Presidente norte-americano pressiona Pequim por abertura de mercado e promete manter sanções até que superávit seja reduzido
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio dos EUA – 4/4/2025 | Foto: Ganhe McNamee/Reuters
Durante conversa com jornalistas no Air Force One neste domingo, 6, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou sua estratégia de tarifas comerciais. A medida tem como foco o combate ao déficit com a China, que, segundo ele, ultrapassa US$ 1 trilhão.
Trump classificou a política como “tarifas retaliatórias”. Afirmou que não faz sentido os Estados Unidos perderem trilhões apenas para continuar importando produtos baratos, como lápis chineses. Reforçou que o país não aceitará mais desequilíbrios na balança comercial.
Sem acordo até que o superávit chinês seja resolvido
Trump deixou claro que não há negociação possível enquanto o superávit da China não for corrigido. Para ele, qualquer tentativa de acordo depende de uma abertura real do mercado chinês para produtos norte-americanos. Caso contrário, os Estados Unidos continuarão aplicando sanções.
“Nós precisamos resolver nosso déficit comercial com a China, perdemos centenas de bilhões de dólares por ano com eles”, declarou Donald Trump. “E, a menos que resolvamos isso, não vou fechar um acordo. Agora, eu estou disposto a fechar um acordo com a China, mas eles precisam resolver o superávit deles.”
O presidente também criticou a União Europeia e outros parceiros comerciais e apontou práticas que considera desleais. Segundo ele, o diálogo só faz sentido com países que reconhecem a existência do problema e estão dispostos a mudar.
Sobretaxas ampliam tensão entre Washington e Pequim
Na mesma semana, a Casa Branca anunciou uma nova rodada de tarifas. Produtos chineses passaram a pagar 34% de imposto ao entrar nos EUA. Em resposta, o governo de Xi Jinping impôs a mesma taxa sobre mercadorias norte-americanas. Pequim também adotou medidas internas, como flexibilização de crédito e redução de exigências para os bancos, a fim de proteger sua economia.
O aumento das tarifas provocou reações em todo o mundo. Segundo a emissora NewsNation, mais de 50 países solicitaram revisão das sanções norte-americanas. A Rússia ficou de fora da lista por manter diálogo direto com os EUA sobre a guerra na Ucrânia. Já o território francês de Saint-Pierre e Miquelon recebeu a tarifa mais alta: 50%. A localidade abriga apenas focas e pinguins, sem moradores permanentes.
Recado de Trump direto a Pequim
Trump encerrou a entrevista com um aviso. Reiterou que o desequilíbrio na balança comercial não será tolerado.
“Eles vão ter de resolver isso”, enfatizou o presidente. “E, se quiserem conversar sobre isso, estou aberto a dialogar. Mas, fora isso, por que eu conversaria?”.
Ex-presidente mantém tom duro sobre tarifas em meio à instabilidade nos mercados globais
Foto: Reprodução/Instagram
Mesmo diante da recente queda nos mercados financeiros ao redor do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta sexta-feira (4) seu compromisso com a política tarifária que tem adotado e descartou qualquer mudança de postura.
“Para os muitos investidores que estão vindo para os Estados Unidos e investindo grandes quantias de dinheiro, minhas políticas nunca mudarão. Este é um ótimo momento para ficar rico, mais rico do que nunca!”, escreveu Trump em sua conta na rede Truth Social.
A declaração ocorre em meio a dois dias de turbulência nas bolsas globais, que reagiram ao anúncio feito na última quarta-feira (2) sobre a imposição de novas tarifas de importação. As taxas anunciadas por Trump variam entre 10% e 50% e se aplicam a produtos de todos os países.
Ele também anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã
Foto: White House Archived
Nomeada pelo presidente Donald Trump, dos EUA, como o “Dia de Libertação”, o republicano anunciou nesta quarta-feira (2) um “tarifaço” global sobre impostos de importação. Os produtos brasileiros serão taxados em 10%.
Segundo Trump, a medida é para implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. Ele também anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã.
Direto da Casa Branca, Trump disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”.
O republicano fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Esses países, segundo Trump, “estão roubando” e “levando vantagem” dos EUA.
