Foto: Arthur Stabile/UOL

A Fiocruz zerou suas pendências com a Anvisa para o uso emergencial da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Já o Instituto Butantan, parceiro da chinesa Sinovac na produção da CoronaVac, deve três documentos —a data limite de entrega é o dia 28 de janeiro.

A falta desses dados, porém, não deve alterar a autorização já obtida pelo Butantan de vacinar grupos de risco — profissionais de saúde, idosos e indígenas. No domingo (17), a Anvisa autorizou o uso emergencial dos dois imunizantes, mas fez ressalvas a três documentos da Fiocruz e a quatro do Butantan.

Na manhã desta quarta, restava dessas demandas a entrega dados complementares de três documentos sobre Coronavac:

  • Imunogenicidade – Falta enviar dados sobre a quantidade de anticorpos que cada quantidade de vacina produz no corpo humano. Saber isso permitirá que se use a menor quantidade possível de imunizante para gerar a mais quantidade possível de proteção
  • Eficácia em diferentes grupos – É a eficiência da vacina em grupos específicos de voluntários, como idosos jovens, pessoas que já tiveram a doença ou que possuem comorbidades. “É um dado necessário para entender melhor de que forma cada perfil da população se beneficia da vacina e se a vacina teria eficácia aceitável em quem nunca teve a doença”, afirmou a Anvisa.
  • Validação dos testes – “São as informações sobre como são feitas as análises de imunogenicidade, ou seja, se o teste utilizado para medir a presença e a quantidade de anticorpos nos voluntários da pesquisa garante resultados confiáveis”, disse a agências. “É importante porque a metodologia do teste e a sua confiabilidade têm impacto na interpretação dos resultados.”.

Até o momento, nenhum laboratório fez o pedido de registro de vacina na Anvisa, o que permitirá que os imunizantes possam ser aplicados em qualquer pessoa. Há uma expectativa de que a Fiocruz faça a requisição nesta semana. O laboratório, porém, ainda não recebeu os primeiros 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford, que seriam importadas da Índia na semana passada. Já o Butantan, que entregou às autoridades brasileiras 6 milhões de doses da Coronavac, aguarda a liberação de outros 4,8 milhões, informou que entregará os documentos pendentes dentro prazo.

Informações melhorariam aplicação de vacinas A assessoria da Anvisa informou que as informações pendentes não se prestam a confirmar a segurança das vacinas.

“Nenhuma das ressalvas trata de questionamentos sobre a segurança das vacinas”, disse a agência ao UOL.

“[A segurança] está bem demonstrada nos estudos. As ressalvas tratam basicamente de entender melhor a eficácia e se as vacinas [de Oxford fabricadas na Índia e no Reino Unido] são comparáveis.” Um servidor da agência que já trabalhou com liberação de vacinas acrescentou, reservadamente, que esse é um procedimento normal devido à complexidade do tema e à pandemia de coronavírus. Segundo ele, a busca de novos documentos serve de subsídio para identificar se algo precisa ser ajustado ou melhorado.

No caso do chamado “relatório de imunogenicidade”, a Anvisa informou, no domingo passado, que o “dado é imprescindível para que se possa concluir a duração da resposta imunológica nos indivíduos vacinados”. O epidemiologista e ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Wanderson Oliveira disse ao UOL que os documentos pendente pedidos pela Anvisa são importantes, mas não críticos. “Não são informações que vão causar nenhum prejuízo, como: ‘Ah, eu não devia ter liberado’ e fazer recuar”, disse. Segundo Oliveira, essas novas informações do uso emergencial das vacinas vão ser úteis para facilitar e acelerar o registro dos imunizantes. Há outras vacinas em análise no Brasil, e ontem a Anvisa anunciou que concedeu certificado de boas práticas aos laboratórios Pfizer e Janssen.


Proposta é de autoria do deputado Márcio Labre

Foto: Reprodução

Pleno News- Tramita na Câmara dos Deputados uma proposta de lei que estabelece, em caso de vacinação obrigatória, uma indenização de R$ 500 mil ao paciente que tiver reação grave ao imunizante contra a Covid-19. O texto também determina que, em caso de morte, o valor seja transferido aos herdeiros.

