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Professores de universidades e institutos federais entraram em greve em meio a negociações com o governo federal

Foto colorida da Universidade de Brasília (UnB) - Metrópoles

O Brasil enfrenta uma mobilização massiva dos servidores da educação de universidades e institutos federais em busca de reajuste salarial, reestruturação de carreira e repúdio a medidas governamentais prejudiciais. Os professores estão em discussão com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos no intuito de aprovação das reivindicações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se elegeu com a promessa de valorização da educação e dos professores. Com isso, a greve dos servidores dos institutos e universidades pressionam a gestão federal para mais investimentos e melhores condições de trabalho em diferentes regiões do país.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), 470 unidades de ensino, entre institutos e colégios, foram afetadas pela greve em 24 estados.

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) possui o maior número de unidades em greve, ao todo são 31. Seguido pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) empatados com 23 unidades sem aula.

Lucas Barbosa, coordenador do Sinasefe, contou ao Metrópoles que os servidores junto ao Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Gestão estão discutindo o plano de carreira e completa que sem uma mudança no funcionalismo público da educação há chances de um apagão na área.

“O governo precisa sentar com o trabalhador da educação federal, principalmente com o técnico. Se o governo não resolver a carreira vai ter um apagão. Os servidores estão ganhando um pouco mais de um salário mínimo”, alerta Lucas Barbosa.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), 17 universidades federais irão aderir à greve a partir desta segunda-feira (15/4), entre elas está a Universidade Federal de Brasília (UnB). Ainda de acordo com o ANDES-SN, o pedido de reajuste para os servidores públicos seria de 7,06% em 2024, de 7,06% em 2025 e 7,06% em 2026.

“O governo federal agiu com bastante descaso com o conjunto dos servidores públicos federais, e não foi distinto com os docentes. O indicativo de 0% de reajuste para 2024 tomou a categoria de forma muito contundente, que se somou a outras violências, como a tentativa de viabilizar uma tímida implementação de aumento em benefícios condicionada à proibição do exercício do direito de greve’, enfatiza o Gustavo Seferian, professor da Faculdade de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente do ANDES-SN.

Confira as universidades em greve:

A ministra da Gestão, Esther Dweck, afirmou, nessa quinta-feira (11/4), que o governo Lula poderá conceder 19% de reajuste aos servidores do Executivo Federal ao longo dos quatro anos de mandato.

“O que a gente tem pactuado inicialmente dentro do governo? Que, além dos 9%, a gente garantiria mais 9%, 4,5% [em 2025] e 4,5% [em 2026] ao longo do mandato do presidente Lula, garantindo, para todo mundo, no mínimo, 18%. Na verdade, é 19%, porque como você acumula um aumento em cima do outro, o aumento seria 19,03%, que é acima da inflação do período, então, por isso, ninguém teria perda ao longo do mandato do presidente Lula”, disse Dweck durante entrevista ao programa Bom dia, ministra, da TV Brasil.

Por outro lado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o aumento para os servidores ainda este ano está descartado. O petista se reuniu com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck na última quarta-feira (10/4). “O orçamento já está fechado”, salientou.

Proposta do governo

O Ministério da Gestão informou que formalizou a proposta de reajuste do auxílio-alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (51,9% a mais) a partir do mês de maio, aumento em 51% nos recursos destinados à assistência à saúde suplementar e, ainda, alta na assistência pré-escolar de R$ 321 para R$ 484,90. A pasta destacou que tem discutido a reestruturação de carreira junto aos servidores ao longo das mesas de negociação e busca um acordo “favorável” para eles.

O Ministério da Educação anunciou que tem trabalhado para buscar alternativas para valorização dos servidores da educação e está presente no diálogo com os representantes dos docentes, técnicos e do Ministério da Gestão.

Informações Metrópoles


Foto: Reprodução.

Professores e funcionários administrativos de várias universidades e institutos federais aprovaram uma greve solicitando aumento salarial e igualdade dos benefícios dos servidores federais aos concedidos ao legislativo e judiciário, ainda em 2024.

Até agora, temos:

2 institutos federais e 1 universidade em greve; 7 universidades em estado de greve (podem entrar em greve a qualquer momento); 17 universidades e 2 institutos com greve agendada para 15/4; 3 deflagrações/indicativos de greve após 15/04; 5 indicativos/construções de greve aprovadas sem data de deflagração.

