O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogará por mais um ano a emergência nacional em relação ao Brasil, mantendo em vigor a declaração originalmente estabelecida pela ordem executiva de 30 de julho de 2025. O aviso será publicado nesta quarta-feira (29) no Federal Register, o diário oficial dos EUA.
No documento, Trump afirma que permanecem válidas as razões que embasaram a declaração de emergência, alegando que políticas e ações do governo brasileiro continuam representando uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. O texto repete as justificativas do decreto do ano passado, incluindo acusações de restrições à liberdade de expressão, violações de direitos humanos e perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida, porém, não cria novas sanções nem restabelece tarifas. A prorrogação é uma exigência da Lei de Emergências Nacionais americana, que determina a renovação anual das declarações de emergência para evitar sua expiração automática.
O decreto de julho de 2025 havia imposto uma tarifa adicional de 40% sobre a maior parte das importações brasileiras com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). No entanto, essa tarifa deixou de vigorar em fevereiro de 2026, após a Suprema Corte dos EUA decidir que a IEEPA não confere ao presidente autoridade para impor tarifas comerciais.
Desde então, o regime tarifário mudou. Atualmente, está em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, adotada com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Neste mês, o USTR também anunciou a adição de uma alíquota de 12,5% ao País decorrente de investigações sobre trabalho forçado. O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as sobretaxas.
Washington (United States of America), 06/04/2026.- US President Donald J Trump during a media briefing on Iran from the James S Brady Press Briefing Room of the White House in Washington, DC, USA, 06 April 2026. EFE/EPA/YURI GRIPAS / POOL
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras passa a valer nesta quarta-feira (22). A medida atinge cerca de 3 mil produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano, enquanto outros mais de 2 mil itens ficaram de fora da cobrança.
A sobretaxa foi anunciada pelo governo de Donald Trump após uma investigação comercial concluir que o Brasil adota práticas que, na avaliação dos EUA, restringem ou oneram o comércio com o país.
Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, a regulação das plataformas digitais, acordos comerciais, questões ambientais, o mercado de etanol, propriedade intelectual e o combate à corrupção.
O governo brasileiro contesta as justificativas e afirma que a medida tem motivação política, classificando o tarifaço como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.
Entre os principais produtos isentos da nova tarifa estão petróleo bruto, café em grão, carne bovina, aeronaves, celulose e suco de laranja. Já setores como máquinas industriais, etanol, pneus, açúcar, madeira, calçados, tabaco e alguns produtos de alumínio serão impactados pela sobretaxa.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida afetará aproximadamente 15% das exportações brasileiras aos Estados Unidos com base nos números de 2025, o equivalente a cerca de 5,8 bilhões de dólares (R$ 29,4 bilhões). Ainda assim, 57% dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano permanecerão livres da nova cobrança.
O governo brasileiro informou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo diplomático. Embora tenha anunciado que poderá utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025, ainda não foram divulgadas medidas concretas de retaliação.
Além das negociações, o governo prepara ações para reduzir os impactos da tarifa sobre os setores afetados, incluindo linhas de crédito para empresas e um programa de diversificação de mercados, coordenado pela ApexBrasil.
O cenário ainda pode sofrer mudanças. O governo brasileiro acompanha a possibilidade de os Estados Unidos anunciarem uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos relacionados a uma investigação envolvendo trabalho forçado. Caso a medida seja cumulativa, a sobretaxa sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%.
Os Estados Unidos informaram ao governo brasileiro que poderão reduzir o tarifaço sobre produtos do Brasil caso o país aceite atender a uma série de exigências. A proposta inclui zerar tarifas para empresas americanas dos setores industrial, químico, aeroespacial e automotivo. A nova taxa entra em vigor em 22 de julho.
Além dessas condições, os americanos defenderam o fim da tarifa sobre o etanol, a não regulamentação das plataformas digitais e a inclusão do Pix nas negociações comerciais entre os dois países.
No Palácio do Planalto, integrantes do governo classificaram a proposta como “indigna” e “inaceitável”.
Segundo esses auxiliares, aceitar as exigências dos Estados Unidos causaria um impacto maior para a economia brasileira do que o provocado pelo próprio tarifaço. Pelos cálculos iniciais do governo, as novas tarifas devem atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano.
