O encarregado de negócios da Ucrânia no Brasil, Anatoly Tkach, confirmou hoje (25), em Brasília, o abatimento de 7 aviões, 6 helicópteros, mais de 30 tanques, 130 veículos blindados e aproximadamente 800 soldados russos.
Tkach confirmou ainda a informação de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu para a população se armar para defender o país. “Exatamente o que eu comentei sobre a defesa territorial. São civis, homens e mulheres, que pegam em armas para proteger as suas casas dos invasores”.
Ele afirmou que a Ucrânia impôs a lei marcial, que impede homens de 18 a 60 anos, naturalizados ou não, de deixarem o país e que, na capital, foram introduzidos toques de recolher.
“Neste momento estamos pedindo aos nossos parceiros para que imponham as sanções, incluindo expulsar a Rússia do Swift (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais). Também pedimos que adotem as seguintes medidas: resoluções nos foros internacionais, apoio financeiro, apoio com armas defensivas para a Ucrânia, e condenação das ações da Rússia”, afirmou Tkach.
Ele disse ainda que a atual situação é muito mais grave do que a anexação da Crimeia, em 2014. “Neste momento, a guerra é para ocupar todo o território ou alguns territórios do nosso país, é uma guerra de grande escala”.
O encarregado ucraniano agradeceu o apoio “sem precedentes” recebido até agora e citou a Polônia, que emprestou quase US$ 1 bilhão à Ucrânia. Ele agradeceu também o apoio prestado pelo Canadá, pela Austrália, União Europeia, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido e reforçou que os ucranianos estão precisando de ajuda humanitária e esperam sanções pesadas contra a Rússia. Ele disse ainda contar com o apoio do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Tkach afirmou que Chernobyl está intacta e que o aumento no nível de radiação se deu pela poeira levantada pelas máquinas pesadas que circulam na região.
Manifestantes protestam em apoio à Ucrânia, na Times Square, Nova York Imagem: KENA BETANCUR / AFP
Ações dos Estados Unidos, por meio das chamadas “guerras híbridas”, e a expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Leste Europeu catalisaram o conflito Rússia-Ucrânia, segundo afirma Andrew Korybko, analista político norte-americano.
Em entrevista ao UOL diretamente de Moscou, ele compara o que vê como ingerência indireta dos EUA na Ucrânia com os protestos ocorridos no Brasil a partir de 2013, que culminaram no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
“O Brasil e a Ucrânia foram ambos vitimados pelas guerras híbridas dirigidas pelos Estados Unidos com o objetivo de fortalecer a hegemonia unipolar norte-americana”, diz Korybko.
O que são guerras híbridas?
Segundo o analista, o conceito de guerra híbrida é uma combinação de “revoluções coloridas” —que são incitações populares, na linha do que aconteceu no Brasil a partir de 2013 e na Primavera Árabe— e guerras não convencionais, como ataques cibernéticos, contendas judiciais e retaliações econômicas, para substituir governos que não estejam alinhados aos interesses dos EUA.
Sem citar nominalmente o efeito da Operação Lava Jato, Korybko afirma que, no Brasil, “a guerra [híbrida] se concentrou, principalmente, no chamado ‘lawfare’, ou na manipulação de instrumentos legais, a fim de remover seu governo multipolar democraticamente eleito e legítimo”.
Já na Ucrânia, diz o analista, a estratégia foi organizada com base no que chama de “terrorismo urbano de extrema-direita”, conhecido hoje como a Revolução Colorida EuroMaidan.
Autor do livro “Guerras Híbridas: das revoluções coloridas aos golpes”, Korybko diz que manobras dos EUA na Ucrânia levaram “essas forças de extrema-direita ao poder, as quais ameaçaram a minoria russa indígena [povos originários que habitam a região de Donbass] devido à ideologia fascista das novas autoridades, que glorificam aqueles que colaboraram com a Alemanha nazista”.
“Isso levou os residentes da Crimeia a se reunirem democraticamente com a Rússia e as repúblicas do Donbass a declararem sua independência”, conclui.
Em paralelo, o governo ucraniano se recusou a implementar os acordos de Minsk, apoiados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
‘Conflitos por procuração’
Para Korybko, as mídias sociais são as novas armas de ataque cirúrgico.
