Em entrevista, presidente dos Estados Unidos falou em ‘período de transição’ nas relações comerciais com o país comandado por Xi Jinping
O presidente dos EUA, Donald Trump, segura um documento sobre “Barreiras ao Comércio Exterior” enquanto faz comentários sobre tarifas no Rose Garden na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 2 de abril de 2025 | Foto: Carlos Barria/REUTERS
Na terça-feira 22, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou durante uma entrevista na Casa Branca que as tarifas sobre produtos importados da China, atualmente em 145%, serão reduzidas significativamente.
No entanto, ele afirmou que estas tarifas não voltarão a ser 0, mantendo-se acima desse nível. Essas observações foram uma resposta a comentários do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que considerou a tarifa de 145% exagerada.
O presidente concordou, mas ressaltou que, apesar da redução, as tarifas não voltarão aos níveis anteriores, que eram inexistentes.
Transição nas relações comerciais
Trump também mencionou que os Estados Unidos estão em um “período de transição” nas relações comerciais com a China, e defendeu que um novo acordo precisa ser benéfico para ambos os países.
Ele sugeriu que a China poderia evitar tarifas adicionais ao produzir bens e criar empregos nos Estados Unidos.
“Se eles fabricarem seus produtos nos EUA, não temos tarifas. Acolhemos as pessoas”, afirmou o presidente.
Ele destacou que essa estratégia fortaleceria a economia americana. O presidente elogiou as tarifas sobre importações de aço, alumínio e automóveis, afirmando que contribuíram para um fortalecimento econômico.
Perspectivas de Trump sobre acordo com a China
Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China, no início de sua reunião bilateral na cúpula dos líderes do G20 em Osaka, Japão (29/6/2019) | Foto: Reuters/Kevin Lamarque
O presidente comentou que o mercado de ações está indo bem, mas ressaltou que o momento ainda é de transição e que os efeitos positivos devem levar um tempo para aparecer. Ele demonstrou otimismo em relação ao futuro da economia.
Trump também falou sobre a China, dizendo que o país precisa chegar a um acordo com os EUA. Segundo ele, “temos algo que eles querem” e, sem esse acordo, a China enfrentará dificuldades para negociar no mercado americano.
Durante a entrevista, mencionou o fentanil e explicou que, por causa de diversos fatores, a tarifa sobre o produto chegou a 145%. No entanto, garantiu que a nova tarifa será bem menor.
Ele ainda criticou a China com firmeza, afirmando que os EUA não serão mais enganados e que o país asiático não poderá continuar lucrando bilhões às custas dos americanos para fortalecer seu exército.
Apesar das críticas, Trump disse manter um bom relacionamento com o presidente chinês, Xi Jinping, mas foi claro ao dizer que os tempos mudaram: “Seremos bons com a China, mas não vamos mais aceitar abusos econômicos”, declarou.
Pequim acusa Washington de intimidação e pede reunião no Conselho de Segurança da ONU
Foto:Karolina Grabowska/Pexels
A China afirmou nesta segunda-feira (21) que irá retaliar países que firmarem acordos comerciais com os Estados Unidos considerados prejudiciais aos seus interesses. Segundo comunicado oficial divulgado pelo Ministério do Comércio, Pequim não aceitará negociações que comprometam sua posição estratégica e garantiu estar preparada para defender seus direitos.
A escalada de tensão ocorre após a Casa Branca sinalizar que poderá elevar tarifas sobre produtos chineses para até 245%. Em resposta, o governo chinês enviou uma carta aos países-membros da ONU solicitando a convocação do Conselho de Segurança para discutir o aumento das tarifas e o que classificou como “ações de intimidação” por parte dos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores da China também cobrou o fim da política de “pressão máxima” adotada por Washington e afirmou que a retirada das tarifas é condição essencial para a retomada do diálogo.
Pequim voltou a defender o respeito às normas do comércio internacional e ao sistema multilateral. Segundo o porta-voz do governo chinês, o país está disposto a unir esforços com outras nações para conter práticas unilaterais e proteger seus direitos legítimos.
Orientação vem após a imposição das tarifas recíprocas de 125% sobre a China
Donald Trump, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS / POOL
Smartphones e computadores importados vão ficar isentos das tarifas recíprocas do presidente Donald Trump, de acordo com a nova orientação da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. A informação foi publicada pela rede CNBC e pela agência Bloomberg
A orientação vem depois que Trump impôs tarifas recíprocas de 125% sobre os produtos da China (além de outros 20% anunciados em fevereiro e março), uma medida que estava prestes a afetar empresas de tecnologia como a Apple, que fabrica a maioria de seus produtos na China.
