A preocupação é uma emoção comum que surge diante da antecipação de problemas, de incertezas ou de situações desafiadoras. Também pode ter impactos negativos no bem-estar, ajudando a aumentar estresse ou ansiedade. Um professor da Universidade de Harvard, porém, acredita que é possível contornar a situação.
O especialista em felicidade Arthur Brooks publicou um artigo, adaptado pelo Inc, em que cita um método simples de quatro passos para lidar com as preocupações. Veja a segui:
Anote
Identificar os motivos de preocupação é uma forma de diminuir a ansiedade — já que você saberá com o que exatamente precisa lidar. “Sem um foco verdadeiro, o medo é um fantasma com o qual você terá dificuldade em lidar de forma adequada”, diz Brooks. “Quando você estiver preocupado com um monte de coisas, pegue uma folha de papel e anote as cinco que mais o preocupam”, sugere.
Concentre-se nos resultados
Brooks argumenta que a origem da ansiedade é um mecanismo de mascaramento. Ele cita a preocupação com um exame médico. “Por mais miserável que possa parecer ainda é preferível do que enfrentar diretamente o terror de um diagnóstico preocupante”, afirma. Entretanto, não confrontar os verdadeiros medos leva a um ciclo de ansiedade improdutiva. A tática é respirar fundo e dizer o que o assusta em voz alta.
“Em sua lista de preocupações, para cada problema, anote o melhor cenário, o pior e o mais provável. Em seguida, adicione o que você faria em cada caso. Isso caracteriza a fonte de preocupação e fornece um plano de gerenciamento”, sugere.
Combata a superstição
A preocupação por si só não tem nenhum impacto no resultado dos eventos — nem fornece um plano de ação. “Desista do pensamento mágico de que, se você se torturar o suficiente com alguma incerteza, isso de alguma forma melhorará a situação”, diz Brooks.
Faça deste o seu mantra matinal
Abandonar o hábito de se preocupar não acontece do dia para a noite — mas é possível implantar essa ideia gradualmente. Quando você acordar de manhã, declare sua intenção de mudar com o seguinte mantra: “Estou vivo e não vou desperdiçar minhas vivências me preocupando com coisas que não posso controlar”.
“Você vai se ajoelhar na frente do pai do seu filho e vai pedir perdão por tudo o que você fez.” Essa frase teria sido dita por um mediador a Pamela (nome fictício) durante uma sessão de constelação familiar, um método pseudocientífico que é largamente usado no Brasil como prática terapêutica, até mesmo com aprovação do Ministério da Saúde.
Em 2016, Pamela denunciou o ex-marido depois de flagrá-lo abusando do filho do casal, de apenas 2 anos. A denúncia gerou uma investigação criminal contra o homem, que foi impedido de visitar o menino. Por isso, ele procurou a Vara da Família de São Paulo para pedir a guarda da criança e acusou a ex-mulher de alienação parental.
E meio ao impasse judicial sobre quem ficaria com o filho, Pamela foi notificada, no andamento do processo, a participar de uma sessão de constelação familiar. “Eu não sabia o que era aquilo, foi uma determinação judicial, ninguém me disse que eu podia não ir. O cara que conduzia disse que achava um desafio trabalhar com constelação de mães que acusam pais de abuso, que elas deveriam ser presas por deixar as crianças vulneráveis.”
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Os defensores do método dizem que a constelação familiar é uma prática terapêutica que consiste na resolução de um problema ou trauma por meio da representação do sistema familiar.
Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a técnica tem sido utilizada no Brasil desde 2012 para a mediação de conflitos envolvendo divórcio, guarda, alienação parental e pensão alimentícia.
Sociólogos e psicólogos alertam, porém, que se trata de um método pseudocientífico que não só ignora as ciências sociais e a psicologia como viola os direitos humanos, reforça estereótipos sobre os papéis sociais do homem e da mulher e “pode desencadear ou agravar estados emocionais de sofrimento ou de desorganização psíquica”.
Mesmo assim, em 2018, o Ministério da Saúde aprovou a inclusão da constelação familiar no rol de Práticas Integrativas Complementares ofertadas nos postos de saúde. A portaria nº 702 de 2018 descreve que “a constelação familiar é indicada para todas as idades, classes sociais, e sem qualquer vínculo ou abordagem religiosa, podendo ser indicada para qualquer pessoa doente”.
Em resposta a um pedido feito pela Lei de Acesso à Informação, o ministério comunicou que em 2022 foram feitas mais de 11 mil sessões de constelação familiar pelo SUS em todo o Brasil e que a pasta não oferece cursos de formação na prática aos profissionais de saúde.
O uso dessa técnica que não se baseia na ciência no serviço público é contestado por conselhos de classe e acadêmicos, que alertam para os riscos de sofrimento psíquico dos participantes e pedem que seja banida.
Sessão para “recriar o problema”
Para tratar os conflitos apresentados pelos “constelados”, a abordagem usa outras pessoas ou bonecos, que representam os pacientes como numa espécie de teatro. A maneira como eles se comportam e se posicionam na sessão diante do problema que é recriado seria uma representação das emoções dos “constelados”.
O mediador interpreta essa representação para chegar à solução do conflito. “Não temos instrumentos para explicar isso de forma científica, mas não quer dizer que não seja real”, explica o mediador, ou “constelador”, Mateus Santos.
Na sessão da qual Pamela participou, ela e o filho seriam representados por duas outras pessoas. O ex-marido faria o próprio papel. “Tinha uma mulher gritando e rolando no chão. O constelador disse que eu era assim como ela: louca”, relata. Ela diz que se recusou a se ajoelhar e pedir perdão ao homem depois da ordem do constelador. “Fui considerada rebelde, doente mental, um perigo para o meu filho.”
Santos diz que essa não é a conduta correta para consteladores. “Isso não é ético”, afirma. Ele defende que a técnica é eficaz, mas que, no serviço público de saúde, a aplicação deve ser supervisionada para evitar os riscos. “Entrar na intimidade do ser humano no nível anímico exige a máxima postura de respeito. É um cuidado que se deve ter com as vítimas.”
Na sentença do caso de Pamela, a juíza a mandou afastar-se do filho, com tratamento psiquiátrico. “Não o vejo há 8 anos”, diz a mãe. A juíza não afirma categoricamente que se baseou apenas na dinâmica da constelação familiar para tomar a decisão, mas menciona que não houve conciliação, além de levar em conta um laudo psiquiátrico e o relato do pai de que não se entendia com Pamela, que seria alienadora.
