Os astronautas Barry “Butch” Wilmore e Suni Williams, que estão em missão no espaço há mais de seis meses, terão sua permanência prolongada novamente. Segundo um comunicado da NASA nesta terça-feira (17), o retorno da dupla à Terra foi adiado para o final de março. Inicialmente, a previsão era de que voltassem em fevereiro.
Quando embarcaram em 5 de junho no voo inaugural da Boeing com destino à Estação Espacial Internacional, o plano era que os dois pilotos de teste permanecessem no espaço por apenas uma semana.
Como as missões espaciais da Nasa são afetadas por atrasos?
Nasa / Créditos: depositphotos.com / sergey.miami2you.com
Os atrasos nas missões espaciais não são meramente inconvenientes; eles têm efeitos em cascata nas operações da ISS e nas agendas de treinamento dos astronautas. A NASA, por exemplo, busca manter transições suaves entre tripulações na ISS, um processo que requer sincronização precisa de tempos de lançamento e de retorno. A decisão de adiar o lançamento de uma nova tripulação da SpaceX para março demonstra a complexidade de coordenar essas movimentações de pessoal.
Além disso, a escolha da NASA de trazer os astronautas de volta ao solo utilizando a Crew Dragon da SpaceX, em vez da Starliner, ressalta a necessidade de ter sempre opções de backup confiáveis. Essa flexibilidade operacional é essencial para mitigar os riscos e assegurar que as missões continuem a cumprir seus objetivos científicos e de segurança.
Quais são os obstáculos enfrentados pela Boeing e SpaceX?
A Boeing se deparou com dificuldades inesperadas em relação aos sistemas de propulsão da Starliner, situação que foi monitorada pela NASA devido a questões de confiabilidade. Esses obstáculos resultaram em esforços contínuos de testes para garantir a segurança dos astronautas no retorno à Terra. A principal preocupação era a incapacidade do Starliner de gerar impulso suficiente para a reentrada segura na atmosfera terrestre.
Por outro lado, a SpaceX, liderada por Elon Musk, tem desempenhado um papel crucial no transporte espacial com sua espaçonave Crew Dragon. Embora a empresa também tenha enfrentado seus próprios desafios técnicos, sua habilidade para adaptar planos rapidamente permitiu que continuasse seus lançamentos em um cronograma mais flexível, uma característica que tem consolidado sua posição no setor espacial dos Estados Unidos.
Quais são as lições aprendidas com essas missões espaciais?
As experiências recentes com a Boeing e a SpaceX oferecem valiosas lições para o futuro da exploração espacial comercial. Em primeiro lugar, destacam a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para melhorar a confiabilidade dos sistemas espaciais. Em segundo lugar, reforçam a importância de parcerias entre empresas privadas e agências governamentais na superação de obstáculos operacionais e técnicos.
Finalmente, essas missões também ressaltam a resiliência necessária para lidar com os imprevistos inerentes às viagens espaciais. Desde a capacidade de adaptação a mudanças de última hora até a implementação de soluções inovadoras para problemas complexos, a indústria espacial continua a enfrentar e superar desafios, impulsionando a humanidade rumo a novas fronteiras.
O presidente da Argentina, Javier Milei, reduziu de 21 para 18 anos a idade mínima para que os cidadãos possam ter acesso a armas de fogo. A medida foi oficializada em um decreto publicado no último dia 9 de dezembro. A decisão, de acordo com o governo, visa adequar a regulação sobre armas com a maioridade no país, que é obtida aos 18 anos, e não mais aos 21, desde 2009.
– Aos 16 anos, eles podem votar. Aos 18, podem ir para a guerra, formar uma família ou integrar forças de segurança. E, por incrível que pareça, em qualquer idade eles podem escolher uma mudança de sexo que os marcará para sempre. Então, por que aos 18 anos não poderiam ser usuários ou portadores legítimos de uma arma? – indagou Patricia Bullrich, ministra da Segurança.
O governo argentino destacou que a mudança “reafirma a capacidade dos cidadãos adultos para ter acesso, sob estritos requisitos legais, à condição de legítimos usuários de armas de uso civil” e que ela “procura garantir uma aplicação uniforme dos direitos e responsabilidades” estabelecidos nas leis vigentes no país.
Apesar da mudança de idade, a norma ainda exige que o cidadão não apresente anormalidades psíquicas ou físicas que o incapacite para a posse de arma, além de comprovar domicílio, identidade e meios de vida lícitos, com comprovantes de renda.