Os Estados Unidos vêm usando esses métodos para derrubar governos em todo o mundo. Segundo o padrão que foi usado na Síria e na Ucrânia, a guerra indireta é marcada por manifestantes e insurgentes, e as quintas colunas são compostas menos por agentes secretos e sabotadores ocultos e mais por protagonistas desvinculados do estado, que se comportam, publicamente, como civis.”Andrew Korybko, analista político
Para o analista, em vez de estabelecer um confronto direto, os EUA estabelecem uma espécie de “conflito por procuração”, promovido na vizinhança dos alvos para desestabilizá-los.
“As tradicionais ocupações militares dão lugar a golpes e operações indiretas para as trocas de regimes, que são muito mais econômicas e menos sensíveis do ponto de vista político”, defende.
Korybko aponta que isso ocorreu em 2014, na Ucrânia, e no Ocidente foi chamado de Revolução Ucraniana ou Revolução da Dignidade. Assim como as Jornadas de Junho de 2013 levaram à eleição de Jair Bolsonaro, as agitações na Ucrânia conduziram Volodymyr Zelensky à presidência.
Otan na Ucrânia
O presidente russo Vladimir Putin iniciou ontem o que classificou como uma “operação militar especial” na Ucrânia, com o objetivo de, segundo ele, “desnazificar” e “desmilitarizar” o país vizinho.
Nos últimos meses, Putin também citou suposta ameaça à Rússia em razão da expansão da Otan —a aliança militar liderada pelos EUA— na Ucrânia. “Esses movimentos visam, essencialmente, neutralizar as capacidades russas de contra-ataque nuclear e, assim, colocar a Rússia em uma posição perpétua de chantagem nuclear frente aos EUA”, analisa Korybko.
O presidente russo ainda mencionou a crise humanitária nas repúblicas de Donbass, que reconheceu como independentes no início da semana, como justificativa para autorizar a operação.
“Na Rússia, o sentimento geral é que as pessoas estão aliviadas por Putin não apenas ter finalmente tomado medidas decisivas para evitar uma catástrofe humanitária ainda pior, que já provocou um êxodo de refugiados em larga escala para a Rússia, mas por ele enfrentar a ameaça existencial que os planos dos EUA e da Otan na Ucrânia representam para a Rússia.”
Ainda segundo Korybko, a retirada dos EUA de pactos de controle de armas, como o Tratado de Mísseis Antibalísticos, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e o Tratado de Céus Abertos, contribuiu para desestabilizar a arquitetura de segurança europeia.
“Além disso, a implantação dos chamados sistemas antimísseis e armas de ataque mais perto das fronteiras da Rússia ao longo desse tempo mudou o status quo militar continental inicialmente acordado por Moscou e o Ocidente, no Ato de Fundação Otan-Rússia de 1997.”
O analista político acrescenta que foi por essas razões que a Rússia publicou pedidos de garantia de segurança no final de dezembro para interromper a expansão da Otan para o leste, a remoção de armas de ataque das fronteiras da Rússia e um retorno ao ato fundador da aliança militar.
Com “superioridade aérea absoluta”, o exército russo se aproximava de Kiev, a capital ucraniana, nesta quinta-feira (24) com a intenção de “decapitar o governo” e substituí-lo por um pró-Rússia, segundo fontes militares dos Estados Unidos.
Depois de disparar mais de 160 mísseis contra alvos militares ucranianos, as forças russas avançaram rapidamente ao sul a partir de Belarus e “se aproximaram de Kiev” ao longo do dia, indicou um alto funcionário do Pentágono.
“Basicamente, têm a intenção de decapitar o governo e instalar sua própria forma de governo, o que explicaria este avanço inicial para Kiev”, avaliou.
De acordo com o funcionário de inteligência ocidental, “as defesas aéreas da Ucrânia foram eliminadas e eles não têm mais força aérea para se proteger”.
“Nas próximas horas, os russos tentarão concentrar uma força avassaladora em torno da capital e a defesa agora recai sobre as forças terrestres e a resistência popular”, explicou.Imagem: Arte/ UOL
“Pouco tempo”
As tropas russas estarão ao redor de Kiev “em questão de dias, ou amanhã de manhã, no ritmo em que estão avançando”, enfatizou. “Não resta muito tempo. Acho que muito vai depender da resistência dos ucranianos.”