A nova orientação tarifária, de acordo com a CNBC, também inclui exclusões para outros dispositivos e componentes eletrônicos, incluindo semicondutores, células solares, telas de TVs, pen drives, cartões de memória e SSDs (unidades de estado sólido, ou memória flash) usadas para armazenar dados.
É o primeiro recuo de Trump que afeta as tarifas impostas à China. Na quarta-feira (9), ele havia anunciado a suspensão por 90 dias das tarifas recíprocas para todos os países, exceto a China.
Medida terá validade a partir deste sábado (12); líder chinês afirmou que país ‘não teme supressão irracional’
Reprodução: Instagram/@xi.jinping_cn
O líder chinês Xi Jinping afirmou que não há vencedor numa guerra de tarifas, e ir contra o mundo levará os Estados Unidos ao isolamento. A declarações foi dada após a China anunciar que aumentará as tarifas sobre produtos americanos de 84% para 125%, em resposta à recente escalada imposta por Donald Trump. A medida terá validade a partir deste sábado (12).
Em outra frente, o Ministério do Comércio da China informou ter entrado com processo contra os EUA na Organização Mundial do Comércio, citando “práticas unilaterais de coerção e bullying, que violam as regras da OMC”.
No encontro com Sánchez, Xi afirmou que seu país “não teme qualquer supressão irracional”, após citar que, “por mais de 70 anos, o desenvolvimento da China se baseou em autossuficiência e trabalho árduo, nunca nos presentes de ninguém”, em referência aos EUA.
“Não importa como o ambiente externo mude, a China fortalecerá sua confiança, manterá sua determinação e se concentrará em administrar bem seus próprios assuntos”, acrescentou.
Pequim anuncia retaliação depois de um novo aumento imposto pelos Estados Unidos
Silhueta de Donald Trump com a bandeira da China ao fundo | Ilustração: Shutterstock
A escalada comercial entre China e Estados Unidos ganhou mais um capítulo nesta semana. Na noite desta quarta-feira, 9, o presidente Donald Trump elevou as tarifas sobre produtos chineses para 125%. A medida, que amplia as barreiras iniciadas em fevereiro, foi classificada como “tarifa recíproca”.
Horas depois, na madrugada desta quinta-feira, 10, o governo chinês respondeu. O Ministério do Comércio condenou as sanções e anunciou novas tarifas de 84% sobre itens importados dos EUA. A medida entrou em vigor no mesmo dia e provocou reação imediata no mercado global.
Durante coletiva de imprensa, autoridades chinesas afirmaram que os Estados Unidos abusam do poder comercial e violam princípios do livre mercado. A nota oficial declarou que a China está preparada para “revidar até o fim” e seguirá defendendo seus interesses econômicos e estratégicos.
A ofensiva de Trump se intensificou desde o início do ano. Em fevereiro, os produtos chineses passaram a pagar taxa extra de 10%. Em 2 de abril, o presidente acrescentou mais 34 pontos porcentuais. No dia 8, subiu a tarifa em mais 50%. Com a última rodada, os 125% se tornaram o maior bloqueio tarifário já imposto à China.
Trump, por sua vez, justificou a decisão em sua rede social. Disse que o aumento das tarifas corrige desequilíbrios históricos. Anunciou também uma pausa de 90 dias para outras nações, com cobrança simbólica de 10%.
A resposta da China incluiu sanções contra empresas norte-americanas
A resposta chinesa incluiu sanções adicionais contra empresas norte-americanas. O governo de Xi Jinping também prometeu reforçar o mercado interno e reduzir a dependência de importações.
Mesmo diante da tensão, os mercados reagiram com alívio ao alargamento do prazo para outros países. Na quarta-feira, a Nasdaq saltou 12,16%, o S&P 500 teve o melhor desempenho desde 2008 e o Dow Jones subiu 7,87%. A flexibilização animou investidores.
No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 3,12%. O dólar caiu 2,54% e terminou o dia a R$ 5,84. A sinalização de que a guerra comercial pode se limitar a China e EUA trouxe alívio pontual ao mercado financeiro.
Incerteza econômica global e possível recessão nos Estados Unidos pressionam inflação e dificultam controle dos juros no país
A inflação acima da meta se soma à dificuldade do Banco Central em manter os preços sob controle | Foto: Reprodução/Montagem sobre redes sociais
Mesmo com o recuo parcial em relação às tarifas globais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agitou o mercado ao anunciar novas taxas sobre a China. As importações do país asiático passam a ser taxadas em 125%, segundo comunicado feito nesta quarta-feira, 9, por meio da Truth Social.
