A variação de temperatura no Outono contribui para o surgimento de infecções respiratórias, como a gripe. Em Feira de Santana, a vacina contra essa doença está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Saúde da Família (USFs), de segunda a sexta-feira.
Até o momento, só podem receber a vacina as pessoas que fazem parte dos grupos prioritários. São eles: idosos com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, crianças a partir de seis meses até os cinco anos, gestantes, puérperas, povos indígenas, professores e pessoas com comorbidades.
Também devem ser vacinados os trabalhadores do transporte coletivo, portuários, os que atuam nas forças de segurança e salvamento, forças armadas, agentes penitenciários, população privada de liberdade e adolescentes ou jovens em medidas socioeducativas.
Para receber a dose, é necessário apresentar documento de identidade, cartão SUS e caderneta de vacinação. É válido destacar que a aplicação em crianças e adolescentes é feita somente na presença dos pais ou responsável.
Quem trabalha durante o dia ou não tem disponibilidade para ir no horário comercial, pode ser vacinado à noite nas seis USFs vinculadas ao Programa Saúde na Hora, com funcionamento ampliado das 8h às 20h30.
Confira o endereço das USFs- Saúde na Hora:
USF Campo Limpo I, V e VI: Rua Hosita Serafim, S/N, bairro Campo Limpo.
USF Liberdade I, II e III: Rua El Salvador, S/N, bairro Feira VII.
USF Queimadinha I, II e III: Rua Pernambuco, S/N, bairro Queimadinha.
USF Parque Ipê I, II e III: Rua Ilha do Retiro, S/N, bairro Parque Ipê.
USF Videiras I, II e III: Rua Iguatemi, S/N, bairro Mangabeira.
USF Rua Nova II, III e Barroquinha: Rua Juvêncio Erudilho, 35, bairro Rua Nova.
A tecnologia para edição genética de humanos, ainda no embrião ou depois de nascido, já foi aplicada na prática. No entanto, há questões éticas em aberto. Entenda como essas terapias funcionam e quais são seus limites.
Em 2018, um cientista chinês chamado He Jiankui chocou o mundo ao anunciar o nascimento de dois bebês com genomas editados. Para isso, ele usou um método para a edição do genoma conhecido como CRISPR-Cas9 ou “tesoura genética”. O pesquisador alterou os genes CCR-5 dos embriões gêmeos para criar uma resistência ao vírus HIV.
Essas duas crianças, além de uma terceira que nasceu um ano depois, são os primeiros bebês do mundo que tiveram os genes modificados. Cinco anos depois do experimento, os três estão saudáveis e levam uma vida normal.
O experimento, porém, gerou grande repúdio de cientistas e de leigos, e acabou resultando na prisão de Jiankui por três anos pelo uso de “práticas médicas ilegais”.
Embora as três crianças possam representar os primeiros casos de embriões geneticamente modificados, elas não são os únicos seres humanos com um genoma editado.
A técnica da “tesoura genética” foi aplicada em mais de 200 adultos em ensaios clínicos para o tratamento da anemia falciforme. As terapias de edição genética mudaram a vida dos participantes, curando a doença sanguínea que os incapacitava. Novos testes para outras doenças estão em fase de preparação.
O método CRISPR-Cas9
A súbita explosão de terapias genéticas na última década é decorrente do desenvolvimento do método CRISPR-Cas9. Embora a edição genética exista desde a década de 1990, o CRISPR foi revolucionário devido à sua maneira precisa e programável de alterar o DNA.
O CRISPR-Cas9 é um sistema molecular de duas partes. O CRISPR é um aglomerado de sequências que pode ser programado para encontrar um trecho específico do DNA num gene, e o Cas9 é um elemento de edição que corta a fita de DNA e adiciona uma nova peça nela.
Soa simples, mas a parte difícil é sua implementação – o processo precisa ocorrer em trilhões de células no corpo se for usado para o tratamento de doenças.
A “tesoura genética” só é adequada para o tratamento de doenças como mutações genéticas “simples” em um tipo de célula. Se há a certeza de que uma doença é causada por um erro em um gene, como a anemia falciforme ou certos tipos de câncer, o CRISPR tem potencial para tratá-la.