Presidente dos EUA afirma que “todos os países” serão atingidos pela medida
Foto: Reprodução/Instagram
Donald Trump deve anunciar nesta quarta-feira (2) uma série de “tarifas recíprocas” impostas pelos Estados Unidos a parceiros comerciais globais, dentre eles o Brasil. A data tem sido apontada pelo republicano como o “Dia da Libertação”, com efeitos imediatos.
Trump não deu detalhes específicos sobre quais países e produtos serão taxados e a magnitude exata destas tarifas, segundo a CNN.
Os sinais, porém, indicam para a escalada das medidas impostas pelo governo dos EUA até agora.
Na segunda-feira (31), o republicano disse que a decisão vai afetar todos os países. Já nesta terça, a Casa Branca afirmou que as taxas entrarão em vigor de imediato.
Em fevereiro, Trump anunciou que seu gabinete iria trabalhar em medidas por um comércio internacional “justo e recíproco” com seu país.
Ao longo de sua campanha para regressar à Casa Branca, o republicano levantou a bandeira de que os parceiros comerciais dos EUA tratam o país de maneira injusta, aplicando tarifas elevadas e outras barreiras comerciais.
Segundo Trump, isso tiraria o estímulo à indústria local e, consequentemente, levaria capital para fora do país.
Relatório norte-americano cita entraves que sugerem protecionismo e excesso de burocracia
Em meio a ajustes na sua política de comércio exterior, governo Trump mira o Brasil, enquanto Lula promete reação com sobretaxas | Foto: Reprodução/Montagem sobre redes sociais
O governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, publicou um relatório nesta 2ª feira, 31, em que acusa o Brasil e outros países de impor barreiras comerciais contra produtos e exportadores norte-americanos. No documento, diz o site Poder360, o governo republicano critica principalmente os impostos brasileiros e classifica como desleais as taxas que o país aplica a itens como o etanol, a cachaça e os produtos eletrônicos.
O “National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers”, ou Relatório de Estimativa Comercial Nacional sobre Barreiras ao Comércio Exterior, é uma divulgação anual do Escritório do Representante Comercial dos EUA. Em 2025, a publicação saiu às vésperas do programa de tarifas que Trump promete anunciar nesta semana.
O que diz parte do relatório dos EUA; confira
“O Brasil impõe tarifas relativamente altas sobre importações em diversos setores, incluindo automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço, têxteis e vestuário”.
“Além disso, as tarifas consolidadas do Brasil costumam ser muito mais altas do que as tarifas aplicadas, e os exportadores dos EUA enfrentam grande incerteza no mercado brasileiro, pois o governo frequentemente modifica as tarifas. A falta de previsibilidade das tarifas torna difícil para os exportadores dos EUA preverem os custos de fazer negócios no Brasil”.
Os Estados Unidos relacionam ainda outros pontos críticos principalmente no que se refere a proibições de importação. “O Brasil restringe a entrada de certos tipos de bens remanufaturados. A importação desses produtos só é permitida se o importador comprovar que eles não são ou não podem ser produzidos domesticamente, ou se atenderem a certas exceções limitadas”
O relatório destaca, da mesma forma, limitações com o licenciamento de importação. “O sistema de licenciamento não automático se aplica a produtos que requerem autorização de ministérios ou agências específicas, como commodities agrícolas e bebidas A falta de transparência nesses processos dificulta as exportações dos EUA”.
Documento cita problemas no setor automotivo
Os Estados Unidos reclamam de vários entraves no setor automotivo. Entre eles, atrasos na emissão de licenças de importação não automáticas que “impactam negativamente as exportações de veículos e peças automotivas dos EUA para o Brasil”. Os norte-americanos destacam do mesmo modo barreiras sanitárias em aspectos como as transações com biocombustíveis.
“A política nacional de biocombustíveis do Brasil incentiva o desenvolvimento e uso de biocombustíveis por meio da criação de um mercado de créditos de carbono para compensar as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, as regras atuais do programa impedem que produtores estrangeiros participem e se qualifiquem para créditos de carbono”.
Burocracia com vinhos e telecomunicações
As queixas do governo dos Estados Unidos se estendem a outros setores. Sobre a comercialização de vinhos, diz: “O Brasil exige documentação duplicada para a importação de vinhos. Exige que vinhos importados tenham tanto um certificado de análise quanto um relatório de pré-certificação de inspeção emitido por um laboratório brasileiro”.
