Após vitória com folga na eleição de 2024, Donald Trump assume nesta segunda (20) oficialmente a presidência da Casa Branca. Republicano deve assinar também hoje série de ordens executivas anti-imigração e favoráveis a magnatas que farão parte de seu novo governo.
Foto oficial de Trump como 47º presidente dos Estados Unidos. — Foto: Divulgação
“Era a Casa Branca ou a cadeia”.
O professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan acredita que esses eram os únicos destinos possíveis para Donald Trump em 2025. Com processos judiciais anulados e uma vitória expressiva nas urnas nas eleições americanas de novembro, ele garantiu a primeira opção.
Quatro anos depois, ele volta nesta segunda-feira (20) a ocupar o posto de presidente dos Estados Unidos com fôlego renovado, processos judiciais resolvidos e, desta vez, sem a tutela de figurões do Partido Republicano como a do primeiro mandato.
Trump, que venceu as eleições em novembro de 2024, toma posse nesta tarde em cerimônia em Washington para a qual convidou apenas aliados, entre eles o argentino Javier Milei (veja mais abaixo).
Capitólio no sábado, 18 de janeiro — Foto: J. Scott Applewhite/AP
Também nesta segunda, o republicano jádará o pontapé inicial aos primeiros atos de seu governo: ele vai assinar, de uma só vez, dezenas de ordens executivas direcionadas a políticas anti-imigratórias —que podem afetar brasileiros em situação ilegal nos EUA— e tributárias favoráveis aos magnatas que agora integram seu governo.
A estratégia é a mesma de sua primeira gestão à frente da Casa Branca, quando ele anunciou decretos polêmicos já nos primeiros dias de governo, como a construção do muro na fronteira com o México e a suspensão de vistos para cidadãos de sete países muçulmanos.
Mas isso não quer dizer que a sua nova gestão será similar à anterior. Desta vez, na avaliação do professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisano republicano deve governar em “voo solo”, já que se afastou da ala mais experiente de seu partido, de quem dependeu no primeiro mandato por conta da falta de experiência na política.
Ele também se sente mais legitimado pelos eleitores —diferentemente da sua primeira vitória, em 2016, ele venceu sua rival em 2024, a democrata Kamala Harris, tanto por número total de votos quanto na contagem do Colégio Eleitoral, órgão que elege o presidente do país.
“Vamos ver uma grande diferença entre o Trump 1 e Trump 2. O Trump do primeiro mandato conhecia pouco a dimensão exata do que ele podia fazer, então, se aproximou da ala mais experiente do Partido Republicano. Ou seja, havia sempre “um adulto na sala”. Agora, Trump não os quer mais”, disse Trevisan ao g1.
“E este será um governo de superconservadores e magnatas. Não há espaço para políticos experientes”.
O que Trump anunciou que irá fazer em novo governo
Já na cerimônia de posse, também chamada de Dia da Inauguração nos EUA, Trump dará demonstrações desse “voo solo”. Quebrando um protocolo de não convidar governantes do exterior para o evento e sim diplomatas que os representem, o republicano, segundo a imprensa local, enviou uma série de convites diretos a aliados.
Entre eles, os presidentes Javier Milei, da Argentina, Giorgia Meloni, da Itália, e Viktor Orbán, da Hungria, além do brasileiro Jair Bolsonaro — apesar de o Supremo ter negado o pedido de Bolsonaro, que está com o passaporte apreendido, de ir à cerimônia nos EUA.
Trump também chamou políticos de partidos ultraconservadores europeus, como Tino Chrupalla, do Alternativa para a Alemanha (AfD), o espanhol Santiago Abascal, do VOX, e o ultraliberal britânico anti-União Europeia Nigel Farage, de acordo com o site de notícias dos EUA Politico.
Já a presidente da Comissão Europeia — o braço executivo da União Europeia —, Ursula von der Leyen, não recebeu convite, assim como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. O líder chinês, Xi Jinping, foi convidado por Trump, mas enviou seu vice.
O presidente Lula (PT) não foi convidado para a posse. A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, vai representar o governo brasileiro no evento.
