Algumas castas de uva quase despereceram totalmente: é o fim de determinados vinhos? - Getty Images/iStockphoto
Algumas castas de uva quase despereceram totalmente: é o fim de determinados vinhos? Imagem: Getty Images/iStockphoto

Das 6 mil espécies de plantas que os humanos consumiram ao longo do tempo, nossa sociedade agora come diariamente apenas nove — das quais apenas três (arroz, trigo e milho) fornecem 50% de todas as calorias que ingerimos.

A nossa comida está em extinção, alerta o jornalista Dan Saladino, autor do livro Eating to Extinction: The World’s Rarest Foods and Why We Need to Save Them (“Comer até a extinção: os alimentos mais raros do mundo e por que precisamos salvá-los”, em tradução livre, sem edição no Brasil).

Pode reparar: no supermercado, ainda que a oferta possa parecer cada vez maior, há pouquíssima variedade de cada alimento, se pensarmos que muitas frutas e legumes possuem centenas de tipos. Quantas espécies de maçãs alguém pode comprar na quitanda da esquina?

Saladino diz que aprendemos a escolher entre “a” e “b” (às vezes também “c”) como se isso fosse algum poder de decisão. “Não é. Embora tenhamos uma ideia de abundância, geneticamente nossa alimentação está mais limitada do que nunca”, disse ele em uma palestra no congresso Diálogos de Cozinha, realizado em San Sebastián (Espanha) — um dos poucos eventos da gastronomia a colocar o dedo em algumas feridas importantes.

Há apenas duas espécies de grãos na qual a indústria se baseia para fazer dinheiro: Robusta e ArábicaImagem: iStock

Ele dá um exemplo: para o seu café de todas as manhãs, há apenas duas espécies de grãos na qual a indústria se baseia para fazer dinheiro e que é possível encontrar nas prateleiras e nas cafeterias: Robusta e Arábica.

A primeira é tida como “inferior” (ainda que produza bons cafés!) enquanto a segunda domina o mercado, com o marketing do “100% Arábica” nas embalagens das marcas gourmets.

Acontece que, com as mudanças climáticas e uma possível doença fúngica mortal, o nosso cafezinho como conhecemos pode estar com os dias contados. E pouco se tem feito (pelo menos em escala comercial) para garantir que não falte cafeína na nossa xícara no futuro.

Saladino chegou a uma variedade conhecida como stenophylla, que tem maior tolerância ao calor, maior resistência a certos patógenos fúngicos e ótimo sabor. Há apenas um problema: é incrivelmente raro e, até recentemente, os cientistas acreditavam que estava extinto, já que não estava sendo consumido.

Menos espécies disponíveis pode significar problemas bem sérios para a nossa alimentação a médio e longo prazo”, explica o jornalista, que é apresentador de um podcast sobre alimentação na BBC inglesa.none

Tour pelo mundo

Para entender como nossa alimentação se tornou tão restrita do ponto de vista da biodiversidade, Saladino visitou produtores, ativistas e cientistas da Bolívia ao Japão, da Tanzânia ao Cazaquistão.

Em suas viagens, ele contou sobre o botânico russo Nikolai Vavilov, que viajou todo o mundo em busca de espécies em perigo de extinção, e um cofre de sementes construído em Svalbard, no Ártico, que mantém um banco genético de milhares de espécies.

O Banco Mundial de Sementes de Svalbard está localizado no ÁrticoImagem: LISE ASERUD/Getty Images

Só de trigo, são mais 200 mil delas. Na produção mundial, as espécies cultivadas chegam a não mais de 10 tipos: não importa se você está na China ou no Brasil, todos comemos os grãos muito parecidos geneticamente.

Isso porque para a indústria alimentar foi mais fácil homogeneizar aquilo que comemos. Também é um reflexo de um melhoramento genético para permitir uma maior produção a fim de alimentar mais bocas de forma mais eficiente — ao menos para a agroindústria.

