
Durante sessão no plenário da Câmara Federal nesta quarta-feira (25), o deputado feirense Zé Neto (PT) causou polêmica ao defender a manutenção do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), medida imposta pelo Governo Lula. A posição do parlamentar contraria o sentimento de boa parte da população, que vem enfrentando alta da inflação, juros abusivos e perda de poder de compra.
A discussão ocorreu durante a votação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2023), que buscava revogar o aumento do imposto. Alinhado ao Planalto, Zé Neto argumentou que os R$ 12 bilhões arrecadados com o IOF são essenciais para o equilíbrio fiscal. No entanto, o deputado não apresentou alternativas, como cortes na máquina pública, revisão de privilégios no alto escalão ou qualquer menção à reforma administrativa.
“Se Câmara e Senado não concordam em aumentar o IOF para equilibrar as contas do país, apontem saídas para a situação fiscal do Brasil”, afirmou o deputado.
IOF pesa no bolso de quem menos pode pagar
O IOF é um imposto de natureza regressiva — ou seja, atinge proporcionalmente mais os mais pobres, especialmente os que dependem de crédito pessoal e cartão de crédito. Mesmo diante disso, Zé Neto evitou mencionar medidas como corte de supersalários no funcionalismo, revisão de contratos milionários ou o fim dos chamados “penduricalhos” que beneficiam a elite burocrática em Brasília.
Divisão entre os deputados baianos
A votação dividiu a bancada da Bahia. Enquanto deputados da oposição e do centro votaram pela revogação do aumento (SIM), os parlamentares governistas — especialmente os do PT — optaram por manter o aumento (NÃO), apesar da pressão popular por alívio tributário.
Deputados baianos que votaram a favor da revogação (SIM):
Adolfo Viana (PSDB), Alex Santana (Republicanos), Arthur Maia (União), Capitão Alden (PL), Cajado (PP), Dal Barreto (União), Elmar Nascimento (União), Félix Mendonça Jr. (PDT), João Leão (PP), Bacelar (PL), José Rocha (União), Leo Prates (PDT), Leur Lomanto Jr. (União), Márcio Marinho (Republicanos), Mário Negromonte Jr. (PP), Neto Carletto (Avante), Pastor Sargento Isidório (Avante), Paulo Azi (União), Raimundo Costa (Podemos), Ricardo Maia (MDB), Roberta Roma (PL), Rogéria Santos (Republicanos).
Deputados baianos que votaram contra a revogação (NÃO):
Alice Portugal (PCdoB), Bacelar (PV), Daniel Almeida (PCdoB), Ivoneide Caetano (PT), Jorge Solla (PT), Joseildo Ramos (PT), Josias Gomes (PT), Lídice da Mata (PSB), Valmir Assunção (PT), Waldenor Pereira (PT), Zé Neto (PT).
Ausentes da votação:
Antonio Brito, Charles Fernandes, Diego Coronel, Gabriel Nunes, Otto Alencar Filho, Paulo Magalhães (todos do PSD).
Governo Lula repete velhas práticas
Para analistas políticos, a postura de Zé Neto é sintomática de uma escolha do Governo Lula por medidas fáceis e impopulares, em vez de um enfrentamento sério à estrutura inchada do Estado. A ausência de um plano de reestruturação fiscal mais justo e eficiente aprofunda a crise de confiança e alimenta a percepção de que Brasília está longe da realidade das ruas.
Nos bastidores, a cobrança sobre Zé Neto já começou. Com base eleitoral em Feira de Santana, o deputado deve enfrentar um cenário mais difícil de aprovação popular caso continue priorizando a defesa de pautas impopulares ligadas ao Planalto em detrimento das demandas locais.
