ÚLTIMAS NOTÍCIAS

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) decretou situação de emergência em 21 municípios baianos atingidos pelas fortes chuvas dos últimos dias. O decreto, que foi publicado na edição deste sábado (3) do Diário Oficial do Estado, entra em vigor imediatamente e vale por 180 dias a partir da data de publicação.

As cidades contempladas são: Anagé, Cansanção, Cícero Dantas, Contendas do Sincorá, Cotegipe, Cravolândia, Dário Meira, Ibicuí, Iguaí, Itaju do Colônia, Lagoa Real, Medeiros Neto, Monte Santo, Muquém de São Francisco, Mutuípe, Nova Canaã, Quijingue, São Miguel das Matas, Saúbara, Ubaíra e Wanderley.

*Bahia.ba
Foto: Joá Souza/GOVBA


A pousada responsável por realizar a celebração iniciou uma obra de expansão pelo local que descumpre a Constituição do Estado nordestino

Casamento paradisíaca
A lei garante à população o livre acesso às praias | Foto: Reprodução/Twitter/X

Um casal de Brasília escolheu uma praia paradisíaca na Península de Maraú, no sul da Bahia, para realizar seu casamento neste sábado, 3. No entanto, a festa chamou a atenção do Ministério Público Federal (MPF) pela invasão de área pública. 

Para realizar a celebração, a Pousada Barrabella iniciou uma obra de expansão pela praia. A construção descumpre a constituição do Estado da Bahia. 

A lei garante à população o livre acesso às praias. Por causa disso, não pode haver nenhuma obra particular na faixa de, no mínimo, 60 metros do mar. 

O estabelecimento, que cobra R$ 800 pela diária, contudo, passou do limite permitido por lei. O estabelecimento deixou apenas 31 metros até o mar. 

De acordo com reportagem do site Metrópoles, a pousada é da família da noiva. Os proprietários têm entrado em confronto com a população da vila de pescadores e marisqueiros.

MPF recomendou a suspensão do alvará da pousada 

O MPF recomendou, no último dia 30, a suspensão do alvará do estabelecimento em três dias úteis. A recomendação foi feita ao governo municipal, ou seja, à Prefeitura de Maraú. No caso de a obra ter sido concluída, a orientação é que a área seja interditada. 

O MPF também orienta para que sejam adotadas providências para restabelecer a liberação da faixa de praia no local, conforme consta em lei. 

Península de Maraú
A determinação recomenda ainda que a pousada não utilize o local, mesmo que já tenha concluído a obra | Foto: Reprodução/Twitter/X

A determinação recomenda ainda que a pousada não utilize o local, mesmo que já tenha concluído a obra.

O estabelecimento conta com suítes e bangalôs para a hospedagem. O local também tem piscina, spa com uma sala climatizada para massagens, sauna, espaço de hidromassagem com vista panorâmica para o mar. Também tem academia, biblioteca, restaurante, lounge e quadra de areia para esportes.

Informações Revista Oeste


O deputado federal João Leão (PP) voltou a criticar a gestão da prefeita da cidade de Freitas, Moema Gramacho (PT), que deixará o comando do município em 2025. Para o ex-governador, “está tudo errado” com as ações e o modelo de governo de Moema. Leão ainda subiu o tom e disse que a “mamata” da prefeita está terminando.

“Se ela quiser, eu sento com ela para dizer o que ela precisa fazer. Nós, do grupo de oposição, estamos fazendo reuniões, Moema Gramacho tem mais candidatos que nós, nós temos seis. Nós queremos ter uma unidade, em torno de um nome só, para bater testa. Eu estou querendo ser o maestro desse grupo. Nós temos um grupo de trabalho alegre e feliz”, disse em entrevista ao podcast In Off Cast.

“A partir de janeiro de 2025, vai entrar um novo grupo querendo fazer boas ações em Lauro de Freitas. Tapar os buracos, recapear a cidade toda, duplicar uma série de vias, acabar os problemas daquele trânsito maluco. Melhorar a saúde e a educação. Enfim, tomar uma série de medidas”, completou o parlamentar que já foi prefeito da cidade da Região Metropolitana.

*Bahia.ba
Foto: Diogo Costa/ In Off Cast


O Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen) identificou duas sublinhagens da variante Ômicron, que causa a Covid-19, em circulação em Feira de Santana, Salvador e outros municípios da Bahia, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), nesta sexta-feira (2).