O país possui 69 universidades federais e 38 institutos federais.

As três instituições de ensino associadas ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) que estão em greve são: o campus Rio Grande do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), o Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IF Sul de Minas) e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Veja a lista das outras universidades abaixo.

O Andes solicita que o aumento salarial seja dividido em dois blocos: um aumento de 34% em 3 parcelas iguais de 10,34% em 2024, 2025 e 2026; e outro de 22% também dividido em 3 parcelas iguais de 7,06% em maio de 2024, 2025 e 2026.

De acordo com o sindicato, os percentuais correspondem às perdas salariais desde o governo do ex-presidente Michel Temer, em 2016, até dezembro de 2023, acrescidas das projeções inflacionárias de 2024 e 2025.

A proposta do governo é de que não haja aumento salarial em 2024, mas tem como contraproposta o aumento de benefícios e auxílios pagos aos funcionários públicos, sendo o principal deles o auxílio-alimentação com 52% de aumento, de R$ 658 para R$ 1.000.

Os valores do auxílio-creche e do auxílio-saúde seriam reajustados, conforme proposta do governo, em 51% para todos os servidores públicos federais ativos.

“Apenas o aumento do auxílio-alimentação resultaria em ganho de renda de mais de 4,5% para mais de 200 mil servidores ativos – que são os que ganham até R$ 9 mil mensais”, afirma o Ministério de Gestão e Inovação.

O governo propôs dois aumentos salariais de 4,5%, um em 2025 e outro em 2026, “que somados aos 9% já concedidos (no ano passado), representariam recomposição salarial de 19%, o que ficaria acima da inflação projetada para o período”, segundo informou a pasta.

A oferta dos dois aumentos de 4,5% para os próximos anos foi rejeitada pelo sindicato, que quer a recomposição salarial ainda em 2024.

Os servidores das universidades federais também pedem pelo “revogaço”, isto é, a revogação de uma série de leis implementadas nos últimos governos, como as jornadas especiais de trabalho, procedimentos administrativos diante de greve no serviço público, a centralização no INSS das pensões e aposentadorias, e a contrarreforma da previdência social.

Eles reivindicam ainda por um compromisso de negociação prévia com a bancada sindical a respeito da PEC da Reforma Administrativa, além da implementação dos acordos de reestruturação das carreiras e a instalação dos acordos feitos em mesas de carreiras (fóruns de discussão de pautas não financeiras).

“O governo se comprometeu a implantar até julho todas as mesas específicas de carreiras que ainda não foram abertas no âmbito da Mesa Nacional de Negociação Permanente. Atualmente são 18 mesas de negociações específicas abertas. Dez mesas já chegaram a acordos e oito estão em andamento”, afirma o Ministério de Gestão e Inovação.

Já o MEC afirmou que “vem envidando todos os esforços para buscar alternativas de valorização dos servidores da educação, atento ao diálogo franco e respeitoso com as categorias” e que equipes da pasta vêm participando da mesa nacional de negociação e das mesas específicas de técnicos e docentes instituídas pelo Ministério de Gestão e Inovação, e da mesa setorial que trata de condições de trabalho.

Veja a lista de universidades que estão ou podem entrar em greve:

Em greve

Em estado de greve

Greve aprovada para 15/04

Com deflagração/indicativo de greve após 15/04:

Com indicativo/construção de greve aprovada sem data de deflagração

Informações TBN


As escolas municipais que dispõem do programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Básico podem usar os recursos para aquisição de itens de higienização com o objetivo de fortalecer as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. A orientação é do Ministério da Educação. Ao todo, 188 escolas da rede municipal de Feira de Santana têm direito ao recurso.

O programa destina recursos federais às escolas em caráter suplementar para uso em despesas de manutenção do prédio escolar e de suas instalações, de material didático e pedagógico.

Agora que o valor também pode ser usado na aquisição de material de consumo, os gestores podem adquirir os seguintes itens com os devidos fins: repelente para uso na escola, detergente, sabão em pó, água sanitária ou cloro, para serem aplicados em locais com água parada para eliminar larvas do mosquito Aedes aegypti e em locais onde a água não será consumida, como vaso sanitário sem uso frequente, ralos internos, bandejas de geladeira ou ar-condicionado, entre outos de utilização com a temática de combate à dengue.

