Se existe um assunto que permeia atualmente as conversas relacionadas à TV Globo, esse é, sem dúvida, a concessão da emissora. Desde que ingressou no Executivo nacional, o presidente Jair Bolsonaro prometeu, em diversas ocasiões, ser criterioso no processo que analisará a próxima renovação da autorização, que vence em 5 de outubro de 2022.
Esse processo, porém, inclui uma série de questões que vão além da vontade do presidente da República. Elas envolvem o Congresso Nacional, pontos burocráticos e técnicos que podem levar até anos para serem finalizados. Confira um guia que explica como esse processo todo funciona. Acompanhe.
CONGRESSO É QUEM DECIDE PROCESSOS DE RADIODIFUSÃO
Apesar de controlados por empresas privadas, os serviços de rádio e televisão são espécies de serviços públicos, e, por causa disso, são submetidos a controles e condições especiais de prestação. Para os serviços de radiodifusão, por exemplo, existem regras constitucionais específicas. Uma delas é a apreciação dos atos de outorga e de renovação de outorga pelo Poder Legislativo.
A Constituição estabelece que é do Congresso a responsabilidade de apreciar, em um prazo legal de 45 dias para a Câmara e de 45 dias para o Senado, os processos de radiodifusão, assim como as concessões, que só têm efeito legal se aprovadas pelos congressistas. Esse prazo, porém, acaba sendo flexibilizado, já que os serviços podem continuar sendo realizados em caráter provisório. As concessões de emissoras de TV são válidas por 15 anos e das emissoras de rádio, por 10 anos.
EXECUTIVO É RESPONSÁVEL POR VERIFICAR CRITÉRIOS
A Constituição também estabelece qual é o papel do Poder Executivo na concessão das outorgas e renovações de concessão. O governo é o responsável por, na prática, implementar todas as etapas do procedimento licitatório, incluindo a verificação da regularidade fiscal e qualificação jurídica e econômico-financeira das concorrentes.
A questão da regularidade fiscal é, inclusive, um ponto crítico e citado frequentemente quando o assunto é a concessão da TV Globo. Nos últimos anos, por exemplo, diversos artistas da emissora têm sofrido punições pela prática de pejotização, no que a Receita Federal já chegou a classificar como “associação criminosa” entre os profissionais e a Globo com objetivo de fraudar o Fisco.
Também cabe ao Poder Executivo verificar se, no período de vigência da outorga, a emissora cumpriu todas as determinações previstas na Constituição e na regulamentação legal e infralegal, como as restrições à veiculação de propaganda de bebidas alcoólicas e tabaco, cumprimento da classificação indicativa, preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas etc.
DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIAS PODE RESULTAR EM FIM DE CONCESSÃO
O artigo 110 do Decreto nº 52.795, de 1963, destaca que o direito à renovação da outorga pela emissora decorre do cumprimento “das exigências legais e das finalidades educativas, culturais e morais a que se obrigou, condicionado à manutenção da possibilidade técnica e do interesse público”.
No mesmo regramento, o artigo 112 estabelece que a emissora deve encaminhar ao Poder Executivo requerimento solicitando a renovação da concessão ou permissão nos doze meses anteriores ao término do prazo da outorga. De acordo com o Congresso, em caso de descumprimento desses dispositivos, não há que se falar em renovação, mas em encerramento da concessão ou permissão.
Nessa hipótese, o artigo 113-A do decreto determina que seja declarada a “perempção” da concessão ou permissão. O mesmo artigo atribui ao Ministério das Comunicações a responsabilidade pela adoção das providências necessárias para a interrupção imediata da execução do serviço, sem prejuízo da manifestação do Congresso Nacional.
É importante lembrar, porém, que de acordo com a Constituição, o cancelamento de uma concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, só pode ser feito mediante decisão judicial.
COMO É A TRAMITAÇÃO DE UMA CONCESSÃO NO CONGRESSO
Os processos de radiodifusão tramitam de forma sequencial no Congresso Nacional, começando pela Câmara e terminando no Senado. Depois de tramitar pelo Poder Executivo no Ministério das Comunicações (MCOM) e na Casa Civil, o processo é remetido à Câmara via Mensagem Presidencial.