Os limites da terapia genética
O método não é aplicável ao tratamento de doenças genéticas complexas, com mutações múltiplas em vários genes e em diferentes tipos de células. “Poucos pacientes têm uma causa genética identificável [de doença] que pode ser atingida”, afirma David Curtis, especialista em genética clínica da Universidade College de Londres.
Curtis tem dúvidas se a “tesoura genética” pode ser usada para tratar qualquer doença que tenha mais de uma mutação genética envolvida, pelo menos por enquanto. “A terapia não vai ajudar em relação a doenças genéticas complexas, como a esquizofrenia. O cérebro é um alvo insanamente difícil de tratar – seriam necessárias várias mudanças no DNA de bilhões de células cerebrais para renovar aquelas que se desenvolveram erroneamente. Isso não parece provável que funcione”, ressalta.
Há duas abordagens principais para edição genética: a edição da linhagem germinativa e terapias com células somáticas.
A edição da linhagem germinativa é realizada durante o desenvolvimento embrionário. Ao modificar um embrião enquanto ele é apenas uma célula ou um pequeno número de células, são editadas também todas as células que se criaram a partir delas, ou seja, a edição genética ocorre em todas as células do corpo.
Esse método é ótimo para curar doenças, mas ele afeta também espermatozoides e óvulos, fazendo com que o gene editado seja passado para filhos e netos. Assim, a edição de embriões altera o curso da evolução para as próximas gerações.
É precisamente o uso deste método que está no cerne do debate sobre “bebê projetados” que colocou Jiankui na cadeia. Defensores desta técnica argumentam que ela pode erradicar doenças como o aids ou vários tipos de câncer. Já os críticos levantam questões relacionadas a “brincar de Deus”.
Potencial de terapia com células somáticas
No método com células somáticas, os genes são editados em células retiradas do paciente ou de um doador e depois reimplantadas. Esse processo foi usado para tratar a anemia falciforme e tem potencial para o tratamento de doenças provocadas por outros genes com mutações em apenas um trecho.
A maioria dos cientistas argumenta que a edição de células somáticas tem mais usos potenciais do que a de linhagem germinativa. Ela funciona, e evita questões complexas sobre bebês projetados. Mas essa terapia tem também seus problemas, e os mais sérios são os potenciais efeitos fora do gene no alvo.
“Há risco da introdução de mutações em locais não desejados do genoma ao usar o CRISPR, alterando ou desativando a função de outros genes. Os seus efeitos no corpo ainda não são conhecidos”, afirma Van Trung Chu, pesquisador desse método no Centro Max Delbrück de Medicina Molecular em Berlim.
Algumas mutações aleatórias no genoma podem ser inofensivas, mas outras podem causar câncer e outras doenças genéticas. Há maneiras de vasculhar o genoma em busca de mutações, mas ainda não está claro o que aconteceria se elas fossem encontradas. Mais edição genética para corrigir os erros da primeira edição?
“As mutações não são completamente aleatórias. Dependendo da ferramenta de edição genética Cas usada, dá para ter uma ideia onde as mutações provavelmente estarão”, acrescenta Chu.
Tudo que cientistas podem fazer agora é realizar análises profundas de sequenciamento de genomas para encontrar alterações potenciais fora do gene alvo. É uma espécie de agulha no palheiro, se se souber em qual palheiro procurar. “No longo prazo, novas formas do CRISPR-Cas9 estão sendo desenvolvidas com menos efeitos colaterais potenciais”, avalia Chu.
A questão ética
A edição genética não está sendo desenvolvida num vácuo ético. Cientistas e leigos têm questionado essa tecnologia mesmo antes dela ter se tornado possível. A questão ética é, em parte, monitorada pelos próprios pesquisadores, cuja maioria concorda que a edição de embriões está fora dos limites.
O revés legal em relação aos bebês resistentes ao HIV de Jiankui abriu o precedente para a seriedade com que os países tratam a edição genética. “Está bem claro agora, não se pode editar o DNA da linhagem germinativa”, destaca Chu.
Já a edição genética chegou para ficar, mas não sem resistência. Para muitos, os cientistas estariam “brincando de Deus”. Para outros, o método causa desconforto e até repulsa, pois interfere na natureza.