O problema é que muitas das espécies que desapareceram ou estão em vias de desaparecer já estavam mais prontas do ponto de vista de adaptação climática: pensamos em quantidade, e não prevíamos que as mudanças climáticas fossem capaz de mudar por completo as regras do jogo — e criar desafios muito sérios para o que vamos comer.

A genética melhorou a produção de milho, mas não abriu espaço para as espécies se adaptaram naturalmenteImagem: Reprodução/Instagram

Em pesquisas que o autor apresentou, falou de um tipo de milho que cresce na região de Sierra Mixe, em Oaxaca, no México, e que conheceu com a ajuda de pesquisadores.

Eram plantas de 5 metros de altura — localizada muito perto de onde o milho foi domesticado pela primeira vez — que tinham raízes aéreas que pingavam uma espécie de muco.

Parecia estranho, a princípio, algo como alguma doença rara das plantas. Mas em estudos os cientistas descobriram que, na verdade, o muco é resultado de uma interação entre açúcares e micróbios que alimenta a planta a partir do ar. Ou seja, modificamos geneticamente plantas sem considerar a capacidade que elas têm de evoluir e criar melhores condições para viver.

São milhares de espécies como esse milho raro que estão escondidos ou em vias de serem extintos do planeta em muito pouco tempo.

Os “Queveri”, grandes recipientes de barro feitos para fermentação de vinho, têm sido usados desde o século VI na GeórgiaImagem: Getty Images

Em suas pesquisas, Saladino também viajou para a Geórgia, país considerado o berço do vinho, e encontrou castas que quase desapareceram totalmente quando o país passou a fazer parte da União Soviética. Hoje, produtores tentam usar uvas como a Saperavi para resgatar a história do país.

No geral, o alerta do autor é para que passemos a considerar a biodiversidade como um caminho sustentável — e talvez, o único possível — para o nosso futuro como espécie.

“Todos os cientistas que conheço defendem que devemos lutar para recuperar a diversidade nos cultivos a nível global”, ele alerta. Eu tenho certeza que não queremos um mundo onde todos ouvem as mesmas músicas, vestem as mesmas marcas, veem a mesma série”.

“Com a comida é igual: queremos comer a mesma comida e que nossos agricultores, independente das condições e localidades que estejam, produzam alimento da mesma maneira?”, pergunta.

Informações UOL


Foto: Reprodução

A famosa revista Playboy vai voltar ao mercado de um jeito diferente. Agora, a publicação vai acompanhar a nova plataforma da marca, no estilo da rede social OnlyFans, em que as pessoas produzem conteúdo e podem cobrar uma mensalidade para que os usuários acessem um material exclusivo.

A princípio, a revista vai ser publicada apenas digitalmente, sem versão impressa -mas os planos podem mudar no futuro. No Brasil, a Playboy parou de ser publicada em 2018, e nos Estados Unidos durou até março de 2020, quase 70 anos após seu lançamento.

Segundo o site americano Variety, a nova versão digital da Playboy contará com editoriais, matérias, ensaios fotográficos e outros materiais com seus mais bem-sucedidos criadores de conteúdo. A ideia é apresentar a vida e as ideias desses produtores de conteúdo.

Nesse esquema, os criadores de conteúdo vão ter sua produção disponível de graça, mas o acesso aos ensaios fotográficos completos, com bastidores e material exclusivo só é permitido a quem pagar para seguir algum deles.

A plataforma da Playboy no estilo OnlyFans funciona desde setembro do ano passado. Mas, ao contrário da rede social, ela não permite pornografia, apenas nudez. A empresa não está se posicionando como uma platarforma adulta, e quer atrair grandes criadores de conteúdo que estiverem a fim de mostrar bastidores de suas vidas.

