Dados foram reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de saúde
Número de vacinados contra Covid-19 no Brasil passa de 2 milhões Foto: Reprodução
O número de vacinados contra a Covid-19 no Brasil chegou a 2.002.455 neste sábado (30), de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de saúde. Em comparação com o balanço divulgado na sexta-feira (29), foram vacinados 128.377 brasileiros nas últimas 24h.
O total de vacinados é equivalente a 0,95% da população brasileira e 1,24% da população com mais de 18 anos. Já foram aplicadas 23,85% das doses disponíveis.
Veja abaixo a lista das doses aplicadas por estado:
Estados / Quantidade de doses aplicadas SP / 387.561
Agência Brasil- O Ministério da Saúde informou hoje (30) que deve receber em meados de fevereiro entre 10 e 14 milhões doses da vacina produzida pela AstraZeneca-Oxford contra a covid-19. A pasta recebeu uma carta do consórcio internacional Covax Facility com as informações sobre o repasse de doses. O grupo faz parte de uma aliança global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir acesso ao imunizante.
O Brasil é um dos 191 países que fazem parte da Covax Facility. Em setembro do ano passado, duas medidas provisórias editadas pelo presidente Jair Bolsonaro garantiram os recursos para que o país participasse do consórcio.
O governo federal também possui parceria direta com o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford para produção de vacinas, por meio da Fundação Osvaldo Cruz, e com o Instituto Butantan, responsável pela CoronaVac.
Amanda Palma/Correio- De quantas vídeochamadas você participou este ano? E o seu WhatsApp? Você ainda consegue acompanhar todas as conversas e todos os grupos ativamente? Seu e-mail está cheio de promoções de cursos e mil atividades? Eu gostaria de dizer que seus problemas acabaram, mas, na verdade, digo que você faz parte do bonde dos exaustos. Exaustos da vida digital.
Neste ano de pandemia, a vida social e de trabalho de muitas pessoas por um longo período teve que se resumir ao mundo virtual e logo surgiu a fadiga digital. Como dar conta de tudo e participar de tantas vídeochamadas: trabalho, família, amigos?
“Durante esse período os limites que existiam entre o online e o offline, a vida profissional e a vida pessoal, o ambiente de trabalho e o ambiente doméstico, com certeza ficaram mais tênues, em alguns casos quase invisíveis. Agora, mais que nunca, é essencial que estejamos dispostos a repensar essa relação”, pontua Daniela Arrais, administradora da página Contente.vc, que propõe um uso mais consciente da internet.
Com o home office, as telas se tornaram essenciais neste ano, mas também acabaram ampliando essa sensação de dependência virtual. “Observamos que houve um aumento da ‘fadiga virtual’ e do sentimento de exaustão relacionado ao uso das telas, das redes sociais e da internet no geral. Bonde dos exaustos, né? Todo mundo compartilhando tweets e memes sobre isso. Um destaque especial para essa sobrecarga é quando falamos de trabalho – devido ao home office – e ao uso do digital como meio quase universal de interação e busca por entretenimento”, analisa Daniela.
“É como se as pessoas quisessem deixar as telas, mas se sentissem mais do que nunca presas a elas”, completa Daniela.
Por isso que quando o celular da produtora Jô Stella quebrou, logo no começo de abril, no início do isolamento social, ela se desesperou. “Logo que aconteceu eu fiquei bem estressada, porque o celular era uma ferramenta de trabalho e meu principal meio de comunicação, e eu fiquei pensando como iria fazer para falar com minha família em outras cidades e estados, e também como iria trabalhar, pois não poderia assumir um parcelamento naquele momento e não tinha como comprar um celular à vista”, conta.
Mas o detox forçado de celular acabou trazendo boas consequências para a vida de Jô. “Lógico que no início rolou aquele desespero, mas estar fora de grupos de WhatsApp é maravilhoso, livre de fake news. As pessoas perdem a noção de tempo, enviam mensagens em horários inadequados e exigem urgência nas respostas. É uma rede social muito útil mas também muito viciante, eu acho mais complicada de lidar”, afirma a produtora.
Jô trabalha com gerenciamento de redes sociais de um site, então, ela não se desconectou totalmente da vida virtual, mas conseguiu uma melhor qualidade vida pessoal. “Eu consegui produzir mais e melhor no trabalho, nos meus projetos e estudos. O dia rende mais quando você não fica horas assistindo stories no Instagram. Eu continuo assistindo aliás, mas passo muito menos tempo fazendo isso no meu dia do que antes”, revela.
