A volta às aulas gera sempre custos para os pais ou responsáveis por estudantes com a aquisição dos itens do material escolar. Para aliviar o bolso, pechinchar é sempre uma boa opção. Na 15ª edição da Feira do Livro Usado é possível encontrar livros didáticos e paradidáticos com valores abaixo do preço em loja. As vendas acontecem no estacionamento da Prefeitura e seguem até o dia 25 de fevereiro.
Segundo Glauber Lira, coordenador da Feira, os pais ainda podem trocar os livros utilizados no ano letivo anterior.
“É uma boa oportunidade para aqueles que querem economizar com a aquisição de livros. São produtos conservados e em bom estado”, afirma.
Ainda segundo o coordenador, são aceitos pagamentos no dinheiro, modalidade pix e nos cartões de crédito e débito. No total, são 16 associados que comercializam os livros no espaço.
“O principal objetivo da Feira é oferecer a oportunidade de pagar mais barato, dando mais utilidade aos livros. A economia é de no mínimo 50%”, afirma Glauber Lira.
O prefeito Bruno Reis (DEM) confirmou na manhã desta quarta-feira (5) que a capital baiana não terá, pelo segundo ano consecutivo, a tradicional Lavagem do Bonfim. A medida, que já havia sido cogitada publicamente, foi anunciada durante uma agenda no bairro de Vila Canária.
De acordo com o chefe do Executivo municipal, a decisão foi tomada por segurança sanitária, diante do aumento significativo de casos da Covid-19 provocados pela variante ômicron e pela chegada do vírus da gripe H3N2.
“Essa foi uma decisão conjunta entre a prefeitura e a Basílica do Bonfim e, diante dessa transmissão que está ocorrendo, não podemos dar margem para contribuir para que nesses números possam aumentar ainda mais. Sendo assim, infelizmente, o dia da Lavagem do Bonfim será um dia normal na cidade, com a região da Cidade Baixa funcionando normalmente”, declarou Bruno Reis.
Ele ainda aproveitou para pedir a pessoas que desejam cumprir seus compromissos religiosos referentes à data, como a visita à basílica, possam fazê-lo em outros dias do ano, a fim de evitar aglomerações. “Tenho certeza que o Senhor do Bonfim vai abençoar do mesmo jeito”, disse o prefeito.
No dia 13, data oficial da celebração, a basílica Santuário Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, ficará fechada durante a manhã e a tarde. O abrirá apenas às 18h para a missa da novena, que terá início às 19h.
Pela manhã, às 10h, será iniciada uma transmissão virtual com uma homenagem póstuma aos mais de 620 mil mortos pela Covid-19 no Brasil, que vai ocorrer no monumento ao Cristo Ressuscitado, na praça do Bonfim.
Em seguida, às 10h30, o reitor da Basílica do Bonfim, padre Edson Menezes, transmitirá a tradicional mensagem e benção à população. As ações podem ser acompanhadas poe mrio do site santuariosenhordobonfim.com e redes sociais da Basílica.
Com o objetivo de resgatar e valorizar a cultura alimentar sertaneja afroindígena, a websérie gastronômica narra a trajetória dos preparos dos comerciantes e nativos que contribuem para o desenvolvimento e a valorização cultural alimentar de Feira de Santana-BA.
A idealizadora do projeto, Chef Monia da Hora, que atua há 20 anos no mercado, ressalta que os estabelecimentos e comunidades do projeto foram escolhidos fruto de um estudo que definiu o feijão tropeiro de “Roque do Feijão”, o tradicional doce de leite com sorvete, do Abrigo Predileto, e o Cantinho do Bode do Feira VI como essenciais no patrimônio gastronômico cultural do município. “O projeto destaca a riqueza cultural feirense através de diferentes comidas e conhecimentos adquiridos através da experiência gastronômica. É de grande importância para todos nós, feirenses, que muitas vezes não conhecemos e valorizamos a nossa cultura e culinária. Vamos, neste momento, possibilitar que os locais históricos de nossa gastronomia sejam eternizados em um conteúdo audiovisual”, diz a Chef Monia.
A web série do livro “Trilhado Sabores da Tradição”, está disponível no canal do YouTube “ONG Favela é Isso Aí” e pode ser acessado através deste link.
O projeto foi patrocinado com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, através da Mostra da Diversidade Cultural: Imagens da Cultura Popular, realizada pela Ong “Favela É Isso Aí”, Belgo Bekaert Arames e Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo e Governo Federal.