General Igor Kirillov, do Ministério da Defesa da Rússia, em imagem de fevereiro de 2023 — Foto: Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia / via AP
O general Igor Kirillov, chefe das Forças de Defesa Nuclear, Biológica e Química da Rússia, morreu nesta terça-feira (17) após uma explosão em Moscou, informou o Comitê de Investigação russo. A explosão também matou um assessor do general. Assista a explosão no vídeo acima.
“Um artefato explosivo colocado em uma scooter estacionada perto da entrada de um imóvel residencial foi ativado na avenida Riazanski em Moscou”, disse o comitê em um comunicado. “O comandante das forças russas de defesa radiológica, química e biológica, Igor Kirilov, e seu adjunto morreram”, acrescentou.
A bomba foi ativada à distância e tinha cerca de 300g de TNT, reportou a agência estatal russa Tass. “Investigadores, peritos forenses e serviços operacionais estão trabalhando no local da explosão”, acrescentou a agência. A explosão, ocorrida quando Kirillov deixava o edifício, danificou a entrada e várias janelas dos apartamentos.
Uma fonte do Serviço de Segurança da Ucrânia, o SBU, confirmou à agência de notícias Reuters que a agência de inteligência ucraniana está por trás do ataque. “A liquidação do chefe das tropas de proteção radiológica e química da Federação Russa é obra do SBU”, disse a fonte. Fontes da BBC nos serviços de segurança ucranianos também afirmaram que o país está por trás da operação.
O ataque desta terça foi o primeiro que teve como alvo uma autoridade russa desde o início da guerra, em 2022.
O SBU já havia acusado Kirillov de usar armas químicas proibidas durante a invasão militar russa em território ucraniano, que começou em fevereiro de 2022.
Corpo do estirado no chão onde o general Igor Kirillov, chefe das Forças de defesa nuclear, biológica e química da Rússia, morreu após explosão em Moscou em 17 de dezembro de 2024. — Foto: AP Photo
Segundo a Reuters, a imprensa ucraniana também credita à Ucrânia o ataque que matou o general russo. O governo ucraniano ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
O SBU afirma que registrou mais de 4.800 usos de armas químicas no campo de batalha desde fevereiro de 2022, especialmente granadas de combate K-1.
Kirillov, que foi nomeado chefe das forças de defesa nuclear da Rússia em abril de 2017, foi sancionado por vários países, incluindo Reino Unido e Canadá, por seu papel na Ucrânia.
De acordo com o processo, ex-presidente se envolveu com uma adolescente de 15 anos, com quem teria tido uma filha, em 2016
Evo Morales é acusado de tráfico de menor de idade | Foto: Sebastian Baryli/Flickr
O Ministério Público da Bolívia pediu a prisão do ex-presidente Evo Morales pelo crime de tráfico de menor, devido a um suposto acordo com os pais de uma adolescente de 15 anos. A ordem de prisão foi expedida em 16 de outubro, mas só veio a público nesta segunda-feira, 16.
A promotora Sandra Gutiérrez afirmou, em coletiva de imprensa, que pediu a prisão de Morales em razão do escândalo qu envolve o suposto abuso de uma menor de idade durante seu período como presidente (2006-2019).
Segundo ela, o caso não foi mencionado antes porque “é muito complexo”, por envolver um ex-mandatário. Ele já negou as acusações diversas vezes.
O caso remonta a 2015, quando Evo ainda ocupava a Presidência da Bolívia. Conforme consta no processo, ele teria se relacionado com uma menor de 15 anos, com quem teria tido uma filha, em 2016.
A promotoria afirma que os pais da menor a colocaram na “guarda juvenil” de Morales “com a única finalidade de ascender politicamente e obter benefícios […] em troca de sua filha menor”.
Com base nesses fatos, o Ministério Público apresentou nesta segunda-feira uma denúncia contra Morales e a mãe da suposta vítima, acusando-os de “tráfico de pessoas agravado”.
Evo Morales nega as acusações
Embora Morales tenha refutado anteriormente as denúncias, alegando que elas se baseiam em investigações de 2020 sob a acusação de estupro, a promotoria agora direciona o foco à acusação de tráfico.
Esta é a segunda ordem de prisão contra Morales relacionada ao mesmo caso. Em setembro, a mesma promotora já havia emitido a prisão, mas a defesa do ex-presidente conseguiu anulá-la por meio de um recurso judicial.