O suposto excesso de burocracia também estaria presente no mercado de telecomunicações. “Desde dezembro de 2021, a Agência Nacional de Telecomunicações exige aprovação prévia para a importação de produtos de telecomunicações destinados a uso e venda no Brasil, com exceções para produtos destinados à demonstração, uso próprio, pesquisa científica ou manufatura para exportação”. O relatório ainda cita entraves como questões aduaneiras e compras governamentais.
Lula ameaça sobretaxar produtos dos EUA
O presidente Lula da Silva prometeu na última quarta-feira, 26, sobretaxar produtos dos Estados Unidos. A ameaça teria relação com um recurso na Organização Mundial do Comércio sobre taxas adicionais ao aço e ao alumínio brasileiros. “Não dá para a gente ficar quieto achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar os produtos”.
Trump oficializou a tarifa de 25% às importações de aço e de alumínio em 10 de fevereiro
Foto: White House Archived
A partir desta quarta-feira (12), a tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio do Brasil imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrarão em vigor.
Trump oficializou a tarifa de 25% às importações de aço e de alumínio em 10 de fevereiro. O líder dos EUA determinou que a taxação abrangesse todos os países que negociam esses produtos com os americanos.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 11,9 bilhões em ferro fundido, ferro e aço, dos quais US$ 5,7 bilhões – 48% do total – foram para o mercado norte-americano.
Segundo os EUA, o Brasil foi o segundo mercado que mais enviou aço para o país (4,5 milhões de toneladas) no mesmo período, atrás somente do Canadá, segundo o Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI).
Sobre o alumínio, os EUA foram o segundo principal destino dos embarques brasileiros, um total de US$ 267 milhões em 2024, ou cerca de 17% do total das exportações nacionais, que somaram US$ 1,6 bilhão.
Para o México, a previsão é de 10%; se confirmadas, as tarifas podem desvalorizar as moedas de ambos os países e impactar o crescimento econômico
Lula e Donald Trump | Foto: Foto: Divulgação
O diretor da Moody’s Analytics, Alfredo Coutiño, declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve implementar tarifas sobre bens importados do México e do Brasil ainda neste ano. Ele afirmou que os produtos mexicanos enfrentariam uma taxa de 10%. Os bens brasileiros estariam sujeitos a 5%.
Em resposta, é esperado que os dois países adotem medidas semelhantes. O México aplicaria uma tarifa de 10% sobre bens norte-americanos. O Brasil faria o mesmo com uma taxa de 5%. Essa previsão foi compartilhada em um evento on-line. O evento foi organizado pela subsidiária da Moody’s, uma das principais agências de classificação de risco do mundo.
O Bradesco, por sua vez, analisou o impacto de tarifas de 10% e 25% sobre produtos brasileiros. Embora a tarifa para o Brasil não esteja confirmada, Trump revelou que considera a possibilidade de impor uma taxa de 25% para o México e o Canadá. Essa decisão deve ser anunciada em breve. Existe a possibilidade de ela vigorar em 1º de fevereiro.
Alfredo Coutiño explicou que, caso essas tarifas sejam efetivadas, elas poderão pressionar as moedas de México e Brasil. O crescimento econômico dos dois países será reduzido. No Brasil, a economia deve crescer apenas 2% em 2025. Essa situação será influenciada pelas tarifas norte-americanas e pela desaceleração chinesa, que também enfrenta pressões comerciais dos EUA. Para o México, o crescimento pode cair de 1,5% em 2024 para 0,6% no ano seguinte.
Presidente do México afirmou que vai evitar confrontos com Trump
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que vai evitar confrontos com Trump. Ela também defenderá a soberania econômica e política do país. Sheinbaum garantiu que mexicanos deportados receberão apoio integral. O governo oferecerá transporte para suas cidades de origem e acesso a programas sociais.
O Bradesco também analisou o impacto das tarifas sobre o Brasil. Uma taxa de 10% poderia reduzir a balança comercial em US$ 2 bilhões. Isso causaria uma desvalorização cambial de 4%. Com tarifas de 25%, as perdas chegariam a US$ 5,5 bilhões. Além disso, um eventual acordo comercial entre EUA e China representaria outro risco. A China priorizaria importações de commodities norte-americanas. Isso prejudicaria o Brasil, especialmente nas exportações de soja. As perdas seriam estimadas em US$ 3,5 bilhões.