As amostras das cepas JN.1 e JN.1.1 foram coletadas entre 24 de dezembro de 2023 e 11 de janeiro de 2024.

A JN é considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma “variante de interesse”, isto é, se em comparação com a variante original, seu genoma possuir mutações que mudem o fenótipo do vírus. É também uma variante de interesse se:
A variante tiver sido identificada como causadora de transmissão comunitária, de múltiplos casos ou de clusters (agrupamentos de casos) de Covid-19 ou tiver sido detectada em vários países;
A variante for de outra forma avaliada como de interesse pela OMS em consulta com o Grupo de Trabalho de Evolução do Vírus SARS-CoV-2.

Os materiais que continham as subvariantes foram identificados nos seguintes municípios:

Adustina
Alagoinhas
Amélia Rodrigues
Barrocas
Camaçari
Catu
Conceição da Feira
Conceição do Coité
Feira de Santana
Paripiranga
Piatã
Pintadas
Pojuca
Salvador
Santa Bárbara
Santo Antônio de Jesus
Vitória da Conquista

A Sesab recomenda que os municípios em que as cepas foram identificadas intensifiquem a vacinação contra a Covid-19. Roberta Santana, secretária da Saúde do Estado, fez uma alerta para que a população mantenha o esquema vacinal atualizado por causa das grandes aglomerações nas festas de verão.
Ainda segundo a chefe da pasta estadual, a Sesab, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, desenvolve desde o dia 17 de janeiro, uma ação de vacinação no período pré-carnavalesco que busca intensificar a imunização com a vacina bivalente. Do início da ação até quinta-feira (1), foram aplicadas 8.233 doses.
Durante a ação pré-carnaval, a vacina é ofertada para todos os indivíduos com 12 anos ou mais.
Atualmente a cobertura da vacina Bivalente na Bahia está em 15,05%. O imunizante é destinado para para pessoas com 60 anos ou mais e imunocomprometidos acima de 12 anos de idade que tenham recebido a última dose do imunizante há mais de 6 meses.

*g1


Nesta sexta-feira, a Festa da Purificação chega ao seu grandioso encerramento, estabelecendo um recorde de público que marcará a memória dos participantes. Com uma mega estrutura de dois palcos, a Prefeitura da cidade proporcionou mais de 50 atrações e diversas manifestações culturais ao longo dos dias de celebração, que tiveram início em 26 de janeiro.

Da abertura até hoje, a cidade, que é o brinco do recôncavo baiano, recebeu milhares de foliões e turistas que lotaram os hotéis e pousadas, além de garantir uma grande movimentação econômica gerando emprego e renda para diversas famílias no município.

O ápice do evento ocorreu no último domingo, com a realização da tradicional lavagem da purificação, destacando-se pela participação entusiasmada de Maria Bethânia, filha ilustre da terra, da ala de baianas e da animação de uma charanga. Turistas de diferentes partes do Brasil prestigiaram o acontecimento, reforçando a identidade de Santo Amaro a como ponto de encontro multicultural.

A prefeita Alessandra Gomes expressou sua satisfação com o sucesso da festividade. “Estamos encerrando a Festa da Purificação com grande alegria e satisfação. A resposta calorosa do público e a diversidade de atrações mostram o êxito desse evento, que valoriza a cultura e reforça a importância histórica e o potencial turístico de nossa cidade.”

Quem também atestou o sucesso do evento foi o turista Roberto Santos, de São Paulo, que participou pela primeira vez e expressou sua satisfação: “A festa é incrível, com uma energia única. Com certeza, voltarei nos próximos anos para reviver essa experiência cultural maravilhosa.”

O evento, coordenado pela Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, contou com o patrocínio do Governo do Estado e da Bahia Gás, além do apoio fundamental de diversas empresas.

Assim, a Festa da Purificação deixa um legado de alegria, cultura e intercâmbio turístico, consolidando-se como um dos eventos pré-carnavalesco mais marcantes do interior da Bahia.

Programação:

Hoje, durante o encerramento da festa, a programação conta com procissão e shows de Timbalada, Toque Dez, Padre Jaciel, Los Outros Bainos, show pirotécnico e muito mais.


