O gol marcado sobre a Venezuela na noite deste domingo (13), na estreia da Copa América, deixou Neymar mais próximo da marca de Pelé como maior artilheiro da Seleção Brasileira. O time Canarinho venceu os venezuelanos por 3 a 0, no Mané Garrincha, na abertura do torneio continental. O atual camisa 10 anotou o segundo tento do jogo e chegou aos 67 pelo Brasil em 106 jogos. Enquanto o Rei Pelé balançou as redes 77 vezes pela contagem da Fifa em 92 partidas.
Neymar é o segundo maior artilheiro do Brasil pelas contas da Fifa. No ano passado, ele ultrapassou Ronaldo, que marcou 62 em 98 compromissos.
A contagem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é diferente da entidade que controla o futebol mundial. Pelos cálculos dos brasileiros, Pelé marcou 95 gols em 115 jogos. Já Neymar manteve os 67 em 106 partidas. No entanto, Ronaldo divide a segunda posição na lista de artilheiros com a mesma quantidade de tentos do atual camisa 10 da Seleção, mas entrou em campo 103 vezes.
O Brasil lidera o Grupo B da Copa América com três pontos por levar vantagem no saldo de gols em relação à Colômbia que tem a mesma pontuação. A Seleção volta ao gramado na próxima quinta-feira (17), às 21h, no Engenhão, para encarar o Peru, pela segunda rodada.
O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi palco na noite deste domingo (13) da estreia da seleção brasileira na Copa América de 2021. A equipe nacional fez 3 a 0 na Venezuela pela abertura do Grupo A. Os gols foram marcados pelo zagueiro Marquinhos e pelos atacantes Neymar e Gabriel Barbosa.
Com o resultado, o time verde e amarelo somou os primeiros três pontos e lidera a chave. Ainda neste domingo, às 21h (horário de Brasília), Colômbia e Equador se enfrentam no mesmo grupo na Arena Pantanal. O Peru é o quinto time da chave brasileira e folga nesta rodada inaugural.
Antes do início da partida, ocorreu um rápido cerimonial para abertura da competição. Alguns profissionais da saúde levaram a taça da Copa América até o centro do gramado do Mané Garrincha e o telão do estádio passou imagens alusivas às 10 equipes que participam do torneio e foi organizado um show de fogos de artifício que tomou conta do céu da capital federal.
Com a bola rolando, a primeira partida da Copa América dessa temporada foi totalmente dominada pelo Brasil. Aos sete, quase Richarlison abriu o placar depois de cobrança de escanteio de Neymar. Aos nove, a mesma dupla esteve em ação. Neymar deu um belo lançamento para Richarlison que não conseguiu dominar. Aos 10, Éder Militão por muito pouco não abriu o placar de cabeça. Aos 22, finalmente as redes venezuelanas balançaram. Neymar bateu o escanteio da esquerda e o zagueiro Marquinhos aproveitou o bate e rebate na área para fazer o primeiro gol. Aos 25, Richarlison marcou, mas estava impedido. Aos 29, Neymar fez boa jogada e finalizou rasteiro. A bola passou raspando a trave direita do gol de Graterol.
Na etapa final, o técnico Tite fez duas mudanças, colocando Everton Ribeiro no lugar do Lucas Paquetá e Alex Sandro no lugar de Renan Lodi, e a seleção marcou mais dois gols. Aos 16, o lateral-direito Danilo armou boa jogada e foi derrubado na área. Neymar deslocou o goleiro rival e fez mais um.
Depois, sem forçar muito o ritmo e com Gabriel Barbosa no lugar de Richarlison, Vinícius Júnior na vaga de Gabriel Jesus e Fabinho no lugar de Fred, saiu o terceiro gol aos 43 minutos. Neymar recebeu belo passe de Alex Sandro, driblou o goleiro e largou Gabriel Barbosa sozinho na frente do gol. O atleta do Flamengo empurrou com o peito para o fundo das redes.
