Vídeo repercutiu nas redes sociais: alunos ficam deitados enquanto instrutor bate com força o pneu na barriga deles Imagem: Reprodução/Twitter
O vídeo de jovens treinando a resistência do abdome com um pneu viralizou nas redes sociais. No registro, um instrutor passa pelos alunos deitados no chão e joga com força o objeto na barriga deles.
Práticas assim aumentariam a resistência abdominal para que a pessoa não sinta tanto impacto ao levar um soco. Nos comentários, porém, muitas pessoas ficaram chocadas e questionaram sobre os riscos.
Será que isso tem efeitos positivos?
VivaBem conversou com dois especialistas que afirmaram desconhecer eficácia no método, além de alertar sobre os riscos —tanto para atletas quanto para quem pratica as lutas por hobby.
Antonio Dias, presidente da CBLAM (Confederação Brasileira de Lutas e Artes Marciais) e que atua no ramo há 56 anos, afirma que atividades com impacto intenso na região, como o caso do pneu, não são o padrão para o fortalecimento de abdome.
Eu sei que cada um tem a sua metodologia, só que, a meu ver, eu entendo isso como uma coisa absurda. Há várias faixas etárias no vídeo, e o emprego de força para um adulto é o mesmo para um adolescente. O fato de o material ser de borracha não ameniza o impacto, ainda que tivesse alguém ali com a parte muscular muito bem definida. Antônio Dias, presidente da CBLAM
Em geral, os treinos de fortalecimento abdominal para atletas envolvem:
Abdominais diversos.
Treinos diários de lutas. Nos estágios iniciais, o lutador usa caneleiras, luvas e capacete. Depois, conforme ganha a sua resistência natural, passa de maneira gradativa a treinar sem as proteções.
Há séries em que um dos profissionais pode usar luvas grandes de boxe para desferir socos de baixa potência enquanto o oponente contrai o abdome em pé.
“[O vídeo] pode trazer uma imagem muito negativa e macular a imagem das artes marciais, porque, quando as pessoas veem uma coisa dessas, a tendência é generalizar”, afirma Dias.
Consequências podem aparecer depois
O risco de lesionar órgãos internos é um perigo de exercícios como o do vídeo, segundo o pesquisador em lutas Leonardo Vidal Andreato, doutor em ciências do movimento humano pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e professor da UEM (Universidade Estadual do Amazonas). “Tem que preparar o lutador, mas você não pode expor o corpo dele o tempo todo.”
Muitos dos impactos podem aparecer a longo prazo, pontua o pesquisador. É o caso das sequelas cognitivas associadas às pancadas na cabeça, por exemplo.
Entre aqueles que não são atletas, os danos conseguem ser ainda maiores: sem resistência, lesões físicas aparecem de imediato e há risco da atividade gerar traumas psicólogos que o afastam de praticar essa e outras modalidades de luta.
Situações assim servem para conscientizar a pessoa que tem interesse de ser praticante sobre a importância de se informar e procurar bons instrutores para realizar uma atividade com orientação profissional. Leonardo Vidal Andreato, educador físico e pesquisador em lutas.
Imunização contra doença antigamente conhecida como ‘varíola dos macacos’ focará em grupos de risco para as suas formas graves e profissionais de laboratórios. Brasil tem 47 mil doses.
Profissional de saúde prepara dose da vacina contra a varíola dos macacos (monkeypox). — Foto: AP Photo/Jeenah Moon, File
A partir desta segunda-feira (13) a vacinação contra a mpox, a doença antigamente chamada de ‘varíola dos macacos’, deverá estar disponível em todos os serviços de vacinação do Brasil.
De acordo com o Ministério da Saúde, nessa primeira fase da campanha a imunização focará em grupos de risco para as formas graves da doença, como pessoas que vivem com HIV/aids e profissionais de laboratórios que atuam em locais de exposição ao vírus.
Com cerca de 47 mil doses disponíveis no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para uso na população, o esquema de vacinação tem indicação de duas doses para cada pessoa.
Ainda segundo a pasta, neste primeiro momento, essa população-alvo seguirá as seguintes recomendações:
No caso da vacinação pré-exposição ao vírus, receberão as doses:
Pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses [condição que deixa o sistema imune menos capaz de combater determinadas infecções]. De acordo com o Ministério da Saúde, este público representa atualmente cerca de 16 mil pessoas em todo o país;
E profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus [a família do vírus da monkeypox] em laboratórios com nível de biossegurança 3 (NB-3), de 18 a 49 anos de idade.
