Processo de escolha de novo papa é repleto de curiosidades e deve monopolizar a atenção de religiosos por todo o mundo
Cardeais durante o conclave de 2013 que resultou na escolha do papa Francisco | Foto: Vaticano/Divulgação
Maior vertente do cristianismo, cuja religião reúne mais de 2,4 bilhões de seguidores por todo o mundo, a Igreja Católica tem no conclave um dos seus rituais mais emblemáticos. Trata-se de um dos momentos mais misteriosos do processo que escolhe o novo papa que vai ocupar o posto de chefe do Vaticano.
O termo conclave deriva do latim cum clave, que significa “com chave”. A palavra converge principalmente com uma dinâmica prática da eleição. Afinal, os cardeais habilitados a participar da eleição permanecem literalmente trancados na Capela Sistina até que a decisão saia sem qualquer interferência externa.
Conclave: duração imprevisível
O período do conclave tem duração imprevisível. Pode variar conforme uma série de fatores. Os cardeais estão restritos a contatos pessoais e à leitura litúrgica. Não há televisão, internet ou outra fonte de informação externa.
De acordo com o Vaticano, o conclave mais longo da história se deu entre os anos de 1268 e 1271. Foram quase três anos para finalizar o processo que elegeu o papa Gregório X. Naquele momento, registrava-se uma grande divisão política entre cardeais franceses e italianos. Abaixo, um trecho do filme Conclave, que concorreu ao Oscar de 2025.
O impasse não permitia que se chegasse aos dois terços necessários de votos para a decretação do novo pontífice. Diante da lentidão, a Cúria, que é a estrutura administrativa da Igreja Católica, decidiu trancar os cardeais no Palácio Episcopal de Viterbo. Como forma de acelerar a decisão por meio do desconforto, os governantes racionaram comida e removeram o teto do edifício.
Impasse gerou regras modernas
Foi essa medida drástica que resultou na formulação das regras modernas do conclave. Mesmo com as mudanças, o catolicismo veria ainda mais dois longos conclaves, ambos com duração superior a um par de anos. Foram os processos envolvendo as eleições do papa João XXII (em 1316) e do papa Martinho V (em 1417).
A história, no entanto, coleciona também momentos de celeridade. Em 1503, houve dois conclaves. O primeiro, depois da morte do papa Alexandre VI, durou apenas 10 dias. Ele elegeu o Papa Pio III, que morreu 26 dias depois de eleito. Veio então o segundo conclave em que foi necessário apenas um dia para eleger o papa Júlio II.
Nos episódios mais recentes, em que o Vaticano escolheu os três últimos papas, o retrospecto mostra um processo menos burocrático. A escolha do papa João Paulo II (1978) demandou três dias, enquanto as de Bento XVI (2005) e de Francisco (2013) consumiram dois dias.
Além da liturgia relacionada ao escrutínio, o conclave tem como um dos seus símbolos máximos o uso da fumaça. Branca, quando os cardeais chegam a um consenso; preta quando o impasse permanece. Essa tradição teve origem em 1878, precedendo o uso do badalar de sinos como forma de comunicação com os fiéis.
O conclave que se dará dias depois do funeral do papa Francisco já monopoliza a atenção mundial e abre espaço para diversas divergências entre especialistas e religiosos. Há quem acredite numa eleição mais demorada em razão da pluralidade de nações representadas por cardeais. Outra corrente, no entanto, crê em um processo rápido cujo resultado deve apontar a ascensão de um cardeal italiano à cátedra (trono) de Pedro, o primeiro líder da Igreja Católica.
Com ambição de enviar astronautas à Lua ainda nesta década, asiáticos devem permanecer por seis meses em órbita da Terra
Vista aérea da Estação Espacial Tiangong: tripulação deve permanecer por seis meses em órbita da Terra | Foto: CMSA/Divulgação
A China se prepara para dar mais um passo significativo em seu ambicioso programa espacial com o lançamento da missão tripulada Shenzhou-20. Nesta semana, três astronautas devem partir do Centro de Lançamento de Jiuquan, no noroeste do país, a bordo da espaçonave impulsionada pelo foguete Longa Marcha-2F.
