No GLP vendido para empresas e indústrias, em vasilhames de maior porte, o aumento pode chegar a 30%
Foto: Divulgação/Sindigás
O ano promete começar com reajuste no gás de cozinha. Caso o presidente Lula não renove a política de isenção de PIS/Cofins, que vence após três anos de vigência, o botijão de gás terá reajuste.
Cálculos do Sindigás, que representa as distribuidoras de GLP (gás liquefeito de petróleo), apontam para um aumento de R$ 167 por tonelada do insumo caso os tributos federais sejam retomados. Para os consumidores, serão cerca de R$ 2 a mais por botijão de 13kg.
No GLP vendido para empresas e indústrias, em vasilhames de maior porte, o aumento pode chegar a 30%. No início do governo Lula, o Ministério da Fazenda avaliou a possibilidade de retomar os impostos federais sobre o GLP. Porém, recuou da medida por temer o impacto logo no início da gestão.
Outro impacto no gás de cozinha virá em fevereiro, com um aumento de 12,5% decorrente do reajuste de ICMS. A medida foi anunciada pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) em outubro e atinge todos os combustíveis, como gasolina e etanol, por exemplo.
As distribuidoras já pediram ao governo que a política de isenção seja mantida. A reoneração do GLP afeta as famílias brasileiras, mas também bares, restaurantes e padarias. O Ministério da Fazenda não se manifestou até o momento.
O governo central registrou déficit primário de R$ 39,389 bilhões em novembro.
A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 27.
As contas públicas vivem uma aceleração nas despesas acompanhada de perdas na arrecadação de tributos.
O resultado do governo central reúne as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social.
Em valores corrigidos pela inflação, o dado de novembro foi o segundo pior para o mês da série histórica do Tesouro iniciada em 1997, melhor apenas que o rombo de R$ 54,415 bilhões registrado em novembro de 2016.
No mês, as despesas totais do governo cresceram 20,0% acima da inflação na comparação com mesmo mês de 2022, ritmo bem mais forte do que a alta de 4,2% observada na receita líquida, que desconta as transferências a Estados e municípios.
As receitas do governo foram impactadas negativamente por recuos na arrecadação de Imposto de Renda, que caiu R$ 3,7 bilhões em relação a novembro de 2022, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), uma baixa de R$ 2,8 bilhões.
Do lado das despesas, o destaque ficou com um aumento de R$ 11,3 bilhõess em apoio financeiro a Estados e municípios, além de R$ 9,8 bilhões relacionados ao aumento do custo do programa Bolsa Família.
No acumulado do ano, as contas federais registraram déficit de R$ 114,631 bilhões, ante um superávit de R$ 49,658 bilhões no mesmo período de 2022.
Em 12 meses até novembro, o saldo fiscal ficou negativo em R$ 109,7 bilhões. Em dados corrigidos pela inflação, o déficit corresponde a 1,05% do PIB.
Varejo físico registrou queda de 1,4% em relação a 2022
(Imagem ilustrativa) Foto: Pexels
A Serasa Experian divulgou, nesta quarta-feira (26), que as vendas do varejo físico neste Natal caíram 1,4% em relação a 2022, voltando aos resultados negativos após dois anos de crescimento. Trata-se do pior desempenho desde 2020, quando as vendas caíram 10,3%.
Os dados ainda mostram que em 2021, foi registrado um aumento de 2,8%, enquanto em 2022, o crescimento foi de 0,4%.
O levantamento considera as vendas realizadas entre 18 e 24 de dezembro. Entretanto, o recorte de 22 a 24 de dezembro aponta uma queda ainda mais significativa: 10,7%.
A Serasa Experian pontua que o fato de o Natal ter ocorrido em um domingo pode ter influenciado na queda. Além disso, a empresa considera que a prioridade dos brasileiros foi se reestruturar financeiramente em meio a dívidas.
– Com inadimplência marcando números recordes este ano, a prioridade dos consumidores foi a reestruturação financeira ao optarem por utilizar o 13° salário para o pagamento e renegociação de dívidas – disse o economista-sênior Luiz Rabo.
