Presidente suspendeu levantamento por indícios de manipulação

Flávio Bolsonaro durante evento na Assembleia Legislativa de São Paulo - 27/2/2026 | Foto: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo
Flávio Bolsonaro durante evento na Assembleia Legislativa de São Paulo – 27/2/2026 | Foto: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, barrou a divulgação da pesquisa do instituto AtlasIntel que associava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O levantamento indicava queda forçada nas intenções de voto de Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto.

Nunes Marques concedeu uma liminar de urgência, depois de identificar indícios de manipulação para prejudicar o pré-candidato da oposição.

A decisão atende a um pedido formal apresentado pela cúpula do PL.

Os advogados do partido argumentaram que a empresa de estatística estruturou as perguntas com o objetivo de gerar uma imagem negativa do parlamentar, fugindo da apuração regular da opinião pública.

A direção do instituto incluiu áudios vazados de investigações policiais envolvendo a conversa de Flávio com o banqueiro dentro do questionário para “contaminar” as respostas dos eleitores, segundo o presidente do TSE.

Presidente do TSE aponta “contaminação”

O ministro destacou a gravidade da manobra em seu despacho.

Em análise preliminar, o magistrado afirmou que os dados coletados revelam uma clara distorção provocada pelo método de abordagem.

“Os elementos trazidos aos autos reforçam os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, argumentou o presidente do TSE, ao acolher os argumentos dos advogados de Flávio a respeito dos danos provocados pela inclusão do arquivo de áudio na entrevista.

Para o presidente do tribunal, o questionário foi desvirtuado e deixou de funcionar como um termômetro legítimo das tendências políticas do eleitorado nacional.

Ele criticou a mudança drástica na conduta do instituto na condução das amostragens. “Há indicativos de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”, observou o presidente do TSE.

Instituto mudou perguntas para prejudicar Flávio Bolsonaro

Nunes Marques analisou o histórico da empresa e descobriu que outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel não usaram arquivos de som nem perguntas parecidas.

O ministro do TSE concluiu que a metodologia estatística foi corrompida para induzir o cidadão.

O magistrado determinou que os responsáveis entreguem os relatórios técnicos complementares e deu 24 horas para o Ministério Público Eleitoral se manifestar acerca de eventual fraude.

A sondagem sob suspeita veio a público no dia 19 de maio, logo depois de vazarem as conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Números forçados mostravam tombo de seis pontos

O relatório sob suspeita exibia uma reviravolta no cenário eleitoral em menos de um mês. Os dados da AtlasIntel mostravam Lula com 48,9% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro despencava para 41,8%.

No levantamento anterior, feito em abril, o senador liderava a disputa de segundo turno contra o presidente Lula pelo placar de 47,8% a 47,5%. Desta forma, a variação representava uma perda de seis pontos porcentuais para o pré-candidato da oposição.

O PL sustentou na ação judicial que a sequência dos temas e a associação direta do nome do senador ao banqueiro investigado destruíram a integridade do resultado final.

A liminar de Nunes Marques proíbe que o instituto replique os dados em qualquer meio oficial de divulgação.

Ex-ministros do TSE endossam Nunes Marques

Oeste, dois ex-ministros do TSE viram substância na decisão do presidente do tribunal.

De acordo com um deles, o magistrado impediu que ocorre “desequilíbrio no pleito eleitoral”.

“A Justiça Eleitoral não exige apenas rigor estatístico, mas também que o questionário não funcione como instrumento de persuasão”, acrescentou outro ex-integrante da Corte.

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