O apresentador George Stephanopoulos acusou o empresário de estupro
Donald Trump Foto: EFE/EPA/ALLISON ROBBERT/POOL
A rede de notícias americana ABC News e o apresentador George Stephanopoulos concordaram em pagar 15 milhões de dólares (aproximadamente R$ 92,2 milhões) ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. O acordo foi anunciado no último sábado (14) e resolve uma ação por difamação movida por Trump em julho deste ano, na corte do distrito sul da Flórida.
Trump processou Stephanopoulos por comentários feitos sobre o caso da escritora E. Jean Carroll, alegando que o apresentador sabia que as declarações eram falsas. Além do pagamento milionário, os documentos judiciais indicam que o valor será destinado à criação da Biblioteca Presidencial Donald Trump. A ABC também pagará 1 milhão de dólares (R$ 6,1 milhões) em honorários advocatícios e, junto com Stephanopoulos, fará declarações públicas de “arrependimento”.
Com o acordo, as partes evitaram um julgamento que estava prestes a começar. Trump acusava Stephanopoulos de afirmar falsamente que ele havia sido condenado por estuprar Carroll.
Em maio, um júri já havia responsabilizado Trump por abuso sexual contra Carroll em um caso ocorrido nos anos 90. Trump foi condenado a pagar 5 milhões de dólares (R$ 30,7 milhões) à escritora. Em outra sentença, foi ordenado o pagamento de mais 83,3 milhões de dólares (R$ 512 milhões) à escritora por difamação.
O juiz Lewis Kaplan, responsável pelos casos, explicou que o júri não considerou Trump culpado de estupro dentro da definição técnica da lei penal de Nova Iorque. Ele ressaltou que a definição legal de estupro é mais restrita do que o uso comum do termo em outros contextos.
Presidente eleito dos Estados Unidos defende derrubada de objetos cuja origem não tenha sido identificada
Trump falou sobre os drones misteriosos em uma publicação nas redes sociais | Foto: Brian Snyder/Reuters
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a derrubada de drones misteriosos avistados em Nova Jersey, perto de Nova York. Os objetos voadores têm sido avistados há algumas semanas, e, até agora, as autoridades de segurança não sabem dizer a origem deles.
“Avistamentos misteriosos de drones por todo o país. Isso pode realmente estar acontecendo sem o conhecimento do nosso governo? Eu não acho! Deixe o público saber, e agora. Caso contrário, atire neles!”, escreveu Trump, na Truth Social.
Mensagem de Trump postada na Truth Social | Foto: Reprodução
O avistamento de drones ainda não tem uma resposta das autoridades norte-americanas. Em comunicado, a porta-voz presidencial Karine Jean-Pierre disse que “o presidente (Joe Biden) está ciente”, mas não acrescentou nenhuma informação.
O FBI também não deu explicações sobre os avistamentos até o momento, mas abriu uma investigação. “Não tenho uma resposta sobre quem é o responsável”, disse Robert Wheeler Jr., diretor-assistente do Critical Incident Response Group do FBI, aos legisladores em uma audiência do Congresso na terça-feira 10. “Mas estamos investigando ativamente.”
Reação das autoridades sobre ‘drones misteriosos’
Essa situação provocou uma reação das autoridades locais. A governadora de Nova York, a democrata Kathy Hochul, pediu assistência federal para lidar com a situação. Em um comunicado à imprensa, ela expressou preocupação, afirmando que “isso está indo longe demais”.
Como medida preventiva, um pequeno aeroporto da região foi temporariamente fechado devido a esses drones, embora a autoridade aeroportuária tenha confirmado que o tráfego aéreo não foi impactado.
O governador de Nova Jersey, Phil Murphy, também democrata, disse que desde 18 de novembro já foram registrados dezenas de avistamentos, incluindo 49 apenas no último domingo, 19. Alguns desses ocorreram próximos a instalações militares sensíveis e também nas proximidades do campo de golfe de Trump em Bedminster. A comunidade aguarda ansiosa por um desfecho que possa trazer tranquilidade e segurança à região.
Preocupações e reações locais
A presença contínua desses drones gera preocupação entre residentes e autoridades locais, especialmente porque, até o momento, não houve explicações oficiais sobre sua origem nem propósito. Os habitantes da região relatam a presença desses dispositivos há várias semanas. Vídeos das luzes dos drones se proliferam nas redes sociais, alimentando especulações e críticas ao governo de Biden.