O projeto de Lei 5643/20 é de autoria do deputado Márcio Labre (PSL-RJ). O documento prevê que o paciente que assinar um termo de consentimento ao tomar a vacina, não terá direito à indenização.

A proposta inclui também a perda automática de função pública da autoridade que determinar a vacinação obrigatória, além da proibição de campanhas publicitárias que divulguem imunizantes sem registro definitivo da Anvisa.

– Nada mais justo e correto que autoridades públicas audaciosas tenham que responder por danos diretos e indiretos provocados à população, mesmo a aquelas que decidam se vacinar. Ressaltando, que a legislação proposta protege ato individual e consciente de recusar-se a vacinar-se – diz o deputado.


Foto: Divulgação PMFS

Feira de Santana supera a marca de 21 mil recuperados da Covid-19. Até agora, são exatamente 21.073 pacientes curados da doença, índice que representa 93,7% dos casos confirmados. Além disso, nas últimas 24h foram registrados 148 exames negativos para o vírus e 47 casos positivos.
O boletim epidemiológico contabiliza ainda 56 pacientes internados no município e 1.011 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. O informativo também confirma mais três mortes. A informação é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde nesta quarta-feira (20).

Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana
NÚMEROS DESTA QUARTA-FEIRA
20 de janeiro de 2021

Casos confirmados no dia: 47
Pacientes recuperados no dia: 169
Resultados negativos no dia: 148
Total de pacientes hospitalizados no município: 56
Óbitos comunicados no dia: 3
Datas dos óbitos: 03/01, 06/01 e 18/01

A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por Covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.

NÚMEROS TOTAIS

Total de pacientes ativos: 1.011
Total de casos confirmados no município: 22.485 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2021)
Total de pacientes em isolamento domiciliar: 955
Total de recuperados no município: 21.073
Total de exames negativos: 31.677 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2021)
Aguardando resultado do exame: 1.062
Total de óbitos: 401

INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS

Total de testes rápidos realizados: 20.813 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2021)
Resultado positivo: 3.707 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2021)
Em isolamento domiciliar: 10
Resultado negativo: 17.106 (Período de 06 de março de 2020 a 20 de janeiro de 2021)

O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).

Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana


 Foto: Wevilly Monteiro

Nas últimas 24h, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) aplicou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 para 725 pessoas, que compõem o grupo prioritário nessa primeira fase. 

Recebem o imunizante os profissionais da linha de frente no combate à doença e idosos que moram em instituições de longa permanência – acima de 60 anos.

As 6 mil doses da CoronaVac chegaram à SMS, nesta terça-feira, 19, às 11h40. Logo depois do meio-dia foi dado início à vacinação no Hospital de Campanha, Hospital Bambinos e no Lar do Irmão Velho. 
Nesta quarta-feira, 20, a vacinação prossegue entre os profissionais de saúde das policlínicas, UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) e nos hospitais da rede pública e privada.


Foto: Izinaldo Barreto

Dona Zumira Maria dos Santos, aos 98 anos, foi a primeira idosa a ser vacinada contra a Covid-19 em Feira de Santana na tarde desta terça-feira (19). “É a melhor coisa do mundo pra nós. Agora podemos receber, mais seguros, nossos parentes e amigos”, comemorou.

Beneficiada com a primeira dose da CoronaVac, Zumira, natural de Jussiape, na Bahia, faz parte do grupo prioritário. Ela reside há três anos no Lar do Irmão Velho, uma Instituição de Longa Permanência do Idoso. 

Somente nesta entidade, 56 idosos e mais 46 profissionais da área de saúde e de apoio direto receberam o imunizante.

Desde o início da pandemia, segundo Bertulino Neto, presidente da instituição, “metade da população interna foi contaminada pelo vírus”, e pelo menos dois idosos morreram. 

De acordo ao quantitativo da primeira remessa da CoronaVac que encontra-se no município, 250 idosos da Casa de Repouso Nosso Lar, da AFAS (Associação Feirense de Assistência Social), do Dispensário Santana, da Casa de Amparo e ainda da Casa de Repouso Saúde e Bem serão imunizados ao longo da semana pela equipe da Atenção Básica e Referência Técnica em Saúde da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).