Poema para Hitler
O método da constelação familiar foi proposto pelo missionário católico alemão Bert Hellinger em 1978. Ao propor a abordagem, ele reuniu referências de psicologia com a sua experiência de 16 anos de trabalho na África do Sul com zulus e leituras taoístas. Ele considera que a origem dos conflitos nas relações está ligada à ancestralidade e que esses problemas podem se manifestar em várias gerações.
Com isso, Hellinger estabeleceu as três ordens do amor que seriam a base da estrutura familiar: o direito ao pertencimento à família, a hierarquia e o equilíbrio entre dar e receber.
Entre os mais polêmicos ensinamentos do “psicoguru”, como é frequentemente chamado pela imprensa alemã, está a de que as crianças vítimas de incesto pelo pai tenham compreensão para com o agressor e até mesmo aceitem o contato sexual: “A solução para a criança é que a criança diga para a mãe: ‘Mamãe, por ti, eu o faço com prazer’, e para o pai: ‘Papai, pela mamãe, eu o faço com prazer'”, “ensina” Hellinger.
As duas maiores associações de terapia sistêmica na Alemanha, a DGSF e a SG, externaram críticas aos métodos de Hellinger.“Também a prática real da constelação familiar deve ser vista de forma crítica, como eticamente inaceitável e perigosa para as pessoas afetadas”, afirmou a DGSF em posicionamento oficial, em 2003, ao se distanciar da prática.
Na Alemanha, Hellinger é extremamente polêmico e já foi acusado de relativizar o nazismo. Ele é frequentemente lembrado como o autor de um controverso poema dedicado a Adolf Hitler, no qual pede ao leitor para que se identifique com o líder nazista, e até mesmo morou de aluguel, por algum tempo, no lugar onde ficava o segundo escritório de Hitler, em Berchtesgaden, no sul da Alemanha.
Riscos da prática
Imagem: Getty Images
O sociólogo Mateus França, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que estuda a implementação da constelação familiar no serviço público, alerta que o uso do método leva a uma violação de direitos humanos, na medida em que molda decisões judiciais e tratamentos alternativos sob uma perspectiva conservadora que reforça papéis de gênero e vai de encontro a avanços no direito de família.
“Ignora as ciências sociais e reproduz violência de gênero ao partir do pressuposto de que pessoas violentas não podem ser excluídas do sistema familiar. Outro exemplo é que se cria um estereótipo de família: se acontece uma adoção por casais homoafetivos, um tem que assumir o papel masculino, e o outro, o feminino. É um retrocesso no direito de família”, afirma.
Coloca a culpa do conflito na mulher. São afirmações muito perigosas, de por exemplo não excluir da família o homem que a agrediu, ou então que um feto abortado falta na hierarquia da família por ter sido excluído. ”Mateus França, sociólogo
Outro conceito aproveitado por Hellinger é o de campo morfogenético. Elaborado pelo biólogo Rupert Sheldrake, esse campo diz respeito a uma memória coletiva que seria captada pelos indivíduos de uma espécie. Seria assim que representantes teriam acesso às sensações dos constelados.
O professor de física Marcelo Takeshi, da Universidade Estadual de São Paulo, diz que a argumentação é uma estratégia para justificar as interpretações oferecidas na constelação e os conflitos entre as partes, mas que campos morfogenéticos nunca foram provados.
“Isso se fantasia de ciência e não tem respaldo nenhum na física, nem respaldo em experimentos científicos, é algo inventado, nunca teve nenhum indício de comprovação dessa hipótese.”
O físico diz que a constelação familiar atende aos requisitos para ser considerada pseudociência: ter um autor que elaborou o tema para justificar a prática, evitar evidências conflitantes e resistir a testes, por exemplo.
Uso no serviço público
França diz ainda que “depender de crenças não é interessante para uma política pública, principalmente envolvendo questões sobrenaturais”. Ele lembra que políticas públicas eficientes precisam ser alvo de pesquisas que atestem sua eficácia e garantam a segurança do método e a compreensão dos riscos envolvidos na sua aplicação.
A resolução nº 125 do CNJ permitiu que os tribunais aplicassem a constelação familiar como prática alternativa para agilizar a solução dos conflitos judiciais antes que chegassem ao litígio.
Atualmente, pelo menos 16 tribunais se valem do método nas audiências e processos. Em outubro, o CNJ deu início a um julgamento para restringir o uso de alternativas terapêuticas no judiciário, como a constelação.
“É persuasivo para quem trabalha no direito a ideia de celeridade, chegar a um acordo, baixar a pilha de processos, é um objetivo defensável, mas não deve ser um vale-tudo, precisa buscar formas seguras para quem acessa o sistema de justiça”, afirma França.
Por isso, o sociólogo propôs uma sugestão legislativa para banir a prática no serviço público. Agora, o texto aguarda que o relator, senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que é simpático à constelação, apresente um parecer sobre o assunto.
Esse cenário de disseminação da constelação familiar no serviço público motivou uma nota conjunta do Conselho Federal de Psicologia e acadêmicos. No documento enviado ao Ministério dos Direitos Humanos, o grupo afirma que a prática “pode desencadear ou agravar estados emocionais de sofrimento ou de desorganização psíquica, exigindo assim um acompanhamento profissional psicológico que não é oferecido durante as sessões”.
O ministério pediu ao Conselho Nacional de Direitos Humanos que avalie o uso da prática. O colegiado ainda analisa o caso.
Para a vida na Terra, a lua tem muitas serventias: funciona como escudo contra meteoritos, que podem ser potencialmente perigosos; influencia o movimento das águas, provocando as marés; ajuda a manter a estabilidade do clima; junto das estrelas ilumina a noite; determina a duração dos dias e as estações do ano; equilibra a oscilação do eixo de inclinação do planeta.
Mas e em se tratando da saúde dos seres humanos, mais especificamente? Será que esse satélite natural exerce alguma função?
A fim de esclarecer essa dúvida, mais de uma centena de publicações acadêmicas sobre o assunto foi revisada nas últimas décadas e os resultados foram compilados no periódico científico Current Biology. Veja o que os cientistas dizem sobre:
Efeitos em cabelos, parto, menstruação
O senso comum prega que cortar o cabelo na fase minguante enfraquece os fios, enquanto na crescente acelera o crescimento e na cheia, confere volume. Mas a verdade é que nenhum desses efeitos foi realmente comprovado.
A atração gravitacional da lua só exerce algum efeito sobre grandes volumes, ou massas, como de oceanos, fazendo sua água subir e descer de nível.
“O desenvolvimento, a aparência e a saúde dos cabelos dependem muito mais de cuidados pessoais, alterações hormonais, genética hereditária, alimentação, estresse e doenças crônicas”, explica Camila Ribeiro, dermatologista do Hospital Cárdio Pulmonar (Rede D’Or), em Salvador.