Até o momento, a Rússia avançou no território ucraniano em três eixos: ao sul, a partir da Crimeia, até a cidade de Kherson, através do rio Dnieper, ao norte a partir de Belarus até Kiev, ao longo de duas estradas a nordeste e noroeste da capital ucraniana, e ao leste da cidade russa de Belgorod até a grande cidade industrial de Kharkov, segundo estimativas do Pentágono.
O funcionário dos EUA relatou inicialmente 75 missões de bombardeiros e 100 lançamentos de mísseis de vários tipos, incluindo mísseis mar-terra disparados do Mar Negro, mas depois disse que o número de mísseis disparados desde o início da ofensiva russa havia subido para “mais de 160”.
“A maioria deles são mísseis balísticos de curto alcance, mas há também mísseis de médio alcance e mísseis de cruzeiro”, especificou.
“Também lançaram mais paraquedistas sobre Kharkov e estimamos que ainda haja combates intensos” nesta área no leste da Ucrânia.
Os ataques se concentraram em alvos militares, inclusive bases aéreas e o comando do exército ucraniano, mas segundo o Pentágono, o objetivo é tomar o controle de cidades-chave, sobretudo da capital, Kiev.
As forças russas atacaram o aeroporto militar de Antonov em Gostomel, nos arredores da capital ucraniana, onde os combates pareciam continuar nas últimas horas do dia.
Reforços americanos
Este aeroporto pode se tornar um ponto de encontro para o exército russo se quiser cercar a capital.
“Se Moscou conseguir controlar e manter a superioridade aérea (o que é muito possível), podem usar o aeroporto como ponto de entrada para atacar Kiev”, tuitou Michael Horowitz, especialista em segurança do Consultant Le Beck International.
O alto funcionário do Pentágono enfatizou que esta ofensiva não tem precedentes em mais de 70 anos.
“Não vimos um movimento convencional como este, de um Estado-nação para outro, desde a Segunda Guerra Mundial, certamente nada deste tamanho, alcance e escala”, disse ele.
No entanto, até agora, os russos não entraram no oeste da Ucrânia e não há indícios de um ataque anfíbio no sul vindo do Mar Negro, explicou a fonte.
Não há estimativas de danos ou baixas no exército ucraniano. “Há indícios de que estão resistindo e contra-atacando”, afirmou o funcionário.
As comunicações do país parecem funcionar, destacou. Ele acredita que em uma segunda fase ocorrerá um ciberataque para paralisá-las.
O Pentágono não confirmou a destruição de aviões militares russos ou a tomada da usina nuclear de Chernobyl pelos militares russos.
Mas o Pentágono enviará 7.000 soldados adicionais à Alemanha para “tranquilizar os aliados da Otan, impedir um ataque russo e estar preparado para atender às necessidades da região”.
Esses militares dos EUA se juntam aos 5.000 já enviados pelo presidente Joe Biden à Alemanha e ao flanco leste da Otan.
Contando com os reforços anunciados nesta quinta-feira, os Estados Unidos terão mais de 90.000 soldados na Europa.
Órgão diplomático está fazendo mapeamento de cidadãos brasileiros no país
Itamaraty informou que avalia melhor maneira de retirar brasileiros da Ucrânia Foto: Reprodução
O Itamaraty informou nesta quinta-feira (24) que está cadastrando brasileiros que estão na Ucrânia e desejam deixar o país, mas que, neste momento, não há condições de segurança para a evacuação.
Há cerca de 500 nacionais em território ucraniano. A orientação é para que eles fiquem em casa abrigados e sigam as recomendações das autoridades locais.
A orientação de deixar o país o quanto antes, ainda que por meios próprios, é para os brasileiros que estejam na região ao Leste do país europeu, onde há maior tensão militar.
Para iniciar a saída, o governo brasileiro verifica três pré-requisitos: as condições de segurança no trajeto, a disponibilidade de meios e a possibilidade de os brasileiros chegarem a um ponto de encontro a ser definido.
Como prometido, o presidente dos Estado Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (24) duras sanções econômicas contra a Rússia, suas autoridades e suas instituições financeiras.