*Secom/PMFS


O prazo para revalidação do cartão Via Feira Estudante que garante o benefício da meia-tarifa no transporte público urbano termina neste domingo, 31.

O processo é totalmente on-line e pode ser feito em até 2 minutos pelo site viafeira.com.br. “Para revalidar o cartão não precisar ir até um posto de atendimento”, pontua Sérgio Carneiro, secretário de Mobilidade Urbana.

O estudante beneficiário basta ter e-mail válido, comprovante de matrícula (para universitários) e o atestado de frequência com validade de 30 dias, conforme lei municipal, para alunos do ensino fundamental e médio – e deve ser enviado como foto ou arquivo em formato PDF.

Este ano a revalidação foi reformulada para ficar mais intuitiva, rápida e fácil. Mas atenção: quem não revalidar o cartão Via Feira Estudante até o prazo (31 de março) fica impossibilitado de adquirir novos créditos com a meia-tarifa, benefício concedido pela Prefeitura de Feira.

Porém, ao longo do ano letivo, o estudante que perdeu o prazo poderá a qualquer momento de revalidar o cartão eletrônico Estudante. O saldo de créditos existentes, adquiridos previamente, poderão ser utilizados após a revalidação.

PRIMEIRO CADASTRO

O estudante que ainda não possui benefício social basta acessar o site viafeira.com.br, realizar um pré-cadastro e solicitar a primeira via do cartão Via Feira Estudante.

A lista com a documentação exigida para estudantes de instituições de ensino superior, do fundamental e do ensino médio está disponível no site viafeira.com.br/estudante através do menu “Como fazer seu cartão”.

Após o pré-cadastro e aprovação (em até 5 dias úteis), o cartão físico estará disponível após 24h ou no próximo dia útil na sede da Via Feira, localizada no Terminal Central.

“O atendimento é prioritário ao estudante que solicitar a primeira via do cartão no site, ou seja, não precisa aguardar em fila”, pontua o secretário.

CADASTRO PRESENCIAL

Quem optar pelo cadastro ou emissão do cartão Via Feira Estudante de forma presencial basta comparecer à sede da Via Feira, no Terminal Central.

*Secom/PMFS
Fotos: Andrews Pedra Branca


A Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor de Feira de Santana (Procon) prorrogou até o dia 29 de abril o prazo para as escolas particulares apresentarem o plano didático pedagógico. A informação foi publicada em edição do Diário Oficial Eletrônico no último sábado (23).

A medida, em execução pela primeira vez, é para avaliar se a lista de materiais escolares exigidos condiz com as atividades a serem executadas durante o ano. As notificações foram entregues nas unidades de ensino.

De acordo com o superintendente do Procon, Maurício Carvalho, o intuito é avaliar se há excessos de itens – mesmo aqueles que são permitidos.

Ano passado, de maneira inédita, o Procon realizou um encontro para debater a volta às aulas em 2024. Pais, estudantes e representantes de unidades escolares do município participaram do evento no Teatro Margarida Ribeiro. O encontro teve participação do Procon Bahia, da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB)/Subseção Feira de Santana e da Associação das Escolas Particulares de Feira de Santana.

*Secom/PMFS


foto: Agência Brasil 

Pela primeira vez em oito anos, o Brasil não alcançou a meta de ter 95% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos matriculadas no Ensino Fundamental (do 1º ao 9º ano), etapa escolar adequada para essa faixa etária.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira (22) pelo IBGE, em 2023 o país tinha 94,6% da população dessa idade frequentando o Ensino Fundamental.

Esse é o menor percentual desde o início da série histórica da Pnad Educação.

Em 2016, início da série histórica, o percentual era de 96,7%. A taxa aumentou até 2018, quando chegou a 97,4%. Desde então, iniciou trajetória de queda. 

Informações TBN


Quem nunca fez uma longa viagem pelo mundo da imaginação enquanto ouvia uma história? Porta de entrada para o universo dos livros, a contação de histórias estimula a prática leitora, a criatividade e desenvolve a capacidade de concentração dos pequenos, tornando-se uma importante aliada da Educação Infantil.