O destino da tripulação é a estação espacial Tiangong, onde vão permanecer por aproximadamente seis meses em órbita da Terra. O objetivo da missão é fortalecer principalmente o plano asiático de enviar astronautas à Lua antes do final desta década, estabelecendo uma base lunar até 2030. Conforme a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), todas as instalações e equipamentos do centro de lançamento estão em condições.
China omite nomes de astronautas
Os chineses informam ainda que os testes preparatórios obtiveram sucesso. Apesar da grande expectativa internacional, os nomes dos três astronautas seguem sob sigilo, assim como as tarefas específicas que eles deverão desempenhar a bordo da Tiangong.
Zhou Wenxing, representante do Centro de Treinamento de Astronautas da China, destacou que a tripulação está “em boas condições, precisa nas suas manobras e bem coordenada”, o que reforça a confiança no sucesso da missão.
A estação espacial Tiangong, cujo módulo principal está em órbita desde 2021, possui uma vida útil de aproximadamente dez anos. Ela funciona como laboratório orbital e como base estratégica para as futuras explorações lunares.
A China, que já se tornou o segundo país a realizar pousos bem-sucedidos no lado oculto da Lua, busca agora consolidar sua posição como uma potência espacial global, competindo diretamente com Estados Unidos e Rússia em missões tripuladas e na exploração interplanetária.
Data foi decidida durante uma reunião de cardeais nesta terça-feira (22)
Foto: Reprodução/Instagram @franciscus
O funeral do papa Francisco, que faleceu na segunda-feira (21), aos 88 anos, foi marcado para 26 de abril (sábado), 10h no horário de Roma (5h horário de Brasília). A informação foi anunciada pelo Vaticano nesta terça-feira (22).
A data foi decidida durante uma reunião de cardeais nesta terça. De acordo com a Santa Sé, no sábado, será celebrada a Santa Missa Exequial do papa Francisco na Basílica de São Pedro. A missa será presidida pelo cardeal Giovanni Battista.
Em seguida, o corpo do pontífice será em procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde ocorrerá o sepultamento. O translado do corpo do papa da de Santa Marta para a Basílica de São Pedro está marcado para quarta-feira (23), às 4h no horário de Brasília.
Durante o translado, será realizada uma procissão que passará pela Praça Santa Marta e pela Praça dos Protomártires Romanos, sairá pelo Arco dos Sinos em direção à Praça de São Pedro e entrará na basílica pela porta central.
Cerimônia íntima na Santa Sé marca o início dos ritos fúnebres do chefe da Igreja Católica
Vaticano divulga imagens do papa Francisco no caixão | Foto: Reprodução/YouTube
O Vaticano divulgou nesta terça-feira, 22, as primeiras imagens do corpo do papa Francisco na capela da Casa Santa Marta. O pontífice aparece no caixão, com vestes litúrgicas vermelhas e mitra branca, enquanto segura um rosário. Guardas suíços permanecem de prontidão ao redor da capela, em sinal de respeito ao chefe da Igreja Católica.
Francisco morreu na manhã da segunda-feira 21, depois de sofrer um colapso cardiorrespiratório. O boletim médico revela como causas o acidente vascular cerebral e a insuficiência cardíaca.
A declaração oficial de óbito, assinada por Andrea Arcangeli, médico do Vaticano, confirma que o papa entrou em coma antes do falecimento, ocorrido às 7h35 no horário de Roma, isto é, 2h35 de Brasília.
A escolha da capela em Santa Marta para o velório reforça o tom reservado dos primeiros momentos da despedida. Francisco, primeiro papa latino-americano, vivia no local desde o início do seu pontificado, rompendo com a tradição do Palácio Apostólico. A presença dos guardas suíços, símbolo da proteção papal, remete à solenidade do cargo mesmo depois da morte.
Corpo de Francisco deve ficar na Basílica de Santa Maria Maggiore
Além disso, ao contrário da maioria de seus antecessores, Francisco escolheu a Basílica de Santa Maria Maggiore como local para abrigar o seu corpo.