Quanto à associação entre mudança de fase lunar e antecipação de nascimento, crescimento rápido ou lento de crianças, ciclo menstrual, Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra da AAP (Academia Americana de Pediatria), informa não ser convincente, como tentou demonstrar com uma pequena alta em partos naturais no primeiro ou no segundo dia após a lua cheia um estudo italiano dos anos 90. “Não há evidências robustas de que a lua afete dessa maneira.”
E sobre afetar saúde mental, sono, sexo?
Agora, no que compete a alterações de humor, cientistas da Universidade Oxford (Inglaterra), do Hospital Psiquiátrico da Universidade de Basel (Suíça) e do Instituto Nacional de Saúde Mental em Bethesda (EUA) descrevem existir associações “críveis” com os ciclos lunares, mas “complexas”, em parte pela carência de trabalhos e de compreensão dos mecanismos por trás.
“É um tema bastante debatido, que envolve influência de campos eletromagnéticos, aos quais algumas pessoas poderiam ser mais sensíveis, mas sem conclusões científicas”, informa Júlio Barbosa, médico pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e neurocirurgião. As evidências são mais fortes sobre o sono variar ao longo do ciclo lunar, mas também há muitas limitações.
A qualidade e a duração do sono, segundo alguns estudos, seriam piores nas noites de lua cheia. Mas esse resultado seria mais evidente entre pessoas sem acesso à eletricidade e que aproveitariam a quantidade de luz solar que a lua reflete nessa fase para dormir até tarde, ou então desempenhar um número maior de tarefas, promover encontros e ter relações sexuais.
A verdade: nem tudo compete à lua
Desde a Antiguidade, as pessoas acreditam que não só a lua como tudo que há no universo possa afetar os humanos, seja com alterações comportamentais, doenças e tratamentos. O próprio filósofo grego Aristóteles supunha que a loucura e a epilepsia eram causadas pela lua.
“Mas, hoje, graças à ciência, sabemos que tudo na vida depende de muitos fatores, como ambiente em que se vive, genética, criação, hábitos de vida. Portanto, cuidado com crenças que alimentam padrões comportamentais limitantes. Não dá para acreditar em tudo que se ouve por aí”, adverte Leide Batista, psicóloga pela Faculdade Castro Alves, em Salvador (BA).
Natural de Salvador, na Bahia, Julia Dias contou ao g1 que teve uma infância marcada por dificuldades financeiras, fato que fez a coach enxergar o amor de forma diferente; ela é noiva de sugar daddy sul-coreano que conheceu pela internet.
Julia Dias é influencer dentro do universo sugar. — Foto: Reprodução/ redes sociais
Julia Dias, de 30 anos, não tem pudor em falar que só quer se relacionar com homens ricos. “Quando eu era mais nova, observava as amigas da minha mãe reclamando de aluguel atrasado ou que não tinham dinheiro para algo. Para mim, o problema dessas mulheres era a falta de dinheiro. Foi algo bem enfatizado na minha vida. Eu sabia que as minhas maiores oportunidades de crescimento seria estudar e trabalhar, que é o que todo mundo acredita que funciona, ou me relacionar com um homem rico, que é o que realmente funciona.”
“Eu não posso me relacionar com um homem pobre. Eu vou acabar com a minha vida se eu me relacionar com um cara que não tem dinheiro”, destacou.
A coach de relacionamentos é de Salvador, na Bahia, e conta que uma das suas principais motivações para entrar no mundo sugar foi ter tido dificuldades financeiras na infância. Ela conheceu seu primeiro daddy aos 19 anos.
“Estava andando no shopping, antes de ir para a faculdade, quando vi um homem sentado na praça de alimentação. Passei por ele, trocamos olhares e começamos a conversar. Ele era australiano e tinha 53 anos na época. Ele me falou que queria uma sugar baby. Nunca tinha ouvido o termo na vida, isso em 2013. Ele ia ficar em Salvador por uns meses e depois voltaria para a Austrália.”
Sugar daddy e babies contam como funciona o amor movido a grana
“Eu já me interessava por homens mais velhos e queria um homem que fosse provedor, então isso foi um divisor de águas para mim. Foi com ele que eu entrei nas lojas que sonhava em entrar”, completa.
“Imagina você fazer uma viagem romântica na fila da classe econômica, comendo uma marmitinha horrível, em um voo lotado. Não dá. Chegar no lugar e ainda ter que dividir o quarto em um hostel com um monte de gente, passando pelas melhores vitrines do mundo sem ter condições de comprar nada. Quem quer essa vida?”
Apesar de reforçar que quer um homem rico, para Julia um sugar daddy é também um mentor. “Ele me fez perceber que, se eu quisesse realmente mudar a minha vida como um todo, teria que ouvir uma pessoa que já venceu na vida para me guiar. Estava encantada com aquele homem, que era o mais próximo dos príncipes que eu via fazendo coisas por princesas.” Os dois tiveram um relacionamento por 8 meses.
Babies ouvidas pelo g1 querem fugir do estereótipo que atrela o tipo de relacionamento ao sexo
Já o daddy alega que o dinheiro facilita a sua interação com uma mulher mais jovem e “corta” etapas da conquista
‘Burberry, Channel, tudo o que todas as mulheres sonham’
Anel que Julia ganhou do noivo — Foto: g1
“Ele voltou para a Austrália, e eu fiquei no Brasil imaginando como iria conhecer um homem daqueles novamente. Comecei a entender como o dinheiro poderia me proporcionar coisas incríveis — e eu gosto, gosto do dinheiro, gosto de grife, meu cachorro chama Maurizio Gucci”, contou.
“Mas acho que você não pode se relacionar com uma pessoa só pelo dinheiro, um homem rico não tem só dinheiro para te oferecer, ele te abre as portas.” Atualmente, Julia é noiva de um sul-coreano que conheceu na internet — outro sugar daddy.
“Demoramos seis meses para ter o primeiro encontro, ele veio para o Brasil, passamos uma semana no Palácio Tangará [hotel de ‘ultraluxo’]. Ele pegou um dos melhores quartos do hotel, me levou para fazer umas comprinhas… Burberry, Channel, tudo o que todas as mulheres sonham em ter.”
“A gente se apaixona por quem não faz nada, ainda faz mal para a gente, imagina por alguém que está disposto a nos fazer feliz. Eu sempre digo: o romance custa caro. Levar para um jantar especial custa caro, um buquê de flores custa caro. Uma viagem de primeira classe, uma suíte master, que é o básico…”
Julia conta que, na adolescência, não tinha acesso a coisas que as amigas tinham e, de alguma forma, sentia-se inferior a elas. Daí nasceu a vontade de se relacionar apenas com pessoas financeiramente estáveis.