Administração Municipal entrou com ação liminar, mas pedido foi indeferido
A Prefeitura de Feira está devolvendo, nesta segunda-feira, 13, o saldo de cerca de R$ 160 mil (R$ 166.292,34) da Lei Aldir Blanc, que seria destinado a classe artística do município. Isso porquê a Câmara Municipal não cumpriu o prazo para votar no projeto de lei que autorizaria o Executivo usar o recurso destinando-o aos segmentos cultural e artístico.
Vale salientar o esforço da administração municipal em entrar com uma ação liminar pedindo a prorrogação do prazo para executar o saldo restante. Porém, o pedido foi indeferido pelo juiz federal Alex Schramm de Rocha, da 2ª Vara Federal de Feira de Santana.
Diante da decisão, o Município está devolvendo hoje a quantia ao Fundo Estadual da Cultura. Em dólar esse valor corresponde a $ 28.218,69 (cotação/dia R$ 5,67). O secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Jairo Filho, salienta que o Município executou mais de 95% do total de R$ 3.789.947,60 (três milhões e setecentos e oitenta e nove mil e novecentos e quarenta e sete reais e sessenta centavos) da Lei Aldir Blanc.
Para pesquisadora, chave para entender os contrastes entre os dois países não está no tipo de colonização
Assim como muitos americanos, a historiadora Brodwyn Fischer não chegou a aprender muito sobre o Brasil quando estava na escola. O primeiro contato mais profundo veio no início da faculdade, 30 anos atrás e, desde então, ela não parou mais de pesquisar sobre a história brasileira.
“Uma das coisas que mais me fascinaram foi que começar a estudar história do Brasil me fez olhar diferente para a própria história dos Estados Unidos, porque os dois países têm muitas características básicas e estruturais, digamos assim, em comum.”
São dois países de dimensões continentais, ricos em recursos naturais, formados por populações originárias de três continentes, moldados pelo colonialismo e pela escravidão. No papel, Brasil e EUA são marcados por semelhanças – e, no entanto, tomaram caminhos completamente diferentes.
Há cerca de 10 anos Fischer explora essas questões com seus alunos em uma disciplina ministrada inicialmente na Universidade Northwestern e hoje na Universidade de Chicago, onde foi batizada de Brazil: Another American History (“Brasil: Outra História Americana”, em tradução literal).
Em 18 aulas, o programa é uma imersão na história brasileira, passando pelo período colonial e o regime escravista à industrialização e formação das grandes cidades. Entre as leituras obrigatórias há desde clássicos da literatura, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, até autores fundamentais para entender o Brasil, como Sérgio Buarque de Holanda (O Homem Cordial) e Celso Furtado (Formação Econômica do Brasil).
A BBC News Brasil conversou sobre alguns desses temas com a professora, que é Ph.D pela Universidade de Harvard e foi diretora do Centro de Estudos para a América Latina da Universidade de Chicago entre 2015 e 2020.
Disciplina aborda desde o período colonial até o Brasil moderno
Parecidos, mas tão diferentes
De forma geral, as comparações entre Brasil e Estados Unidos costumam ser permeadas por generalizações e exageros que colocam os dois países em polos opostos que muitas vezes não existem, avalia Fischer.
É o que a historiadora chama de “ideias hiper-reais” – algo que nunca existiu de fato, mas acaba sendo colocado no debate como a essência de um determinado conceito.
Uma dessas “ideias hiper-reais” seria justamente a razão que levou Brasil e EUA a se tornarem nações tão diferentes, apesar das semelhanças estruturais. No Brasil, muita gente reproduz a ideia de que a explicação está centrada no tipo de colonização a que os dois países foram submetidos – a portuguesa, implantada no Brasil, teria sido mais brutal e restritiva, enquanto a inglesa, levada aos EUA, teria dado aos americanos maior grau de liberdade, usado para desenvolver instituições e uma democracia mais sólidas. Uma divergência que teria selado o destino dos dois países.
“Acho que uma das coisas com as quais a gente se depara no Brasil, mesmo entre pessoas com maior escolaridade, é essa ‘ideia hiper-real’ do que são os Estados Unidos. (A questão da colonização) é exatamente isso, mas os historiadores americanos não pensam mais dessa forma sobre sua história.”
O que explica então as diferenças tão profundas?
