Brazils President Luiz Inacio Lula da Silva attends a ceremony for the signing of the new Digital Statute for Children and Adolescents, which aims to restrict access to social media, at the Planalto Palace in Brasília on March 18, 2026. (Photo by Evaristo Sa / AFP)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a visita do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado do país, Marco Rubio.
Nos encontros que aconteceram esta semana, uma das principais pautas levadas por Flávio foi o pedido para tornar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) grupos terroristas, o que foi oficializado na última quinta-feira (28).
Durante a fala de Lula, no entanto, há uma afirmação equivocada com relação às ações dos EUA após a decisão. Segundo o petista, o governo Trump estaria disposto a realizar uma intervenção militar no Brasil, o que não foi dito em nenhum trecho do comunicado de Marco Rubio.
— Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção — afirmou Lula em evento nesta sexta (29).
O comunicado oficial, no entanto, não menciona qualquer ação militar em território brasileiro, apenas medidas de proteção aos Estados Unidos diante da atuação violenta do grupo (leia a íntegra do documento ao final do texto).
Lula também afirmou que as facções criminosas brasileiras não são alvos de interesse dos Estados Unidos, alegando que os grupos fazem terrorismo apenas contra o povo brasileiro, e usando o nome de Osama bin Laden a título de comparação.
— Eles não são os terroristas que o Trump quer, como o Osama bin Laden — declarou o presidente.
Leia a declaração do governo norte-americano: Hoje, o Departamento de Estado dos Estados Unidos está designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com vigência a partir de 5 de junho de 2026.
O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, elas comandam milhares de integrantes e foram responsáveis pela coordenação de ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e chegando ao nosso país.
O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos financeiros que sustentam narcoterroristas violentos. A ação adotada hoje pelo Departamento de Estado demonstra, mais uma vez, o compromisso inabalável do governo Trump com o desmantelamento de cartéis e organizações criminosas em nossa região e com a garantia da segurança do povo americano.
As medidas anunciadas hoje são adotadas com base na Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos (Immigration and Nationality Act) e na Ordem Executiva 13224. As designações como Organização Terrorista Estrangeira (FTO) entram em vigor após sua publicação no Federal Register (Diário Oficial Federal dos Estados Unidos).
Marco Rubio Secretário de Estado dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para uma visita à Casa Branca na próxima semana. A informação foi divulgada pelo site Cláudio Dantas e confirmada pelo Poder360.
Segundo a equipe de pré-campanha, o convite partiu do próprio Trump. O gesto ocorre semanas após o encontro do republicano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em território norte-americano, movimento visto como relevante no cenário diplomático.
Aliados avaliam que a reunião pode reforçar a imagem de aproximação internacional do pré-candidato, em meio à repercussão da visita de Lula, considerada positiva pelo governo brasileiro.
As tratativas acontecem após a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil, no qual Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Ditador Miguel Díaz-Canel acusou Washington de criar pretextos para ampliar a pressão contra Havana
Segundo ditador cubano, uma ação militar poderia provocar “um banho de sangue com consequências incalculáveis” | Foto: Reprodução/X/@DiazCanelB
O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira, 18, que o regime do país tem o direito “legítimo” de responder a um “eventual ataque” dos Estados Unidos em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington.
A declaração ocorreu depois de o site Axios publicar que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e avaliado possíveis cenários de uso nas proximidades da base naval norte-americana de Baía de Guantánamo.
Segundo a publicação, autoridades norte-americanas consideram a movimentação uma ameaça crescente à segurança dos EUA.
Ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel realizou comentários na rede social X depois que site norte-americano informou compra de mais de 300 drones militares | Foto: Reprodução/Twitter
Em publicação na rede X, Díaz-Canel afirmou que Cuba possui o “direito absoluto e legítimo” de se defender contra uma eventual ofensiva militar norte-americana. O ditador também acusou Washington de tentar construir justificativas políticas para uma possível intervenção na ilha comunista.
Segundo ele, uma ação militar poderia provocar “um banho de sangue com consequências incalculáveis”. O ditador cubano ainda alegou que Havana “não representa ameaça” e não possui intenções hostis contra outros países.
Governo Trump amplia pressão sobre Havana
O governo do presidente Donald Trump intensificou nos últimos meses a pressão sobre o regime cubano. Além do embargo econômico, mantido desde 1962, Washington adotou novas restrições ao fornecimento de petróleo para a ilha, ao aprovar em maio um novo pacote de sanções.