Uma das quatro principais basílicas da cristandade, o lugar era muito especial para o pontífice em razão da sua destacada devoção pela Virgem Maria, Mãe de Deus.
Nesse sentido, a Diocese de Roma realizou a missa em sufrágio da alma do pontífice. O cardeal Baldo Reina, vigário para a Diocese de Roma, celebrou o rito. No domingo 20, dia em que os cristãos do mundo todo celebram a Páscoa, ele apareceu publicamente e abençoou os fiéis que estavam na Praça de São Pedro.
Documento divulgado pelo Vaticano revela desejo do Papa Francisco de ser enterrado em santuário mariano em Roma
O Vaticano divulgou o testamento deixado pelo papa Francisco, que morreu aos 88 anos, nesta segunda-feira (21/4), em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de coma e colapso cardiocirculatório irreversível. No documento, o pontífice expressou de forma clara e serena sua última vontade quanto ao local de sua sepultura.
No testamento, Francisco diz que escreveu o texto “sentindo que se aproxima o crepúsculo da vida terrena”, mantendo viva a esperança na vida eterna. O pontífice afirmou que desejava apenas registrar formalmente o seu desejo relacionado ao lugar onde repousariam seus restos mortais.
“Confiei sempre minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que meus restos mortais repousem, aguardando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maggiore”, diz trecho do texto.
Ele pediu que seu túmulo fosse simples, sem ornamentações, e construído no chão, entre a Capela Paulina (onde está a imagem da Salus Populi Romani, tradicionalmente ligada à devoção mariana dos papas) e a Capela Sforza. A única inscrição solicitada por ele na lápide é “Franciscus”.
As despesas com a preparação da sepultura já haviam sido planejadas. De acordo com o documento, os custos seriam cobertos por um benfeitor previamente indicado pelo próprio Francisco, e as instruções para a transferência dos recursos foram confiadas a monsenhor Rolandas Makrickas, responsável extraordinário pelo Capítulo Liberiano, que administra a basílica.
Ao final do texto, o Papa deixou uma mensagem de gratidão àqueles que lhe foram próximos e pediram orações por sua alma. Ele também revelou que ofereceu os sofrimentos enfrentados nos últimos tempos de sua vida “pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos”.
Leia a íntegra do testamento
“Sentindo que se aproxima o crepúsculo da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar minha vontade testamentária apenas no que se refere ao local da minha sepultura.
Confiei sempre minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que meus restos mortais repousem, aguardando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior.
Desejo que minha última viagem terrena se conclua justamente neste antiquíssimo santuário mariano, onde me dirigia para rezar no início e ao término de cada Viagem Apostólica, a fim de confiar com fé minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo cuidado dócil e materno.
Peço que minha sepultura seja preparada no lóculo da nave lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza da mencionada Basílica Papal, conforme indicado no anexo incluído.
O túmulo deve ser na terra; simples, sem decoração especial e com a única inscrição: Franciscus.
As despesas para a preparação da minha sepultura serão cobertas com a quantia de um benfeitor que determinei ser transferida para a Basílica Papal de Santa Maria Maior, e sobre a qual forneci as devidas instruções a Mons. Rolandas Makrickas, Comissário Extraordinário do Capítulo Liberiano.
Que o Senhor conceda a merecida recompensa àqueles que me quiseram bem e continuarão a rezar por mim. O sofrimento que se fez presente na última parte da minha vida ofereci ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos.”
Segundo o Ministério da Defesa russo, foram realizados ataques a alvos militares em 74 locais do território ucraniano
Foto: redes sociais
A Rússia voltou a bombardear o território ucraniano nesta segunda-feira (21), marcando o fim da frágil trégua humanitária proposta por Moscou durante o fim de semana da Páscoa ortodoxa. Segundo o Ministério da Defesa russo, foram realizados ataques a alvos militares em 74 locais da Ucrânia, apesar de ambos os lados terem prometido respeitar o cessar-fogo.