Já no caso da vacinação pós-exposição ao vírus, receberão as doses:
Pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas suspeitas, prováveis ou confirmadas para mpox, cuja exposição seja classificada como de alto ou médio risco, conforme recomendações da OMS.
⚠️ Em ambos os casos, quem já foi diagnosticado com a mpox ou apresentar uma lesão suspeita no momento da vacinação não deverá receber a dose.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o envio de doses será feito conforme o andamento da vacinação e de acordo com as solicitações dos estados e Distrito Federal.
Além disso, para a vacinação pré-exposição, é recomendado um intervalo de 30 dias com qualquer vacina previamente administrada. Em situação de pós-exposição, cujo principal objetivo é bloqueio da transmissão, a recomendação é que aplicação seja realizada independentemente da administração prévia de qualquer imunobiológico.
Vírus da monkeypox visto usando microscopia. — Foto: NIAID via AP, File
6 meses após a aprovação do imunizante
Em agosto do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a liberação do uso da vacina, chamada de Jynneos/Imvanex. A medida tinha validade de seis meses, mas quando o prazo esgotou em fevereiro, a pedido do ministério, a agência prorrogou a dispensa de registro para que a pasta importe e utilize no Brasil o imunizante, que é fabricado pela empresa Bavarian Nordic A/S..
A vacina é destinada a adultos com idade igual ou superior a 18 anos e possui prazo de até 60 meses de validade, quando conservada entre -60°C e -40°C. A prorrogação da dispensa temporária e excepcional é válida por mais seis meses e se aplica somente ao Ministério da Saúde.
No Brasil, segundo os últimos dados disponíveis, foram notificados 50.803 casos suspeitos para a mpox. Destes, 10.301 casos (20,3%) foram confirmados, 339 (0,7%) classificados como prováveis, 3.665 (7,2%) suspeitos e 36.498 (71,8%) descartados.
No segundo semestre de 2022, foram adquiridas por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e importadas pelo governo federal 49 mil doses da vacina, que não foram utilizadas até então. Desse número, 47 mil doses chegaram e estão à disposição do ministério.
Desde setembro do ano passado, porém, o número de casos no país está em declínio considerável. A curva epidêmica dos casos confirmados e prováveis teve sua maior frequência registrada no período de 17 de julho a 20 de agosto.
A mpox era chamada de varíola dos macacos porque foi identificada pela primeira vez em colônias de macacos, em 1958. Só foi detectada em humanos em 1970. Entretanto, o surto mundial do ano passado não tem relação nenhuma com os primatas – todas as transmissões identificadas foram atribuídas à contaminação por transmissão entre pessoas.
Por causa disso, no ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um processo de consulta pública para encontrar um novo nome para a doença e assim combater o racismo e estigma provocado pelo nome. Durante o processo, foram ouvidos vários órgãos consultivos até chegar no termo “mpox” (do inglês, “monkeypox”).
Por ter um comprimento de onda menor, a luz emitida pelos aparelhos não é capaz de causar danos à pele. No entanto, ela oferece riscos à retina a longo prazo.
Luz do celular não causa envelhecimento precoce da pele. — Foto: Reprodução/Freepik
O protetor solar é unanimidade entre os profissionais da saúde como item indispensável na rotina. Muitos afirmam inclusive que seria preciso usá-lo dentro de casa e em ambientes fechados por causa da luz azul, emitia pela luz de celulares e computadores. Será mesmo?
Esse tipo de indicação começou a circular em 2010, quando as primeiras pesquisas sobre o tema começaram a ser feitas. Na época, surgiu a hipótese de que outras radiações além da ultravioleta (emitida pelo sol) pudessem ocasionar mudanças na pele.
Victor Infante, doutor em ciências farmacêuticas com ênfase em cosméticos pela Universidade de São Paulo (USP), explica que apesar de a luz azul causar estresse oxidativo, seus efeitos não se comparam com os da luz do sol.
Portanto, é desperdício de produto e de dinheiro aplicar protetor para ficar em locais fechados, como dentro do escritório, trabalhando no computador.
Não é preciso passar protetor solar para ficar em ambientes fechados pois a luz emitida pelas telas não é capaz de causar estrago nas células da pele, diferente da luz do sol. — Foto: Reprodução/Freepik
De acordo com ele, os estudos avaliaram a incidência do comprimento de onda violeta e azul em modelos de células e constataram que isso causava um aumento dos radicais livres.