Certificações foram oficializadas pela Anvisa nesta terça-feira, 19, e são necessárias para que uso emergencial das vacinas contra Covid-19 seja solicitado

Foto: EFE/EPA/Ben Birchall / POOL

Jovem Pan- As farmacêuticas Janssen e Pfizerreceberam nesta terça-feira, 19, um selo de boas práticas de fabricação de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um dos pré-requisitos para a solicitação do uso emergencial dos imunizantes contra a Covid-19 desenvolvidos por elas no Brasil. Em nota, a agência reguladora afirmou que a certificação da Pfizer foi feita após análise de informações e a da Janssen, que tem três empresas envolvidas no processo de fabricação das vacinas, ficou com apenas uma pendência em uma delas. No Brasil, o imunizante da Janssen está na fase 3 de testes. Se os protocolos do estudo seguirem o cronograma previsto, os resultados devem ser divulgados no mês de fevereiro e o pedido para uso pode ser formalizado ainda em março.

No Brasil, duas vacinas tiveram uso emergencial aprovado neste domingo, 17: a da Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan com tecnologia chinesa, e a de Oxford/AstraZeneca, produzida em parceria com a Fiocruz com tecnologia britânica. A partir do momento em que o pedido para uso emergencial das vacinas da Janssen e da Pfizer forem submetidos, o desenvolvimento da análise dos documentos de cada uma delas poderá ser acompanhado pela população por meio de um painel desenvolvido pela Anvisa.


Foto: Washington Nery

Relatório sobre Covid-19 em Feira de Santana
NÚMEROS DESTA TERÇA-FEIRA

19 de janeiro de 2021

Feira de Santana está perto de alcançar a marca de 21 mil recuperados da Covid-19. Até agora, são exatamente 20.904 pacientes curados da doença, índice que representa 93% dos casos confirmados. Além disso, nas últimas 24h foram registrados 380 exames negativos para o vírus e 57 casos positivos.
O boletim epidemiológico contabiliza ainda 53 pacientes internados no município e 1.136 casos ativos, ou seja, pessoas que ainda estão com a doença. O informativo também confirma mais duas mortes. A informação é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde nesta terça-feira (19).

Casos confirmados no dia: 57
Pacientes recuperados no dia: 52
Resultados negativos no dia: 380
Total de pacientes hospitalizados no município: 53
Óbitos comunicados no dia: 2
Datas dos óbitos: 09/01 e 15/01

A Secretaria de Saúde ressalta que a inclusão no boletim dos registros de óbito por Covid-19 é feita quando a declaração de óbito, ficha de notificação e resultado do exame positivo para a doença chegam à Vigilância Epidemiológica.

NÚMEROS TOTAIS

Total de pacientes ativos: 1.136
Total de casos confirmados no município: 22.438 (Período de 06 de março de 2020 a 19 de janeiro de 2021)
Total de pacientes em isolamento domiciliar: 1.083
Total de recuperados no município: 20.904
Total de exames negativos: 31.529 (Período de 06 de março de 2020 a 19 de janeiro de 2021)
Aguardando resultado do exame: 707
Total de óbitos: 398

INFORMAÇÕES TESTES RÁPIDOS

Total de testes rápidos realizados: 20.813 (Período de 06 de março de 2020 a 19 de janeiro de 2021)
Resultado positivo: 3.707 (Período de 06 de março de 2020 a 19 de janeiro de 2021)
Em isolamento domiciliar: 10
Resultado negativo: 17.106 (Período de 06 de março de 2020 a 19 de janeiro de 2021)

O teste rápido isoladamente não confirma nem exclui completamente o diagnóstico para covid-19, devendo ser usado como um teste para auxílio diagnóstico, conforme a nota técnica COE Saúde Nº 54 de 08 de abril de 2020 (atualizada em 04/06/20).

Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana


Foto: Wevilly Monteiro

A primeira pessoa vacinada pela rede municipal de saúde contra a Covid-19 foi a enfermeira Francineth Lobo, de 52 anos. Ela atua no Hospital de Campanha, na linha de frente contra a doença. A profissional faz parte do grupo prioritário que receberá a imunização na primeira etapa da vacinação. 