O ano de 2023, perto do fim, terminará com um saldo positivo na economia. Especialistas destacam que o crescimento do país deve superar os 3%, número consideravelmente maior do que os 0,6% projetados pelo mercado no início do ano. A inflação acumulada dos últimos 12 meses está em 4,68%, dentro da meta estipulada pelo governo. Ainda que continue alta, a Selic termina 2023 em 11,75%, com mais sinalizações de cortes no próximo ano. Mas, para 2024, o cenário não deve se repetir e espera-se uma economia mais estagnada. Veja abaixo o que dizem os economistas.
PIB crescerá menos em 2024
O governo federal estima que o crescimento de 2023 seja de 3%, mas deve ser menor ano que vem. No início do mês, quando os dados do PIB do terceiro trimestre foram divulgados e mostraram uma alta de apenas 0,1%, o ministro da Fazenda Fernando Haddad reafirmou a projeção de crescimento de 3% e disse esperar 2,5% para 2024 — número acima da atual projeção da pasta, que é de 2,2%.
O crescimento de 2023 “surpreendeu”, avaliam economistas, principalmente por causa do agronegócio. No início de dezembro, quando foi divulgado o PIB do terceiro trimestre, o IBGE frisou que o grande destaque do ano foi o crescimento no setor, com alta de 8,8% em relação a 2022. Produtos como o milho (alta de 19,5%), cana-de-açúcar (13,1%), algodão herbáceo (12,5%) e café (6,9%) também foram destaque.
O Brasil também voltou em 2023 para a lista das dez maiores economias do mundo. No último dia 19, o FMI (Fundo Monetário Internacional) do ranking do ano. O país aparece em 9º lugar, com um PIB estimado em US$ 2,13 trilhões em 2023. Os dados são do relatórios mais recentes do World Economic Outlook(Perspectiva Econômica Mundial, na tradução).
Além disso, a agência de risco S&P (Standard & Poor’s) melhorou a nota de crédito do Brasil. O país saiu da nota BB-, três níveis abaixo do grau de investimento, para a nota BB.
Mas 2024 não deve apresentar um PIB tão robusto. Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) da FGV Ibre, diz que o próximo ano será mais complicado por questões como equilíbrio fiscal e investimentos.
O governo vai continuar buscando equilíbrio fiscal e vai aumentar gastos. Não pode cortar gastos correntes, de forma que deve cortar onde é possível. Analistas estão prevendo crescimento entre 0,6% e 1,2%. Eu não faço previsões, a gente calcula no Ibre o monitor do PIB. O que a gente apurou é que o quarto trimestre [de 2023] deve ter economia estagnada. Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) da FGV Ibre
Para os juros, que impactam diretamente o crescimento do país, o mercado projeta uma Selic em 9,5% para o fim de 2024. Genilson Junior, head de investimentos da Conta Black, acredita que o Brasil fez um bom trabalho no aumento da taxa em um momento que a alta era necessária para conter a inflação. “Fizemos a lição de casa cedo aumentando a taxa de juros. Quando os EUA aumentaram, no começo de 2022, houve uma preocupação. A gente entrou primeiro e está saindo antes do que outros, reflexo de 2023 menos conturbado”, explica.
Os embates com o Congresso
A reforma tributária, uma das principais pautas do governo federal, foi aprovada no último dia 15. Trata-se da primeira reforma tributária do país em mais de 30 anos. Apesar de todo o trabalho político feito para a aprovação da reforma, a vitória foi esmagadora, já que o tema era quase que consensual.
Mas a aprovação fácil de reformas não necessariamente se repetirá em 2024. Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências, pondera que o debate sobre fontes de arrecadação, sobretudo por meio de impostos, enfrentará dificuldades no Legislativo.
Um exemplo recente é a derrubada do veto da desoneração da folha de pagamento no último dia 14. No dia 23 de novembro, o presidente Lula (PT) vetou o PL do deputado Efraim Filho (União Brasil-PB), que previa a prorrogação do benefício para 17 diferentes setores da economia. A desoneração, que tem caráter temporário, terminaria em 31 de dezembro deste ano, mas foi prorrogada até 2027. Tanto Lula como Haddad argumentaram na ocasião que a medida não havia impactado criação de empregos. Além disso, a medida custa R$ 9 bilhões à União, aponta o Ipea.