Apesar disso, a quantidade de luz que vem do celular não é o suficiente para desequilibrar o funcionamento da pele e atrapalhar a função antioxidante do próprio organismo.
Para quem quer caprichar nos cuidados e não renunciar aos produtinhos, ele recomenda o uso de um antioxidante. “Pode ser um hidrante que contenha chá verde na formulação ou a boa e velha vitamina C”, diz.
Se você trabalha em um lugar com uma janela aberta por onde haja a incidência de luz, é preciso passar. Mas se há apenas uma iluminação indireta, não tem por quê. A potência de emissão dessa luz é muito baixa e não possui raios ultravioletas — são estes que causam alterações celulares e, posteriormente, câncer.
É até uma questão econômica e de meio ambiente. Consumir menos e se expor menos às substâncias é melhor. Melhor financeiramente e melhor para o organismo, já que as substâncias possuem efeito acumulativo.
— Victor Infante, doutor em ciências farmacêuticas com ênfase em cosméticos pela USP Ribeirão Preto.
A única exceção é para quem possui melasma (manchas escuras no rosto). Nesses casos, o uso de filtro solar deve ser diário independente das circunstâncias porque até mesmo o calor piora as manchas.
Um estudo feito pelo Departamento de Farmacologia e Instituto de Neurociência da Morehouse School of Medicine em Atlanta, nos Estados Unidos, demonstrou que o impacto causado pela luz azul nos olhos que possuem resultados parecidos com os achados das pesquisas dermatológicas, porém com consequências reais e severas.
A parte boa é que isso pode ser prevenido (veja mais abaixo).
Mesmo sem problemas de visão como miopia ou astigmatismo, é válido usar óculos com lentes que possuam filtro para luz azul. — Foto: Reprodução/Unsplash
“Ela cria radicais livres dentro da retina, que é nosso nervo do olho por meio do qual as células recebem a luz e transmitem para o cérebro”, explica Fábio Pimenta, oftalmologista do Hospital de Olhos Paulista.
Ou seja, “quando acontece a incidência continuada dessa luz, por muitas horas dias e anos, esses radicais vão criar problemas na mitocôndria das células, o quepode ocasionar morte celular“, afirma o médico.
Pimenta também esclarece que esses radicais interferem com toda a parte celular do organismo, como geração de energia e controle do tempo de vida da célula. Nesses casos, a luz azul faz com que ocorramorte celular precoce.
Isso pode levar a algum problema visual ao longo de muito tempo. A cegueira seria algo extremamente tardio, mas não podemos descartar.
— Fábio Pimenta, oftalmologista do Hospital de Olhos Paulista
Apesar da previsão negativa, o dano pode ser evitado.Hoje em dia existem lentes de óculos capazes de filtrar a luz azul. Segundo o oftalmologista, elas passam por um tratamento similar a uma esmaltação, impedindo assim a passagem desse comprimento de onda.
A indicação é para todos aqueles que passam muitas horas por dia na frente de telas, mesmo que não haja algum outro problema de visão que exija uso de óculos como miopia ou astigmatismo.
Nísia propôs amplo debate, mas disse que vai atuar para garantir que atual legislação seja cumprida
Lula e Nísia Fotos: Julia Prado/MS
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que “a delicadeza do tema” do aborto exige a participação de toda a sociedade em uma discussão sobre mudar a lei. Mas disse que o governo vai atuar para garantir que a atual legislação seja cumprida.
– Nos casos em que existe a permissão ao aborto no Brasil [risco à vida da gestante, violência sexual e anencefalia fetal], faremos com que o SUS [Sistema Único de Saúde] garanta a lei e o acolhimento – disse a ministra de Lula em entrevista ao jornal O Globo.
– Nosso objetivo é discutir o tema com dados e garantir o que a lei já estabelece – frisou.
Nísia teceu elogios ao presidente pela sua demonstração de sensibilidade ao buscar “um número maior de mulheres nos ministérios”. O governo petista tem 37 ministros, 26 homens e 11 mulheres.
A ministra é a primeira mulher a assumir a Saúde e confessa preocupação com seu pioneirismo.
– Mostra a dificuldade de nós, mulheres, atingirmos cargos de direção. Precisamos ter formas eficazes de furar esse teto. A visão do governo atual significa uma guinada – destacou.