Trump também voltou a classificar Cuba como uma “ameaça excepcional” à segurança nacional norte-americana e ameaçou ampliar a presença militar dos EUA na região do Caribe.
Na última semana, o diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Havana para reuniões com integrantes da cúpula cubana. O encontro ocorreu em meio à escalada das tensões diplomáticas entre os dois países.
Presidente destaca que país sul-americano possui US$ 40 trilhões em petróleo; regime venezuelano rejeita hipótese
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Divulgação/Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera transformar a Venezuela em um “51º Estado” norte-americano, em meio à ampliação da presença de Washington no setor petrolífero do país sul-americano. A declaração ocorre meses depois da captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
Em entrevista à emissora Fox News, Trump disse que o interesse na Venezuela está ligado ao potencial energético do país. “A Venezuela ama Trump”, afirmou o republicano, ao citar estimativas de que o território detenha cerca de US$ 40 trilhões em reservas de petróleo.
Segundo a emissora, integrantes do governo dos EUA vêm se reunindo há meses com executivos de grandes petrolíferas para incentivar investimentos na Venezuela. Empresas como Exxon e Conoco tinham deixado o país havia quase duas décadas, durante a política de nacionalização conduzida pelo ex-ditador Hugo Chávez.
Hugo Chávez e Nicolás Maduro no XVIII Encontro do Foro de São Paulo, em Caracas, Venezuela (6/7/2012) | Foto: Wikimedia Commons
Trump já havia declarado, em janeiro, que os Estados Unidos “administrariam” a Venezuela durante um período de transição política. Na ocasião, Maduro foi levado para Nova York, onde responde a acusações ligadas a narcotráfico e terrorismo apresentadas pelo Departamento de Justiça norte-americano.
De acordo com a Fox News, a atual vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, passou a atuar em coordenação com a Casa Branca durante o período de transição. O governo Trump também afirma que a produção e as exportações de petróleo venezuelano voltaram a crescer sob supervisão dos EUA.
Em abril, os embarques teriam superado 1 milhão de barris por dia, o maior volume desde 2018. Em março, Trump já havia sugerido a possibilidade de anexação em publicação na rede Truth Social. “Coisas boas estão acontecendo na Venezuela ultimamente! Será que isso tem a ver com estadualidade, nº 51?”, escreveu.
Delcy Rodríguez comenta anexação da Venezuela pelos EUA
A proposta foi rejeitada por Delcy Rodríguez. Questionada sobre a hipótese de a Venezuela se tornar parte dos Estados Unidos, a atual líder venezuelana afirmou que isso “jamais seria considerado”. “Se há algo que nós, venezuelanos, temos, é amor pelo nosso processo de independência, pelos nossos heróis e heroínas da independência”, disse a jornalistas.
Uma eventual anexação dependeria de aprovação do Congresso dos EUA e do consentimento formal da própria Venezuela. O país se soma a outros territórios mencionados recentemente por Trump em declarações sobre expansão territorial norte-americana, entre eles Groenlândia, Canadá, Cuba e Panamá.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá um encontro oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima quinta-feira (7). O embarque do petista para Washington, capital americana e onde a reunião ocorrerá, será na véspera.
A reunião é tratada pelo governo brasileiro como estratégica para reaproximar os dois países após meses de tensões diplomáticas e comerciais, incluindo tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Entre os principais temas previstos para a agenda bilateral estão, além de questões de comércio, os minerais críticos, terras raras, cooperação em segurança pública e a situação da Venezuela.
A viagem ocorre em um momento delicado para o Palácio do Planalto. Na semana passada, Lula sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional: a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e por tentativa de golpe de Estado.
Inicialmente previsto para março, o encontro foi adiado em razão do agravamento da crise no Oriente Médio, que alterou prioridades da agenda da Casa Branca. Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou negociações para tentar reverter medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Outro tema relevante será a cooperação em segurança pública e combate ao crime organizado. O Brasil tem atuado para evitar que facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) sejam classificadas pelos EUA como organizações terroristas internacionais, posição contrária a aquela que é encampada pela gestão Trump.
A relação entre os países também atravessou um atrito diplomático recente envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi detido nos Estados Unidos por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Dias depois, o governo Trump retirou as credenciais do delegado brasileiro que colaborou na detenção.
