IPCA pode chegar a 6,04% neste ano, segundo o Boletim Focus

inflação
O Boletim Focus, do Banco Central, resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado

Os analistas de mercado projetam nova alta da inflação para 2023, que deve fechar o ano em 6,04%, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central.

É a quarta semana seguida de alta depois de uma única previsão de queda. Nas 11 primeiras semanas do governo Lula, todas as projeções foram de alta.

Para 2024 e 2025, os analistas mantiveram a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação, da semana passada, de 4,18% e 4% respectivamente.

A previsão do mercado também é de crescimento maior da economia em 2023, de 0,96% ante 0,9% na semana anterior. Para 2024, também houve projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,41% ante 1,4% na semana passada. Para 2025, a projeção é de queda para 1,7% ante 1,72% há uma semana.

Os analistas mantiveram a projeção para a taxa básica de juros em 12,5%, a mesma da semana passada. Foi a primeira queda depois de mais de dez semanas de estabilidade da projeção (em 12,75%). Atualmente a Selic está em 13,75%.

A taxa de câmbio teve a segunda queda seguida. Neste relatório, os analistas projetam que o dólar fechará 2023 custando R$ 5,20. Na semana passada, a cotação era de R$ 5,24.

Divulgado toda segunda-feira, o Boletim Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.

Informações Revista Oeste


As apostas para o concurso de hoje podem ser feitas até as 19h

Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O Concurso 2.585 da Mega-Sena deste sábado deverá pagar o prêmio de R$ 42 milhões a quem acertar as seis dezenas. O sorteio será às 20h no Espaço da Sorte, na Avenida Paulista. Ninguém acertou o último concurso (2.584), quarta-feira (19), e o prêmio acumulou.

As apostas para o concurso de hoje podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país, ou pela internet. O jogo simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 4,50.

Novos preços

A partir do fim deste mês, as apostas lotéricas ficarão R$ 0,50 mais caras. Segundo a Caixa Econômica Federal, o reajuste será feito após mais de três anos sem elevação de preços. Duas modalidades terão aumentos no início do próximo mês.

Para a Mega-Sena, a Lotofácil, a Quina e a Lotomania, os novos preços valerão a partir de 30 de abril. Para o Timemania e o Dia de Sorte, o aumento entrará em vigor em 3 de maio. Segundo a Caixa, o reajuste foi necessário para repor a inflação acumulada desde novembro de 2019, quando ocorreu o último aumento.

Informações Bahia.ba


Empresa diz que deixou de receber três parcelas referentes à conclusão antecipada de um projeto. O g1 não conseguiu contato com a Tok&Stok, uma das maiores redes varejistas de móveis do país.

Galpão Extrema Business Park I, alugado para a Tok&Stok, em Extrema (MG) — Foto: Divulgação/Vinci Logística

Galpão Extrema Business Park I, alugado para a Tok&Stok, em Extrema (MG) — Foto: Divulgação/Vinci Logística 

Uma consultoria de tecnologia entrou com um pedido de decretação de falência da Tok&Stok, uma das maiores redes varejistas de móveis, na Justiça de São Paulo. A empresa Domus Aurea, com sede em Barueri (SP), alega ter um valor em atraso de R$ 3,8 milhões para receber da rede de móveis referente à conclusão antecipada de um projeto. 

A consultoria afirma que deixou de receber três parcelas referentes a um distrato assinado em abril de 2022. O contrato, fechado em 2019, previa a prestação de serviços de gestão e desenvolvimento de tecnologia para as operações da varejista — o que já teria sido entregue. O g1 não conseguiu contato com a Tok&Stok para comentário. 

No pedido ajuizado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo na terça-feira (18), a Domus afirma que “a insolvência da Tok Stok é comprovada, pois materializada em título executivo cuja soma ultrapassa 40 salários mínimos, não houve pagamento”. 

O pedido de falência acontece em um momento de reestruturação da Tok&Stok. No início do ano, a empresa contratou a consultoria Alvarez & Marsal para formatar uma reorganização financeira de uma dívida que chega a R$ 600 milhões. 

Em 2020, em meio ao momento privilegiado do varejo durante a pandemia, a Tok&Stok chegou a protocolar um prospecto preliminar para a realização de um IPO (sigla em inglês para uma oferta pública inicial de ações na bolsa) para captar recursos para expansão de lojas e digitalização da operação. 