Nomes do Vale do Silício e magnatas da tecnologia, parte essencial da segunda gestão de Trump — ex-magnata que tem uma fortuna estimada em cerca de US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões) — também terão assentos garantidos na posse.
Segundo a imprensa norte-americana, Elon Musk, CEO da Tesla, do X e do SpaceX; Jeff Bezos, presidente-executivo da Amazon; e Mark Zuckerberg, CEO da Meta, estarão nas primeiras filas.
É justamente pensando nesse nicho que Trump deve assinar uma enxurrada de ordens executivas já durante a cerimônia de posse. As promessas de Trump de deportar imigrantes deverão encabeçar a lista das ordens executivas e, com isso, criar uma cortina de fumaça para medidas tributárias que favorecem o Vale do Silício, segundo o professor Leonardo Trevisan.
“Nós vamos assistir a uma enorme cortina de fumaça nos primeiros dias, exatamente pela complexidade que terão algumas medidas econômicas”.
As ordens executivas são espécies de decreto, por não precisarem de aprovação prévia do Congresso, mas não criam uma lei específica. São como uma determinação do presidente sobre como órgãos do governo devem usar seus recursos.
Entre as que devem ser assinadas já nesta segunda estão também o texto em que Trump declara a imigração ilegal uma emergência nacional, o que na prática autoriza a liberação de fundos militares para a construção do muro na fronteira com o México, e a que permite agentes de imigração federal a prender pessoas sem antecedentes criminais.
Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters apontam que também haverá uma série de ordens executivas no setor de energia, de regulações sobre veículos elétricos e até mesmo a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima.
Ameaça de Trump de deportação em massa preocupa imigrantes a caminho e dentro dos EUA.
O resto da cerimônia vai seguir a tradição das posses nos EUA, começando com um serviço religioso seguido de um chá com seu antecessor, Joe Biden, que participará da cerimônia apesar de Trump não ter comparecido à posse do democrata em 2021 — na primeira vez em 150 anos em que um ex-presidente não foi à cerimônia de seu sucessor.
Trump discursará no Capitólio logo após um ato de posse, que será seguido da assinatura das ordens executivas, a revisão de tropas e um baile noturno.
A única quebra de tradição será a mudança do ato da posse para um local fechado, dentro do Capitólio, por conta do frio — há previsão de que a temperatura chegue a -6º C.
A partir da terça-feira e ao longo das primeiras semanas, a imprensa americana avalia que Trump deve continuar com a estratégia de choque inicial que adotou em sua primeira gestão, mas, desta vez, com fôlego renovado.
Há menos de um ano, Trump era réu em quatro processos judiciais e enfrentava o risco de prisão. Com sua vitória, os casos praticamente evaporaram, seguindo a compreensão jurídica de que a vontade individual — neste caso, expressa através das urnas — devem ser soberanas. Até por isso, a legislação norte-americana teria permitido que ele governasse atrás das grades, caso tivesse sido condenado à prisão.
“Isso interferiu na postura de Trump e lhe deu mais credibilidade para governar sem precisar de ninguém. Agora, o que vai importar para ele é lealdade e obediência”, disse o professor Leonardo Trevisan.
Melania Trump será primeira-dama pela segunda vez. — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz
Trump se muda de volta à Casa Branca novamente ao lado de Melania Trump, sua terceira esposa. O agora presidente dos EUA tem cinco filhos, dez netos, frutos de três casamentos diferentes.
Ao contrário do que já disse algumas vezes, Donald Trump não construiu sua fortuna do zero. Seus primeiros passos e milhões de dólares foram proporcionados por seu pai, Fred Trump, filho de um imigrante alemão que investiu no incipiente mercado imobiliário de Nova York na década de 1950.
Após se formar em economia na Universidade da Pensilvânia, em 1968, ele assumiu oficialmente a imobiliária da família, que começou a expandir por Nova York com construções de prédios altos em Manhattan e hotéis, campos de golfe e cassinos fora dos EUA, que sempre batiza com o nome da família.