Em resposta, o Brasil adotou medida semelhante e suspendeu as credenciais de agentes americanos no país com base no princípio da reciprocidade diplomática. Posteriormente, parte das credenciais foi restabelecida. A expectativa do Itamaraty é de que o encontro entre Lula e Trump ajude a destravar pautas econômicas e reduza tensões acumuladas entre Brasília e Washington ao longo dos últimos meses.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o papa Papa Leão XIV, o chamou de “fraco” e declarou que sua atuação prejudica a Igreja Católica. Em publicação nas redes sociais neste domingo (12), o líder americano também declarou preferência pelo irmão do pontífice e rejeitou posições que, segundo ele, seriam tolerantes em temas internacionais.
“O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, disseTrump no Truth Social . No entanto, não há qualquer evidência de que o pontífice tenha defendido o uso de armas nucleares pelo Irã.
Pedido por paz
As críticas ocorreram após o papa reforçar apelos por paz no Oriente Médio. Mais cedo, Leão XIV afirmou solidariedade ao “amado povo libanês” e defendeu um cessar-fogo, em meio à escalada do conflito na região, que já dura semanas.
Trump também questionou a escolha do pontífice, sugerindo que sua eleição teria relação com a política americana. “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”.
Em novas declarações, o presidente intensificou os ataques, dizendo que “não é um fã do papa Leão XIV” e o acusando de ter posições liberais. Ele também criticou encontros do pontífice com figuras ligadas a governos anteriores e afirmou que o religioso “deveria se recompor”, deixando a política de lado. Após a publicação, Trump divulgou ainda uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece em trajes religiosos.
Papa responde a críticas e pede diálogo
A bordo do avião para Argélia nesta segunda-feira (13), o papa Leão XIV respondeu às críticas feitas pelo presidente de Trump.“Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz”, disse. O líder religioso também destacou a importância da cooperação entre nações e voltou a pedir cessar-fogo em conflitos atuais. Segundo ele, decisões globais devem priorizar a vida humana e evitar escaladas de violência.
*Secom Foto: Official White House Photo by Daniel Torok
Nesta última sexta-feira (10), o conselheiro de Donald Trump, Jason Miller, compartilhou em suas redes sociais uma foto feita por inteligência artificial que mostra ele prendendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na legenda da publicação, Miller escreveu:
– Os haters vão dizer que isso é IA.
Miller faz várias críticas ao ministro brasileiro pelas redes, na última segunda (6), ele afirmou que Moraes é trapaceiro e será preso. Ele também disse que o presidente Lula (PT) é fantoche da China.
– Alexandre de Moraes é um vigarista e logo estará na prisão. O atual presidente Lula é um fantoche da China e está traindo o Hemisfério Ocidental – escreveu.
No mesmo post, o americano afirmou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “é o único que pode salvar o Brasil”.
Benjamin Netanyahu afirma alinhamento com decisão de Washington e cita violação iraniana em negociações de paz
Benjamin Netanyahu e Donald Trump | Foto: Reprodução/Instagram Donald Trump
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou apoio ao bloqueio dos portos iranianos anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante reunião do conselho de ministros, Netanyahu afirmou que o Irã violou normas relacionadas a negociações de paz e disse que Trump decidiu impor um bloqueio naval.
“Nós apoiamos, é claro, uma postura firme e estamos em constante cooperação com os EUA”, disse o premiê.
Israel detalha volume de bombardeios no Irã
Levantamento do jornal The Times of Israel, com base em dados das Forças de Defesa de Israel, mostra que o país, em conjunto com os EUA, lançou pelo menos 24 mil ataques contra o Irã desde o início da guerra no Oriente Médio.
Em resposta às ofensivas do Irã, que resultaram na morte de 24 civis e deixaram milhares de feridos, Israel e EUA conduziram uma campanha aérea intensiva com caças F-15, F-16 e F-35 contra alvos militares estratégicos no território iraniano.
O governo israelense afirma ter realizado mais de 10,8 mil ataques, dentro de um total superior a 18 mil bombas lançadas em cerca de mil operações aéreas.
Além disso, a Força Aérea israelense executou cerca de 8,5 mil missões de combate. Os EUA realizaram aproximadamente 13 mil ataques adicionais contra instalações militares iranianas. Segundo a Human Rights Activists News Agency, mais de 1,9 mil civis e mais de 1,7 mil militares morreram.