Mas, novamente, pais não ficariam felizes se seus filhos pudessem ser curados ou que doenças fossem prevenidas com a edição genética? A ferramenta para tratar e erradicar algumas doenças já existe. O que é mais ético: usar a tecnologia disponível para a cura ou não usá-la em nenhum caso?
A Bahia assegurou junto ao Ministério da Saúde mais de R$ 42 milhões do Programa Nacional de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) executará cerca de R$ 27,7 milhões do total destinado ao estado, sendo responsável pela realização de procedimentos cirúrgicos em 381 dos 417 municípios. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (28).
Entre os procedimentos a serem executados estão: tratamento cirúrgico de varicocele, plástica mamária feminina não estética, histerectomia, litotripsia, retirada de placa e/ou parafuso e ressecção endoscópica de próstata. O acesso dos pacientes aos procedimentos elencados no Programa se dará a partir do cadastro Sistema Lista Única, no caso da gestão estadual. No caso da gestão municipal, a partir dos sistemas próprios de regulação.
Para a secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, “esse recurso comprova um novo momento para a saúde da Bahia na relação com o Governo Federal. Para além de diálogo, contamos com a sensibilidade do gestor federal para assegurar os recursos para os baianos”, ressalta a secretária.
Demanda represada pela Covid-19
O Governo do Estado já realizou 140 mil cirurgias eletivas desde março do ano passado, englobando mais de 45 tipos de procedimentos, levando atendimento de qualidade para quem mais precisa. Para acelerar a realização das cirurgias nos hospitais estaduais e unidades credenciadas a Sesab, foi adotada também uma estratégia itinerante, o que permitiu viabilizar a realização dos exames pré-operatórios e anatomopatológicos em localidades que não contavam com estrutura.
Um paciente com câncer de próstata em estágio terminal, com expectativa de vida de quatro meses, alcançou a remissão completa da doença após ser submetido a um tratamento inovadordesenvolvido por um médico brasileiro.
Scott Miller foi diagnosticado com câncer de próstata metastático, em estágio IV, em julho de 2021, aos 66 anos de idade. O tumor apresentava quase 12 centímetros de diâmetro e havia se espalhado para ossos, vesícula, bexiga, reto e outros órgãos.
O paciente foi tratado, ao longo de seis meses, com a tecnologia BTT, que consiste na indução de proteínas de choque térmico por meio de aumento da temperatura, de maneira controlada, pelo cérebro. As proteínas de choque térmico são encontradas em praticamente todos os organismos vivos com funções diversas e complexas.
A inovação foi desenvolvida pelo pesquisador brasileiro Marc Abreu, especialista em termodinâmica cerebral e frequências termorregulatórias formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O chamado túnel térmico cerebral (BTT, na sigla em inglês) foi desenvolvido pelo médico na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
O relato do caso clínico foi apresentado nesta quarta-feira (26) na 38ª edição do Congresso Anual da Society for Thermal Medicine, em San Diego, nos EUA.
“A redução de expressão da proteína de choque térmico está associada com câncer, doenças neurológicas e o envelhecimento. Para o tratamento de câncer, além da mudança da carga termodinâmica, utilizamos frequências diferentes durante a indução com o objetivo de atuar em áreas distintas. A modalidade é a mesma que usamos no tratamento de doenças neurológicas, mas a receita é diferente”, explica Abreu.
Foram necessárias cinco induções como tratamento, ao longo de seis meses. De acordo com o relato clínico, Miller não sentiu nenhum efeito colateral e não realizou nenhum tratamento adicional, ou seja, o paciente não passou em nenhum momento por radioterapia ou quimioterapia, tratamentos tradicionais para combater o câncer.
“Na primeira indução, já senti algo diferente. Com isso, me mudei temporariamente de Los Angeles para Miami, onde fica o Instituto Médico BTT, para dar continuidade ao tratamento. Depois do tratamento, meu radiologista ao rever os meus exames me informou que inacreditavelmente é como se eu nunca tivesse câncer”, diz o Miller.
O paciente será acompanhado a cada seis meses no instituto e fará baterias de exames por três anos.