Segundo o jornal “Valor Econômico”, a empresa apostou na expansão do varejo e reforçou estoques que não conseguiu desovar. Os custos fixos aumentaram, enquanto as vendas diminuíam e a dívida aumentava. 

Já neste ano, além do recente pedido de falência, a varejista também foi alvo de uma ação de despejo por falta de pagamento do aluguel de um galpão logístico localizado em Extrema (MG). O aluguel atrasado era referente ao mês de janeiro e estava vencido desde 6 de fevereiro. O valor foi pago em juízo. 

Há algumas semanas, a empresa também iniciou um processo de fechamento de lojas em alguns estados do país, em especial no Nordeste. 

Fundada há mais de 40 anos pelo casal de empreendedores Régis e Ghislaine Dubrule. Além da família, a empresa tem entre os principais investidores a gestora Carlyle, que agora avalia uma injeção de capital para resgate do negócio.

Informações G1


O Brasil só perde para Índia em transferências realizadas em tempo real

Foto: Reprodução/Banco Central

O Banco Central (BC) divulgou nesta quarta-feira (19), que o Pix é a segunda forma de pagamentos instantâneo mais utilizada do mundo. Ao total, foram 29,2 bilhões de transações em 2022, a modalidade detém 15% das operações desse tipo em todo o planeta.

Conforme o BC, os dados foram sistematizados pela pesquisa Prime Time for Real-Time Report, feita pelas empresas especializadas ACI Worldwide e GlobalData. De acordo com o levantamento, somente a Índia registrou mais operações de transferência instantânea que o Brasil, com 89,5 bilhões de operações.

Mesmo com a Índia predominante, tomando o lugar da China, na semana passada, entre as nações mais populosas, com 1,4 bilhão de habitantes, o Pix teve maior aceleração no ano passado. Em 2022, o número de transações pelo Pix subiu 228,9%, contra alta de 76,8% no sistema indiano de transferência.

Informações Bahia.ba


Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Se “O Lobo de Wall Street” (2013) tivesse sido filmado no Brasil, o personagem de Leonardo DiCaprio poderia ser um gerente de banco.

Diferentemente da “matriz”, que é como a Faria Lima se refere à Bolsa de Nova York (NYSE), por aqui são os grandes bancos os principais intermediários entre o dinheiro das pessoas e o mercado de investimentos.

Seis das dez maiores gestoras de investimento do mercado brasileiro, as “assets”, estão nas mãos de instituições bancárias.

Nesta reportagem, o UOL publica o ranking dos 25 players com maior capital investido no Brasil e explica como eles influenciam o mercado.

Os ‘big boys’ do mercado

Juntos, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander e Safra fazem a gestão de quase 40% do mercado financeiro do país: R$ 3,75 trilhões, em valores.

Só que essa montanha de dinheiro não pertence a eles, mas às dezenas de milhões de clientes que compram fundos e produtos financeiros todos os dias através de suas agências bancárias.

As decisões sobre esses recursos são tomadas por especialistas contratados pelas assets, que têm times de analistas independentes e estruturas separadas para que os interesses dos cotistas não entrem em conflito com os dos bancos.

Essa separação é chamada no mercado de “Chinese Wall”.

No Brasil, assim como na maioria dos países latinos, como Espanha, Itália e França, a figura do gerente de banco é muito importante para decidir os investimentos. Há uma diferença crucial na cultura de investimentos em relação aos países anglo-saxões, onde o indivíduo é criado para ser responsável pelas suas decisões financeiras.
Alexandre Chaia, gestor de investimentos e professor de finanças do Insper

Essa diferença não torna o mercado financeiro americano mais racional do que o brasileiro, diz o professor, apenas mais líquido —isto é, como os ativos estão pulverizados nas mãos de muito mais participantes, há um número muito superior de ordens de compra e venda todos os dias.

“No final do dia, o mercado brasileiro tem a característica de ser muito mais especializado. Quem toma as decisões sobre a maior parte do capital em circulação acaba sendo um especialista de mercado”, afirma Chaia —ele próprio gestor de R$ 2,2 bilhões através da Carmel, uma firma independente de investimentos.