Nísia argumentou que as mulheres atravessaram grandes adversidades desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e por esta razão, quando são convidadas a assumir cargos de liderança, devem aceitar.
– Nós, que passamos por reveses tão grandes desde o impeachment da presidenta Dilma, uma vez chamados, devemos dar a nossa contribuição. (…) Foi por meio de políticas sociais que me formei, é uma retribuição. E claro que me sinto em condições para isso – disse.
Proposta recebeu críticas da indústria e do Parlamento
O Partido Verde da Alemanha, da base de apoio aogoverno primeiro-ministro Olaf Scholz, apresentou proposta para banir anúncios de alimentos considerados não saudáveis, especialmente chocolates e doces. A justificativa seria preservar a saúde das crianças. A proposta recebeu críticas da indústria e até mesmo de membros do governo.
A publicidade desses produtos ficaria proibida na televisão, rádio e internet entre às 6h e 23h. Além disso, influencers em redes sociais como YouTube ou TikTok também ficariam proibidos de fazer propaganda de determinados produtos.
A iniciativa também prevê a proibição de outdoorscom anúncios de comidas doces, gordurosas ou de salgadinhos perto de escolas e parquinhos.
“Devemos assegurar que as crianças possam crescer de maneira mais saudável”, afirmou Cem Özdemir, ministro da Agricultura alemão, do Partido Verde, ao apresentar a proposta em Berlim. Para ele, proibir os anúncios é “crucial” na luta contra a obesidade.
Os representantes da indústria alimentícia alemã criticaram a medida com veemência. O diretor da Associação da Indústria Alemã de Confeitaria (BDSI), Carsten Bernoth, afirmou que banir os anúncios não fará com que as crianças comam menos doces, e argumentou que “a publicidade é essencial na economia de mercado”. “Ela permite que você tome uma parcela do mercado de seus competidores.”
Bernoth teme que o plano de Özdemir leve à proibição quase total dos anúncios do setor. “Nosso argumento é que os consumidores devem ter liberdade de escolha”, disse Bernoth. “Não cabe ao Estado fazer nenhum tipo de estipulação ou postular proibições.”
A proposta de Özdemir, no entanto, deverá enfrentar dificuldades para ser aprovada no Parlamento alemão, ou até mesmo entre a coalizão de três partidos que integram o governo, já parlamentares que antes se mostravam favoráveis agora já retiraram o apoio à ideia.
No ano passado, a indústria de doces na Alemanha faturou cerca de € 14 bilhões de euros (R$ 77,4 bilhões) e gastou € 1 bilhão em publicidade. A medida também afetaria o mercado publicitário.
Ao DW, a professora de saúde pública e nutrição da Universidade de Padeborn, Anette Buyken, afirmou que os dados são incompletos para saber se a medida tem eficácia para alterar hábitos e evitar a obesidade e outras doenças. O Chile foi um dos poucos países que implantou medida semelhante, em 2016, e ainda não há conclusão de que isso gerou benefícios à saúde da população.
Para preparar as mamães para o momento do parto e esclarecer todas as dúvidas que surgem durante a gestação, o Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), conhecido como Hospital da Mulher, promoverá a 35ª edição do Curso para Gestantes no dia 14 de março. O curso será realizado no auditório do HIPS, com carga horária de 4 horas.
Este ano, o curso oferecerá 30 vagas para gestantes que fazem pré-natal na rede municipal e será realizado 100% presencialmente. A iniciativa é fundamental para preparar as mães para o momento do parto, assim como conhecer o ambiente hospitalar e a equipe multiprofissional que estará presente no momento do parto.
“É fundamental conhecer o ambiente hospitalar, conhecer a equipe multiprofissional que estará no momento do parto e esclarecer dúvidas. Com isso, cria-se um vínculo de segurança entre o paciente e a equipe médica”, salientou Gilberte Lucas, diretora-presidente da Fundação Hospitalar.
Durante o curso, os casais receberão orientações sobre os cuidados com a saúde antes, durante e depois do parto, como realizar a amamentação, a alimentação da gestante e os cuidados com o recém-nascido. Além disso, os participantes poderão esclarecer dúvidas com profissionais da saúde, como obstetras, enfermeiros, pediatras, entre outros.
INSCRIÇÕES
As inscrições para o curso estarão disponíveis a partir do dia 06 de março até o dia 10 de março e podem ser feitas pelo e-mail educacao.permanente@fhfs.ba.gov.br ou pelo telefone (75)3602-7100 (ramal 7213). Também é possível se inscrever pelo site www.even3.com.br/cursodegestanteships.