Em resposta às inquietações, John Kirby, representante do Conselho de Segurança Nacional, assegurou que “não há evidências de que os drones relatados representem uma ameaça à segurança nacional ou à segurança pública, ou que exista um vínculo com países estrangeiros”.
Número de candidatos supera o da última edição nacional do concurso em 2011, quando 1,1 milhão se cadastraram para mais de 9 mil vagas. Cerca de 93% concorrem ao cargo de carteiro.
Concurso dos Correios vai preencher 3.511 vagas imediatas — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Mais de 1,6 milhão de pessoas devem realizar as provas do concurso dos Correios neste domingo (15). Esse é o maior concurso da estatal nos últimos 13 anos.
O número de inscritos nesta edição supera o total de inscritos do último concurso nacional da empresa em 2011, quando 1,1 milhão de pessoas se cadastraram para mais de 9 mil oportunidades.
A seleção vai preencher 3.511 vagas imediatas, sendo 3.099 de nível médio, para o cargo de carteiro, no qual concorrem 93% (1.560.704) dos inscritos.
O restante dos candidatos (111.967) concorre aos cargos de nível superior: advogado, analista de sistemas, arquiteto, arquivista, assistente social e engenheiro. Os salários variam de R$ 2.429,26 a R$ 6.872,48.
Além da remuneração, que aumenta conforme o tempo de serviço e o mérito do funcionário, os Correios oferecem uma série de benefícios que ajudam a complementar a renda dos trabalhadores selecionados, como:
Vale-alimentação/refeição: Quase R$ 1,4 mil por mês.
Vale-transporte: Disponível para todos os funcionários.
Plano de saúde: Possibilidade de adesão.
Auxílio-creche/auxílio-babá: Até R$ 714,72 para empregadas com filhos menores de 7 anos.
Reembolso de despesas para filhos dependentes de cuidados especiais: Até R$ 1.030,58.
Adicional de atividades externas: 30% do salário-base (inicialmente R$ 728).
Adicional por serviço no fim de semana: 15% do salário-base pelas horas trabalhadas.
Gratificação de “quebra de caixa”: R$ 267,64 para quem atua em guichês de agências.
As vagas ofertadas estão distribuídas em cidades de todo o país, e os candidatos vão concorrer somente com os inscritos da mesma localidade, selecionada no momento da inscrição.
➡️ No caso do cargo de carteiro, as vagas foram divididas em “macrorregiões”, que receberam o nome de uma cidade, mas englobam vários municípios naquela área. É possível ver essa relação no Anexo II do edital.
➡️ Já para as carreiras de nível superior, as oportunidades estão distribuídas nas superintendências estaduais (SE) dos Correios. São 28, no total, em todos os estados brasileiros.
A prova para o cargo de carteiro terá duração de 4 horas, para que sejam respondidas 50 questões de múltipla escolha, com quatro alternativas cada. Serão perguntas de língua portuguesa, matemática, noções de informática, conhecimentos gerais e código de conduta ética e integridade.
Já a avaliação para o cargo de analista, de nível superior, também terá 4 horas de duração e, além de 50 questões de múltipla escolha, uma redação de 20 a 30 linhas.
As questões serão de língua portuguesa, matemática, noções de informática, código de conduta ética e integridade e conhecimentos específicos da especialidade concorrida.
O maior concurso dos últimos 13 anos
Os Correios não realizavam um concurso público em âmbito nacional desde 2011, quando 1,1 milhão de pessoas se inscreveram para mais de 9 mil oportunidades.
Nesta edição, o processo preencherá mais de 3,5 mil vagas. No entanto, os sindicatos alegam que essa quantia não é suficiente para suprir o déficit de mão de obra na empresa.
Recentemente, inclusive, a estatal abriu um Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que viabilizou a saída de trabalhadores.
Por isso, especialistas em concursos públicos acreditam que um número bem maior de candidatos será chamado para ocupar os cargos nos próximos meses, apesar de os editais publicados não especificarem oportunidades de cadastro reserva.
Os deputados tomaram a decisão após o presidente da Coreia do Sul decretar e revogar, em menos de seis horas, uma lei marcial
O impeachment do presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol (foto em destaque), foi aprovado neste sábado (14/12). Os deputados tomaram a decisão após o presidente decretar e revogar, em menos de seis horas, uma lei marcial.