Para Daniela Arrais, essa é uma expectativa para o futuro do mundo virtual no pós-pandemia. “Existe muita gente disposta a rever a relação com o uso das redes sociais, sobretudo depois de um período em que elas se tornaram cada vez mais parte do nosso dia a dia: desde a febre de lives até os grupos de trabalho no Whatsapp que ficaram ainda mais frenéticos. Talvez essa mudança não seja percebida a curto prazo, mas sem dúvida será transformadora e significativa para quem se dispõe a enxergar – e vivenciar – uma internet mais humana, com mais conexão e, quem sabe até, menos protagonista do nosso tempo”.
Dependência “As pessoas devem sempre ficar atentas ao uso “tóxico”, e equilibrar a vida off-line e on-line. Percebe-se que o tempo gasto conectado chegou a um nível de dependência quando a qualidade de vida do indivíduo encontra-se prejudicada e o espectro de prazer fica diminuído levando o indivíduo a permanecer na rede por longos períodos”, o alerta é das psicólogas Cornelia Belliero Martini e Carla Cavalheiro Moura, do Ambulatório de Dependências Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar do uso excessivo de telas por causa da pandemia, elas explicam que ainda não há um registro no aumento de dependentes tecnológicos, mas os usuários devem ficar atentos ao próprio comportamento. “”Os sintomas indicativos de que uma pessoa se tornou dependente tecnológico aponta para uma preocupação excessiva com internet, ou seja, o indivíduo pensa nas atividades virtuais realizadas anteriormente e fica antecipando quando ocorrerá a próxima conexão”.
Detox antes da pandemia Mas esse movimento de saída ou de descanso das redes sociais não veio apenas com esse desgaste emocional provocado pela pandemia. Estar off-line já era uma realidade para algumas pessoas. “Eu saturei de vez”. Foi assim que o advogado Sérgio Gustavo Sampaio deixou o Facebook e Instagram há três anos. O boom das discussões políticas desgastou a relação dele com essas redes sociais.
Ele não conseguiu se adaptar ao Instagram e quase não consumia nada na rede social. “Eu devo ter tido Instagram entre 2014 e 2016, quando estava mais em alta. E tive por causa disso, por causa da divulgação. Fiz, mas nunca me cativou, nunca usei tão frequentemente, e depois cansei. Quando desativei o meu Instagram já deveria ter muitos meses que mal entrava. Me passava uma coisa muito superficial”, lembra.
Foi o Facebook que começou a despertar sensações ruins no advogado. “Eu entrava no Facebook e ia descendo a barra de rolagem e só via coisas que me agrediam, pouca coisa que me distraía. Também aplico isso [o comportamento] a mim mesmo. O estopim foi a situação política. Mas também percebi que estava usando o Facebook para extravasar minhas frustrações. Estava destilando coisas ruins”, explica Sérgio. Por isso, optou por desativar suas contas.
De acordo com a pesquisa da consultoria App Annie, divulgada em janeiro, o Brasil é o 3º país onde as pessoas passam mais tempo em aplicativos. A média é de 3 horas e 45 minutos por dia. A lista de apps mais baixados no Brasil é formada por Whatsapp, Status Saver, Snapchat, Telegram e Hago.
Na opinião do psicólogo André Dória, o “detox digital” significa mais um sintoma do que uma saída para sair da dependência. “Se a gente vai para o detox, reconhece que está intoxicado. Mas depois, quando acaba o detox, uma rehab de internet, de WhatsApp, e depois disso, como fica o dia a dia?”, questiona.
Fazer detox ou não? A escolha por deixar as redes sociais é individual, para o psicólogo André Dória. Segundo ele, não tem como aconselhar alguém a se afastar ou não das redes porque cada caso é um caso e é necessário que o próprio usuário faça uma autocrítica sobre sua atuação virtual. “A gente está de fato intoxicado de hiperconectividade, mas não sei e é possível fazer um detox e se isso vai ser eficaz. Será que é possível mensurar e barrar um pouco dessa ‘invasão’ que vem do outro, da família, do Instagram, do Facebook?”, questiona.