A decisão de Trump intensifica a guerra comercial com Pequim e lança incerteza sobre os mercados internacionais. Especialistas avaliam que a volatilidade global pode atingir diretamente o Brasil, com impactos sobre os preços internos e a movimentação de capitais estrangeiros.
O Brasil registrou em março uma retirada líquida de US$ 8,297 bilhões, superando o saldo negativo do mesmo mês em 2020. Com menos dólares em circulação, o real se desvaloriza, e os efeitos recaem sobre a inflação. A taxa básica de juros, já em 14,25% ao ano, deve seguir elevada.
A inflação acima da meta se soma à dificuldade do Banco Central em manter os preços sob controle. Na ata do último encontro, o Comitê de Política Monetária destacou o cenário internacional como um dos obstáculos à condução da política monetária brasileira.
Economista diz que tarifas de Trump são paliativas
Para o economista Alexandre Espírito Santo, a pausa nas tarifas anunciada por Trump é apenas paliativa. Ele destaca que “o que vem ocorrendo não é bom para ninguém”. A economista Juliana Inhasz compartilha da visão e prevê impactos negativos se os Estados Unidos entrarem em recessão.
“Caso a recessão se instale na economia norte-americana e se alastre mundo afora, poderemos ter também uma redução da venda de produtos brasileiros ao restante do mundo”, disse Juliana à CNN.
A desaceleração da economia global pode afetar diretamente o Brasil, especialmente pela dependência de commodities na balança comercial. Petróleo, soja e minério de ferro lideram a lista de exportações, mas perdem valor em um cenário recessivo internacional.
“Novos mercados poderão fortalecer as conexões comerciais brasileiras, impulsionando, em cenários específicos, o crescimento econômico”, conclui a economista.
Em fala à imprensa, Trump reforçou que deseja reequilibrar as relações comerciais. O republicano ressalta que, embora considere a política atual desfavorável aos EUA, a Casa Branca pretende firmar um acordo comercial com o regime de Xi Jinping.
A medida de Pequim é uma resposta a nova tarifa aplicada pelos EUA a importações de produtos do país asiático, elevando o total de taxas sobre a China para 104%
Foto: Reprodução/Freepik
O Ministério das Finanças da China comunicou nesta quarta-feira (9) uma nova decisão da Comissão Tarifária do Conselho de Estado chinês que eleva a tarifa para produtos importados dos Estados Unidos de 34% para 84%. A nota afirma que a alteração foi feita com base nos “princípios básicos do direito internacional” e que a medida entrará em vigor a partir da 00h01 (horário local) do dia 10 de abril de 2025.
“A China insta os EUA a corrigirem imediatamente suas práticas equivocadas, a cancelarem todas as medidas tarifárias unilaterais contra a China e a resolverem adequadamente as diferenças por meio de um diálogo igualitário, baseado no respeito mútuo”, diz a nota.
Segundo matéria do InfoMoney, o ministério chinês classifica o aumento de tarifas adicionais pelos americanos contra o país como “um erro em cima de outro”, e alega que a medida infringe gravemente os direitos e interesses legítimos da potência asiática, prejudicando também o sistema comercial multilateral baseado em regras e impacta “seriamente” a estabilidade da ordem econômica global.
“É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, acrescenta o ministério chinês.
A medida de Pequim é uma resposta a nova tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos a importações de produtos do país asiático, elevando o total de taxas sobre a China para 104%. A escalada repetida das tarifas ameaça paralisar o comércio entre duas das economias mais importantes do mundo.
Na semana passada, o governo Trump anunciou uma nova política tarifária mais abrangente na semana passada e alertou aos países afetados que não retaliassem. Algumas nações, incluindo o Japão, parecem dispostas a negociar tarifas, mas a China tem adotado postura mais dura.
Ainda nesta quarta, a China disse à Organização Mundial do Comércio (OMC) que a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas recíprocas a Pequim ameaça desestabilizar ainda mais o comércio global.
“A situação se agravou perigosamente. Como um dos membros afetados, a China expressa séria preocupação e firme oposição a esse movimento imprudente”, disse a China em uma declaração à OMC nesta quarta-feira, que foi enviada à Reuters pela missão chinesa na OMC.
Bilionário conversou com Trump para discutir taxas sobre importados, segundo o ‘Washington Post’. Nas redes, Musk defendeu cooperação comercial e criticou assessor do presidente.
Elon Musk e Donald Trump em conversa com jornalistas no Salão Oval em fevereiro — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
O bilionário Elon Musk tem pressionado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reverter as tarifas recíprocas impostas na semana passada a diversos países. Segundo uma reportagem do jornal “The Washington Post” publicada nesta segunda-feira (4), Musk fez apelos diretos a Trump para reconsiderar a medida.
