Financista comentou situação após ser informado do caso pelo ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steve Bannon
Jeffrey Epstein Foto: Departamento de Justiça Criminal do estado de Nova Iorque
A divulgação mais recente de arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein trouxe à tona um diálogo envolvendo o financista e o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steve Bannon, com menção direta ao atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro(PL) durante a campanha presidencial de 2018.
Segundo os documentos, que integram o material tornado público no fim de janeiro, Bannon teria informado: “Bolsonaro acabou de ser esfaqueado no Brasil”. Na sequência, Epstein respondeu: “Antes ele do que eu”, e, minutos depois, completou: “Ou você”.
O conteúdo faz parte do conjunto de mensagens preservadas nos arquivos das investigações relacionadas ao financista. Os registros indicam que Epstein e Bannon mantinham comunicação frequente, com trocas sobre temas políticos nos Estados Unidos e acontecimentos internacionais.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram que o autor da facada em Bolsonaro foi Adélio Bispo de Oliveira, que segundo a corporação teria agido sozinho e por motivação política. Dois inquéritos concluídos entre 2018 e 2020 sustentaram essa versão, sem identificação de mandantes ou participação de terceiros.
Senador e pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cresceu na pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (4), e está tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto em um eventual segundo turno das eleições deste ano. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também empatam com o petista na margem de erro.
Lula tem 45,8% contra 41,1% de Flávio. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. Com isso, o petista pode ter de 43,3% a 48,3% das intenções de voto, enquanto Flávio pode ter de 38,6% a 43,6%. Na primeira rodada da pesquisa, realizada entre os dias 8 e 12 de janeiro, o placar era de 46,2% a 36%.
No levantamento de fevereiro, o atual presidente vence Tarcísio por 44,7% a 42,2% e Michelle por 45% a 40,7%.
O Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas por telefone entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08425/2026.
No primeiro turno, Lula empata por 38,7% a 35,3% com Flávio, no cenário com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, candidato pelo PSD. Também no primeiro turno, o presidente empata no limite da margem com Tarcísio (40% a 35%), se o PSD não tiver candidato a presidente.
Nos demais cenários, o atual chefe do Executivo federal lidera com uma vantagem superior à margem de erro.
OUTROS CANDIDATOS
Fora os candidatos da família Bolsonaro e Tarcísio, quem tem melhor desempenho contra Lula no segundo turno é o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Ele perderia para o presidente por 45% a 38%.
Romeu Zema (Novo-MG) vem logo atrás (45% a 34,5%), seguido de Ronaldo Caiado (45% a 34%) e Eduardo Leite (45,4% a 21%).
A pesquisa também testou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como candidato governista no lugar de Lula. O petista aparece tecnicamente empatado com candidatos de direita nos três cenários testados.
No segundo turno, Haddad tem 41,8% contra 40% de Flávio; 40,5% contra 44,5% de Tarcísio; e 42% contra 39% de Ratinho Jr.
Gestão petista também é reprovada em temas como economia, segurança pública, saúde e educação
Lula, durante discurso em reunião ministerial – 17/12/2025 | Foto: Reprodução/Youtube/Lula
A maioria dos brasileiros desaprova o governo Lula. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo Meio/Ideia mostra que 51,4% dos entrevistados desaprovam o governo petista, enquanto 46,6% disseram que aprovam.
Outro dado revelador é a avaliação do governo. Para 26%, o governo é péssimo, e para 18,7%, ruim, perfazendo uma avaliação negativa de 44,7%. A avaliação positiva (ótimo e bom) é de 34,1%.
Avaliação do governo Lula em 04/02/2026 | Foto: Reprodução/Meio/Ideia
Lula é mal avaliado em economia, segurança, saúde e educação
A pesquisa Meio/Ideia também mostra que, setorialmente, o governo Lula é mal avaliado. Predominam em economia, segurança pública, saúde e educação o conceito de “péssimo”. Em Economia, 27% acham a gestão de Lula péssima e 14% ruim.