O Brasil exporta cerca de US$ 40 bilhões para os EUA. Entre os produtos exportados, destacam-se aço, petróleo, aeronaves e carnes. O Bradesco observou que a maior parte dessas exportações não enfrenta tarifas. A exceção é o petróleo, taxado em 5% a 6%.
A moeda lidera o ranking de valorização ao crescer 44,2% e impulsionar, consequentemente, a popularidade do presidente Javier Milei
O peso argentino foi a moeda mais valorizada | Foto: | Foto: Shutterstock
O peso argentino destacou-se neste ano de 2024 como a moeda de melhor desempenho global, com uma valorização real de 44,2%. Este ganho aumentou a popularidade do presidente do país, Javier Milei (La Libertad Avanza), apesar de preocupações sobre a sustentabilidade dos altos preços no país.
A valorização do peso argentino foi significativamente superior à da lira turca, que obteve um aumento de 21,2%, segundo dados do Banco de Compensações Internacionais analisados pela consultoria argentina GMA Capital.
Os ganhos da moeda refletiram-se em vários mercados paralelos, onde dólares são negociados para contornar restrições cambiais. A valorização trouxe alívio para muitos argentinos, que viram os salários médios quase dobrarem, atingindo US$ 990 na cotação paralela de dezembro de 2023 a outubro de 2024, depois de anos de depreciação.
No entanto, isso representou um desafio para o Banco Central da Argentina, que luta para reabastecer suas reservas de moedas fortes, quase esgotadas devido ao esforço de manter o peso valorizado.
Peso argentino no governo de Milei teve uma uma valorização real de 44,2% | Foto: Reprodução:Twitter/X
Preocupações futuras sobre o peso argentino
Analistas ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulotemem uma possível desvalorização, devido a fatores externos como a depreciação do real no Brasil e possíveis tarifas do presidente eleito dos EUA, Donald Trump (Republicano).
Ramiro Blázquez, chefe de pesquisa do BancTrust, afirmou: “O programa de Milei está funcionando, mas a apreciação do peso é o maior risco daqui para frente”. O especialista alertou que uma valorização contínua ou um choque externo pode aumentar a demanda por dólares baratos, elevando o risco de desvalorização.
O “super peso”, como é apelidado pela mídia local, está impactando a economia argentina. Os preços em dólares subiram, com um Big Mac custando agora US$ 7,90, comparado a US$ 3,80 no ano anterior.
A siderúrgica Ternium alertou que os custos trabalhistas na Argentina tornaram-se “60% mais caros” que no Brasil, levantando preocupações sobre a competitividade das exportações argentinas.
Estratégias de estabilização e desafios futuros
O fortalecimento do peso é um efeito das medidas de Milei para estabilizar uma economia à beira da hiperinflação quando ele assumiu o cargo há um ano. Com um rigoroso programa de austeridade, ele manteve os controles cambiais herdados, estabilizando o peso em 2024 após uma grande desvalorização inicial em dezembro de 2023.
Embora a moeda tenha caído apenas 18% nominalmente no ano, a inflação foi de 112%. Milei defende que a Argentina pode ser competitiva com desregulações, redução de impostos e melhor acesso ao crédito.
O governo espera que a escassez de moeda estrangeira diminua com investimentos em reservas de lítio, petróleo de xisto e gás, aumentando as exportações nos próximos anos.
A diferença entre as taxas de câmbio oficiais e paralelas, que era de cerca de 200% em dezembro de 2023, caiu para menos de 20%, graças à confiança em Milei e a políticas como a conversão parcial de exportações em dólares para pesos no mercado paralelo.
Reações do público e dos exportadores
Lucas Romero, diretor da Synopsis, afirmou que “a opinião pública é extremamente sensível ao dólar”. Um dólar barato permite viagens ao exterior e gera sensação de estabilidade, prática usada por governos anteriores em períodos eleitorais.
Apesar da taxa de câmbio menos competitiva, as vendas de safras pelos exportadores agrícolas da Argentina mantiveram-se “em linha com a média dos últimos cinco anos”, segundo Ezequiel de Freijo, da Sociedade Rural Argentina.
Entretanto, a estratégia de Milei para evitar desvalorização enfrenta ameaças em 2025, incluindo ações de Trump, que o libertário considera um aliado chave.