Na Câmara, o processo é numerado como TVR, termo técnico empregado na Casa para designar as proposições legislativas originadas dos atos de outorga e renovação de outorga que são encaminhados pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, antes de sua transformação em Projeto de Decreto Legislativo (PDC).
A TVR então é remetida para a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicações e Informática (CCTCI), que avalia o mérito da proposição, dando origem ao respectivo PDC. O projeto segue então para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), onde são avaliados aspectos relacionados à constitucionalidade, legalidade, juridicidade e técnica legislativa da medida.
Caso a proposição seja aprovada em ambas as comissões (na CCTCI, como TVR, e na CCJC, como PDC), o PDC é considerado aprovado pela Câmara. Porém, ainda há situações em que o PDC é remetido ao Plenário da Casa, como no caso em que o processo trate de outorga ou de renovação de outorga, e haja interposição de recurso assinado por um décimo dos parlamentares da Casa.
Além disso, o projeto também vai para o Plenário sempre que o processo tratar de não renovação da outorga, ou quando tratar de renovação de outorga, mas a CCTCI ou a CCJC (ou ambas as Comissões) concluírem pela não renovação. Caso a medida seja reprovada nas comissões, ela só será validada se for aprovada pela maioria dos parlamentares, em um quórum mínimo de dois quintos da Câmara.
No Senado Federal, o PDC aprovado pela Câmara é apreciado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática em caráter terminativo, ou seja, sem necessidade de ir a Plenário. Em caso de aprovação, é gerado, então, o Decreto Legislativo dispondo sobre o ato de outorga ou renovação, o qual é finalmente encaminhado à Casa Civil.
PRAZO PARA A CONCESSÃO PODE LEVAR ANOS
Apesar de a Constituição determinar que os atos de outorga e renovação de outorga sejam apreciados pela Câmara dos Deputados em 45 dias (excetuando recessos), na prática, o tempo médio de tramitação é superior a esse prazo e pode levar muitos anos para ser finalizado.
O que motiva a demora do processo é, sobretudo, a necessidade do cumprimento de rígidos trâmites administrativos e regimentais internos, que envolvem, inclusive, a manifestação de duas comissões temáticas distintas. Embora o tempo médio de tramitação na Câmara exceda em muito o limite, os prazos praticados pelo Poder Executivo também são dilatados.
Dados levantados pela Subcomissão Especial de Radiodifusão da Câmara indicam que o tempo médio de tramitação no Poder Executivo dos processos de renovação de outorga de emissoras FM em 2006 era de quase sete anos, enquanto na Câmara esse prazo era de 227 dias.
“Amiga, você foi estuprada.” “Não, não fui.” A primeira reação de Ella* ao ser questionada por uma amiga sobre a violência sexual que sofreu foi negar.
Mesmo tendo em seu celular um vídeo, gravado na madrugada de 31 de janeiro de 2019, em que aparece sendo penetrada pelo ator Gustavo Novaes com quem já havia tido um breve relacionamento.
Gustavo, que já participou de novelas da Globo e da Record, além de filmes e séries, foi até a casa de Ella quando ela estava alcoolizada e, segundo relato da vítima, a filmou sem consentimento. Essa gravação, que a diretora mostrou à amiga e à qual Universa teve acesso, indicou a violência sexual. Ela encontrou o vídeo ao mexer no celular do ator, apagou do aparelho e enviou para si própria por WhatsApp.
Nas imagens, Gustavo aparece de pé, andando até um quarto. Depois, vêm as cenas de uma mulher apoiada de bruços, inerte. Ele a penetra, e ela balbucia algumas palavras, incompreensíveis. Ella afirma que estava completamente embriagada e não se lembra do que disse. Não se recorda nem da relação sexual, que só soube que aconteceu por causa do vídeo. Lapsos de memória, culpa e vergonha, diz, a barraram de aceitar que havia sido vítima de estupro. O caso ocorreu no Rio de Janeiro.