Já o psicólogo e diretor da Clínica Fênix, Joaquim Moura, acredita que o detox pode ser um caminho a ser seguido por aquelas pessoas que já percebem uma influência intensa do uso das redes na sua vida real. “Com certeza, para saúde mental é essencial se afastar um pouco e ter isso como uma dieta que faça parte da sua vida. Não se afastar apenas por um período, mas fazer uma reeducação, assim como a gente faz uma reeducação alimentar”, completa o psicólogo.
Mas, como perceber que é necessário esse afastamento? “De forma geral, se a pessoa perceber que está atrapalhando a sua vida normal, sua produtividade está baixando, ou seu comportamento normal está mudando, já é um grande sinal”, pontua Moura.
Uma vida virtual equilibrada A Contente.vc, administrada por Daniela Arrais e Luiza Voll, faz reflexões sobre o uso consciente da internet e das redes sociais. Elas se conheceram na internet há 10 anos e criaram a empresa Contente, para criar projetos que “agregassem valor” ao uso da internet. Um dos primeiros projetos foi o @instamission, no Instagram, que propunha ações dentro do Instagram. Depois, surgiu o perfil Contente.vc.
“O perfil @contente.vc nasceu mais ativamente em junho de 2019. E desde então tem sido o espaço onde convidamos as pessoas a construírem coletivamente #ainternetqueagentequer, um espaço de consciência sobre o uso do digital. A Contente existe exatamente pra isso: pra resgatar nosso tempo, pra entender porque passamos tanto tempo conectados, pra entendermos como podemos fazer isso de uma maneira cada vez mais positiva”, explica Daniela.
Daniela Arrais e Luiza Voll administram a página Contente.vc, que traz reflexões sobre o bom uso da internet (Foto: Divulgação)
Os posts dão dicas de como fazer pausas nas redes e também faz questionamentos sobre o comportamento dos usuários. “Os assuntos surgem muito da nossa investigação sobre os impactos da internet e de tanta conexão na nossa vida. Às vezes, é a leitura de um livro que inspira um especial de conteúdo, às vezes é uma conversa. Em outras, pegamos como gancho um assunto que está sendo bem comentado no momento”, completa Daniela. A empresa também faz parcerias com grandes marcas.
Mas como é a relação de uma pessoa que usa as redes sociais para dar dicas de detox digital? Daniela fala da sua experiência: “Vivo tentando encontrar uma maneira melhor de usar a internet e a redes sociais. Adoro fazer experimentos. Já fiz alguns detoxes digitais. O mais ousado foi quando fiz uma viagem de férias de 15 dias e escolhi não ter conexão. Estava acompanhada, então conseguia ter acesso a mapas. Mas, de resto, fiquei 15 dias sem olhar nada, nem redes sociais nem notícia. Foi super bom, li um monte, repensei meu uso”.
Daniela pontua que as pausas são importantes, mas não são a solução para um uso mais saudável. “Pra mim a solução está em trazer a reflexão sobre internet para o dia a dia, analisando sempre como a gente tem passado nosso tempo”.
Se você se interessou em fazer um detox das redes, veja algumas dicas de Daniela Arrais, da Contente.vc:
– Não fazer das telas a primeira coisa do seu dia, resguardando as primeiras horas das manhãs para as tarefas rotineiras e para o autocuidado. Uma hora sem telefone ao acordar já ajuda muito!;
– Manter atividades, sobretudo de entretenimento ou que aguçem a criatividade, um pouco fora das telas: leitura, exercícios físicos, meditação para os adeptos… Não concentrar tudo nas telas;
– Respeitar os limites do próprio corpo: agora que usamos as telas para trabalhar, estudar e para manter contato com quem estamos distantes é necessário ter uma hora pra dar “boa noite” ao telefone, caso contrário entramos em um looping perigoso. Tenha hora para finalizar o trabalho, o estudo, as interações virtuais. Deixar o telefone em modo avião uma hora antes de dormir é benéfico.
– Não ter notificações nas redes sociais. Você sabia que nosso cérebro demora cerca de 15 minutos para voltar ao estado de concentração em que estava depois de ser interrompido? Imagina isso acontecendo a cada vez que você recebe uma mensagem no Whatsapp?
– Não levar o celular para o quarto (nem que você tenha que comprar um despertador). Isso te ajuda a fazer com que checar o celular não seja a primeira coisa que você faz quando abre os olhos.