Em segurança, o porcentual de péssimo é o maior de todas as áreas: 32,9%. Somado ao índice de “ruim”, a avaliação negativa nesse setor é de 52,3%.
Em saúde, o conceito “péssimo” é citado por 28,9% dos entrevistados, e a avaliação negativa chega a 39,6%. Por fim, em educação, a avaliação negativa é de 38,4%, somando quem acha a gestão ruim ou péssima.
Avaliação do governo Lula por setor, em 04/02/2026 | Foto: Reprodução/Meio/Ideia
A pesquisa consultou 1,5 mil pessoas entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro, por telefone. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais. O levantamento, pago pelo Meio, tem intervalo de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08425/2026.
O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, anunciou nesta segunda-feira (2) a abertura do processo de licitação para a construção e requalificação de diversas praças no município. O anúncio foi feito durante evento realizado no Paço Municipal Maria Quitéria, que reuniu secretários municipais, vereadores, imprensa e moradores de diferentes bairros da cidade.
Segundo o prefeito, o investimento inicial previsto é de cerca de R$ 10 milhões, podendo chegar a aproximadamente R$ 11 milhões com a execução total das obras. “Estamos investindo em espaços públicos que vão transformar a paisagem urbana, oferecendo mais conforto, lazer e valorização para os bairros e para o centro da cidade”, afirmou José Ronaldo.
Durante o encontro, foram apresentadas as plantas e projetos de algumas das praças que passarão por intervenções. Entre elas está a Praça Dois de Julho, um dos espaços mais antigos de Feira de Santana, além da Praça do Nordestino. Todas as praças contempladas terão piso intertravado, garantindo mais durabilidade, acessibilidade e melhor acabamento urbano.
Também será totalmente reconstruída a Praça João Barbosa de Carvalho, localizada nas proximidades do Fórum Felinto Bastos. No local, um antigo posto de combustíveis será retirado para a implantação de um espaço de apoio e descanso voltado a motoristas, motoboys e condutores de aplicativos.
Outras áreas que receberão novos equipamentos públicos incluem uma praça no bairro Panorama com academia de saúde, parque infantil e mesas para jogos; uma praça no bairro Parque Ipê, atendendo a solicitações dos moradores de uma área tradicionalmente utilizada para eventos de forró; e a Praça da Morada das Árvores, considerada uma das maiores da cidade, que receberá uma ampla academia de saúde.
O projeto prevê ainda a implantação de cinco academias de saúde em pontos estratégicos, como as avenidas Nóide Cerqueira, Fraga Maia e Getúlio Vargas, com acompanhamento de profissionais para orientar os frequentadores. “Esse processo de urbanização fortalece o comércio, movimenta a economia e melhora a qualidade de vida da população”, destacou o prefeito.
Também estão incluídas no pacote de obras as praças do Sapateiro, Froés da Mota — que será transformada em um ponto de cultura com atrações musicais e apresentações artísticas —, Praça do Cruzeiro, no Alto do Cruzeiro, uma praça no bairro da Conceição, a Praça do Jacú, no distrito da Matinha, além de uma nova praça no bairro Gabriela, ao lado de uma unidade de saúde, em uma área que abriga uma nascente de água com bica.
Com a execução das obras, a Prefeitura busca requalificar áreas públicas estratégicas, ampliar as opções de lazer, esporte e convivência social, além de estimular o desenvolvimento econômico e urbano de Feira de Santana, reforçando o papel das praças como espaços de integração, cultura e bem-estar para a população.
O Corinthians é campeão da Supercopa Rei. A conquista foi confirmada com a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo no estádio Mané Garrincha, em Brasília, na tarde deste domingo (1º). A equipe de São Paulo conquistou o bicampeonato do torneio.
A primeira taça havia sido obtida em 1991 também sobre o Flamengo. Em 2026, o Corinthians participou da Supercopa por ter sido o campeão da Copa do Brasil de 2025. O Flamengo, por ter sido o campeão nacional da temporada passada.