A seleção volta a jogar na quinta-feira (17) contra o Peru no Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (14) acontecerão os primeiros dois jogos do grupo A. Argentina e Chile se enfrentam no Nilton Santos, a partir das 18h, e, no Estádio Olímpico de Goiânia, Paraguai e Bolívia se enfrentam a partir das 21h.
Expectativa é que cheguem cerca de 11 mil estrangeiros ao Japão para o evento
Com aumento de mortes, Olimpíada com pandemia assusta cidadãos de Tóquio Foto: Divulgação
A Olimpíada de Tóquio se aproxima e os moradores da capital japonesa estão assustados. A nova onda de contaminação pela Covid-19, com o aumento do número de mortes comparado à lentidão das campanhas de vacinação, é o motivo. Ainda mais com a iminente chegada de 11 mil estrangeiros ao país.
A reportagem do Estadão andou pelos bairros e ruas de Tóquio, nas proximidades das arenas esportivas dos Jogos e centros comerciais da cidade para flagrar o comportamento dos japoneses comuns com a aproximação do grande evento. Constatou a enorme preocupação com a ‘invasão’ de atletas e membros de delegações de outros países.
Há um sentimento forte de que os Jogos Olímpicos deveriam ser cancelados. As ruas não estão como antes. Nem as empresas, os restaurantes e os parques da cidade. Estão mais vazias e tristes O transporte público reduz o número de ônibus, metrôs e trens nos fins de semana para forçar o cidadão da capital a ficar em casa. Tudo por causa da pandemia. Há muito medo no ar.
Um recorrente aumento da epidemia está colocando a opinião pública contra a realização dos Jogos. A capital e outras nove províncias estão em estado de emergência. Os governos do Japão e de Tóquio, no entanto, aceitam o desafio de realizar o evento para, segundo o Comitê Organizador, “iniciar a vitória sobre o vírus a partir da conformidade e do respeito ao próximo”, valores presentes na cultura japonesa.
Na teoria, isso é lindo. Na prática, o cidadão comum, que depende do sistema de saúde público, vê a aproximação dos Jogos com reticência. Por causa das novas variantes do vírus, a epidemia que parecia estar controlada no fim do inverno (fevereiro), volta a crescer. A média diária de casos é de cinco mil novos contaminados em todo o país, sendo 700 na capital japonesa, que já está enfeitada para a competição, cuja abertura está marcada para 23 de julho.
O clima é de muita desconfiança.
Pesquisas de opinião mostram que posições contrárias à competição agora são de 60% a 65%, no momento em que mobilizações contra sua realização ganham força nas mídias sociais e em locais movimentados como Shibuya e Shinjuku. Manifestações e abaixo-assinados são cada vez mais frequentes pedindo o cancelamento da Olimpíada. Jornais locais, como Japan Times e Asahi Shimbun, têm revelado pesquisas em diversos segmentos da sociedade.
Os empresários japoneses defendem que os Jogos devem ser adiados (32%) ou cancelados (37%). O clamor dos populares segue na mesma linha. Cerca de 43% das pessoas pedem o cancelamento da Olimpíada e 40%, o seu adiamento. No geral, 65% das pessoas não aprovam a disputa. O COI e o Comitê Olímpico Local não admitem nem uma coisa nem outra.
O adiamento dos Jogos elevou seu custo de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 66,4 bilhões) para US$ 15,4 bilhões (aproximadamente R$ 80,6 bilhões). O valor é US$ 2,8 bilhões (R$ 14,5 bilhões) superior, sendo que a ausência de turistas não trará dividendos ao Japão. Os Jogos do Rio-2016 custaram US$ 13,2 bilhões (cerca de R$ 43,3 bilhões).
DIVISÃO Daiki Kino, de 42 anos, estava ensinando sua filha a engatinhar no gramado próximo à praça dos monumentos olímpicos, que inclui a pira olímpica de Tóquio-1964. Ele concorda com a decisão de executar o plano inicial.