A medida também provocou disputa política no Brasil. A oposição atribui o aumento das tarifas a falhas na condução das negociações pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já integrantes do Planalto afirmam que a decisão dos Estados Unidos tem motivação política e ideológica.
Desde o anúncio do primeiro pacote de tarifas, a diplomacia brasileira realizou mais de 30 contatos com autoridades americanas, entre reuniões presenciais, videoconferências e conversas por telefone. Mesmo com a avaliação de que haverá pouca margem para avanços nas negociações, o governo pretende manter o diálogo para tentar reduzir os impactos sobre os setores brasileiros afetados.
Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que os Estados Unidos decidam se colocarão em prática novas tarifas sobre produtos brasileiros. Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com a expectativa de que a taxação seja confirmada e aposta que a Casa Branca estabeleça um período de implementação da medida, além de divulgar uma lista de exceções.
Nesta terça (14), representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Assessoria Especial da Presidência da República e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, realizaram a quinta rodada de negociações sobre o tema.
Durante o encontro, o governo brasileiro voltou a afirmar que considera o tarifaço injustificado. Apesar das conversas, Jamieson Greer avaliou na última semana que um entendimento entre os dois países ainda estava distante.
A discussão teve início após uma investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas que restringem o comércio com os norte-americanos. Entre os pontos citados estão questões relacionadas ao desmatamento ilegal, à pirataria e ao sistema de pagamentos Pix. Como consequência, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Além dessa medida, o governo americano também anunciou uma taxa extra de 12,5% para países que, segundo Washington, apresentam falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.
A expectativa do governo brasileiro é que, caso as tarifas sejam oficializadas, o processo siga um cronograma semelhante ao adotado no ano passado. Na ocasião, Donald Trump anunciou o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros em julho, mas a medida só foi formalizada semanas depois e entrou em vigor após um período de adaptação, acompanhado de uma lista de produtos isentos.
Outro fator acompanhado pelo Planalto é a pressão de empresas americanas que dependem de importações brasileiras. Segundo o Itamaraty, ao menos 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram que determinados produtos brasileiros sejam excluídos das sobretaxas, alegando que não existem fornecedores equivalentes no mercado interno.
Setores afetados têm até terça-feira para defender medidas menos severas antes da decisão final, prevista para 15 de agosto
Foto: Canva imagens
Começa nesta segunda-feira, às 11h (horário de Brasília), a audiência pública entre representantes do setor produtivo e o governo dos Estados Unidos para discutir as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
As medidas foram recomendadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na investigação da Seção 301, que cita suposto favorecimento ao Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, desmatamento, corrupção e pirataria. Realizada em Washington, a audiência será dividida em 14 painéis, distribuídos entre segunda e terça-feira.
Representantes de setores brasileiros afetados e do setor produtivo americano terão cinco minutos para apresentar argumentos técnicos em defesa das cadeias produtivas, além de responder a questionamentos do USTR. A decisão final está prevista para 15 de agosto.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta terça-feira, 2
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA (26/3/2026) | Foto: Reuters/Kylie Cooper
Em decisão anunciada nesta terça-feira, 2, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) classificou como injustificáveis e prejudiciais ao comércio norte-americano as políticas do Brasil e de 60 países que não proíbem nem fiscalizam adequadamente a importação de produtos feitos com trabalho forçado.
O órgão publicou um relatório de 98 páginas no qual detalha os resultados das investigações realizadas sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e propõe a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos vindos dessas economias.
A decisão vem um dia depois de o USTR sugerir a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, indicando seis práticas desleais, como a emissão de ordens secretas de censura que afetaram empresas americanas e residentes no país, leniência no combate à corrupção, pagamentos via Pix, desmatamento ilegal e pirataria.
Segundo a avaliação do USTR, a ausência de medidas rigorosas contra mercadorias provenientes de trabalho forçado impõe desvantagens aos trabalhadores dos EUA e distorce o ambiente competitivo internacional.
“A falha dos nossos principais parceiros comerciais em coibir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso obriga os trabalhadores americanos a competir em condições desiguais”, afirmou o embaixador Jamieson Greer. “Não toleraremos mais essa disparidade.”