“É muito difícil entender. Não consigo nem dizer [que foi estuprada]. A palavra é feia, dói. Eu tinha o vídeo, mas não acreditava no que via. Não era possível que alguém fosse capaz de fazer aquilo, alguém que recebi na minha casa”, diz, em conversa com Universa por chamada de vídeo.
O ator nega as acusações e diz que houve consentimento tanto para a gravação quanto para o ato sexual.
“Na delegacia, só consegui relatar o que aconteceu”
Ella trabalhava em uma emissora de TV — que não será especificada a pedido da vítima — quando conheceu Gustavo. Os dois se relacionaram por um mês e meio, segundo relata. Depois de um tempo, prestes a viajar para Los Angeles onde faria um curso, ela fez uma festa de despedida em um bar. Ao chegar em casa, alcoolizada, ele insistiu, por meio de mensagens, em encontrá-la.
“Não me lembro de muita coisa, me vêm flashes de memória. Ele foi até minha casa e sei que acordei com o celular dele na minha cama. Perguntei por que e ele disse que colocou uma música para eu dormir. Achei estranho. Depois, ele começa a me filmar seminua, enquanto estava pegando comida, só que com flash. Isso fez com que eu começasse a desconfiar. Queria apagar esse vídeo feito com flash, mas achei o outro. Minha reação na hora foi mandar para mim por WhatsApp e apagar do aparelho dele.” O vídeo em que aparecem cenas íntimas fez com que Ella procurasse uma delegacia para denunciá-lo.
Em troca de mensagens, à qual a reportagem teve acesso, a diretora reitera na conversa que não autorizou que fosse filmada por ele. Gustavo responde: “Tá bem? Desculpe por ter gravado.” Afirma ainda que tinha filmado para que os dois vissem as imagens juntos. Em dado momento, a chama de “louca” e diz: “Para de trazer problema pra sua vida”.
Após uma amiga insistir que ela fosse à delegacia, Ella decidiu denunciá-lo. À polícia, diz que só conseguiu relatar o que aconteceu, sem apontar crimes que teriam ocorrido. Até então, o caso era tratado como crime de registro não autorizado de intimidade sexual.
Ao longo do processo de denúncia, conta a diretora, se deu também a elaboração de que havia sido vítima de estupro de vulnerável — quando a pessoa não tem discernimento sobre o ato, não é capaz de consentir nem de oferecer resistência ao contato sexual, segundo a lei. Isso pode acontecer em situações em que a vítima está alcoolizada ou dopada, quando é menor de 14 anos ou tem deficiência mental.
“Nem eu me dava conta de que tinha sido abusada e não queria falar que sim, fui. Porque se eu falasse ia ter certeza que aconteceu. Fazia terapia e não dizia a palavra [estupro]. Dizia que ‘aconteceu aquele negócio’. Até que meu terapeuta me questionou: ‘Se fosse uma amiga sua nesse vídeo, o que você diria para ela?’. E respondi que diria que ela foi estuprada”, afirma Ella.
Coação de chefe de emissora para retirar queixa
Na emissora em que trabalhava, Ella diz ter sido abordada por um profissional em cargo de chefia pedindo que ela retirasse a queixa contra Gustavo. “Ele disse que não era para deixar o Gustavo ser preso nem deixar que a emissora ficasse sabendo da história.”
Dias depois, a diretora foi convocada para ir à delegacia pela terceira vez, depois que o ator já tinha dado seu depoimento, e meses após registrar queixa. Foi só então que o vídeo foi visto pelas autoridades policiais. “A delegada assistiu ao vídeo na minha frente, e eu com aquilo na cabeça de que não podia deixar o Gustavo ser preso. Na hora, com medo, afirmei que o sexo tinha sido consentido. Ela ainda questionou, dizendo que eu estava desacordada, respondi que foi só um cochilinho.”