– Modo avião. Assim você não é interrompido, e tem grandes chances de terminar suas tarefas mais importantes em menos tempo. Enquanto vivemos na economia da atenção, onde a moeda de troca é o nosso tempo, precisamos adotar certas estratégias para ter um uso mais saudável de internet
Fiocruz pede à Anvisa o registro definitivo da ‘vacina de Oxford’ Foto: Reprodução
Nesta sexta-feira (29), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrou com um pedido de registro definitivo da vacina de Oxford/AstraZeneca (Covishield) na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Caso seja aprovado, o imunizante poderá ser utilizado em todo o país de forma permanente. Até o momento, foi aprovado apenas o uso emergencial de dois milhões de doses da vacina importada da Índia.
Em entrevista ao site da Fiocruz, a presidente da fundação, Nísia Trindade Lima, falou sobre a importância do pedido.
– Este é mais um passo fundamental no enfrentamento à pandemia e dará à população brasileira um amplo acesso à vacina, que será distribuída pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde – destacou.
Anvisa tem um prazo de 60 dias para analisar o pedido, mas o prazo pode ser menor devido à permissão do uso emergencial da vacina.
Em nota, a Anvisa informou que quando finalizada a análise, o registro concedido “será o sinal verde para que a vacina seja comercializada, distribuída e utilizada pela população, nos termos da indicação estabelecida na bula. O registro definitivo é a avaliação completa com dados mais robustos dos estudos de qualidade, eficácia e segurança, bem do plano de mitigação dos riscos e da adoção das medidas de monitoramento”.
O Instituto Butantan afirmou nesta sexta-feira (29) que não tem a confirmação da eficácia da Coronavac em idosos. A afirmação foi dada à CNN. A Coronavac já está em uso no Brasil e desenvolvida pelo laboratório Sinovac.
Os estudos da fase 3 da CoronaVac foram feitos com voluntários de 18 a 59 anos. A eficácia nós idosos seria analisada em uma nova fase de testes.
A Prefeitura de Feira de Santana, através da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou nesta sexta-feira (29) a relação atualizada do número de casos de Covid-19 por bairros e localidades. O SIM é o bairro com o maior número, com 1.398 casos confirmados.
O Tomba é o segundo nesta relação, com 1.182. As informações são da Prefeitura Municipal, por meio da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A relação de casos da Covid-19 por bairros e localidades foi elaborada pela Vigilância Epidemiológica conforme informações passadas pelos próprios pacientes, inclusive em relação a denominação das localidades. Confira no link abaixo o arquivo com os dados completos:
Ministério Público cobrou dados científicos sobre a eficácia da vacina em pessoas com mais de 65 anos
Vacina de Oxford, desenvolvida em parceria com a AstraZeneca – Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images
Autoridades alemãs avisaram, nesta quinta-feira, 28, que devem recomendar que a vacina de Oxford, desenvolvida em parceria com a Fiocruz e a AstraZeneca, não seja usada para imunizar pessoas com mais de 65 anos contra a Covid-19. A falta de dados sobre a eficácia e segurança da vacina sobre o grupo pesou na decisão. “Não há dados disponíveis atualmente para determinar a eficácia da vacinação acima de 65 anos”, diz uma nota da Standing Vaccine Commission, do Instituto Robert Koch, principal agência de saúde pública da Alemanha.
Aqui no Brasil, está começando a repercutir a resistência de autoridades europeias em relação à vacina de Oxford para idosos. O Ministério Público Federal entregou um ofício à Fiocruz questionando os dados que permitiram com que a Anvisa liberasse o uso em idosos. “Solicito informações precisas dessa fundação no que se refere à sua eficácia para os idosos”, escreveu a subprocuradora-geral da República Célia Regina Souza Delgado.
A polêmica nasceu de uma informação desencontrada que foi publicada por um jornal alemão, o Handelsblatt, de que a vacina teria eficácia de apenas 8%. Autoridades alemãs, contudo, disseram que os dados foram confundidos. Os 8% referiam-se à quantidade de voluntários dos estudos com mais de 65 anos. Apesar disso, a informação de que a Alemanha iria se opor ao uso da vacina de Oxford em idosos se confirmou.
Quem frequentemente ouve frases como “Você está ficando louca?” ou “Você está exagerando” durante uma discussão com o parceiro provavelmente está sofrendo de um tipo de manipulação psicológica, conhecida como gaslighting.
O termo ainda não tem tradução para o português, mas é definido pelos especialistas como uma forma de violência psicológica sutil, na qual o abusador mente, distorce a realidade e sempre omite informações. O objetivo é fazer com que a vítima duvide de sua memória e até da sua sanidade mental.