Em discurso após reunião com o G7, Biden responsabilizou o presidente Vladimir Putin pelo ataque à Ucrânia e afirmou que agora a Rússia “arcar com as consequências”.
– Putin é o agressor. Putin escolheu essa guerra. E agora ele e seu país irão arcar com as consequências – disse o presidente em pronunciamento na Casa Branca.
Em seguida, Biden detalhou de que maneira pretende afetar a economia da Rússia.
– A Rússia não poderá negociar em dólares, nem em euros, nem em ienes. Vamos invalidar sua capacidade de fazer parte da economia. É a maior sanção econômica já vista na história – prometeu Biden.
A Ucrânia, cansada dos políticos (o que é compreensível), votou no Danilo Gentili deles.
Sim, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é um humorista famoso que protagonizou uma série de TV onde um professor, acidentalmente, se tornava presidente do país.
A vida imita a arte? Não. A vida quase sempre imita um enlatado americano feito para TV.
Hoje os ucranianos se perguntam em uníssono: o stand up vai suportar a pressão da Rússia?
Por outro lado a América, cada vez mais infantilizada e frágil, escolheu como presidente um idoso já quase senil e que já possui um dos piores índices de aprovação da história do país, isto porque o sujeito está apenas há um ano no cargo, porém o estrago, mesmo no curto espaço de tempo, é gritante.
É isto que ocorre quando a população eleva Lady Gaga, Tom Hanks, Eddie Vedder, e outros imbecis, ao nível de influenciadores sobre geopolítica.
A América hoje está mais preocupada em cumprir a agenda do progressismo, colocando em prática toda e qualquer egotrip adolescente, enquanto o mundo, especialmente o lado oriental, a devora calado.
Xi Jinping e Putin não têm Instagram ou Tik Tok, pois enxergam o mundo pela ótica de dois adultos treinados, frios e interessados em expandir poder e territórios, enquanto seus adversários brincam de “casinha”.
Se homens fortes te causam medo, espere até ver do que são capazes os homens fracos.
Macron, Boris Johnson, Trudeau, e toda esta turminha, para o líder russo não passam de integrantes de uma nova boy band americana e desafinada.
Putin tem uma trajetória política que o coloca num nível tão elevado frente à esta turma de amadores, que seria algo como Napoleão Bonaparte discutindo estratégia militar com Greta Thunberg.
Quem segura o russo agora?
Chapolin Colorado? Sargento Pincel? Batman?
Com a infantilização generalizada que dominou o ocidente, sinceramente não duvido que boa parte da população esteja aguardando a ação dos Vingadores anti o vilão russo.
Quer saber?
Não há Rocky Balboa que segure este Ivan Drago, não no cenário (ou ringue) atual.
Temos uma briga entre um enxadrista contra espinhudos que discutem pelo poder do joystick, enquanto a mamãe foi preparar biscoitos e Toddynho.
E do lado de cá?
Bom, aqui temos um jogador de truco jogando xadrez, sem sequer saber como se movimenta o cavalo contra o STF.
A verdade é que o velho Senhor da Guerra continua não gostando de crianças, assim como Bill Gates, que se acha o dono do mundo, mas esqueceu que exército de vídeo game não é pareo para soldados reais e sedentos por sangue.
No que vai dar isto?
Não faço a menor ideia, já que diferente de 99% dos especialistas de Tik Tok, eu desconheço por completo o que se passa na cabeça de um homem que foi diretor da KGB e está no poder da Rússia há três décadas, e sem adversários, já que os poucos que se arriscaram, ficaram “doentes” e evaporaram.
O mundo não é um Meme.
Eu não sou solidário à Rússia.
Sou solidário às pessoas que, infelizmente, pagarão com suas vidas, por mais uma estúpida disputa de poder, desta vez entre adultos contra um bando de meninos mimados sob o comando de um personagem caricato, eleito graças ao poder da mídia e seus influenciadores.
Para tentar entender um pouco da mente de quem realmente está por trás de tudo isto, recomendo o livro “As entrevistas de Putin”, onde um americano bobalhão, representado pelo cineasta Oliver Stone, debate com um líder político que tem total desprezo pela “cultura” ocidental.