Na primeira sessão da gestão da desembargadora Cynthia Maria Pina Resende como presidente, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) escolheu, na manhã desta sexta-feira (2), os integrantes eleitos para compor o Órgão Especial, que será responsável pelo julgamento de pautas judicantes, enquanto o pleno ficará com demandas administrativas. No total, serão 25 integrantes, 13 por antiguidade e 12 por meio de eleição.

Foram escolhidos, nesta sexta, membros pela classe do Ministério Público (MP-BA) e da magistratura:
José Edivaldo Rocha Rotondano (classe do MP);
João Augusto Alves (magistratura);
Dinalva Gomes Laranjeira Pimentel (magistratura);
Baltazar Miranda Saraiva (magistratura);
Mário Albiani Jr. (magistratura);
Rolemberg José Araújo Costa (magistratura);
Josevando Souza Andrade (magistratura).

Os desembargadores se juntam às demais vagas já ocupadas, pois o presidente, vice-presidentes e corregedores deverão fazer parte do colegiado. Para o biênio 2024-2026, o TJ-BA elegeu a desembargadora Cynthia Maria Pina Resende como presidente. A nova mesa diretora ainda tem os desembargadores João Bosco de Oliveira Seixas (1º vice-presidente), José Alfredo Cerqueira da Silva (2º vice-presidente), Roberto Maynard Frank (corregedor-geral de Justiça) e Pilar Célia Tobio de Claro (corregedora das Comarcas do Interior).

O órgão ainda é composto por outros 13 vagas, preenchidas pelo critério de antiguidade.

*Bahia Notícias


Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias

Milhares de soteropolitanos e turistas se reúnem nas imediações da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, em Salvador, nesta sexta-feira (2) para as celebrações da Festa de Iemanjá.

O festejo a Rainha do Mar é um dos mais tradicionais da Bahia. Assim como ocorre em outras festas populares na capital baiana, casas de eventos e bares que ficam nos arredores das comemorações promovem festas particulares que simbolizam o “sagrado e o profano”.

Em 2024, a tradição que é um marco do Rio Vermelho completa 101 anos. Todos os anos, milhares de pessoas vão até o local para homenagear a Rainha das Águas com flores, perfumes e outros adereços.

O presente principal é um dos destaques da festa. Colocado na Casa do Peso para que devotos possam colaborar com os balaios, que são levados até o mar para que possam ser despachados.

Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias

Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias

Foto: Anderson Ramos / Bahia Notícias

Informações Bahia Notícias


Fiscalização do órgão encontrou operários que não usavam proteção contra queda

Foto: Bruno Concha/Secom PMS

O Ministério do Trabalho interditou nesta quinta-feira (1°) o trabalho em altura na montagem da estrtutura construída pela Prefeitura de Salvador para os ambulantes no circuito Barra-Ondina durante o Carnaval de Salvador.

Segundo auditores fiscais do órgão, no local havia profissionais que não usavam equipamentos de proteção contra queda.

“As irregularidades dizem respeito ao descumprimento das Normas Regulamentadoras (NR) 18 e 35, que tratam sobre as condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção e os requisitos e as medidas de prevenção para o trabalho em altura, respectivamente”, informou o MT em nota. As informações são do portal g1.

Órgão determinou que:

A auditoria informou ainda que a empresa responsável pela instalação, após regularização dos problemas apontados, deve protocolar pedido de levantamento de interdição e, apenas após nova inspeção da Auditoria Fiscal do Trabalho, retomar as atividades.

Durante a interdição, só podem ser realizados serviços em altura com o intuito de regularização e que não impliquem em novos riscos para os trabalhadores.

O órgão informou ainda que as estruturas que já contam com guarda corpo completo não terão as atividades em altura paralisadas, por não ter sido constatado grave e iminente risco à integridade física dos trabalhadores.

A auditoria informou ainda que a empresa responsável pela instalação, após regularização dos problemas apontados, deve protocolar pedido de levantamento de interdição e, apenas após nova inspeção da Auditoria Fiscal do Trabalho, retomar as atividades.

Durante a interdição, só podem ser realizados serviços em altura com o intuito de regularização e que não impliquem em novos riscos para os trabalhadores.

O órgão informou ainda que as estruturas que já contam com guarda corpo completo não terão as atividades em altura paralisadas, por não ter sido constatado grave e iminente risco à integridade física dos trabalhadores.