Na nossa avaliação, o governo está correto, é uma medida pouquíssimo eficiente que custa muito. O governo estava certo, mas a gente viu o posicionamento do Congresso. Isso dá um pouco a tônica de 2024, essas batalhas vão ser mais difíceis para o governo. Isso vai impactar, principalmente, as contas públicas. É um cenário difícil para o governo do ponto de vista fiscal, porque vai ter dificuldade de andar com essa agenda de aumento de arrecadação. Ao mesmo tempo, com permissão de aumento de gastos pelo novo regime fiscal, não vai conseguir fechar a conta. Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências
A corrida pelo déficit zero
O ministro Fernando Haddad não abriu mão da meta do déficit zero no Orçamento de 2024. O tema, no entanto, não é consensual — o próprio presidente Lula chegou a dizer que o governo dificilmente alcançaria a meta. O déficit zero está previsto no arcabouço fiscal e significa, basicamente, um equilíbrio nas contas públicas.
Haddad reiterou o compromisso, mesmo após a fala de Lula. Mas há descrença sobre a possibilidade real da meta ser atingida. Alessandra explica que, ainda assim, é importante que a Fazenda se mantenha firme porque isso direciona esforços para que o déficit zero seja atingido de alguma forma.
Se você não cumpre a meta, há mecanismos de ajuste já previstos no arcabouço fiscal que precisam ser acionados. Se você muda a meta, não aciona os gatilhos e nunca gera a correção, esse é o problema. Muito ruim mudar a meta mesmo ela não sendo factível, porque você começa a tirar credibilidade do que foi construído do regime fiscal. Se mudar para 2024 vai ter que mudar 2025 e 2026. Por isso é tão ruim, vai ser desafiador, uma batalha dura especialmente para o Haddad. Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências
A economista também avalia que a economia deva desacelerar em 2024. Tanto pela questão fiscal, como pelo ambiente político mais difícil e mesmo por um menor impacto do agro, que deve crescer menos.
O ano também deve ser de muita incerteza.Genilson, da Conta Black, explica que será mais possível ver como as coisas vão caminhar mais no início do ano. Muitas metas podem acabar flexibilizadas, a depender inclusive de fatores externos.
O mercado, segundo o Boletim Focus, acredita que a Selic deva chegar em 9,25%. Isso vai depender da economia, inflação, geração de emprego. Se tudo correr conforme esperado, com inflação dentro da meta, acho que o Brasil pode atingir a meta. Mas pode acontecer alguma coisa que ninguém está esperando durante o ano, um fato externo, como foi a guerra entre Rússia e Ucrânia, ou mesmo o conflito na Palestina, — que gerou muita preocupação mas acabou que não teve grande impacto para o Brasil. Genilson Junior, head de investimentos da Conta Black
Brasileiros esperam um 2024 melhor
Apesar das ponderações dos especialistas, os brasileiros estão mais otimistas para 2024. A mais recente pesquisa Radar Febraban, realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) com duas mil pessoas, entre os dias 29 e 2 de novembro, nas cinco regiões do país, apontou que quase seis em cada dez entrevistados (59%) acreditam que o Brasil vai melhorar em 2024, quatro pontos a mais que no mesmo período de 2022 (55%), pouco antes do novo governo assumir.
Entre os pessimistas, houve recuo. Eram 26% e na edição mais recente do levantamento, totalizaram 17% dos entrevistados, uma queda de nove pontos.Para 49% dos brasileiros o país está melhor do que no ano passado. É o maior percentual da série histórica no intervalo de 12 meses e representa um salto de dez pontos em relação a dezembro de 2022.
30% avaliam que o país está igual (antes eram 25%). E, por fim, 20% acreditam que o Brasil está pior (antes eram 34%). Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, diz que o otimismo reflete o balanço positivo de 2023.
Os resultados desta edição de dezembro refletem o balanço positivo de 2023 e o otimismo com a chegada do novo ano. Isso está em linha com a melhora da percepção sobre sua vida pessoal, o que se pôde ver, por exemplo, com menor expectativa de inflação e a queda na perspectiva de endividamento, para o que deve ter contribuído o Programa Desenrola, apoiado pelos bancos. O sentimento das pessoas oscilou ao longo do ano, o que é natural, mas terminar o ano olhando para a frente com melhores expectativas pode ajudar a influenciar de forma benigna 2024. Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (26) que, a partir do próximo ano, haverá reoneração dos impostos federais sobre no óleo diesel. O ministro disse, porém, que a expectativa é de que o corte feita pela Petrobras compense a volta dos impostos que serão cobrados a partir de 1º de janeiro.
