Investigadores afirmam que aditivo apresentado pela defesa não trouxe elementos capazes de mudar a avaliação sobre o caso

O banqueiro Daniel Vorcaro teve o cabelo raspado durante estadia na penitenciária de Potim (SP) | Foto: Divulgação/SAP
O prazo para a defesa de Vorcaro apresentar novos elementos termina nesta semana | Foto: Divulgação/SAP 

A nova investida do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para viabilizar um acordo de delação premiada encontrou resistência dentro da Polícia Federal (PF).

Integrantes da corporação avaliam que o material complementar entregue pela defesa na semana passada ficou aquém das expectativas e não apresentou informações com potencial para alterar o rumo das investigações.

Nos bastidores, a percepção é de que o documento acrescenta pouco ao que já foi reunido pelos investigadores da PF. Segundo o site g1, as referências a personagens políticos e a operações financeiras já eram conhecidas pela equipe responsável pelo caso e não foram consideradas suficientes para justificar uma mudança de posição.

O aditivo menciona, entre outros pontos, repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e cita o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação de investigadores, porém, as informações surgem mais como contextualização do que como revelações.

A defesa de Vorcaro ainda trabalha para fortalecer a proposta de colaboração. O prazo para apresentar novos elementos termina nesta semana, em uma tentativa de convencer a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o ex-banqueiro pode oferecer informações relevantes para o avanço das apurações.

A palavra final caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Nos últimos dias, o magistrado manteve reuniões com representantes de Vorcaro e acompanha pessoalmente as negociações envolvendo o acordo.

Perícia reforça resistência ao acordo de delação de Vorcaro

Fontes ligadas à investigação relatam que a preparação da colaboração mobilizou intensamente a equipe jurídica do ex-banqueiro. Nas últimas semanas, advogados realizaram encontros frequentes com o empresário para revisar documentos e definir a estratégia adotada nas conversas com as autoridades.

O ambiente de desconfiança, contudo, permanece. Investigadores sustentam que Vorcaro ainda não apresentou fatos considerados decisivos e mantêm a avaliação de que parte do conteúdo entregue busca resguardar pessoas ligadas ao caso.

Essa percepção já havia motivado a rejeição de uma versão anterior da delação. Desde então, as negociações passaram a envolver simultaneamente a PF e PGR, que analisam em conjunto a viabilidade do acordo.

Informações Revista Oeste

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