Informações Bahia.ba


Durante a retomada dos trabalho na Alba, Diego Castro (PL) também questionou a retirada das pistolas de brinquedo no Carnaval, ironizando a decisão

Foto: Assessoria Diego Castro

A condução do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na área de segurança pública foi duramente criticada pelo deputado estadual Diego Castro (PL) durante a volta do recesso parlamentar, nesta quinta-feira (1º). Segundo ele, a falta de confiança nas declarações do petista é evidente, destacando a “insegurança generalizada no estado”.

Ele expressou descrença nas medidas adotadas e afirmou que a Bahia “perdeu a guerra contra as drogas”, deixando a segurança em “estado de abandono”. “A gente não acredita em mais nada do que o governador fala, a começar pela insegurança. A Bahia perdeu a guerra contra as drogas. A segurança pública está entregue”, bradou.

Na ocasião, Diego também questionou a retirada das pistolas de brinquedo no Carnaval, ironizando a recente decisão do chefe do Executivo baiano. “O governador só pode estar de brincadeira”, manifestou.

“Nada vindo do PT eu acredito. Acreditar no PT é fazer papel de trouxa, de abestalhado. Resta torcer por uma ‘despiora’ do cenário. Há 17 anos o PT fala tanto em combater a pobreza e só faz aumentar imposto. Quem paga essa conta é o trabalhador”, completou Diego, em conversa com a imprensa.

Informações Bahia.ba


Considerada umas das três grandes manifestações populares da cidade, dividindo o pódio com o Carnaval e a Lavagem do Bonfim, a Festa de Iemanjá é a maior dedicada a um orixá na Bahia e passou por diversas mudanças até os dias atuais. Contudo, o elo de espiritualidade e cultura mantém a tradição centenária viva, resguardando a ancestralidade de matriz africana.

Todo dia 2 de fevereiro, em Salvador, uma multidão vestida predominantemente de branco e azul comparece ao bairro do Rio Vermelho para reverenciar a Rainha do Mar e Mãe de Todas as Águas. A celebração que toma ruas e praias do Rio Vermelho ainda antes do raiar do sol teve origem a partir do protagonismo de pescadores locais ainda nas primeiras décadas do século 20, embora algumas pesquisas esclareceram que o culto a Iemanjá existisse antes disso.

“A história dessa festa, como qualquer elemento da nossa cultura, precisa de um marco fundador. Em 1923, há o relato do jangadeiro Zequinha para um dos grandes jornais daqui da Bahia sobre uma oferenda de pescadores para a divindade das águas, na expectativa de que ela pudesse resolver o problema de escassez de peixes do mar”, explica o historiador Murilo Mello.

A partir daquele momento, o ato de depositar oferendas para a orixá passou a ser um rito anual e viria a fazer parte da Festa de Nossa Senhora de Santana, estritamente ligada ao catolicismo, que ocorria na região desde 1870. A programação contava com anúncios sobre o Carnaval e até concurso de miss, numa época em que o Rio Vermelho era uma área afastada do centro da cidade.

“A Festa de Santana era muito concorrida pelos veranistas, inclusive, tinha carro alegórico que ia até a Barra, queima de fogos, venda de guloseimas para angariar fundos para a celebração. Dentro de toda aquela liturgia, de todos aqueles dias de festejos, os pescadores pediam permissão da Igreja Católica para depositar presente a Iemanjá”, complementa Mello.

Tal evento religioso não acontecia no dia 2 de fevereiro, pois possuía uma data móvel. Uma das explicações para a consolidação do calendário atual é a culminância com os dias de duas santas: o de Nossa Senhora das Candeias e o de Nossa Senhora dos Navegantes.

Ainda no começo do século 20, o sincretismo que existia no festejo sofreu uma ruptura decorrente de conflitos com lideranças católicas, que chegaram a contestar a devoção a uma orixá com aspecto de sereia. Os pescadores resolveram seguir com a celebração a Iemanjá de forma separada, sobressaindo-se à Festa de Santana, que passa a ser deslocada para o meio do ano.

Vale ressaltar que a entrega de oferendas, porém, nem sempre teve o Rio Vermelho como único palco. Ainda hoje pescadores e devotos prestam homenagens em locais como Itapuã, inclusive em corpos de água doce, como lagos e rios.