“Me sinto mais segura e aliviada”, falou Francineth, que também é gerente operacional da unidade, logo após receber a primeira dose da vacina CoronaVac, no início da tarde desta terça-feira, 19. “Foram meses de trabalho incansáveis”, completou. 

O diretor do Hospital de Campanha, médico Francisco Mota, foi o terceiro vacinado no dia. “A vacinação é a melhor notícia do ano. É a esperança para que as nossas vidas voltem ao normal”, afirmou. 

O secretário municipal de Saúde, Edval Gomes, acompanhou o ato. “Estamos muito felizes com a chegada da vacina. Iniciamos no Hospital de Campanha, um local simbólico, onde durante o período da pandemia foi ofertado um ótimo suporte de saúde para a população”, pontuou. 40 funcionários foram vacinados.

Feira terá 9 mil doses nesta primeira etapa de vacinação. Serão imunizados, além dos trabalhadores da saúde que atuam em emergência e UTI, idosos acima dos 75 anos – e a partir dos 60 para os que vivem em asilos e instituições psiquiátricas.


Resultado preliminar de pesquisa indicou que a proteção permaneceu do imunizante estável até o 71º dia

Foto: Divulgação

Pleno News- Um estudo científico sobre a vacina da Johnson & Johnson contra a Covid-19apontou que o imunizante pode gerar uma resposta imune duradoura. Em resultados preliminares, os anticorpos neutralizantes foram encontrados em mais de 90% dos voluntários após um mês de uso. Novos dados ainda serão analisados para que a tese possa ser confirmada.

Publicado no conceituado The New England Journal of Medicine, o estudo detalha que 805 voluntários foram testados, com idades de 18 a 55 anos. Os anticorpos foram encontrados em 100% deles no 57º após a vacinação, de acordo com a análise preliminar dos estudos.

A pesquisa ainda indicou que a proteção permaneceu estável até o 71º dia. Mas a Johnson & Johnson informou que precisa continuar observando todos participantes desses testes por um ano, para entender melhor os dados.

Os testes de segurança da vacinatambém foram positivos. Os efeitos adversos mais comuns foram leves, como fadiga, dores de cabeça, dores musculares e dores no local da injeção. Em pessoas mais velhas, as reações foram ainda menos comuns e ficaram menores após a aplicação da segunda dose.

Segundo a empresa, os resultados dos testes da fase 3, que mostram a eficácia, devem ser divulgados até o final do mês de janeiro. O imunizante pode ser uma boa opção para o Brasil, já que utiliza a mesma tecnologia da vacina de Oxford, de adenovírus, que foi aprovada recentemente no país. Além disso, ela já foi testada em algumas cidades brasileiras.


Foto: BRUNO KELLY/REUTERS

Carlos Madeiro/UOL- A velocidade e a gravidade da evolução da covid-19 em pacientes que buscam os prontos-socorros em Manaus têm chamado a atenção dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente. Está inclusive formando infecções mais graves e em menos tempo do que a doença vista na primeira onda.

Durante quatro dias na capital amazonense, o UOL ouviu relatos de profissionais que atestam que a nova fase da covid-19 tem maior transmissibilidade causada por mutações que geraram uma nova variante no estado.

Além disso, os dados mostram que pessoas mais jovens estão morrendo agora. Segundo registros de óbitos nos últimos 30 dias, quatro em cada dez vítimas fatais tinham menos de 60 anos no estado. “Algo de muito diferente está ocorrendo em Manaus. Não sei informar se é uma cepa nova ou se é algo diferente.

Mas quem está na linha de frente está vendo um aumento da gravidade dos casos”, conta o infectologista e pesquisador Noaldo Lucena, que atua em clínica popular, atendimento domiciliar e hospitais públicos. As mudanças, diz, vão além da já sabida maior contagiosidade da nova variante do vírus.

Claramente estamos diante de um ser invisível que é muito mais patogênico e transmissível. Hoje chegam famílias inteiras com os sintomas ao mesmo tempo, antes era um de cada vez.