“Fui uma criança muito humilde, mas sempre fui ambiciosa. Sempre desejei coisas que os meus pais não tinham condições de me oferecer. Estudava em uma escola particular como bolsista, então acabava convivendo com outras crianças que tinham acesso as coisas que eu não tinha”, afirma.
“Comecei a pensar que, para mudar de vida, só teria dois caminhos: estudar e trabalhar, que é o que todo mundo acredita que funciona, ou me relacionar com um homem rico.”
A coach diz que, no início, teve problemas com a família por conta do mundo sugar, mas, com o tempo, passaram a aceitar. “Comecei a proporcionar coisas também para a minha mãe, que sempre teve a mente mais aberta. Conheceram meu noivo. Meu pai — com quem eu fui brigada por muito tempo — me pediu perdão e hoje vivemos todos muito bem.”
Julia Dias — Foto: g1
Quando questionada se o relacionamento sugar tira sua independência como mulher, Julia responde que, com o dinheiro, teve liberdade. “É uma grande ilusão as pessoas que pensam que têm liberdade sem dinheiro. Eu tenho liberdade quando tenho dinheiro, porque eu posso comer o que quero, ir para onde quero, posso fazer o que quero, inclusive não fazer nada.”
Ela diz que já conheceu cerca de dez países com relacionamentos sugar, fez uma faculdade e até abriu seu próprio negócio.
Relacionamento sugar é exploração sexual?
Relacionamentos sugar quase sempre estão atrelados a uma dúvida capital: existe exploração sexual nesse tipo de relação? Para Isabela de Castro, presidente da Comissão Permanente da Mulher e advogada da OAB-SP, não é o caso.
“Dei uma olhada em todos os sites de relacionamento sugar, não cheguei a me cadastrar, mas eles sempre deixam tudo muito explícito. Não podemos falar de exploração sexual, ali fica bem claro que cada um é livre para fazer o que quiser com o seu corpo. Nesse sentido, os relacionamentos pessoais dizem respeito ao casal”, explica.
“O que foi combinado entre eles, fica entre eles. O que acho importante é pontuar como vamos encarar juridicamente esses relacionamentos. Se, por acaso, encerrar o relacionamento, como as partes vão seguir, se existe um contrato sobre o direito que cada um tem, sobre aquilo que eles compartilham e como vai ser dividido.”
“Mesmo se você for falar em questão de prostituição, a prostituição em si não é crime no Brasil. É legal. Então, se a pessoa quiser vender o seu corpo ou qualquer outra questão relacionada a isso, ela está livre para fazê-lo. E outra coisa: em qualquer outro aplicativo de relacionamento existe isso, não somente no universo sugar”, completa Isabela.
Segundo o psicanalista Christian Dunker, o relacionamento sugar surgiu apenas como resquício da prostituição. Ele afasta a ideia de que haja ligação entre profissionais do sexo e mulheres que acessam os aplicativos.
“Ao longo do século XX, a prostituição foi se profissionalizando, foi se tornando um trabalho como qualquer outro. Essa desmoralização, no sentido de sair do plano moral e caminhar para outras considerações de saúde e proteção trabalhista, criou uma aceitação da prostituição como uma prática que envolve troca no universo capitalista.”
“Tenho a impressão de que o relacionamento sugar aparece como uma extensão disso. Uma espécie de desdobramento. Não só eu posso terminar a qualquer momento, como as negociações do que cada um vai receber em cada momento são dinâmicas, como se você tivesse entrado num certo espírito do neoliberalismo”, destaca o pesquisador.
De acordo com dados divulgados pela plataforma MeuPatrocínio, que é exclusiva para quem busca esse tipo de relação, o número de sugar babies e daddies cresceu no Brasil, principalmente depois da pandemia.
No segundo semestre de 2023, o total de usuários da plataforma passou de 9,8 milhões, um aumento de 276% em comparação com o mesmo período de 2019, quando a plataforma tinha 2,6 milhões de cadastros ativos. A maioria dos usuários é concentrada no estado de São Paulo.
São Paulo (SP) – 4.718.840 usuários
Rio de Janeiro (RJ) – 1.994.618 usuários
Minas Gerais (MG) – 1.346.222 usuários
Paraná (PR) – 1.013.680 usuários
Rio Grande do Sul (RS) – 846.710 usuários
Santa Catarina (SC) – 777.532 usuários
O site é gratuito para homens e mulheres, mas há planos pagos para daddies que querem ter destaque na plataforma.
O plano premium custa R$ 299 por mês e garante ao daddy impulsionar o perfil para receber mais visualizações
Já o membro elite deve pagar R$ 999 mensais para ter uma espécie de carimbo e mostrar às pretendentes que pode bancar o relacionamento, além de ter os antecedentes criminais checados
Poliamor, trisal, namoro aberto. As novas formas de relacionamento ganham cada vez mais adeptos e colocam em questão a velha e conhecida monogamia. Afinal, por que grande parte da população humana é monogâmica? Existe alguma explicação biológica para isso?
Essa é uma questão que se torna ainda mais complexa quando se tem o conhecimento de que apenas 3 a 5% dos mamíferos do mundo se engajam em qualquer atividade monogâmica. Uma raridade no reino animal que é comum, e até padronizada, entre os seres humanos.
O que os cientistas dizem?
Esse é um tema que desperta interesse entre os estudiosos —embora ainda não haja consenso. Pesquisas feitas ao longo das últimas décadas identificaram dois hormônios que estão relacionados com a tendência à monogamia. São eles a ocitocina e a vasopressina.
As duas substâncias estão ligadas ao amor e podem fortalecer vínculos duradouros —sejam eles de amizade ou amorosos. Mas a ocitocina, em específico, também é responsável pela ligação entre mãe e bebê na hora da amamentação.
“Ela faz com que exista um aumento da confiança interpessoal, tendo um papel imprescindível nos comportamentos afetivos. Então é, sim, biológico o sentimento de aproximação entre pares”, explica Rita de Cássia Cavalcanti Brandão, psicóloga, neurocientista e mestre em antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco.
Um estudo feito por cientistas do Instituto Nacional de Saúde, nos Estados Unidos, analisou uma espécie de roedor chamada arganaz-do-campo, que é conhecida pelo seu comportamento monogâmico. Eles descobriram que, quando inibiam os receptores de ocitocina desses animais, eles não mostravam nenhuma preferência por um parceiro, mas quando esse hormônio era estimulado, essa preferência reaparecia.
A vasopressina também demonstrou ser crucial na união dos casais —os monogâmicos continham mais receptores dessa substância do que seus primos não monogâmicos.
Existem outras respostas?