– Gostaria que a Olimpíada fosse realizada. Não é necessário cancelar se fizerem com menos espectadores. Grandes estruturas foram construídas e renovadas e seria um desperdício ter de cancelar tudo – comentou.
Na ensolarada tarde de um domingo de maio, Naoki Sakuma, de 58 anos, acompanhado de sua mulher, testava sua câmera ‘mirrorless’ Ele se declara contrário à realização da Olimpíada. Citando o recente recrutamento de enfermeiras para trabalho voluntário nos Jogos, comenta ser impossível realizar um evento deste tamanho devido à atual situação.
– Médicos e enfermeiras são, de verdade, muito importantes para os cidadãos do país. A sociedade não pode ser deixada em segundo plano em detrimento de um evento esportivo mundial – disse.
Ele demonstra apreensão com a atual decisão do governo e do Comitê Olímpico Internacional (COI).
– Seria bom que o evento fosse bem-sucedido, mas no caso de insucesso, a esperança de vencer a pandemia vai diminuir – previu Naoki.
Kyosuke Chikayama, de 38 anos, argumentou que os casos da doença estão aumentando de novo, depois de breve redução no fim de abril.
– Agora eu sou contra – disse.
Amigo de Kyosuke, o australiano Thomas Griffits, de 29 anos, é neutro.
– Para mim, tanto faz. Eu gosto de natação, mas não tenho muito interesse na Olimpíada. E se por causa disso a epidemia aumentar em Tóquio? Será que vale a pena correr o risco? – questionou.
Porém, não faltam razões para que a Olimpíada tenha a simpatia das pessoas. No centro de Shinjuku, Midori Ishii, de 19 anos, pensa no sentimento dos atletas paralímpicos.
– Se eles perderem esta oportunidade, suas condições podem ser agravadas por depressão e talvez eles não tenham nova oportunidade – preocupa-se a jovem.
As pessoas que saem às ruas não desperdiçam a chance de fazer selfies e fotos ao lado dos monumentos olímpicos. Ao pensar em Tóquio, a imagem de uma multidão atravessando o cruzamento agilmente, apressada, logo vem à cabeça. Mas, devido ao estado de emergência, caminhar nas ruas da capital japonesa já não é a experiência efusiva de antes. Bares e restaurantes fecham às oito da noite e não abrem nos fins de semana. Lojas de departamentos tiveram os horários limitados das 10 da manhã às 6 da tarde.
Lugares como o distrito de Ginza, que estariam repletos de gente num domingo de sol, foram flagrados com poucas pessoas e muito espaço entre elas. É até mesmo possível descobrir novos detalhes dos belos passeios públicos dos arredores da estação de Tóquio.
Existem estabelecimentos comerciais noturnos, como os populares bares de hostess (acompanhantes) que não respeitam o estado de emergência, manifestações de grupos que negam a existência da doença e não usam máscaras porque “não há motivos para isso”. Pela constituição japonesa, não há o que proibir nesses casos. A polícia não trata esses grupos ou estabelecimentos como “foras da lei”.
Treinador refere-se à oposição dos jogadores ao evento esportivo
Tite mudou o tom após ser contra à Copa América no Brasil Foto: EFE/ Antonio Lacerda
Na véspera da estreia da seleção brasileira na Copa América, o técnico Tite confirmou neste sábado (12), em entrevista coletiva, que os jogadores foram contra a realização do torneio em solo nacional.
– Pedimos antes ao presidente da CBF. Eu pedi, os atletas pediram antes de levar ao presidente da República, ao país, colocamos essa situação que não gostaríamos, pelo respeito, por tudo o que estava envolvendo, por um lado sentimental – disse Tite.
A fala do treinador corrobora com o conteúdo de um manifesto recente divulgado pelos atletas convocados. Mas, apesar de ser contra, o treinador disse que “não tem desculpa agora” e que a seleção jogará a competição com seriedade.