Noaldo Lucena, infectologista Exames mostram gravidade maior Lucena conta que em exames mais recentes de pacientes há lesões nos pulmões mais graves. “Neste ano, eu já vi mais 150 pessoas aqui na clínica e mais 300 no serviço público. Digo que menos de 2% deles tinham comprometimento leve. Os demais eram comprometidos acima de 50%. Alguns com 70%, 80%, 90%, com necessidade de internação imediata e até suporte ventilatório”, diz.

Segundo ele, agora a doença apresenta menos sintomas capazes de serem percebidos em um exame clínico. “Você ausculta o pulmão do paciente e não escuta nada. Mas, quando vemos a imagem tomográfica, não acredita como há um comprometimento tão grande com tão pouca repercussão clínica notória.” Mais mortes em jovens Uma outra questão relatada é a mortalidade de pessoas mais jovens, que estaria também associada à maior patogenicidade do vírus. O UOL analisou os dados mais recentes do Portal da Transparência dos cartórios. Foram registrados 710 óbitos no estado (dado que ainda pode aumentar), dos quais 285 de pessoas com menos de 60 anos —ou 40,1% do total. Antes desse período, esse percentual era de 36,5%.

“Sem dúvida muito mais jovens estão morrendo. Não estamos falando só de grupo de risco: isso está em todas as faixas etárias, atingindo bebês, crianças, adolescentes mesmo sem comorbidade”, aponta a infectologista Silvia Leopoldina, que também atua nas redes públicas estadual e municipal de Manaus. A médica afirma que houve mudanças no comportamento da doença no estado.

“Antes, os primeiros sintomas de gravidade apareciam em torno do décimo dia em diante. Agora têm pacientes que, com sete, oito dias, estão com comprometimento de 75% dos dois pulmões”.

Esse encurtamento no tempo de agravamento dificulta a recuperação, conta ela. O governador do Amazonas,

“Silenciosa demais”

A enfermeira e professora Ana Paula Rocche concorda que “o vírus não é mais o mesmo”. Ela relata que a queda de saturação de pacientes ocorre de forma muito mais rápida e silenciosa.
“O paciente começa no primeiro dia sentindo uma dor de garganta; depois sente uma dor de cabeça; no terceiro dia ele já começa uma febre, mas no quarto começa uma falta de ar, e quando você coloca um oxímetro nele, a saturação que era para estar em 98% está 70%, 75%. Isso não é normal! É uma coisa extremamente grave que ataca as vias aéreas e pulmões, e de forma silenciosa demais”, pontua. Ela trabalha com atendimento a pacientes, inclusive acompanhando remoções particulares de casos graves para outros estados.

A enfermeira conta que, em vez de dor, muitos pacientes tem relatado uma “agonia” no peito.

O pulmão parece que vai ressecando, que vai encolhendo; e aí você entra com tudo que é antibiótico, anticoagulante e o pulmão não expande. Isso não é normal”, diz.

Nós não estamos sabendo lidar com isso. Está estranho demais. As pessoas ficam ruins em outros locais, mas não como a gente está vendo. Isso aqui é outra coisa. Ana Paula Rocche, enfermeira Colapso e nova variante agravam situação O professor Bernardino Albuquerque, da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e pesquisador da Fiocruz Amazônia, avalia que essa percepção vem do colapso do sistema de saúde.

“A partir do final de dezembro, houve uma saturação no atendimento. Temos visto pacientes esperando horas em uma ambulância. O estado clínico fica agravado por essa peregrinação, além de faltar insumos”, diz.

Se tivéssemos um sistema de saúde preparado para atender esse segundo momento, não haveria tantas mortes. O governo desmontou toda estrutura que tinha antes, estamos começando tudo de novo. Bernardino Albuquerque, pesquisador Um ponto que agravou a situação do estado foi a nova variante do SARS-CoV-2. “Chance [de causar doença mais grave] existe, mas não existem evidências ainda sobre ser mais patogênica”, explica o pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia.

Segundo artigo publicado ontem, a nova variante pode ser capaz de furar a imunidade adquirida por outra cepa.