Gilberte Lucas acrescenta que o Curso para Gestantes é uma iniciativa importante para preparar as mamães para o momento do parto e garantir a segurança e o bem-estar da mãe e do bebê. “É fundamental que as gestantes se preparem adequadamente para esse momento tão especial de suas vidas”.
Num sábado pela manhã, logo após tomar uma xícara de café, o engenheiro Alexandre Godoi, de 58 anos, achou que começaria o fim de semana com mais uma crise forte de enxaqueca desencadeada pela cafeína. Ele, que não tinha nenhuma outra doença prévia e sofre de enxaqueca crônica com aura há anos, percebeu a visão começar a ofuscar (um sinal clássico da aura) e sentiu a dor na cabeça.
Como de costume, decidiu tomar um analgésico e deitar num ambiente escuro para esperar a crise cessar. A dor de cabeça diminuiu, mas a visão periférica continuou ruim e assim persistiu por mais de 24 horas. Preocupado com a alteração permanente do campo visual, o engenheiro procurou o pronto-socorro no dia seguinte e descobriu que não teve uma crise forte de enxaqueca e sim um AVC (acidente vascular cerebral), cujo único sintoma foi a perda do campo visual, que acabou confundida com a aura.
“O lado direito da minha vista ficou embaçado, como se fosse a mancha de um dedo em uma fotografia. Eu continuava enxergando perfeitamente quando olhava para a frente, mas a visão periférica do lado direito ficou prejudicada. Como não tive nenhum outro sintoma motor ou físico, que são sinais mais comuns, nunca imaginei que seria um AVC. Pensei que era uma enxaqueca com aura prolongada”, disse Godoi.
Risco aumentado
Ter enxaqueca com aura (ou migrânea com aura, na linguagem técnica) aumenta em três vezes o risco de a pessoa sofrer um AVC. Inclusive, ela foi reconhecida como fator de risco para eventos do tipo em revisões de estudos feitas há pelo menos dez anos.
Segundo a neurologista Polyana Piza, do Hospital Israelita Albert Einstein, o AVC pode ser isquêmico (quando ocorre o bloqueio da circulação do sangue em determinada região do cérebro) ou hemorrágico (quando há o rompimento de um vaso cerebral).
O primeiro exame para determinar o que está acontecendo é a tomografia computadorizada, que é mais rápida e diferencia o AVC isquêmico do hemorrágico – o que é essencial para determinar a conduta do tratamento. Em seguida, dependendo da necessidade, é feita a ressonância magnética para confirmação ou não do AVC.
No caso de um AVC isquêmico, se o paciente procurar atendimento nas primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas, é possível reverter o quadro por meio de um procedimento endovenoso. Em até 24 horas após os sintomas, a depender do caso, é possível fazer uma trombectomia mecânica (procedimento por cateterismo para retirar o coágulo). Por isso é tão importante que os pacientes saibam identificar os sinais de que há algo de errado, pois quanto mais cedo procurar ajuda, menor a chance de sequelas.
Como identificar
Nem sempre o AVC vem acompanhado de sintomas físicos ou motores (como paralisia de um dos lados da face, boca caída, dificuldade de falar, perda de coordenação). Tudo vai depender do território atingido – no caso de Godoi, a região afetada foi a região occiptal, responsável pela interpretação neurológica do campo visual, por isso a perda da visão periférica.
“O território mais comumente atingido é o irrigado pela artéria cerebral média, responsável pela irrigação da parte motora. Por isso, as pessoas estão mais acostumadas aos sintomas relacionados aos movimentos”, explicou Piza.
Uma das formas de acender o sinal de alerta é aprender a identificar a duração do episódio da aura. Em geral, explica Polyana, a aura clássica é caracterizada por distúrbios temporários que incluem alterações visuais, visão turva com presença de brilhos, luzes e manchas que podem se locomover no campo visual do paciente. Ela costuma anteceder a dor de cabeça e dura de cinco a 60 minutos – raramente passa disso. A aura desaparece quando a dor cessa e, junto com ela, somem os distúrbios visuais.
“Se o paciente chega num consultório ou num pronto-socorro relatando uma alteração visual aguda é preciso investigar e ele necessariamente deve ser submetido a um exame de imagem para o diagnóstico correto”, enfatizou a neurologista. “Qualquer sintoma agudo em neurologia tem como principal causa um problema vascular, mesmo que ele não seja persistente”, disse. No caso de Godoi, o que ele sofreu não foi uma enxaqueca com aura e sim um AVC – a duração da suposta aura foi o sinal de alerta.