Na declaração registrada na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) em dezembro de 2019 e assinada pela escrivã Ellen de Mattos consta que Ella quis esclarecer “que nunca se sentiu vítima de estupro”, sucedido por um adendo da autoridade policial: “apesar de no vídeo estar registrado o autor fazendo sexo com a declarante aparentemente desacordada”.
“Ninguém te prepara para ser estuprada, ninguém fala que tem que procurar um advogado para te acompanhar na delegacia, para explicar exatamente qual é o crime e a queixa que se tem que fazer”, diz Ella a Universa. “E também tem a culpa, por muito tempo achei que de alguma maneira poderia ter feito algo, tinha como ter acordado, me questionava por que aquilo aconteceu, não aceitava. Ainda é vergonhoso admitir.”
O passo mais recente do processo foi um pedido do Ministério Público, assinado pela promotora Érika Prado Alves Schittini, para que houvesse uma investigação relacionada ao crime de estupro de vulnerável e que o vídeo fosse periciado. Com isso, caso haja indícios, esse crime terá de ser incluído no processo.
“A palavra da vítima tem que ter credibilidade”, pontua a advogada de Ella, Priscila Pamela dos Santos. “Juntamos provas que demonstram e um crime de estupro de vulnerável, seja pelo álcool ou por estar adormecida. Pedi para incluir isso na denúncia, indiquei três testemunhas, entre eles o vizinho que estava lá, que ela pediu para não ir embora porque não queria ficar sozinha com o Gustavo e porque estava muito bêbada.”
“Quando fui procurada por Ella a encontrei fragilizada, adoecida e clamando por apoio jurídico. Ela me contou ter sido vítima de crime de estupro, mas que ainda assim não se sentia segura para enfrentar aquela situação. Tinha medo de ser desacreditada, afinal, ela própria se culpava muito. O que fiz foi explicar a ela o que a lei entendeu como vulnerabilidade e que era exatamente a condição a que estava submetida no momento dos fatos”, diz a advogada.
“Se o nível de álcool é tão elevado a ponto de a vítima não conseguir se lembrar do que viveu, denota justamente que ela não tinha a liberdade para consentir e que estava em situação de vulnerabilidade. Essa compreensão é fundamental para que homens e mulheres entendam os limites do consentimento e da liberdade sexual.”
“Perícia em vídeo vai mostrar que houve consentimento”, diz defesa
O ator Gustavo Novaes foi procurado pela reportagem de Universa e enviou o contato de seu advogado, João Bernardo Kappen, que nega todas as acusações de Ella e diz que houve consentimento tanto para a gravação do vídeo quanto para o ato sexual.
“O vídeo apresentado não foi submetido à perícia, que constataria que os dois, enquanto estavam tendo uma relação sexual, conversaram, e ela tinha dado consentimento ao vídeo”, afirma o advogado, que diz ainda que o vídeo é maior do que o apresentado. Nas imagens, é impossível entender o que Ella balbucia.
Agora, com a manifestação do MP para que sejam feitas investigações relacionadas ao crime de estupro de vulnerável, a gravação será analisada por peritos. “A perícia vai mostrar que, na conversa que os dois travaram enquanto mantinham a relação sexual, ela deu consentimento à relação, independentemente de estar alcoolizada.”
João Bernardo Kappen afirma ainda que “foi a advogada atual que convenceu que ela foi estuprada”. “Porque ela diz que o depoimento foi consensual, não diz em depoimento em juízo, a advogada é que surge com essa tese que nem ela [a vítima] mesma confirma.”
Como obter ajuda em casos de violência sexual
Mulheres vítimas de estupro podem buscar os hospitais de referência em atendimento para violência sexual, para tomar medicação de prevenção de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente.
Também é possível ter orientações ligando para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher do governo federal. É anônimo e funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas para serem procurados e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 99656–5008.
É recomendável, se possível, que a vítima faça um boletim de ocorrência em uma delegacia da mulher, caso haja essa especialidade na região. Se não houver, o registro pode ser feito em uma delegacia comum. Mesmo que não consiga se lembrar dos fatos ou indicar um possível agressor, o mesmo homem pode ter feito outras vítimas. O registro da ocorrência abre a possibilidade de investigar, colher provas e pode ajudar as autoridades a identificarem o autor do crime.