Atualmente, Musk lidera o Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos (DOGE, na sigla em inglês), que é uma agência criada com o objetivo de reduzir gastos e aumentar a eficiência do governo federal.
Embora não receba salário, Musk é considerado um funcionário especial da Casa Branca e um dos principais conselheiros de Trump.
Após o anúncio das tarifas, Musk publicou no X críticas a Peter Navarro, assessor de Trump visto como arquiteto do plano tarifário. Em uma postagem, o bilionário questionou a formação de Navarro, afirmando que “um PhD em Economia por Harvard é uma coisa ruim, não uma coisa boa.”
Ele também compartilhou um vídeo que mostra o economista Milton Friedman falando sobre os benefícios da cooperação comercial internacional.
De acordo com o “The Washington Post”, duas fontes familiarizadas com o assunto revelaram que Musk tentou intervir nas tarifas durante conversas com Trump. Mas, até o momento, o bilionário não teve sucesso.
O jornal cita ainda que, como CEO da Tesla, Musk vê as tarifas como prejudiciais aos negócios da empresa — que tem na China e nos Estados Unidos seus principais centros de fabricação e consumo. As tarifas aplicadas por Trump podem afetar diretamente a produção de automóveis.
O irmão de Musk, Kimbal Musk, também criticou Trump nas redes sociais. Nesta segunda-feira, ele escreveu que a medida adotada pelo governo criou um “imposto estrutural e permanente sobre o consumidor americano”.
“Quem imaginaria que Trump seria o presidente americano com os impostos mais altos em gerações?”, publicou. “Um imposto sobre o consumo também significa menos consumo. O que significa menos empregos.”
A discordância entre Elon Musk e Donald Trump ocorre em meio a rumores de que o bilionário esteja de saída do governo. Segundo o site “Politico”, o presidente já acertou com o empresário quando ele deixará o comando do DOGE.
Apesar de Musk afirmar que a informação é falsa, Trump admitiu que o bilionário pode sair do governo em breve para cuidar de seus próprios negócios. No entanto, o presidente disse que Elon Musk pode permanecer no cargo “pelo tempo que quiser”.
Promessa ocorre após ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor taxas adicionais de 50% sobre as importações da China
O Ministério do Comércio chinês prometeu, nesta terça-feira (8/4), combater as tarifas americanas “até o fim”, após a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor taxas adicionais de 50% sobre as importações chinesas.
As novas tarifas são severamente criticadas, até mesmo dentro do próprio partido republicano, e geram receios de uma recessão mundial. Muitos países buscam negociar as taxas.
Para o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao (foto em destaque), é “um erro que se adiciona a outro erro”, referindo-se a uma verdadeira chantagem por parte dos Estados Unidos. “A China nunca aceitará isso e adotará contramedidas incisivas para proteger seus próprios direitos e interesses”, disse o ministro, que anunciou, ao mesmo tempo, medidas de apoio à economia interna.
Em resposta às novas tarifas americanas, Pequim revelou suas próprias taxas, que entrarão em vigor na quinta-feira (10/4): 34% sobre uma série de produtos estadunidenses.
Donald Trump, por sua vez, retorquiu, em uma mensagem publicada no Truth Social: ele ameaça aumentar as “tarifas” em mais 50%, a menos que a China retire imediatamente suas novas tarifas.
Até 104% de tarifas para a China
Se a medida for aplicada, as tarifas americanas chegariam a um total inédito de 104% sobre os produtos chineses. Washington justifica esses aumentos como represálias contra o tráfico de fentanil e os desequilíbrios comerciais persistentes.
Nos mercados, a tensão é palpável. Trump, por sua vez, minimiza o impacto, mas as consequências podem ser duradouras e os consumidores americanos podem ver os preços de muitos produtos subirem.
Pequim poderia, ainda, intensificar intercâmbios com outros parceiros, especialmente a União Europeia. A China, no entanto, insiste em afirmar que “não há vencedores em uma guerra comercial”, por isso o governo segue oficialmente aberto ao diálogo.
Um porta-voz do ministério chinês fez um apelo para que “as diferenças com a China sejam resolvidas por meio de um diálogo igualitário com base no respeito mútuo”.
Trump disse que já não quer se reunir com autoridades chinesas, mas que está disposto a negociar “acordos justos” com outros países, o que não significa que vai retroceder, ressaltou. Os mercados estavam atentos ao menor sinal de que a política de Trump seria flexibilizada, mas o presidente americano descartou essa possibilidade.