O embate no livro (e também documentário) é o melhor exemplo do que talvez se torne a nova “Guerra Fria”, onde de um lado se tem o “comunista” rico, vaidoso, hipócrita, do outro, um homem sério, calculista, inteligente, que mostra absoluto desprezo pelo real comunismo, que ele conheceu bem, e também por seu primo mimadinho: o progressismo.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou hoje (24) que a aliança está “trabalhando com a União Europeia, impondo sanções econômicas severas para demonstrar que será um preço muito alto para a Rússia”. Na madrugada de hoje (horário de Brasília), a Rússia invadiu a Ucrânia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, ao lado de Stoltenberg, afirmou que a Otan e a União Europeia estão unidas em favor da Ucrânia e na aplicação de sanções contra a Rússia. “Vamos apresentar um pacote de novas sanções para que sejam aprovadas pelos líderes europeus. Esse pacote vai limitar fortemente o acesso da Rússia ao mercado financeiro. Já houve pressões contra a Rússia nas últimas semanas e essas pressões vão aumentar”, afirmou Von Der Leyen.
Ela disse ainda que as sanções vão suprimir o crescimento econômico da Rússia, aumentar a inflação, propiciar uma fuga de capital, prejudicar a infraestrutura industrial e o acesso do país à tecnologia estratégica. “Nossas medidas vão enfraquecer a posição da Rússia e o presidente [Vladimir] Putin vai ter que explicar isso para os seus cidadãos”, disse a presidente da Comissão Europeia.
A preocupação, tanto da Otan quanto da UE, é de que haja um transbordamento do conflito para outros países, o que ativaria o artigo 5º da Carta da Otan, que trata de defesa mútua. O artigo afirma que qualquer ataque a um dos membros será considerado um ataque a todos os membros.
A Ucrânia não faz parte da Otan, mas recebe apoio da aliança há anos. No entanto, vários países que fazem fronteira com a Ucrânia são aliados da Otan, entre eles, a Romênia, Hungria, Eslováquia e Polônia. Apenas Moldávia, Bielo-Rússia e Rússia, que também fazem fronteira com a Ucrânia, não participam da Otan.
“A Otan é a aliança mais forte da história e vamos proteger e defender cada um dos aliados. É por isso que aumentamos a presença de forças na parte leste da aliança, com mais soldados, navios e aviões nas últimas semanas, para dar uma resposta de toda a aliança”, disse Stoltenberg, que reforçou que a Ucrânia tem hoje Forças Armadas muito mais bem preparadas do que em 2014, quando houve a anexação da Crimeia por parte da Rússia.
O secretário-geral disse ainda que a Otan não tem planos de colocar soldados na Ucrânia, mas sim no território da aliança. “A Ucrânia é um parceiro, nós ajudamos, fortalecemos as suas Forças Armadas mas não temos pessoal dentro da Ucrânia”.
Stoltenberg explicou que os planos de defesa da Otan, desenvolvidos ao longo dos anos e iniciados hoje, permitem que a organização possa reagir a crises como essa. “Os planos dão para os nossos comandantes militares mais poderes e a estrutura para eles mobilizarem forças para garantir que tenhamos contingentes prontos para atuar nos lugares certos ao longo da Europa”.
Inteligência Stoltenberg disse que a invasão russa já havia sido prevista pelo serviço de inteligência da organização e que a aliança tentou, de várias maneiras, que a Rússia mudasse o rumo. “Mas a Rússia fechou as portas para uma solução política e diplomática. Nossa inteligência foi muito precisa, previu por meses essas intenções russas de atacar a Ucrânia e nós vamos continuar pedindo para a Rússia que mude o caminho”.
Nos últimos meses, Putin reiteradas vezes afirmou que não tinha planos de invadir a Ucrânia. Stoltenberg afirmou que o mandatário russo mentia e que ele tinha planos de invadir. “Vemos invasões da Ucrânia por terra, ar e mar. Não temos todas as informações, mas é uma invasão de uma nação pacífica, livre e independente.”
Stoltenberg disse ainda que amanhã (25) haverá uma cúpula virtual na qual a Otan consultará os aliados para definir os próximos passos. “Vamos continuar defendendo nossos aliados, defendemos nossos valores face a um regime autoritário que ameaça e usa a força. Vai haver uma nova realidade, um nova Europa depois da invasão de hoje.”