A primeira capa da nova Playboy, por exemplo, já foi divulgada. Nela está Amanda Cerny, uma modelo e atriz que já foi capa da revista algumas vezes desde 2011, apresentada como a “coelhinha de platina”.
Ela já ganhou mais de US$ 1 milhão na nova plataforma de criadores de conteúdo da marca. Algumas imagens selecionadas do ensaio fotográfico feito para a capa só ficarão disponíveis após um paywall em sua página pessoal no aplicativo da Playboy. A primeira edição da reencarnação da publicação vai sair nos próximos meses.

Informações BNews


Foto: Garry Knight/Creative Commons

Uma mansão histórica em Londres acaba de entrar no mercado imobiliário por cerca de 250 milhões de libras — pouco mais de R$ 1,56 bilhão — o que a tornou o imóvel mais caro do mundo à venda no momento, segundo a revista Architectural Digest.

THe Holme, como ela é conhecida, ultrapassou o preço da novíssima cobertura da Central Park Tower em Nova York, que atualmente está disponível por US$ 250 milhões ou R$ 1,3 bilhão. Caso seja vendida por este valor, a imponente residência britânica se tornará a maior negociação imobiliária da história da capital britânica.

Situada no Regent’s Park, próximo ao Palácio de Buckingham, a propriedade de 40 dormitórios situada em um terreno de mais de 1,8 hectare com lago e amplos jardins pertencia até então à realeza, mas não a britânica.

O endereço era do príncipe Abdullah bin Khalid bin Sultan al-Saud, membro da família real da Arábia Saudita e representante do país nas Nações Unidas, segundo registros públicos obtidos pelo jornal Financial Times.Imagem: VV Shots/Getty Images

The Holme foi dada por ele como garantia — junto com um apartamento em Nova York, uma casa à beira do italiano Lago de Como, um avião e outros investimentos — em um empréstimo de 150 milhões de libras (R$ 936,4 milhões), que não foi pago. Assim, a mansão foi tomada pelos credores e colocada à venda.

O jornal The Telegraph estima que seu preço possa passar eventualmente de 300 milhões de libras ou R$ 1,87 bilhão. O motivo para os tão altos valores envolvidos está na sua riqueza histórica.

A mansão foi construída em 1818 — há 205 anos, portanto — pelo arquiteto Decimus Burton e foi o lar de James Burton, um importante construtor da era da Regência britânica. Com 2.700 metros quadrados distribuídos por dois andares, ela tem elementos populares da época como um pórtico em estilo jônico.

A mansão fica ao lado do Queen Mary’s Gardens, no Regent’s ParkImagem: iStock

Para além do apelido de “Casa Branca de Londres”, ela chegou a ser descrita como “uma das casas particulares mais desejáveis de Londres” pelo estudioso de arquitetura Guy Williams. Já o crítico Ian Nairn a qualificou como a “definição de civilização ocidental em uma única vista”.

The Holme foi a segunda villa a ser construída no Regent’s Park, onde há algumas poucas mas muito exclusivas propriedades de milionários e aristocratas britânicos. Com dois andares, além de um subsolo de escritórios, ela é reconhecida pela sua rotunda decorada por quatro colunas na fachada.

Até hoje, ela passou por duas grandes reformas: uma em 1911, quando ganhou alas extras assinadas por Bertie Crewe, e outra em 1935, para a substituição de um domo. Ela seria tão grande por dentro que abrigou temporariamente a instituição de ensino Bedford College antes de se tornar novamente imóvel particular, segundo a Associação de Amigos do Regent’s Park.Imagem: Justinc/Creative Commons

“É uma propriedade-troféu… E você terá que esperar por um tempo para ver uma próxima, então eu não me surpreenderia se esta quebrasse recordes”, opinou Roarie Scarisbrick, sócio da consultoria imobiliária de luxo Property Vision, ao Financial Times.

No entanto, interessados milionários terão de se preparar para lidar com todas as atenções (e a consequente falta de privacidade) que um imóvel deste porte atrai. “Não seria uma transação discreta, então vai exigir um comprador que não seja tímido”, palpitou ainda Roarie. Afinal, só o fato de ela estar à venda já virou notícia.


