O grupo tem enfrentado problemas financeiros, com prejuízos de quase R$ 150 milhões
Marisa Foto: Divulgação
O CEO da Marisa, João Pinheiro Nogueira Batista, anunciou que, ao longo deste ano, quase 100 lojas serão fechadas em todo o país.
Serão 91 lojas a menos, 25 delas, encerraram suas atividades no primeiro trimestre de 2023. As demais, serão fechadas nos próximos meses.
De acordo com Batista, as lojas fechadas – ou que ainda serão – foram escolhidas por terem altas despesas operacionais abertas, mas custo zero no fechamento.
Assim, a empresa cortará R$ 52 milhões em despesas, sendo que R$ 32 milhões virão de mudanças de estrutura, R$ 9 milhões de cargos de gestão e R$ 10,5 milhões cortados com a revisão de atividades.
A rede de lojas tem enfrentado um período difícil, tendo prejuízo de praticamente R$ 149 milhões, 64,2% maior que o apurado um ano antes.
Pregão negativo ocorreu na esteira de uma sequência de balanços reportando prejuízos
Na Bolsa de Valores do Brasil, as ações do Magazine Luiza despencaram depois que a empresa divulgou o balanço do primeiro trimestre com prejuízos. Na segunda-feira, 15, a varejista informou que as operações entre janeiro e março geraram o resultado negativo de R$ 390 milhões.
Durante a tarde desta terça-feira, 16, a cotação ações do Magazine Luiza chegou a perder 17% de seu preço. O valor saiu de cerca de R$ 4,30 para a cada dos R$ 3,60.
O prejuízo reportado pela companhia no primeiro trimestre de 2023 é o maior já registrado desde que a empresa abriu o capital na bolsa de valores brasileira, em 2011. Foi o quinto trimestre consecutivo em que a companhia fechou o caixa no vermelho.
Entre as justificativas para o mau desempenho, a companhia citou o as pressões dos juros sobre as despesas financeiras e o efeito da volta do chamado Difal — que é o diferencial de alíquota de ICMS nas vendas interestaduais.
De acordo com a empresa, o Difal fez com que as deduções sobre a receita bruta subissem de 17% para 20%. Isso afeta de forma significativa a margem bruta das mercadorias. Além disso, as perdas contabilizadas foram acima das esperadas por analistas do mercado de ações para o Magazine Luiza.
A receita líquida do grupo atingiu R$ 9,1 bilhões, aumento de 3,5%, na comparação com o mesmo período do ano passado | Foto: Foto: Divulgação
O Magazine Luiza teve um prejuízo líquido de pouco mais de R$ 390 milhões de janeiro a março deste ano. O valor é mais que o dobro dos R$ 160 milhões registrados no mesmo período de 2022. Esse é o quinto prejuízo trimestral consecutivo e o maior tombo da varejista desde 2011, quando abriu capital e entrou para a bolsa de valores. O balanço foi divulgado na segunda-feira 15.
Resultado
Conforme a companhia, o resultado foi influenciado pelo efeito das despesas financeiras. O mercado já estimava uma perda decorrente das pressões da alta da taxa de juros sobre o financeiro, mas o prejuízo ficou acima de estimativas de equipes de análise do mercado financeiro.publicidade
As vendas totais, incluindo lojas, estoque próprio no on-line e o marketplace, alcançaram R$ 15,5 bilhões, avanço de 10% no período.
Considerando a plataforma digital, a companhia registrou alta de 20% nas vendas de lojistas parceiros e de 6% nas vendas de mercadorias da própria rede.
Por conta da expansão de quase 20% na plataforma, entre janeiro e março, pela primeira vez a companhia alcançou vendas no marketplace, em valor (R$ 4,3 bilhões) acima do registrado nos pontos físicos (R$ 4,2 bilhões).
Ação do STF impactou resultados
A receita líquida do grupo atingiu R$ 9,1 bilhões, aumento de 3,5%. A rede cita o efeito da volta do chamado Difal — diferencial de alíquota de ICMS nas vendas interestaduais —, que fez com que as deduções sobre a receita bruta subissem de 17% para 20%. Isso afeta de forma significativa a margem bruta de mercadorias.
Essa diferença poderia começar a ser cobrada a partir de 2023, por determinação do Supremo Tribunal Federal. O Difal é cobrado nas operações interestaduais destinadas ao consumidor desde 2015. Acontece que, em 2021, o STF entendeu que era preciso lei complementar que o regulamentasse e algumas empresas conquistaram decisões favoráveis ao não pagamento. Em 2022, o STF determinou a cobrança a partir deste ano.