“Um ponto muito importante é que, com esse tratamento, não só eliminamos o câncer, mas também a fonte do câncer. Temos a erradicação das células-tronco cancerígenas e a neutralização das moléculas sinalizadoras, que são as moléculas que levam ao desenvolvimento e depois a recorrência do câncer”. Marc Abreu, especialista em termodinâmica cerebral e frequências termorregulatórias
O tratamento que realiza a indução de proteínas de choque térmico por meio de hipertermia guiada pelo cérebro também foi utilizado em pacientes com doenças neurológicas.
“Acreditamos que a nossa tecnologia, baseada na termodinâmica do cérebro, tem um potencial único de prevenir e tratar inúmeras doenças a nível molecular”, afirma Abreu.
Doença silenciosa
O câncer de próstata é considerado uma doença silenciosa, que não costuma apresentar sinais ou sintomas nas fases iniciais. Alguns pacientes podem apresentar sintomas como dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, uma maior necessidade de ir ao banheiro, além da presença de sangue na urina.
A doença conta com perfis de evolução variáveis, podendo apresentar um crescimento lento ou rápido, de um paciente para outro.
O exame de toque é um dos métodos de rastreio para a detecção precoce do câncer. O teste permite ao médico verificar a estrutura da próstata, bem como possíveis sinais de aumento ou outras alterações. Com o envelhecimento, a próstata pode aumentar de tamanho naturalmente, sem que haja qualquer tipo de doença.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens a partir dos 50 anos, e mesmo sem apresentar sintomas, procurem atendimento médico, para avaliação individualizada com o objetivo de diagnosticar de forma precoce o câncer.
O exame de toque pode ser realizado anualmente a partir dos 50 anos para a população em geral, e deve ser iniciado aos 45 anos para homens que façam parte do grupo de risco, especialmente aqueles que contam com histórico familiar da doença.
Para o esclarecimento do diagnóstico, os especialistas também utilizam outro indicador chamado antígeno específico da próstata (PSA, na sigla em inglês). Embora a proteína seja produzida naturalmente pela glândula, o aumento no nível de PSA presente na circulação pode indicar a necessidade de investigar a presença de um tumor.
O exame de PSA é realizado a partir da coleta de sangue, que permite medir os níveis da molécula no organismo. Em seguida, os resultados são comparados pelo médico com outros fatores como o tamanho da próstata, a idade do paciente e a presença de nódulos ou inflamação na próstata.
Andréa Sunshine tem 53 anos e é atleta e influencer fitness Imagem: Reprodução/Instagram
720 é o número de pessoas com quem a influenciadora Andrea Sunshine, conhecida nas redes sociais como “vovó fitness”, revelou ter tido relações sexuais desde que se divorciou, há 18 anos. A brasileira radicada em Londres compartilhou esse e outros detalhes sobre sua vida sexual em entrevista recente ao tabloide britânico Daily Mail.
“Sobre os números, é muito difícil contar exatamente, mas em média, digamos que eu me relacionei com 3 a 5 pessoas por semana (…) Namorei rapazes e mulheres porque sou bissexual, o que dá cerca de 720 em média”, disse ela.
Mas, afinal, fazer sexo com tantas pessoas assim pode trazer algum risco para a saúde?
O infectologista Rico Vasconcelos, pesquisador do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e colunista de VivaBem, explica que, na verdade, o que é mais importante de ser levado em consideração não é o número de pessoas com quem uma pessoa se relaciona, mas, sim, as condições em que o sexo foi realizado —isto é, se foi seguro ou não.
Não importa se a ‘vovó fitness’ tem uma parceria sexual apenas ou se ela tem 720 parcerias. Se ela estiver usando algum método de prevenção com boa adesão, ela estará bem protegida. Rico Vasconcelos, infectologista none
Como diminuir o risco de contrair (ou transmitir) ISTs?
O preservativo é um item fundamental para diminuir o risco de ter ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), como herpesgenital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, HIV (vírus da imunodeficiência humana), hepatites virais B e C.
No caso do HIV, se a pessoa tiver se exposto ao risco de ter contraído o vírus, um recurso para evitar a contaminação é a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que é um medicamento de urgência —o tratamento deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 2 horas após a exposição e no máximo em 72 horas.
