A verificação de valores e datas pode ser feita pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal gov.br
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O abono do PIS/Pasep referente a 2026 começa a cair nesta segunda-feira (16) para quem nasceu em janeiro. Têm direito ao benefício trabalhadores do setor privado e servidores públicos que exerceram atividade em 2024. A verificação de valores e datas pode ser feita pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal gov.br.
Ao todo, a previsão é de que 25,4 milhões de pessoas recebam o pagamento neste calendário, com liberação de R$ 32,3 bilhões ao longo do ano. O prazo final para sacar o dinheiro termina em dezembro.
Neste primeiro momento, o governo libera R$ 2,5 bilhões. A maior parte vai para beneficiários do PIS, pagos pela Caixa Econômica Federal, enquanto os valores do Pasep ficam a cargo do Banco do Brasil.
O montante que cada pessoa recebe depende do número de meses trabalhados em 2024. Quem trabalhou o ano inteiro fica com o valor máximo do abono, que pode chegar a R$ 1.621, enquanto quem trabalhou menos meses recebe quantias proporcionais.
Publicação afirma que a combinação de juros elevados e dívida pública no Brasil serve de lição para as grandes potências mundiais
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado nesta quinta-feira, 12, que a situação econômica do Brasil representa o alerta mais importante para as grandes potências globais. Segundo a publicação, a relação entre os juros altos e a dívida pública brasileira oferece uma lição mais relevante para o mundo do que a inflação da Argentina ou a estagnação da Itália. O texto destaca que o cenário nacional impõe um dilema angustiante entre uma austeridade profunda e uma espiral descontrolada de encargos financeiros. Além disso, cunha o termo “brazilification“, que pode ser traduzido como “brasileirização”.
A análise aponta que, apesar de indicadores aparentemente positivos — como o crescimento econômico razoável e um Banco Central independente —, o custo para financiar a dívida compromete o futuro do país. Com a taxa Selic em 15% ao ano, o governo brasileiro precisará tomar emprestado cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente apenas para quitar a conta de juros. A revista ressalta que fechar esse déficit apenas com medidas de austeridade é uma tarefa improvável no atual contexto.
As causas da ‘brasileirização’
A publicação identifica uma combinação de fatores para explicar por que os juros permanecem em patamares tão elevados no Brasil. A fragilidade de instituições financeiras, a volatilidade histórica da inflação e a trajetória preocupante do orçamento federal compõem o diagnóstico. O gasto com previdência, que consome 20% do PIB, recebe atenção especial.
A revista cita os Estados Unidos como um exemplo de país que deve temer o fenômeno da ‘brasileirização’. A The Economist observa que as instituições americanas, como o Federal Reserve (Fed), sofrem pressões constantes que podem comprometer a estabilidade fiscal. O artigo sugere que os dilemas orçamentários atuais parecerão simples caso os juros subam e as potências precisem escolher entre cortes severos ou o endividamento extremo.
O texto encerra com um alerta sobre o custo do populismo. Para a revista, prometer inflação baixa sem reduzir os gastos com a previdência torna-se uma missão quase impossível. O Brasil enfrenta agora o que a publicação chama de “escolha angustiante”, um destino que as economias desenvolvidas devem evitar logo que os primeiros sinais de desequilíbrio fiscal surgirem em seus próprios orçamentos.
Novidade vai permitir o rastreio do dinheiro em múltiplas camadas; entenda
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
A partir desta segunda-feira (2), entra em vigor a obrigatoriedade de novas normas do Banco Central para o Pix, com o objetivo de frear a criminalidade financeira. A principal mudança foca no Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora permite o rastreio do dinheiro em múltiplas camadas.
Até então, o bloqueio era ineficaz se o golpista transferisse o valor rapidamente para outras contas; agora, o sistema consegue “perseguir” o montante em diferentes instituições até que ele seja localizado e bloqueado.
Atualmente, a taxa de recuperação de valores em casos de fraude é inferior a 10%, justamente pela velocidade com que os criminosos pulverizam o dinheiro em “contas laranjas”. Com a atualização, os bancos passam a ter ferramentas para alcançar os destinos subsequentes do recurso, aumentando as chances de estorno para a vítima.
