Cobrança, chamada de Visa Integrity Fee, foi aprovada pelo Congresso norte-americano na última semana
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O visto americano para brasileiros ficará até R$ 1,4 mil mais caro com a criação de uma nova taxa incluída no pacote fiscal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A cobrança, chamada de Visa Integrity Fee, foi aprovada pelo Congresso norte-americano na última semana e incidirá sobre estrangeiros que solicitarem vistos de não imigrante, como os de turismo, estudo e intercâmbio.
O valor da nova tarifa será de até US$ 250 (cerca de R$ 1.400, na cotação atual), além dos US$ 185 já cobrados pelo pedido padrão de visto. O pacote legislativo também estabelece o pagamento adicional de US$ 24 pelo formulário de registro, e prevê reajustes anuais conforme o índice oficial de inflação dos EUA.
Ainda não há data definida para o início da cobrança, mas a expectativa é que a nova taxa passe a valer a partir do ano fiscal de 2026, que começa em 1º de outubro de 2025. A lei também prevê que o Departamento de Segurança Interna dos EUA poderá ajustar o valor para cima por meio de nova regulamentação.
A cobrança se aplica exclusivamente aos vistos de não imigrante. O texto não altera as regras para vistos de imigrantes, destinados àqueles que pretendem residir permanentemente nos Estados Unidos.
O governo americano prevê a possibilidade de reembolso da taxa adicional, caso o visitante cumpra uma série de exigências durante sua estadia, como não trabalhar sem autorização e retornar ao país de origem no prazo determinado, com tolerância de até cinco dias.
Os valores não reembolsados serão destinados ao Tesouro dos Estados Unidos, como forma de reforço à política migratória da atual gestão republicana.
Sem o adiamento, as ‘tarifas recíprocas’ voltariam a valer na próxima quarta-feira
No domingo 6, Donald Trump anunciou a imposição de uma sobretaxa de 10% a qualquer país que apoiar politicamente o Brics | Foto: Divulgação/Casa Branca
Nesta segunda-feira, 7, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou o decreto que adia para 1º de agosto a data de retomada das chamadas “tarifas recíprocas”, que atingem mais de 180 países. Sem o adiamento, as tarifas voltariam a valer na quarta-feira 9.
“Determinei, com base em informações adicionais e recomendações de vários funcionários seniores, incluindo informações sobre o status das discussões com parceiros comerciais, que é necessário e apropriado estender a suspensão efetivada pela Ordem Executiva 14.266 até as 12h01 do horário de verão do leste dos EUA em 1º de agosto de 2025”, diz o comunicado da Casa Branca.
Como o presidente Trump tem tratado o caso da China à parte, a decisão desta segunda-feira não altera as medidas referentes ao gigante asiático.
O adiamento faz parte da estratégia dos EUA para firmar acordos com seus parceiros comerciais. Apesar das pressões, o governo Trump obteve sucesso em fechar acordos com apenas três países até o momento.
O comunicado publicado pela Casa Branca destaca que a equipe econômica de Trump está orientada e autorizada a tomar “todas as medidas necessárias para implementar e efetivar esta ordem”.
A equipe do presidente norte-americando está autorizada até a suspender temporariamente ou alterar regulamentos ou avisos no Registro Federal.
Trump também anunciou a aplicação de tarifas de importação contra 14 países para agosto, em nova rodada de medidas unilaterais. Os países atingidos são:
África do Sul: taxa de 30%
Bangladesh: taxa de 35%
Bósnia e Herzegovina: taxa de 30%
Camboja: taxa de 36%
Cazaquistão: taxa de 25%
Coreia do Sul: taxa de 25%
Indonésia: taxa de 32%
Japão: taxa de 25%
Laos: taxa de 40%
Malásia: taxa de 25%
Myanmar: taxa de 40%
Sérvia: taxa de 35%
Tailândia: taxa de 36%
Tunísia: taxa de 25%
Trump anunciou sobretaxa de 10% contra países que apoiarem o Brics
No domingo 6, em publicação na plataforma Truth Social, Donald Trump anunciou a imposição de uma sobretaxa de 10% a qualquer país que apoiar politicamente o Brics.
O republicano assegurou que “não haverá exceções”. A medida atinge um grupo que já reúne 11 países e representa quase metade da população mundial.