Já a PrEP (profilaxia pré-exposição) é voltada a pessoas não infectadas pelo HIV, mas com alto risco de adquiri-lo. É um método preventivo que consiste na combinação de medicamentos antirretrovirais que bloqueiam o ciclo de multiplicação do vírus e impedem a infecção do organismo.
Além disso, quem transa mais deveria se testar mais também. “O que eu recomendo é que a pessoa tenha uma rotina de testagem frequente de ISTs e, quanto maior for o número de parcerias sexuais, maior deve ser a frequência da testagem”, diz Vasconcelos.
Qualquer pessoa pode fazer a testagem para descobrir se tem alguma IST e, se tiver uma vida sexual ativa, o recomendável é realizá-la ao menos uma vez por ano. Os testes, cujos resultados saem no mesmo dia, são feitos de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em unidades básicas de saúde e CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento). É possível diagnosticar HIV (vírus da imunodeficiência humana), sífilis e hepatites B e C.
O caso da ‘vovó fitness’ é extremo, mas uma pessoa que tem esse ritmo sexual deveria se testar a cada três meses, segundo o infectologista. A testagem é importante não só para que o indivíduo possa buscar tratamento, mas também para evitar a disseminação da infecção para seus parceiros.
A vacinação é outra medida importante na prevenção das ISTs.
Todas as pessoas devem estar em dia com a sua vacinação para doenças que são transmitidas por via sexual, como é o caso das hepatites A e B e do HPV.” Rico Vasconcelos, infectologista
As estatísticas podem até errar, mas quando a própria OMS declara que o Brasil está entre os países com maiores níveis de estresse, é difícil duvidar. E todo mundo sabe o porquê: a sensação geral é que a pressão só cresce no trabalho, nos estudos, na família e na vida pessoal, sem falar de problemas financeiros, entre outros.
Apesar do cansaço que dá equilibrar todos esses pratos ao mesmo tempo, sem prejuízo do bem-estar, os especialistas explicam que nem todo estresse é ruim. Afinal, ele é reconhecido como uma resposta natural do cérebro que nos leva à adaptação, ajustes e superação de desafios e ameaças, ou seja, é isso que nos ajuda a resolver os perrengues do dia a dia.
Todo estímulo que altera nosso equilíbrio resulta em uma resposta de estresse.
Definidos como estressores, esses estímulos podem ser internos ou externos e provocam mudanças fisiológicas, psicológicas e comportamentais.
Tais alterações promovem uma cascata hormonal que altera mecanismos nervosos, endócrinos e imunológicos.
72% dos brasileiros sofrem sequelas decorrentes do estresse; entre estes, 32% se relacionam ao burnout.
Como o lado negativo afeta seu corpo
Os níveis de estresse dependerão da forma como cada pessoa percebe a intensidade da exposição ao fator estressante.
Quando o problema se repete por semanas e até meses, o corpo começa a soar o alarme por meio de manifestações como alterações no sono, dor de cabeça constante, irritabilidade, dificuldades de concentração, tensão muscular, etc.
Se isso se prolonga, todos os sistemas do organismo ficam sobrecarregados e se observará a piora de doenças preexistentes, abusos do álcool, tabaco, entre outras substâncias.
Além disso, os cientistas têm reconhecido o estresse crônico como um gatilho para alterações em várias funções do organismo, entre as quais se desacam:
Problemas gastrointestinais
Alterações na saúde cardiovascular
Redução das defesas do corpo
Prejuízos cognitivos
Mudanças nas taxas de glicemia
Você vê a saúde gastrointestinal decair
Pesquisas que observam a interação entre nutrição e estresse já identificaram complicações gastrointestinais, consequência da ação de catecolaminas (um tipo de hormônio), além da ligação entre a saúde do cérebro e a do intestino.
As mudanças identificadas são a redução da absorção dos alimentos, alteração da permeabilidade intestinal (mudanças na barreira contra as toxinas locais), modificações na secreção de ácido estomacal, além de maior propensão a inflamações.
Um dos efeitos mais comuns é a alteração no apetite (comer mais ou menos).
A digestão fica difícil e ocorre a aceleração do movimento intestinal.
Colite prévia ou doença de Crohn podem ser reativadas.
A síndrome do cólon irritável pode aparecer, assim como alterações na microbiota.
Úlceras e sangramentos são outros quadros comuns.