Disputa pelo Estreito de Ormuz amplia efeitos da guerra
Além dos portos iranianos, EUA e Israel concentram forças para ordenar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. No último sábado, 11, agentes do Comando Central dos EUA iniciaram uma operação para detectar e remover minas navais na rota marítima.
Conforme Oeste, a região é responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo consumido globalmente. A simples ameaça à sua operação já foi suficiente para encarecer seguros marítimos, pressionar fretes e desorganizar cadeias logísticas.
Esse impacto atua como um tributo indireto sobre a economia global. Ele eleva os custos de combustíveis, alimentos e transporte, pressiona a indústria e leva os bancos centrais a manterem juros altos. O quadro resultante combina crescimento fraco com inflação persistente — um cenário historicamente complexo de administrar e com elevado risco político.
Casa Branca informa que nova oferta mais enxuta será discutida em encontro mediado pelo Paquistão
A Casa Branca declarou que era inaceitável o acordo de paz sugerido pelo Irã | Foto: Reprodução/X/@RapidResponse47
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira, 8, que os Estados Unidos rejeitaram o plano de dez pontos apresentado pelo Irã para um acordo de paz. Segundo ela, Washington considerou a proposta “inaceitável”.
Leavitt declarou que, depois da recusa, Teerã apresentou uma versão mais enxuta. As partes devem discutir essa nova proposta em Islamabad, com mediação do Paquistão. A Casa Branca não divulgou o conteúdo e informou que os encontros ocorrerão de forma reservada.
O governo iraniano não respondeu diretamente às declarações. Ainda assim, indicou que mantém a proposta inicial como base válida. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, reforçou essa posição em comunicado oficial.
Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, 8 | Foto: Shutterstock
No texto, Ghalibaf citou declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, que teria classificado a proposta como uma “base fiável para se negociar”. O documento sustenta a validade dos termos apresentados por Teerã.
Pontos do plano e impasses
Segundo a agência estatal Mehr, o plano reúne dez medidas: não agressão; permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz; aceitação do enriquecimento de urânio pelo país; suspensão de todas as sanções primárias ao Irã; suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã; revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU; revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA; pagamento de indenização ao Irã; retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região; cessação da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Não há clareza sobre o momento de aplicação das medidas, se vinculadas ao cessar-fogo ou à assinatura de um acordo definitivo. Ghalibaf afirmou que Estados Unidos e Israel descumpriram compromissos de não agressão e mencionou violação do espaço aéreo iraniano com uso de drone.
Trump já declarou que o fim do programa nuclear iraniano é condição para encerrar o conflito. Nesta quarta-feira, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz.
O presidente norte-americano associa o cessar-fogo à abertura do Estreito de Ormuz, que é controlado pelo governo iraniano
Em postagem, Trump afirma interesse em chegar a um acordo de paz com os iranianos | Foto: Reprodução/Instagram Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, no início da noite desta terça-feira, 7, a suspensão das ações militares no Irã. A decisão ocorre horas antes de estourar o prazo que o chefe da Casa Branca havia dado para o regime iraniano se render. Mais cedo, o republicano havia falado que uma “civilização inteira” morreria hoje.
O anúncio da suspensão dos atos dos EUA no país persa se deu por meio da rede social Truth Social. O político norte-americano avisou que a trégua durará, inicialmente, duas semanas. Ele tornou público o interesse em transformar o cessar-fogo em acordo de “paz a longo prazo”.
Trump também fez questão de citar que o cessar-fogo ocorre por intermédio do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O líder paquistanês havia pedido ao governo dos EUA a suspensão do ataque previsto para a noite desta terça-feira. Também partiu dele a ideia de trégua por ao menos duas semanas.
“Este será um cessar-fogo bilateral”, afirmou o presidente norte-americano, em mensagem na Truth Social. “A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio.”
Trump avisa o Irã: cessar-fogo só vale com a reabertura de Ormuz
Na mesma postagem, Trump condicionou a suspensão por duas semanas à reabertura imediata do Estreito de Ormuz pelo regime teocrático do Irã. O canal interliga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, consequentemente, ao Oceano Índico. É a principal rota para o transporte do petróleo produzido pelos iranianos e pelos países do Oriente Médio.
“Solicitaram que eu suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite”, afirmou o presidente dos EUA. “Mas desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz.”
“Recebemos uma proposta de dez pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação”, garantiu Trump. “Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado. Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução.”