As ‘assets’ independentes

No ecossistema brasileiro, além dos grandes bancos, o mercado ainda é disputado, palmo a palmo, pelas “assets” independentes.

São firmas como Patria, Plural e Vinci Partners, fundadas e tocadas por profissionais experientes, com boas conexões, para captar recursos de grandes investidores dentro e fora do Brasil.

Pode ser o dinheiro do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos para investimentos em ativos de infraestrutura no Brasil. Ou recursos de aposentados de alguma empresa estatal para investir no mercado imobiliário, por exemplo.

É provável que essas gestoras sejam o que de mais parecido exista no Brasil com a competição de Wall Street.

Sem a vasta clientela de um grande banco por trás, esses gestores têm de atrair investidores institucionais ou indivíduos de alta renda.

Nos últimos anos, a hegemonia dos bancões também vem sendo desafiada por emergentes responsáveis por levar ao mercado um enorme contingente de pessoas físicas, através de plataformas digitais de negociações instantâneas.

Em troca de remuneração pelas operações, a XP (R$ 153 bi sob gestão) e o BTG Pactual (R$ 282 bi) acabaram se tornando os dois titãs do investimento digital, além de distribuir para suas bases produtos financeiros próprios e de terceiros.

Para o analista independente Ricardo Schweitzer, o mercado de investidores pessoas físicas teve crescimento em três momentos nos últimos 20 anos.

Houve uma primeira onda no início dos anos 2000, que foi a chegada das pessoas físicas via agentes autônomos de investimento, depois com as plataformas de home broker e, por último, com o movimento de influenciadores, que democratizou muito a informação sobre investimentos.none

Renda fixa x renda variável

O fundamento básico para entender o mercado financeiro é que ele funciona como um meio de captar recursos para empresas e governos, ao mesmo tempo em que oferece oportunidades de investimento para indivíduos e instituições financeiras.

Em linguagem simples, é um ambiente onde ocorrem a compra e venda de ativos de renda fixa e de renda variável.

  • Renda fixa são obrigações (títulos) emitidas por governos e empresas com prazo pré-estabelecido para o pagamento de juros e do principal. Neste tipo de ativo, o investidor empresta dinheiro a juros para uma entidade pública ou privada. Quanto mais os juros estão altos, melhor para quem investe. Teoricamente, a renda fixa oferece um risco mais baixo, porém não inexistente. Uma grande companhia pode se ver em dificuldades e enfrentar problemas para pagar a sua dívida, como no caso das Americanas.
  • Renda variável é quando o dinheiro do investidor compra pedaços de empresas (ações), aposta na alta ou na queda de moedas estrangeiras (contratos de câmbio), investe em ativos lastreados em bois, soja, minério de ferro e petróleo, só para citar as commodities mais populares, ou em qualquer outra classe de ativo que não esteja baseado em pagamentos programados num calendário. O risco da renda variável costuma ser maior.

Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, acionistas da AmericanasImagem: Divulgação

Fundos de pensão “pesam mais” que bilionários da Forbes

Do outro lado do balcão das gestoras, que movimentam muito dinheiro, mas são intermediárias do capital de terceiros, está quem investe.

No Brasil, os colossos desse tipo de investimento são os fundos de pensão, com cerca de R$ 1 trilhão em dinheiro de aposentadorias de funcionários de empresas estatais e privadas.

Eles protagonizaram o movimento mais importante do mercado brasileiro dos últimos anos: a migração em peso da renda variável para ativos de renda fixa.

Foi durante a pandemia. Com juros Selic de 2% ao ano, os fundos de pensão atingiram o seu maior patamar histórico investido em ações na Bolsa: 20,6%.

Mas a euforia com a renda variável foi minguando à medida que o Banco Central foi subindo a Selic em meio a preocupações com a alta da inflação.

Em dezembro do ano passado, a Selic atingiu 13,75%, e pelo menos R$ 60 bilhões em dinheiro dos aposentados retornou com força à renda fixa, que com a alta de juros passou a oferecer remuneração mais competitiva com risco mais baixo.

No final de 2022, os fundos de pensão tinham R$ 860 bilhões em renda fixa, um novo recorde. Para se ter uma ideia, o patrimônio somado dos 51 brasileiros que integram a lista de bilionários da revista Forbes é de R$ 780 bilhões.

