Imagem do lançamento bem sucedido do míssil balístico intercontinental Agni 5, na Índia Imagem: DRDO/AFP
Apenas nove países do mundo contam com armas de destruição em massa. Dentre as principais potências, Rússia e Estados Unidos possuem 90% das 12.853 ogivas nucleares existentes no planeta. As ogivas são cargas explosivas, formadas por uma arma nuclear encapsulada na parte cilíndrica de um foguete, míssil ou projétil.
Embora o número exato do arsenal que cada país dispõe seja considerado segredo nacional, os dados são baseados em estimativas divulgadas em fevereiro deste ano pelo Bulletin of Atomic Scientists. As informações foram coletadas a partir do Stockholm Institute Peace Research e do US Departament of State.
Depois de Rússia e EUA, o poderio diminui. Em terceiro lugar, a China tem 350, seguida de França (290), Reino Unido (225), Paquistão (165), Índia (156), Israel (90) e Coréia do Norte (50). Ao todo, os países do Oriente, junto com a Rússia, somam 6.691 ogivas nucleares, enquanto os do Ocidente, incluindo Israel, contabilizam 6.155.
Juntos, Rússia e EUA detêm 90% das ogivas nucleares do planetaImagem: Angela Weiss e Alexey Druzhinin/AFP
Alvo de uma ofensiva russa que já dura um mês, a Ucrânia se desfez em 1994 desse tipo de armamento em troca de segurança e reconhecimento como nação recém-independente. À época, na esteira do colapso da URSS (União Soviética) em 1991, o país herdaria cerca de 3.000 armas nucleares deixadas por Moscou em seu território.
O governo ucraniano, contudo, decidiu aderir à desnuclearização: assinou o Memorando de Budapeste, acordo político que teve como signatários a Rússia, o Reino Unido e os Estados Unidos após o fim da URSS.
Nos primeiros dias de guerra contra a Ucrânia, o líder russo já emitiu ordem para que seu comando militar coloque as forças nucleares em estado de “alerta especial”, o nível mais elevado. Ele reagiu ao chamou de “declarações agressivas” da Otan e diante das sanções financeiras anunciadas por países do Ocidente.
Entre os principais recursos bélicos à disposição de Putin está, por exemplo, o Poseidon, um drone submarino movido a energia nuclear, capaz de se deslocar a mais de um quilômetro de profundidade, a uma velocidade de 60 a 70 nós, permanecendo invisível aos sistemas de detecção, de acordo com uma fonte do complexo militar-industrial russo, citada pela agência oficial TASS.
O dispositivo equivale a um sistema antimísseis — incluindo mísseis antibalísticos e armas laser —, com uma bomba nuclear de cobalto que, ao explodir, provoca uma onda de tsunami com 500 metros. Segundo o governo russo, a arma tem potencial para “inundar as cidades costeiras dos Estados Unidos com tsunamis radioativos”.
Mas, afinal, onde e como cada país armazena suas bombas nucleares? Embaixo da terra, em galpões, bunkers?
Embora se trate de informação estratégica, nos últimos anos imagens de satélites comerciais identificaram que potências como Coréia do Norte e Estados Unidos mantêm e avançam com bases secretas cada vez mais modernas. Em geral, esses locais funcionam com ampla infraestrutura de segurança, servindo tanto como pontos de armazenamento como centros de distribuição.
Veja como cada país armazena suas armas nucleares.
RÚSSIA
Número de ogivas: 5.977 Onde armazena: Imagens de satélite da empresa de tecnologia espacial Maxar revelaram, em abril de 2020, o avanço de bases militares na costa ártica do país, junto com instalações de armazenamento subterrâneo para o Poseidon e outras novas armas de alta tecnologia. A estrutura foi construída pela União Soviética nos anos 50 e reformada em 2015
EUA
Número de ogivas: 5.550 Onde armazena: Atualmente, a Força Aérea dos Estados Unidos armazena 450 mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), localizados principalmente nos estados do norte das Montanhas Rochosas e as Dakotas. Mas, desde a década de 1950, o país hoje comandado por Joe Biden também mantém armas nucleares na Europa, conforme acordo firmado pós-criação da Otan. Embora a organização não divulgue oficialmente a quantidade de armamentos, a FAS (Federação de Cientistas Americanos) e o Centro de Controle e Não Proliferação de Armas apontam que há ao menos cem bombas nucleares americanas distribuídas por seis bases aéreas de cinco países da Otan assim dispostas:
15 bombas em Kleine Brogel, na Bélgica
15 bombas em Büchel, na Alemanha
20 bombas em Aviano, na Itália
15 bombas em Ghedi, na Itália
15 bombas em Volkel, na Holanda
20 bombas em Incirlik, na Turquia
Ao redor da Base Aérea de Büchel, no sudoeste da Alemanha, os EUA possuem dezenas de hangares camuflados, a exemplo de depósitos subterrâneos, que guardam bombas nucleares da época da Guerra Fria.