Ex-vice-presidente responde a processos por corrupção que podem se enquadrar na medida, se ela for aprovada no Parlamento
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e a vice-presidente, Cristina Kirchner, durante a posse presidencial – 10/12/2019
O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou a versão final do Projeto de Lei da Ficha Limpa.
Agora, o Congresso do país vai debater a medida durante o período de sessões extraordinárias, que começa na segunda-feira 20.
A proposta visa a impedir que pessoas condenadas por crimes de corrupção no serviço público, em primeira e segunda instâncias, possam se candidatar a cargos eletivos. Para isso, a inelegibilidade aplica-se apenas a condenações anteriores ao ano eleitoral.
A confirmação da assinatura de Milei veio através do porta-voz presidencial, Manuel Adorni. Ele compartilhou uma imagem oficial do documento na rede social Twitter/X.
”O verdadeiro ‘pacto’ é com todos aqueles que querem um país livre e próspero”, escreveu Adorni.
Pouco depois, o chefe de Defesa, Luis Petri, que desempenhou um papel crucial na elaboração do projeto, destacou sua importância.
“A ficha limpa é mais do que uma lei, é um compromisso com a transparência, com a Justiça e com o jogo limpo na política”, escreveu Petri. “É um passo essencial para erradicar a corrupção e fortalecer a democracia no nosso país. A mensagem do presidente Milei é clara: na Argentina, não há tolerância à corrupção.”
Impacto da assinatura de Javier Milei e situação de Cristina Kirchner
Javier Milei completou um ano como presidente da Argentina | Foto: Reprodução/Twiiter/X
Além de restringir candidaturas, o projeto propõe alterações para garantir a viabilidade prática da ficha limpa e a segurança jurídica nas eleições. As novas regras também se aplicariam à Administração Pública Nacional e impediriam que condenados ocupem cargos como ministro, secretário e chefe de gabinete.
A medida estipula que a inelegibilidade seria aplicada a partir do momento em que a sentença condenatória for proferida, desde que isso ocorra antes do início de um ano eleitoral.
Caso a sentença seja emitida durante um ano eleitoral, a pessoa poderá participar das eleições daquele ano, mas ficará inelegível nos pleitos subsequentes.
Caso se torne lei, o texto pode impactar diretamente a situação da ex-vice-presidente Cristina Kirchner, já que modifica a Lei Orgânica de Partidos Políticos e impede candidaturas de pessoas condenadas por corrupção. O caso da ex-presidente se enquadra na regra de que as sentenças devem ocorrer antes do ano eleitoral.
Ela enfrenta acusações e processos judiciais por corrupção, o que a tornaria inelegível caso a lei entre em vigor.
Presidente eleito afirma que trio vai recuperar a ‘era de ouro’ do cinema norte-americano
Trump e os ‘embaixadores especiais’ Stallone, Gibson e Voigth: volta à era de ouro do cinema norte-americano | Foto: Montagem sobre reprodução/Twitter/X
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 16, que os atores Jon Voight, Mel Gibson e Sylvester Stallone serão seus “embaixadores especiais” em Hollywood, na Califórnia. Trump afirmou: “Eles servirão como enviados especiais para trazer de volta a Hollywood os muitos negócios que perdemos nos últimos quatro anos para países estrangeiros”.
Trump referia-se principalmente à perda de popularidade das produções cinematográficas norte-americanas, em parte dominadas pela cultura woke que teria gerado uma importante objeção junto ao público ocidental. Nos últimos anos, a indústria do setor nos Estados Unidos sente a forte concorrência de asiáticos e europeus.
Trump: a retomada do poder do cinema
Conforme escreveu o republicano na rede Truth Social, com o trio Hollywood estará “de volta maior, melhor e mais forte do que nunca”. Trump acrescentou: “Essas três pessoas, muito talentosas, serão meus olhos e ouvidos. Farei o que elas sugerirem. Será novamente como os próprios Estados Unidos da América, a era de ouro de Hollywood.”