Mesmo sem citar os EUA, o Brics divulgou nota em que expressa “séria preocupação” com o aumento das tarifas unilaterais. Trump, no entanto, ignorou o recado.
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, confirmou a informação e falou sobre o 1º foco da doença em granja comercial no Brasil
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) está realizando a coleta de amostras de material biológico de aves da avicultura comercial | Foto: Divulgação/Agência Pará
Nesta sexta-feira, 16, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, confirmou que a China suspendeu a compra de carne de frango do Brasil, em razão da detecção de gripe aviária em granja do país.
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou, nesta quinta-feira, 15, que detectou o vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), em uma granja de aves comerciais. Diante do primeiro foco dessa natureza em sistema comercial do Brasil, a China decidiu por suspender as compras. A pasta divulgou nota oficial nesta sexta-feira, 16.
“É importante dizer que já vinhamos em tratativas com o órgão oficial sanitário chinês”, disse Fávaro, à CNN Brasil. “Infelizmente, a China restringe todo o país. Mas estamos em um estado sanitário de emergência de 60 dias, com foco em um período de 28 dias. A gente conseguindo eliminar todo o foco e rastrear todos os animais oriundos do foco, conseguimos estabelecer um fluxo normal, inclusive com a China, antes dos 60 dias.”
O caso foi identificado no município de Montenegro, no Estado do Rio Grande do Sul. Esse é o primeiro registro da doença em um plantel da avicultura comercial brasileira.
Desde 2006, o vírus circula em regiões como Ásia, África e norte da Europa. No Brasil, até então, o patógeno não havia atingido o sistema de produção comercial. A confirmação acende um alerta, mas não altera a segurança dos alimentos de origem avícola.
A decisão da China e a transmissão da doença
Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping durante a cerimônia de boas-vindas, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, China (13/5/2025) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Segundo o Mapa, a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem ovos. Produtos que passam por inspeção seguem seguros para a população. Não há necessidade de restrição ao consumo, garante o ministério.
Casos de infecção em humanos continuam raros e, em geral, ocorrem entre pessoas que mantêm contato direto com aves doentes, como tratadores e profissionais da área.
Diante da confirmação, o governo colocou em prática o Plano Nacional de Contingência para Influenza Aviária. As ações buscam eliminar o foco da doença e preservar a capacidade produtiva da avicultura. Com isso, o país mantém o abastecimento interno e protege a segurança alimentar da população.
Apesar disso, a China decidiu suspender, a partir desta sexta-feira, a compra de frango de todo o território brasileiro. O país asiático é o principal importador desse produto do Brasil.
Dados importantes, como o PIB do país, a taxa de desemprego entre jovens, e informações sobre o setor imobiliário deixaram de ser divulgados
Reprodução: Instagram / @xi.jinping_cn
Uma reportagem do jornal americano Wall Street Journal acusa o governo da China de manipular e restringir a divulgação de dados econômicos para ocultar a real situação financeira do país, e que estatísticas importantes como o crescimento do PIB, a taxa de desemprego entre jovens, dados do setor imobiliário e, até mesmo, indicadores comuns, como a produção de shoyu e o número de cremações, deixaram de ser divulgados ou passaram a adotar metodologias “opacas”.
Segundo matéria do InfoMoney, um dos principais exemplos citados pelo jornal é o Produto Interno Bruto (PIB) do país, que segundo o governo apresentou um crescimento de 5% em 2024, cumprindo a meta oficial. Por outro lado, o banco Goldman Sachs estimou um avanço de apenas 3,7% com base em dados de consumo doméstico e importações coletados de outras fontes.
Já o Rhodium Group, centro de pesquisa baseado em Nova York, apontou um crescimento ainda menor: 2,4%.
A taxa de desemprego entre jovens também é citada pela reportagem, já que após atingir 21,3% em meados de 2023, o indíce ficou cinco meses sem ser atualizado. Quando reapareceu, mostrava uma queda expressiva para 14,5%. A justificativa oficial foi a exclusão do cálculo cerca de 62 milhões de estudantes, mesmo aqueles que estavam procurando emprego. Para uma economista da Universidade de Pequim, o número real pode ser superior a 46%.