Para Fischer, uma das razões remonta ao século 19 e tem uma ligação estreita com “as relações entre indivíduos e os direitos de cidadania”.
Em ambos os países, ela diz, a escravidão foi brutal, “algo que, moralmente, não deveria ter sido institucionalizado”. O Brasil, contudo, viveu uma situação particular depois de 1831, quando o tráfico de escravizados foi proibido por lei – mas não acabou na prática.
“A partir daí, a elite e o Estado passam a conspirar para que a escravidão continuasse, ainda que ilegalmente. Entre 1831 e 1850 (ano da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, que reafirmava a proibição ao tráfico), algo entre 700 mil e 800 mil pessoas foram trazidas ilegalmente para o Brasil para serem escravizadas. E toda a estrutura do Estado durante esses anos foi desenvolvida para ajudar as pessoas a contornar a lei.”
“Acho que essa é uma diferença fundamental. Nos Estados Unidos, nós tendemos a legalizar as brutalidades. Tornamos legal a possibilidade de que as pessoas andem armadas na rua, por exemplo. Então muitas das coisas que aparecem nos dois países acontecem dentro da lei nos EUA e fora da lei no Brasil”, acrescenta.
“Acredito que isso, de diversas formas, ajudou a moldar a maneira como o país opera. Um dos pontos que argumento é que o poder informal se desenvolveu muito cedo no Brasil, para preservar a ‘casa grande’ (termo usado para se referir aos grandes proprietários rurais do Brasil colonial), de forma que muita gente simplesmente não tem acesso a direitos políticos e civis básicos ou tem acesso limitado a direitos econômicos e sociais, quando estes entram em cena.”
Sem esses direitos básicos, a forma como essas pessoas que estão fora do círculo das elites têm acesso ao poder, por sua vez, é fora da estrutura do Estado e da lei. “E acho que o fato de que isso absorve uma fatia tão relevante das relações de poder no Brasil, em comparação ao que tradicionalmente se viu nos EUA, explica boa parte das divergências entre os dois países”, conclui a professora.
Algumas dessas ideias estão na tese de doutorado de Fischer, resultado de uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro, que ganhou no ano 2000 o Harvard University Gross Prize como melhor dissertação em História. O trabalho virou livro em 2010, publicado pela Stanford Press University e intitulado A Poverty of Rights: Citizenship and Inequality in Twentieth-Century Rio de Janeiro(“Pobreza de Direitos: Cidadania e Desigualdade no Rio de Janeiro do Século 20”, em tradução literal).
Relações informais de poder ajudaram a moldar o Brasil, diz Fischer
O jeitinho brasileiro
Uma das ferramentas em um país em que o poder informal tem muita relevância é justamente o “jeitinho brasileiro”, que se relaciona com o conceito do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, que está na bibliografia do curso ensinado por Fischer.
Na visão da historiadora, contudo, o “jeitinho” é outra “ideia hiper-real”, uma espécie de exagero, na medida em que está longe de ser uma exclusividade do Brasil.
“Quando há estudantes brasileiros nas minhas aulas, eles são os primeiros a mencionar o ‘jeitinho’ e dizer: ‘Ah, nós somos bastante diferentes dos EUA!’. E aí o que eu tento fazer é mostrar as diversas maneiras pelas quais as pessoas nos Estados Unidos usam o ‘jeitinho’. Não chamamos de ‘jeitinho’, mas a ideia de alguém tentar contornar as normas que não lhe favorecem é universal.”
Fischer ilustra essa discussão com um comentário sobre o antropólogo Roberto da Matta, um dos “intérpretes do Brasil” mais lidos nos Estados Unidos, que chegou a escrever que o trânsito caótico no Brasil e o hábito dos motoristas brasileiros de “fechar” e “furar” são, em certa medida, reflexos do “jeitinho”.
“Ele morava numa cidade pequena em Indiana, onde viveu quando lecionava na [Universidade de] Notre Dame, e tinha essa ideia de que nos EUA as pessoas respeitam as leis de trânsito – mas, se você estiver em qualquer grande cidade, vai ver que isso não é verdade. As pessoas atravessam fora da faixa o tempo todo, estão quebrando regras, vendendo produtos ilegalmente na rua… Todas essas coisas acontecem em toda parte aqui, então é mais uma daquelas ‘ideias hiper-reais’.”
A diferença, ela diz, é muito mais uma questão sobre como um povo vê a si mesmo.