Como funciona o fluxo do MED 2.0:
O processo de recuperação segue um rito rigoroso para garantir a segurança tanto da vítima quanto da análise bancária:
1. Notificação Imediata: A vítima deve registrar a contestação no aplicativo do banco no momento em que perceber o golpe. 2. Bloqueio em Camadas: O sistema rastreia o caminho do Pix e bloqueia o valor na conta onde ele estiver estacionado, mesmo que não seja a conta original do golpista. 3. Análise de 7 dias: A conta receptora fica sob investigação por uma semana. 4. Devolução do Recurso: Caso a fraude seja confirmada, o dinheiro é devolvido à conta de origem em até quatro dias úteis.
Apesar do avanço tecnológico, especialistas alertam que a rapidez da comunicação ainda é o fator determinante. Se o valor for convertido em criptoativos ou enviado para plataformas fora do sistema bancário tradicional, a recuperação torna-se quase impossível.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já sinalizou que apoia a medida, mas defende que o próximo passo deve ser o bloqueio de CPFs vinculados a contas fraudulentas para impedir a reincidência de “laranjas”.
O Banco Central (BC) promoveu ajustes na regulamentação dos Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI) que atuam no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). As mudanças alteram uma resolução editada em setembro de 2025, que trata do credenciamento e da atuação dessas empresas.
Segundo o BC, a iniciativa tem como objetivo aperfeiçoar dispositivos da norma vigente, tornando os requisitos mais completos, claros e objetivos. As alterações também tornam o processo de credenciamento mais rigoroso, alinhando as exigências aplicáveis aos PSTI às práticas já adotadas em outros segmentos regulados.
Principais mudanças da resolução
Capital social e patrimônio líquido
O Banco Central poderá exigir, a qualquer momento, valores de capital social e patrimônio líquido superiores aos apresentados no credenciamento inicial, reforçando a capacidade financeira dos provedores.
Requisitos de credenciamento
Houve ajustes nos critérios de reputação e capacidade técnica dos administradores, alinhados a outros setores regulados, além da inclusão de definições sobre controle acionário e de novos mecanismos de análise de conformidade.
Governança e gestão de riscos
A norma reforça as exigências de governança corporativa, controles internos e compliance, com obrigação de elaboração anual de relatórios e adoção de mecanismos de rastreabilidade.
Descredenciamento
Os procedimentos foram simplificados, tornando o processo mais objetivo e ágil em situações de descumprimento das regras.
Prestação de informações ao BC
Ampliação das obrigações de comunicação, incluindo alterações societárias e substituição de administradores.
Medidas cautelares
Inclusão de novas hipóteses que autorizam o BC a adotar medidas preventivas, como nos casos de ausência prolongada de diretor responsável.
Adaptação
O período para implementação das mudanças foi ampliado de quatro para oito meses, permitindo uma transição mais segura e previsível.
O Banco Central informou ainda que, durante o período de adequação, as instituições que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) por meio de PSTI continuam sujeitas ao limite de R$ 15 mil por transação via Pix e TED, conforme as Resoluções BCB 496 e 497, até que o credenciamento do provedor seja concluído.
Na avaliação do BC, o aprimoramento das regras fortalece a segurança, a eficiência e a transparência na atuação dos PSTI, contribuindo para um ambiente mais confiável, com redução de riscos operacionais e cibernéticos e maior estabilidade do sistema financeiro e de pagamentos do país.
Elo vulnerável
A decisão ocorre na mesma semana em que o Banco do Nordeste (BNB) foi alvo de um ataque hacker. O incidente levou a instituição a suspender o Pix, após o desvio de recursos de uma conta-bolsão, instrumento que reúne recursos de vários usuários em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares.
Desde o ano passado, ataques a prestadores de serviços terceirizados têm se tornado mais frequentes no sistema financeiro, por representarem um elo potencialmente mais vulnerável da cadeia tecnológica. Esse tipo de estratégia permite aos criminosos contornar camadas robustas de proteção dos grandes bancos ao explorar falhas em sistemas integrados.
O reforço na regulação ocorre em um contexto de aumento dos investimentos em cibersegurança por parte das instituições financeiras, impulsionado tanto pela digitalização dos serviços quanto pelo crescimento do Pix como principal meio de pagamento do país.
Destaque do dado divulgado pelo Banco Central, nesta sexta-feira, 30, é o aumento das despesas do governo federal sobre as receitas
Déficit fiscal do Brasil bate recorde em 2025 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Banco Central divulgou, nesta sexta-feira, 30, a evolução do déficit fiscal do Brasil em 2025, que ganhou destaque por causa do aumento das despesas do governo federal sobre as receitas.