“No gaslighting um dos parceiros cria situações para que o outro sinta insegurança, medo ao extremo e desestabilização emocional, em prol do próprio benefício. Esse comportamento faz com que a vítima duvide de suas capacidades mentais e percepção da realidade, o que dificulta o rompimento do vínculo abusivo”, explica Natalia Araújo, psicóloga do Gender Group do IPq-HCFMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
O termo surgiu após o filme À Meia-luz, ou Gaslight (1944), que contava a história de um homem que fez de tudo para convencer a esposa que ela estava perdendo a razão. A intenção era ficar com sua fortuna. Para isso, realizava manipulações frequentes até que ela questionasse a sua sanidade mental.
O gaslighting é mais comum acontecer com as mulheres, mas também é utilizado por qualquer pessoa e em outros tipos de relacionamentos, com o objetivo de desestabilizar a saúde mental.
De acordo com a psicóloga Natália Marques, atuante em área clínica com violência contra a mulher e mestranda em psicologia da saúde pela Universidade Metodista de São Paulo, as mulheres são mais afetadas principalmente por conta do machismo e do patriarcado. “Nesse sistema, as mulheres carregam o estigma de ‘loucas, histéricas e exageradas’, mas muitas vezes estão simplesmente contestando os homens e não querem seguir as normas e padrões sociais impostos”, diz. Segundo ela, fazer as mulheres acreditarem que são loucas as enfraquece na sociedade. “É uma violência que envolve poder”.
O filme À Meia-luz, ou Gaslight, de George Cukor, deu origem ao termo. Na trama, Paula (Ingrid Bergman) começa a duvidar de sua sanidade, estimulada por seu parceiro Gregory (Charles Boyer)Imagem: Reprodução
Como identificar o gaslighting?
Os sinais do gaslighting são muito sutis e a vítima encontra dificuldade de perceber o que está acontecendo. Isso porque ela está envolvida emocionalmente com o abusador e há afeto e sentimento pelo parceiro.
No entanto, de acordo com os especialistas consultados por VivaBem, é importante se atentar para algumas situações recorrentes. “Geralmente, essa mulher tem medo de errar ao decidir algo sozinha. Passa a duvidar de si mesma a todo instante. Além disso, acredita que é emotiva demais ou se sente confusa sobre seus próprios pensamentos e sentimentos”, afirma Araújo.
Também é comum que comece a pedir desculpas constantemente e omita informações sobre o relacionamento para os familiares e amigos. Na maioria das vezes, ela se sente desanimada e justifica os comportamentos abusivos do parceiro, pois acha que a culpa é sempre dela. Frequentemente, a pessoa sente que tem algo errado no relacionamento, mas não consegue identificar esses sentimentos.
Já o abusador, tem comportamentos bastante semelhantes —mente com frequência, nega informações (mesmo que apresentem provas), joga a culpa na vítima, fala que a pessoa tem um gênio difícil para amigos e familiares, faz chantagem emocional e age para que a parceira duvide de si mesma constantemente.
Outras formas de abuso
O gaslighting ocorre de forma isolada ou em paralelo com outros tipos de abusos e situações. Um parceiro infiel, por exemplo, usa o gaslighting para que a mulher acredite que está delirando ou inventando situações ao questionar a traição.
Foi o que aconteceu com a influenciadora digital Rayalle Lacerda, 27. A jovem foi traída pelo ex-namorado, que negou constantemente a traição e fez com que ela duvidasse de si mesma. “Ele me fazia acreditar que eu estava vendo coisas demais. Fui traída e meu companheiro fez de tudo para que eu duvidasse do que estava acontecendo. No fim, ele terminou comigo e disse que eu estava louca. Fiquei bastante tempo traumatizada e me perguntando se o problema era comigo, se eu realmente estava paranoica, mesmo tendo provas da infidelidade”.
Além disso, o gaslighting pode ser uma estratégia usada pelo abusador para desqualificar a vítima de uma violência sexual ou agressão física. Nesses casos, ele convence a mulher de que nada aconteceu após agredi-la ou cometer um estupro.
“É comum que o parceiro, após a violência sexual, afirme que a mulher estava sonhando, que não aconteceu daquela maneira ou até mesmo que ela pediu por aquilo, quando na verdade se tratava de um estupro. O abusador tenta convencer a vítima de que ela é agressiva, confusa, pouco confiável, difícil de ser tolerada, usando suas vulnerabilidades contra ela”, explica Marques.