– Colocamos que somos contrários à realização da Copa América e não vai ter desculpa agora. Vamos nos cuidar da melhor maneira possível e vamos jogar com a exigência – afirmou.
O primeiro jogo da competição será neste domingo, às 18h, contra a Venezuela, em Brasília, no estádio Mané Garrincha.
O jogador Christian Eriksen, camisa 10 da Dinamarca, sofreu uma síncope durante a partida, contra a Finlândia, deste sábado (12), pela primeira rodada da Eurocopa. No final do primeiro tempo, após uma cobrança de lateral, Eriksen caiu sozinho no gramado.
A equipe médica entrou em campo imediatamente e precisou realizar massagens cardíacas para tentar reanimar o jogador. Após 15 minutos de atendimento, o atacante deixou o campo, junto com os profissionais de saúde, em uma ambulância e respirando com a ajuda de um balão de oxigênio. Ainda não se sabe a real situação do jogador.
A partida estava empatada em 0 a 0 e foi paralisada pela Uefa.
Varejista e emissora confirmaram parceria nesta quinta-feira
Havan anuncia patrocínio da Copa América 2021, no SBT Foto: Divulgação
A Havan irá patrocinar a transmissão da Copa América 2021. A varejista e o SBT, responsável pelos direitos de transmissão dos jogos, confirmaram a parceria nesta quinta-feira (10). A Copa América terá início no próximo domingo (13) e segue até 10 de julho, quando está prevista a final, no Maracanã.
A Seleção Brasileira estreia na competição contra a Venezuela, no domingo, em Brasília, no estádio Mané Garrincha, às 18 horas. No mesmo dia, às 21 horas, Colômbia e Equador duelam na Arena Pantanal, em Cuiabá.
Na segunda-feira (14), a Argentina joga contra o Chile, no Engenhão, às 18 horas. Na sequência, às 21 horas, Paraguai e Bolívia jogam em Goiânia.
No YouTube, o dono da Havan, Luciano Hang, fez um anúncio sobre o patrocínio.
O empresário afirmou que está muito feliz em se unir ao SBT para a transmissão da Copa América 2021.
– Tenho certeza que será uma competição que irá alegrar toda a população brasileira. Nós temos um slogan na Havan de que “Patrocinar é acreditar” e a Havan acredita no SBT e no Brasil. Estamos todos juntos torcendo pela nossa seleção e pelo sucesso desta competição.
A Copa América é o principal torneio entre as seleções da América do Sul. Será a 47ª edição do torneio e o Brasil já sediou a competição 5 vezes. Além disso, a seleção brasileira já ergueu a taça de campeã em 9 edições. Neste ano, participam 10 seleções, divididas em dois grupos: Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai estão no Grupo A. Já o Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela formam o Grupo B.
Com a classificação do Vitória diante do Inter na noite desta quinta-feira (10), o Nordeste terá seis representantes nas oitavas de final da Copa do Brasil pela primeira vez. O Leão se juntou ao Bahia, Juazeirense, ABC, CRB e Fortaleza, que haviam avançado de fase nos últimos dias.
Desde o início do torneio em 1989, a região havia colocado no máximo cinco clubes nas oitavas nas edições de 1992 e 2009. Na primeira vez, os representantes foram CSA, Sport, Fortaleza, Sergipe e Bahia. Enquanto na segunda ocasião, Icasa-CE, Vitória, CSA, Fortaleza e Náutico chegaram entre os 16 melhores da competição. A dupla Ba-Vi segue empatada como os clubes nordestinos com mais participações nas oitavas da Copa do Brasil, cada um com 17. Porém, o Leão já disputou o título em 2010, sendo derrotado pelo Santos, que tinha os jovens promissores Neymar e Ganso. Enquanto o Tricolor jamais alcançou uma semifinal do torneio. O Sport é o único da região que conquistou um caneco. Em 2008, o Rubro-Negro pernambucano venceu o Corinthians.