O impeachment de Yoon foi aprovado por 204 votos a favor e 85 contra – eram necessários dois terços da Assembleia Nacional, ou 200 dos 300 assentos. Três parlamentares se abstiveram e outros oito votaram nulo.
Yoon Suk Yeol decretou a lei marcial no país no último dia 3 com o argumento de “limpar elementos pró-Coreia do Norte“. A lei marcial substitui a legislação normal por leis militares, amplia o poder do Executivo, fecha o Parlamento e limita o acesso aos direitos civis.
Em pronunciamento oficial, ele disse: “Declaro lei marcial para proteger a livre República da Coreia da ameaça das forças comunistas norte-coreanas, para erradicar as desprezíveis forças antiestatais e pró-norte-coreanas que estão saqueando a liberdade e a felicidade do nosso povo e para proteger a ordem constitucional livre”.
A medida foi imposta sem o aval de membros do próprio governo – que disseram ser contra a imposição da lei marcial.
Com a decisão, que fechou o Parlamento, militares e autoridades policiais foram enviados à Assembleia Nacional do país e chegaram a entrar em confronto com manifestantes contrários ao decreto do presidente sul-coreano.
Logo depois, o Parlamento do país derrubou, em votação unânime, a decisão de Yoon Suk Yeol. Após a pressão, o presidente revogou a lei marcial.
Nesta quarta-feira (11), a SpaceX e seus investidores concordaram em comprar US$ 1,3 bilhão (R$ 7,7 bi) em ações de funcionários
Foto: Reprodução/Instagram elonmusk
O homem mais rico do mundo, Elon Musk se tornou a primeira pessoa a alcançar US$ 400 bilhões em patrimônio líquido. O catalisador foi a venda de ações internas da SpaceX, de capital fechado, que aumentou o patrimônio líquido de Musk em cerca de US$ 50 bilhões (R$ 2,3 tri) de uma só vez, para US$ 439,2 bilhões (R$ 2,6 tri), de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.
Nesta quarta-feira (11), a SpaceX e seus investidores concordaram em comprar US$ 1,3 bilhão (R$ 7,7 bi) em ações de funcionários e outros insiders da empresa. O acordo, que avalia a empresa de exploração espacial de capital fechado em cerca de US$ 350 bilhões (R$ 2 tri), torna a SpaceX a startup privada mais valiosa do mundo.
A empresa ganha a maior parte de seu dinheiro com contratos com o governo dos EUA e provavelmente pode contar com mais apoio sob a administração Trump. O presidente eleito elogiou a visão de Musk de colocar astronautas em Marte em discursos de campanha e se juntou a Musk em um lançamento da SpaceX no Texas logo após a eleição.
A fortuna de Musk passou por uma reviravolta dramática desde o final de 2022, quando, em um ponto, ele viu seu patrimônio líquido cair mais de US$ 200 bilhões (R$ 1,1 tri). Mas tem sido especialmente impulsionada recentemente após a vitória eleitoral de Donald Trump no mês passado, com Musk sendo seu doador político e defensor mais proeminente.
Jared Isaacman, escolha de Trump para chefe da NASA, é um executivo bilionário de tecnologia que fez a primeira caminhada espacial comercial em um lançamento fretado da SpaceX em setembro.
Ele elogiou a empresa como “a organização mais inovadora e literalmente impressionante que já vi” no mês passado, após investir US$ 27,5 milhões (R$ 163,8 mi) na SpaceX através de sua empresa de pagamentos em 2021.
Musk, de 53 anos, recebeu uma má notícia na semana passada quando um juiz de Delaware anulou seu pacote de pagamento da Tesla de 2018, atualmente avaliado em mais de US$ 100 bilhões (R$ 595,3), pela segunda vez.
A Tesla disse que apelaria da decisão, que Musk descreveu como “corrupção absoluta” no X. Mesmo que o prêmio de compensação de Musk seja eventualmente recuperado, ele ainda seria a pessoa mais rica do mundo de longe.
Alguns fatores contribuíram para a derrocada das Forças Armadas sírias e sua seguida retirada das batalhas contra os rebeldes.