O gaslighting é uma violência psicológica sutil, na qual o abusador mente, distorce a realidade e sempre omite informaçõesImagem: Getty Images/iStockphoto
Consequências para autoestima e saúde mental
O gaslighting acontece nos relacionamentos de forma silenciosa, com pequenas acusações e colocando a vítima em situações perturbadoras, com a intenção de minar a autoconfiança e a autoestima.
“As manipulações começam aos poucos, mas, ao ganhar a confiança da vítima, tende a aumentar. É comum que, quando questionado sobre o comportamento tóxico, o abusador negue as suas reais intenções, fazendo com que a pessoa manipulada acredite que é para o seu próprio bem. No gaslighting, as partes mais afetadas estão relacionadas aos aspectos psicológicos e emocionais”, explica Araújo.
Geralmente, a vítima se torna dependente do olhar do outro sobre situações cotidianas, passa a acreditar que sua realidade e ponto de vista são duvidosos. Por isso, na maioria das vezes, o gaslighting gera uma instabilidade emocional que desencadeia ansiedade, depressão, dependência, baixa autoestima, transtorno do pânico e estresse pós-traumático.
De acordo com Fernando Fernandes, psiquiatra do IPq-HCFMUSP, os problemas no relacionamento estão entre os desencadeantes comuns da depressão. “Um relacionamento abusivo pode ser um fator importante para a perpetuação dos sintomas depressivos. Quando há ainda essa manipulação, o relacionamento fica desigual e uma das partes perde a segurança e a autoestima”, afirma.
O especialista também explica que a ansiedade, nesses casos, se torna comum, porque a pessoa não sabe o que esperar do parceiro. “Os sintomas depressivos também causam um isolamento social. E a ansiedade ocorre devido ao fato de a pessoa não saber o que esperar do outro, fica sempre em um estado de tensão constante”.
“Até hoje convivo com sequelas”
A história de Mariana*, 33, demonstra exatamente como o gaslighting afeta a rotina da vítima e traz consequências para a autoestima e a saúde física e mental.
Ela conta que conheceu seu ex-namorado em 2005 e conviveu com ele por cerca de um ano e meio. Mas durante esse período foram seis separações. “Ocorreram diversas histórias de manipulações psicológicas. Ele trabalhava como motorista de aplicativos e um dia chegou com uma pulseira de uma balada. Quando questionei, ele mentiu e negou, mesmo com essa prova, e ainda jogou a culpa em mim pela briga”, diz.
Mariana também viu que ele conversava com outras mulheres pelas redes sociais e foi chamada de louca e insegura durante as discussões. “Meu ex sempre afirmava que eu não gostava dele e não confiava. Porém, como eu era dependente dele emocionalmente, sempre acabava voltando, pois achava que a culpa era minha”, diz.
Para se livrar dessa situação abusiva, começou a guardar provas como os extratos de pagamentos de baladas. “Esse relacionamento afetou a minha autoestima e tive depressão. Queria me matar, comecei a beber todos os dias, me cortava com vidros e chorava muito. Cheguei a perder o emprego. Até hoje convivo com as sequelas desse relacionamento e me abalo ao relembrar o que passei”.
Como se livrar de um relacionamento abusivo?
O primeiro passo é reconhecer os sinais do gaslighting no relacionamento. Não é algo fácil, mas o ideal é se afastar do abusador o quanto antes. Para isso, é fundamental contar com o apoio de pessoas próximas, que estão dispostas a ajudar.
Outro passo importante é buscar ajuda especializada. “É necessário fazer psicoterapia para sair dessa relação abusiva e entender que se está sofrendo violência. Após o rompimento, é preciso lidar com os traumas que ficaram, ressignificar e fortalecer a autoestima”, afirma Marques.
Conseguir se libertar de um relacionamento tóxico e da manipulação psicológica leva tempo, pois é preciso retomar a autoconfiança, o amor-próprio e reconstruir formas mais saudáveis de se relacionar.
De acordo com Fernandes, os relacionamentos tóxicos e abusivos têm duas partes: uma pessoa que tem habilidades de manipular e que exerce um determinado poder de controlar o comportamento e o pensamento do outro; enquanto a outra está mais vulnerável a isso. “São personalidades que se ‘encaixam’. Por isso, muitas vezes, é difícil se livrar dessa situação. É importante fortalecer a fragilidade da vítima e trabalhar essa vulnerabilidade para fechar esse ciclo de abuso com ajuda de profissionais e de familiares”, diz o psiquiatra.