Apesar desse experimento ter se tornado muito popular na discussão sobre as origens biológicas da monogamia, essa não deve ser a única resposta quando se trata de seres humanos.
“Eu acho que não dá para explicar nenhum comportamento humano apenas pela genética. Sempre existe a correlação entre a genética do indivíduo e as influências culturais, dos seus pares, de onde essa pessoa mora e foi criada”, explica Eduardo Perin, psiquiatra especialista em terapia cognitivo-comportamental pelo Hospital das Clínicas da USP e sexólogo pelo Instituto Paulista de Sexualidade.
Brandão classifica a monogamia como um “tratado ancestral”, especialmente se pensarmos no Ocidente. Antigamente, os homens saíam para trabalhar enquanto as mulheres cuidavam da casa e da família. Essa dinâmica e divisão de tarefas também foi responsável pelo estabelecimento da monogamia dentro da sociedade.
Além disso, viver uma história de amor a dois é algo almejado por muitos, colocado nos filmes e nas histórias como o ideal. Quem nunca se emocionou com a história do príncipe e da princesa que viveram felizes para sempre como um casal?
“Precisamos saber que os fatores culturais também mudam a expressão gênica. Por mais que se tenham mais ou menos cópias de determinado gene, a cultura sempre vai ter uma influência no comportamento”, afirma Perin.
Monogamia social x monogamia sexual
Quando se está em uma relação duradoura com alguém, com quem se divide a vida e os planos para o futuro, mas ao mesmo tempo existe um desejo de ter relações sexuais com outras pessoas, é a chamada de monogamia social. A monogamia sexual, por outro lado, é a exclusividade sexual de um casal. E ambas podem existir em um mesmo relacionamento.
Um estudo feito por cientistas da Universidade de Austin, nos Estados Unidos, que analisa a monogamia no reino animal, caracterizou a monogamia social como a formação de laços duradouros, aumento da defesa territorial e o cuidado biparental. Esses animais, no entanto, acabavam cometendo ocasionais infidelidades quando se tratava da questão sexual.
O especialista ainda toma cuidado para diferenciar a monogamia social do “poliamor”. Neste segundo formato de relacionamento, realmente existe uma relação de amor entre todos os envolvidos e não somente o desejo sexual.
Com os mais variados formatos de relacionamento existentes, Perin explica que muitos casais fazem acordos para descobrir a dinâmica que melhor funciona para eles. “É quase um contrato, nem sempre explícito, mas é possível estabelecer regras com o que você quer e espera daquilo.”
Fontes: Eduardo Perin, psiquiatra, especialista em terapia cognitivo-comportamental pelo Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da USP, especialista em sexualidade pelo InPaSex (Instituto Paulista de Sexualidade); Rita de Cássia Cavalcanti Brandão, psicóloga, neurocientista e mestre em antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco; Ana Luiza Fanganiello, psicóloga e mestre em sexualidade pela Unifesp.
Alguns homens estranham a maternidade, como se o erotismo não combinasse muito com o novo papel de suas companheiras Imagem: iStock
Outra possibilidade que me vem em mente é que agora não serão só os dois, mas os três e isso requer aprender a não ser mais o foco da atenção de alguém. O bebê vai tomando esse espaço, tanto para o pai, quanto para a mãe, e nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente quando tudo gira em torno dessa gravidez. José pode estar ressentido de perder a sua exclusividade na vida de Andreza, ainda mais se ela estiver tão encantada com a maternidade, que a vida dela só gira em torno desse assunto. É compreensível, mas há que se acolher as demandas de todos e entender se José está triste com isso – se a falta de sexo é mais melancólica do que raivosa, de quem está de ‘luto’, por perder algo muito importante.
Penso também na famosa frase “vai machucar o bebê”. Por mais que se saiba do absurdo desse pensamento, simplesmente ele vem, na expressão de que ‘algo pode dar errado’. É quando a emoção teima em não acompanhar a razão.
A sacanagem da vida é que depois que Otávio nascer, provavelmente quem não vai querer fazer sexo é Andreza, que estará cansada, ansiosa com a maternidade, ora arrependida, ora apaixonada, louca para voltar a trabalhar ou, quem sabe, aventando a possibilidade de pedir demissão e mergulhar na simbiose mãe-bebê.
Sugiro que conversem claramente para compreender o que está em jogo e lembrar que a gravidez é só uma fase. Para Andreza, que já está insegura com as mudanças do corpo, não ser ‘desejada’ por José piora o cenário e aumenta fantasias de que ele possa estar interessado em outras pessoas. Quem sabe eles possam usufruir de outras práticas e carícias, como masturbação e sexo oral, evitando a penetração, caso identifiquem que é ela o “problema”.
O importante é não deixar o assunto virar um tabu e que a retomada do sexo esteja no radar, pois, às vezes, os casais se acostumam com essa falta e ficam anos sem transar.
O efeito do perfume dura mais se aplicado em locais com muita circulação de sangua Imagem: Divulgação/ Arte UOL
Uma simples borrifada do perfume pode não ser suficiente para garantir uma fragrância duradoura ao longo do dia. No entanto, especialistas revelam que a aplicação correta pode fazer toda a diferença.
Para começar, a maneira como você aplica esse cosmético pode influenciar significativamente quanto tempo ele permanece em sua pele e como a fragrância se desenvolve ao longo do dia. Não é apenas sobre a quantidade, mas também sobre a técnica e posicionamento.
Encontre o local certo no corpo
Ao contrário da crença popular, não é só a pele que importa. A aplicação de perfume em áreas específicas do corpo onde a pulsação é mais proeminente pode aumentar o tempo de duração da fragrância.
Essas áreas incluem o pescoço, pulso, atrás das orelhas, braços e antebraços, bem como atrás dos joelhos. A aplicação nestas áreas ajuda a maximizar a dispersão do aroma ao longo do dia.
Como aplicar nas áreas mais comuns
Punho
Aplicar nas áreas dos pulsos permite que o calor do corpo intensifique o aroma.
Pescoço
Borrifar próximo ao pescoço e atrás das orelhas é eficaz, pois essas áreas emitem calor.
Pontos de pulsação
Locais onde o sangue flui mais próximo à superfície da pele, como atrás dos joelhos, no interior dos cotovelos e no peito também são ideais para fixação da fragrância.
Cabelo
Você pode aplicar perfume no cabelo, mas tenha cuidado para não exagerar, pois algumas marcas podem ressecar os fios.
A técnica para aplicar corretamente
Para garantir uma distribuição uniforme e duradoura do perfume, saber aplicá-lo é crucial. Em vez de simplesmente borrifar o cosmético diretamente sobre a pele, considere pulverizar o produto no ar e caminhar para que a névoa possa assentar-se naturalmente sobre você.