O setor público consolidado, que abrange União, Estados, municípios e empresas estatais, apresentou déficit primário de mais de R$ 55 bilhões no ano. Este número representa 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O resultado negativo de 2025 ficou acima do registrado em 2024, quando o déficit primário foi de R$ 47,5 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB. Apesar disso, em dezembro de 2025, o setor público teve superávit de R$ 6,25 bilhões, conforme as Estatísticas Fiscais do Banco Central.
Perda primária e desempenho do governo
Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado
O conceito de déficit primário refere-se ao saldo negativo entre despesas e receitas do setor público, sem considerar o pagamento dos juros da dívida. O Governo Central teve déficit de R$ 58,7 bilhões em 2025, maior que os R$ 45,3 bilhões do ano anterior. Já o Tesouro Nacional apresentou um déficit de R$ 61,7 bilhões, diferença explicada por metodologias distintas.
O Tesouro atribuiu o aumento do déficit à elevação das despesas obrigatórias, como Previdência Social e BPC. Ainda assim, a arrecadação recorde em 2025 evitou um resultado mais negativo. Houve aumento real de 2,8% na receita líquida, ou R$ 64,3 bilhões, enquanto os gastos cresceram 3,4%, o que equivale a R$ 79,1 bilhões.
Governos estaduais e municipais ajudaram a conter o déficit com superávit de R$ 9,5 bilhões em 2025, acima dos R$ 5,9 bilhões registrados em 2024. Já as empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, tiveram déficit de R$ 5,9 milhões em agosto, mas o valor foi menor que os R$ 8,0 bilhões do ano anterior.
Juros da dívida e impacto no déficit nominal
Os gastos com juros atingiram R$ 1 trilhão em 2025, o maior valor já registrado. Em 2024, o montante foi de R$ 950,4 bilhões. O porcentual desses gastos em relação ao PIB caiu para 7,91% em 2025, ante 8,07% no ano anterior, em razão do crescimento mais acelerado do PIB nominal.
As variações nas despesas com juros costumam ser pequenas, pois são apropriadas mensalmente. O aumento da Selic, atualmente em 15% ao ano, também impactou esses custos. Segundo o BC, operações de swap cambial em 2025 geraram ganhos de R$ 105,9 bilhões, reduzindo a conta de juros, enquanto em 2024 houve perdas de R$ 115,9 bilhões.
Combinando resultado primário e despesas com juros, o déficit nominal das contas públicas subiu para R$ 1,062 trilhão em 2025, frente aos R$ 997,976 bilhões de 2024. Esse dado serve como referência para agências de risco e investidores ao avaliar o endividamento do país.
O Brasil registrou, no trimestre encerrado em dezembro, taxa de desocupação de 5,1%, a menor já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
Observando os dados consolidados de 2025, a taxa anual de desocupação ficou em 5,6%, também a menor já registrada. O número de ocupados chegou a 103 milhões.
O ano passado também registrou recorde na renda média mensal do trabalhador, que atingiu R$ 3.560, um aumento de 5,7% (ou R$ 192) na comparação com 2024.
O número de carteira assinada no ano também foi o mais alto já registrado: 38,9 milhões de pessoas, expansão de 1 milhão na comparação com o ano anterior.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Destaques de 2025
Na taxa anual, o Brasil registrou os seguintes contingentes:
Empregados da iniciativa privada sem carteira assinada: 13,8 milhões (queda de 0,8% ante 2024);
Trabalhadores domésticos: 5,7 milhões (-4,4%);
Conta própria: 26,1 milhões – o maior já registrado.
A taxa anual de informalidade passou de 39%, em 2024, para 38,1% em 2025. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, esse percentual é “valor relevante”, e reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro.
“A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo, devido à grande participação de trabalhadores no comércio e em segmentos de serviços mesmos complexos”, avalia.
Pnad
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
A maior taxa de desocupação já registrada na série iniciada em 2012 foi de 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
Caged
A Pnad é divulgada no dia seguinte a outro indicador de comportamento do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e que acompanha apenas o cenário de empregados com carteira assinada.
De acordo com o Caged, dezembro apresentou saldo negativo de 618 mil vagas formais. No entanto, no consolidado de 2025, o balanço ficou positivo em quase 1,28 milhões de postos com carteira assinada.
Desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,50, um recuo de 26,9%
Foto: Agência Petrobras
A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (26), uma redução de 5,2% no preço da gasolina A vendida às distribuidoras. Em nota, a empresa revelou que o novo valor passa a valer já a partir desta terça-feira (27).