*O nome da personagem foi alterado para preservar sua identidade
Agência Brasil- A Johnson & Johnson anunciou nesta sexta-feira (29) que sua vacina de dose única contra a covid-19 foi 72% eficaz na prevenção da doença nos Estados Unidos e alcançou uma taxa um pouco menor, de 66%, globalmente em um teste mais amplo realizado em três continentes e com variantes múltiplas do vírus.
No teste com quase 44 mil voluntários, o nível de proteção contra casos graves e moderados da covid-19 foi de 66% na América Latina e de 57% na África do Sul, onde uma variante particularmente preocupante do coronavírus está circulando.
Duas outras vacinas já autorizadas da Pfizer com a BioNTech e da Moderna foram cerca de 95% eficazes na prevenção de casos sintomáticos em testes quando aplicadas em duas doses. Esses estudos, no entanto, foram realizados principalmente nos Estados Unidos e antes da ampla disseminação de novas variantes.
O principal objetivo do estudo da J&J foi a prevenção de casos graves e moderados da covid-19, e a vacina foi 85% eficaz em impedir uma doença grave e a hospitalização em todos os lugares onde testes foram realizados e contra múltiplas variantes 28 dias após a vacinação.
27 categorias terão prioridade na hora de receber a vacina
Foto: Tânia Rego
Agência Brasil- O governo federal divulgou nesta quinta-feira (28) o plano que estabelece a ordem de vacinação contra a covid-19 para os grupos prioritários. A seleção das populações com prioridade foi elaborada pelo Ministério da Saúde e, de acordo com a pasta, foi baseada em princípios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e feita em acordo com entidades como o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Ao todo, são 27 categorias prioritárias pessoas, que incluem, por exemplo pessoas acima de 60 anos, trabalhadores da saúde, indígenas, pessoas em situação de rua, entre outras (veja lista completa a seguir). Trabalhadores do transporte coletivo, da educação básica e superior, forças de segurança também estão na lista.
“O Ministério da Saúde recomenda que os gestores de saúde sigam essa ordem estipulada pelo Plano de Vacinação, de acordo com as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Com a lógica tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS), estados e municípios têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação e dar vazão à fila de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas”, ressaltou a pasta, em nota.
Ao todo, a lista de grupos prioritários soma uma população de 77,2 milhões de pessoas, pouco mais de um terço dos 210 milhões de habitantes do país. Confira a lista dos públicos prioritários:
Pessoas com 60 anos ou mais e que estejam institucionalizadas;
Pessoas com deficiência institucionalizadas;
Povos indígenas vivendo em terras indígenas;
Trabalhadores de saúde;
Pessoas de 80 anos ou mais;
Pessoas de 75 a 79 anos;
Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas;
Povos e comunidades tradicionais quilombolas;
Pessoas de 70 a 74 anos;
Pessoas de 65 a 69 anos;
Pessoas de 60 a 64 anos;
Pessoas que possuam comorbidades;
Pessoas com deficiência permanente grave;
Pessoas em situação de rua;
População privada de liberdade;
Funcionários do sistema de privação de liberdade;
Trabalhadores da educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA);
Trabalhadores da educação do Ensino Superior;
Forças de segurança e salvamento;
Forças Armadas;
Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros;
Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário;
Trabalhadores de transporte aéreo;
Trabalhadores de transporte aquaviário;
Caminhoneiros;
Trabalhadores portuários;
Trabalhadores industriais.
O Ministério da Saúde informa que mais de 7 milhões de doses de vacinas já foram enviadas aos estados desde o início da imunização contra a covid-19 no país, que começou no dia 18 de janeiro.
Vacinas
O governo firmou três acordos de encomenda tecnológica, que garantem cerca de 354 milhões de doses ao Brasil ao longo de 2021. São 102,4 milhões de doses previstas da vacina da Fiocruz/AstraZeneca até julho e em torno de 110 milhões no segundo semestre, que serão fabricadas em território nacional. Da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac, estão encomendadas 46 milhões de doses no primeiro semestre deste ano e outras 54 milhões de doses no segundo. Já pelo consórcio internacional Covax Facility, articulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo brasileiro espera receber 42,5 milhões de doses, ainda sem cronograma de entrega anunciado.