Tarifa de 12,5%
Como resposta, o USTR sugeriu a aplicação de tarifas adicionais sobre todos os produtos oriundos das economias investigadas, com exceções previstas em anexo publicado no Federal Register.
Para países que já adotam proibição parcial ou total contra essas importações, ou que assumiram compromisso formal em acordos bilaterais, a proposta é de tarifa extra de 10%. Aos demais, a sugestão é de 12,5%. Também está prevista uma regra específica para têxteis, permitindo determinado volume de importações com tarifa reduzida em alguns casos.
As partes interessadas podem solicitar participação nas audiências e apresentar resumos dos depoimentos até 22 de junho de 2026. Comentários escritos sobre as medidas propostas serão recebidos até 6 de julho de 2026. As audiências públicas estão marcadas para 7 de julho de 2026.
Países na lista de possíveis taxados
O processo decorre da Lei de Comércio de 1974, que prevê reação a práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias e que prejudicam o comércio dos Estados Unidos. Em 12 de março, o USTR abriu investigações contra as 60 economias devido à ineficácia na proibição e fiscalização de produtos feitos com trabalho forçado. Durante o processo, quase 60 testemunhas foram ouvidas e cerca de 500 comentários foram recebidos.
A proposta de nova tarifa sobre o Brasil e outros países vem do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) | Foto: Reprodução/Flickr
Entre os 60 países investigados, 54 não implementam nem fiscalizam a proibição dessas importações, incluindo Brasil, China, Índia, Reino Unido, Austrália, Rússia, Japão e outros. Outros seis países — Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão — não fiscalizam de forma efetiva, segundo o USTR.
Segundo o USTR, a falta de proibição e fiscalização prejudica objetivos globais de erradicação do trabalho forçado, permite vantagens competitivas injustas e compromete a lucratividade de empresas que seguem práticas legais. Além disso, tal omissão facilita a entrada desses produtos no mercado norte-americano, ampliando a concorrência desleal.
O que o relatório do USTR fala sobre o Brasil
No relatório, o USTR informou ter constatado que “o Brasil não impôs nem aplicou efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado”.
“Na seção IV, constatamos que a falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado é irrazoável. Na seção V, constatamos que a falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado onera ou restringe o comércio dos EUA”, explica o texto.
Segundo o relatório, o Brasil alega proibir importações produzidas com trabalho forçado “por meio da implementação de seus compromissos em acordos de investimento e acordos de livre comércio”, porém, a constatação é de “essas disposições não proíbem legalmente a importação de bens produzidos total ou parcialmente por trabalho forçado de outra economia para o mercado interno para venda”.
Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que os preços ao consumidor subiram 0,9% no mês e acumulam alta de 3,3% em 12 meses, acima dos 2,4% anteriores
O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca | Foto: Reprodução/X
O aumento expressivo da inflação em março refletiu os efeitos da guerra no Irã sobre o mercado de energia, o que provocou elevação nos preços ao consumidor nos Estados Unidos. Dados do Bureau of Labor Statistics divulgados nesta sexta-feira, 10, apontaram que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,9% em relação ao mês anterior e acumula alta de 3,3% nos últimos 12 meses, acima dos 2,4% registrados no período anterior.
O crescimento mensal e anual do CPI ficou alinhado com as projeções dos economistas consultados pela LSEG, conforme divulgou a Fox Business. Os chamados preços “core”, que desconsideram itens voláteis como alimentos e combustíveis, tiveram alta de 0,2% no mês e de 2,6% em 12 meses, levemente abaixo das expectativas, que eram de 0,3% e 2,7% respectivamente.
Impacto do fechamento do governo e metodologia do BLS
As leituras do núcleo da inflação mostraram leve aceleração frente a fevereiro, quando os aumentos haviam sido de 0,2% no mês e 2,5% no acumulado anual. Economistas destacam que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os dados de inflação sofrem influência da interrupção na coleta motivada pelo fechamento do governo no último outono, que durou 43 dias.
Durante o período em que os funcionários públicos ficaram impedidos de coletar informações, o BLS utilizou uma metodologia de projeção para suprir a ausência dos dados de outubro e parte de novembro, o que deve gerar viés de baixa nas estatísticas até a chegada de informações atualizadas nesta primavera.