Dormir 8 horas é o ideal para ter um sono reparador? — Foto: Imagem de stefamerpik no Freepik

Dormir 8 horas é o ideal para ter um sono reparador? — Foto: Imagem de stefamerpik no Freepik 

Quando passamos o dia com sono, só pensando no cochilo pós-almoço ou na nossa cama a nos esperar, sempre surge a dúvida: será que eu dormi o suficiente esta noite? Quantas horas eu preciso dormir? 

Ouvimos que o ideal é dormir 8 horas, mas não é bem assim. Para começar, cada indivíduo é único. Por isso, não há um número mágico de horas recomendadas. Além disso, a necessidade muda com a idade

(Esta reportagem é parte de uma série que o g1publica ao longo desta semana sobre o tema, que ainda vai explicar o que é a higiene do sono, os prejuízos da privação, como medir seu tempo de sono ideal e por que cientistas defendem que as aulas nas escolas comecem mais tarde.)

“O adulto dorme entre 7 e 9 horas. Ainda é normal que durma ou 6 ou 10 horas. Não existe um número chave, mas existe uma média para cada faixa etária para recuperar energia, capacidade de resolução de problemas, de viver um dia disposto”, explica Sandra Doria, otorrinolaringologista com especialização em Medicina do Sono e pesquisadora do Instituto do Sono. 

🕖🕗🕘 RECOMENDAÇÃO: segundo a National Sleep Foundation, os tempos de sono são divididos em nove faixas etárias – dos recém-nascidos ao idosos. Veja abaixo: 

Quantas horas devemos dormir ao longo da vida? — Foto: Arte/g1 

Em alguns casos, está tudo bem dormir uma hora a mais ou a menos do que a média. Agora, se você conhece alguém que dorme muito ou pouco, essa pessoa pode estar em um outro grupo: dos grandes ou pequenos dormidores. Mas esse público é muito pequeno: cerca de 2% da população

😴GRANDES E PEQUENOS DORMIDORES: adultos que precisam de mais de 9 horas de sono por noite são chamados de grandes dormidores; já os que necessitam de menos de 6 horas de sono por noite para se sentirem renovados são chamados de pequenos dormidores

“O grande dormidor precisa de uma quantidade maior de horas de sono. Não é o preguiçoso, o desocupado. É uma característica individual. Já o pequeno dormidor pode até se sentir culpado por dormir ‘pouco’ e acha que deve horas de sono” 

— Monica Andersen, diretora do Instituto do Sono 

Não adianta dormir 9 horas se você acorda e não sente que seu sono foi restaurador. Segundo um estudo publicado na revista Sleep Epidemiology65,5% dos brasileiros têm sono de má qualidade. 

Na amostra, os pesquisadores descobriram que ser mais jovem, do sexo feminino, ter um parceiro dormindo em outra cama ou outro quarto e o uso de smartphone foram associados às noites mal dormidas. 

🛌 HIGIENE DO SONO: Algumas medidas simples podem ajudar a melhorar o seu sono, como ter regularidade, evitar as telas e criar um ambiente adequado para dormir. 

Uma pessoa saudável demora entre 10 e 20 minutos para adormecer depois que se deita na cama e apaga as luzes – é a latência do sono. Algumas situações podem atrapalhar essa latência, como o álcool, dor crônica ou medicamentos. 

Depois de adormecer, entramos então nas fases do sono: o REM e o NÃO-REM (NREM). Nós temos cerca de 4 a 6 ciclos de sono por noite (que juntam as duas fases). 

  • Sono REM: esse estágio está associado ao sonho e à consolidação da memória. Ele também está ligado ao movimento ocular rápido, de onde vem o nome REM: rapid eye movement. Durante essa fase, nosso corpo funciona como se estivesse acordado, exceto que nossos olhos estão fechados e temos a atonia muscular (relaxamos completamente o corpo). Ele costuma “aparecer” cerca de 1:30 depois que adormecemos. O sono REM tem um papel importante no processamento emocional e no desenvolvimento saudável do cérebro.