Ao aplicá-lo, mantenha o recipiente a uma distância de cerca de 15 a 20 centímetros da pele. Isso ajuda a evitar que o líquido fique concentrado em uma área e se torne muito forte.
Menos é mais
Embora seja tentador aplicar mais perfume na esperança de uma fragrância mais duradoura, a verdade é que menos é mais. Perfumes são concentrados e uma pequena quantidade pode ser suficiente para durar o dia todo.
Aplicar demais pode levar a uma fragrância ‘avassaladora’ que acaba incomodando as pessoas ao seu redor.
Armazenamento adequado do perfume
Além de aplicar corretamente, armazenar o perfume também é crucial para manter sua qualidade ao longo do tempo. Evite a exposição direta à luz solar e mantenha o frasco bem fechado quando não estiver em uso.
Fontes: Anna Karoline Moura, dermatologista do Hospital São Marcelino Champagnat ; Valeria Franzon, dermatologista e professora da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Além de discutirem amores possíveis e o futuro dos relacionamentos, o último episódio da temporada do “Sexoterapia”, podcast de Universa, analisou casos enviados por ouvintes. Ana Canosa e Bárbara dos Anjos receberam Carol Tilkian, criadora do projeto Amores Possíveis.
As duas histórias foram enviadas por mulheres.
Na primeira, a ouvinte enfrenta problemas com os familiares do marido. Diz ter levado uma vida de solteira enquanto estava casada e, agora, odiada pela sogra, ainda mora com o companheiro, mas escondida da mãe dele.
Na segunda, uma mulher e 42 anos pede ajuda para conseguir curar um coração partido, que ainda sofre com relações do passado mesmo estando feliz no namoro atual.
‘Vivo com meu marido escondida da família dele’
Ano passado, estava de mudança agendada para os Estados Unidos, por causa de uma proposta de trabalho feita pela empresa do meu marido. Não tinha certeza se queria ir com ele, pois abriria mão da minha carreira aqui, que estava muito bem. Então, na tentativa de descobrir se queria, comecei a viver uma vida de solteira, mesmo estando casada, expondo nas redes sociais fotos com amigas nas baladas. Isso gerou um estresse, e a família dele se intrometeu, apoiando o divórcio. Pedi as contas da empresa e decidi ir com ele. No dia da viagem, ele apareceu com a mãe, me humilhando pela situação que expus nas redes, disse que eu era indigna de ser da família e pediu o divorcio. Fiquei totalmente vulnerável, pois perdi o emprego que amava e o casamento. O que mais me dói foi não ter conseguido reagir à altura das ofensas da minha sogra. Mas meu marido acabou pedindo para voltar no mesmo dia, e estou nos EUA escondida da família dele.
Ana Canosa: “Parecem dois adolescentes fugidos da mãe. Acho que precisa rever isso aí. Me dá a sensação de que ela teve um surto adolescente quando ficou se expondo, colocando fotos nas redes, o que é comum”.
Carol Tilkian: “Mas o que é agir como casada? Por que você, como uma pessoa casada, não pode sair sozinha com suas amigas? Hoje se discute sobre relações abertas serem um caminho, mas vejo o quanto a gente tem acordos não explícitos em um casal, que cerceiam a liberdade um do outro”.
Ana Canosa comentou a respeito dos contornos no relacionamento.
Contornos são necessários numa relação de compromisso. As pessoas, às vezes, perdem isso. Não dá para agir como um adolescente sem a sua parceria estar sabendo. A questão é o combinado.none Ana Canosa
Ela continua: “A relação possível tem expansão, ela não pode ser fixa, cristalizada, porque senão vai dar ruim. Ela saiu do contorno que achava que era possível, chamaram a grande mãe para dar uma bronca. E no final ela está lá, escondida, para restaurar a culpa que acha que teve, e ele, adolescente, não contou para a mãe”.
‘Não consigo deixar para trás a bagagem de outros relacionamentos’
“Tenho 42 anos e há três me separei, após 15 de relação. Antes, namorei outro cara por nove anos, desde a adolescência. Foi um namoro altamente tóxico e abusivo, e só percebi isso depois de mais velha. Voltando à minha separação, foi bem difícil, tive que sair de casa no auge da pandemia, em abril de 2020, e morar com meus pais de novo, até recomeçar e reconstruir meu lar sozinha. Ainda tentamos voltar, mas a falta de perdão de ambos não permitiu. Até hoje tenho muita mágoa de tudo que aconteceu nessa relação.
Em três anos solteira, fiz muita coisa que eu mesmo julgava errado, como transar sem camisinha com alguém que nunca vi e trair nessas pequenas relações. Vi muito disso como forma de autoafirmação, de me distanciar do meu relacionamento antigo. Hoje estou num novo relacionamento com um amigo que conheço desde a adolescência. É leve e sem cobranças, mas o fantasma do relacionamento anterior ainda está na minha cabeça.
Não consigo superar o coração partido. Fico lembrando que todos por quem me apaixonei enquanto solteira eram pessoas mimadas, infantis, que me fascinavam pelo jeito. Sempre coloquei num pedestal quem me apaixonei, como se fossem demais para mim, e eu devia fazer de tudo para mantê-los por perto. Agora, me vejo no mesmo patamar do meu namorado, me sinto leve e feliz, mas sinto não conseguir superar o fim do relacionamento antigo. Não quero voltar, estou feliz com meu namoro, mas o coração não se cura nunca. Não consigo deixar para trás essa bagagem que pesa”.
Ana Canosa: “É quase como ter ido para o mundo adulto e olhar: é difícil mesmo. O problema não é a cura do relacionamento que não deu certo. O problema é que ela tem medo porque descobriu que a vida dá mil voltas, que julga alguém que trai e, amanhã, está traindo”.
A sexóloga completa: “Tudo bem, foi um relacionamento abusivo, pode ter provocado traumas. Ela tem medo porque sabe que o ser humano é múltiplo e, por mais que esteja numa relação boa hoje, amanhã pode acontecer algo que vai doer”.
Bárbara dos Anjos: “E se acontecer, não invalida o tempo que ficaram juntos e foi bom”.
Carol Tilkian: “Tem coisas que vão mexer com a gente sempre. Mas precisamos entender em que lugar da minha vida coloco essa pessoa. Acho que ela ainda não se deu conta disso. Há uma dificuldade de lidar com a saudade sem paralisar. E se eu puder olhar e validar as coisas boas?”.