Negociações intensas
A agitação diplomática para minimizar os efeitos das sobretaxas segue em ritmo frenético. Trump acusa os parceiros econômicos dos Estados Unidos de “saqueá-los” e impôs uma tarifa universal de 10% sobre a maioria de seus produtos importados, que entrou em vigor no sábado.
Para a próxima quarta-feira (9/4), o líder norte-americano reserva sobretaxas ainda maiores para dezenas de parceiros comerciais importantes, principalmente a União Europeia (20%) e a China.
Da Ásia à Europa, os parceiros comerciais dos Estados Unidos tentam convencer Trump a aliviar as medidas.
A União Europeia propôs uma isenção tarifária total e recíproca para produtos industriais aos Estados Unidos, segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Mas Trump considerou a oferta “insuficiente”.
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, afirma ter chegado a um acordo com Trump para continuar as negociações.
Bangladesh, o segundo maior fabricante de vestuário do mundo, pediu a Washington que suspenda a aplicação de novas tarifas alfandegárias por três meses.
“Mais de 50 países entraram em contato com o governo dos Estados Unidos”, disse à NBC o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. “Veremos se o que eles têm a oferecer é confiável”, acrescentou.
O secretário ainda afirmou que esse assunto não pode ser negociado em “dias ou semanas”, o que indica que as tarifas devem permanecer em vigor por vários meses.
Tarifaço do presidente Donald Trump gerou grande mobilização no mercado global
Bolsas ao redor do mundo têm sofrido quedas (Imagem ilustrativa) Foto: EFE/EPA/JEON HEON-KYUN
As principais bolsas de valores da Ásia e da Europa despencaram nesta segunda-feira (7), com algumas tendo quedas históricas de cerca de 10%, em meio a temores de que a política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa levar a uma recessão mundial.
A Bolsa de Valores de Tóquio tombou quase 8%, enquanto o índice seletivo de referência na Bolsa de Taiwan, o Taiex, sofreu sua maior queda diária de todos os tempos. Na China continental as quedas chegaram a quase 10% e em Hong Kong ultrapassaram 13%.
O índice japonês Nikkei caiu 7,83% para 2.644 pontos, e títulos de grande peso, como os da montadora Toyota Motor e os do conglomerado de tecnologia Softbank, caíram 5,86% e 12,33% cada. Na Bolsa de Valores de Seul, o índice Kospi sofreu uma queda de 5,57%, e o Kosdaq, de empresas de alta tecnologia, caiu 5,25%.
No Taiex, de Taiwan, o tombo histórico foi de 9,7%, com as ações do setor de tecnologia sendo as mais atingidas. A Bolsa de Valores de Taiwan já tinha ficado fechada na última quinta (3) e na sexta (4), quando Trump divulgou sua política de tarifas para o mundo, e a China, um dos países mais atingidos, contra-atacou com suas próprias sobretaxas a produtos americanos.
As ações da TSMC, maior fabricante contratada de semicondutores do mundo, caíram quase 10%, embora os chips taiwaneses, que impulsionam a economia do país, tenham sido excluídos das novas tarifas dos EUA. As bolsas de valores chinesas de Xangai e Shenzhen, que também não foram negociadas na sexta, caíram 7,34% e 9,66%, respectivamente.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng despencou 13,2%, sua pior queda em um pregão desde a época da crise global de 2008. Na Malásia, a Bolsa de Valores de Kuala Lumpur caiu 5,58%, e, nas Filipinas, a Bolsa de Manila recuou 3,94%. Já as bolsas de Jacarta, Bangcoc e Ho Chi Minh City não foram negociadas devido a feriados públicos em seus respectivos países.
EUROPA A exemplo da Ásia, as bolsas europeias também despencaram na manhã desta segunda. Por volta das 6h45 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 tombava 5,01%, a 471,44 pontos. Na semana passada, o índice sofreu perdas de 8,4%, a maior queda semanal em cinco anos. Na última década, o Stoxx 600 só apresentou desempenho pior no começo da pandemia de Covid-19 em 2020.
Às 7h01 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 4,60%, a de Paris recuava 5,68% e a de Frankfurt cedia 5,40%, depois de sofrer um tombo de mais de 10% na abertura do pregão. Já as de Milão, Madri e Lisboa amargavam perdas de 6,20%, 5,78% e 5,35, respectivamente. No fim de semana, Trump não deu sinais de que vá recuar das tarifas a importações globais, embora a China tenha retaliado na mesma proporção.
– Não quebrei o mercado de propósito…não quero que nada caia…mas, às vezes, é preciso tomar remédios para consertar alguma coisa – disse Trump a repórteres neste domingo (6), a bordo do Air Force One.