Os americanos também mantêm um aeródromo perto da fronteira com a Ucrânia que funciona como base militar secreta. O local se tornou o centro de embarque de armas enviadas pelo governo americano e outros membros da Otan para o país do presidente Volodymyr Zelensky em meio à invasão russa. Para proteger os carregamentos, a localização do centro permanece sob segredo.
CHINA
Número de ogivas: 350 Onde armazena: No ano passado, imagens de satélite capturadas por pesquisadores do Centro James Martin para Estudos de Não Proliferação em Monterey, na Califórnia, trouxeram à tona uma construção subterrânea em andamento em um deserto na parte mais ocidental da China. Para os pesquisadores, ali estão silos ou tanques com capacidade para abrigar cerca de 110 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês).
Silos de mísseis são uma instalação subterrânea, geralmente no formato de um cilindro na posição vertical, que armazena esses mísseis e servem para protegê-los e lançá-los.
À época, um mês antes da descoberta e também por meio de fotos de satélites, detectou-se a construção de outro silo nas proximidades de Yumen. Conforme estimativa da FAS (Federação de Cientistas Americanos), o país asiático poderia armazenar no local até 120 mísseis nucleares.
FRANÇA
Número de ogivas: 290 Onde armazena: País não reconhece publicamente seu programa. Especialistas afirmam, porém, sua força de dissuasão nuclear estratégica consiste, basicamente, na utilização de submarinos de mísseis balísticos.
REINO UNIDO
Número de ogivas: 225 Onde armazena: As forças nucleares do Reino Unido estão no mar. Mesmo com estratégia bélica sob segredo de Estado, sabe-se que o país possui quatro submarinos de mísseis balísticos de potência nuclear cujo modelo Vanguard foi projetado no período da Guerra Fria. Cada um deles carrega até 16 mísseis e se revezam em patrulha constante.
PAQUISTÃO
Número de ogivas: 165 Onde armazena: As armas de destruição em massa do Paquistão são desenvolvidas e armazenadas em usinas nucleares erguidas no país com a ajuda chinesa. Nos últimos anos, o país avançava na construção de reatores de produção de plutônio para bombas atômicas. Os equipamentos possuem torres de refrigeração. A construção dessas torres foi iniciada em 2006.
ÍNDIA
Número de ogivas: 156 Onde armazena: Base Industrial de Defesa da Índia, anteriormente conhecida como Complexo Industrial-Militar, onde são construídos submarinos nucleares autóctones.
ISRAEL
Número de ogivas: 90 Onde armazena: Israel não assume publicamente que possui armamento nuclear. Estima-se, contudo, que o país tenha hoje cerca de 90 ogivas e material para desenvolver até 200 desses dispositivos.
COREIA DO NORTE
Número de ogivas: 50 Onde armazena: O país do ditador Kim Jong-un mantém armazenagem subterrânea de ogivas nucleares próximas às bases de lançamento de mísseis. Em 2018, imagens feitas por satélites comerciais identificaram ao menos 16 bases ocultas. Entre elas está a base de mísseis chamada Sakkanmol, a pouco mais de 80 quilômetros da Zona Desmilitarizada.
Segundo relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, que reúne um grupo de pesquisadores em Washington (EUA), o local possui dormitórios, áreas de segurança, depósitos de manutenção bem como túneis subterrâneos que escondem mísseis móveis e seus caminhões para transportá-los.
A base está fincada em um estreito vale de montanha numa área de 7,7 km². Cada entrada de túnel, diz o relatório, é protegida por um monte de pedras e terra com cerca de 18 metros de altura e duas portas abrindo para fora com cerca de 6 metros de largura. Eles servem para proteger as entradas de túneis de ataques de artilharia e aéreo.
O documento mostra que a base de Sakkanmol esconde sete extensos túneis que podem acomodar até 18 transportadores para mísseis. Cada um é geralmente equipado de uma ogiva.