O AVC é a principal causa de morbidade e a segunda principal de morte no mundo todo. Segundo a especialista do Einstein, um a cada quatro pacientes que sofrem de enxaqueca tem o episódio com aura. Piza ressalta que a melhor maneira de prevenir é fazer o acompanhamento com um neurologista para um tratamento profilático, que evite a ocorrência da crise de enxaqueca. “Existem diferentes classes de medicações indicadas para diferentes perfis de pacientes”, disse.
Dores constantes nos ossos e articulações, pequenas feridas na região do tornozelo e contaminação frequente por infecções podem indicar a presença da anemia falciforme. As manifestações clínicas da doença ocorrem a partir do primeiro ano de idade e estendem-se por toda a vida.
A coordenadora do Programa Municipal de Apoio à Doença Falciforme, Vera Lúcia Galindo, ressalta que há uma diferença entre a anemia por falta de ferro no organismo e a que é tratada na unidade.
“A falciforme é uma doença hereditária, passada de pais para filhos, e não há cura por meio da mudança de hábitos alimentares. Não acontece porque a pessoa está ingerindo menos feijão ou folhas verdes escuras, por exemplo. É um mal que pode gerar complicações e risco de morte quando não tratado de forma adequada”, pontuou a coordenadora.
O atendimento para portadores dessa enfermidade é exclusivo para moradores do município e disponibilizado no programa de apoio localizado na rua Estados Unidos, 51, Centro. Em média, 560 pacientes com a doença são acompanhados e recebem o suporte especializado ofertado pela Secretaria Municipal de Saúde.
O encaminhamento do paciente pode ser realizado pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) ou pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de Saúde da Família (USF). Para ser cadastrado, o interessado deve apresentar exame eletroforose de hemoglobina ou o teste do pezinho.
O Programa dispõe de acompanhamento multidisciplinar prestado por médicos, enfermeiros, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e assistentes sociais. Na unidade, os pacientes também têm acesso a consultas com hematologista, hematopediatra, neurologista, nefrologista, ortopedista, clínico geral e exames, como DTC e Eco-ped.
O produto foi desenvolvido por uma farmacêutica japonesa e tem eficácia de 80%
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova vacina contra a dengue, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda. A decisão foi divulgada na quinta-feira 2. O produto, batizado de Qdenga, teve eficácia de 80% nos estudos clínicos.
Esse é o segundo imunizante contra a doença a receber registro no Brasil, mas o primeiro imunizante indicado para o uso amplo na população, entre 4 e 60 anos, com ou sem histórico prévio de dengue.
O produto protege contra os quatro sorotipos do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. De acordo com a Anvisa, a vacina será administrada via subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
“A demonstração da eficácia da vacina Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, de fase três, randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança e imunogenicidade da vacina”, justificou a Anvisa ao anunciar a aprovação.
Anteriormente, em 2015, a Anvisa aprovou a vacina do laboratório Sanofi Pasteur, mas o imunizante acabou descartado pela maioria dos países como estratégia de prevenção por ser recomendado apenas para quem já contraiu algum sorotipo da dengue. Ela tem ainda como limitação a faixa etária para qual é indicada: 9 aos 45 anos.
A vacina japonesa
De acordo com a farmacêutica japonesa, os estudos clínicos da Qdenga tiveram 28 mil participantes, com acompanhamento de mais de quatro anos dos voluntários da última fase do estudo. Além da eficácia geral de 80,2%, o imunizante alcançou 90,4% de proteção contra hospitalizações pela doença 18 meses após a vacinação.
A Qdenga é feita com vírus vivo atenuado do sorotipo dois da dengue. A Takeda entrou com pedido de registro na Anvisa em 2021. O processo, segundo a agência, foi demorado porque foram solicitados dados complementares. A vacina “segue sujeita ao monitoramento de eventos adversos por meio de ações de farmacovigilância sob a responsabilidade da empresa”.
A Anvisa destacou que o imunizante recebeu recomendação positiva da agência sanitária europeia (EMA) e teve sua comercialização aprovada no continente em dezembro do ano passado. Ainda de acordo com a agência, a análise técnica que embasou a aprovação da vacina contou com um painel de discussão com especialistas no tema, realizado em janeiro.