Robin Brooks, do Brookings Institution, advertiu que “se o novo governo dos EUA impor grandes tarifas à China, isso desencadeará uma onda de desvalorizações nos mercados emergentes”. Ele observou que o peso argentino está “muito sobrevalorizado” e precisa cair.
Presidente eleito dos EUA, Trump ameaçou países do Brics com “tarifas de 100%” caso não negociem em dólar. Medida é defendida por Lula
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, se posicionou, nas redes sociais, contra a criação de uma moeda própria do bloco econômico Brics – medida fortemente defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – e ameaçou os países que aderirem à moeda ou mesmo negociarem sem usar o dólar com “tarifas de 100%” em trocas comerciais com os EUA.
Trump escreveu que não há chances de o bloco, que tem países como Brasil, China e Rússia, substituir o dólar americano no comércio internacional, e qualquer país que tente deve dar adeus aos negócios com a América.
Leia a publicação na íntegra:
“A ideia de que os países Brics estão a tentando se afastar do dólar enquanto nós ficamos parados e observamos acabou. Exigimos um compromisso destes países de que não criarão uma nova moeda do Brics, nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano. Dólar ou eles enfrentarão tarifas de 100% e deverão dizer adeus às negociações com a maravilhosa economia americana. Eles podem procurar outro otário! Não há hipótese de o Brics substituir o dólar americano no comércio internacional, e qualquer país que tente deve dar adeus à América.”
Durante a 16ª Cúpula do Brics, em outubro, ocorreu a passagem de bastão da presidência do bloco para o Brasil, que assumirá o comando em janeiro 2025.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, um dos temas prioritários durante a presidência do Brasil nos Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – será a adoção de um sistema de pagamento próprio, para transações comerciais entre os países que compõem grupo. A medida seria uma alternativa à dependência do dólar.
O presidente Lula defendeu o fim dessa dependência diversas vezes. A última delas foi no discurso na Cúpula do Brics. “Não se trata de substituir nossas moedas. Mas é preciso trabalhar para que a ordem multipolar que almejamos se reflita no sistema financeiro internacional”, defendeu o presidente brasileiro.
Em agosto Lula já havia discursado em defesa da medida no Fórum Econômico do Brics, na África do Sul. No evento, o presidente frisou que a “adoção de uma unidade de conta de referência para comércio” dentro do Brics “não substituirá nossas moedas nacionais”.
Já durante a abertura 62ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em julho, Lula também defendeu a criação de uma moeda única para transações comerciais dentro do Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Às vésperas de eleições, o país europeu enfrenta desafios econômicos significativos; confira análise
Fachada do Reichstag — o Parlamento alemão | Foto: Flickr/Marcio Cabral
O Ministério das Finanças de Baden-Württemberg, Estado ao sul da Alemanha, tornou-se um ponto central das preocupações econômicas do país. Os alemães enfrentam um cenário de possível desindustrialização, enquanto se aproximam de uma eleição crucial para o chanceler Olaf Scholz.
O ministro Danyal Bayaz alerta para o fato de que a Alemanha desperdiçou os “dividendos da globalização” e “falhou em investir adequadamente no setor público durante anos de juros baixos”.
Agora, o país enfrenta crescente pressão energética, intensificada pela invasão russa da Ucrânia, além da concorrência chinesa e tarifas ameaçadoras dos EUA. Tudo isso colocaria seu modelo econômico em risco, segundo o jornal The Economist, do Reino Unido.
Alemanha enfrenta desafios na adaptação tecnológica
A indústria alemã, especialmente as empresas Mittelstand, focou em inovações incrementais e, por isso, permaneceu despreparada para grandes avanços tecnológicos | Ilustração: Reprodução/Shutterstock
Bayaz lamenta a dificuldade da Alemanha em se adaptar às novas tecnologias, apesar de sua forte base em pesquisa e engenharia. A última grande startup de sucesso foi a SAP, criada em 1972. O país tem 60 vezes a população da Estônia, mas possui apenas 15 vezes mais “unicórnios” (startup de alto valor de mercado) do que os estonianos. Essa situação não é novidade.
A indústria alemã, especialmente as empresas Mittelstand, focou em inovações incrementais e, por isso, permaneceu despreparada para grandes avanços tecnológicos, como a transição para veículos elétricos.