Ukrainian President Volodymyr Zelenskiy speaks during a news conference for foreign media in Kyiv, Ukraine March 12, 2022. Ukrainian Presidential Press Service/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS – THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY.
A Rússia quer dividir a Ucrânia em duas, como aconteceu com as Coreias do Norte e do Sul, disse o chefe da inteligência militar da Ucrânia neste domingo (27), prometendo uma guerrilha “total” para evitar a divisão do país.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, pediu ao Ocidente que dê à Ucrânia tanques, aviões e mísseis para ajudar a afastar as forças russas, cujos ataques têm mirado cada vez mais depósitos de combustíveis e alimentos, segundo o governo de Kiev.
Autoridades norte-americanas continuaram os esforços para suavizar os comentários de ontem (26) do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que disse em um discurso inflamado na Polônia que o líder russo, Vladimir Putin, “não pode permanecer no poder”.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que Washington não tem estratégia para mudar o regime russo e que Biden simplesmente quis dizer que Putin não pode ser “autorizado a declarar guerra” contra a Ucrânia ou qualquer outro lugar.
Após mais de quatro semanas de conflito, a Rússia não conseguiu tomar nenhuma grande cidade ucraniana e Moscou sinalizou na sexta-feira (25) que estava reduzindo suas ambições para se concentrar em proteger a região de Donbass, no Leste da Ucrânia, onde separatistas apoiados pela Rússia têm lutado contra o exército ucraniano pelos últimos oito anos.
Durante uma entrevista coletiva, o presidente dos EUA também chamou o presidente russo de “carniceiro”
Presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Joe Biden, dos EUA Foto: EFE/EPA/Pool/Denis Balibouse
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse neste sábado (26), sobre o presidente russo, Vladimir Putin, que “pelo amor de Deus, esse homem não pode permanecer no poder”. Ele realizou um discurso em frente ao Castelo Real, edifício fortemente danificado durante a Segunda Guerra Mundial em Varsóvia, na Polônia.
Em seu discurso na capital polonesa, Biden expressou uma forte defesa da democracia liberal e da aliança militar da Otan, dizendo que a Europa deve se preparar para uma longa luta contra a agressão russa.
– Devemos enfrentar esta batalha com olhos claros. Esta batalha não será vencida em dias ou meses – disse Biden.
Mais cedo, o presidente dos EUA chamou Putin de “carniceiro” em uma coletiva de imprensa, depois de se reunir com refugiados, incluindo alguns da cidade portuária de Mariupol, alvo de bombardeiros russos e ataques a civis nas últimas semanas.
Ataque a Lviv A cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, foi atingida por vários foguetes neste sábado. Autoridades dizem que ocorreram dois ataques separados, no mesmo dia em que o presidente norte-americano, Joe Biden, visita a capital da Polônia, país cuja fronteira fica a apenas 70 quilômetros de distância.
A cidade de Lviv, com cerca de 700 mil habitantes, foi um refúgio para centenas de milhares de pessoas que fugiam de ataques russos em outras partes da Ucrânia.
Mais cedo, o governador regional, Maxym Kozytsky, afirmou, em um comunicado, que as indicações preliminares eram de que cinco pessoas ficaram feridas no primeiro ataque, mas não especificou o que dois foguetes atingiram. Horas depois, ele relatou mais três explosões fora da cidade, novamente sem detalhes.
O prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi, chamou a segunda rodada de explosões de um ataque com foguetes, dizendo que houve danos significativos a um “objeto de infraestrutura” não especificado.
Ao falar no Fórum de Doha, por vídeo, Zelenskiy disse que países como o Catar podem contribuir para a estabilização da Europa
Foto: Reprodução / TV
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, pediu neste sábado (26) a países produtores de energia que elevem a produção para que a Rússia não possa usar sua riqueza em petróleo e gás para “chantagear” outras nações.
Ao falar no Fórum de Doha, por vídeo, Zelenskiy disse que países como o Catar podem contribuir para a estabilização da Europa.
“Eles podem fazer muito para restaurar a justiça. O futuro da Europa depende de seus esforços. Peço a vocês que aumentem a produção de energia para garantir que todos na Rússia entendam que nenhum país pode usar a energia como arma e chantagear o mundo”, disse.
A invasão da Ucrânia pela Rússia, maior fornecedor de gás da Europa, provocou preocupações no fornecimento de energia e aumentou o escrutínio da dependência de países da União Europeia de combustíveis fósseis importados.
O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, adiantou aos jornalistas que recebeu “promessas adicionais dos Estados Unidos em como a cooperação em termos de defesa irá evoluir”.