Biden, União Europeia e países aliados reagem; Departamento de Defesa dos EUA rastreia incursão de tropas da Belarus por território ucraniano
Explosão é vista na capital ucraniana de Kiev nesta quinta-feira, 24 de fevereiro Gabinete do Presidente da Ucrânia
Após dias de escalada de tensão e ameaças, a Rússia de Vladimir Putin atacou a Ucrânia nas primeiras horas desta quinta-feira (24).
Pouco depois de Putin ter autorizado, em pronunciamento pela TV, uma operação militar nas regiões separatistas do leste da Ucrânia, explosões e sirenes foram ouvidas em várias cidades do país, segundo relatos de repórteres da CNN. A Ucrânia informou que pelo menos 50 pessoas morreram.
Em seu pronunciamento, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou que impôs a lei marcial no país e pediu que a população permaneça calma.
“Caros cidadãos ucranianos, esta manhã o presidente Putin anunciou uma operação militar especial em Donbas. A Rússia realizou ataques contra nossa infraestrutura militar e nossos guardas de fronteira. Ouviram-se explosões em muitas cidades da Ucrânia. Estamos introduzindo a lei marcial em todo o território do nosso país”, declarou.
O ministro ucraninano de Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que Putin ordenou invasão de larga escala. “Cidades pacíficas da Ucrânia estão sob ataque. Esta é uma guerra de agressão”, escreveu.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia descreveu a ação militar da Rússia como um “ato de guerra”, em um comunicado publicado nas redes sociais.
A reação da comunidade internacional foi imediata. Em declaração divulgada pela Casa Branca na madrugada desta quinta, o presidente americano Joe Biden disse que a “Rússia sozinha é responsável pela morte e destruição que esse ataque trará”.
“Me reunirei (nesta quinta) com os líderes do G7, e os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros imporão severas sanções à Rússia”, afirmou Biden logo após falar ao telefone com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
A União Europeia também criticou os ataques. Segundo a chefe da Comissão Executiva do bloco, Ursula von der Leyen, a União Europeia responsabilizará Moscou pelo ataque “injustificado” à Ucrânia.
Em pronunciamento na manhã desta quinta, von der Leyen prometeu “sanções massivas e estratégicas” contra a Rússia.
Ursula von der Leyen em pronunciamento nesta quinta-feira (24) / Reprodução/Twitter
“Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes que enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas”, disse von der Leyen no Twitter.
Os líderes da UE devem realizar uma cúpula de emergência em Bruxelas nesta quinta-feira, depois que uma primeira rodada de sanções da UE à Rússia entrou em vigor na quarta-feira (23). Embaixadores da Otan também marcaram uma reunião de emergência para esta quinta.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que “o Reino Unido e nossos aliados responderão de forma decisiva”. Já o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse nesta quinta que a situação na Ucrânia é “tensa” e que trabalhará com os países do G7 sobre o assunto.
Emmanuel Macron, presidente francês, disse que a França “condena fortemente a decisão da Rússia de iniciar guerra com a Ucrânia”. “A Rússia deve encerrar suas operações militares imediatamente”, escreveu Macron nas redes sociais.
A China manteve a cautela. O embaixador da China nas Nações Unidas, Zhang Jun, pediu a todas as partes envolvidas na crise Ucrânia-Rússia que “mantenham a cabeça fria e racional”.
“É especialmente importante no momento evitar o aumento das tensões”, disse Zhang em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na noite de quarta-feira. “Todas as partes envolvidas devem exercer moderação e evitar uma maior escalada de tensões”, disse ele, acrescentando que a China acredita que a “porta para uma solução pacífica para a questão da Ucrânia não está totalmente fechada”.
A Embaixada da China na Ucrânia pediu que os cidadãos chineses fiquem dentro de casa e coloquem bandeiras chinesas em seus carros “por segurança”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que pare de “atacar a Ucrânia” e dê uma chance à paz.
Em meio às explosões relatadas pelos repórteres da CNN, militares russos negavam que as cidades ucranianas estavam sendo alvo de ataques. “As Forças Armadas russas não estão lançando mísseis ou ataques de artilharia nas cidades da Ucrânia. Armas de alta precisão destroem a infraestrutura militar: aeródromos militares, aviação, instalações de defesa aérea das Forças Armadas da Ucrânia”, afirma comunicado russo. “A população civil não está em risco.”
