Lula e Alckmin no evento de anúncio de investimentos bilionários da Volkswagen Imagem: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O Congresso está em vias de aprovar o Mover, programa que prevê benefícios fiscais à indústria automobilística desde que a produção ocorra no país e contenha inovação tecnológica. Apesar de ofuscado pela inclusão da “taxa das blusinhas”, trata-se de um programa bilionário: prevê que R$ 19,3 bilhões sejam disponibilizados em incentivos.
O que aconteceu
O Mover (Mobilidade Verde e Inovação) surgiu da união dos interesses do governo federal e das montadoras. O governo Lula (PT) pretende retomar a industrialização do país, e as montadoras veem a necessidade de substituir motores a combustão por 100% elétricos e híbridos.
A convergência de interesses ficou materializada no desfile de Lula e Alckmin em carro aberto na fábrica da Volkswagen. O evento, em fevereiro deste ano, foi o ponto alto do anúncio de R$ 9 bilhões em investimentos da montadora na operação brasileira.
Boa parte dos recursos do Mover será usada para transformar os modelos vendidos no Brasil em híbridos. Serão disponibilizados R$ 19,3 bilhões em incentivos para gastos com pesquisas em novas tecnologias. Com base nas regras do Mover, as montadoras vão investir cerca de R$ 130 bilhões no país até 2030.
Os valores bilionários ficaram em segundo plano nas discussões. Um “jabuti” foi colocado no projeto, a “taxação das blusinhas“, algo que concentrou a atenção da população e atrasou a tramitação da proposta. Ainda assim, o projeto deve ser aprovado na Câmara na próxima semana e depois seguir para sanção presidencial.
O atraso na tramitação preocupou as montadoras, que temiam mudanças no projeto original. O pano de fundo era a disputa nos bastidores entre montadoras tradicionais e as recém-chegadas chinesas. A possibilidade de investimentos serem cancelados ou reduzidos passou a ser usada como argumento para convencer deputados e senadores a não mexerem no projeto.
Executivos de montadoras que conversaram com o UOL se mostraram satisfeitos com os termos do programa. Eles aguardam a última votação ocorrer para se concentrarem na próxima tarefa: a regulamentação da reforma tributária.
Foco na produção nacional
O Mover foi combinado com a volta da cobrança de imposto sobre importação de carros eletrificados. Isentos até ano passado, modelos 100% elétricos e híbridos voltaram a ser taxados em 1º de janeiro. Haverá um crescimento gradual do imposto até chegar a 35% em julho de 2026. O saldo das ações do governo é: incentivo para quem fabricar no Brasil; aumento de imposto para trazer de outro país.
Como consequência, oito montadoras anunciaram reajustes: BMW, Volvo, Honda, Kia, Seres, GWM, Nissan e Audi.
Alckmin, que além de vice é ministro do Desenvolvimento, declarou que o objetivo é incentivar a produção nacional. Foi ele quem conduziu os debates do Mover. O programa foi tratado com as montadores logo na primeira reunião feita depois da posse.
A preferência por produzir no país tem vantagens e desvantagens, afirma Milad Kalume Neto, consultor do setor automotivo. Ao UOL, ele ponderou que a produção local gera empregos, traz tecnologia e pode tornar o Brasil grande exportador. A desvantagem é reduzir a competição e acesso da população a um número maior de modelos.
O especialista ressalta que era previsível o governo atuar para incentivar a fabricação nacional. Ele conta que desde a campanha eleitoral o presidente se encontrava com Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea (Associação que reúne fabricantes tradicionais).
Para mim, era muito claro de que haveria política para priorizar o nacional. Milad Kalume Neto, consultor
A BMW e outras marcas aumentaram seus preços com a elevação do imposto de importação Imagem: Rafaela Borges/UOL
Montadoras tradicionais x chinesas
O incentivo para produzir no Brasil e tornar as importações mais caras não pacificou a indústria automotiva. Houve brigas entre montadoras tradicionais, que tem fábricas no Brasil há bastante tempo, e as chinesas, que estão construindo suas plantas.
Os chineses apostam em modelos 100% elétricos. Eles tentaram mudanças no Mover para beneficiar este modelo de propulsão.
As oponentes são as “montadoras tradicionais”.Marcas como GM, Volkswagen, Fiat e Toyota escolheram fazer a transição energética usando carros híbridos – motor a combustão combinado com bateria elétrica. Sua atuação foi para barrar incentivos aos veículos 100% elétricos.