Durante a manhã, o presidente norte-americano Joe Biden esteve reunido com dois ministros do governo ucraniano, dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, durante a visita a Varsóvia.
Este foi o primeiro encontro de Joe Biden com governantes ucranianos desde o início da guerra, em uma reunião em que também estiveram o secretário norte-americano da Defesa, Llyod Austin, e o secretário de Estado, Antony Blinken.
“Os quatro ministros discutiram os resultados da cimeira extraordinária da Nato [Otan] de 24 de março, em Bruxelas, e o compromisso inabalável dos Estados Unidos para com a soberania e integridade territorial da Ucrânia”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.
Executivo disse enxergar, como consequência do conflito, um movimento em que “companhias e governos estarão reavaliando suas dependências [de outros países] e reanalisando a manufatura e as plantas de fabricação”
“A invasão da Ucrânia pela Rússia colocou um fim na globalização que experimentamos nas últimas três décadas”, afirmou o CEO da BlackRock, Larry Fink em sua tradicional carta anual aos acionistas. No documento divulgado hoje, o executivo da maior gestora do mundo em ativos, com US$ 10 trilhões sob o guarda-chuva, disse enxergar, como consequência do conflito, um movimento em que “companhias e governos estarão reavaliando suas dependências [de outros países] e reanalisando a manufatura e as plantas de fabricação — algo que a covid já estava levando muitos a começar a fazer”.
Fink apontou ainda que esse cenário pode levar as companhias a trazer a maior parte de suas operações para os próprios países ou muito perto, “resultando em uma rápida reversão para alguns países”. No entanto, o CEO da BlackRock indica que algumas regiões podem até se beneficiar desse movimento e cita o Brasil dentro desse grupo. “Outros, como México, Brasil e Estados Unidos ou os ‘hubs’ manufatureiros no sudeste da Ásia, podem se beneficiar”.
Para Fink, “essa dissociação vai, inevitavelmente, criar desafios para as companhias, incluindo custo mais elevado e pressões sobre as margens”. Uma reorientação em larga escala das cadeias de suprimentos, continuou o executivo, “será inerentemente inflacionária”.
De acordo com o executivo, após o fim da guerra fria no início dos anos 1990, “o mundo se beneficiou dos dividendos de uma paz global e da expansão da globalização”. Conforme Fink, “foram tendências poderosas que aceleraram o comércio internacional, expandiram o mercado de capitais global, elevaram o crescimento econômico e ajudaram a reduzir a pobreza em nações ao redor do globo”.
O CEO da BackRock reafirmou permanecer “um apoiador de longo prazo dos benefícios da globalização e do poder do mercado de capitais global”. Para o gestor, “o acesso ao capital global permite às companhias financiar o crescimento, aos países se desenvolver economicamente e a mais pessoas experimentarem um bem-estar financeiro”. A guerra, no entanto, pôs em cheque os avanços desse sistema, na medida em que, vai impulsionar uma reorientação das cadeias de suprimentos e fazer governos reavaliarem suas relações de dependência com outras nações.
O CEO da BlackRock também chamou a atenção para o dilema dos bancos centrais, exacerbado pela tensão geopolítica. “Os BCs estão ponderando difíceis decisões sobre o quão rápido elevar as taxas. Eles enfrentam um dilema que não tinham há décadas, que piorou pelo conflito geopolítico e como resultado dos choques de energia. Os bancos centrais devem escolher se vamos viver com uma inflação mais alta ou se vão desacelerar a atividade econômica e emprego para derrubar a inflação mais rapidamente.”
Um trecho da carta de Fink traz ainda uma análise sobre os impactos do conflito sobre os ativos digitais e sinaliza um potencial impacto de aceleração das moedas virtuais. “A guerra vai levar os países a reavaliar sua dependência cambial. Mesmo antes da guerra, vários governos estavam buscando ter um papel mais ativo nas moedas digitais e definir matrizes regulatórias sob a qual essas moedas vão operar.
O BC americano, por exemplo, lançou recentemente um estudo para examinar as potenciais implicações do dólar digital. Um sistema digital global de pagamentos pode consolidar uma melhora nas transações internacionais, enquanto reduz o risco de lavagem de dinheiro e corrupção. As moedas digitais também podem ajudar a baixar os custos de pagamentos transfronteiriços, por exemplo, quando profissionais expatriados enviam recursos para suas famílias”.