A debandada em massa do capital dos fundos da Bolsa fez com que os preços das ações despencassem. Quem ficou desde então só viu baixa.

Lula e André Esteves (ao fundo Abilio Diniz e João Camargo)Imagem: Arquivo pessoal

Por que Lula e a Faria Lima não se entendem

Há uma incompreensão mútua e duradoura entre a Faria Lima e Brasília. É comum que políticos se queixem da “insensibilidade” do mercado financeiro, assim como é comum que gestores reclamem da “irracionalidade” no gasto público.

De um jeito simplificado, a razão de todo desentendimento entre o mercado e a esquerda está no gasto público.

Para a indústria financeira, o governo precisa manter as despesas sob controle, reduzir a dívida pública para colher inflação baixa e crescimento sustentável.

Se o juro alto é o preço para controlar a inflação, a Faria Lima não tem problema com isso. Na mentalidade predominante do entorno de Lula, o governo precisa expandir o gasto público para obter crescimento econômico.

As recorrentes críticas de Lula ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por causa dos juros altos têm uma leitura negativa no mercado. O sócio da gestora Rio Bravo e ex-presidente do BC no governo FHC, Gustavo Franco, criticou o petista.

O argumento dele é que economias ricas e com rating AAA (grau máximo de investimento) terão combinações de inflação e juros melhores que países de rating BB, como o Brasil (dois degraus abaixo do chamado grau de investimento).

A lógica deveria indicar que o Brasil deveria perseguir o ‘grau de investimento’ em vez de perder tempo combatendo a independência do Banco Central.none

Embora tenha sido relacionado à alta da Bolsa no primeiro momento, o arcabouço fiscal, regra do atual governo para substituir o teto de gastos, foi recebido com ceticismo pelos gestores,

Na carta mensal aos investidores, o Verde, “asset” de Luís Stuhlberger, uma das vozes mais influentes do mercado, vocalizou o desconforto.

Para ele, a regra estabelecida pelo governo do PT é “pior que o necessário e melhor que o temido”.Imagem: Carol Malavolta/UOL

Mitos e verdades sobre o mercado

O mercado é coisa de rico.none

MITO: O maior contingente dos clientes das assets dos grandes bancos é formado por pessoas de classe média que procuram uma alternativa de rendimento para suas economias um pouco melhor que a poupança. São pessoas que compram CDBs ou investem em fundos imobiliários pensando em um projeto de médio ou longo prazo, como a compra de um imóvel, fazer uma reserva para a faculdade dos filhos ou trocar de carro.

O mercado tem ideologia.none

VERDADE: Basicamente, gestores preferem governos que mantenham sob controle o crescimento das despesas públicas, porque isso oferece maior previsibilidade para o pagamento da dívida pública. Ideologia do mercado é o lucro, não é fiel a partido A ou partido B. No primeiro governo de Lula (2003-2006), houve forte alta da Bolsa porque o governo, superando os temores antes da eleição, adotou uma política de superávits fiscais (gastar menos do que arrecada) e de controle da inflação. No governo Bolsonaro, tido como mais pró-mercado, os agentes econômicos aderiram às promessas de privatizações e de controle das contas públicas.

O mercado não gosta de Lula (e vice-versa).none

VERDADE: O mercado é cético quanto aos sinais dados pelo atual governo de expansão dos gastos públicos. Muitos gestores vêem o terceiro mandato de Lula mais próximo dos anos de Dilma Rousseff (2011-2016) do que do primeiro governo do petista, onde houve ênfase no combate à inflação. No PT, o mercado financeiro é descrito como uma das forças responsáveis pelo impeachment de Dilma e pela ascensão de Bolsonaro. De fato, a maioria dos gestores votou em peso em Bolsonaro em 2018, tendo Paulo Guedes como avalista, e aderiu à reeleição do presidente. A minoria que se opôs à reeleição de Bolsonaro em 2022 ganhou o apelido de “faria luler” entre os pares.

Informações UOL


Texto final da nova regra fiscal foi divulgado pelo Ministério da Fazenda e deve ser entregue ao Congresso. Projeto prevê metas para o resultado primário das contas do governo.

O texto do novo arcabouço fiscal prevê que o presidente da República terá de encaminhar uma mensagem ao Congresso Nacional em caso de descumprimento das metas de resultado das contas públicas. 