Ainda não há previsão de quando a vacina estará disponível no mercado. Antes, ela precisará passar pelo processo de precificação junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Também não é possível dizer ainda se o produto será incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para ser oferecido em campanhas nacionais de vacinação.
Injeção de Interferon Lambda dá ao corpo as próprias armas para combater o vírus — Foto: Reprodução/The New England Journal of Medicine
Uma única injeção de Interferon lambda reduziu pela metade as chances de um paciente com Covid ir para o hospital. Medicamento experimental também se mostrou eficiente contra todas as variantes, mas agora enfrenta a burocracia para conseguir a aprovação de agências reguladoras.
Cientistas podem ter descoberto um novo remédio que promete ser a ‘bala de prata’ contra formas graves da Covid-19. Chamado de Interferon lambda peguilado, o medicamento reduziu pela metade as chances de um paciente com a doença ser hospitalizado, se mostrou eficiente para anular todas as variantes do vírus e ainda pode ser mais prático e barato que outros remédios já usados.
Os resultados apareceram após ensaios clínicos de fase 3 feitos no Brasil e no Canadá entre 2021 e 2022 e publicados neste mês na revista científica The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes da área.
A pesquisa foi feita com 2 mil voluntários que testaram positivo para Covid e foram atendidos na rede pública de saúde com sintomas leves a moderados – desses, 84% estavam vacinados;
No Brasil, mais de 30 cidades participaram do estudo (a maioria em Minas Gerais);
931 pacientes receberam uma dose de Interferon lambda e outros 1.018 receberam placebo;
A redução nas hospitalizações foi de 51% entre pacientes que receberam Interferon e estavam vacinados.
O estudo foi coordenado pelo brasileiro Gilmar Reis, professor de medicina da PUC Minas e associado da Universidade McMaster (Canadá), que vem apostando em pesquisas de medicamentos que atuam no sistema imunológico do paciente para frear a Covid, o que é uma ação diferente de outros remédios já existentes no mercado, como o Paxlovid da Pfizer (entenda mais abaixo).
“A Covid-19 trouxe uma quebra de paradigmas no tratamento de infecções virais do trato respiratório. O vírus mostrou que hoje nós podemos combater de forma eficiente as complicações de uma infecção respiratória utilizando medicamentos que atuam no sistema imunológico e na inflamação”, disse Reis em entrevista ao g1.
O professor é um dos líderes do ensaio clínico Together, que já avaliou 11 remédios diferentes em pacientes contaminados não-hospitalizados. Foi a equipe dele que ajudou a desmentir, no início da pandemia, a informação de que a hidroxicloroquina era eficaz contra a doença.
Nesta reportagem, você vai saber mais sobre:
O que é o Interferon lambda?
Como o remédio combate a Covid?
A comparação com outros medicamentos
Os obstáculos para aprovação e comercialização
1. O que é o Interferon lambda?
É um medicamento experimental, sintético, desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Eiger para estudos clínicos na África contra os vírus causadores das hepatites B, C e D.
O Interferon lambda é composto por uma única injeção, aplicada na região do umbigo, e busca ‘turbinar’ a resposta imune do corpo para infecções virais por vias áreas.
Reis conta que pediu à farmacêutica para testar o remédio em pacientes com Covid e que a autorização veio “de uma maneira totalmente desinteressada” por parte da empresa detentora da patente. Mas os resultados dos testes em voluntários surpreenderam:
O Interferon lambda se mostrou mais eficienteem pacientes que receberam o medicamento três dias após o início dos sintomas: redução de 65% nas chances de internação e de 81% no risco de morte;
Entre pacientes não vacinados, a redução de risco de morte foi de 89%;
Pacientes com alta carga viral no início dos sintomas e que tomaram o remédio apresentaram cargas virais mais baixas após o sétimo dia, na comparação com quem tomou placebo.
Na época do estudo clínico, várias variantes circularam no Brasil, e o remédio se mostrou eficiente contra todas – inclusive a ômicron e suas subvariantes, atualmente predominantes no mundo.
2. Como o remédio atua no organismo?
Os interferons são um grupo de proteínas produzidas pelo organismo. Quando o corpo é invadido por um vírus, elas emitem uma espécie de “alerta” para células vizinhas se fortalecerem.