Foto: Reprodução de vídeo da Nasa/canal da Nasa no Youtube
A descoberta de planetas localizados fora do sistema solar, também chamados de exoplanetas, contribui para os estudos de possíveis sinais de vida pelo universo.
Nesta terça-feira (22), a Nasa alcançou um marco expressivo ao ultrapassar a contagem de mais de 5.000 exoplanetas descobertos pelos telescópios da agência espacial norte-americana. Segundo a Nasa, a jornada de 30 anos ampliou o conhecimento do universo, até então restrito aos planetas do sistema solar.
O contador planetário ultrapassou a marca com o último lote de 65 exoplanetas adicionados ao Arquivo de Exoplanetas da Nasa. O arquivo registra descobertas de exoplanetas que aparecem em artigos científicos revisados por pares e que foram confirmados usando vários métodos de detecção ou por técnicas analíticas.
De acordo com a Nasa, os mais de 5.000 planetas encontrados até o momento incluem mundos pequenos e rochosos como a Terra, gigantes gasosos muitas vezes maiores que Júpiter e os chamados “Júpiteres quentes”, que estão em órbitas extremamente próximas em torno de suas estrelas.
Na lista de achados, existem também as “super-Terras”, que são possíveis mundos rochosos maiores que o nosso, e “mini-Netunos”, versões menores do Netuno do nosso sistema. As descobertas incluem ainda planetas orbitando duas estrelas ao mesmo tempo e planetas orbitando os restos colapsados de estrelas mortas.
A pesquisadora Jessie Christiansen, líder de ciência do arquivo e cientista do Instituto de Ciência de Exoplanetas da Nasa, no Caltech em Pasadena, afirma que o marco vai além das estatísticas numéricas. “Cada um deles é um mundo novo, um planeta totalmente novo. Fico empolgada com cada um porque não sabemos nada sobre eles”, disse Jessie, em um comunicado.
Primeiras descobertas Estima-se que nossa galáxia contenha centenas de bilhões desses planetas. As descobertas ganharam impulso em 1992, com estranhos novos mundos orbitando uma estrela ainda mais estranha.
Segundo a Nasa, era um tipo de estrela de nêutrons conhecida como Pulsar, um cadáver estelar girando rapidamente que pulsa com rajadas de milissegundos de radiação abrasadora. A medição de pequenas mudanças no tempo dos pulsos permitiu que os cientistas revelassem planetas em órbita ao redor da estrela.
Encontrar apenas três planetas em torno desta estrela giratória essencialmente abriu as comportas, disse Alexander Wolszczan, o principal autor do artigo que, há 30 anos, revelou os primeiros planetas a serem confirmados fora do nosso sistema solar.
“Se você pode encontrar planetas ao redor de uma estrela de nêutrons, os planetas devem estar basicamente em todos os lugares”, disse Wolszczan. “O processo de produção do planeta tem que ser muito robusto”.
Nova era Com o avanço da tecnologia espacial, especialistas estimam que estamos diante de uma nova era de descobertas para além da identificação de novos exoplanetas.
O Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), lançado em 2018, continua a fazer novas descobertas de exoplanetas. No entanto, em breve os telescópios de próxima geração e seus instrumentos altamente sensíveis, começando com o recém-lançado Telescópio Espacial James Webb, capturarão a luz das atmosferas dos exoplanetas, lendo quais gases estão presentes para identificar potencialmente sinais indicadores de condições habitáveis.
De acordo com a Nasa, o Telescópio Espacial Romano Nancy Grace, com lançamento previsto para 2027, fará novas descobertas de exoplanetas usando uma variedade de métodos. A missão Ariel da Agência Espacial Europeia (ESA), com lançamento em 2029, observará atmosferas de exoplanetas. Com parte da tecnologia da Nasa a bordo, chamada Case, a missão deve se concentrar em nuvens e neblinas de exoplanetas.
“Na minha opinião, é inevitável que encontremos algum tipo de vida em algum lugar – provavelmente de algum tipo primitivo”, disse Wolszczan. Para ele, a estreita conexão entre a química da vida na Terra e a química encontrada em todo o universo, bem como a detecção de moléculas orgânicas generalizadas, sugere que a detecção da própria vida é apenas uma questão de tempo.
Democrata segue firme em austeridade ao país que invadiu a Ucrânia
Joe Biden em coletiva de imprensa Foto; EFE/EPA/OLIVIER HOSLET
O presidente dos Estados Unidos Joe Biden defendeu a expulsão da Rússia do Grupo dos Vinte (G20), durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (24), após reuniões com líderes de Estado da União Europeu (UE) e do Grupo dos Sete (G7).