O novo recorde nordestino não foi alcançado com tranquilidade. Dos seis classificados, quatro precisaram reverter a vantagem dos seus adversários. O Vitória havia perdido o jogo de ida para o Inter por 1 a 0, no Barradão, e conseguiu virar ganhando por 3 a 1, no Beira-Rio. O ABC foi outro que fez o resultado de 3 a 0 contra a Chapecoense, em casa, no duelo de volta, após ter sido derrotado por 3 a 1. Enquanto Juazeirense e CRB não pouparam seus torcedores de emoções, conquistando suas vagas nos pênaltis. O Cancão de Fogo bateu o Cruzeiro por 1 a 0, no Adauto Moraes, para depois ganhar por 3 a 2 nas penalidades. Já o Galo de Alagoas eliminou o Palmeiras, em pleno Allianz Parque, com vitórias por 1 a 0 no tempo regulamentar e 4 a 3 na marca da cal. Por outro lado, o Bahia venceu o Vila Nova com dois triunfos por 1 a 0. E o Fortaleza despachou o rival Ceará com um empate em 1 a 1, e a vitória por 3 a 0 na decisão.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda fará o sorteio para definir os confrontos das oitavas de final e marcar as datas dos jogos, que estão agendados para a última semana de julho e a primeira de agosto. Ainda resta uma vaga para completar os 16 classificados. Na próxima quarta (16), Flamengo e Coritiba se enfrentam no Maracanã. O Rubro-Negro carioca venceu o primeiro encontro por 1 a 0, no Couto Pereira.
Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na madrugada desta quinta-feira (10), o julgamento das ações que pedem a suspensão da Copa América no Brasil por conta da pandemia de Covid-19. A análise acontece em plenário virtual, no qual os ministros inserem os votos por meio de sistema eletrônico. O prazo para a inserção acaba às 23h59 desta quinta. Até o momento, três ministros já tomaram suas decisões, dois deles a favor de que o torneio futebolístico aconteça em território brasileiro. A ministra Cármen Lúcia, relatora de duas ações, votou para que os dois pedidos de suspensão do evento sejam rejeitados por conta de questões processuais.
Quem também votou foi o ministro Ricardo Lewandowski, relator da outra ação protocolada no STF. Na decisão, ele determinou que o governo federal apresente, em 24 horas, um plano “compreensivo e circunstanciado” com estratégias e ações para a “realização segura” do evento.
Lewandowski também votou por determinar que Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás, além dos município do Rio de Janeiro, de Cuiabá e de Goiânia, “divulguem e apresentem ao Supremo Tribunal Federal, em igual prazo, plano semelhante” ao solicitado ao governo federal.
O terceiro a apresentar seu voto foi o ministro Marco Aurélio Mello, que acompanhou o voto de Cármen Lúcia nos processos em que ela é relatora. Isto é, votou pela rejeição das duas ações. O ministro, porém, ainda não votou no processo sob relatoria de Lewandowski.
A Copa América seria realizada na Colômbia e na Argentina, mas foi cancelada na Colômbia em razão de protestos no país. Depois, o torneio também foi cancelado na Argentina por causa do avanço da Covid. O Brasil, então, foi escolhido como sede, e a decisão teve o apoio do presidente Jair Bolsonaro. O torneio começa neste domingo (13).
Ao todo, três ações no Supremo questionam a realização do torneio no Brasil. Duas, sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia, foram apresentadas pelo PSB e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Uma terceira foi apresentada pelo PT. Nessa, o relator é o ministro Ricardo Lewandowski.
O PSB argumenta que a “intensa circulação” de visitantes durante o torneio causará “evidente propagação do vírus da Covid-19 por diversos estados brasileiros”, assim como a “potencial entrada de novas variantes virais”.
