Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que os preços ao consumidor subiram 0,9% no mês e acumulam alta de 3,3% em 12 meses, acima dos 2,4% anteriores
O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca | Foto: Reprodução/X
O aumento expressivo da inflação em março refletiu os efeitos da guerra no Irã sobre o mercado de energia, o que provocou elevação nos preços ao consumidor nos Estados Unidos. Dados do Bureau of Labor Statistics divulgados nesta sexta-feira, 10, apontaram que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,9% em relação ao mês anterior e acumula alta de 3,3% nos últimos 12 meses, acima dos 2,4% registrados no período anterior.
O crescimento mensal e anual do CPI ficou alinhado com as projeções dos economistas consultados pela LSEG, conforme divulgou a Fox Business. Os chamados preços “core”, que desconsideram itens voláteis como alimentos e combustíveis, tiveram alta de 0,2% no mês e de 2,6% em 12 meses, levemente abaixo das expectativas, que eram de 0,3% e 2,7% respectivamente.
Impacto do fechamento do governo e metodologia do BLS
As leituras do núcleo da inflação mostraram leve aceleração frente a fevereiro, quando os aumentos haviam sido de 0,2% no mês e 2,5% no acumulado anual. Economistas destacam que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os dados de inflação sofrem influência da interrupção na coleta motivada pelo fechamento do governo no último outono, que durou 43 dias.
Durante o período em que os funcionários públicos ficaram impedidos de coletar informações, o BLS utilizou uma metodologia de projeção para suprir a ausência dos dados de outubro e parte de novembro, o que deve gerar viés de baixa nas estatísticas até a chegada de informações atualizadas nesta primavera.
O avanço da inflação tem pressionado o orçamento das famílias dos Estados Unidos, sobretudo aquelas de menor renda, que destinam parcela maior da renda para itens essenciais como alimentação e moradia, reduzindo sua margem de manobra financeira diante das altas de preços.
Variação nos preços de alimentos e energia
Em março, os preços dos alimentos permaneceram estáveis em relação a fevereiro, mas registram alta de 2,7% em doze meses. O índice de alimentos para consumo em casa recuou 0,2% no mês, acumulando elevação de 1,9% em um ano, enquanto as refeições fora de casa subiram 0,2% e acumulam 3,8% de aumento em doze meses.
Os preços de carnes, aves e peixes caíram 0,5% em março, mas superam em 5,6% o patamar de um ano atrás. Carnes bovinas e de vitelo recuaram 0,6% no mês, permanecendo 12,1% acima do valor do ano anterior. O preço dos ovos seguiu em queda depois do surto de gripe aviária, com recuo mensal de 3,4% e redução de 44,7% em doze meses. Frutas e hortaliças subiram 1% em março e acumulam alta de 4% no ano.
Os preços de energia dispararam 10,9% em março, impulsionados pelas restrições na oferta de petróleo do Oriente Médio por causa do conflito no Irã, acumulando avanço de 12,5% em doze meses. O BLS informou que a energia foi responsável por quase três quartos do aumento mensal do CPI.
O preço da gasolina saltou 21,2% no mês e 18,9% no acumulado anual. O serviço de gás encanado recuou 0,9% em março, mas subiu 6,4% em doze meses. A conta de eletricidade avançou 0,8% em março, com alta de 4,6% nos últimos doze meses.
Custos com moradia, transportes e repercussão no mercado dos Estados Unidos
Os custos com moradia cresceram 0,3% em março e 3% no acumulado anual. Os seguros residenciais e de locatários aumentaram 0,9% no mês e 7,4% em doze meses. Serviços de transporte subiram 0,6% em março e 4,1% em um ano. Manutenção e reparo de veículos tiveram avanço de 1,3% no mês e 6,1% no ano; o seguro automotivo ficou estável em março, mas subiu 0,8% no acumulado anual. Passagens aéreas aumentaram 2,7% no mês e 14,9% em doze meses.