A data que marca o Dia do Contador de Histórias, comemorado esta semana, no dia 20 de março, reforça a importância da promoção desta prática.

A professora da rede municipal Iarla Santos destaca que a contação de história é uma ferramenta poderosa no desenvolvimento infantil porque é capaz de estimular diversas habilidades essenciais para a vida das crianças.

“Quando ouvem histórias, as crianças são transportadas para um mundo de fantasia, onde podem explorar diferentes realidades, emoções e situações, isso ajuda no desenvolvimento da empatia e na compreensão. Além disso, também auxilia no desenvolvimento da linguagem oral e escrita. As crianças que têm contato frequente com narrativas tendem a se tornar melhores comunicadores e melhores escritores”.

Contadora de histórias há 24 anos, a professora Cintia Maria, que também faz parte da Educação Municipal, relata sobre a experiência com as crianças. “É uma vivência muito gratificante. A gente costuma dizer que a contação de história é para aquele que tem uma escuta sensível e generosa e as crianças têm essa escuta. Quando elas não têm, passam a desenvolver e há um ganho enorme na concentração, no desejo pelas histórias e no desejo pela literatura.”

No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Neusa Santos Brasileiro, no conjunto Viveiros, o projeto “Era Uma Vez” tem o objetivo de desenvolver nas crianças de 2 a 5 anos o hábito da leitura.

“As crianças recriam histórias infantis, sendo as protagonistas. Nós trabalhamos com a maleta mágica, em que essa criança leva para casa uma história, lê com os pais e reconta da forma que entendeu, que aprendeu. Esta é uma maneira de incentivá-los a ler e a exercitar a imaginação”, explica a diretora do Cmei, Rainê Sobral.

*Secom/PMFS


Professores deverão ser contemplados com reajuste de 4% retroativo a maio

Um Projeto de Lei do Poder Executivo, concedendo recomposição salarial de 4% nos vencimentos dos profissionais da Rede Municipal de Ensino e dos Agentes Comunitários de Saúde e de Endemias, foi protocolado na Câmara Municipal de Feira de Santana na quarta-feira (20). O vereador José Carneiro (MDB) apresentou o texto na Gerência Legislativa.

A proposta, segundo ele, busca estender o reajuste às categorias não contempladas no reajuste aprovado no fim do ano passado para todas as demais categorias de servidores da Prefeitura.

De acordo com o líder da base governista, o projeto foi elaborado após reuniões com o presidente do Sindicato de Servidores Públicos Municipais de Feira de Santana, Hamilton Ramos, e representantes dos agentes comunitários.

Com a proposta em mãos, José Carneiro destacou, em um breve pronunciamento no plenário, alguns de seus artigos, dentre eles, o que estabelece o efeito retroativo do reajuste a maio de 2023. A matéria segue para análise das comissões competentes, que deverão exarar parecer sobre sua constitucionalidade.

Informações O Protagonista


Começa no próximo dia 27 de março, a entrega dos uniformes escolares para os estudantes da Educação Municipal com até 10 anos. Em seguida, as demais faixas etárias também receberão os itens. Ao todo, serão distribuídos 217 mil itens aos mais de 55 mil estudantes da Educação Municipal.

Além de um novo layout, mais moderno, os fardamentos serão distribuídos em maior quantidade aos estudantes. É que além das camisas polo e short saia ou short, a Prefeitura também inseriu uma camiseta na entrega considerando os dias mais quentes e a importância de que os alunos estejam confortáveis para realizar as atividades nas escolas.

“Os alunos da Educação Infantil terão dois uniformes completos (camisa polo e short ou short saia) e uma camiseta. No caso do Ensino Fundamental, cada estudante vai receber duas camisas polo e uma camiseta”, explica a secretária de Educação, Anaci Paim.

KIT ESCOLAR

Os materiais didáticos necessários ao desenvolvimento pedagógico também serão distribuídos gratuitamente pela Prefeitura até o mês de abril. Cada estudante receberá um kit escolar composto por mochila, estojo, caderno, lápis, caneta, régua, tinta guache, entre outros itens.