As pessoas têm muita dificuldades de lidar com amores tranquilos, embora desejem. Porque tem que dar conta do silêncio de uma relação que não tem movimentação o tempo inteiro. noneAna Canosa
‘O amor não tem que suportar tudo’
No último episódio da temporada do “Sexoterapia”, Bárbara dos Anjos, Ana Canosa e Carol Tilkian, conversaram sobre o que são amores possíveis e relacionamentos supostamente ideais.
Ana Canosa: “É racionalmente impossível controlar sentimentos. É preciso treinar a validação de nossas fragilidades. O amor não suporta tudo. Quando você tem que suportar tudo, já não é mais amor. Entre o ideal do amor verdadeiro e a realidade solitária de todas nós, há o possível, a intenção, a capacidade de expansão. É nisso que podemos apostar”.
Carol Tilkian: “Acredito que o amor é possível e transformei essa crença em conteúdo. A gente tem que abrir mão de algumas fantasias, mas o amor ainda pode ser fantástico”, diz.
Ela sugere que o amor seja visto como um caleidoscópio. “As relações estão em constante mudança que ora vão criar imagens mais harmônicas, ora menos, com mais encontro, mais desencontros, mas sempre num espaço de falta. Entender essa reconstrução constante é uma das coisas mais importantes de se fazer pra que o amor seja possível.”
Ana Canosa: “A gente não pode ficar fantasiando o ideal, mas ele aponta para uma narrativa do que você quer construir, que pessoa você quer ser, que amor você quer ter”, opinou a sexóloga.
“É importante projetar o ideal do que acompanha uma relação saudável —e não uma relação de contos de fadas— para apontar o caminho do queremos, como quero me desenvolver como pessoa e do que espero de uma parceria. Por isso, o amor possível aponta para possibilidade de expansão, pra chegar em algum lugar, como com uma roupa que me cai muito bem”, afirmou Ana.
Elas discutiram também sobre a relação entre o amor considerado ideal e as expectativas em torno de uma relação.
Bárbara dos Anjos: “A gente tem desejos, vontades, não tem como não ter”.
Carol Tilkian: “Hoje em dia, parece que criar expectativas é inviabilizar a relação porque já está projetando demais. Acho que tem a ver com como a gente calibra essa expectativa”.
Bárbara dos Anjos: “Tem uma coisa, não só do relacionamento, mas na vida depois dos 30 anos. A gente carrega uma bagagem emocional, estamos feridos. O quanto a gente consegue, de verdade, se entregar a essas possibilidades de felicidade que o amor traz sem se referir a relacionamentos passados? Como ter o recomeço sem estar carregando isso?”, questionou a jornalista.
Ana Canosa: “Bagagem a gente sempre vai ter. Agora, claro que, quanto mais mais maduros, mais a gente consegue reconhecer nossas habilidades e os desafios. Autoconhecimento nisso é fundamental”.
Carol ainda questionou um discurso em alta, do amor próprio e da autossuficiência. “Não acredito muito nisso, acredito no ‘se valide’. Validar que sou ciumenta mesmo, que sou medrosa, insegura e colocar isso para o outo de uma forma honesta, e não se vitimizando”.
Bárbara dos Anjos: “Entre a real e a melhor versão, tem a possível”.
Além de discutirem amores possíveis e o futuro dos relacionamentos, o último episódio da temporada do “Sexoterapia” analisou casos enviados por ouvintes. As duas histórias foram enviadas por mulheres.
Na primeira, a ouvinte enfrenta problemas com os familiares do marido. Diz ter levado uma vida de solteira enquanto estava casada e, agora, odiada pela sogra, ainda mora com o companheiro, mas escondida da mãe dele.
Na segunda, uma mulher e 42 anos pede ajuda para conseguir curar um coração partido, que ainda sofre com relações do passado mesmo estando feliz no namoro atual.
Na hora do sexo, é importante dizer o que gosta e conhecer seus limites Imagem: iStock Images
Não é só com você. Algumas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo. E, para algumas, pode ser ainda mais difícil só com a penetração. Algumas dicas e informações, no entanto, podem te ajudar a chegar lá.
Primeira lição: saiba o que te dá prazer
Comece conhecendo seu corpo. Olhe a própria vagina com um espelho, toque-a e localize quais pontos proporcionam mais prazer.
Masturbe-se, com a própria mão ou algum tipo de vibrador. Durante a masturbação, solte-se, respire calmamente, acaricie diversas partes do seu corpo, veja quais te deixam mais excitada e tente, aos poucos, contrair e relaxar a musculatura da vagina.
Saiba que não existe regra: o que dá tesão para uma mulher pode não dar para outra.
Depois de descobrir do que gosta, diga ao parceiro
Você pode dizer de cara o que gosta ou conduzir o parceiro, colocando a mão dele nos pontos que sente prazer e escolhendo a posição.
De olho no clitóris. Durante a penetração, o clitóris até é estimulado, mas não é um estímulo tão direto do que o feito com a mão. Muitas mulheres têm mais facilidade de chegar ao orgasmo quando têm o clitóris estimulado pelo parceiro ou parceira —seja nas preliminares, em uma pausa da penetração ou até durante a penetração.
Uma ajudinha das mãos. Se ele estiver penetrando e você não estiver sentindo tanto prazer, peça para que ele coloque a mão no seu clitóris ou faça isso você mesma, colocando a mão do parceiro ou usando a própria mão.
O que é o clitóris e onde ele fica?
Clitóris é bem maior do que parece serImagem: iStock
O clitóris faz parte da vulva e seu pedaço externo pode ser facilmente encontrado. É o “botãozinho” que se localiza na região superior da vagina, no encontro do “V” dos pequenos lábios. Ao se tocar, ele é a parte mais elevada ali na região.
O clitóris é muito maior do que parece e duas raízes de dez centímetros continuam para dentro da vagina.
Permita-se e sair do controle
Permita-se sentir esse prazer e ficar mais solta e relaxada durante o sexo. Muitas mulheres ficam tão preocupadas com a performance sexual e com o que o parceiro vai achar que não conseguem aproveitar.
Grande parte das mulheres que buscam ajuda de sexólogas com a queixa de que não conseguem ter orgasmos são aquelas com o perfil mais tenso, perfeccionista e controlador. “São pessoas que não se entregam 100% a uma relação. São mulheres extremamente ligadas, cumpridoras de obrigações e de deveres e que não se entregam aos prazeres”, define Carla Cecarello.
Se eu me concentrar na região da vagina, ajuda chegar ao orgasmo?
Forçar para que o orgasmo aconteça só faz com que ele não venha. O que ajuda é contrair e relaxar a musculatura da vagina, conhecida como assoalho pélvico. E, nesses momentos, você se concentrará na vagina, mas não o tempo todo.