— A partir do dia 1º de janeiro tem a reoneração do diesel, e essa reoneração que vai ser feita conta com um impacto de pouco mais de 30 centavos. O impacto da redução do preço anunciado pela Petrobras será de mais de 50%. Se você comparar o preço do diesel, vai ter uma queda no preço, mesmo com a remuneração é bom ficar atento. A Petrobras anunciou hoje um segundo corte que mais do que compensa a remuneração do mês de janeiro. É para ficar atento. Quando vier algum argumento de aumento de preço, não tem nada a ver. — disse o ministro.
Essa será a última fase da reoneração, quando o diesel terá alta de R$ 0,22 por litro. Com isso, a incidência do PIS/Cofins voltará a ser integral, de R$ 0,35 por litro. Os impostos federais sobre a gasolina já foram totalmente restabelecidos em junho.
O aumento do imposto ocorre primeiro no momento da venda do combustível pelas refinarias às distribuidoras, que, por sua vez, fazem o repasse aos postos de combustíveis.
A Petrobras anunciou nesta terça-feira, uma redução de R$ 0,30 por litro no preço do diesel tipo A para as distribuidoras, que passará a ser de R$ 3,48 por litro, válido a partir desta quarta-feira.
Os impostos PIS e Cofins do diesel e da gasolina estavam zerados desde 2022, quando a retirada dos tributos federais foi adotada pelo governo de Jair Bolsonaro para tentar aliviar o impacto da disparada do preço do petróleo na inflação em meio à campanha eleitoral. Quando assumiu o comando do país, em janeiro, o presidente Lula prorrogou a isenção dos combustíveis. A gasolina já foi reonerada e o diesel segue um calendário gradual até o fim deste ano.
As passagens aéreas para viagens entre cidades brasileiras ficaram 35,24% mais caras entre janeiro e novembro deste ano, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do país, apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A última pesquisa da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), de outubro, confirma a evolução e mostra que o preço médio da passagem aérea é de R$ 741,47 (valor corrigido pela inflação oficial). Trata-se do maior valor desde que a análise passou a ser realizada, em 2010. No mesmo mês do ano passado, o preço médio dos bilhetes era 10,8% menor, R$ 669,12.
O professor José Carlos de Souza Filho, da FIA Business School, explica que “as companhias aéreas estão com baixa oferta em um momento de alta demanda pela proximidade das férias e temperaturas elevadas”.
Outro fator que ajuda a encarecer as passagens aéreas é o aumento da cotação do querosene de aviação. “Em 2022, o querosene aumentou 48% e em 2023 teve uma queda de 12,6%, o que representa uma variação acumulada de 29,35%, valores ainda muita acima da inflação do período”, afirma.
Além disso, José Carlos argumenta que o setor continua sendo impactado pela pandemia. Em 2020, a Covid-19 fechou aeroportos por todo o mundo. Segundo José Carlos, as pessoas estão em movimento de voltarem a viajar desde 2022, o que continua impactando as tarifas.
“A partir de 2022, tanto a demanda como os preços começaram a se recuperar, fazendo com que as altas demandas sazonais estejam sendo fortemente impactadas”, diz ele.
Governo articula barateamento
Com as viagens de avião mais caras, o governo Lula, junto das companhias aéreas, apresentou plano para baixar os preços.
“Por orientação do presidente Lula, a gente tem buscado alternativas para poder diminuir o custo da passagem aérea e, automaticamente, soluções que possam fortalecer mais o consumidor final. Para termos preços mais acessíveis aos brasileiros, é necessário um esforço coletivo e um diálogo constante. Estamos no caminho certo e esperamos que mais brasileiros possam viajar nos próximos meses”, disse Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos.
Empresas sugerem mudanças
Azul • Comercializar 10 milhões de assentos até R$ 799 a partir de 2024; • Marcação de assento e bagagem despachada para compras realizadas de última hora.
Gol • A partir de 2024, disponibilizar 15 milhões de assentos com preço de até R$ 699; • Promoções especiais e, com mais de 21 dias de antecedência, preços entre R$ 600 e R$ 800; • Tarifas de assistência emergencial (80% de desconto).