Na disputa, a BYD saiu derrotada. A Câmara dos Deputados rejeitou mudanças que facilitavam a importação de carros 100% elétricos e outra que dava preferência para fábricas do Nordeste receberem incentivos (a montadora chinesa fica na Bahia).
As montadoras tradicionais também venceram no Senado. Os parlamentares retiraram um dispositivo que escalava o Ministério do Desenvolvimento para medir a quantidade de poluentes emitidos pelo motor. A tarefa voltou para o Ibama.
Para executivos das montadoras tradicionais, a alteração fazia parte de uma estratégia de longo prazo da BYD. O ministério não tem expertise na medição e seria mais fácil emplacar uma redução no imposto para carros 100% elétricos.
A fábrica da BYD em Changzhou, na China, serve de modelo para a planta brasileira Imagem: Divulgação
Trabalho nos bastidores
As movimentações da BYD têm um coordenador, na visão das montadoras tradicionais: Alexandre Baldy. Com longa carreira política, ele foi ministro das Cidades na gestão Michel Temer, secretário de João Doria no governo de São Paulo e deputado federal por Goiás.
Hoje, Baldy é CEO da BYD Brasil. Sem currículo na indústria automotiva, é visto como uma escolha da montadora chinesa pelo trânsito político numa tentativa de aprovar leis que favoreçam os veículos 100% elétricos.
Mas o mercado brasileiro fez a opção por modelos flex híbridos para os próximos anos. É uma mudança menos radical que transformar toda a frota em 100% elétrica e ainda preserva o álcool como opção de combustível, algo caro ao governo brasileiro.
A fabricação de modelos totalmente elétricos ficaria para um futuro mais distante. Além da tecnologia, faltaria infraestrutura como existir rede de recarga em cidades do interior.
O consultor Milad Kalume Neto considera normal as montadoras tradicionais ganharem a queda de braço. Ele afirmou que General Motors, Volkswagen e Stellantis (Grupo que tem marcas como Fiat, Jeep e Peugeot) têm cerca 60% do mercado.
O especialista disse que a indústria nacional está protegida para fazer a transição para o 100% elétrico e híbrido. A situação permite construir bons carros e poder exportar para outros mercados. Os países da América do Sul seriam os destinos preferenciais.
O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), relator do Projeto de Lei (PL) 904/24, que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), pretende pedir a votação nominal do texto no plenário do Senado, nesta quarta-feira, 5. O texto ficou conhecido como PL das “blusinhas”.
Conforme o senador, caso a apreciação seja simbólica, haverá mais chances de o governo federal conseguir emplacar um destaque que retorna ao texto, um “jabuti”, que taxa compras internacionais até US$ 50 com alíquota de 20%. Apesar de ter sido aprovado pela Câmara com acordo com o governo, o trecho, entre outros, foi retirado pelo relator da matéria.
Cunha diz ter conversado com muitos senadores que concordaram com seu relatório final. Inicialmente, a apreciação ocorreria na terça-feira 4. Mas a
Após a aprovação do texto, senadores podem apresentar destaques para modificar o texto-base, incluindo a taxação e outros dispositivos. Há possibilidade ainda de ser apresentado um requerimento para retomar o texto aprovado na Câmara. Desse modo, o PL das “blusinhas” seguiria para a sanção presidencial.
Segundo o relator, a taxação das compras internacionais deve ter uma discussão mais aprofundada e que o tema não tem relação com o objeto principal do projeto, que beneficia de forma fiscal as empresas que investirem em sustentabilidade e estabelece novas obrigações para a venda de veículos novos no Brasil.
Projeto será votado no Senado na tarde desta quarta-feira (5)
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), acredita que o programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que cria incentivos financeiros para pesquisa e a produção de veículos menos poluentes, além de taxar compras internacionais abaixo de US$ 50, deve ser aprovada no Senado Federal.
A matéria foi posta para apreciação dos parlamentares da Casa Alta na tarde de terça-feira (4), no entanto, um pedido do líder do governo, senador Jaques Wagner (PT), fez com o que a análise do projeto fosse adiada para hoje (5). Na ocasião, o relator do texto, senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), havia decidido por retirar a taxação das compras internacionais online.