Os três artistas são declaradamente trumpistas e o apoiam desde o início da presidência. Na corrida eleitoral pela Casa Branca em 2024, Mel Gibson chegou a provocar a democrata Kamala Harris, então candidata contra Trump, quando questionado por um jornalista sobre seu posicionamento político.
“Eu sei como será se a deixarmos entrar e isso não é bom. Ela tem um histórico miserável, terrível e nenhuma política. Ela tem inteligência limitada”, disse o ator. Ainda durante as eleições, o astro de Rocky Balboa, Sylvester Stallone, chamou o republicano de “segundo George Washington”, e o considerou “mítico”.
“Estamos na presença de um verdadeiro personagem mítico. Eu amo mitologia. Este indivíduo não existe neste planeta. Ninguém no mundo poderia ter feito o que ele fez, então estou maravilhado”, disse Stallone.
John Voight, que foi uma das primeiras vozes a se declararem a favor do então presidente em 2016, recebeu, por sua vez, a Medalha Nacional das Artes e a Medalha Nacional de Humanidades pelas mãos de Donald Trump em 2019.
Fala ocorre depois de países da União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá aumentarem sanções contra o país
Nicolás Maduro assumiu um novo mandato na Venezuela | Foto: Fausto Torrealba/Reuters
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o país está se preparando, com Cuba e com a Nicarágua, para “pegar em armas” para se defender. A declaração foi dada no último sábado, 11, um dia depois de o político tomar posse para o seu terceiro mandato
Em discurso no encerramento do Festival Mundial Antifascista, em Caracas, o ditador venezuelano afirmou que é preciso ter capacidade de “derrotar pacificamente o “fascismo”, mas, “se for o caso”, poder “enfrentá-lo com armas na mão e a luta armada legítima da humanidade”.
“A Venezuela vai se preparando junto com Cuba, com a Nicarágua, com nossos irmãos maiores do mundo, para se um dia tivermos que pegar em armas para defender o direito à paz, à soberania e os direitos históricos de nossa pátria”, afirmou Maduro. “Batalhar na luta armada e voltar a ganhar.”
A fala ocorre depois que países da União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá ampliaram as sanções contra a Venezuela. Além disso, o ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pediu uma intervenção militar internacional, “preferencialmente apoiada pela Organização das Nações Unidas”, para tirar o regime do poder e organizar eleições livres.
General do regime de Maduro diz que “pátria se defende”
Na última sexta-feira, 10, pouco antes da posse de Maduro, o comandante estratégico operativo das Forças Armadas da Venezuela, general Domingo Hernández Larez, postou um vídeo nas redes sociais em que aponta mísseis para o céu. Ele afirmou que “a pátria se defende”.
O país também fechou as fronteiras e o espaço aéreo depois de o líder da oposição, Edmundo González, afirmar que iria ao país para tomar posse.
Atas publicadas pela oposição revelam que o ex-candidato teria ganhado as eleições presidenciais de julho. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país, alinhado ao chavismo, atribuiu a vitória a Maduro.
Integrante do Partido Republicano norte-americano vai reassumir o comando da Casa Branca no dia 20 de janeiro
Donald Trump deve adotar medidas para reforçar as fronteiras dos EUA | Foto: Cheney Orr/Reuters
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, está preparando mais de cem ordens executivas a partir do primeiro dia na Casa Branca, em uma campanha de choque nas políticas de segurança de fronteiras e deportações, entre outras prioridades do novo governo.
Trump informou os senadores republicanos sobre o que está por vir durante reunião privada no Capitólio. Muitas dessas ações devem ser lançadas no dia da posse, em 20 de janeiro. O principal assessor de Trump, Stephen Miller, apresentou aos senadores do partido as medidas de segurança de fronteiras e aplicação de leis de imigração que provavelmente serão implementadas com maior rapidez. O portal Axios foi o primeiro a noticiar a apresentação de Trump e sua equipe.
“Haverá um número substancial”, disse o senador John Hoeven, republicano da Dakota do Norte.