Os interferons atuam diretamente na resposta imunológica, aumentando a capacidade de destruição de vírus e bactérias pelo próprio corpo;
A ‘família’ de interferons é composta por vários tipos e subtipos, batizados por letras do alfabeto grego;
O alfa, por exemplo, é comercializado no Brasil para tratamento de tipos de câncer e hepatites crônicas;
No caso do lambda, a atuação acontece nos tecidos epiteliais, localizados principalmente na parte respiratória, a porta de entrada do Sars-Cov-2 para o organismo.
O coronavírus desliga determinados genes e faz com que o corpo produza pouco Interferon lambda. Por algum motivo, esse é um dos mecanismos pelo qual o vírus impede a defesa do nosso organismo
— Gilmar Reis, professor de medicina da PUC Minas e coordenador do estudo
A injeção de Interferon Lambda dá ao corpo as próprias armas para combater o vírus. Os pacientes que tomaram essa “dose extra” de interferons tiveram essa deficiência provocada pelo coronavírus restaurada. Com isso, o organismo passou a combater o Sars-Cov-2 de forma mais adequada.
3. Interferon versus outros remédios
Os números que mostraram a eficácia do Interferon lambda são bem parecidos com os resultados de outros medicamentos já aprovados e usados no combate à Covid, inclusive no Brasil.
Atualmente, o principal deles é o Paxlovid, da Pfizer, que aparece em primeiro lugar na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) com “forte recomendação” para pacientes adultos com Covid não grave e com maior risco de hospitalização;
Nos ensaios clínicos de fase 3, o Paxlovid reduziu as chances de internação em 89%. Mas, após a ômicron, novos testes indicaram uma queda na eficácia do Paxlovid para 44%;
Outro antiviral recomendado pela OMS é o molnupiravir, que reduziu o risco de hospitalização em cerca de 30%.
Caixa de Paxlovid, da Pfizer — Foto: Jennifer Lorenzini/Reuters
O Paxlovid e o molnupiravir são medicamentos da classe dos antivirais, que atuam diretamente no combate ao vírus causador da doença, diferentemente do Interferon lambda, que faz parte de um grupo de remédios que incentiva que o próprio corpo desenvolva uma resposta imune ao vírus – a vantagem disso, segundo os pesquisadores, é uma maior eficiência na neutralização de variantes.
Além disso, tanto o Paxlovid quanto o molnupiravir são administrados por via oral por um período determinado. Por ser aplicado em dose única, o Interferon lambda promete um tratamento mais ágil e regrado do que o uso de comprimidos diários.
A expectativa também é de que ele, quando for comercializado, seja mais barato se comparado com o Paxlovid, medicamento encontrado nas farmácias com um preço salgado de R$ 4 mil.
“É um fármaco administrado em dose única tão eficaz quanto 30 comprimidos de Paxlovid por cinco dias em pacientes não vacinados e vacinados, independentemente da variante viral”, explicou o professor Gilmar Reis.
4. Os obstáculos para aprovação
Apesar de promissor, o Interferon lambda ainda enfrenta resistência da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos que equivale à Anvisa no Brasil. O órgão ainda não autorizou o uso emergencial do medicamento, apesar das tentativas da farmacêutica criadora do remédio e da pressão da comunidade acadêmica.
A aprovação esbarra na burocracia: de acordo com o professor Gilmar Reis, o ensaio clínico não incluiu uma cidade dos Estados Unidos, o que é uma condição imposta pelo órgão. Outro motivo é que o estudo foi iniciado e executado por pesquisadores acadêmicos, e não pela farmacêutica.
“Na época [do início do estudo], não havia um interesse comercial envolvido e muito menos da indústria detentora da patente”, disse o professor. “Só porque a droga foi estudada sem interesse comercial, quer dizer que ele não tem valor científico? Como assim?”, questionou Gilmar Reis.
As esperanças agora estão concentradas na possível aprovação pela Health Canada, agência reguladora canadense, onde foi feito parte do estudo. Com isso, a FDA poderia dar o aval ao medicamento por similaridade. Mas não há prazo para que isso ocorra.
E, no Brasil, o cenário é ainda mais incerto. O Interferon lambda precisa de um “braço” brasileiro para representá-lo, como um laboratório ou uma farmacêutica, que possa solicitar o uso do remédio à Anvisa e ser responsável pela comercialização no país.
“Somos cientistas e não temos propriedade sobre os medicamentos. Estudamos os mesmos para prover respostas para a população. Não cabe a nós a comercialização de um fármaco e sim estudar se ele possui eficácia ou não”, afirmou Reis.