Aliados do chefe do Legislativo, segundo informações do Metrópoles, o relator da matéria no Senado, não teria força para manter a exclusão do item durante votação em plenário do Senado, visto que a taxação é um ato proposto pelo Executivo.
Caso a proposta retorne à Câmara, Lira promete dar celeridade à apreciação do texto e derrubará as alterações propostas pelo Senado.
Presidente Lula e presidente da Câmara, Arthur Lira, costuraram acordo sobre taxação dessas compras com alíquota de 20%.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vetará a taxação das compras internacionais de até US$ 50 em sites como Shein e Shopee, segundo indicou o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), nesta quarta-feira (29). “Presidente vai honrar e dará encaminhamento ao acordo feito”, afirmou. Descumprindo promessa de campanha de que não taxaria compras abaixo de $50.
Nessa terça-feira (28) à noite, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) que acaba com a isenção para as compras em plataformas estrangeiras.
Na realidade, a proposta trata da criação do Programa Mobilidade Verde (Mover), uma política de incentivo à descarbonização do setor automotivo. Entretanto, uma emenda incluída pelo relator, deputado Átila Lira (PP-PI), prevê a cobrança de impostos sobre essas compras nos sites internacionais — hoje isentas pelo Programa Remessa Conforme, da Receita Federal.
A proposta chegou ao Senado Federal nesta quarta à tarde e deve ser votada no plenário na terça-feira (4). O relator será o senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL).
Inicialmente, o presidente Lula indicou que vetaria a proposta de taxação se ela chegasse ao Palácio do Planalto. Entretanto, um acordo foi construído entre ele e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para a taxação das compras com uma alíquota de 20%.
Além dessa alíquota, também incidirá ICMS sobre as compras, que, com a reforma tributária, deverá ser de 26% — alcançando, portanto, uma taxação de 46%, segundo previsão do relator da matéria na Câmara, deputado Átila Lira (PP-PI).
O setor público consolidado, composto por União, Estados, municípios e estatais, registrou um déficit nominal de R$ 1,043 trilhão no acumulado de 12 meses até abril. Esse valor representa um recorde na série histórica, que teve início em 2002. O Banco Central divulgou esses resultados nesta quarta-feira, 29 de maio de 2024.
Esse déficit nas contas públicas superou pela primeira vez o pico registrado durante a pandemia de covid-19, que era de R$ 1,017 trilhão.
O resultado nominal do setor público consolidado é calculado como o saldo entre receitas e despesas, incluindo o pagamento dos juros da dívida. De acordo com o BC, o déficit de R$ 1,043 trilhão corresponde a 9,41% do Produto Interno Bruto (PIB).
Uma das principais razões para esse déficit maior é o aumento das despesas com os juros da dívida, que totalizaram R$ 776,3 bilhões no acumulado de 12 meses até abril. Esse valor também é um recorde na série histórica iniciada em 2002.
A taxa básica de juros, conhecida como Selic, permaneceu em patamares elevados por um período prolongado, o que contribuiu para o encarecimento da dívida pública e, consequentemente, para o aumento do déficit nominal.
O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros, manteve-a em 10,50% ao ano. Esse nível é considerado restritivo, indicando que está acima do nível neutro. O objetivo é controlar a inflação e as expectativas futuras.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que existem incertezas em relação ao cenário externo, possibilidade de mudança na meta de inflação e dúvidas sobre a credibilidade do arcabouço fiscal.
Por outro lado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que a meta de inflação é bastante rigorosa e que há “fantasminhas” tentando disseminar a ideia de que a situação econômica do Brasil não está boa.
Além disso, a piora no saldo do resultado primário, que exclui o pagamento da dívida pública, contribuiu para o déficit. Esse saldo negativo atingiu R$ 266,5 bilhões no acumulado de 12 meses até abril.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que engloba o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, também aumentou. Ela atingiu 76% do PIB, representando o maior patamar desde abril de 2022. Durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), houve um aumento de 4,3 pontos percentuais nesse indicador, totalizando R$ 8,4 trilhões.
Em termos corrigidos pela inflação, o déficit está abaixo do pico registrado durante a pandemia de covid-19, quando atingiu R$ 1,293 trilhão. No entanto, ainda está no maior patamar desde o acumulado de 12 meses até março de 2021.
Quanto ao déficit primário, que exclui o pagamento da dívida, ele também está no maior nível desde julho de 2021.