Caso o assoalho pélvico esteja fraco, menor será o suporte para o clitóris e, também, menor será a sensibilidade da mulher durante a penetração, pois ela não sentirá tanto o pênis dentro da vagina —o que pode dificultar na obtenção do orgasmo. Portanto, realizar algumas contrações durante a penetração, sexo oral ou masturbação, dará aquela forcinha para gozar.
Como saber se eu tive um orgasmo?
O orgasmo é uma reação de múltiplas contrações da musculatura do assoalho pélvico. Normalmente, acontece de 3 a 15 contrações, que são associadas a um intenso prazer. Em média, o orgasmo dura dez segundos, provocando, na sequência, uma sensação de relaxamento.
Algumas mulheres, no entanto, criam expectativas altas demais e acreditam que gozar envolve algum tipo de reação “sobrenatural” exagerada. Nem sempre é assim: certos orgasmos levam mesmo a gritos e gemidos de prazer e deixam o corpo todo em polvorosa, mas outros são rápidos, quentinhos (por causa das ondas de calor) ou até mesmo imperceptíveis.
A resposta aos estímulos e os orgasmos nunca são do mesmo jeito, ainda que você transe sempre com a mesma pessoa.
Ao envelhecer, perco a capacidade de chegar ao orgasmo?
Não, com o passar dos anos, o clitóris não perde sua inervação.
O que pode acontecer é que, por causa das alterações hormonais provocadas pela menopausa, a mulher perca a lubrificação. Mas essa questão pode ser contornada com o uso de lubrificantes comuns ou de pomadas tópicas, conhecidas como creme de estrogênio, que ajudam a estimular a secreção vaginal de mulheres na pós-menopausa.
E se mesmo depois de seguir as recomendações não tiver um orgasmo?
São raras as vezes em que uma mulher que não sente orgasmo tem um problema físico, já que o corpo dela é preparado para ter o orgasmo. A ausência de orgasmo, chamada de anorgasmia, é uma disfunção sexual essencialmente de fundo psicológico. O tratamento recomendado, na maior parte dos casos, é a psicoterapia. Para algumas pacientes, é indicado a fisioterapia, para que ela conheça mais o corpo e a região da vagina.
Fontes: sexóloga Carla Cecarello; a ginecologista Flávia Fairbanks, que participa do ProSex (Projeto Sexualidade), serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Lívia Bentes, fisioterapeuta do Projeto Afrodite da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido. Imagem: iStock
Recentemente, o papa Francisco falou abertamente sobre temas considerados “tabus” pela Igreja Católica com um grupo de jovens. Questionado sobre sexo, quando um dos jovens o pergunta sobre masturbação, Francisco disse que “o sexo é um dos dons mais bonitos que Deus deu à pessoa humana”.
“Expressar-se sexualmente é uma riqueza. Portanto, qualquer coisa que menospreze a real expressão sexual também menospreza você, e empobrece essa riqueza em você. O sexo tem sua própria dinâmica; tem sua própria razão de ser. A expressão do amor é provavelmente o ponto central da atividade sexual”, acrescenta segundo o portal católico “Vatican News”.
Ao longo de sua resposta, o líder católico ainda admite que a catequese da Igreja Católica é “fraca” em relação ao tema e que, muitas vezes, os cristãos não têm uma postura madura para falar sobre isso.
A fala do papa surpreendeu os fieis. Afinal, falar sobre sexo e prazer, não é tão comum nas igrejas. Inclusive, em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido.
O UOL procurou líderes religiosos para falar sobre o assunto
Católicos
Conforme o professor de ética e padre da igreja São Paulo Apóstolo na Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), Elviro Pinheiro, a Igreja Católica entende que a sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana.
Para os católicos, o sexo está relacionado a capacidade de amar e procriar, criando assim uma comunhão com o outro. E, por isso, a relação sexual deve acontecer somente quando os dois estiverem unidos perante a doutrina.
Segundo Pinheiro, a Igreja Católica entende que o sexo antes do casamento é pecado. O matrimônio é o sacramento que regulariza o ato.
Ao homem e a mulher, cabe reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. São complemento um na vida do outro, seja físico, moral e espiritual.”
Evangélicos
Para o pastor e teólogo manauara Caio Fábio, do ponto de vista histórico, o sexo é algo que foi abordado durante os séculos como um gerador de culpa.
O ato sempre foi acompanhado de terror e o sexo apenas para procriação, é um dogma inventado pela Igreja Católica.
Quando Jesus vem, segundo o teólogo, a relação é tratada de outra forma.
A única realidade que não é natural para Jesus é a traição e infidelidade.”none
O cristianismo não foi fundado como religião, mas em um caminho de consciência de verdade e vida, e transformou-se em uma a partir do protestantismo.
O especialista vê que as igrejas evangélicas neopentecostais são atrasadas em diálogos que envolvem sexualidade e não possuem uma visão saudável sobre o tema.
O escritor conta que as igrejas não praticam a nova lei (novo testamento) para dar espaço ao velho, porque sabem que o texto vai de encontro às práticas deles. Com isso, o sexo, que deveria ser tratado como algo bom, é encarado como pecado.
Espiritismo
No espiritismo todos são almas em essência, ou seja, não delimitados ou definidos pelas questões morfológicas, sendo assim, os espíritos não têm sexo.
O corpo físico é encarado como uma ferramenta primordial onde a reencarnação encara o feminino e o masculino como grandes laboratórios para esse espírito que vem, consiga manifestar seus potenciais divinos.
Temos uma visão do compromisso, porque todo processo de conexão íntima gera responsabilidade nas trocas vibratórias. Nós estabelecemos vínculos”,none Médica pediatra e conselheira da UEM (União Espírita Mineira), Lenici Aparecida de Souza Alves.
Do ponto do sexo enquanto experiência física, Alves fala que ele deve ser visto de maneira livre com responsabilidade e aproximação, pois assim, os casais podem ficar juntos.
Umbanda
Na Umbanda, abordam-se os aspectos de gênero e a prática natural. A religião não concebe na filosofia o pecado.
O sacerdote e teólogo Pai Silnei Farkas, membro da FNAB (Associação Nacional das Religiões Afro-Brasileiras), em São Paulo, aponta que a Umbanda acredita que não houve, não há e não haverá qualquer ruptura do homem com Deus, Nzambi, o Criador.
Na religião, não se encara o sexo como questão moral, embora o sincretismo religioso presente, as doutrinas do catolicismo não são adotadas. Com isso, é possível a relação antes ou após o casamento.
O corpo humano não é tabu na Umbanda. Acreditamos e louvamos Deus como Pai e Mãe, logo, recebemos Dele o amor paterno e materno para entendermos que o sexo deve ser colocado em nossas vidas com amor.”