A final dessa temporada começou a ser decidida com o gol do zagueiro Gabriel Paulista aos 25 minutos de jogo.
Após cobrança de escanteio, Matheuzinho cruzou, Gustavo Henrique desviou e Gabriel Paulista completou de primeira. Depois, teve expulsão de Carrascal, após checagem do VAR.
Bola na trave do goleiro Hugo Souza, do Corinthians, em cabeça de Pulgar. Gol anulado de Memphis Depay. Até que o centroavante Yuri Alberto definiu o jogo aos 52 minutos da etapa final.
O artilheiro driblou o goleiro Rossi em um lindo lance e finalizou para o gol vazio.
A conquista do Corinthians foi presenciada por 71.244 torcedores no Mané Garrincha. O público é um novo recorde da arena.
Em viagem ao Oriente Médio, os dois já registraram encontros com ao menos 16 autoridades, entre primeiros-ministros, presidentes, ministros e parlamentares.
Sem mandato na Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro tem utilizado a influência política que conseguiu após anos de construção de alianças na direita internacional para tentar impulsionar a candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em viagem ao Oriente Médio, os dois já registraram encontros com ao menos 16 autoridades, entre primeiros-ministros, presidentes, ministros e parlamentares.
A princípio, Flávio informou ao Senado que se afastaria do Brasil em missão oficial de 18 de janeiro a 7 de fevereiro e custearia a viagem com dinheiro público. Depois, o senador postergou a volta por mais cinco dias e afirmou que pagaria suas despesas com recursos próprios.
Os irmãos já visitaram Israel e Bahrein e planejam seguir para os Emirados Árabes Unidos e para o Catar. Avaliam ainda viajar pela Europa, mas os países ainda não estão definidos. No início de janeiro, Flávio Bolsonaro também foi aos Estados Unidos, onde o irmão mora desde março de 2025.
Ainda que tenha sido cassado no final do ano por excesso de faltas, Eduardo Bolsonaro continua sendo apresentado como parlamentar em eventos, como na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada em Jerusalém.
Sem mandato e após sofrer derrotas recentes na relação com Donald Trump, que depois de diálogo com Lula diminuiu o impacto das tarifas e revogou a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Bolsonaro agora foca em apresentar o irmão a lideranças internacionais da direita com foco em sua pré-candidatura ao Planalto.
“Senhoras e senhores, eu discurso hoje não só como senador, mas como pré-candidato a presidente do Brasil”, afirmou Flávio em discurso na conferência em Israel, na última terça-feira (27). Disse ainda que os Estados Unidos ajudaram a “construir um novo modelo de cooperação internacional” e uma nova fase para a América Latina.
Em Israel, os irmãos se encontraram o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu; o presidente, Isaac Herzog; e o ministro de Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, com quem gravaram um vídeo no qual Eduardo chama integrantes do Hamas de “selvagens”.
Os dois também estiveram com outras autoridades, como o ex-primeiro-ministro da Áustria Sebastian Kurz, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e o embaixador argentino Axel Wahnish. A foto que postaram com o embaixador foi compartilhada pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Os irmãos ainda publicaram fotos com ao menos seis deputados do Parlamento Europeu, como os espanhóis Hermann Tertsch e Jorge Buxadé, do partido Vox, o português Pedro Frazão, vice-presidente do Chega, e o polonês Dominik Tarczynski. Após o encontro, Tarczynski fez uma publicação em que defende a eleição de Flávio em 2026.
Em Bahrein, estiveram com o primeiro-ministro e príncipe herdeiro, Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa, com o príncipe Sheikh Khalid bin Hamad Al Khalifa, e com o parlamentar Hassan Ibrahim Hassan. De acordo com o senador, os compromissos são voltados “ao diálogo institucional, à cooperação internacional e à troca de experiências em temas estratégicos”.
A aproximação de Flávio Bolsonaro com as articulações internacionais de Eduardo marca uma virada na trajetória política do senador, que não participou das principais comitivas parlamentares lideradas por Eduardo desde 2024 para denunciar a suposta existência de uma “ditadura” no país e pedir por sanções contra o país.