Relações confortáveis entre empresas, bancos e políticos criaram uma complacência resistente a reformas necessárias, e a adesão a regras fiscais rigorosas resultou em infraestrutura deficiente, como pontes enferrujadas e trens atrasados. A análise é também do jornal The Economist.
Impacto dos custos de energia
Os altos custos de energia, ampliados pela necessidade de abandonar o gás russo, são um problema persistente para as empresasdo país | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Os altos custos de energia, ampliados pela necessidade de abandonar o gás russo, são um problema persistente para as empresas em um país onde a manufatura ainda representa 20% do valor agregado bruto — quase o dobro do valor na França. A produção industrial tem caído desde 2018, especialmente em setores energointensivos, como a siderurgia.
O desemprego no país aumenta, embora a partir de uma base baixa, e a maior montadora da Europa, a Volkswagen, considera fechar uma fábrica pela primeira vez em seus 87 anos de história. A ação poderia resultar na perda de até 30 mil empregos.
Carteiras de pedidos encolhem, enquanto investimentos planejados são adiados ou deslocados para o exterior. O fato é visto na Thyssenkrupp, cuja liderança afirma que o país está “em plena desindustrialização”.
Setores afetados e desafios demográficos da Alemanha
Outros setores, como o varejo, também sentem o impacto. Depois da invasão russa, Raoul Rossmann, de uma cadeia de farmácias, buscou formas de reduzir custos de energia.
A falta de trabalhadores qualificados, agravada pelo envelhecimento populacional, é um desafio crescente, juntamente com camadas de burocracia pesada, muitas vezes atribuídas a regulamentos da União Europeia (UE), que custam à economia cerca de € 146 bilhões por ano, segundo o Instituto Ifo.
A relação comercial com a China mudou drasticamente. Nas décadas de 2000 e 2010, a Alemanha estava bem posicionada para suprir a demanda chinesa por carros e produtos químicos. Contudo, a China se tornou o maior exportador de carros, numa direta competição com a indústria alemã.
As exportações para a China diminuíram, enquanto os EUA surgiram para preencher parte dessa lacuna. Entretanto, tarifas norte-americanas iminentes podem afetar o PIB em até 1 ponto porcentual, segundo o Bundesbank.
Dilemas nas relações comerciais com a China
Bandeira da República Popular da China | Foto: Domínio Público/Wikimedia Commons
Dentro da Alemanha, há divisões sobre como gerenciar as relações com a China. Algumas empresas do Mittelstand apoiam a política de “redução de riscos”, enquanto montadoras e conglomerados, como a Basf, continuam com investimento pesado no país asiático.
A Volkswagen e a BMW planejam novos investimentos na produção chinesa, e o lobby automotivo ajudou a Alemanha a se opor às tarifas da UE sobre importações de automóveis chineses.
No governo alemão, há tensões entre diplomatas e espiões que desejam punir a China por apoiar a Rússia com restrições comerciais. Em contrapartida, setores temem que tais medidas sejam prejudiciais para uma Alemanha de baixo crescimento.
A história da desindustrialização é complexa. A perda de empregos na manufatura reduz a produtividade, já em declínio, mas o valor agregado bruto na manufatura se manteve. Isso sugere que alguns fabricantes alemães produzem itens mais valiosos, apesar de uma produção menor.
Contexto político da Alemanha
Chanceler alemão, Olaf Scholz | Foto: Reprodução/Flickr
Essas mudanças ocorrem em um momento político crucial. A Alemanha realizará eleições em fevereiro, depois do colapso da coalizão de três partidos. Friedrich Merz pode liderar a próxima coalizão, com possíveis reformas econômicas em vista.
Reformas no freio da dívida são vistas como fundamentais para impulsionar investimentos e crescimento de longo prazo. No entanto, qualquer alteração constitucional requer uma maioria de dois terços no Parlamento, o que pode ser complicado por possíveis bloqueios legislativos.
Thorsten Benner, do Instituto de Política Pública Global de Berlim, observa que a Alemanha passou do “otimismo fácil”, dos anos de Angela Merkel, para uma “armadilha de melancolia”, em que política disfuncional, limitações fiscais e desconfiança pública se reforçam.
Ele espera que o próximo governo possa agir como um “disjuntor” e trazer mudanças significativas.