Além destes dados, outros indicadores também desaparecem das estatísticas públicas da China, com o já mencionado número de cremações, utilizado durante a pandemia como um termômetro demográfico, e que parou de ser divulgado em 2022. Já a produção de shoyu, tradicional molho de soja e referência indireta de consumo doméstico, não é atualizada desde maio de 2021.
As principais bolsas de valores da China também não publicam seus dados de entrada e saída de investidores estrangeiros há mais de um ano. A última divulgação foi em abril de 2024. No setor imobiliário, a “seca” de dados referentes as vendas de imóveis habitacionais já se estende desde 2022, quando grandes incorporadoras do país, como a Evergrande e a Country Garden enfrentaram uma grave crise.
Além disso, a censura sobre economistas que expressavam suas dúvidas acerca dos dados oficiais também foi relatada. Em dezembro de 2024, o economista Gao Shanwen, da SDIC Securities, afirmou em uma conferência nos EUA que o crescimento chinês poderia estar próximo de 2% ao ano.
Um mês depois, o Wall Street Journal revelou que Gao foi proibido de conceder novas declarações públicas por tempo indeterminado — embora não tenha sido preso ou demitido.
Diante da escassez de dados confiáveis, instituições financeiras e analistas de Wall Street têm buscado estimativas alternativas. O Goldman Sachs, por exemplo, desenvolveu modelos próprios para mensurar a atividade econômica da China, recorrendo a dados paralelos e cruzamentos estatísticos.
Em entrevista, presidente dos Estados Unidos falou em ‘período de transição’ nas relações comerciais com o país comandado por Xi Jinping
O presidente dos EUA, Donald Trump, segura um documento sobre “Barreiras ao Comércio Exterior” enquanto faz comentários sobre tarifas no Rose Garden na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 2 de abril de 2025 | Foto: Carlos Barria/REUTERS
Na terça-feira 22, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou durante uma entrevista na Casa Branca que as tarifas sobre produtos importados da China, atualmente em 145%, serão reduzidas significativamente.
No entanto, ele afirmou que estas tarifas não voltarão a ser 0, mantendo-se acima desse nível. Essas observações foram uma resposta a comentários do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que considerou a tarifa de 145% exagerada.
O presidente concordou, mas ressaltou que, apesar da redução, as tarifas não voltarão aos níveis anteriores, que eram inexistentes.
Transição nas relações comerciais
Trump também mencionou que os Estados Unidos estão em um “período de transição” nas relações comerciais com a China, e defendeu que um novo acordo precisa ser benéfico para ambos os países.
Ele sugeriu que a China poderia evitar tarifas adicionais ao produzir bens e criar empregos nos Estados Unidos.
“Se eles fabricarem seus produtos nos EUA, não temos tarifas. Acolhemos as pessoas”, afirmou o presidente.
Ele destacou que essa estratégia fortaleceria a economia americana. O presidente elogiou as tarifas sobre importações de aço, alumínio e automóveis, afirmando que contribuíram para um fortalecimento econômico.
Perspectivas de Trump sobre acordo com a China
Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China, no início de sua reunião bilateral na cúpula dos líderes do G20 em Osaka, Japão (29/6/2019) | Foto: Reuters/Kevin Lamarque
O presidente comentou que o mercado de ações está indo bem, mas ressaltou que o momento ainda é de transição e que os efeitos positivos devem levar um tempo para aparecer. Ele demonstrou otimismo em relação ao futuro da economia.
Trump também falou sobre a China, dizendo que o país precisa chegar a um acordo com os EUA. Segundo ele, “temos algo que eles querem” e, sem esse acordo, a China enfrentará dificuldades para negociar no mercado americano.
Durante a entrevista, mencionou o fentanil e explicou que, por causa de diversos fatores, a tarifa sobre o produto chegou a 145%. No entanto, garantiu que a nova tarifa será bem menor.
Ele ainda criticou a China com firmeza, afirmando que os EUA não serão mais enganados e que o país asiático não poderá continuar lucrando bilhões às custas dos americanos para fortalecer seu exército.
Apesar das críticas, Trump disse manter um bom relacionamento com o presidente chinês, Xi Jinping, mas foi claro ao dizer que os tempos mudaram: “Seremos bons com a China, mas não vamos mais aceitar abusos econômicos”, declarou.