Emissora anunciou a suspensão das gravações através de nota
Foto: Reprodução/SBT
Nesta terça-feira (23) SBT anunciou através de uma nota o cancelamento do programa “Casos de Família” dirigido pela apresentadora Christina Rocha.
“A assessoria de Comunicação informa que o SBT irá suspender as gravações do programa Casos de Família a partir desta semana. A emissora informa que o programa poderá voltar em 2023, com nova temporada e novas histórias”.
O programa que está no ar há 18 anos, não fará mais parte da programação da emissora a partir da primeira semana de setembro.
Após sabatina com Presidente Bolsonaro no Jornal Nacional, a hastag GloboLixo ficou entre os assuntos mais falados do Brasil. Na rede social twitter, os apoiadores do chefe do executivo se irritaram com a quantidade de vezes que Bonner o interrompeu.
Famosos que estiveram por anos ou décadas em produções da TV Globo, seja na dramaturgia, entretenimento ou jornalismo, já recorreram à Justiça para processar a emissora após serem demitidos. A relação inclui atrizes como Maitê Proença, jornalistas como Fernando Vanucci e ex-participantes de reality shows, como Marcos Harter, que esteve no “BBB”.
As ações movidas por nomes como Maitê e Carolina Ferraz, que tratam de direitos trabalhistas, foram criticadas por outro ex-funcionário da casa, o jornalista Carlos Tramontina, em uma entrevista recente ao podcast Flow.
“Acho o seguinte cara: você ficou 20 anos fazendo o negócio e serviu, agora não presta? Mas que hipocrisia é essa?! Eu vi outro dia as duas atrizes, a Maitê e a Carolina, agora processam a Globo por direitos trabalhistas, mas quando eram pessoas jurídicas pagavam menos imposto e agora querem recuperar os direitos trabalhistas”, disse Tramontina ao comentar os processos das atrizes.
Em geral, a Globo, como se vê abaixo, opta por não comentar os processos em aberto envolvendo ela. Algumas das ações já tiveram desfecho, como o processo movido pelo ex-BBB Marcos Harter. Ele pedia indenização por danos morais e materiais por ter sido desclassificado sob a acusação de agressão, mas perdeu e foi obrigado a indenizar a empresa.
Carolina Ferraz
Atual apresentadora do “Domingo Espetacular”, da Record TV, Carolina Ferraz trabalhou na Globo por 25 anos e atuou em novelas, como Por Amor (1997) e Avenida Brasil (2012). Ela foi demitida em 2017 e, no mesmo ano, decidiu processar a antiga empregadora. O motivo? Cobrar direitos trabalhistas não recebidos por ela ter sido contratada como pessoa jurídica (PJ).
Segundo o colunista de Splash Ricardo Fletrin, ela move uma ação estimada em cerca de R$ 5 milhões,na qual exige vínculo empregatício e todos os direitos trabalhistas previstos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O processo corre até hoje na Justiça do Trabalho.
Na época, a emissora confirmou o processo da atriz. A coluna de Splash consultou a casa a respeito da ação, mas foi informada que a emissora não comentaria casos “sub judice”.
Recentemente, ela disse que não voltaria a atuar em novelas. “Não vou deixar de atuar, só não quero mais fazer novelas… Acho que posso fazer um filme, uma minissérie, uma websérie, mas novela não, não quero nunca mais na vida ter que fazer uma novela”, declarou.
Carolina Ferraz está na Record desde 2020Imagem: UOL
Maitê Proença
Assim como Carolina, Maitê Proença também entrou com processo na Justiça contra a Globo. A atriz, que participou de novelas como “Felicidade” (1996) e o remake de “Gabriela” (2012), foi dispensada em 2016 após mais de 30 anos de serviços prestados à emissora como PJ. No ano seguinte, ela abriu um processo reivindicando direitos trabalhistas pelo tempo em que ficou contratada.