Na mensagem, o presidente terá de explicar as razões para o descumprimento da meta e as medidas que serão adotadas para correção. 

” Caso a meta de resultado primário não seja cumprida, o Presidente da República encaminhará mensagem ao Congresso Nacional, até 31 de maio do exercício seguinte, com as razões do descumprimento e as medidas de correção”, diz o texto do novo arcabouço fiscal. 

Não haverá, contudo, punição ao presidente da República em caso de descumprimento da meta. Para o governo, a única “punição” prevista é que, caso o resultado primário fique abaixo da banda de tolerância da meta, o limite para o crescimento das despesas cai de 70% para 50% do crescimento real da receita. 

A proposta do novo arcabouço fiscal será encaminhada nesta terça-feira (18) ao Congresso Nacional. Terá de ser aprovada pelo Parlamento para entrar em vigor em 2025. 

Para 2024, a meta é zerar o rombo nas contas públicas (déficit primário igual a 0% do PIB), com um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. 

Atualmente, o presidente do Banco Central já é obrigado a publicar uma carta pública em caso de descumprimento da meta de inflação. Essa carta é encaminhada ao ministro da Fazenda, presidente do Conselho Monetário Nacional. 

Pelo texto do arcabouço, a maior parte das despesas vai ficar submetida a um mecanismo segundo o qual os gastos do governo só poderão crescer numa proporção do aumento das despesas, buscando o equilíbrio das contas públicas. 

Mas, de acordo com a proposta, alguns gastos ficarão de fora da regra. São eles: 

  • transferências constitucionais
  • créditos extraordinários
  • transferências aos fundos de saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios para pagamento do piso da enfermagem
  • despesas com projetos socioambientais ou mudanças climáticas custeadas com recursos de doações ou de acordos judiciais ou extrajudiciais
  • despesas das universidades públicas e dos hospitais federais e dos instituições federais
  • despesas das instituições federais de educação, ciência e tecnologia, vinculadas ao MEC
  • despesas de instituições científicas, tecnológicas e de inovação custeadas com receitas próprias, de doações ou de convênios, contratos ou outras fontes, celebrados com os demais entes federativos ou entidades privadas
  • despesas com recursos vindo de transferências dos estados e municípios para a União destinados à execução direta de obras e serviços de engenharia
  • despesas com eleições
  • capitalização de empresas estatais não financeiras e não dependentes
  • despesas relativas à cobrança pela gestão de recursos hídricos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
  • gastos com gestão de floresta do Instituto Chico Mendes
  • repasse de recursos ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)
  • precatórios relativos ao Fundeb

Informações G1


Patamar supera o teto da meta definido pelo governo para este ano, que é de até 4,75%. Números foram divulgados pelo Banco Central.

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação deste ano, de 5,98% para 6,01%. Foi a terceira alta seguida no indicador. 

A informação consta do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia. 

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. 

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário acompanhe esse crescimento. 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro subiu de 4,14% para 4,18% na semana passada

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%. 

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a inflação, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. 

Para o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, a expectativa do mercado financeiro recuou de 0,91% para 0,90% na última semana. 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia. 

Já para 2024, a previsão de crescimento caiu de 1,44% para 1,40%.

  • No começo de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB avançou 2,9% em 2022, contra uma alta de 5% no ano anterior. 
  • Na última semana, o Ministério da Fazenda estimou uma expansão do PIB de 1,61% para 2023 e de 2,34% para o próximo ano.

O mercado financeiro reduziu a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 12,75% para 12,50% ao ano para o fim de 2023. Atualmente, a taxa Selic já está em 13,75% ao ano.

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável, em 10% ao ano. 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC: 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,24. Para o fim de 2024, caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26. 
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu US$ 55 bilhões para US$ 55,5 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo recuou em US$ 52,4 bilhões para US$ 52,3 bilhões. 
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões. 

Informações G1


Presidente do BNDES deu a declaração em Pequim, onde acompanha o presidente Lula em visita oficial. Recursos deverão ser investidos em projetos de infraestrutura, energia e industrialização.