De acordo com Biden, a possibilidade foi discutida hoje, mas não será concretizada enquanto “a Indonésia e outros países” não concordarem.
Segundo o mandatário, as reuniões realizadas nesta quinta tiveram como objetivo central manter o Ocidente e demais aliados unidos em sua resposta contra a Rússia, de forma que as sanções continuem firmes ao menos até o fim de 2022. Para Biden, as medidas contra Moscou surtiram o efeito esperado e serão sustentadas.
O presidente americano também afirmou que medidas para melhorar a segurança energética estão sendo coordenadas junto ao G7 e a UE, e detalhes serão divulgados nesta sexta-feira (25).
Quanto à possibilidade de que os EUA e a Otan respondam militarmente a um eventual uso de armas químicas da Rússia, Biden disse que isso dependeria da escala do uso deste tipo de armamento.
Perguntado sobre a posição da China sobre o conflito, Biden disse que não fez ameaças ao país em sua reunião com o presidente Xi Jinping na semana passada, mas destacou que deixou claro que haverá consequências caso o país mantenha a neutralidade. Para Biden, a China entende que seu futuro econômico está mais ligado ao Ocidente do que à Rússia.
Líderes da aliança militar do Ocidente estão reunidos hoje (24) em Bruxelas. Após o encontro, ficou definido que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai incrementar o número de tropas em países ao Leste da aliança, mais especificamente na Eslováquia, Romênia, Bulgária e Hungria.
“Permanecemos unidos e decididos em nossa determinação de nos opormos à agressão russa, ajudar o governo e o povo da Ucrânia e defender a segurança de todos os aliados”, diz o comunicado assinado pelos líderes dos 30 países que formam a aliança.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, fez novamente um apelo aos países do Ocidente por uma zona de exclusão aérea, para que aviões russos pudessem ser abatidos durante voos sobre a Ucrânia.
Os líderes da Otan, no entanto, seguem com o entendimento de não intervenção direta no conflito, para evitar uma escalada de tensão e uma guerra de maiores proporções.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discursa durante cerimônia do Dia Nacional e Europeu em Homenagem às Vítimas do Terrorismo na propriedade Grand Trianon, em Versalhes, França, em 11 de março de 2022. Imagem: Emmanuel Dunand/Reuters
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta terça-feira (21), que a “agressão” do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao invadir a Ucrânia tem consequências muito além da Europa. A afirmação foi dada em um Fórum Humanitário.
“As necessidades humanitárias” globais “já estão em alta, a guerra feita pelo Kremlin ameaça a segurança alimentar em todo o mundo”, disse Von der Leyer, de acordo com a CNN Internacional.
A presidente da Comissão também confirmou a contribuição de 2,5 bilhões de euros “até 2024 para lidar com a escassez mundial de alimentos em regiões mais afetadas”, além de criar “medidas especiais para aumentar a produção de alimentos na Europa”.
Na semana passada, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), avaliou que os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que se estende por quase um mês, na economia global exigirão que os governos forneçam subsídios para os consumidores mais pobres, impactados com a alta das contas de alimentos e energia.
A avaliação foi apresentada em sua primeira análise abrangente sobre a crise econômica desencadeada pelo conflito no leste europeu.
A OCDE calcula que a Rússia e a Ucrânia respondem por 30% das exportações globais de trigo, e quase 15% das exportações de milho. Desde o início da invasão em 24 de fevereiro, os preços do trigo quase dobraram e os preços do milho subiram mais de 40%.
Dados divulgados pela FAO, a agência de alimentos da ONU, revelaram que o confronto militar entre duas potências agrícolas – Rússia e Ucrânia – deve levar ao aumento de mais de 20% em média nos preços de alimentos no mundo.
Segundo a FAO, mesmo antes da guerra eclodir, o mês de fevereiro já registrou a maior alta nos preços de commodities agrícolas. Mas, com o conflito, a previsão é de que a tendência seja de um aumento ainda maior a partir dos próximos meses, com até 30% das terras aráveis ucranianas não podendo ser utilizadas.
Outra preocupação da FAO se refere à fome nos países mais pobres. Hoje, cerca de 50 países pelo mundo dependem dos cereais russos e ucranianos. Sem esses produtos, a agência estima que entre 8 milhões e 13 milhões de pessoas podem ser incorporadas no exército de famintos pelo mundo.