O processo corre sob segredo de Justiça, mas, segundo o site Notícias da TV, Maitê pede uma indenização no valor de R$ 500 mil e convocou Carolina Ferraz para testemunhar a seu favor. Procurada pelo site, a Globo disse que não se pronuncia sobre processos judiciais em andamento.
Maitê Proença esteve na Globo por mais de 30 anosImagem: Reprodução/Instagram
Izabella Camargo
Após ficar afastada durante meses para tratar a síndrome de burnout, a jornalista Izabella Camargo foi demitida da Globo em 2018 e reintegrada por determinação judicial em julho do ano seguinte. No dia da reintegração, porém, a emissora não a recebeu. Segundo o colunista de Splash Ricardo Feltrin, naocasião, a emissora não permitiu sua entrada na sede de São Paulo, mas ela acabou conseguindo isso depois com um oficial de Justiça.
Ainda segundo o colunista do Splash, em 2019, ano em que deixou a emissora definitivamente, a jornalista e a emissora firmaram um acordo, no qual a jornalista deveria receber cerca de R$ 1 milhão. Em compensação, Izabella Camargo não poderia mais dizer que a doença que sofre, síndrome de Burnout, foi causada pela emissora.
Procurada pela coluna de Splash, a Globo disse que não comenta questões trabalhistas. O advogado da jornalista, Kiyomori Mori, disse que não faria comentários porque a ação corria em segredo de Justiça.
Izabella Camargo fala abertamente sobre a síndrome de burnoutImagem: Lucas Seixas/UOL
Sonia Braga
Antes de se tornar estrela de filmes nacionais e internacionais, Sonia Braga atuou em novelas da TV Globo como “Dancin Days”. A trama de Gilberto Braga foi exibida originalmente em 1978 e ganhou reprise no Canal Viva em 2014. Foi nesse momento que Sônia processou a antiga empregadora para cobrar o pagamento dos direitos autorais conexos pela reexibição da obra, em direitos de imagem.
A reexibição da trama em 2014 rendeu recordes de audiência e liderança na TV por assinatura, segundo o blog Outro Canal, da Folha de S.Paulo. Na época, o Viva disse que licencia conteúdo da Globo e de outras produtoras nacionais e internacionais e que esses fornecedores é que são responsáveis pelo pagamento dos direitos a seus contratados.
A Globo saiu vitoriosa em 2018. O juiz Ricardo Cyfer, da 10ª Vara Cível do Rio, alegou que o prazo para o pagamento ainda estava valendo, e que a atriz havia se precipitado, e não cabia recurso.
Nos últimos anos, Sonia tem feito filmes de sucesso como “Bacurau”Imagem: Cleiton Thiele/Agência Pressphoto
Paulo Coronato
Paulo Coronato, que fez sucesso na novela “Mulheres Apaixonadas” (2003), também passou por um caso semelhante recentemente. Ele pediu à Justiça para ter acesso a documentos da TV Globo relativos às reprises das obras em que trabalhou. Ele alegava que tomou conhecimento, por meio de diversos sites, que a Globo vem reprisando seus trabalhos sem efetuar o pagamento aos artistas ou efetuando de forma incorreta, inclusive com vendas internacionais não repassadas.
Em contestação, a Globo defendeu que a eventual cobrança de verbas estaria sujeita ao prazo de 5 anos e compartilhou os dados sobre as reprises, exibições e comercializações anteriores ao processo. O ator também pediu documentos assinados pela Globo com terceiros, mas a juíza Beatriz Cabezas afirmou que não se pode exigir que a TV apresente documentos assinados com outros. Dessa forma, a magistrada deu como encerrado o processo.
Paulo Coronato e Natália do Vale em cena da novela “Mulheres Apaixonadas”, da TV GloboImagem: Reprodução
Fernando Vanucci
O narrador esportivo Fernando Vanucci, que morreu em 2020, saiu da emissora em 1999 após “ser colocado na geladeira” por um erro: ser filmado engolindo um lanche ao vivo no Esporte Espetacular. Em entrevista ao UOL, ele disse que ficou incomodado após a emissora impor uma multa por descumprimento de regras no trabalho. Ele, então, entrou com um processo na Justiça e não voltou mais à Globo.