O avanço da inflação tem pressionado o orçamento das famílias dos Estados Unidos, sobretudo aquelas de menor renda, que destinam parcela maior da renda para itens essenciais como alimentação e moradia, reduzindo sua margem de manobra financeira diante das altas de preços.
Variação nos preços de alimentos e energia
Em março, os preços dos alimentos permaneceram estáveis em relação a fevereiro, mas registram alta de 2,7% em doze meses. O índice de alimentos para consumo em casa recuou 0,2% no mês, acumulando elevação de 1,9% em um ano, enquanto as refeições fora de casa subiram 0,2% e acumulam 3,8% de aumento em doze meses.
Os preços de carnes, aves e peixes caíram 0,5% em março, mas superam em 5,6% o patamar de um ano atrás. Carnes bovinas e de vitelo recuaram 0,6% no mês, permanecendo 12,1% acima do valor do ano anterior. O preço dos ovos seguiu em queda depois do surto de gripe aviária, com recuo mensal de 3,4% e redução de 44,7% em doze meses. Frutas e hortaliças subiram 1% em março e acumulam alta de 4% no ano.
Os preços de energia dispararam 10,9% em março, impulsionados pelas restrições na oferta de petróleo do Oriente Médio por causa do conflito no Irã, acumulando avanço de 12,5% em doze meses. O BLS informou que a energia foi responsável por quase três quartos do aumento mensal do CPI.
O preço da gasolina saltou 21,2% no mês e 18,9% no acumulado anual. O serviço de gás encanado recuou 0,9% em março, mas subiu 6,4% em doze meses. A conta de eletricidade avançou 0,8% em março, com alta de 4,6% nos últimos doze meses.
Custos com moradia, transportes e repercussão no mercado dos Estados Unidos
Os custos com moradia cresceram 0,3% em março e 3% no acumulado anual. Os seguros residenciais e de locatários aumentaram 0,9% no mês e 7,4% em doze meses. Serviços de transporte subiram 0,6% em março e 4,1% em um ano. Manutenção e reparo de veículos tiveram avanço de 1,3% no mês e 6,1% no ano; o seguro automotivo ficou estável em março, mas subiu 0,8% no acumulado anual. Passagens aéreas aumentaram 2,7% no mês e 14,9% em doze meses.
“Como esperado, o salto da inflação de hoje refletiu a disparada nos preços da energia”, afirmou Ellen Zentner, estrategista-chefe do Morgan Stanley Wealth Management. “Os mercados podem continuar lidando com a preocupação de que a inflação persista enquanto o petróleo seguir elevado, mas o Fed deve manter uma postura cautelosa, sem optar por aumentos nos juros.”
O economista-chefe da LPL Financial, Jeffrey Roach, explicou que “como o estreito de Ormuz ficou fechado por um período prolongado, devemos esperar mais uma ou duas leituras altas da inflação, impulsionadas pelos serviços de transporte e por algumas categorias de bens duráveis. Os efeitos secundários podem adicionar mais 0,2 nos próximos meses. O Fed claramente deve manter a política estável nas próximas reuniões”.
Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que “sem o viés de baixa da metodologia do BLS usada para preencher as lacunas de dados durante o fechamento do governo em outubro, estimamos que a inflação do CPI teria sido de 0,3 a 0,4 ponto percentual mais alta”.
Ele acrescentou que “um impulso nos preços de energia e alimentos pode elevar a inflação do CPI para 3,6% em abril-maio, com o núcleo do índice temporariamente chegando a 2,9% em maio-junho. Reajustamos nossa projeção para dezembro de 2026 para 3,0% ao ano para a inflação do CPI e estimamos a inflação do núcleo em cerca de 2,6% ao ano”.
Alta tem impulso na instabilidade entre EUA, Israel e Irã na região do Oriente Médio, responsável por 20% do fornecimento global
Plataforma da Petrobras | Foto: Divulgação/ Petrobras
O cenário internacional do petróleo apresenta instabilidade nesta terça-feira, 17, com o barril Brent, referência mundial, perto da casa dos US$ 105. O conflito entre EUA, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro, mantém o mercado em alerta.
A continuidade da interrupção no Estreito de Ormuz, responsável por escoar cerca de 20% do petróleo e gás globais, segue pressionando os preços.