Pequim acusa Washington de intimidação e pede reunião no Conselho de Segurança da ONU
Foto:Karolina Grabowska/Pexels
A China afirmou nesta segunda-feira (21) que irá retaliar países que firmarem acordos comerciais com os Estados Unidos considerados prejudiciais aos seus interesses. Segundo comunicado oficial divulgado pelo Ministério do Comércio, Pequim não aceitará negociações que comprometam sua posição estratégica e garantiu estar preparada para defender seus direitos.
A escalada de tensão ocorre após a Casa Branca sinalizar que poderá elevar tarifas sobre produtos chineses para até 245%. Em resposta, o governo chinês enviou uma carta aos países-membros da ONU solicitando a convocação do Conselho de Segurança para discutir o aumento das tarifas e o que classificou como “ações de intimidação” por parte dos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores da China também cobrou o fim da política de “pressão máxima” adotada por Washington e afirmou que a retirada das tarifas é condição essencial para a retomada do diálogo.
Pequim voltou a defender o respeito às normas do comércio internacional e ao sistema multilateral. Segundo o porta-voz do governo chinês, o país está disposto a unir esforços com outras nações para conter práticas unilaterais e proteger seus direitos legítimos.
Orientação vem após a imposição das tarifas recíprocas de 125% sobre a China
Donald Trump, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS / POOL
Smartphones e computadores importados vão ficar isentos das tarifas recíprocas do presidente Donald Trump, de acordo com a nova orientação da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. A informação foi publicada pela rede CNBC e pela agência Bloomberg
A orientação vem depois que Trump impôs tarifas recíprocas de 125% sobre os produtos da China (além de outros 20% anunciados em fevereiro e março), uma medida que estava prestes a afetar empresas de tecnologia como a Apple, que fabrica a maioria de seus produtos na China.
A nova orientação tarifária, de acordo com a CNBC, também inclui exclusões para outros dispositivos e componentes eletrônicos, incluindo semicondutores, células solares, telas de TVs, pen drives, cartões de memória e SSDs (unidades de estado sólido, ou memória flash) usadas para armazenar dados.
É o primeiro recuo de Trump que afeta as tarifas impostas à China. Na quarta-feira (9), ele havia anunciado a suspensão por 90 dias das tarifas recíprocas para todos os países, exceto a China.
Medida terá validade a partir deste sábado (12); líder chinês afirmou que país ‘não teme supressão irracional’
Reprodução: Instagram/@xi.jinping_cn
O líder chinês Xi Jinping afirmou que não há vencedor numa guerra de tarifas, e ir contra o mundo levará os Estados Unidos ao isolamento. A declarações foi dada após a China anunciar que aumentará as tarifas sobre produtos americanos de 84% para 125%, em resposta à recente escalada imposta por Donald Trump. A medida terá validade a partir deste sábado (12).
Em outra frente, o Ministério do Comércio da China informou ter entrado com processo contra os EUA na Organização Mundial do Comércio, citando “práticas unilaterais de coerção e bullying, que violam as regras da OMC”.
No encontro com Sánchez, Xi afirmou que seu país “não teme qualquer supressão irracional”, após citar que, “por mais de 70 anos, o desenvolvimento da China se baseou em autossuficiência e trabalho árduo, nunca nos presentes de ninguém”, em referência aos EUA.
“Não importa como o ambiente externo mude, a China fortalecerá sua confiança, manterá sua determinação e se concentrará em administrar bem seus próprios assuntos”, acrescentou.
Pequim anuncia retaliação depois de um novo aumento imposto pelos Estados Unidos
Silhueta de Donald Trump com a bandeira da China ao fundo | Ilustração: Shutterstock
A escalada comercial entre China e Estados Unidos ganhou mais um capítulo nesta semana. Na noite desta quarta-feira, 9, o presidente Donald Trump elevou as tarifas sobre produtos chineses para 125%. A medida, que amplia as barreiras iniciadas em fevereiro, foi classificada como “tarifa recíproca”.
Horas depois, na madrugada desta quinta-feira, 10, o governo chinês respondeu. O Ministério do Comércio condenou as sanções e anunciou novas tarifas de 84% sobre itens importados dos EUA. A medida entrou em vigor no mesmo dia e provocou reação imediata no mercado global.