“Como esperado, o salto da inflação de hoje refletiu a disparada nos preços da energia”, afirmou Ellen Zentner, estrategista-chefe do Morgan Stanley Wealth Management. “Os mercados podem continuar lidando com a preocupação de que a inflação persista enquanto o petróleo seguir elevado, mas o Fed deve manter uma postura cautelosa, sem optar por aumentos nos juros.”
O economista-chefe da LPL Financial, Jeffrey Roach, explicou que “como o estreito de Ormuz ficou fechado por um período prolongado, devemos esperar mais uma ou duas leituras altas da inflação, impulsionadas pelos serviços de transporte e por algumas categorias de bens duráveis. Os efeitos secundários podem adicionar mais 0,2 nos próximos meses. O Fed claramente deve manter a política estável nas próximas reuniões”.
Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que “sem o viés de baixa da metodologia do BLS usada para preencher as lacunas de dados durante o fechamento do governo em outubro, estimamos que a inflação do CPI teria sido de 0,3 a 0,4 ponto percentual mais alta”.
Ele acrescentou que “um impulso nos preços de energia e alimentos pode elevar a inflação do CPI para 3,6% em abril-maio, com o núcleo do índice temporariamente chegando a 2,9% em maio-junho. Reajustamos nossa projeção para dezembro de 2026 para 3,0% ao ano para a inflação do CPI e estimamos a inflação do núcleo em cerca de 2,6% ao ano”.
Alta tem impulso na instabilidade entre EUA, Israel e Irã na região do Oriente Médio, responsável por 20% do fornecimento global
Plataforma da Petrobras | Foto: Divulgação/ Petrobras
O cenário internacional do petróleo apresenta instabilidade nesta terça-feira, 17, com o barril Brent, referência mundial, perto da casa dos US$ 105. O conflito entre EUA, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro, mantém o mercado em alerta.
A continuidade da interrupção no Estreito de Ormuz, responsável por escoar cerca de 20% do petróleo e gás globais, segue pressionando os preços.
O valor do Brent alcançou US$ 104,97, ou R$ 548,99, às 3h (de Brasília). Horas depois, o contrato para maio era negociado a US$ 102,30 (R$ 535,03), alta de 2,09% em relação ao atual.
O WTI, referência nos EUA, valia US$ 94,95 (R$ 496,59) e apresentava valorização de 2,69%. Os preços permaneceram acima de US$ 100 nas primeiras horas do dia, com mínima de US$ 100,75.
Reação dos mercados globais
Enquanto isso, os mercados acionários da Europa operavam em alta. O índice Euro STOXX 600 subia 0,57% às 9h15. Frankfurt tinha alta de 0,45%, Londres de 0,80%, Paris de 0,81%, Madri de 1,14% e Milão de 1,20%. Em contraste, as Bolsas dos EUA indicavam queda antes da abertura: Dow Jones recuava 0,22%, S&P 500, 0,30% e Nasdaq, 0,39%.
No continente asiático, houve divisão nos resultados. Seul subiu 1,63%, Taiwan, 1,48% e Hong Kong, 0,13%. Em contrapartida, Tóquio caiu 0,1%, Xangai, 0,85% e o índice CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, recuou 0,73%. O dólar e os títulos do Tesouro norte-americano permaneceram praticamente estáveis.
Tensões geopolíticas e impacto no petróleo de Ormuz
O Estreito de Ormuz é um local estratégico para a região | Foto: Reprodução/Redes sociais
As tensões diplomáticas aumentaram depois de líderes da Europa, Japão e Austrália recusarem o pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para apoio na escolta de petroleiros em Ormuz.
O regime iraniano declarou que permitirá o tráfego de embarcações não alinhadas aos EUA, mas continuará com os ataques a navios que apoiem Trump. O campo de gás de Shah, nos Emirados Árabes Unidos, continuou paralisado, enquanto um novo ataque provocou incêndio no terminal de Fujairah.