Mercado Livre avança
Considerando os resultados do varejo já apresentados, o Mercado Livre segue se descolando das outras plataformas em expansão das vendas totais on-line no Brasil, num movimento que ganhou força após 2022.
A companhia teve alta nas vendas totais de 28%. No Magazine Luiza, o avanço no on-line foi de 11% e na Via — dona das Casas Bahia — houve queda de 6%.
Nesta terça-feira (16), a Petrobras deve anunciar o fim da regra de reajuste do preços de combustíveis conhecida como política de paridade de importação (PPI). A informação é do jornal O Globo.
De acordo com o veículo, a nova política de preços também deve considerar os valores praticados no mercado externo. Mas também vai considerar custos locais de produção e margens de refino de cada região do país.
A Petrobras também deve divulgar novos valores para gasolina, diesel e gás de cozinha.
Para Campos Neto, o alto patamar da taxa de juros não é culpa do Banco Central, mas da dívida do governo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, criticou o alto endividamento do governo federal. Em entrevista à CNN Brasil, veiculada na sexta-feira 12, o economista afirmou que, se a dívida do governo fosse baixa, o custo do dinheiro estaria mais em conta.
Para Campos Neto, o alto patamar da taxa de juros não é culpa da autarquia, mas da dívida do governo. “A gente tem de tomar cuidado para não ter uma inversão de valores”, observou. “Se você, empresário, está tentando pegar um dinheiro e está caro, a culpa não é do BC, porque é malvado — a culpa é do governo, que deve muito, porque o governo está competindo com você pelo dinheiro que tem disponível para aplicar em projetos.”publicidade
O economista classificou como “falácia” dizer que a inflação não está associada à demanda. “Quando a gente pensa que o governo faz uma emissão hoje, e paga uma taxa de juro real acima de 6%, isso não tem a ver com o Banco Central”, explicou. “Isso é uma percepção de longo prazo, e existe um risco que justifique que a taxa de juro real seja 6%.”
Do Banco Central ao arcabouço fiscal
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Ao opinar sobre o arcabouço fiscal apresentado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso, Campos Neto elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e considerou o projeto “corajoso”. “Acho que o ministro está no caminho certo”, afirmou. “Elogiei e continuo elogiando. Acho que, dado o cenário, dado o governo, dadas as forças internas dentro do governo, o que foi feito foi bastante corajoso.”
No entanto, Campos Neto avaliou que o mais urgente é diminuir o risco de estouro da dívida do Brasil. Para o presidente do BC, a proposta do governo Lula consegue atingir esse objetivo. “Acho que o arcabouço, mesmo que não tenha tantas mudanças no Congresso, meio que elimina essa possibilidade”, avaliou, ao ressaltar que a dificuldade de cortar gastos é o principal problema histórico do país.
Nova política de preços praticada pela petroleira vai evitar ‘maratona’ de reajustes, afirmou Jean Paul Prates nesta sexta-feira (12). O
Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, durante primeira coletiva de imprensa à frente da estatal, em 2 de março de 2023. — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou nesta sexta-feira (12) que a petroleira deve decidir na semana que vem sobre os reajustes de combustíveis e a nova política de preços praticada pela estatal. Ele não descartou o anúncio de aumentos.
“Existe chance de reajuste? Sim. Há uma chance de que, ao tratar desse assunto na semana que vem, a gente faça uma avaliação de alguns combustíveis”, disse Prates, durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros da Petrobras no primeiro trimestre.
Questionado sobre o novo critério utilizado para definição de preços nas refinarias, Prates afirmou que será o de “estabilidade versus volatilidade”. Segundo ele, o novo formato deverá evitar tanto a estagnação de preços quanto o que chamou de “maratona” de reajustes.
“Não precisamos voltar ao tempo em que não houve nenhum reajuste no ano inteiro. Em 2006 e em 2007 aconteceu isso. E também não precisamos viver dentro da maratona de 118 reajustes para um único combustível, como foi em 2017, o que levou à crise enorme da greve dos caminhoneiros”, afirmou.
Prates disse que, mesmo com a mudança, a Petrobras continuará seguindo a referência internacional, mantendo a competitividade interna. “Nós não vamos perder venda. Não vamos deixar de ter o preço mais atrativo para os nossos clientes.”