Na cidade de Dnipro, no centro do país, o governador regional Sergiy Lisak afirmou que drones russos atingiram uma residência, além de causar um incêndio em uma fábrica de alimentos — sem deixar feridos. Na região sul de Mykolaiv, o governador Vitali Kim também confirmou a retomada dos ataques aéreos, com mísseis disparados na madrugada, mas sem registro de vítimas.
A trégua proposta pelo presidente Vladimir Putin havia começado às 18h de sábado (20) e se estendido até a meia-noite de domingo (21h em Brasília). O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou que respeitaria a pausa nos ataques, mas no domingo acusou a Rússia de violar a trégua mais de 2 mil vezes, mesmo com a ausência de alertas de ataque aéreo generalizados no país.
Zelensky também propôs estender o cessar-fogo por 30 dias, sugerindo uma suspensão total do uso de drones e mísseis de longo alcance contra infraestrutura civil. Em resposta, Putin acusou o governo ucraniano de esconder alvos militares em áreas civis, mas não descartou a possibilidade de retomar negociações sobre uma nova trégua, mencionando que a situação está “sendo analisada com cuidado” e que decisões podem ser tomadas “bilateralmente”.
Camerlengo assume tarefas administrativas enquanto cardeais organizam Conclave
Durante a ausência de um papa, o camerlengo ocupa temporariamente o Palácio Apostólico e organiza as etapas do Conclave | Foto: Reprodução/Flickr
A morte do papa Francisco, nesta segunda-feira, 21, marca o início de um dos períodos mais importantes do Vaticano: a Sé Vacante. Durante essa fase, a Igreja Católica permanece sem liderança até a escolha do novo pontífice.
O cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Sé, assume interinamente a administração dos bens do Vaticano. Nesse sentido, cabe a ele, entre outras funções, atestar oficialmente a morte do papa e coordenar os preparativos para a eleição do sucessor.
Durante a ausência de um papa, o camerlengo também ocupa temporariamente o Palácio Apostólico e organiza as etapas do Conclave — o processo secreto que definirá o novo líder da Igreja. O Vaticano prevê que as votações comecem em até 20 dias depois da morte do pontífice.
Enquanto isso, parte da cúpula do Vaticano deixa seus cargos. Permanecem em suas funções apenas figuras específicas, como o Penitenciário-Mor, o Vigário-Geral para a Diocese de Roma, o Arcipreste da Basílica de São Pedro, o Vigário-Geral para a Cidade do Vaticano e o Esmoleiro Apostólico.
O Colégio dos Cardeais, composto por 252 membros de todo o mundo, é responsável pela eleição. Destes, 138 têm menos de 80 anos e estão aptos a votar. O Brasil conta com sete representantes entre os eleitores.
Além disso, antes da votação, os cardeais se reúnem diariamente em sessões chamadas de “Congregações Gerais”, onde discutem questões administrativas e preparam os detalhes do Conclave.
Conclave na Igreja segue regras rígidas de isolamento e sigilo
O Conclave ocorre na Capela Sistina. Durante o processo, os cardeais ficam isolados e proibidos de manter qualquer contato com o exterior. A Igreja adota esse sistema para evitar interferências na eleição.
Cada cardeal precisa de dois terços dos votos para ser eleito. Como resultado, se não houver consenso depois de vários dias de votação, os dois mais votados disputam uma última rodada. No entanto, mesmo nessa fase, continuam valendo os dois terços como critério mínimo de escolha.
Novendiales antecedem anúncio do novo pontífice
Durante os “novendiales”, série de nove dias de missas em memória do papa, os cardeais também escolhem o dia em que levarão o corpo à Basílica de São Pedro para a visitação dos fiéis. A tradição precede a eleição e mobiliza os líderes da Igreja em torno da organização da sucessão.
Quando um novo papa é eleito, ele veste as roupas litúrgicas na chamada Sala das Lágrimas e, em seguida, é apresentado ao mundo da sacada da Basílica. É quando se ouve a famosa frase em latim: “Habemus Papam”.