Já a Confederação dos Trabalhadores pediu ao STF que determine que o país não pode ser sede de competições internacionais no esporte “enquanto perdurar a necessidade de isolamento social, o estado de pandemia”. O PT, por sua vez, argumenta que a realização do evento viola o direito à saúde e é “inadequado”.
Em manifesto publicado nas redes sociais, atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo
Jogadores da Seleção confirmaram que vão jogar a Copa América Foto: CBF/Lucas Figueiredo
Por meio das redes sociais, os jogadores da Seleção Brasileira divulgaram o manifesto sobre a realização da Copa América no Brasil, após a vitória sobre o Paraguai na terça-feira (8), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. No texto, os atletas se posicionaram contra a competição que começa no domingo (13), em solo nacional, mas confirmaram a participação.
– Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira – afirmaram.
No manifesto, os jogadores explicaram que não houve tentativa ou sugestão de boicote à Copa América. Assim se limitaram a expor o desconforto com as mudanças de sede e dificuldades com a organização.
– Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil. Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização – disseram eles
As informações sobre o descontentamento de integrantes da seleção brasileira surgiram logo após o anúncio de que o Brasil passaria a receber o evento, diante das negativas da Colômbia e da Argentina, países que originalmente sediariam a competição.
Além da situação da pandemia, outro fator que abalou a relação da seleção com a direção da CBF foi a falta de aviso e consulta aos atletas sobre a vinda do torneio para o país. Os jogadores ficaram decepcionados com a postura do presidente afastado Rogério Caboclo. O dirigente é acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. O afastamento dele será pelo prazo de 30 dias.
Antes do duelo com o Equador na última sexta-feira, o técnico Tite já havia pedido que seus comandados se concentrassem na missão de levar o Brasil a mais uma Copa do Mundo. Mas deixou clara a insatisfação de sua parte e também dos atletas com a condução do torneio. Após o jogo, o volante Casemiro não entrou em maiores detalhes e reforçou as informações anteriores repassadas pelo treinador.
Confira abaixo o manifesto na íntegra:
“Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto à realização da Copa América.
Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.
Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.
É importante frisar que, em nenhum momento, quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia, estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.
Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.”
A Mastercard não vai exibir sua marca durante a Copa América, que será realizada no Brasil entre os dias 13 de junho e 10 de julho. Em meio à polêmica envolvendo o torneio, a empresa anunciou nesta terça-feira (8) que não vai colocar sua logo nas placas publicitárias dos estádios e nem nas entrevistas de jogadores e técnicos das seleções.
Inicialmente, a Copa América aconteceria na Colômbia e na Argentina. Primeiro, os colombianos desistiram de sediar a competição devido aos seus problemas internos. Depois foi a vez dos argentinos tomarem a mesma decisão por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus. Diante disso, o Brasil, através da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do governo federal, se colocou à disposição para abrigar o torneio e foi aceito pela Conmebol. A mudança causou discussões em relação à situação sanitária em meio aos números de novos casos e de mortes pela Covid-19 do país. Os jogadores da Seleção Brasileira engrossaram o coro ao colocar em cheque suas participações. Após a vitória sobre o Paraguai, nesta terça, eles divulgaram um texto no Instagram criticando a entidade que controla o futebol sul-americano por realizar a disputa, porém, ao mesmo tempo, confirmaram que entrarão em campo.
A Copa América ainda está sob risco de não acontecer no Brasil. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, vai julgar as ações contra a realização da competição nesta quinta (10). Ele atendeu ao pedido da relatora, a ministra Cármen Lúcia. O julgamento ficou marcado para começar às 0h e se encerrará às 23h59 do mesmo dia.
Enquanto isso, a abertura da Copa América está marcada para o próximo domingo (13), às 18h, com o jogo entre Brasil e Venezuela, no Mané Garrincha. Além de Brasília, o Rio de Janeiro, Cuiabá e Goiânia também receberão partidas do torneio.