Em meio a polêmicas e mudanças no relatório, o projeto foi aprovado pelo plenário da Câmara na noite de terça-feira (28/5).
“A Shein vê como um retrocesso o fim do De Minimis – regime tributário que, há mais de 40 anos, garantia a isenção de imposto de importação para compras internacionais até USD 50 –, uma vez que ele nunca teve função arrecadatória. A decisão de taxar remessas internacionais não é a resposta adequada, por impactar diretamente a população brasileira”, disse a empresa asiática, em nota.
A varejista ainda afirmou que seguirá dialogando com o governo e as demais autoridades para encontrar alternativas. Segundo a empresa, consumidores das classes C, D e E representam cerca de 88% de seu público.
De acordo com a Shein, com o fim da isenção, a carga tributária que recairá sobre o consumidor final passará a ser de 44,5% – o que, com a isenção, mantinha-se em torno de 20,82%, devido à cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor de 17%. E cita um exemplo:
“Ou seja, um vestido que o consumidor da Shein comprava no site por R$ 81,99 (com ICMS de 17% incluso), agora custará mais de R$ 98 com a nova carga tributária, formada pelo imposto de importação de 20% mais o ICMS de 17%.”
Em meados do ano passado, o Ministério da Fazenda lançou o programa de conformidade Remessa Conforme. As empresas de comércio eletrônico que aderiram ao programa têm isenção do imposto de importação, de caráter federal, nas remessas de pequeno valor — aquelas até US$ 50 — destinadas a pessoas físicas. Acima desse valor, é aplicado o imposto de 60%.
Sobre as compras de qualquer valor, segue incidindo a alíquota de 17% do ICMS, de competência estadual, que foi acordado pelas secretarias de Fazenda estaduais.
A empresa ainda destacou o crescimento do e-commerce no Brasil e no mundo, especialmente após a pandemia, e citou estudos que apontam que esse comércio, no geral, representa entre 10% e 15% do varejo nacional. “Enquanto isso, a parcela do e-commerce de plataformas internacionais não alcançaria mais do que 0,5% do varejo nacional, de acordo com estudo de 2024 da Tendências Consultoria”.
O projeto
O Mover cria incentivos fiscais para descarbonização da indústria de veículos e é de interesse do vice-presidente Geraldo Alckmin(PSB), também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os deputados incluíram alguns dispositivos no texto substitutivo do relator da proposta, como a taxação das compras internacionais de pequeno valor.
Inicialmente, a emenda proposta pelo relator do texto na Câmara, deputado Átila Lira (PP-PI), apenas acabava com a isenção; depois, estipulou-se a taxação de 25%. O assunto dificultou a construção de acordo para aprovar a matéria, mas o governo acabou cedendo e aceitou a emenda com a redução de alíquota para 20%.
De um lado, o lobby das varejistas nacionais pressionou a aprovação da matéria. De outro, diferentes partidos políticos se posicionaram contra a taxação, por vê-la como uma medida que pode afetar a popularidade perante clientes dessas plataformas.
Depois de concluída a análise na Câmara, o projeto será votado no Senado Federal na próxima semana, conforme anunciou nesta quarta o presidente daquela Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) vai relatar o projeto.
Papéis da varejista caíram 6,54% nesta terça-feira (28/5). Reunião vai analisar acusações de ex-donos do Kabum contra CEO da varejista
As ações do Magazine Luiza registraram a maior queda do pregão da Bolsa brasileira (B3) desta terça-feira (28/5). Elas caíram 6,54%, cotadas a R$ 12,69, no dia em que o Ibovespa, o principal índice da B3, recuou 0,58%, fechando aos 123.779 pontos.
Essa, contudo, não é a única má notícia para a empresa. O tombo dos papéis ocorreu na véspera de uma assembleia extraordinária de acionistas, prevista para acontecer às 16 horas desta quarta-feira (29/5). Nela, os ex-donos do Kabum, os irmãos Thiago e Leandro Ramos, querem que a varejista mova uma ação de responsabilidade contra o CEO da companhia, Frederico Trajano.
Embora os dois fatos não estejam relacionados, um não ajuda o outro. No caso da queda das ações, Lucas Lima, analista da VG Research, considera que elas desceram a ladeira basicamente por dois motivos.