“Acho que tem a ver com a discussão sobre como a autopercepção de uma nação de fato acaba lhe dando forma. Se você é brasileiro, a ideia de que o ‘jeitinho’ está no centro do seu mundo o legitima e o transforma em algo que as pessoas estão dispostas a fazer com maior frequência.”
“Aqui nos EUA, a ideia ‘hiper-real’ do que nos tornava diferentes era a lei e a ordem, de que nós seguimos as regras. Não era verdade, mas era como pensávamos sobre nós mesmos. Acho que isso começa a se desintegrar – nos EUA, mais e mais pessoas não confiam nas leis e no Estado. Mais pessoas não acham que a melhor forma de resolver seus problemas é respeitando as normas. A ideia do ‘jeitinho’ aqui tem cada vez mais se tornado senso comum, na forma como o tem sido há tanto tempo no Brasil.”
Lavadeiras na cidade do Rio por volta de 1860: regime de escravidão no Brasil tinha níveis de mobilidade maiores que dos EUA
O contraste na questão racial
Uma das diferenças mais complexas entre Brasil e EUA se dá no campo das relações raciais, destaca a professora. Apesar de ambos os países terem instituído sistemas brutais de escravidão, o Brasil passou por um processo intenso de miscigenação entre brancos, negros e índios, que não se viu na mesma medida nos EUA.
Um dos fatores que ajudam a explicar os contrastes, diz a historiadora, é a própria demografia. O Brasil recebeu um volume muito maior de africanos escravizados, aproximadamente 5 milhões, ante cerca de 250 mil desembarcados nas 13 colônias que formariam os EUA, conforme a plataforma Slave Voyages, um grande banco de dados mantido por pesquisadores da Universidade de Emory, nos EUA.
Isso foi determinante para que o Brasil se tornasse um país de maioria negra, que hoje corresponde a cerca de 50% da população, conforme a classificação do IBGE que reúne quem se declarou preto ou pardo no Censo de 2010. Nos EUA, ainda que haja regiões no sul em que a população negra seja predominante, no país como um todo ela é minoria – algo entre 12% e 13% do total, atualmente.
“Acho que isso às vezes é minimizado”, diz a professora, que se prepara para lançar o livro The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil (“Os Limites da Liberdade: Escravidão, Abolição e a Construção do Brasil Moderno”, em tradução livre) em coautoria com a historiadora brasileira Keila Grinberg. Prevista para 2022, a obra é editada pela Cambridge University Press.
Com uma proporção elevada de pessoas escravizadas, foram diferentes os mecanismos de controle social colocados em prática no Brasil para manter o sistema escravista vivo durante três séculos. Ainda que fosse brutal e violento, ele incorporou, por exemplo, o instrumento das alforrias. Menos recorrentes nos EUA, aqui elas foram mais largamente utilizadas, concedidas não apenas pelos “senhores de escravos”, mas compradas pelos próprios escravizados, por organizações abolicionistas e de caridade.
Outra diferença importante e que teria reflexos profundos na formação das relações raciais no Brasil foi a relativa mobilidade que corria em paralelo à lógica de violência e sujeição que marcou o regime escravista.
No Brasil, um escravizado poderia passar a vida cortando cana-de-açúcar e ver seu filho trabalhando como escravo doméstico, exemplifica a historiadora. Ela lembra as obras do pintor francês Jean-Baptiste Debret, que chegou a retratar uma espécie de “hierarquia” entre os escravizados que viviam no ambiente urbano.
Além dos escravizados que se dedicavam aos afazeres domésticos na casa de seus “senhores”, havia, por exemplo, os escravos de ganho, que trabalhavam fora – como vendedores ambulantes ou prestando serviços a terceiros – e repassavam parte do que auferiam a seus proprietários. Pesquisas como a da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora de História das Américas na Universidade Federal Fluminense (UFF), apontam ainda que, no Rio de Janeiro do século 19, alguns escravizados chegavam a morar fora da casa dos “senhores”, em cortiços e imóveis alugados.
“Essa foi uma dimensão importante. Era um certo nível de mobilidade que poderia ser conquistado sem um confronto aberto à instituição da escravidão”, pontua Fischer.
Nos EUA, especialmente nas colônias do sul, essa mobilidade era praticamente inexistente e as tensões sociais, muitas vezes mais visíveis.
“A polarização era tão grande que não havia muita alternativa a não ser criar grupos de solidariedade e eventualmente movimentos pelos direitos civis.”