Aliados do presidente eleito estão preparando uma pilha de ordens executivas que Trump poderá assinar rapidamente, abrangendo uma ampla gama de tópicos — desde o fortalecimento da fronteira entre os EUA e o México até o desenvolvimento energético, regras da força de trabalho federal, políticas de gênero nas escolas e obrigatoriedade de vacinas, entre outras promessas de campanha para o primeiro dia.
Embora ações executivas sejam comuns no primeiro dia de uma nova administração, à medida que o novo presidente define suas prioridades, o que Trump e sua equipe estão planejando é sem precedentes nos tempos modernos. Ele se prepara para usar o poder de maneiras pouco testadas, contornando a máquina legislativa do Congresso.
Algumas ações podem ter grande impacto, enquanto outras podem enviar mensagens mais simbólicas sobre a direção do novo governo.
Senadores informados por Trump e sua equipe em uma longa sessão no Capitólio na semana passada esperam que a nova administração revogue muitas ordens executivas do governo Joe Biden enquanto implementa as próprias propostas.
Algumas das prioridades de Trump
Trump voltará a ser o presidente dos Estados Unidos a partir de 20 de janeiro | Foto: Reprodução/Twitter/X
Entre as prioridades estão finalizar o muro na fronteira EUA–México, criar instalações de detenção para migrantes enquanto aguardam deportação e outras propostas, que somam cerca de US$ 100 bilhões. A administração Trump e o Congresso republicano estão trabalhando para incluir essas medidas na lei orçamentária.
Os senadores esperam que Trump volte a adotar muitas das mesmas medidas de controle da fronteira EUA–México implementadas durante seu primeiro mandato — incluindo exigir que migrantes solicitem asilo em outros países ou permaneçam no México enquanto seus pedidos são processados. Além disso, planeja ações maciças para deportar aqueles que estão atualmente nos EUA sem autorização legal.
O senador James Lankford, republicano de Oklahoma, que liderou negociações sobre segurança de fronteiras e imigração no Congresso, disse esperar que a equipe de Trump inicialmente se concentre em cerca de 1 milhão de migrantes que, segundo ele, entraram recentemente no país, foram condenados por crimes ou que os tribunais determinaram que não têm direito de permanecer nos EUA.
“Essa é a fruta mais fácil de colher”, disse Lankford. “Pessoas que cruzaram recentemente, pessoas que estavam legalmente e cometeram outros crimes, pessoas que o tribunal ordenou que fossem removidas — isso dá bem mais de 1 milhão de pessoas. Comece trabalhando nisso.”
Trump, durante a campanha presidencial, chegou a cogitar ter uma “pequena mesa” no Capitólio no Dia da Posse, onde ele assinaria rapidamente suas ordens executivas.
Embora não haja sinais públicos de que ele esteja considerando isso, os senadores republicanos planejam recebê-lo no prédio depois de ele prestar o juramento de posse. Normalmente, o novo presidente dos EUA assina os documentos necessários para nomeações formais de seu gabinete e indicações para cargos administrativos.
Muitas das escolhas de Trump para os principais cargos administrativos passarão por audiências de confirmação no Senado na próxima semana. Tradicionalmente, o Senado começa a votar nos indicados do presidente assim que ele tomar posse, com confirmação de alguns no próprio dia.
“Isso seria bom”, disse o líder da maioria no Senado, John Thune, que afirmou que os senadores ainda aguardam verificações de antecedentes e outros documentos para muitos dos indicados de Trump. “Vamos ver.”
Revista Oeste, com informações da Agência Estado e da Associated Press
González afirma que venceu as eleições contra o regime chavista
Edmundo González afirma que venceu as eleições presidenciais na Venezuela, em 28 de julho | Foto: Reprodução/Twitter/X
Edmundo González, ex-diplomata e reconhecido por parte do Ocidente como o presidente eleito da Venezuela, fez sua declaração mais contundente desde as eleições realizadas em 28 de julho. Em um vídeo divulgado nesta sexta-feira, 10, ele enviou uma mensagem direta às Forças Armadas.