Um deles, diz Lima, é o fato de o varejo como um todo estar sendo pressionado pela alta na curva de juros americana e brasileira. Esse setor da economia precisa de crédito para vender seus produtos e sair da lama. Se as taxas de juros sobem, o crédito não vem – e as expectativas dos investidores desabam, puxando as ações.
Reunião de ações
Além disso, afirma o analista, os papéis do Magalu “ainda devem estar reagindo” ao agrupamento (o mercado usa o jargão “grupamento”) na proporção de 10 para 1, levado a cabo no pregão de segunda-feira (27/5). Nesse processo, 10 ações são reunidas numa só e seus valores, somados.
Na sexta-feira (24/5), os papéis fecharam cotados a R$ 1,32, com queda de 7,04% no dia, fazendo com que, com o ajuste, cada um passasse a valer R$ 13,20 após o pregão. Em geral, o agrupamento reduz a volatilidade dos papéis e afasta a possibilidade de uma companhia virar uma “penny stock” na Bolsa – como são chamadas as ações que valem menos de R$ 1.
De acordo com dados levantados pelo analista Einar Rivero, da Elos Ayta Consultoria, as ações do Magazine Luiza caíram 42,74% nos últimos 12 meses, sendo 9,63% em 2024. Nesta semana, a queda foi de 6,89%.
Ataques
No caso da assembleia extraordinária de acionistas, a perspectiva é de novas turbulências. Ela foi convocada a pedido dos irmãos Ramos, os ex-donos do Kabum, a plataforma de e-commerce focada em tecnologia e games. A dupla vendeu a empresa para o Magalu em julho de 2021, mas desde o início do ano passado contesta o negócio na Justiça. Além disso, os irmãos detêm ações ordinárias que representam 1,014% do capital social da companhia.
E toda a munição que poderá ser usada contra Frederico Trajano pelos ex-donos do Kabum na assembleia se tornou pública na sexta-feira (24/5), a partir das 18h59. Isso porque, nesse horário, a empresa publicou os documentos relacionados à convocação do encontro extraordinário de acionistas no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Controle contábil
Eles incluem uma carta enviada pelos irmãos ao conselho de administração da varejista, com data de 3 de maio, e uma declaração da dupla, de 29 de abril. No primeiro documento os Ramos afirmam que Trajano cometeu fraude contábil que teria resultado em um ajuste acumulado no patrimônio líquido de R$ 829,5 milhões. Dizem ainda que, após o início das atividades de integração das companhias, alertaram o CEO do Magalu e outros diretores da varejista a respeito de uma “grave deficiência no controle contábil de estoque”.
Eles afirmam ter alertado os executivos sobre um problema no lançamento contábil do preço de entrada das mercadorias no Magazine Luiza. Segundo os Ramos, ao contrário do que ocorria no Kabum, esse processo não era automatizado no Magalu, mas realizado manualmente por quem tinha interesse pessoal em que ele fosse registrado o menor valor possível da transação. Isso porque as bonificações para os funcionários eram tanto maiores quanto menor o preço pago pelas mercadorias.
Crédito fiscal
Os Ramos dizem também que Fred, como é conhecido no mercado, teria agido de forma intencional para deixar prescrever um crédito fiscal de R$ 39 milhões, em valores atualizados, que havia sido reconhecido a favor do Kabum. Acrescentam que a medida teria sido tomada para “satisfazer um desejo pessoal de vingança” contra eles.
Contra-ataque
Em carta enviada ao conselho de administração do Magalu, responsável pela convocação da assembleia extraordinária, Fred Trajano contestou todas as acusações. Ele afirmou que os ataques dos Ramos eram o “mais recente exemplo das condutas que têm sido adotadas por seus autores, em sua cruzada para obter da companhia vantagens que não lhes são devidas por força dos contratos celebrados quando da venda do Kabum”.
Em relação à questão contábil, Trajano disse que “todos os fatos foram exaustivamente publicados e as conclusões devidamente comunicadas aos acionistas e ao mercado em geral em novembro de 2023”. “A pretensão de reabrir artificialmente esse assunto é a prova cabal de que a autuação dos antigos acionistas do Kabum visa exclusivamente ao seu próprio (e indevido) interesse”, diz.