Depois que Jair Bolsonaro (PL) deixou a Presidência, o senador fez apenas três viagens internacionais em missão oficial: foi a um seminário promovido por bolsonaristas na Espanha e a uma conferência na Itália e visitou prisões em El Salvador.
O senador não integrou, por exemplo, a comitiva bolsonarista a Washington que envolveu ao menos 15 parlamentares em abril passado. Entre eles, estiveram os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), que agora acompanham os irmãos na viagem ao Oriente Médio.
Eduardo foi denunciado em setembro passado sob a acusação de tentar intervir nos processos do ex-presidente. Em novembro, Moraes determinou o cancelamento do passaporte diplomático dele.
“A articulação internacional é central para a extrema direita e para o bolsonarismo, porque a ascensão da ultradireita é um fenômeno global”, afirma o professor de relações internacionais e coordenador do Observatório da Extrema Direita, David Magalhães.
Ele avalia que o respaldo que Flávio busca com as autoridades estrangeiras pode beneficiá-lo tanto internacionalmente, ao “reduzir o custo político” de posições radicais, quanto nacionalmente, ao construir uma “imagem de pertencimento a um campo político global” para os apoiadores mais ideológicos.
Nesse processo, o professor considera que Eduardo é essencial, em função do “capital político que ele acumulou ao longo dos últimos anos”. “O que se observa agora é uma tentativa de transferir parte desse capital político, dessas conexões e dessa legitimidade internacional para Flávio Bolsonaro, apresentando-o como herdeiro e continuidade dessa articulação internacional já consolidada”, finaliza.
Hospital Geral Clériston Andrade bate recorde estadual e reforça compromisso com a solidariedade e a saúde ocular
O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, alcançou um marco histórico em 2025 ao registrar 182 doações de córneas, liderando o ranking de captação no estado da Bahia. Os dados são do Banco de Olhos da Bahia, responsável pelo registro oficial de doações no estado.
A conquista destaca o HGCA como a unidade com maior número de doações em todo o território baiano, superando o Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, que ficou em segundo lugar, e o Hospital Aristides Maltez, em Salvador, que ocupou a terceira posição.
De acordo com Mirela Andrade, coordenadora técnica da Organização à Procura de Córnea (OPC) de Feira de Santana e Salvador, o resultado é fruto de um trabalho contínuo e integrado de toda a equipe hospitalar. “Foi um marco histórico para o hospital. A implantação da OPC aqui, há pouco mais de um ano e meio, vem transformando a realidade da doação de córneas na região. Hoje temos uma estrutura sólida, com fluxo bem definido e profissionais capacitados para abordar as famílias com respeito e sensibilidade”, destacou.
Segundo Cristiana França, diretora-geral do HGCA o número de doações representa mais do que estatísticas. “Cada doação significa uma pessoa voltando a enxergar, significa esperança, recomeço. É o resultado de uma rede de solidariedade que começa com a decisão da família doadora e passa por uma equipe dedicada a garantir que esse gesto se concretize com dignidade e eficácia”, afirmou.
Atualmente, a Bahia possui mais de 1.600 pessoas na fila de espera por um transplante de córnea. Apesar do recorde registrado no HGCA, a demanda por doações ainda é alta. A coordenadora da OPC explica que a maior dificuldade enfrentada pelas equipes é a desinformação. “Ainda existem muitos mitos sobre a doação de córnea, especialmente por envolver o rosto. Muitas famílias têm receio de desfiguração, o que não ocorre. O procedimento é rápido, seguro e não interfere nos trâmites do funeral. Nosso maior desafio é vencer essa barreira cultural”, pontuou.
O processo de captação no HGCA é realizado em parceria com o serviço social e o setor de fiscalização do hospital, que notificam os óbitos e colaboram na abordagem às famílias. “Quanto mais segurança e clareza na comunicação, maior a chance de a família aceitar a doação. Trabalhamos para garantir um processo humanizado e transparente”, acrescentou.