Você percebe que seu coração fica abalado
Pouco importa se o estresse é agudo ou crônico. O fato é que ele tem efeito nas funções cardiovasculares, estimulando-as ou inibindo-as. A gravidade dessas manifestações dependerá das características individuais (resposta ao estresse e doenças preexistentes).
O sistema cardiovascular responde ao estresse com o aumento da pressão sanguínea e do batimento cardíaco. Quando o estresse é crônico, ele pode ter como consequência doenças cardiovasculares.
A doença arterial coronariana, o AVC (Acidente Vascular Cerebral), a hipertensão arterial e arritmias são doenças relaciondas.
Pode haver estímulo para maior agregação plaquetária, isto é, da formação de coágulos, o que pode resultar em trombose, por exemplo.
Você vira alvo de todo tipo de doença
Quem vive estressado fica mais suscetível a doenças porque o estresse prejudica o sistema imunológico.
Quando o estresse é grave e prolongado, ele pode reduzir ou suprimir as atividades dos linfócitos (citotoxinas T) que protegem o corpo de células causadoras de doenças, inclusive as relacionadas a tumores.
Hormônios como catecolaminas e opioides, naturalmente excretados em momentos de estresse, têm o mesmo efeito.
As substâncias mediadoras do estresse são capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, encarregada de bloquear ou dificultar a passagem de agentes nocivos para o SNC (Sistema Nervoso Central).
Você percebe que seu cérebro não é mais o mesmo
A depender do tipo, do momento, da intensidade e duração do estresse, ele tem o poder de prejudicar a cognição.
Quando o estresse é moderado, ele até estimula a função cognitiva (memória virtual ou verbal).
Mas quando os limites de cada pessoa são ultrapassados, podem ser observados prejuízos cognitivos, especialmente os relacionados à memória e à capacidade de julgamento, resultado do estresse sobre as regiões do hipocampo e do córtex pré-frontal.
Essas ações sobre a memória dependem do tempo de exposição, podendo levar a alterações da memória tanto na sua formação, organização e armazenamento de novas lembranças, como as mais antigas.
Fatores como idade, sexo, podem ainda influenciar todos esses resultados.
Você observa que há algo de errado com seus hormônios
Os especialistas afirmam que é impossível dissociar a resposta ao estresse do funcionamento do sistema endócrino. É a partir dele que ocorre a excreção dos hormônios esteroides, principalmente o cortisol, que garantem a energia necessária para superar situações estressantes.
Inclui-se nesse processo a queda dos níveis de insulina, o aumento da adrenalina, e o estímulo do pâncreas para a secreção do glucagon, entre outros. Esses fatores, juntos, podem levar ao aumento dos níveis de glicemia (hiperglicemia).
Para além da aparecimento de sintomas como sede, problemas na visão, pessoas com diabetespodem ter maiores dificuldades para controle da taxa glicêmica.
Eu sou estressado ou ansioso?
Imagem: iStock
O estresse é uma resposta física ou mental a uma causa externa, como a expectativa de um evento como um exame ou estar doente, ou interna, como os pensamentos negativos. Esses fatores podem ser isolados, ter curta duração, mas também durar ou se repetir ao longo do tempo.
Ele também pode ser positivo (eustresse) —como quando você consegue atender a um prazo no trabalho ou durante o nascimento de um filho; ou negativo (distresse), quando um determinado problema tira o seu sono, por exemplo.
Já a ansiedade pode ser um sintoma do estresse e pode persistir, mesmo que não exista uma ameaça aparente. Caso esse estado seja permanente e comece a atrapalhar a vida, é preciso procurar por ajuda especializada.
Como lidar?
Os especialistas consultados afirmam que é possível adotar algumas medidas que ajudam a controlar os efeitos indesejados do estresse.
Adote uma rotina de exercícios e uma dieta equilibrada;
Experimente diferentes técnicas de relaxamento e escolha aquela com a qual se identifique mais;
Aposte na respiração diafragmática. O abdome deve subir ao inspirar e descer ao expirar;
Adote, no dia a dia, uma postura que o mantenha no aqui e agora;
Zele pela higiene de seu sono, organizando-se para dormir horas suficientes para você;
Evite o consumo de cafeína em excesso –seja por meio de bebidas energéticas, seja exagerando no cafezinho. O mesmo se aplica às bebidas alcoólicas;
Mantenha um diário para identificar fatores desencadeantes que podem ser prevenidos ou controlados;
Conecte-se com outras pessoas, não só por meio do celular;
Limite seu tempo de exposição às notícias na TV ou nas mídias sociais, caso observe que elas potencializam a sensação de estresse.