“Como comandante das Forças Armadas, ordeno aos comandantes militares que não reconheçam ordens ilegais dadas por aqueles que tomam o poder e que preparem as minhas condições de segurança para assumir o cargo de presidente da República”, disse González.
De acordo com a Constituição venezuelana, o presidente também ocupa o posto de comandante supremo das Forças Armadas. González afirma que venceu as eleições, consideradas fraudulentas pelo regime de Nicolás Maduro, com mais de 60% dos votos. Sua coalizão, liderada por María Corina Machado, sustenta esse resultado. Projetos internacionais de checagem também confirmaram essa posição.
A mensagem de González foi divulgada poucas horas depois da posse de Maduro, realizada em Caracas. A cerimônia teve baixa adesão internacional, mas contou com forte presença das forças de segurança. Essas mesmas forças foram convocadas por González a se rebelarem contra o regime.
González chegou a planejar ir para a Venezuela assumir a presidência
O opositor planejava estar na Venezuela para assumir a presidência. No entanto, afirmou que o fechamento das fronteiras e a mobilização de aviões militares colocaram sua segurança em risco. Ele ainda acusou o governo de tentar repetir com ele o ocorrido com María Corina Machado no dia anterior.
Na quinta-feira 9, Machado teria sido detida e liberada logo depois. O regime negou o episódio, mas a ex-deputada relatou ter sido arrancada de sua moto por agentes de segurança.
González continua em busca apoio internacional. Ele mencionou os Estados Unidos, Argentina e Israel como aliados que o reconhecem como presidente legítimo. O chanceler israelense Gideon Sa’ar reforçou a posição de seu país e destacou que os resultados eleitorais não foram respeitados. Ele também pediu que Maduro honrasse a vontade do povo.
Apesar das declarações de González, não há indícios de ruptura nas Forças Armadas. Essas forças continuam sendo um dos principais pilares do regime chavista.
Ditador já preparou sua cerimônia de posse para o meio-diabo
Ditador Nicolás Maduro, durante reunião em Caracas – 14/12/2024 | Foto: Leonardo Fernández Viloria/Reuters
Caracas amanheceu sob tensão nesta sexta-feira, 10, diante da promessa do ditador Nicolás Maduro de tomar posse da Presidência da Venezuela por mais seis anos, a partir de hoje. Enquanto isso, o representante da oposição, Raimundo González, garantiu que deixaria a República Dominicana para ocupar o cargo que, legitimamente, venceu.
Jorge Rodríguez, presidente do Legislativo e figura importante da ditadura no país, anunciou que a cerimônia de posse de Maduro ocorreria ao meio-dia. Mesmo sem o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) jamais ter apresentado nenhuma ata eleitoral que comprovasse a sua vitória, o líder ao regime garantiu que vai permanecer no poder.
Maduro deve cumprir seu terceiro mandato, apesar do reconhecimento do êxito de González nas urnas pelo Parlamento Europeu e pelos 35 países que compõem a Organização dos Estados Americanos (OEA), principal fórum governamental político, jurídico e social do Hemisfério.
Tais organizações já declararam que as eleições na Venezuela foram fraudulentas. Por isso, a presença internacional na tomada de poder terá somente os representantes de países mais alinhados ideologicamente ao regime.
A China vai enviar Wang Dongming, e a Rússia, Viacheslav Volodin. Brasil, Colômbia e México optaram por mandar apenas embaixadores, refletindo um crescente isolamento diplomático na Venezuela.
Esperança de apoio externo à oposição na Venezuela
Edmundo González e Joe Bidem durante encontro nesta segunda-feira, 6, na Casa Branca | Foto: Reprodução/Twitter/X
Internamente, a oposição continua a apelar às Forças Armadas para romperem com Maduro, mas enfrenta a lealdade militar ao regime. Phil Gunson, analista da Crisis Group, disse à Folha de S.Paulo que “as mensagens de González aos militares e à polícia para que fiquem do seu lado são contraproducentes, porque os une mais em torno do regime.”
Externamente, a oposição já se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em busca de apoio, na segunda-feira 6. Agora, aguarda o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA, na esperança de uma postura mais rígida contra a ditadura.
