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Por Manu Pilger – Mestra em Comunicação UFRB

O recente caso de violência sexual ocorrido em Copacabana nos coloca diante de uma reflexão profunda sobre algo que a filósofa Hannah Arendt chamou de banalidade do mal: quando atos profundamente cruéis passam a existir em ambientes onde, teoricamente, ninguém esperaria encontrá-los.

O episódio, envolvendo jovens de 17, 18 e 19 anos, expõe mais uma face da grave violência contra mulheres que ainda marca a sociedade brasileira. Independentemente de classe social, endereço ou condição econômica, crimes dessa natureza revelam uma falha profunda na formação de valores como respeito, empatia e responsabilidade.

E é justamente aí que surge uma discussão que a sociedade ainda evita: a importância da educação sexual e afetiva.

Durante muitos anos, quando trabalhei como professora na educação infantil, ouvi pais e mães se referirem a colegas de sala como “namoradinha” ou “namoradinho” de seus filhos. Pode parecer algo inocente, até carinhoso. Mas vale uma reflexão: quando adultos começam a romantizar relações entre crianças, criam-se narrativas que naturalizam papéis e expectativas que não pertencem à infância.

Criança precisa viver a infância. E parte da responsabilidade dos adultos é educar para o respeito ao corpo, aos limites e ao consentimento.

Falar sobre sexualidade com crianças e adolescentes não significa incentivar comportamentos precoces. Significa orientar, esclarecer e prevenir. É uma forma de evitar situações de risco, reduzir a desinformação e fortalecer valores que ajudam a construir relações mais saudáveis no futuro.

Educar também é acompanhar. É saber com quem os filhos estão, quais ambientes frequentam e quais referências estão recebendo.

Casos como esse nos lembram que educação, diálogo e presença familiar continuam sendo pilares fundamentais para a formação de uma sociedade mais justa e segura.

Que a justiça cumpra seu papel e que a investigação esclareça todos os fatos. E que esse episódio sirva, acima de tudo, para reforçar uma conversa que não pode mais ser evitada: a necessidade de educar nossas novas gerações para o respeito.

Na próxima semana eu volto com mais uma reflexão no Super Sincera.

Eu sou Manu Pilger. A voz que inspira.

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