Fontes: Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association) e diretora da Clínica de Stress e Biofeedback, em Porto Alegre; Sonir Roberto Rauber Antonini, médico endocrinologista e endocrinologista pediátrico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, professor titular da mesma instituição, e presidente do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia); Talísia Vianez, neurologista, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas, que integra a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), sócia-proprietária do Instituto do Senescer. Revisão técnica: Ana Maria Rossi e Sonir Roberto Rauber Antonini.
Referências:
OMS (Organização Mundial da Saúde)
Chu B, Marwaha K, Sanvictores T, et al. Physiology, Stress Reaction. [Atualizado em 2022 Set 12]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541120/
Yaribeygi H, Panahi Y, Sahraei H, Johnston TP, Sahebkar A. The impact of stress on body function: A review. EXCLI J. 2017 Jul 21;16:1057-1072. doi: 10.17179/excli2017-480. PMID: 28900385; PMCID: PMC5579396.
Pessoas a partir de 12 anos de idade sem comorbidade podem receber a vacina bivalente contra a Covid exclusivamente nesta semana, a partir de segunda-feira (17). A estratégia é para imunizar e proteger o maior quantitativo de pessoas que devem curtir o Micareta.
Para receber o imunizante é necessário ter tomado ao menos duas doses da vacina monovalente da Covid, com intervalo de quatro meses desde a última dose recebida.
A vacina será aplicada nas 104 salas de vacina das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de Saúde da Família (USF). Para ser imunizado, é necessário apresentar os documentos de identidade, cartão SUS e caderneta de vacinação.
À noite, a imunização também pode ser realizada nas USFs vinculadas ao Programa Saúde na Hora, com funcionamento ampliado das 8h às 20h30. São elas: Campo Limpo I, V e VI, Liberdade I, II e III, Queimadinha I, II e III, Parque Ipê I, II e III, Videiras I, II e III e Rua Nova II, III e Barroquinha.
Vale destacar que a depender da demanda e do quantitativo de estoque da vacina na Rede de Frio da Secretaria Municipal de Saúde, existe a possibilidade manter a imunização deste público no período pós-Micareta.
Levar os serviços médicos de excelência da Santa Casa de Feira de Santana à população carente. É este o principal objetivo da “Santa Casa nas Comunidades”, cuja primeira edição aconteceu no último sábado, 15, no distrito de Maria Quitéria.
Foram oferecidos diversos serviços, entre os quais, consultas com ortopedista, cardiologista, enfermagem e atendimento social. O pescador Salvador Santos, de 59 anos, aproveitou para se consultar com os dois médicos presentes. “Achei o atendimento ótimo, e atendeu à minha necessidade. A saúde é muito importante”, afirmou.
Os profissionais atuam de forma voluntária, destaca o provedor da instituição, Rodrigo Matos. “Ficamos realizados, pois esta iniciativa nos conecta ainda mais com a comunidade de Feira de Santana, principal razão da existência da Santa Casa. Evidencia a finalidade e os princípios filantrópicos da nossa atividade”, observa o médico Rodrigo Matos, provedor da Santa Casa.
De acordo com a supervisora da ação, a assistente social Karina Ataíde, a primeira edição do “Santa Casa nas Comunidades” superou as expectativas da entidade. “Temos certeza de que vamos contribuir para a oferta de serviços de saúde com qualidade à população das localidades mais vulneráveis”.
A próxima edição está agendada para 20 de maio. Além das consultas com especialidades, os pacientes terão acesso também a exames de ecocardiograma.
Água com gás é aquele tipo de coisa que ou se ama, ou se odeia. Enquanto há quem ache fantástica a ideia de poder beber uma bebida borbulhante sem culpa —ao contrário dos refrigerantes—, muita gente detesta, afirmando se tratar de uma água “salgada”.