O presidente classificou a decisão da Suprema Corte como “profundamente decepcionante”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) a decisão de elevar as tarifas globais de 10% para 15%.
A declaração ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar as tarifas adotadas nos últimos meses. Em mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump afirmou que a nova alíquota entra em vigor imediatamente e atinge países que, segundo ele, exploram os Estados Unidos há décadas.
Na publicação, o republicano também disse que, nos próximos meses, o governo vai definir e divulgar novas tarifas dentro dos limites legais, dando continuidade ao processo que, segundo ele, tem sido bem-sucedido. O anúncio reforça o discurso feito pelo presidente na sexta-feira (20).
Trump classificou a decisão da Suprema Corte como “profundamente decepcionante” e criticou os magistrados que votaram contra as medidas. Em coletiva realizada na sala de imprensa da Casa Branca, o presidente afirmou estar envergonhado dos juízes que, segundo ele, não tiveram coragem de agir em favor do país.
Segundo o líder, Trump seria abertamente antieuropeu
O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a criação de um mecanismo de empréstimo conjunto na União Europeia, como os eurobônus, para permitir investimentos em grande escala e reduzir a dependência do dólar americano. Segundo ele, a UE precisa proteger melhor suas próprias indústrias e considera o acordo entre o bloco e o Mercosul um “mau negócio”.
Macron afirmou que a União Europeia está menos endividada do que Estados Unidos e China e que deixar de usar essa capacidade em um cenário de disputa por investimentos tecnológicos representa um erro grave. Ele também defendeu a simplificação e o aprofundamento do mercado interno europeu, avaliando que os planos para tornar a Europa mais soberana avançam de forma lenta.
Macron disse que, diante do que classificou como atos claros de agressão, a Europa não deve se curvar ou buscar acordos, estratégia que, segundo ele, não tem funcionado. O líder francês afirmou ainda que o governo Trump seria abertamente antieuropeu e teria como objetivo o desmembramento da União Europeia.
Ele também alertou para a possibilidade de retaliações dos Estados Unidos contra países da UE, como França e Espanha, que planejam proibir crianças de usar redes sociais. As declarações ocorrem antes da reunião dos chefes de Estado e de governo europeus, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, para discutir a competitividade do bloco.
Criação de nova zona de livre comércio beneficia cerca de 720 milhões de pessoas e concentra um PIB estimado em US$ 22 trilhões
Acordo Mercosul-UE prevê o livre mercado entre os países | Foto: Reprodução/Agência Senado/Marcos Oliveira
Depois de mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul assinam neste sábado, 17, no Paraguai, o acordo que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões.
O presidente Lula não estará presente na cerimônia. Ele será o único chefe de Estado sul-americano ausente. Participam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e os presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
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Lula recebeu von der Leyen ontem, no Rio de Janeiro, e classificou o processo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Segundo ele, o tratado fortalece o multilateralismo e integra mercados estratégicos.
Próximas etapas no acordo entre Mercosul e União Europeia
Acordo entre União Europeia e Mercosul também precisa de aprovação do Congresso brasileiro I Foto: Divulgação/Senado Federal
Apoios e oposições
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio industrial e agrícola, investimentos e padrões regulatórios.
Alemanha e Espanha apoiam o texto, enquanto a França lidera a oposição, com apoio de Polônia, Irlanda e Áustria, citando riscos ao setor agrícola e questões ambientais. Para o Mercosul, o Brasil tem papel central na comprovação de avanços ambientais para facilitar a ratificação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou, nesta quinta-feira (20), a lista de isenções da tarifa de 40% para incluir mais produtos agrícolas do Brasil, em meio aos avanços nas negociações entre os dois países. Na prática, a decisão retira a sobretaxa de itens importantes para o setor exportador do país, como o café e a carne bovina.
Na ordem executiva divulgada pela Casa Branca, Trump cita a conversa telefônica que teve com o presidente Lula (PT) em 3 de outubro, na qual os dois líderes concordaram em abrir as discussões sobre o tarifaço. Desde então, os progressos nas negociações eliminaram a necessidade de tarifar algumas importações agrícolas, de acordo com ele.