Este ano, serão disponibilizados quatro tipos de kit, um deles para atender especificamente aos estudantes que possuem baixa visão. Cada material é pensado pedagogicamente para os estudantes de acordo com a necessidade da modalidade de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental Anos Iniciais e Anos Finais e Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Ensino Especializado.

“O kit específico para os estudantes com baixa visão é mais um passo importante da nossa política de inclusão. É todo adaptado segundo as necessidades específicas da visão residual dos estudantes que apresentam dificuldades para ler ou escrever através dos recursos didáticos convencionais. O objetivo é dar todo o suporte necessário no processo de aprendizagem dos alunos”, pontua a secretária.

*Secom/PMFS


Reprodução

Uma caminhada rápida pela Universidade de Buenos Aires (UBA) basta para encontrar o primeiro par de Havaianas. Os pés são do acreano Guilherme Henrique Leão, 28: “Quando cheguei, há seis anos, não tinha essa enxurrada de canais de YouTube falando sobre como estudar aqui”, conta ele, sentado na longa escadaria.

O número de estudantes brasileiros matriculados em cursos de medicina na Argentina aumentou cinco vezes, passando de 4.000 para mais de 20 mil em um período de sete anos, entre 2015 e 2022, de acordo com os dados mais recentes do governo argentino. Esses estudantes representam metade dos estrangeiros e 12% do total de alunos matriculados no curso no país vizinho, alcançando até 31% nas instituições privadas.

Com a chegada desses estudantes, houve uma influência significativa na vida acadêmica argentina, incluindo a presença de comidas brasileiras nas lanchonetes, a cultura do cafezinho nas salas de aula, o uso do português nos corredores e até mesmo a adoção de jalecos com estilo “abrasileirado”. Além disso, foram criadas associações atléticas e festas universitárias, como cervejadas, que antes não existiam. A música de Pabllo Vittar ganhou destaque nas playlists, e estabelecimentos como botecos e locais de samba se espalharam pelos arredores, com alguns deles aceitando pagamento via Pix.

Os brasileiros são atraídos pela ausência de vestibular, pelas vagas ilimitadas, pela qualidade da educação e também pelo baixo custo de vida —pelo menos até o início deste ano, quando os preços dispararam e o dólar “blue” usado por estrangeiros se desvalorizou, no governo de Javier Milei, o que já faz alguns desistirem do curso e voltarem para casa.

“Vai ficar mais quanto tempo se frustrando no Brasil, tentando vestibulares sem sucesso? Você sabia que o valor de um cursinho paga uma mensalidade particular na Argentina e ainda sobra dinheiro?”, propagandeia uma das populares “assessorias” contratadas pelas famílias para resolver de passagem e matrícula até aluguel e seguro de saúde.

Foram esses alguns dos motivos que seduziram a carioca Letícia Belloti, 24, e a levaram à UBA, a federal mais cobiçada: “Uma amiga que fez seis anos de cursinho e não aguentava mais me chamou”, diz ela, enquanto outra brasileira interrompe a conversa em português para perguntar onde será a aula introdutória de “semi” (semiologia médica). O ano letivo ali começou nesta segunda (11).

A Argentina é considerada um país bastante aberto a imigrantes, que, segundo a Constituição, gozam quase dos mesmos direitos que os locais. Um em cada quatro alunos de medicina é de outros países (24%), incluindo peruanos e paraguaios. “Se tem quatro argentinos na minha sala de 30, é muito”, diz a paulistana Gabriela Calanca, 29.

Por isso gerou tanta angústia o anúncio de Milei de que quer cobrar mensalidade de estrangeiros sem residência. “Eu comecei a chorar loucamente pela casa, porque nos grupos de WhatsApp da faculdade a projeção era quase o valor de uma particular”, afirma Ísis Garcia, 25, aluna do segundo ano.

Ela só se acalmou depois que se esclareceu que a cobrança não atingiria os brasileiros, já que, por acordos do Mercosul e bilaterais, praticamente todos têm residência. Além disso, a medida ainda não passou no Congresso. Ela consta na “lei ônibus” do presidente, que voltou à estaca zero e agora está sendo negociada com governadores.