Considerado um dos mais poderosos dos países árabes, o exército da Síria não resistiu aos avanços dos rebeldes nos últimos dias — Foto: Getty Images/BBC
Poucas pessoas esperavam pelos rápidos acontecimentos vividos pela Síria nos últimos dias, depois que a oposição armada, liderada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS – Organização para a Libertação do Levante, sediado na província de Idlib, no noroeste do país), anunciou o início da sua ofensiva final contra as forças do governo sírio.
Uma semana atrás, o regime de Bashar al-Assadhavia ameaçado “esmagar os terroristas”. Mas a notícia da queda do regime sírio surpreendeu a maior parte dos observadores do país.
A rápida sucessão de acontecimentos suscitou muitas perguntas, especialmente em relação aos motivos do colapso do Exército sírio, ocorrido em velocidade assombrosa.
Quais fatores terão contribuído para a derrocada das Forças Armadas sírias e sua seguida retirada das batalhas contra os rebeldes?
Síria: quem vai governar o país agora?
A Síria é a sexta maior força militar do mundo árabe — a 60ª maior, em termos internacionais, segundo o Índice Global de Poder de Fogo de 2024, de um total de 145 países analisados.
O relatório leva em consideração uma série de fatores, que incluem o número de soldados e os equipamentos das Forças Armadas, além de fatores logísticos.
O Exército sírio é formado por um grande número de soldados apoiados por forças paramilitares e milícias. Seu arsenal inclui uma combinação de equipamentos soviéticos em ruínas e outros mais modernos, procedentes de aliados como a Rússia.
São mais de 1,5 mil tanques e 3 mil veículos blindados, além de artilharia e sistemas de mísseis, segundo o Índice Global de Poder de Fogo.
Em termos de poderio aéreo, a Síria possui caças, helicópteros e aviões de treinamento. E também conta com uma modesta frota naval, vários aeroportos e portos vitais, como Latakia e Tartus.
Os baixos salários foram um dos motivos que levaram os militares sírios a fugir — Foto: Getty Images/BBC
A posição do Exército sírio, teoricamente, pode parecer favorável, mas ela foi debilitada por muitos fatores.
O Exército perdeu uma grande parcela do seu pessoal — estimado em 300 mil soldados — nos primeiros anos da guerracivil.
Algumas estimativas afirmam que o exército perdeu a metade das suas fileiras, seja devido aos combates ou porque alguns soldados fugiram ou se uniram aos grupos de oposição.
A Força Aérea também sofreu grandes perdas devido à guerra civil e aos ataques aéreos americanos.
Mais de 13 anos de guerra civil deixaram as forças aéreas sírias em ruínas — Foto: Getty Images/BBC
Salário ‘não dá para três dias’
Apesar das consideráveis reservas de petróleo e gás da Síria, sua capacidade de exploração foi gravemente limitada pela guerra.
As condições econômicas também se deterioraram ainda mais, especialmente nas regiões controladas pelo governo de Assad.
Em dezembro de 2019, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a chamada “Lei César”. O texto entrou em vigor em junho de 2020, impondo sanções econômicas a qualquer agência governamental ou indivíduo que fizesse negócios com o governo da Síria.
Diversos relatórios indicam que os salários dos soldados do Exército de Assad são baixos. Eles equivalem a cerca de US$ 15 a US$ 17 mensais (cerca de R$ 91 a R$ 103), um valor tão pequeno que “não dá nem para três dias”, segundo um cidadão sírio.
O professor de relações internacionais Fawaz Gerges, da Universidade de Londres, declarou que a situação na Síria mudou drasticamente nos últimos três anos.
Um dos motivos, segundo ele, são “as sanções americanas, que empobreceram o povo sírio e os oficiais do exército”.
“Segundo informações, os soldados não recebem alimentos suficientes, o que os deixa em estado psicológico difícil e à beira da inanição”, segundo ele.
Na quarta-feira (4), Assad decretou um aumento salarial de 50% para os soldados, segundo a agência de notícias estatal síria. Aparentemente, o objetivo da medida foi levantar o moral da tropa, em meio ao avanço das forças da oposição.
Mas a decisão parece ter chegado tarde demais.
Abandonados pelos aliados
As notícias que davam conta da deserção dos soldados e oficiais – que facilitou o rápido avanço rebelde de Alepo até a capital, Damasco, passando pelas cidades de Hama e Homs – surpreenderam várias pessoas.
A correspondente da BBC em Damasco, Barbara Plett Usher, informou que oficiais na capital abandonaram seus veículos, armamentos e até seus uniformes, vestindo-se com roupas civis.