A medida é retroativa, o que significa que estarão isentas todas as mercadorias retiradas de armazéns para consumo a partir de 12h01 (horário de Nova Iorque) de 13 de novembro.
– Na medida em que a implementação desta ordem exigir restituição de tarifas cobradas, os reembolsos serão processados de acordo com a legislação aplicável e os procedimentos padrão da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (U.S. Customs and Border Protection) para tais restituições – diz a ordem.
País é o principal fornecedor do grão para o mercado americano
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na terça-feira (11) sua pretensão em reduzir parte das tarifas que impôs sobre a importação de café. A medida pode beneficiar o Brasil, já que o país é o principal fornecedor do grão ao mercado americano. As informações são do portal InfoMoney.
“Vamos baixar algumas tarifas sobre o café, e vamos ter algum café entrando [nos EUA]”, disse Trump em entrevista à emissora Fox News. O republicano não informou o tamanho da redução nem quais países seriam contemplados. Desde agosto, produtos brasileiros como café, carne e aço enfrentam sobretaxas de até 50%, impostas por razões políticas.
Trump, que vem enfrentando críticas até mesmo internamente sobre as taxações, afirmou que pretende realizar mudanças “cirúrgicas” no modelo de tarifas e indicou que a redução pode seguir o modelo de exceções a produtos que não são produzidos em escala suficiente nos EUA, categoria em que o café foi incluído em setembro.
O tarifaço de Trump vem pressionando os preços nos EUA. Só neste ano, o café subiu cerca de 19% no país. Nas cafeterias de Nova York, os aumentos ao consumidor chegam a 55%, e o país enfrenta queda de 53% nas importações de café brasileiro desde setembro, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,96 bilhão em café para os EUA, que respondem por um terço do consumo global. No acumulado de 2025 até setembro, o país embarcou 4,36 milhões de sacas aos americanos, queda de 24,7% sobre o mesmo período do ano anterior.
O produto representa 5,3% das exportações brasileiras para os EUA neste ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A fala de Trump surge em meio a melhora nas relações entre Brasil e Estados Unidos após o encontro do republicano com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, na Malásia, que deu início às negociações abertas entre Brasília e Washington.
Na ocasião, Lula pediu a suspensão total das tarifas, mas o governo brasileiro admite aceitar reduções por produto caso a isenção integral não seja possível. O vice-presidente Geraldo Alckmin já havia classificado o café como prioridade nas tratativas.
Presidente afirma que empacotadoras estariam manipulando valores e prejudicando pecuaristas nos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump: responsáveis deverão ‘pagar um preço alto’ | Foto: Reprodução/Twitter/X
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 6, que solicitou ao Departamento de Justiça uma investigação sobre empresas de empacotamento de carne bovina. Segundo ele, companhias do setor estariam elevando os preços de forma coordenada, por meio de conluio ilegal e manipulação de mercado.
Trump declarou que os pecuaristas norte-americanos têm sido injustamente responsabilizados pelo aumento dos valores ao consumidor. Da mesma forma, ele acrescentou que grande parte dos grupos que atuam no processamento e distribuição de carne bovina está sob o controle de empresas estrangeiras.
Trump: situação ameaça o abastecimento
De acordo com o republicano, a prática elevaria artificialmente os preços e colocaria em risco a segurança do abastecimento alimentar do país. Ele defendeu que o governo deve agir para proteger tanto os produtores quanto os consumidores.
“É necessário agir imediatamente para combater monopólios ilegais e impedir que corporações lucrem à custa do povo americano”, escreveu Trump na rede Truth Social. Ele pediu “ação rápida” do Departamento de Justiça.
Em outra publicação, Trump afirmou que “há algo suspeito” na variação recente do mercado, citando que os preços do gado teriam caído de forma significativa, enquanto os valores ao consumidor seguem altos. Ele disse que, se houver crime, os responsáveis deverão “pagar um preço alto”.