Aloizio Mercadante, futuro presidente do BNDES, durante reunião de encerramento dos grupos de trabalho do governo de transição, realizada na tarde desta terça-feira (13), no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. — Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Aloizio Mercadante, futuro presidente do BNDES, durante reunião de encerramento dos grupos de trabalho do governo de transição, realizada na tarde desta terça-feira (13), no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. — Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO 

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta sexta-feira (14) que o banco de desenvolvimento da China vai emprestar R$ 6,5 bilhões ao Brasil. 

Mercadante fez o anúncio durante declaração à imprensa em Pequim, onde acompanha a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) ao país asiático. 

Segundo Mercadante, os recursos serão repassados em duas operações. A primeira será um empréstimo de R$ 4 bilhões no prazo de 10 anos, para financiar, no Brasil, projetos de: 

  • infraestrutura
  • energia limpa
  • digitalização de empresas 
  • industrialização, inovação e ciência e tecnologia

A segunda operação, de acordo com o presidente do BNDES, será de R$ 2,5 bilhões e terá um prazo mais curto, de três anos, também para investimentos em infraestrutura, transição energética e industrialização. 

As operações, entre os bancos de desenvolvimento do Brasil e da China, serão analisadas pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Cabe à Casa Legislativa dar a aval a empréstimos desse tipo. 

“Uma parceria muito importante, que melhora as nossas condições de financiamento para esses setores”, afirmou Mercadante à imprensa em Pequim. 

O presidente do BNDES, no entanto, não deu mais detalhes sobre as operações, como condições e taxas de juros.

Informações G1


Foto: Tv Brasil


A defesa do governo brasileiro na adoção de moedas alternativas ao dólar para realizar o comércio entre os países emergentes está causando pesadelos nos EUA, segundo fontes diplomáticas em Washington, Brasília e Pequim.

Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a posse de Dilma Rousseff no NDB (o banco dos Brics) para defender o uso de moedas locais entre as economias do bloco. Há uma semana, o governo brasileiro anunciou que começou a permitir que o comércio com a China ocorra em moeda local.

Além disso, os dois países fecharam um acordo para que bancos no Brasil possam usar o sistema financeiro de pagamentos criado pela China, uma alternativa ao swift.

Mas a preocupação da Casa Branca não é apenas o impacto que isso teria para o comércio. No centro do debate na diplomacia americana está seu temor de que, se o plano do Brics vingar, o dólar não apenas deixará de ser hegemônico. Mas, acima de tudo, o mundo terá uma alternativa para driblar eventuais sanções financeiras impostas pelos americanos.

Hoje, quando o governo dos EUA decide pressionar um governo estrangeiro, uma de suas maiores armas não está nos armazéns das Forças Armadas, mas no Tesouro dos Estados Unidos: o dólar e o sistema financeiro que a moeda americana estrutura.

Na prática, o governo sob sanções americanas não consegue usar a moeda americana, gerando graves problemas para suas contas públicas ou qualquer relacionamento com o exterior. Isso envolve desde abastecer uma aeronave num aeroporto estrangeiro ou pagar pela importação de alimentos.

Sanções neste estilo foram implementadas contra a Rússia, Coreia do Norte, Cuba, Irã, Síria e Venezuela, além de terem sido adotadas contra personalidades em Belarus, Eritreia, Libéria, Mali, Nicarágua e tantos outros.

Na China, sanções existem contra indivíduos que, segundo os americanos, estariam relacionados com violações de direitos humanos.

Hoje, por exemplo, uma parcela da economia russa apenas existe por conta do comércio com a China, usando as moedas locais e evitando o dólar.

Para a China, portanto, contar com um sistema alternativo é também uma medida geopolítica de enorme impacto internacional e com a meta de reduzir a hegemonia americana no mundo.

UOL apurou que, nos think-tanks americanos e na diplomacia em Washington, enquanto a manobra parecia ser apenas da China e Rússia, a preocupação se limitava aos impactos mais imediatos com a guerra.

Mas a sinalização por parte do Brasil de que apoia tal projeto causou mal-estar na capital americana. O tema poderá ser discutido na cúpula dos Brics, planejada para agosto na África do Sul.

Entre os republicanos, a movimentação dos emergentes seria ainda um sinal de debilidade do atual presidente Joe Biden. A outra preocupação americana é de que a iniciativa não ficará restrita aos países que atualmente compõem o bloco. Pequim defende que governos como o saudita, o iraniano e outros aliados regionais também sejam considerados para uma adesão ao bloco.