Latam • Oferta de 10 mil assentos a mais por dia (mais oferta, menor custo); • Toda semana, oferecer um destino com tarifa abaixo de R$ 199; • Mudanças no programa de fidelidade — sem validade para utilização; • Manutenção do programa de desconto de 80% para tarifas de assistência emergencial.
Por sua vez, o Ministério de Portos e Aeroportos disse se comprometer a:
• Querosene: baixar o preço do querosene de aviação, que seria responsável por 40% do custo, junto à Petrobras; • FNAC como garantia: a utilização do recurso do Fundo Nacional de Aviação Civil como garantia em operações de crédito para empresas nacionais afetadas pela pandemia. A proposta facilita o acesso ao crédito e reduz custos das companhias; • Estímulo de novas companhias: a entrada de empresas de baixo custo no Brasil é uma proposta de governo e tem por objetivo aumentar a concorrência e criar novos nichos de mercado; • Programas de investimentos em aeroportos regionais: investimentos da ordem de R$ 6,2 bilhões em programas de concessão e de R$ 5 bilhões de investimentos públicos e privados no plano de aviação regional; • Medidas para combater o excesso de judicialização: com custo de R$ 1 bilhão ao ano para as companhias, a pasta busca alternativas para reduzir o alto índice de judicialização no setor aéreo.
No começo deste mês, Febraban denunciou Stone, PagBank, PicPay e Mercado Pago ao BC por suspeita de fraudes com cartões
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Stone entrou com uma queixa-crime na Justiça contra Isaac Sidney Menezes Ferreira, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O PagBank também apresentou a queixa.
O PagBank diz que o presidente da Febraban acusa o setor de empresas independentes de máquinas de cartão de “fraude, pirataria e dissimulação”, a Stone alega que uma “campanha difamatória” estaria sendo feita contra as instituições de meios de pagamento.
Na queixa-crime, é citada pela Stone a “veiculação sistemática de declarações”, indevidas e infundadas, contra a reputação da companhia e do setor de maquininhas.
“A acusação falsa e infamante de que a Stone supostamente não atuaria conforme permitido pelo arcabouço legal e regulatório é inadmissível e não será tolerada”, declarou a companhia através de nota.
No começo deste mês, Febraban denunciou Stone, PagBank, PicPay e Mercado Pago ao BC por suspeita de fraudes com cartões. Segundo a Federação, as empresas denunciadas estariam cobrando juros dos consumidores de “forma dissimulada”.
Além disso, duas medidas de natureza criminal contra a presidente da Abranet, Carol Elizabeth Conway, foram protocoladas pela Federação por difamação e informação falsa contra os bancos.
Na primeira delas, a Febraban afirmou que PagSeguro, Stone e Mercado Pago desenvolveram uma oferta de crédito que permite aos estabelecimentos comerciais cobrarem o chamado “Parcelado Comprador”, embutindo um adicional ao preço do produto nas compras parceladas. Nesta semana, a Stone afirmou respeitar as regras do setor.
O texto aprovado manteve a alíquota de 12% sobre a receita bruta obtida pelas empresas com os jogos
O projeto abrange apostas de cota fixa, incluindo eventos virtuais de jogos on-line e eventos reais de temática esportiva | Foto: Reprodução/Redes sociais
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira, 21, o texto-base do projeto de lei (PL) que regulamenta as apostas esportivas de cota fixa, conhecidas como bets.
O projeto, de autoria do governo federal, teve Angelo Coronel (PSD-BA) como relator no Senado. O parlamentar promoveu alterações no texto original, que já havia sido aprovado pela Câmara. Por isso, houve a necessidade de uma nova análise pelos deputados. Na Câmara, o projeto foi relatado pelo deputado Adolfo Viana (PSDB-BA).
O que diz o texto sobre as apostas
Plenário da Câmara dos Deputados aprova taxação de apostas esportivas | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O texto aprovado manteve a alíquota de 12% sobre a receita bruta obtida pelas empresas com os jogos. Além disso, a taxa de Imposto de Renda sobre prêmios que ultrapassem R$ 2.112 (faixa de Isenção do IR da Pessoa Física) foi fixada em 15%.
O projeto abrange apostas de cota fixa, incluindo eventos virtuais de jogos on-line e eventos reais de temática esportiva, como jogos de futebol e vôlei de bilhetes impressos, ou de forma virtual, por meio de canais eletrônicos.