Presidente afirmou que tarifas serão aplicadas de forma menos agressiva do que foi feito com outros produtos
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (15) que vai estabelecer tarifas sobre importações de aço já na próxima semana. O republicano ainda pontuou que os chips semicondutores também serão alvos das tarifas, com as novas medidas para o produto previstas para serem anunciadas na semana seguinte ao aço. As informações são do portal InfoMoney e da agência britânica Reuters.
“Estabelecerei tarifas na semana que vem e na semana seguinte sobre o aço e sobre, eu diria, chips”, disse Trump, que detalhou ainda que as taxas serão inicialmente menores para permitir que as empresas venham e desenvolvam fabricação doméstica, e aumentarão posteriormente. Ele não detalhou quais serão as taxas.
Na última semana, as tarifas de Trump sobre diversos países entraram em vigor, incluindo a taxa sobre produtos brasileiros, a maior imposta pelo presidente a um de seus parceiros comerciais, de 50%.
A declaração de Trump foi dada aos jornalistas que o acompanham a bordo do avião presidencial Air Force One, que leva o presidente americano para o Alaska, onde ele se reunirá com o presidente da Rússia, Vladimir Putin para debater o fim da guerra na Ucrânia.
O encontro entre os presidentes ocorre em meio a guerra comercial travada por Trump, que chegou a ameaçar uma ampliaçao às taxas impostas sobre produtos russos caso Putin não avance nas tratativas para encerrar o conflito com o país vizinho.
O documento, elaborado pelo Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR), avalia questões que envolvem comércio eletrônico, tecnologia, taxas de importação e desmatamento
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Flickr
Um relatório recente do governo dos Estados Unidos destacou preocupações relacionadas a práticas comerciais do Brasil, incluindo o uso do Pix e a pirataria, como possíveis ameaças à competitividade de empresas norte-americanas. O documento, elaborado pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), avalia questões que envolvem comércio eletrônico, tecnologia, taxas de importação e desmatamento no Brasil, conforme divulgado nesta terça-feira, 15.
Entre os pontos levantados, há críticas ao incentivo do governo brasileiro ao Pix, serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo Banco Central. O relatório afirma que “o Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, a promoção de seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, segundo o USTR.
Pirataria e proteção à propriedade intelectual
O texto menciona ainda a Rua 25 de Março, localizada no centro de São Paulo, como símbolo das dificuldades do país para combater a pirataria e proteger efetivamente os direitos de propriedade intelectual. Para os responsáveis pelo relatório, a 25 de Março se mantém há décadas como um dos maiores centros de venda de produtos falsificados, mesmo com ações policiais específicas para a região.
Outro trecho do documento ressalta que “o Brasil não conseguiu abordar de forma eficaz a importação, a distribuição, a venda e o uso generalizado de produtos falsificados, consoles de jogos modificados, dispositivos de streamingilícitos e outros dispositivos de violação”, apontando que a falsificação continua prevalente por falta de punições consideradas suficientes e ações de longo prazo para erradicar essas práticas ilícitas.
Segundo o USTR, as deficiências no combate à pirataria dificultam a expansão de canais legais para a distribuição de conteúdo digital. O relatório destaca que “a falha do Brasil em abordar essas questões prejudica os trabalhadores norte-americanos cujos meios de subsistência estão ligados aos setores dos EUA impulsionados pela inovação e pela criatividade”.
Outros pontos de tensão comercial com os EUA
A investigação, anunciada por Jamieson Greer, representante dos EUA para o comércio, inclui ainda questões como tarifas consideradas injustas, ausência de políticas eficazes de combate à corrupção, barreiras ao acesso ao mercado de etanol e alegações de discriminação a empresas norte-americanas. A possível adoção de sanções comerciais pode trazer impactos negativos relevantes para a economia do Brasil, sendo o processo de difícil reversão.