Pontífice abençoou fiéis na Praça São Pedro no domingo de Páscoa; morte foi comunicada nesta segunda-feira, 21
Papa Francisco enfrentava problemas de saúde | Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters
O mundo se despede nesta segunda-feira, 21,de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, de 88 anos. O Vaticano comunicou nesta manhã, às 7h35 (horário de Roma), que o pontífice “retornou à casa do Pai”. O anúncio foi feito pelo Cardeal Kevin Farrell por meio do seu canal do Telegram. Ele estava se recuperando de uma doença pulmonar.
O pontífice ficou internado por 38 dias neste ano, em razão de um quadro de pneumonia. Ele recebeu alta em 23 de março e se recuperava, restringindo ao máximos as atividades públicas. Neste domingo de Páscoa, 20, apareceu na Praça São Pedro e abençoou os fiéis.
“O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”, diz comunicado oficial do Vaticano sobre a morte do papa.
Francisco, o papa argentino
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina. Filho de imigrantes italianos, teve uma infância simples e formou-se como técnico em química antes de ingressar no seminário. Em 1958, entrou para a Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote em 1969.
Bergoglio tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998, quando sucedeu o cardeal Antonio Quarracino. Durante seu período no cargo, adotou um estilo de vida simples: além de evitar luxos, utilizava transporte público para se locomover pela cidade. Também ficou conhecido por seu trabalho pastoral voltado para as periferias e comunidades mais vulneráveis.
Em 2001, foi nomeado cardeal pelo então papa João Paulo II. No consistório realizado em 21 de fevereiro daquele ano, recebeu o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino. Sua atuação no Colégio dos Cardeais foi marcada pela discrição, mas também pela defesa dos pobres e críticas à desigualdade social.
Durante o Conclave de 2005, que elegeu Bento XVI, relatos indicam que Bergoglio teria sido um dos cardeais mais votados nas primeiras rodadas.
Depois da renúncia do papa Bento XVI, em fevereiro de 2013, Bergoglio foi um dos cardeais presentes no Conclave realizado em março daquele ano. No dia 13 de março de 2013, foi eleito o 266º papa da Igreja Católica, tornando-se o primeiro pontífice jesuíta, o primeiro das Américas e o primeiro a escolher o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis.
Desde o início do pontificado, Francisco implementou uma série de reformas no Vaticano, incluindo mudanças na administração financeira da Santa Sé e medidas contra abusos sexuais dentro da Igreja. Além disso, buscou aproximar a Igreja das questões sociais, defendendo os direitos dos mais pobres, criticando desigualdades econômicas e promovendo o diálogo inter-religioso.
Papa Francisco se dedicou à Igreja Católica desde jovem | Foto: Reprodução/X
Seu papado também foi marcado por visitas a diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Cuba, Israel, Palestina e Emirados Árabes Unidos — este último foi um marco por representar a primeira visita de um papa à Península Arábica. Além disso, atuou diretamente em negociações diplomáticas, como o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, mediado pelo Vaticano em 2014.
Polêmicas
Desde o início de seu pontificado, Francisco fez declarações que geraram repercussão mundial. Em relação à comunidade LGBT+, afirmou em 2013: “Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgar?”
Posteriormente, em 2023, disse que “ser homossexual não é crime”, mas reiterou a posição da Igreja de que atos homossexuais são considerados pecado.
Sobre o aborto, Francisco reforçou a visão da Igreja Católica ao compará-lo a práticas históricas de eliminação de vidas indesejadas: “É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema?”, perguntou, em 2018. Em outra ocasião, afirmou que “o aborto nunca pode ser apresentado como um direito humano”.
O pontífice também defendeu o cessar-fogo entre Israel e Palestina e cobrou uma solução diplomática para a região. Em 2023, depois de uma escalada de violência, declarou: “O terrorismo e os extremismos não ajudam a alcançar uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos”.
Alinhamento político
Francisco tinha um discurso progressista, que o aproximou de lideranças políticas de esquerda ao redor do mundo. O pontífice argentino fez críticas ao sistema econômico global, além de defender pautas como a justiça social e o combate à desigualdade, o que ressoou com ideologias socialistas e comunistas.