Inicialmente, o PL regulamentava também os jogos de azar virtuais, como os cassinos on-line, mas a oposição no Senado conseguiu excluir esse ponto do texto. A Câmara, que havia aprovado o primeiro texto com esse trecho, optou por reintroduzi-lo na matéria.
Adicionalmente, as empresas devem incluir em seu quadro societário um brasileiro com participação mínima de 20% no capital social. O acionista controlador não está autorizado a exercer atividades diretamente ou indiretamente em organizações esportivas profissionais, nem pode ocupar cargos de direção ou ter vínculos com instituições financeiras envolvidas no processamento de apostas.
A autorização para a operação deve especificar se o agente operador pode atuar em uma ou em ambas as modalidades. O PL também exige uma autorização do Ministério da Fazenda para as empresas que exploram o sistema, com validade de cinco anos e possibilidade de revisão a qualquer momento.
A proposta de regulamentação e tributação das apostas faz parte do pacote econômico do governo, para buscar aumentar a arrecadação para o próximo ano. O governo federal tem uma estimativa de arrecadar cerca de R$ 1,6 bilhão em 2024.
Um em cada 4 brasileiros (25%) afirma que sua situação financeira “piorou” nos últimos 6 meses. No mesmo período, a percepção de melhora econômica foi de 23%, segundo pesquisa PoderData, realizada de 16 a 18 de janeiro de 2023. Os percentuais estão tecnicamente empatados na margem de erro do estudo, de 2 pontos.
A percepção negativa sobre as condições econômicas segue trajetória de queda desde novembro de 2021, quando o PoderData perguntou pela 1ª vez aos entrevistados como avaliavam as finanças pessoais em comparação ao semestre anterior. Nos últimos 2 anos, a queda foi de 26 p.p.
Em 2021, em um país ainda sob impactos da pandemia de covid-19, só 7% dos entrevistados percebiam melhoras em sua situação financeira. A taxa subiu para 20 p.p., em julho de 2022. Agora, está em 23%.
A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 16 a 18 de dezembro de 2023, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 244 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.
Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.
ESTRATIFICAÇÃO
O Poder360 destaca:
consideram que situação financeira piorou nos últimos 6 meses – a percepção negativa sobre a condição econômica sobe entre as pessoas que recebem até 2 salários mínimos (31%) e os jovens de 16 a 24 anos (30%);
consideram que situação financeira melhorou nos últimos 6 meses – as taxas positivas são mais altas entre quem tem ensino superior completo (34%) e os que recebem mais de 5 salários mínimos (36%).
CRUZAMENTO: APROVAÇÃO DO GOVERNO
A pesquisa cruzou os dados de percepção da situação financeira no último semestre com a avaliação que os eleitores têm do governo. Para 26% dos que desaprovam a gestão, houve uma piora das finanças pessoais nos últimos 6 meses. Nesse grupo, 24% têm a visão oposta.
Dentre os que aprovam a administração federal, 23% afirmam que houve “melhora” ou “piora” nas contas. Apesar disso, a maior parte (34%) não percebeu diferença alguma.
METODOLOGIA
A pesquisa PoderData foi realizada de 16 a 18 de dezembro de 2023. Foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos de idade ou mais em 244 municípios nas 27 unidades da Federação. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
As entrevistas foram realizadas por telefone (para linhas fixas e de celulares), por meio do sistema URA (Unidade de Resposta Audível), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde por meio do teclado do aparelho. O intervalo de confiança do estudo é de 95%.
Para facilitar a leitura, os resultados da pesquisa foram arredondados. Por causa desse processo, é possível que o somatório de algum dos resultados seja diferente de 100. Diferenças entre as frequências totais e os percentuais em tabelas de cruzamento de variáveis podem aparecer por conta de ocorrências de não resposta. Este estudo foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa de pesquisas que faz parte do grupo de mídia Poder360 Jornalismo.
A ceia de Natal está 4,48% mais cara neste ano, em comparação com o ano passado, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). A alta é puxada por itens como o azeite, cujo preço subiu quase 30% em um ano, e o bacalhau, que avançou mais de 8%. Para economizar, o consumidor deve pesquisar preços e substituir alguns produtos por opções mais em conta, afirma o economista André Braz, do Ibre/FGV.
