos entrevistados com menos de 30 anos classificaram a economia atual como “excelente”, incluindo zero nessa faixa etária em três estados: Arizona, Nevada e Wisconsin.
— Tinha grandes esperanças no Biden. Mas aí veio a inflação, a guerra na Ucrânia, agora a de Israel com o Hamas, e nossas fronteiras não estão nada seguras — disse Jahmerry Henry, 25 anos, que empacota bebidas alcoólicas em Albany, na Geórgia e planeja votar em Trump.
Patricia Flores, 39, de Reno, Nevada, votou em Biden em 2020, mas não repetirá o ato no ano que vem:
— Não vejo nada que ele tenha feito para nos beneficiar.
Dificuldade em reconstruir a ‘muralha azul’
Em 2020, o caminho de Biden para a vitória foi reconstruir a chamada “muralha azul” nos antigos estados industriais de Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, e depois expandi-la aos mais diversificados estados do chamado Cinturão do Sol, no sudoeste, incluindo Arizona e Geórgia.
Pois a pesquisa mostra que, no momento, Biden é notavelmente mais forte nos estados industriais do norte do que no mais diversificado Cinturão do Sol.
Os eleitores preferem Trump a Biden na política de imigração por 12 pontos, na segurança nacional por outros 12 e na questão Israel-Palestina por 11 pontos. E, embora uma maioria de 58% defenda o aumento da ajuda econômica e militar à Ucrânia — alinhados à política de Biden — isso não parece beneficiar o presidente na percepção de quem é melhor para a política externa americana.
— Não acho que Biden seja o cara certo para enfrentar líderes mundiais que não o respeitam ou não o temem — disse Travis Waterman, 33 anos, que trabalha na restauração de casas em Phoenix. Ele votou em Biden em 2020, mas agora o vê como “fraco” e deve ir de Trump.
Já em segurança nacional, a disparidade de gênero é gigantesca na pesquisa. Os homens preferem Trump, 62% a 33%; as mulheres, Biden, apertado, 47% a 46%.
A questão mais forte para Biden na pesquisa é sobre o aborto. No tópico, ele abre vantagem de 9 pontos percentuais. O democrata também lidera na confiança dos eleitores, mas por apenas três pontos, em “ser um defensor dos valores democráticos”.
Biden já sobreviveu a maus resultados nas pesquisas. Em outubro de 2022, no período que antecedeu às eleições do meio de mandato, seu índice de aprovação era quase o mesmo do de hoje. E os democratas perderam menos cadeiras do que o esperado na Câmara e ainda ganharam uma no Senado, em parte por pintar os candidatos republicanos como extremistas.
O retrato do momento revela que o grau em que os eleitores se afastam da personalidade e do estilo bombástico de Trump – a cola que tem ajudado a manter unida a coligação democrata – diminuiu. Apenas 46% dos pesquisados disseram que Biden tinha o temperamento adequado para ser presidente, pouco mais do que os 43% de Trump. Dito isto, Trump estará mais sob os holofotes em 2024, inclusive nos tribunais, o que poderá lembrar aos eleitores por que afinal decidiram tirá-lo da Casa Branca em 2020.