Para ser doador de córnea, é necessário ter entre 2 e 75 anos. Doenças como diabetes ou histórico de cirurgia ocular não impedem a doação. A principal restrição é para casos de infecção ativa ou traumas oculares graves. “É um procedimento simples, que pode ser realizado em até 30 minutos, e que não compromete a aparência do doador nem o andamento dos trâmites funerários”, explicou a coordenadora.
Em 2026, o objetivo da equipe da OPC no Clériston Andrade é superar o número de doações do ano anterior. “Já traçamos a meta. Queremos ampliar ainda mais o alcance desse trabalho, diminuir a fila e devolver a visão a quem espera. Mas para isso precisamos que mais famílias estejam dispostas a dizer ‘sim’ à doação”, finalizou Mirela.
A população pode manifestar seu desejo de ser doadora conversando com seus familiares. A autorização para doação só é válida com o consentimento dos parentes próximos. “Doar é um ato de amor. É dar continuidade à vida de alguém”, reforça a coordenadora.
O pastor Silas Malafaia apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua defesa prévia no processo em que é acusado pelos crimes de injúria e calúnia contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva. A manifestação foi protocolada após notificação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
No documento, a defesa pede a rejeição da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ou, alternativamente, o reconhecimento da incompetência do STF para julgar o processo, com o envio do caso à primeira instância.
A denúncia teve origem em discurso feito por Malafaia durante uma manifestação realizada em 6 de abril de 2025, na Avenida Paulista, em São Paulo. Na ocasião, o pastor criticou integrantes do Alto Comando do Exército após a prisão do general Walter Braga Netto, utilizando expressões como “frouxos”, “covardes” e “omissos”.
– Cadê esses generais de quatro estrelas do alto comando do Exército? Cambada de frouxos. Cambada de covardes. Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, é para marcar posição – afirmou Malafaia no ato.
Na defesa apresentada ao Supremo, o pastor sustenta que não citou nominalmente o general Tomás Paiva nem qualquer outro oficial específico, o que afastaria, segundo os advogados, a configuração dos crimes contra a honra. O documento afirma que as declarações foram genéricas e proferidas no exercício do direito de crítica e da liberdade de expressão.
Os advogados também argumentam que o comandante do Exército não possui foro por prerrogativa de função no STF e que não há previsão constitucional para que uma pessoa sem cargo público seja processada originariamente na Corte apenas por ter como suposta vítima uma autoridade militar.
Outro ponto da manifestação é a contestação da tese da PGR de que haveria conexão entre o caso e os inquéritos das fake news e das milícias digitais, ambos relatados por Moraes. Segundo a defesa, não é possível atrair a competência do Supremo com base apenas na existência de inquéritos, sem vínculo direto entre os fatos investigados.
Malafaia também afirma que não houve imputação de crime militar ao comandante do Exército, rebatendo a acusação de calúnia. De acordo com a defesa, as falas não atribuíram condutas típicas como prevaricação ou cobardia (infração especificamente militar), previstas no Código Penal Militar, mas expressaram opinião pessoal sobre a postura de oficiais os quais ele não citou nominalmente.
No Código Penal Militar, o crime de prevaricação ocorre quando o agente deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício ou o realiza contra a lei para satisfazer interesse pessoal. Já o crime de cobardia é caracterizado quando o militar, por temor, se omite no cumprimento do dever diante de situação que exige atuação funcional.
Para a PGR, ao classificar integrantes do Alto Comando como “covardes” e “omissos” em razão da prisão de um general, Malafaia teria atribuído, ainda que de forma indireta, condutas que poderiam ser interpretadas como crimes previstos na legislação castrense.
No documento, o pastor apresenta ainda retratação formal, afirmando que não teve intenção de ofender a honra do general Tomás Paiva nem de imputar a ele qualquer prática criminosa, o que, segundo a legislação, pode afastar eventual punição antes da sentença.
*Pleno.News Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE; Foto: Reprodução/YouTube Silas Malafaia Oficial