Na Justiça, Vanucci venceu um processo trabalhista contra a Globo e recebeu uma indenização pela falta de vínculo empregatício ao longo dos 26 anos. O jornalista afirma ter recebido em torno de R$ 2 milhões. A Globo, à época, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que não comenta processos sub judice, mas alegou que o valor efetivamente pago foi menor do que o alegado por Vanucci.
Paralelamente corria um processo cível, que o apresentador perdeu anos antes de receber a indenização milionária. Na época, ele estava na Rede TV! e passou por momentos delicados porque teve as contas bloqueadas.
Fernando Vanucci trabalhou na Globo nos anos 70, 80 e 90Imagem: Reprodução/TV Globo
Ex-BBB Marcos Harter
Marcos Harter esteve na Globo por poucas semanas, apenas enquanto esteve confinado no “BBB 17″. Ele foi acusado de agredir a sister Emily, que venceu a temporada, e foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro ao sair do reality, mas acabou absolvido.
Por isso, ele decidiu processar a Globo ao afirmar ter sofrido danos morais e materiais por participar do reality. A defesa de Marcos brigou por uma indenização de R$ 750 mil, mas ele, no entanto, perdeu a causa e teve de pagar R$ 75 mil à emissora em janeiro de 2021, segundo o site Notícias da TV.
O ex-BBB recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e foi derrotado em segunda instância. À Justiça, a Globo argumentou que ele foi expulso do reality show após análise interna das imagens e diante do fato de a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) do Rio ter aberto um inquérito criminal para apurar a conduta dele no programa.
O programa Encontro, apresentado atualmente por Patrícia Poeta e Manoel Soares nas manhãs da Globo, sofreu alteração na classificação indicativa pelo Ministério da Justiça. Antes comandado por Fátima Bernardes, a atração tinha a classificação de 10 anos. Após a mudança, o programa passa a ser não recomendado para menores de 12 anos.
A alteração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 10 de agosto. De acordo com o site Notícias da TV, a mudança se deu pelo fato de a atração matinal ter ganhado viés mais jornalístico. Na última semana, por exemplo, notícias como o assassinato do lutador Leandro Lo e o racismo contra os filhos de Giovanna Ewbank foram mostrados e discutidos no programa.
A mudança foi feita pelo DPJus (Departamento de Promoção de Políticas de Justiça), vinculado ao ministério e responsável pela classificação da TV e dos cinemas.
Patrícia Poeta está, desde julho, no comando do Encontro, que passou a ser exibido mais cedo, no horário das 9h30.
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Cena patética.
Em tom de desespero, uma ‘jornalista’ militante da Rede Globo dá a ‘trágica’ notícia de que o presidente Jair Bolsonaro é infinitamente maior que o seu oponente, o ex-meliante Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Bolsonaro falando da carta teve mais de 360 mil likes. O ex-presidente Lula falando da carta teve 6,6 mil (…). Vejam a diferença (…). Acho que no efeito eleitoral tendo a concordar com a avaliação do Palácio do Planalto”
O inexpressivo Guga Chacra, com o ar de assombrado, complementa a análise:
“Fiquei assustado ai com a diferença. 360 mil contra 6 mil. É brutal o engajamento maior (…)”.
“A gente tem que garantir que o resultado da eleição seja respeitado”, declarou apresentador
Luciano Huck Foto: Reprodução/Print de vídeo da TV Globo
O apresentador Luciano Huck se manifestou neste domingo (7), durante o programa Domingão, da Rede Globo, a favor da carta à democracia, documento inclusive que ele assinou.
Huck chamou a atenção para a leitura do texto, agendado para o dia 11, no prédio da Universidade de São Paulo (USP)
– A arte e a democracia sempre andaram juntas nas defesas das liberdades. Nessa quinta-feira próxima, dia 11 de agosto, vai acontecer, em São Paulo, a leitura de uma carta em defesa da democracia brasileira. Esta carta já tem quase um milhão de assinaturas e foi escrita por pessoas de todos os setores da sociedade. Eu tenho certeza que eu, as pessoas da plateia, os convidados… A gente não pensa exatamente igual, a gente pensa diferente em muitas questões, e isso é a base da democracia, a gente avança assim. Pensar diferente não torna ninguém inimigo de ninguém.
