Sucessora de Nicolás Maduro agradeceu a Alex Saab ‘pelos serviços prestados à Pátria’

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, demitiu na sexta-feira 16 o empresário Alex Saab do cargo de ministro da Indústria. Saab é acusado de atuar como “testa de ferro” do líder deposto Nicolás Maduro.
Em mensagem no Telegram, Delcy anunciou que o ministério será fundido com a pasta do Comércio e agradeceu a Saab “pelos serviços prestados à Pátria”.
Conforme ela, o empresário assumirá novas responsabilidades no governo.
A mudança ocorre em meio à pressão da Casa Branca depois da operação militar de 3 de janeiro que derrubou Maduro. Libertado em 2023 em troca de prisioneiros com os Estados Unidos, Saab havia sido nomeado ministro em 2024.
Diálogo com os EUA
Delcy assumiu a presidência interina logo depois da retirada de Maduro do país. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que ela tem cooperado com autoridades dos EUA e elogiou o diálogo entre os dois países.
A presidente interina defende a retomada das negociações com Washington e afirmou ter um plano para 2026, com a promessa de “forjar uma nova política na Venezuela”. Na quarta-feira 14, Trump disse ter conversado por telefone com Delcy, sem detalhar os temas tratados.
O cenário político na Venezuela

Instantes depois da prisão de Nicolás Maduro, Delcy se pronunciou publicamente e classificou a ofensiva militar como um ato de agressão estrangeira. Em declaração transmitida pela televisão, afirmou que “o governo da Venezuela exerce o poder” no país e que “não há agente externo que governe a Venezuela”.
Segundo artigo do analista político Márcio Coimbra publicado em Oeste, Delcy governa “em simbiose absoluta” com seu irmão, Jorge Rodríguez, ex-vice-presidente e ex-prefeito de Caracas, formando um bloco tecnocrata dentro do regime. De acordo com sua leitura, esse grupo se diferencia da ala mais ideológica e radical do chavismo, associada a Diosdado Cabello.
Ainda segundo Coimbra, Delcy não detém comando direto sobre as Forças Armadas, o que torna sua permanência no cargo dependente da posição do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, descrito como fiador da lealdade militar ao regime. Nesse contexto, a estabilidade do governo interino estaria condicionada ao equilíbrio entre setores civis, militares e partidários do chavismo.
Informações Revista Oeste