Depois da detenção da oposicionista María Corina Machado, nesta quinta-feira, 9, Trump expressou apoio à líder, mas não detalhou sua possível futura estratégia.
Maduro instalou um colapso político e econômico sem precedentes na Venezuela e promoveu uma onda de repressão que levou 1,8 mil prisioneiros políticos à prisão. A crise generalizada motivou o êxodo de venezuelanos, e quase 8 milhões de cidadãos já deixaram o país.
Informação foi publicada pelo partido da oposicionista
Foto oficial da ex-deputada e líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado | Foto: Reprodução/Instagram/María Corina
O partido de María Corina Machado informou, nesta quinta-feira, 9, que a ex-deputada já foi liberta.
Há poucas horas, homens encapuzados, e com armas de fogo, sequestraram María Corina, durante uma manifestação na cidade de Chacao.
“Durante o período do sequestro, ela foi obrigada a gravar vários vídeos e, posteriormente, foi libertada”, comunicou a sigla, ao mencionar que a oposicionista do ditador Nicolás Maduro fará um pronunciamento para explicar o que aconteceu.
O substituto de María Corina na eleição de 2024, Edmundo González, se manifestou nas redes sociais, em virtude do sumiço. “Às forças de segurança que a sequestraram eu digo: não brinquem com fogo”, escreveu o ex-diplomata, no Twitter/X.
Posse de substituto de María Corina Machado
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro (esq), e o presidente Lula (dir), durante recepção ao chavista, no Palácio do Planalto – 29/5/2023 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo
Ao fazer um giro por países sul-americanos a fim de obter o reconhecimento deles à sua eleição, González prometeu voltar à Venezuela para assumir um mandato. No entanto, o ex-diplomata não revelou como fará isso.
Conforme o Centro Carter, González venceu Maduro, com mais de 67% dos votos. O chavista teve apenas 31%.
A instituição consultou as atas eleitorais emitidas pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela.
A oposição obteve cópias dos documentos e os apresentou à entidade. Um de seus representantes veio ao Brasil e se encontrou com membros da direita. Parlamentares conservadores garantiram a ele apoio no que diz respeito à eleição na Venezuela.
Republicano pressiona grupo terrorista e defende domínio estratégico dos EUA
Donald Trump também defendeu maior controle dos EUA sobre o Canal do Panamá | Foto: Isac Nóbrega/PR
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 7, que “o inferno vai se instalar no Oriente Médio” se o grupo terrorista Hamas não libertar os reféns que mantém na Faixa de Gaza. Ele disse que isso deve ocorrer antes de sua posse, marcada para o dia 20 de janeiro. O republicano deu a declaração durante coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida.
“Não será bom para o Hamas e não será bom, francamente, para ninguém”, disse Trump. “O inferno vai explodir. Isso é exatamente o que eu quis dizer. Se os reféns não forem libertados até eu assumir o cargo, haverá um inferno. Eles precisam ser liberados agora.”
Negociações para libertação de reféns avançam
Mais de cem reféns seguem em poder do Hamas em Gaza, depois de os ataques de 7 de outubro de 2023, que deixaram 1,2 mil mortos. O investidor Steve Witkoff, escolhido por Trump para ser o enviado especial ao Oriente Médio, afirmou que as negociações para libertá-los estão avançando.
Na mesma entrevista, Witkoff disse que a expectativa é anunciar o acordo antes da posse. “Estamos realmente esperançosos de que teremos boas notícias para o presidente.”
Donald Trump, em seu primeiro governo à frente dos EUA, mantinha boas relações com o então primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Haim Zach/GPO/Flickr
Propostas de Trump sobre o Canal do Panamá
Ainda na coletiva de imprensa, Trump defendeu maior controle dos EUA sobre o Canal do Panamá e a Groenlândia.
“O Canal do Panamá é vital para a nossa segurança econômica e a construção se deu para nossos militares”, disse o presidente eleito ao responder uma pergunta sobre descartar medidas militares ou econômicas para assumir as áreas. “Ele está sendo abusado pela China.”