O caso da miscigenação à brasileira
Os EUA implementaram uma série de normas e leis racistas que desencorajavam a miscigenação. O casamento interracial, por exemplo, foi proibido em diversas partes do país até 1967, quando uma lei do Estado da Virginia foi derrubada na Suprema Corte.
Outro exemplo prático foi a chamada “one drop rule” (“regra de uma gota”, em tradução literal), adotada em vários Estados: independentemente do fenótipo, um indivíduo com qualquer antepassado de origem africana era classificado como negro, com todas as implicações legais que isso acarretava no país. Nenhum outro grupo étnico era identificado dessa forma.
Já no Brasil, a miscigenação muitas vezes foi vista como instrumento de mobilidade social – e, nesse sentido, é fundamental para entender a forma particular de racismo que se desenvolveu aqui, que se manifesta muitas vezes de forma velada.
“Faço muita pesquisa com ações judiciais do século 19, e essa é uma das coisas mais dolorosas com as quais tenho que trabalhar como historiadora”, comenta Fischer.
“Nesses processos você consegue ver todo tipo de estratégia que as pessoas usavam para tentar melhorar um pouco suas vidas. E uma das coisas que se pode observar são pessoas que tentavam clarear a pele dos filhos. Elas querem que os filhos sejam chamados de pardos, alguns querem que eles sejam reconhecidos como brancos na certidão de nascimento. Há uma espécie de racismo internalizado, que funciona de forma parecida com a da mobilidade dentro do sistema escravista, de forma que não se confronta o racismo como sistema.”
“Então você pode ir de negro, a pardo e branco, e o racismo ainda está completamente colocado – está sendo reforçado, na verdade.”
Essas dinâmicas, completamente diferentes do racismo institucionalizado que se via em países como EUA e África do Sul, culminam na “democracia racial”, a ideia de que não havia discriminação racial no Brasil, disseminada por teóricos como o sociólogo Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala, obra que reforça essa visão.
A historiadora comenta que a “ilusão” da democracia racial aparece inclusive na imprensa negra americana, em artigos de jornais como o Chicago Defender, que ela apresenta aos alunos no curso.
Jornalistas e sociólogos como W. E. B. Du Bois, ativista pelos direitos civis, vieram ao país no início do século 20, após a visita do presidente americano Theodore Roosevelt, e chegaram a escrever que o Brasil seria um exemplo a ser seguido no contexto das relações raciais.
“Você vê negros americanos dizendo: ‘Olha, eu fui lá e vi médicos negros, políticos, Machado de Assis, um grande escritor negro… O que eles não percebem é que essas pessoas não necessariamente são vistas como negras.”
“E isso foi muito antes de a ideia da democracia racial emergir mais formalmente no Brasil nos anos 1940.”
Esse conceito seria desmistificado por intelectuais brasileiros como Abdias do Nascimento, ativista pelo direitos dos negros e que também faz parte da bibliografia do curso de Fischer, com a obra Brazil: Mixture or Massacre (“Brasil: Mistura ou Massacre” em tradução livre).
De volta à questão do poder informal, a historiadora argumenta que ele é chave para entender o racismo no Brasil e é um dos instrumentos usados até hoje para reforçá-lo.
“Nos Estados Unidos, essa questão (sobre como o racismo é reforçado) tem um pouco mais a ver com o fato de que as instituições são abertamente e claramente racistas em suas práticas. É uma comparação interessante, porque, no fim do dia, se você é negro e pobre no Brasil, é baixa a probabilidade que você tenha acesso a direitos, e o mesmo vale para os EUA. Existe uma semelhança em relação aos resultados, mas os caminhos para se chegar a eles são bem diferentes – e tentar entender isso pode trazer benefícios para os dois países”.
dia de Santa Bárbara foi marcado por fé e devoção neste sábado, 4. No início da manhã, centenas de devotos homenagearam a protetora dos relâmpagos e tempestades com missa realizada na Paróquia Senhor dos Passos. Em seguida, os católicos e adeptos da religião de matriz africana degustaram do tradicional caruru, servido gratuitamente no Restaurante Popular do Centro de Abastecimento, em Feira de Santana – a Santa é padroeira dos comerciantes do entreposto.
Foram servidos 3 mil pratos de caruru. Alguns até repetiram, sinal do quanto a refeição estava saborosa. A iniciativa é uma parceria entre a Prefeitura de Feira e a JS Refeições, empresa que gerencia o Restaurante Popular.