“O colapso do Exército sírio se deve, quase totalmente, às políticas e práticas implementadas por Assad, desde que atingiu relativa superioridade sobre a oposição em 2016”, afirma Yezid Sayigh, do Centro Carnegie para o Oriente Médio em Beirute, no Líbano. “Isso minou os pilares fundamentais que o mantinham no poder.”
“Estas políticas afetaram o exército”, prossegue o pesquisador.
“Dezenas de milhares de membros foram dispensados, ao lado da terrível deterioração dos níveis de vida, da corrupção galopante e da escassez de alimentos — até dentro das próprias Forças Armadas, que afastaram a comunidade alauíta [grupo étnico e religioso do Oriente Médio, principalmente da Síria], que domina os estratos superiores da hierarquia militar.”
“O moral do Exército sírio também foi gravemente abalado pela perda da ajuda militar direta do Irã, do Hezbollah e da Rússia, que não conseguem mais intervir adequadamente — ou não conseguem intervir de maneira nenhuma.”
Sayigh acredita que “sem esperança de ajuda externa urgente, o Exército perdeu a vontade de lutar”.
Já o especialista militar britânico Michael Clarke, professor do Departamento de Estudos da Guerra do King’s College de Londres, declarou à BBC que a enorme ajuda militar estrangeira fez com que o governo de Assad ficasse dependente, descuidando do seu próprio Exército.
“Seu treinamento se deteriorou significativamente e o desempenho de liderança dos seus oficiais se tornou medíocre”, explicou ele.
“Quando suas unidades enfrentaram os ataques do Hayat Tahrir al-Sham, muitos oficiais aparentemente se retiraram e outros fugiram. Quando os oficiais não conseguem demonstrar sua capacidade efetiva de liderança, não é de se estranhar que os soldados fujam.”
Já Sayigh descarta que a retirada do apoio militar do Irã, Hezbollah e Rússia tenha sido intencional.
“No passado, a Síria dependia, em grande parte, do Hezbollah para apoio em terra”, explica ele. “Mas, depois das perdas sofridas pelo partido-milícia no Líbano, ele não pôde mais oferecer este apoio.”
“Houve também uma redução constante de oficiais e assessores iranianos na Síria, em consequência dos ataques israelenses durante a última década. E não foi mais possível enviar grandes reforços por terra ou pelo ar, já que Israel e os Estados Unidos controlam a maior parte do espaço aéreo sírio.”
“Ao mesmo tempo, o governo iraquiano e as milícias pró-iranianas decidiram se manter à margem dos combates — o que pode ter ocorrido, em parte, porque o Irã percebeu que passou a ser impossível salvar Assad”, explica Sayigh.
Por outro lado, a Rússia retirou uma grande quantidade dos seus aviões e forças da sua base em Latakia, devido à invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Gerges concorda que a retirada do apoio militar por parte do Irã, Hezbollah e Rússia “foi uma das razões fundamentais que levaram à queda tão rápida das cidades sírias”.
“Desta vez, o Exército sírio não lutou, nem defendeu o regime”, explica ele. “Ele decidiu se retirar das batalhas e baixar as armas.”
“Isso indica que o apoio russo e iraniano à doutrina de combate do Hezbollah foi um fator importante para ajudar Assad a permanecer no poder, especialmente depois de 2015.”
Paralelamente à frágil situação do exército sírio, muitos observadores resumem o ocorrido nos últimos dias à unificação das facções armadas da oposição sob um posto de comando único, bem como à sua boa preparação para esta batalha e ao desenvolvimento das suas capacidades militares.
O discurso dos rebeldes, especialmente as mensagens tranquilizadoras enviadas aos civis sobre as crenças e promessas de liberdade religiosa, ajudou a obter rápidos avanços sobre as forças do governo de Assad, segundo os especialistas.
Todos estes fatores, aparentemente, contribuíram para o rápido colapso do exército sírio e a posterior queda do regime de Assad. Para Fawaz Gerges, foi algo “muito similar ao colapso do regime do xá do Irã em 1979“.
“A oposição síria, com suas alas islâmicas e nacionalistas, foi capaz de destruir o regime em menos de duas semanas… O regime de Assad estava com seu tempo esgotado e, quando chegou o ataque de surpresa da oposição, o Exército caiu e o regime se desmantelou, como se fosse um castelo de cartas”, concluiu Gerges.