Trump destacou que ambas as regiões são estratégicas para os interesses econômicos e militares norte-americanos. Ele sugeriu uma possível guinada na política externa nos próximos meses.
Edmundo González saiu da Venezuela em setembro para se exilar na Espanha. — Foto: Reuters via BBC
O líder da oposição venezuelana, Edmundo González, afirmou neste sábado que seu objetivo é viajar para a Venezuela para tomar posse na próxima semana. Ele garante que contou com o apoio maioritário dos cidadãos nas eleições presidenciais de julho passado.
De Buenos Aires, onde se encontrou com o presidente da Argentina, González afirmou que tem “toda intenção de chegar à Venezuela” no dia 10 de janeiro, data da mudança de governo.
“Minha intenção é ir à Venezuela simplesmente para tomar posse do mandato que os venezuelanos me deram quando me elegeram com 7 milhões de votos para servir como presidente”, declarou González à imprensa, após se reunir com o presidente Javier Milei.
Conforme estabelece a Constituição da Venezuela, a mudança de governo deve ocorrer no dia 10 de janeiro. Nas eleições de 28 de julho do ano passado, o presidente Nicolás Maduro e Edmundo González se enfrentaram.
Javier Milei e Edmundo González acenam para venezuelanos em Buenos Aires. — Foto: Getty Images via BBC
Milhares de venezuelanos foram à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada. — Foto: Getty Images via BBC
Questionado sobre como entraria na Venezuela, González disse que deveria reservar os detalhes: “Não posso dizer nada porque as circunstâncias hoje são muito complicadas”, afirmou.
O político e antigo embaixador, de 75 anos, deixou a Venezuela para se exilar em Espanha em setembro do ano passado, depois de um juiz ter emitido um mandado de detenção contra ele relacionado com o dia das eleições de 28 de julho.
Na quinta-feira, o governo de Maduro ofereceu uma recompensa de 100 mil dólares por informações que levassem à captura do líder da oposição.
“Estamos prestes a terminar”, disse González aos seus seguidores. — Foto: Getty Images via BBC
Pela manhã, González teve uma reunião privada com o presidente argentino, Javier Milei, na Casa Rosada. Conversaram sobre as estratégias econômicas que Milei tem implementado em seu país e como poderiam ser implementadas na Venezuela, segundo explicou González.
Após a reunião, os dois líderes políticos saíram à varanda do palácio presidencial para cumprimentar milhares de venezuelanos que se reuniram na Praça de Maio.
“Muito animado com a receptividade dos venezuelanos na Praça de Maio pela manhã. Uma grande concentração. Agradeço o reconhecimento que o presidente Milei me fez, como presidente eleito da Venezuela. Hoje, mais do que nunca, me sinto mais próximo geográfica e emocionalmente para cumprir o mandato que os venezuelanos nos deram nas eleições de julho passado”, disse González.
A oposição garante ter as atas que validam a sua vitória, enquanto o partido no poder apoiou a declaração do Conselho Nacional Eleitoral. — Foto: Getty Images via BBC
O líder da oposição venezuelana completou assim a primeira etapa da sua viagem pelo continente americano. Na noite deste sábado ele estará em Montevidéu para se reunir com o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. Depois ele viajará para os Estados Unidos.
Em sua agenda, garantiu González, está uma conversa com o presidente Joe Biden, bem como um encontro com líderes do Congresso. Sobre um possível encontro com o presidente eleito Donald Trump, o venezuelano disse que nada está finalizado ainda.
“Aguardamos definições das novas autoridades que ainda não foram definidas”, explicou.
González pediu a liberdade dos presos políticos na Venezuela. — Foto: Getty Images via BBC
Em uma mensagem final aos venezuelanos que o apoiam, González disse que o projeto político que lidera juntamente com María Corina Machado está próximo de virar realidade.
“Não percam a fé, porque esta é uma campanha muito longa, muito difícil, que desenvolvemos há muito tempo e que estamos prestes a terminar”, expressou.