No altar, montado no mercado de cereais no Centro de Abastecimento, a presença de devotos e admiradores da Santa foi constante durante o dia. Orações e pedidos eram feitos a todo momento.
Devota de Santa Bárbara, a dona de casa Maria Jaciene de Jesus não poderia deixar de celebrar o dia. Ela saiu do bairro Alto do Papagaio, onde mora, até o Centro de Abastecimento, só para comer o tradicional caruru.
“Já fiz minhas orações e pedidos antes da refeição. Estou muito feliz, é uma benção esse caruru, muito bom. Agradeço a Deus por ser devota de Santa Bárbara”, afirma.
O diretor do Centro de Abastecimento, Cristiano Gonçalves, diz que este ano, devido a pandemia, não foi possível promover a parte festiva da celebração, com o samba de roda das baianas. Servir o caruru é tradição antiga do entreposto, desde quando funcionava onde atualmente é o Mercado de Arte Popular.
“Mesmo com a pandemia estamos mantendo essa tradição, seguindo os protocolos de segurança para reduzir os riscos de transmissão da Covid. Não podemos ter a festa com o desfile e o samba de roda com as baianas, mas fizemos o que foi possível”, explica.
Segundo o diácono Gilberto Santana, Santa Bárbara era uma jovem que foi consagrada pela Igreja Católica por martírio. No Brasil, na época da escravidão, era tida como a orixá Iansã, no sincretismo religioso.
“Santa Bárbara foi morta pelo próprio pai, por professar a fé em Cristo. Na época, o cristianismo era proibido. Então seu pai, ao matá-la, também foi morto atingido por um rádio. Por isso é considerada protetora dos relâmpagos e trovões”, explica o diácono.
Atividades artísticas, exposição de moda e uma feira com diversos serviços oferecidos por afroempreendedores serão levados para o conjunto Feira X, neste domingo, 5, às 9h, na primeira edição do Circuito Moviafro 2021. O evento tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Ainda no domingo terá mais uma edição do projeto “Arte na Avenida”, no canteiro central da avenida Getúlio Vargas, nas imediações entre as ruas Frei Aureliano e São Domingos. No espaço, os visitantes podem encontrar desde artesanatos, plantas, telas, objetos de decoração a obras literárias, antiguidades e artes visuais. No geral, os preços são acessíveis e não tem custo para os pequenos empreendedores.
Final do campeonato de bicicross
O secretário da pasta, Jairo Carneiro Filho, ainda informa que neste final de semana, o município vai sediar a terceira e última etapa do Campeonato Baiano de Bicicross. O evento que acontece também no domingo, 5, na Pista Municipal de Bicircross Edmundo Araújo, bairro Morada das Árvores, tem o apoio da Prefeitura de Feira.
Estão sendo esperados 109 atletas dos municípios de Camaçari, Pojuca, Dias D’Ávila, Salvador, Lauro de Freitas, Itaberaba, Paulo Afonso e Feira de Santana. A realização é da Associação Feirense de Bicicross, com a supervisão da Federação Baiana de Bicicross.
Em tamanhos e preços variados, elas encantam e chamam atenção pelas cores e formatos. Entre esta quinta-feira, 25, e o dia 5 de dezembro, mais de 200 espécies de flores e plantas estarão expostas e à venda na VIII Feira em Flores de Holambra, que está sendo realizada no estacionamento em frente ao Paço Municipal Maria Quitéria, na avenida Getúlio Vargas.
São roseiras, palmeiras, orquídeas, begônias, violetas, suculentas, samambaias, além de mudas frutíferas e bonsais. Entre as mais caras está a orquídea aérea que custa R$ 250. Os cactos em tamanho menor saem a R$ 7,50. A ‘dinheiro em penca’ por R$ 29,50 e violeta R$ 7,50. Já a ‘avenca’ está por R$ 36.
Entre as espécies frutíferas encontra-se goiabeira, jabuticabeira, figueira, parreira, além de mudas de romã e acerola. Os valores são a partir de R$ 39.90 a R$ 60, a depender do tamanho. Os clientes podem adquirir pagando à vista ou no cartão de crédito. A partir de R$ 100 pode ser feito o parcelamento.