Evidência – O 2 de fevereiro ganha força por volta da década de 60, quando renomados expoentes locais da música e literatura, como Caetano Veloso, Maria Bethânia e Jorge Amado, fazem alusão à festa em suas respectivas artes. “A sociedade não conhecia o 2 de fevereiro. Então, a partir do momento em que os grandes artistas começam a relatar essa oferenda, ganha-se esse vulto que a gente conhece hoje como a maior festa com viés afro da Bahia”, explica Mello.

Já o culto a Iemanjá em Salvador é mais antigo do que a festa em si. Há registros de reverência à Mãe d’Água, por exemplo, na Cidade Baixa, próximo ao Monte Serrat, no final do século 19.

Ritos – Os preparativos para a Festa de Iemanjá em Salvador começam na véspera, na noite do dia 1º fevereiro, na Casa do Peso (ou Casa de Iemanjá), no Rio Vermelho. Na alvorada, por volta das 4h da manhã do dia seguinte, a celebração começa oficialmente, com a explosão de fogos de artifício. A fila para deixar oferendas começa a ser formada cedo e dura o dia todo.

Ao lado da Casa do Peso é montado um barracão onde fica a oferenda principal preparada por pescadores e por um terreiro da cidade. O caramanchão abriga ainda 200 balaios cheios de presentes, a exemplo de flores, sabonetes, perfumes, entre outros itens, depositados pelos devotos. O ponto alto da festa é a saída dos barcos para a entrega das oferendas a Iemanjá, por volta das 16h, durante cortejo em alto mar.

Responsável por conduzir a embarcação que vai levar o presente principal no próximo dia 2 de fevereiro, Roberto Pantaleão, 67 anos, vive do mar há cinco décadas e destaca o quanto a celebração saiu de uma simples homenagem ao status de repercussão internacional. Embora já esteja acostumado, há um certo desafio em conseguir recepcionar todos os presentes que chegam para Iemanjá. “A gente mobiliza aqui na Colônia de Pescadores, só para poder fazer essa parte do transporte das oferendas, entre 40 a 50 pescadores no dia da festa.”

Pantaleão fala com orgulho do fato de a festa ter os pescadores no epicentro de sua realização. No 2 de fevereiro, diz, uma força sobrenatural inunda o Rio Vermelho: “Tem gente de outros países e continentes, de japonês a europeus, que chegam aqui no barracão onde tá o presente principal e ‘dá santo’. Já vi dezenas de casos assim. A energia que circula é inexplicável”, relata, aos risos.

Para o pescador, a Festa de Iemanjá, que fará 101 anos, é uma das poucas manifestações religiosas que não perderam glamour e intensidade com o passar do tempo: “Acredito que por conta do fascínio que o mar exerce em todo mundo”. Em outras palavras, Pantaleão entende que Iemanjá pode ser sentida no ritmo da maré, na brisa e balanço suave das ondas.

Representação – A chegada de Iemanjá ao Brasil remonta o comércio transatlântico de escravizados, quando milhões de africanos foram retirados à força de suas terras natais para as Américas, a partir do século 16. Muitos deles eram da tribo Iorubá, que tinha uma rica tradição espiritual que incluía a adoração a vários orixás.

Figurada no Brasil como uma mulher de cabelos esvoaçantes, cauda de sereia e associada às cores azul e branco que simbolizam ligação com a pureza, clareza e imensidão do oceano, Iemanjá também é associada à maternidade, além de protetora de mulheres e crianças. Ela tornou-se parte integrante das religiões afrobrasileiras, tendo culto espalhado no país ao longo do tempo, sobretudo em regiões costeiras.

“No Brasil, Iemanjá continua sendo um poderoso símbolo de resistência contra a opressão e da força inabalável das tradições culturais africanas. Seus devotos a veem como uma fonte de conforto e proteção, principalmente para mulheres e crianças. Ela está associada a todo poder supremo do mar, e é frequentemente invocada por aqueles que vivem do oceano”, descreve a escritora Camila Nogueira, no livro Iemanjá: Rainha das Águas Salgadas.

Makota do Inzo Dandalunda Espelho d’Água, na Federação, Letícia Silva, 27 anos, ressalta a influência da orixá no seu dia a dia. “Minha maior graça alcançada por Iemanjá é ter uma cabeça equilibrada, forte, que me faça pensar nas melhores decisões que possam ser tomadas em determinados momentos”, frisou.

*Bahia.ba
Foto: Jefferson Peixot

1 102 103 104 105 106 412