Durante coletiva de imprensa, autoridades chinesas afirmaram que os Estados Unidos abusam do poder comercial e violam princípios do livre mercado. A nota oficial declarou que a China está preparada para “revidar até o fim” e seguirá defendendo seus interesses econômicos e estratégicos.
A ofensiva de Trump se intensificou desde o início do ano. Em fevereiro, os produtos chineses passaram a pagar taxa extra de 10%. Em 2 de abril, o presidente acrescentou mais 34 pontos porcentuais. No dia 8, subiu a tarifa em mais 50%. Com a última rodada, os 125% se tornaram o maior bloqueio tarifário já imposto à China.
Trump, por sua vez, justificou a decisão em sua rede social. Disse que o aumento das tarifas corrige desequilíbrios históricos. Anunciou também uma pausa de 90 dias para outras nações, com cobrança simbólica de 10%.
A resposta da China incluiu sanções contra empresas norte-americanas
A resposta chinesa incluiu sanções adicionais contra empresas norte-americanas. O governo de Xi Jinping também prometeu reforçar o mercado interno e reduzir a dependência de importações.
Mesmo diante da tensão, os mercados reagiram com alívio ao alargamento do prazo para outros países. Na quarta-feira, a Nasdaq saltou 12,16%, o S&P 500 teve o melhor desempenho desde 2008 e o Dow Jones subiu 7,87%. A flexibilização animou investidores.
No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 3,12%. O dólar caiu 2,54% e terminou o dia a R$ 5,84. A sinalização de que a guerra comercial pode se limitar a China e EUA trouxe alívio pontual ao mercado financeiro.
Incerteza econômica global e possível recessão nos Estados Unidos pressionam inflação e dificultam controle dos juros no país
A inflação acima da meta se soma à dificuldade do Banco Central em manter os preços sob controle | Foto: Reprodução/Montagem sobre redes sociais
Mesmo com o recuo parcial em relação às tarifas globais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agitou o mercado ao anunciar novas taxas sobre a China. As importações do país asiático passam a ser taxadas em 125%, segundo comunicado feito nesta quarta-feira, 9, por meio da Truth Social.
A decisão de Trump intensifica a guerra comercial com Pequim e lança incerteza sobre os mercados internacionais. Especialistas avaliam que a volatilidade global pode atingir diretamente o Brasil, com impactos sobre os preços internos e a movimentação de capitais estrangeiros.
O Brasil registrou em março uma retirada líquida de US$ 8,297 bilhões, superando o saldo negativo do mesmo mês em 2020. Com menos dólares em circulação, o real se desvaloriza, e os efeitos recaem sobre a inflação. A taxa básica de juros, já em 14,25% ao ano, deve seguir elevada.
A inflação acima da meta se soma à dificuldade do Banco Central em manter os preços sob controle. Na ata do último encontro, o Comitê de Política Monetária destacou o cenário internacional como um dos obstáculos à condução da política monetária brasileira.
Economista diz que tarifas de Trump são paliativas
Para o economista Alexandre Espírito Santo, a pausa nas tarifas anunciada por Trump é apenas paliativa. Ele destaca que “o que vem ocorrendo não é bom para ninguém”. A economista Juliana Inhasz compartilha da visão e prevê impactos negativos se os Estados Unidos entrarem em recessão.
“Caso a recessão se instale na economia norte-americana e se alastre mundo afora, poderemos ter também uma redução da venda de produtos brasileiros ao restante do mundo”, disse Juliana à CNN.
A desaceleração da economia global pode afetar diretamente o Brasil, especialmente pela dependência de commodities na balança comercial. Petróleo, soja e minério de ferro lideram a lista de exportações, mas perdem valor em um cenário recessivo internacional.
“Novos mercados poderão fortalecer as conexões comerciais brasileiras, impulsionando, em cenários específicos, o crescimento econômico”, conclui a economista.
Em fala à imprensa, Trump reforçou que deseja reequilibrar as relações comerciais. O republicano ressalta que, embora considere a política atual desfavorável aos EUA, a Casa Branca pretende firmar um acordo comercial com o regime de Xi Jinping.