A estatal baliza os valores das vendas às distribuidoras com base no preço de paridade de importação (PPI). A política oficial de preços da Petrobras foi criada em 2016, orientada pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio.
De acordo com a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o preço da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras está 14% acima das cotações do mercado internacional, em atualização desta sexta-feira. Isso representa uma defasagem de R$ 0,39 por litro. Já o diesel tem uma defasagem de 9% – ou R$ 0,28 por litro.
Sem entrar em muitos detalhes, Prates explicou que a ideia é manter uma organização dentro das atividades da Petrobras que possibilite a aplicação do critério de “estabilidade versus volatilidade”.
“Sempre que pudermos aguardar um pouco mais para responder a uma estabilidade ocasional, vamos organizar nossa vida para ter essa estabilidade e dar essa estabilidade ao nosso cliente”, disse.
O presidente mencionou também a produção brasileira dentro da composição de preços, citando a estrutura de escoamento, de transporte, a capacidade de refino e a fonte de petróleo do país.
“Tudo isso faz parte de um modelo de preços empresarial que a Petrobras vai conversar melhor na semana que vem”, concluiu.
Além de sua atividade principal no exterior, ex-ministro deve participar do board de grupos financeiros e educacionais no Brasil
Com sua quarentena de seis meses terminando em 1º de julho, o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, de 73 anos, prepara-se para voltar à ativa na iniciativa privada, desta vez não em funções executivas, como antes de ir para o governo, em 2019, mas como membro ou presidente de conselhos de administração de diferentes empresas, do Brasil e do exterior.
Segundo o Estadão apurou, a principal atividade de Guedes deverá ser como integrante do board global de um dos maiores grupos financeiros internacionais, sediado nos Estados Unidos, com o qual ele está em negociações avançadas, onde contribuirá para a definição da estratégia da instituição pelo mundo afora.
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Em paralelo, Guedes, que prefere se manter distante dos holofotes até acabar seu período de reclusão, também deverá dirigir ou integrar conselhos de empresas no País, cujos negócios não tenham conflito de interesse com sua atividade principal, e se dedicar à promoção de fóruns de debates entre empresários brasileiros e internacionais.
No Brasil, como informou na quarta-feira, 10, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o ex-ministro deverá participar do conselho da Legend, empresa financeira que tem como investidor o banco BTG Pactual, do qual ele foi um dos fundadores, e como sócio o financista Sérgio Eraldo Salles Pinto, seu amigo e ex-parceiro na Bozano Investimentos.
Além disso, Guedes deverá contribuir com a empresa de gestão de recursos do ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, voltada para transição energética e preservação de recursos naturais, áreas-chaves na negociação liderada por Guedes para a adesão do Brasil à OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).
A Guararapes informou nesta quarta-feira, 10, um crescimento de 119,2% no seu prejuízo líquido no primeiro trimestre de 2023, totalizando R$ 175,667 milhões. No mesmo intervalo, o Ebitda somou R$ 87,5 milhões, alta anual de 41,5%. Já a receita líquida foi de R$ 1,827 bilhão, aumento de 5,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2022.
A alta do Ebitda, segundo a Guararapes, é devida principalmente à retomada expressiva de 6 vezes do Ebitda de Mercadorias no período, totalizando R$ 38,6 milhões de janeiro a março, ante R$ 6,4 milhões apurados no primeiro trimestre do ano passado.
Já a Midway Financeira, que continua com políticas de crédito mais conservadoras devido ao cenário macro desafiador, conforme a empresa, apresentou um Ebitda de R$ 29,5 milhões, uma retração de 21,8% frente ao acumulado de janeiro e março do ano anterior.
Na linha da receita líquida, o desempenho refletiu a evolução da proposta de valor de seu core business (que resultou no aumento de 2,9% na receita líquida de Mercadorias), do crescimento gradual das carteiras de crédito da Midway Financeira (que trouxe receita líquida 10,3% superior ao ano anterior) e do aumento de 22,0% da receita líquida do Midway Mall.
O resultado financeiro líquido ex-IFRS16 totalizou uma despesa de R$ 94,7 milhões no primeiro trimestre, representando 5,2% da receita líquida. “Esse resultado segue sendo impactado pela elevada taxa de juros”, explica a Guararapes no release que acompanha os resultados, divulgado há pouco.