Também causaram preocupação relatos de que, neste ano, as autoridades de imigração estão mais rígidas com estudantes sem visto —apesar de o governo Milei dizer que só 38 de 1 milhão de brasileiros foram barrados até fevereiro. “É uma sensação de rejeição”, diz Ísis, que é vice-presidente da atlética Fúria, da UBA.

O coletivo fundado em 2017 é um dos três existentes nas faculdades portenhas e, além das funções esportivas, virou uma espécie de comunidade para integrar quem chega ao país. Organizam “chopadas”, recepções aos “bixos” —mas sem trote, que não faz parte da cultura argentina— e firmam parcerias com comércios e serviços brasileiros.

“Onde cortar o cabelo? Quem conhece um faz-tudo? Onde acho um PF (prato feito)?” são perguntas comuns no grupo de mensagens. Os alunos dizem que coxinha e brigadeiro viraram quase um símbolo de fim do curso, e que hoje em dia leite condensado ficou fácil de achar nos entornos da universidade.

A algumas quadras dali, na rua que leva o nome do cantor de tango Carlos Gardel, também formou-se uma pequena vila brasileira, com prédios inteiros alugados por estudantes e dois bares com Brahma, Fanta Uva e bandeiras verde-amarelas.

“No Brasil é impossível cursar medicina, não tem vaga”, diz a formanda Vanessa Penha, 37, brindando com copo americano e o litrão envolto na “camisinha 10” de Lionel Messi, para comemorar a aprovação nas provas finais da Fundação Barceló, outra instituição inundada de brasileiros. “Além disso, a qualidade de vida aqui é melhor”, opina.

Vanessa Penha, 37, comemora sua graduação no bar brasileiro La Parrilla de Jesús, em Buenos Aires, ao lado da amiga Nahara (esq.) e da esposa Erika (dir.), também estudantes de medicina – Constanza Niscovolos/Folhapress

Mas, se na Argentina é fácil de entrar, também é difícil de sair, diz o mantra repetido pelos alunos, que contam que ao longo dos anos de curso o número de brasileiros diminui significativamente. “Aqui na escada é onde choramos”, brinca a paulistana Gabriela.

Ela esclarece que a UBA conduz a maioria de suas avaliações de forma oral, seguindo métodos semelhantes aos das renomadas universidades americanas Harvard ou Yale, com foco no aluno em vez do professor. Uma nova exigência implementada este ano requer também que os ingressantes atinjam o nível C1 em espanhol, mais elevado do que o anterior B2.

As estudantes observam que essas exigências podem ter contribuído para a redução pela metade do número de matrículas de brasileiros na instituição desde 2022. Por outro lado, as inscrições e transferências para instituições particulares, consideradas um pouco menos exigentes, aumentaram a um ritmo mais acelerado. Na Universidade de Morón, localizada aproximadamente 30 km de Buenos Aires, 101 dos 125 alunos são brasileiros.

Jéssica Gurgel, 29, é uma delas: “Gasto cerca de R$ 6.500 por mês com aluguel, transporte, tudo. No Brasil só a faculdade pode chegar a R$ 10 mil”, diz a cearense, que decidiu abrir uma marca de jalecos e pijamas cirúrgicos de estilo brasileiro, que fogem do azul básico argentino. “Esse é mais princesa”, diz, mostrando os “looks” coloridos na cozinha de casa.

Jéssica Gurgel, 29, usa macacão da sua marca ao lado dos amigos Lorena Coimbra, 25, e Bruno San Juliano, 20, todos estudantes de medicina da Universidade de Morón, a uma hora de Buenos Aires – Constanza Niscovolos/Folhapress

Mas nem tudo são flores. O idioma pode ser um grande obstáculo, e histórias de preconceito não são difíceis de encontrar. “No início a gente não fala muito bem espanhol. Lembro que tinha acabado de chegar e um professor falou numa prova oral, só eu e ele: ‘você vem para o meu país, estuda e vai embora’. Fiquei em choque”, conta Letícia.

Após um período de estudo que varia em média de seis a oito anos, os estudantes enfrentam a difícil decisão entre permanecer na Argentina para exercer a profissão, onde os salários costumam ser consideravelmente menores, ou retornar ao Brasil e encarar o desafiador exame do Revalida, necessário para validar diplomas médicos obtidos no exterior.

Com informações da Folha de SP

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