Separatistas apoiados pela Rússia também entraram em ação e disseram nesta quinta-feira terem lançado uma ofensiva na cidade de Shchastia, controlada pela Ucrânia, na província de Luhansk.
1 de 14Um soldado ucraniano caminha por uma trincheira em Svitlodarsk, na Ucrânia, no dia 11 de fevereiroCrédito: Wolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Images
O Departamento de Defesa dos EUA está rastreando a incursão de tropas da Belarus na Ucrânia. Vídeos obtidos pela CNN mostraram tanques russos cruzando a fronteira e entrando na cidade ucraniana de Senkivka.
Nas últimas semanas, a Rússia acumulou um número significativo de tropas, veículos e tanques em Belarus, perto da fronteira com a Ucrânia. Durante esse período, os dois países realizaram exercícios militares conjuntos em todos os países e perto da fronteira Bielorrússia-Ucrânia.
A Rússia suspendeu voos domésticos de e para vários aeroportos perto de sua fronteira com a Ucrânia, segundo a agência federal de aviação Rosaviatsiya.
Bolsas na Ásia caem
Os mercados asiáticos já reagem à ação da Rússia na Ucrânia. O índice Hang Seng de Hong Kong abriu em queda de 3,2%. O Kospi da Coreia caiu 2,7%. O Nikkei 225 do Japão perdeu 2,4% depois de voltar de um feriado. O Shanghai Composite da China caiu 0,9%.
Os futuros de ações dos EUA também caíram. Os futuros da Dow caíram até 780 pontos, ou 2,4%. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíram 2,3% e 2,8%, respectivamente.
As perdas amplas seguiram um declínio acentuado em Wall Street na quarta-feira. O Dow fechou mais de 464 pontos, ou 1,4%, registrando seu quinto dia consecutivo de perdas. O S&P 500 e o Nasdaq caíram 1,8% e 2,6%, respectivamente.
Mary Hellen Coelho Silva, de 22 anos, que foi presa com outros dois brasileiros por tráfico internacional de drogas na Tailândia, buscava ganhar dinheiro para custear o tratamento de câncer no útero que a mãe sofre há três anos e que já evoluiu para a fase terminal. É o que conta a sua família.
De acordo com os familiares próximos, a jovem também nutria o sonho de abrir uma loja de doces e bolos em Pouso Alegre, Minas Gerais, onde mora com a mãe e seus quatro irmãos.
Natural do Rio de Janeiro, Mary Hellen já trabalhou vendendo roupas, bem como na fabricação e venda de bolos e doces e como atendente de uma churrascaria, sendo este o seu último emprego. A família conta que ela pediu demissão uma semana antes da viagem para a Tailândia; viagem esta que foi mantida em segredo.
– Ela sonhava alto. Queria uma vida melhor pra ela, para a sobrinha e nossa mãe. Por isso, só pensava em trabalho. Mas tinha decidido voltar a estudar esse ano para ter um currículo melhor, né? A gente já vinha vendendo bolos e doces na rua. Estava dando certo, e pretendíamos abrir ainda esse ano a nossa lojinha – contou Mariana Coelho, irmã de Mary Hellen.
De acordo com Mariana, a família não tinha conhecimento do envolvimento dela com as drogas. Mary Hellen teria informado que viajaria para Curitiba, mas sem contar o motivo, levando os familiares a pensar que se tratava de um encontro com um namorado secreto dela. Ninguém tinha a menor ciência de que se tratava de uma viagem internacional.
Segundo uma de suas amigas de colégio, Mary Hellen era tranquila, não se envolvia em confusão e era querida por todos.
– Ela sempre foi muito amiga de todo mundo e muito boa com todo mundo também. Era respeitosa, confiável. Desde o diagnóstico de câncer da mãe, ela vinha sofrendo bastante. Ainda estamos em choque com a prisão dela – contou Camila Eduardo Campos, de 20 anos.
Para a melhor amiga da jovem, Angelique Sanches, Mary Hellen foi enganada. Ela é responsável por uma campanha on-line para que a moradora de Pouso Alegre cumpra a pena no Brasil.