Independentemente de gosto, uma dúvida que sempre paira sobre a água com gás é se ela pode fazer mal à saúde. E aí surgem diversos mitos, como uma suposta presença a mais de sódio, o que poderia fazer mal aos rins, até mesmo um potencial para estragar os dentes. Mas será que alguma dessas afirmações é verdade?
Em primeiro lugar, vale salientar que essa bebida nada mais é do que água com gás carbônico e traz duas variações: as naturais e as industrializadas.
“As águas naturalmente gaseificadas geralmente são encontradas em regiões com fontes termais. Um dos motivos para isso é que as rochas desses locais se decompõem devido ao calor que vem do centro do planeta e se combinam com a água dos lençóis freáticos”, explica João Guilherme Rocha Poço, professor de engenharia química da FEI.
Já as artificiais dependem de um processo que irá adicionar gás carbônico ao líquido. Isso é feito injetando gás pressurizado na água, sem qualquer processo adicional. Tanto que existem máquinas portáteis capazes de fazer esse procedimento de forma rápida e simples em casa.
Quantidade de sódio é a mesma
Uma das preocupações sobre a água com gás é uma suposta presença adicional de sódio. Isso porque essa substância, se consumida em excesso, pode causar problemas de saúde. Muito sódio no organismo pode causar problemas no sistema urinário, como a formação de pedras nos rins, e também favorece o aparecimento de problemas cardiovasculares, como a hipertensão.
Água com gás nada mais é do que água com gás carbônico. De forma geral, ela tem as mesmas características da água convencional e o fato de ter gás não faz ela ter mais sódio ou prejudicar os dentesImagem: iStock
A boa notícia para quem curte água com gás é que esse tipo de bebida não tem, necessariamente, mais sódio do que a água comum.
Não há adição de sódio ou sais nesse processo de gaseificação. Entretanto, mesmo nas águas normais, podemos identificar variações na concentração de sódio entre diferentes marcas. Isso se deve às diferenças nas fontes e nos solos de sua origem. Essas diferenças são mínimas e não há impacto na saúde. Marina Pamponet, gastroenterologista do Hospital Mater Dei de Salvadornone
Outra boa notícia é que a bebida também não afeta os dentes. “Hoje sabemos que o seu consumo não afeta a saúde dos dentes ou qualquer outro órgão. Entretanto, as sodas e refrigerantes gaseificados podem ser prejudiciais [por causa do açúcar]”, complementa Pamponet.
O consumo da bebida, porém, requer atenção de pessoas com problemas gástricos, já que o processo de gaseificação da água gera ácido carbônico. Mesmo se tratando de um ácido fraco, ele promove uma leve alteração no pH da água, que fica mais ácida e pode causar desconforto se consumida em grande quantidade por pessoas com esse tipo de quadro.
“Caso haja flatulência e empachamento gástrico, é melhor evitar o seu consumo”, diz Antônio Guilherme Monteiro, gastroenterologista no Hospital Dia Campo Limpo, gerenciado pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”) em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
Monteiro também reforça uma orientação que vale para todo tipo de líquido: a de não beber durante as refeições. “Não devemos tomar líquido quando comemos, menos ainda com gás, pois aumenta o volume e causa plenitude gástrica.”
Fora isso, a água com gás pode ser consumida livremente e traz todos os benefícios de sua versão sem gás.
O Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) convocou os médicos que trabalham nas unidades de saúde de Feira de Santana geridas pelas empresas Imaps e IGI para uma assembleia que será realizada na noite desta segunda-feira (17), de forma online, pela plataforma Meet.
A assembleia discutirá a situação dos médicos e deliberará sobre as estratégias a serem adotadas pela entidade.
O Sindimed informou que seus representantes participaram de duas audiências, nos dias 12 e 14 deste mês, junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), em busca de uma solução para pagamento dos honorários médicos em atraso.
Nas duas oportunidades, o Sindimet apresentou como proposta, o pagamento direto aos médicos, por meio da cessão de crédito. Embora a proposta tenha sido recepcionada pela Procuradora do Trabalho que conduz as negociações, os institutos (IMAPS e IGI), segundo o sindicato, não concordaram.
Uma nova audiência de mediação foi remarcada pelo MPT para o dia 26 de abril.