Informações UOL


Encomendas internacionais travam na Receita Federal de Curitiba - Reprodução / Correios
Encomendas internacionais travam na Receita Federal de Curitiba Imagem: Reprodução / Correios

Em entrevista ao UOL no último sábado (9), o governo anunciou que vai acabar com a isenção de imposto sobre encomendas internacionais de até US$ 50. Entenda a medida e o que vai mudar ao comprar em sites como AliExpress, Shein e Shopee.

1 – As compras eram isentas?

Pelas regras atuais, encomendas até US$ 50 (R$ 247) estão isentas, desde que sejam enviadas de uma pessoa para outra. Encomendas enviadas por empresas para pessoas são taxadas em 60%. Agora todas as remessas vão pagar. O governo diz que o benefício da isenção vem sendo amplamente utilizado fraudulentamente para vendas realizadas por empresas estrangeiras.

Todas as compras feitas, de qualquer valor, em sites do exterior, devem ser taxadas. Hoje já existe a tributação sobre o valor da encomenda, mas segundo o governo a cobrança não é efetiva. O imposto é de 60% para encomendas de até US$ 500 (R$ 2.470). Acima disso, é cobrado 60% mais o ICMS de cada estado e outras taxas podem ser acrescentadas.

2 – Se as compras já são taxadas, por que fazer a mudança?

O governo quer acabar com a isenção de US$ 50 para envios entre pessoas físicas para impedir fraudes. De acordo com a Receita Federal, empresas no exterior enviam produtos para o Brasil como se fossem pessoas físicas e declaram valores abaixo de US$ 50 para que a compra não pague imposto.

Acabando com a isenção, o governo vai cobrar imposto de todas as remessas internacionais, sejam elas de US$ 5 ou US$ 50. Na prática, quer dizer que todos os produtos enviados para o Brasil serão taxados em 60%.

3 – A Receita Federal já não cobra esse imposto?

Sim e não. Como o volume de compras é muito grande, a Receita Federal não tem capacidade de fiscalizar todas as encomendas. Para corrigir esse problema, o governo pretende cobrar o tributo quando o consumidor faz a compra.

Haverá uma vantagem depois da mudança, na visão do governo. Com o imposto pago antecipadamente, o produto chegará mais rápido na casa do comprador. Por outro lado, produtos de grandes marcas que produzem principalmente na China devem ficar mais caros porque as empresas tendem a repassar os tributos ao consumidor.

4 – O governo vai cobrar imposto apenas de sites chineses?

Não, a regra vale para compras feitas em qualquer site no exterior. Embora o governo não tenha se referido a um site em especial, ele sugeriu que o problema está concentrado nos produtos comprados na Ásia. As empresas negam irregularidades.

O governo diz que quem age legalmente não será afetado. Em nota, o Ministério da Fazenda destacou que o benefício atual “se aplica somente para envio de pessoa física para pessoa física. Se, com base nele, empresas estiverem fracionando as compras, e se fazendo passar por pessoas físicas, estão agindo ilegalmente. Com as alterações anunciadas, não haverá qualquer mudança para quem, atualmente, compra e vende legalmente pela internet”.

5 – Quando a mudança começa a valer?

Ainda não se sabe. O governo diz que vai editar uma Medida Provisória para acabar com a isenção e criar regras para ampliar a cobrança do imposto de 60% sobre as remessas internacionais. Não há prazo para que isso aconteça.

6 -Se eu fizer uma compra agora, vou ser taxado?

É sempre uma possibilidade. Apesar de as mudanças não estarem valendo, há mais pressão para que as compras vindas do exterior sejam fiscalizadas e tributadas.

O imposto incide sobre o valor total da remessa. Além do produto, isso inclui o frete e o seguro. Por exemplo, se um produto custa US$ 40 (R$ 198), com frete e seguro de US$ 5 (R$ 25), será cobrado imposto de 60% sobre o valor de US$ 45 (R$ 222). Com isso, o consumidor pagará US$ 27 (R$ 133) de tributo, elevando o valor da compra para US$ 72 (R$ 356). 

Hoje os tributos só têm sido pagos quando as encomendas são barradas pela Receita Federal. Em sites como Amazon e Mercado Livre, porém, o imposto é cobrado no momento da compra internacional.

Informações UOL