Esse fator teria contribuído para o prejuízo maior do trimestre, assim como maiores despesas com imposto de renda e contribuição social, já que a Riachuelo não constituiu IRPJ e CSLL diferidos sobre prejuízo fiscal no período. Além disso, houve o aumento na alíquota de imposto da Midway Mall decorrente da mudança de tributação de lucro presumido para lucro real.
A Guararapes encerrou março com um patamar de caixa de R$ 2,5 bilhões, o que corresponde a 176% da dívida de curto prazo, “demonstrando adequada liquidez frente às obrigações futuras do grupo”, alega a empresa. No trimestre foi realizada antecipação de recebíveis no montante de R$ 419 milhões em comparação aos R$ 506,8 milhões no quarto trimestre de 2022.
A dívida líquida alcançou R$ 1,7 bilhão ao final de março de 2023, com uma relação dívida líquida/Ebitda de 1,7 vez e dívida líquida/Ebitda pré-IFRS de 2,5 vezes, mesmos índices de 30 de dezembro de 2022.
A demissão de 600 funcionários na Bridgestoneem Santo André (SP) e a transferência da produção de pneus para carros e caminhonetes para Camaçari (BA) é mais uma baixa para a região do ABC, conhecida pela presença de metalúrgicas e grandes empresas da área automotiva.
O fenômeno, na verdade, começou nos anos 90, quando novas marcas se instalaram no país, mas preferiram construir suas fábricas em outras regiões atrás de incentivos fiscais e mão de obra mais barata.
A Honda, por exemplo, preferiu fazer sua fábrica em Sumaré, enquanto a Toyota, mesmo tendo um grande espaço em São Bernardo do Campo, escolheu Indaiatuba. Ford e Jeep levantaram novas unidades no Nordeste, Bahia e Pernambuco, respectivamente. A região do ABC foi ficando sem novos investimentos.
Em 2019, quando a Ford iniciou a venda de suas fábricas no Brasil, a unidade de São Bernardo do Campo teve 600 funcionários demitidos. Outros 2.200 foram realocados na ocasião.
Em abril de 2022 a Toyota anunciou que fecharia a fábrica de São Bernardo até o fim deste ano para transferir sua produção para as três unidades no interior paulista: Indaiatuba, Porto Feliz e Sorocaba. Os 500 funcionários seriam transferidos se quisessem se mudar para uma das três cidades.
Mais tarde, em setembro, a Mercedes-Benz, que também tem sede em São Bernardo, chegou a anunciar 3.600 demissões, mas, em um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, abriu um PDV (Programa de Demissão Voluntária).
Segundo o sindicato, mais da metade desses 3.600 eram contratos temporários cumpridos até o fim e quem não aderiu ao PDV acabou realocado dentro da própria fábrica. O órgão afirma que 1.200 trabalhadores estão em férias coletivas.
Noticiado inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo, o ventilado plano da volta dos carros populares no Brasil, com preço médio de R$ 50 mil, começou a ser discutido.
Desde abril, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tem elaborado estudos e simulações neste sentido, como revelado por uma das diretoras da pasta, Margarete Gandini, durante evento recente, em São Paulo.
“Não é fácil conseguir uma modelagem factível para essa proposta, mas estamos fazendo simulações internas para ver o que é possível. As emissões de CO² são parte fundamental nesse projeto”, disse Gandini.
Primeiro esboço
Com parte da indústria automotiva brasileira ociosa por conta da atual baixa demanda de produção, a volta do chamado carro popular no Brasil seria a ‘galinha dos ovos de ouro’ para o setor.
Um dos rascunhos da proposta passa pelo retorno da produção de modelos com motores exclusivamente movidos a etanol no país. Plano que agrada sobretudo à fabricante Stellantis, dona das marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, que tem projeto avançado de desenvolvimento de novos motores híbridos, movidos a etanol. O apelo ecológico do etanol é outro ponto a favor.
Barreiras no caminho
A criação do novo “carro popular” no Brasil dependeria ainda da criação de um exclusivo regime de tributação para os novos veículos, movidos a etanol, menor que dos veículos a gasolina ou flex.
Outra barreira a ser vencida é a oferta de crédito. Sem melhores condições de financiamento para incentivar a compra do carro zero, cuja principal barreira esbarra na atual taxa básica de juros (Selic) de 13,75%, a ideia da volta do carro popular pode falhar.