O valor do Brent alcançou US$ 104,97, ou R$ 548,99, às 3h (de Brasília). Horas depois, o contrato para maio era negociado a US$ 102,30 (R$ 535,03), alta de 2,09% em relação ao atual.
O WTI, referência nos EUA, valia US$ 94,95 (R$ 496,59) e apresentava valorização de 2,69%. Os preços permaneceram acima de US$ 100 nas primeiras horas do dia, com mínima de US$ 100,75.
Reação dos mercados globais
Enquanto isso, os mercados acionários da Europa operavam em alta. O índice Euro STOXX 600 subia 0,57% às 9h15. Frankfurt tinha alta de 0,45%, Londres de 0,80%, Paris de 0,81%, Madri de 1,14% e Milão de 1,20%. Em contraste, as Bolsas dos EUA indicavam queda antes da abertura: Dow Jones recuava 0,22%, S&P 500, 0,30% e Nasdaq, 0,39%.
No continente asiático, houve divisão nos resultados. Seul subiu 1,63%, Taiwan, 1,48% e Hong Kong, 0,13%. Em contrapartida, Tóquio caiu 0,1%, Xangai, 0,85% e o índice CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, recuou 0,73%. O dólar e os títulos do Tesouro norte-americano permaneceram praticamente estáveis.
Tensões geopolíticas e impacto no petróleo de Ormuz
O Estreito de Ormuz é um local estratégico para a região | Foto: Reprodução/Redes sociais
As tensões diplomáticas aumentaram depois de líderes da Europa, Japão e Austrália recusarem o pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, para apoio na escolta de petroleiros em Ormuz.
O regime iraniano declarou que permitirá o tráfego de embarcações não alinhadas aos EUA, mas continuará com os ataques a navios que apoiem Trump. O campo de gás de Shah, nos Emirados Árabes Unidos, continuou paralisado, enquanto um novo ataque provocou incêndio no terminal de Fujairah.
O presidente classificou a decisão da Suprema Corte como “profundamente decepcionante”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) a decisão de elevar as tarifas globais de 10% para 15%.
A declaração ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar as tarifas adotadas nos últimos meses. Em mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump afirmou que a nova alíquota entra em vigor imediatamente e atinge países que, segundo ele, exploram os Estados Unidos há décadas.
Na publicação, o republicano também disse que, nos próximos meses, o governo vai definir e divulgar novas tarifas dentro dos limites legais, dando continuidade ao processo que, segundo ele, tem sido bem-sucedido. O anúncio reforça o discurso feito pelo presidente na sexta-feira (20).
Trump classificou a decisão da Suprema Corte como “profundamente decepcionante” e criticou os magistrados que votaram contra as medidas. Em coletiva realizada na sala de imprensa da Casa Branca, o presidente afirmou estar envergonhado dos juízes que, segundo ele, não tiveram coragem de agir em favor do país.
Segundo o líder, Trump seria abertamente antieuropeu
O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a criação de um mecanismo de empréstimo conjunto na União Europeia, como os eurobônus, para permitir investimentos em grande escala e reduzir a dependência do dólar americano. Segundo ele, a UE precisa proteger melhor suas próprias indústrias e considera o acordo entre o bloco e o Mercosul um “mau negócio”.
Macron afirmou que a União Europeia está menos endividada do que Estados Unidos e China e que deixar de usar essa capacidade em um cenário de disputa por investimentos tecnológicos representa um erro grave. Ele também defendeu a simplificação e o aprofundamento do mercado interno europeu, avaliando que os planos para tornar a Europa mais soberana avançam de forma lenta.
Macron disse que, diante do que classificou como atos claros de agressão, a Europa não deve se curvar ou buscar acordos, estratégia que, segundo ele, não tem funcionado. O líder francês afirmou ainda que o governo Trump seria abertamente antieuropeu e teria como objetivo o desmembramento da União Europeia.
Ele também alertou para a possibilidade de retaliações dos Estados Unidos contra países da UE, como França e Espanha, que planejam proibir crianças de usar redes sociais. As declarações ocorrem antes da reunião dos chefes de Estado e de governo europeus, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, para discutir a competitividade do bloco.