Segundo um dos voluntários e organizadores da Feira de Flores, Patrício Barreiros, está previsto chegar, na próxima semana, mais espécies de plantas e flores. O evento em Feira de Santana é promovido pelo Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (Cebuv).
Estão abertas as inscrições para os cursos de violino, violão, teclado e teatro infantil do programa Arte Viver, oferecido pela Fundação Municipal de Tecnologia da Informação, Telecomunicação e Cultura Egberto Tavares Costa (Funtitec). As vagas são limitadas e destinadas a pessoas de qualquer faixa etária, a partir de 4 anos de idade.
Para se inscrever, os interessados devem comparecer aos locais que realizam as aulas e apresentar documento de identidade, CPF, comprovante de residência. Quando menor de idade, os pais ou responsáveis devem realizar a inscrição.
As aulas acontecem de segunda a sexta-feira, nos turnos matutino e vespertino, no Centro de Convivência para Idosos Dona Zazinha Cerqueira, no Centro Municipal de Formação Profissional Juiz Walter Ribeiro Costa Júnior, nos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) localizados nos bairros Conceição, Cidade Nova, Pampalona, Rua Nova, Jardim Acácia, Feira VII, Aviário e Baraúnas. Além das escolas municipais Eli Queiroz (Gabriela), Santo Expedito (Lagoa Subaé) e Associação São Brás, que também sediam aulas do programa.
Neste ano o programa renovou e realizou a inscrição de 1.607 alunos em menos de um mês. Segundo Luiz Augusto, diretor de atividades culturais da Funtitec, a expectativa é alcançar 2 mil inscrições.
“Estão sendo seguidas todas as medidas preventivas contra Covid. Existe um número máximo de alunos na sala, com afastamento de dois metros entre eles, além do uso obrigatório de máscara’’, afirma.
Inovador, educativo e interativo, o Centro de Entretenimento Familiar será inaugurado no Shopping Paralela, em dezembro
Pode avisar toda a família! A Turminha mais amada do Brasil desembarca em
Salvador para uma atração fixa e inédita na cidade, inspirada no universo das histórias em quadrinhos de Mauricio de Sousa. Prevista para ser inaugurada em dezembro, a Estação Turma da Mônica (ETM)é o novo parque temático do Shopping Paralela, localizado na região central da capital baiana.
Com 1.400 m² e 12 atrações, que levarão as crianças a uma viagem inesquecível ao lado de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e toda turma, a ETM Salvador contemplará também uma loja exclusiva, em que será possível adquirir produtos oficiais da marca, um salão de festas para eventos sociais e um café tematizado. O Centro ainda foi projetado com base na acessibilidade arquitetônica para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, com rampas de acesso, espaço para cadeirantes nas principais atrações e elevadores, por exemplo.
Idealizada pela Mauricio de Sousa AO VIVO, divisão de liveexperience do Grupo Mauricio de Sousa Produções, a Estação da Turma da Mônica é considerada um Centro de Entretenimento Familiar ou FEC (FamilyEntertainment Center), que, além de contar com estrutura completa de lazer e conforto para os visitantes, foi pensada para atender o mercado de shoppings centers, baseada no conceito interativo e educativo.
Este será o quinto empreendimento da marca no Brasil, que faz parte do projeto de expansão para as principais macrorregiões do país sob a direção do Grupo Bittencourt, empresa responsável pela gestão de expansão de redes de negócios. As outras quatro unidades já em operação, sob a gestão da ETM Brasil, estão localizadas em Goiânia/GO, Olinda/PE, Rio de Janeiro/RJ e João Pessoa/PB.
“O projeto da Estação Turma da Mônica prevê a implantação de dezenas de unidades no Brasil. Por suas características, trata-se de um modelo bastante eficiente e replicável, ideal para proporcionar a expansão do liveexperience, por meio de projetos educativos e de entretenimento com a Turma da Mônica dentro e fora do Brasil. Estamos muito animados com a nova unidade em Salvador, pois acreditamos no potencial de adesão e aceitação do negócio com público local”, explica Mauro Sousa, diretor da Mauricio de Sousa AO VIVO.
Para Regis Braga, investidor da ETM Salvador, o projeto é uma grande oportunidade para atender a demanda de entretenimento da capital baiana, mas também do interior do Estado com uma atração voltada para turista e moradores da região. “A decisão de inaugurar uma Estação Turma da Mônica neste momento levou em consideração o momento de retomada do setor de lazer e turismo da região. Com maior controle da pandemia, podemos proporcionar novas experiências às famílias. Por isso nossa expectativa é receber 15 mil pessoas por mês assim que inaugurarmos”, comenta Braga.