A inflação da ceia veio em linha com a alta de preços registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumula variação de 4,68% em 12 meses. No entanto, ficou muito acima da variação do grupo de alimentos e bebidas do índice, que teve queda de 0,08% no período.
“Isso mostra que inflação dos itens da ceia de Natal está mais alta do que a média da alimentação”, aponta André Braz, acrescentando que como o levantamento foi feito com base nos dados até novembro, pode ser que haja um aumento ainda maior do custo da ceia em dezembro, quando a demanda por esses produtos sobe.
A boa notícia é que, enquanto o preço de alguns itens disparou, outros ficaram mais baratos. É o caso do frango inteiro, que registrou queda de mais de 13% no preço. O lombo suíno não sofreu variações e o pernil baixou 1,4%.
Por isso, para quem busca economizar, vale a pena apostar nas aves e na carne suína, e deixar o bacalhau de lado. Já para quem não abre mão do peixe, uma solução é optar pelos bolinhos ou pela salada de bacalhau, que fazem o item render mais.
A alta do azeite está relacionada à safra da azeitona em Portugal, na Espanha e na Grécia, segundo Braz. “O Brasil produz apenas 1% do azeite que consome, por isso sofre os efeitos da safra desses países. Somado a isso, há o câmbio, já que esses produtos são importados”, explica.
Nesse caso, o consumidor pode tentar substituir o azeite por outros óleos mais baratos ou buscar marcas mais em conta. A substituição de marcas tradicionais por outras menos conhecidas, inclusive, é uma estratégia que o economista aconselha para todos os itens.
“Recomendo sempre a pesquisa de preços por marcas diferentes, que pode gerar uma economia de 30% a 50%. Tem muitos produtos de Natal que carregam no preço por causa da tradição da marca, mas não necessariamente têm um produto melhor que o das concorrentes”, alerta.
A pesquisa do Ibre também mostrou que, no segmento de bebidas, a inflação foi maior para os refrigerantes e a cerveja, que ficaram mais de 7% mais caros em um ano. Os vinhos, por sua vez, subiram cerca de 2% no período. A garrafa de vinho possui, em geral, um valor mais alto que uma lata de cerveja. No entanto, por ter um maior teor alcoólico, o vinho costuma ser consumidor com mais moderação, de modo que, no fim das contas, pode acabar saindo mais barato.
É por isso que Braz recomenda que as famílias planejem a ceia com antecedência, definindo os itens que farão parte da comemoração, e buscando promoções.
“O ideal é buscar os alimentos e bebidas que não subiram tanto de preço. Além disso, ao contrário do que houve na pandemia, agora as pessoas já podem voltar a se reunir e dividir os custos da ceia, o que também ajuda”, diz o economista.
Eduardo Trigueiro, analista de educação financeira do Sicoob, também recomenda que as famílias busquem dividir o valor da ceia ou que cada um leve um prato, para evitar que apenas o anfitrião tenha esse gasto. A divisão deve considerar que alguns itens são mais caros que outros. Então quem fizer o peru ou o bacalhau, por exemplo, terá uma despesa maior que quem levar o arroz ou a farofa. Por isso, o mais justo, segundo os especialistas, é que as famílias calculem quanto foi gasto no total e façam a divisão por todos.
O analista da Sicoob ressalta que, embora muitas pessoas recebam o 13º salário e, portanto, têm uma renda extra no fim de ano, é importante lembrar que o ano novo chega com alguns gastos adicionais também.
“Quem tem filhos, tem renovações de matrícula, material escolar, uniformes. Em algumas cidades já começam cobranças de impostos, como é o caso do IPVA, do IPTU. Então o ideal é fazer o possível para não gastar tanto. É claro que o momento é de celebrar, mas sem esquecer que a vida continua em 2024”, afirma Trigueiro.
A recomendação é separar uma parte do 13º salário para esses gastos, para evitar começar o ano com dívidas. Os presentes são outro ponto de atenção. Ainda que não façam parte da ceia, muitas famílias têm o costume de trocar lembranças, o que pode aumentar muito os gastos no Natal. Para economizar, os especialistas sugerem presentear apenas as crianças, por exemplo, ou fazer um amigo oculto, em que todos recebem um mimo, mas ninguém gasta muito.