– A Mary Hellen era muito inteligente. Não iria transportar drogas e ainda mais fora do país. Algum menino deve ter chamado ela para ir pra Curitiba, devem ter tirado o passaporte por lá e, depois, ido pra fora do país. Ela é “correria”. Trabalha para conquistar as coisas dela. Já trabalhou em pastelaria, lanchonete. Não precisava disso – contou Angelique.
O CASO
Mary Hellen e um amigo de 27 anos foram presos na última segunda-feira (14), no aeroporto de Bangkok, na Tailândia. Um outro rapaz, de 24, que levava parte das drogas em outro voo, também foi preso ao desembarcar. Os três saíram de Curitiba com a cocaína distribuída nas malas.
O conteúdo das bagagens chamou a atenção de funcionários durante a inspeção do raio-X, e as malas foram revistadas. Mary Hellen e o rapaz levavam 9 quilos da droga em um compartimento secreto. Já o jovem de 24 anos levava consigo 6,5 quilos de cocaína.
Conhecida pelas duras leis contra o tráfico de entorpecentes, a Tailândia pode punir o crime com prisão perpétua e até com pena de morte – com base na quantidade de drogas e nas circunstâncias.
Em nota, o Itamaraty, por meio da Embaixada em Bangkok, informou que acompanha a situação e presta toda a assistência cabível aos nacionais, em conformidade com os tratados internacionais vigentes e com a legislação local.
Governo da Ucrânia e grupos rebeldes apoiados pela Rússia trocam acusações
Foto divulgada pela assessoria de imprensa da Polícia Nacional da Ucrânia mostra resultado do bombardeio Fotos: EFE/EPA/UKRAINE NAT. POLICE PRESS SERV. / HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES
Nesta quinta-feira (17), a região leste da Ucrânia sofreu o pior bombardeio em anos. As explosões atingiram a área esportiva de uma creche por volta das 9 horas da manhã (pelo horário local). No entanto, nenhuma criança morreu porque, no momento da explosão, elas estavam no refeitório, tomando café da manhã.
– A explosão ocorreu por volta das 9h da manhã. Eu estava na lavanderia. A onda de choque me jogou em direção à porta. Eu não sentia mais o lado direito da minha cabeça – contou Natalia Slessareva, de 54 anos, que trabalha na creche Stanitsa Luganska.
O governo da Ucrânia e grupos rebeldes separatistas apoiados pela Rússia trocam acusações sobre a autoria do bombardeio, que continuou ocorrendo na região até esta sexta-feira (18). Dois grupos, porém, anunciaram hoje que farão uma retirada do país, rumo à Rússia.
Por meio das redes sociais, o chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, disse que o governo russo já havia concordado em abrigar os rebeldes que deixassem a Ucrânia. Pouco tempo depois, outro grupo separatista, o que domina a cidade ucraniana de Luhansk, disse que também está fazendo planos de retirada.
De acordo com a agência de notícias russa Interfax, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que não tinha conhecimento da situação e tampouco soube responder se os movimentos dos grupos rebeldes estavam sendo coordenados com a Rússia.
Acredita-se que milhões de civis vivam nas duas regiões controladas pelos rebeldes no leste da Ucrânia. A maioria é falante de russo e muitos já receberam a cidadania russa. Países ocidentais disseram acreditar que o bombardeio é parte de um pretexto do governo russo para justificar a invasão.
Os Estados Unidos disseram que a Rússia, embora tenha dito que começou a retirar tropas de perto da Ucrânia nesta semana, está fazendo o oposto: aumentou a força que ameaça seu vizinho para entre 169.000 e 190.000 soldados, dos 100.000 no final de janeiro.
– Esta é a mobilização militar mais significativa na Europa desde a Segunda Guerra Mundial – disse o embaixador dos EUA, Michael Carpenter, em uma reunião na Organização para Segurança e Cooperação na Europa, com sede em Viena.
O presidente americano, Joe Biden, considera que a situação revela uma nova escalada e se reúne nesta sexta com líderes do Reino Unido, do Canadá, da França, da Alemanha, da Itália, da Polônia e da Romênia, além da União Europeia e da Otan.