Além da diversão, Regis ressalta a importância do negócio dentro do contexto econômico local. “Com a nova Estação Turma da Mônica, devemos gerar dezenas de empregos diretos entre as fases de construção final e operação”, completa.
Cuidados com a segurança
A Estação Turma da Mônica em Salvador irá operarcom todas as normas necessárias para segurança e higiene das famílias, como totens de álcool gel, uso obrigatório da máscara, distanciamento em todas as atrações, equipe especializada na higienização dos brinquedos a cada rodada, além da capacidade limitada para o momento.
Atrações
Terminal do Limoeiro: Um trem, com uma locomotiva e dois vagões, garante um circuito divertido por trilho circular e túnel iluminado. A atração atende à lei da acessibilidade: crianças com mobilidade reduzida ou deficiência, desde que acompanhadas por um responsável, podem se divertir à vontade.
Pé de Diversão: Árvore cenográfica com 5 faces de tronco, cada face com uma tela touch screen com jogos da Turminha. Uma das faces tem altura adequada ao acesso do cadeirante.
Casa na Árvore: Uma atração que leva o visitante para a sonhada casa na árvore, com piso elevado sustentado por árvore cenográfica, como apoio central, subida por escada ou túnel vertical, com tubofones, lunetas, espelhos mágicos, e descida por escorrega rotomoldado e tubo de descida. Sob o piso superior cordas navais servem de trepa-trepa. Tubofones estão posicionados para permitir a interação do cadeirante com quem estiver na casa.
Brincando de Engenheiro: Atração contempla circuitos com pontes e túneis verticais. Estes circuitos estão distribuídos em dois andares, com acesso por escada. Elementos da construção civil, como tijolinhos e sacos de cimentos, feitos de material macio e seguro, como borrachas e espuma, serão manipulados pelos visitantes para construir o que a sua imaginação permitir. A interação do cadeirante é garantida no piso térreo, com seu acesso aos elementos de montar.
Tobogã: Um grande escorregador com faixas coloridas. Atende à lei da acessibilidade: visitantes com mobilidade reduzida ou determinadas deficiências, desde que acompanhadas por responsável, podem se divertir à vontade.
Atelier da Marina: Atração que estimula a criatividade da criança. Nela, as crianças desenvolverão atividades artísticas, desenhando e colorindo ilustrações da Turminha, além de dispor de duas cabines com aplicativos. Um grande mural servirá de exposição para as artes dos pequenos. A interação do cadeirante é garantida com áreas adequadas, tanto na mesa de desenho quanto nas cabines de fotos.
Vila da Mônica, com as casas da Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão: Ponto de encontro no qual estão às casas da Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha. Cada casinha tem na parede, como interatividade, um quebra-cabeça – triedro. Janelas laterais permitem contato visual entre todos os usuários, além da integração dos espaços externo e interno. Do lado de fora estão às esculturas dos personagens, sendo um ótimo ponto de foto e de estímulo à prática de brincadeiras lúdicas, onde a criança pode criar sua própria brincadeira e interagir sem regras.
Fofolândia: Ambiente fofinho criado com elementos macios ao toque, próprios para brincadeiras divertidas e seguras, que proporcionarão bons momentos entre a criança e sua família.
Fórmula Zoom: Uma corrida de carrinhos que acontece numa pista plana e segura, onde o carrinho será impulsionado pela energia do condutor!
A Hora do Jogo: A atração mais tecnológica da Estação, com jogos eletrônicos superdivertidos do Limoeiro.
Escalada: Aqui também é um lugar para esportes radicais. Em estrutura com painel de escalada, doisescaladores podem se divertir simultaneamente subindo a parede com toda segurança e diversão.
Empresa do Grupo Mauricio de Sousa, que tem como missão transformar as histórias dos quadrinhos em experiências AO VIVO de forma lúdica, educativa e cultural. Parques, centros de entretenimento familiar (FEC), espetáculos musicais, eventos corporativos, culturais, esportivos, espaços temáticos interativos para shoppings e feiras de negócios; licenciamento de áreas temáticas em parque aquático, hotéis e restaurante; palestras e sessões de autógrafos com Mauro Sousa e Meet & Greet com personagens de Mauricio de Sousa são as principais frentes de negócios da empresa.