Delegada Lorena Almeida reforça importância da denúncia e destaca que DEAM funciona 24 horas por dia

Delegada Lorena Almeida em entrevista ao Programa Rotativo News
A violência doméstica e familiar contra a mulher segue em crescimento em Feira de Santana e preocupa as autoridades. Em entrevista ao Rotativo News, a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), Lorena Almeida, classificou a situação como uma “outra pandemia”, termo que tem sido utilizado por especialistas em todo o país.
“Não é uma realidade só de Feira de Santana. É uma realidade nacional. A violência doméstica hoje é considerada por muitos especialistas como uma outra pandemia”, afirmou.
600 registros apenas nos dois primeiros meses do ano
Segundo a delegada, somente nos dois primeiros meses deste ano foram registrados cerca de 600 procedimentos na unidade policial do município.
“O que a gente tem observado, a nível nacional, é um aumento do número de casos de violência doméstica, inclusive casos muito graves, com muita violência”, destacou.
O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher (8 de março), traz o tema novamente ao centro do debate. No entanto, Lorena Almeida ressalta que o enfrentamento precisa ser permanente.
“A gente fala muito sobre o tema, mas parece que ainda estamos fazendo pouco, porque a violência só cresce”, pontuou.
Violência não começa com agressão física
Um dos principais alertas feitos pela delegada diz respeito à escalada da violência. Segundo ela, o feminicídio raramente ocorre como um ato isolado.
“A violência acontece em uma escalada. Começa com manipulação, humilhação, chantagem, controle da liberdade da mulher. Evolui para ameaças e depois chega à agressão física”, explicou.
Para a autoridade policial, combater os primeiros sinais é essencial para preservar vidas.
“Se a gente consegue combater a violência nos seus atos iniciais, com certeza estaremos evitando feminicídios.”
Como denunciar e buscar proteção
A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana funciona em regime de plantão 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados.
“A unidade não fecha nunca. A vítima pode comparecer a qualquer horário para registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva de urgência”, explicou a delegada.
O procedimento inclui:
- Registro do boletim de ocorrência;
- Oitiva da vítima;
- Encaminhamento para exame de corpo de delito, quando necessário;
- Atendimento psicossocial;
- Solicitação de medida protetiva ao Poder Judiciário.
Caso a medida seja concedida, o agressor é intimado e fica proibido de manter contato ou se aproximar da vítima. O descumprimento pode resultar em prisão em flagrante ou decretação de prisão preventiva.
“A medida protetiva funciona, sim. Além da decisão judicial, a mulher passa a integrar toda a rede de proteção”, reforçou.
Rede de apoio em Feira de Santana
Após a concessão da medida protetiva, a vítima passa a ser acompanhada pela Ronda Maria da Penha e também pelo Centro de Referência Maria Quitéria (CRAM), que oferece suporte psicológico, social e jurídico.
“Ela passa a ter acompanhamento constante e pode acionar a polícia a qualquer momento em caso de descumprimento”, afirmou.
Segundo Lorena Almeida, a atual gestão tem priorizado o cumprimento de mandados de prisão por descumprimento de medidas protetivas. “Já cumprimos recentemente mandados de prisão preventiva nesses casos. A efetividade dos instrumentos de proteção é prioridade.”
Março terá agenda de conscientização
Durante o mês de março, a DEAM intensificará ações educativas e palestras em empresas, escolas, faculdades e instituições públicas e privadas.
“Levar informação é fundamental. Precisamos conscientizar mulheres e também homens sobre a gravidade da violência doméstica e sobre os direitos das mulheres”, disse.
Os eventos abertos ao público serão divulgados ao longo do mês.
A importância de não julgar
A delegada também fez um apelo à população, especialmente a familiares, amigas e vizinhas de mulheres em situação de violência.
“Não julgue. Não critique. Muitas mulheres deixam de pedir ajuda porque já tentaram sair da relação antes e voltaram, e sentem vergonha de procurar apoio novamente.”
Ela reforça que o ciclo da violência é complexo e que o apoio deve ser contínuo.
“Todas as vezes que uma mulher pedir ajuda, a gente precisa estar lá. Uma hora ela vai conseguir sair. Muito pior será negar apoio e depois essa mulher se tornar vítima de feminicídio.”
A orientação é que qualquer suspeita ou confirmação de violência seja levada à autoridade policial. A denúncia pode ser feita diretamente na DEAM ou por meio da Polícia Militar.
“O que a gente quer é salvar vidas”, concluiu.
Da Redação do Rotativo News.