Francisco teve encontros e demonstrou afinidade com figuras como o ex-presidente boliviano Evo Morales, que chegou a presenteá-lo com um crucifixo esculpido sobre uma foice e um martelo, símbolos do comunismo. Além disso, manteve relações com líderes latino-americanos como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Gustavo Petro.
Evo Morales presenteou o papa Francisco com um crucifixo esculpido sobre uma foice e martelo | Foto: Reprodução/X
Suas encíclicas, como Fratelli Tutti (2020), reforçaram sua crítica ao “capitalismo desenfreado” e defenderam um modelo econômico solidário e inclusivo. Embora o papa tenha negado qualquer alinhamento ideológico específico, sua postura gerou críticas de setores conservadores da Igreja, que o acusaram de se aproximar excessivamente de agendas políticas da esquerda global.
Luigi Mangione matou Brian Thompson no dia 4 de dezembro do ano passado
Luigi Mangione Foto: EFE/EPA/OLGA FEDOROVA
Um júri federal dos Estados Unidos indiciou Luigi Mangione, nesta quinta-feira (17), por homicídio doloso qualificado pela morte do CEO da seguradora de saúde UnitedHealthcare, Brian Thompson, em 4 de dezembro do ano passado. A decisão do grande júri, que analisa um caso e determina se há provas suficientes para uma acusação, coincide com o pedido apresentado pela Promotoria de Nova Iorque.
Quatro acusações foram apresentadas: uma de assassinato com arma, uma por uso de arma e duas por perseguição. O documento de acusação reflete a acusação inicial da promotoria: que Mangione, de 26 anos, viajou do estado da Geórgia para Nova Iorque por volta de 24 de novembro com o objetivo de acossar, intimidar e matar Thompson, o que ele conseguiu usando uma arma de fogo com silenciador.
Thompson, de 50 anos, estava a caminho de um encontro com investidores da UnitedHealthcare, a maior seguradora de saúde privada dos EUA, quando Mangione supostamente atirou em suas costas do lado de fora de um hotel no centro de Manhattan.
Os investigadores encontraram evidências – incluindo cápsulas de balas na cena do crime e textos recuperados em sua mochila após a prisão, cinco dias depois, na Pensilvânia – que refletiam o ódio de Mangione pelo ramo de planos de saúde e mostravam que Thompson era seu alvo.
No início deste mês, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, ordenou que os promotores de Nova Iorque buscassem a pena de morte para Mangione se ele fosse condenado, e seus advogados tentaram tornar essa punição impossível e advertiram que seu cliente estava sendo privado do “devido processo legal”.
Bondi disse que se tratava de um “assassinato premeditado e a sangue frio” contra um CEO e pai de família, o que, segundo os advogados, não respeita a presunção de inocência. Mangione deve comparecer a um tribunal federal em Nova Iorque nesta sexta (18) e é possível que as acusações sejam lidas para que ele possa se declarar inocente ou culpado.
Mangione também foi indiciado pela Promotoria Distrital de Manhattan por 11 acusações, incluindo uma de assassinato em primeiro grau que pode ser considerado um “ato terrorista” e acarretar uma sentença máxima de prisão perpétua – ele se declarou inocente.
Presidente da Ucrânia disse que provará afirmação na próxima semana
Volodymyr Zelensky Foto: EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse em uma coletiva de imprensa em Kiev nesta quinta-feira (17) que a China fornece armas à Rússia, ressaltando que estaria pronto para apresentar evidências na próxima semana.
– Finalmente recebemos informações de que a China está fornecendo armas à Federação Russa. Estamos preparados para falar disso em detalhes. Até agora, temos informações gerais dos serviços de segurança, da inteligência, sobre pólvora e artilharia – afirmou Zelensky, segundo a agência de notícias “Ukrinform”.
O presidente ucraniano falou em “produção de certas armas em território russo”.
– Acredito que poderemos discutir isso em detalhes na semana que vem, especialmente em relação às informações que nos levam a acreditar que representantes chineses estão envolvidos na produção de certas armas em território russo – acrescentou.
Zelensky declarou ainda que apresentará “alguns documentos” comprovando essa colaboração na próxima semana.