A respeito do crédito tributário, Trajano diz que ele só “não foi apresentado à Receita Federal porque os vendedores do Kabum se omitiram em apresentar à companhia os elementos necessários à formulação do pedido de reconhecimento. Diz o CEO do Magalu que, como eles “eram os únicos beneficiários do reconhecimento do crédito, tudo leva a crer que sua omissão se deveu à impossibilidade de cumprirem a obrigação que lhes cabia”. “Não conseguindo demonstrar a veracidade do crédito, sua reação decorre apenas de sua frustração por não obterem um pagamento que a companhia, no interesse de seus verdadeiros acionistas, corretamente não realizou”, acrescenta.
O comando da Câmara dos Deputados fechou um acordo com o governo federal para votar, ainda nesta terça-feira (28), uma nova regra para a taxação de compras feitas em sites internacionais de até 50 dólares. O imposto de importação sobre esses itens será de 20%, significativamente menor que os 60% cobrados para compras superiores a esse valor.
O acordo é considerado um avanço pelo governo, já que atualmente essas compras são isentas de imposto federal. Atualmente, apenas o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual, com alíquota de 17%, incide sobre elas.
As negociações, que estavam paralisadas, foram retomadas após uma reunião não agendada entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente Lula. Membros da Câmara haviam desistido de buscar uma solução caso Lula mantivesse sua posição de vetar a eliminação da isenção para essas compras internacionais, como ele havia anunciado na semana passada.
A “taxa da blusinha”, como foi apelidada em referência ao comércio virtual desses itens, gerou divergências entre o governo e os parlamentares. Na reunião do início da tarde, Lira apresentou a Lula uma proposta para taxar os produtos em 25%. A alíquota de imposto de importação foi inicialmente incluída no projeto pelo deputado Átila Lira (PP-PI), que agora deve fazer uma nova alteração.
“Tem setores e regiões que estão desempregando, porque não aguentam uma concorrência que aparentemente não é saudável. Se isso for entrando na consciência e tranquilidade das bancadas para que a gente possa fazer uma discussão serena é ideal”, afirmou Arthur Lira.
Tanto aliados de Lula quanto o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, são contrários à sugestão. No entanto, o PL teria se comprometido a votar a favor da solução, desde que haja um compromisso de que Lula não vetará o texto.
Proposta deve ser analisada, nesta terça-feira, 28, pela Câmara
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O deputado federal Átila Lira (PP-PI), relator do Projeto de Lei (PL) que taxa compras internacionais de até US$ 50, diminuiu a alíquota de tributação de 60% para 25% depois de negociações com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o setor industrial. A taxação de 60%, contudo, permanece nas compras acima de US$ 50.
“Apresentamos igualmente uma tabela progressiva instituindo alíquota de 25% para importações até U$ 50,00, além de manter a alíquota de 60%, como já é feito hoje, para importações acima de US$ 50,01”, diz o relatório.
O texto inicial instituía apenas o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) tratando da descarbonização do setor automotivo. No entanto, o relator incluiu o “jabuti” sobre a taxação na matéria, gerando divergências ao texto.
Mais cedo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se reuniu com líderes partidários para tratar de mudanças ao texto. O presidente da Câmara se encontrou com Lula depois para saber os pedidos do governo. Lula disse, na semana passada, que vetaria a taxação se fosse aprovada.
Do PL ao PT, as bancadas estão divididas em torno do texto. O texto tem de ser aprovado até hoje na Câmara, pois o Senado precisa analisá-lo na quarta-feira 29. O programa do Mover vence na sexta-feira 31.
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve o pior desempenho mundial desde o início de 2024, com o principal índice, o Ibovespa, caindo 6,36% desde 1º de janeiro.
O Ibovespa caiu de mais de 132 mil pontos no primeiro pregão do ano para 124 mil pontos no final de maio.
Para efeito de comparação, no mesmo período, a Nasdaq em Nova York subiu quase 12%, a Bolsa de Valores do Japão ganhou mais de 15%, e a Bolsa de Buenos Aires teve um aumento de mais de 61% desde o início do ano.
No acumulado do ano, investidores estrangeiros já retiraram R$ 33,147 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo.
Einar Ribeiro, da Elos Ayta Consultoria, explicou que esse padrão geralmente reflete incerteza econômica, com investidores aguardando mais clareza sobre eventos econômicos, políticos ou globais antes de tomar decisões significativas. “A postura neutra dos investidores sugere uma mistura de fatores positivos e negativos, resultando em uma atitude de ‘esperar para ver’. A combinação de eventos econômicos, políticos e globais está contribuindo para essa incerteza”, destacou Ribeiro.