Para o apresentador, que não citou nomes no discurso,o povo brasileiro “tem que garantir que o resultado da eleição seja respeitado”. Ele contou ainda que incentiva as pessoas a também assinarem o documento.
– Não dá para ficar de boa, fingindo que não está acontecendo nada. A democracia depende do empenho e da vigilância constante de todos nós. A gente tem que garantir que o resultado da eleição seja respeitado, que todas as vozes sejam ouvidas, como tem sido desde a redemocratização do Brasil.
O apresentador foi uma das celebridades que assinou a carta publicada no dia 26 de julho e critica o que considera ataques ao sistema democrático que vivemos. Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Walter Casagrande, Débora Bloch e Alessandra Negrini estão entre os signatários.
A leitura da carta contará com a presença do ex-ministro do STF Celso de Mello, outro signatário da matéria.
Apresentador volta menos de um ano após saída em setembro de 2021
Após deixar a Rede Globo no final do ano passado, empresa que atuou por 16 anos, Tiago Leifert vai voltar para a emissora carioca. Mas calma, não é para apresentar o Big Brother Brasil.
A Globo confirmou nesta sexta-feira, 5, que o apresentador vai narrar os jogos da Copa do Mundo Catar2022, que serão transmitidos no Sportv e no Globoplay.
Leifert já havia publicado a novidade em seu Instagram em abril. Agora vem a confirmação da emissora: o paulista narrará um jogo por dia, ao vivo, com convidados. Porém, ele não estará em Catar.
O jornalista vai acompanhar as partidas dos estúdios Globo ao lado de Cleber Machado, Gustavo Villani, Everaldo Marques, Ricardinho, Mauricio Noriega e PC Vasconcellos.
De acordo com a coluna Observatório dos Famosos, Leifert vai receber da Globo em torno de R$ 600 mil para apresentar cada jogo em um período de um mês. Se acompanhar 20 partidas, por exemplo, terá estimados R$ 12.000.000 milhões na conta bancária.
Jornalista deu declarações durante entrevista concedida ao podcast Flow
Carlos Tramontina Foto: Reprodução/TV Globo
O jornalista Carlos Tramontina, que deixou a Globo em abril, se posicionou contra ex-funcionários que passaram a criticar a emissora após serem demitidos. Ele citou as atrizes Maitê Proença e Carolina Ferraz, que moveram uma ação contra a Globo, cobrando direitos trabalhistas, depois de terem sido dispensadas.
Tramontina deu declarações durante entrevista ao podcast Flow. As informações são do canal Splash, do UOL.
– Eu me decepcionei muito. Acho o seguinte cara: você ficou 20 anos fazendo o negócio e serviu, agora não presta? Mas que hipocrisia é essa?! Eu vi outro dia as duas atrizes, a Maitê e a Carolina, agora processam a Globo por direitos trabalhistas, mas quando eram pessoas jurídicas pagavam menos imposto e agora querem recuperar os direitos trabalhistas. [Elas] vão devolver para a Receita o que deixaram de recolher? O que é isso? Acho que criticar, avaliar o trabalho, ter uma visão critica do trabalho faz parte, mas você dizer que aquela empresa que você ficou isso, isso, isso, agora não presta é muito estranho – falou o jornalista.
Ele explicou que não conhece Maitê e Carolina.
– Não tive a alegria de conhecê-las pessoalmente, atrizes maravilhosas, mas é que são dois exemplos que foram colocados publicamente. Eu acho muito estranho, dentro dessa condição, depois que você fez por muito tempo, aí não dá mais. Tem algumas pessoas que eu acho que não se conformam em sair da Globo, ser obrigado a sair da Globo, porque elas se consideram grandes, e veem isso como inaceitável – comentou.