A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e é misturado ao etanol pelas distribuidoras, sendo, posteriormente, vendido ao consumidor final através dos postos de combustíveis.
Com o novo valor, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14.
Em comunicado, a Petrobras informou que, desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,50, um recuo de 26,9%, já considerando a inflação do perído.
A última mudança no preço do combustível havia sido em 21 de outubro de 2025, quando ficou 4,9% mais barata.
Após um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pelas autoridades chinesas na sexta-feira (16) e confirmada nesta terça-feira (20) pelo Ministério da Agricultura brasileiro e por entidades do setor.
A suspensão da compra do produto havia sido imposta pelos chineses após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle no estado em julho de 2024.
A medida foi oficializada em comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático, que revogou um ato anterior baseado em análise de risco sanitário.
Em maio do ano passado, o estado registrou caso de gripe aviária numa granja no município de Montenegro. Um mês depois, o país foi confirmado livre da gripe aviária, após 28 dias sem registros. Em novembro de 2025, a China liberou as importações de frango dos demais estados brasileiros, mas manteve a proibição para o Rio Grande do Sul.
Impacto econômico
A ausência do mercado chinês afetou diretamente o desempenho das exportações gaúchas.Em 2024, o bloqueio contribuiu para a queda de cerca de 1% nas exportações de carne de frango do estado. Até antes do embargo, a China respondia por quase 6% dos embarques de frango do Rio Grande do Sul, com a restrição sendo parcialmente compensada pela venda a outros países.
Segundo o Ministério da Agricultura, a retomada das exportações foi possível após a comprovação das medidas de controle e erradicação da doença, em conformidade com os protocolos internacionais de saúde animal.
Retomada estratégica
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou que a reabertura do mercado chinês representa um passo relevante para a normalização dos fluxos comerciais.
“A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, destacou a entidade, em nota.
Segundo a ABPA, as negociações envolveram diálogo permanente com as autoridades chinesas. Nesse período, as entidades e o governo brasileiro enviaram informações detalhadas que comprovassem as ações de controle e erradicação e o alinhamento aos protocolos internacionais de saúde animal.
Entidades do setor destacam que a expectativa agora é de retomada gradual dos embarques, à medida que sistemas de habilitação sejam atualizados e os certificados sanitários liberados. A China é um dos principais destinos do frango brasileiro e considerada estratégica para o equilíbrio do comércio internacional da proteína animal.
O Brasil vendeu ao exterior, em 2025, 40,04 milhões de sacas de 60 quilos (kg) de café, uma queda de 20,8% em relação a 2024. No entanto, a receita da exportação do produto no ano passado bateu recorde: US$ 15,586 bilhões, um aumento de 24,1% na comparação com o ano anterior. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (19), são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A receita das vendas ao exterior registrada em 2025 é a maior desde 1990, quando a Cecafé iniciou o levantamento. As exportações brasileiras tiveram como destino 121 países.
De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o recorde é resultado do aumento do valor do produto em 2025 e de investimentos do setor em qualidade.
“Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, disse.
Tarifaço
De acordo com Ferreira, a diminuição no número de sacas exportadas já era aguardada em 2025 em razão do clima e dos embarques recordes registrados um ano antes, o que reduziu os estoques. “Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, explicou.
Também influenciaram o resultado, segundo ele, as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro.
“Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro – vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado –, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas”, destacou.
Principais destinos
Com a aquisição de 5,4 milhões de sacas, a Alemanha assumiu a liderança entre os maiores importadores dos cafés do Brasil no ano passado, apesar de o volume implicar queda de 28,8% das vendas ao país, na comparação com 2024. Esse montante representou 13,5% de todos os embarques brasileiros do produto em 2025.
Os Estados Unidos, usualmente líderes dessa classificação, desceram à segunda posição no ano passado, como reflexo do declínio observado no período de vigência do tarifaço. Os estadunidenses importaram 5,3 milhões de sacas em 2025 – 13,4% do total, com queda de 33,9% frente aos 12 meses de 2024.
Tipos de café
Nos 12 meses do ano passado, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com 32,3 milhões de sacas vendidas ao exterior. Esse volume equivale a 80,7% do total.
A espécie canéfora (conilon e robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,9 milhões de sacas (10% do total), seguida pelo setor de café solúvel, com 3,6 milhões de sacas (9,2%), e pelo segmento de café torrado e torrado e moído, com 58.474 sacas (0,1%).