Quando bebês, precisamos de mais sono REM, já que o cérebro está se desenvolvendo. Na fase adulta, precisamos de uma média de duas horas de sono REM por noite, segundo a National Sleep Foundation.

  • Sono NÃO-REM: O NREM é subdividido em N1/N2 (mais leve) e N3 (profundo). Nos dois primeiros estágios (N1/N2), nosso cérebro começa a desacelerar, a frequência cardíaca e a temperatura corporal diminuem e começa a transição para o N3. O sono profundo (sono de ondas lentas) é caracterizado por uma baixa atividade cerebral, é quando o “exército da imunidade” começa a agir, quando temos mais estabilização do sistema cardio, melhor pressão arterial. Também é no N3 que liberamos o hormônio do crescimento (GH).

Trabalhe enquanto eles dormem?

Você já deve ter lido (ou ouvido) a famosa frase “trabalhe enquanto eles dormem“. Ela pode até parecer “motivacional”, mas é perigosa. O sono é primordial para a saúde cardiovascular, o equilíbrio emocional e para o nosso sistema imunológico

“Temos que valorizar o sono. Ele é muito esquecido. Tem gente que fala: como faço para dormir menos e produzir mais? Isso é um absurdo! Produzimos mais quando dormimos melhor. Seu corpo estará em sintonia e você não vai ter aumento do hormônio do estresse. Além disso, quando não dormimos bem, as defesas do corpo ficam prejudicadas, seu corpo fica mais suscetível a ficar doente”, adverte Andersen.

Informações G1


Reprodução de propaganda antiga da Varig: Companhia aérea possuía excelência no serviço de bordo - Reprodução
Reprodução de propaganda antiga da Varig: Companhia aérea possuía excelência no serviço de bordo Imagem: Reprodução

Por corte de custos e medidas de segurança, muita coisa mudou na aviação. Uma delas é a alimentação, que teve uma transformação radical desde a década de 1950 até os dias atuais. Era muito mais sofisticada, e agora fica cada vez mais simples.

No Brasil, uma empresa se destacava pelo serviço de bordo, reconhecido internacionalmente: a Varig. Veja mais abaixo o que seu menu de luxo oferecia.

  • Camarão
  • Caviar
  • Churrasco
  • Ganso
  • Lagosta
  • Queijos franceses
  • Veado

Entre as bebidas, eram servidas:

  • Champanhe Dom Perignon
  • Champanhe Moet Chandon
  • Licor Cointreau
  • Licor Drambuie
  • Vinho Châteauneuf-du-Pape
  • Vodka Solichnaya

Mesmo na classe econômica, era servido filé mignon. Na década de 1990, a empresa chegou a oferecer 25 mil refeições diariamente aos passageiros.

Entre os pratos, se destacavam:

  • Bife Wellington
  • Canapés quentes e frios
  • Cascata de camarão
  • Langouste en Bellevue
  • Supremo de faisão
  • Sushi
  • Variados hors d’oeuvre

As refeições tinham entrada, prato principal, salada, sobremesa, queijos e café. Eram servidos almoço, jantar e café da manhã nos voos. Todas elas eram preparadas antes de embarcar para facilitar o serviço a bordo.

A maior parte dos pratos era servida em porcelana japonesa Noritake. Os copos eram de cristal ou vidro e os talheres de aço inox.

A cozinha no RJ

No começo da década de 1990, a cozinha da Varig no aeroporto do Galeão era a maior da empresa e tinha números surpreendentes:

  • Dez mil refeições por dia
  • 6.000 sobremesas diárias
  • 1.100 funcionários
  • Trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana

Qual a história desse requinte?

O presidente da Varig na década de 1950, Ruben Berta, queria melhorar o serviço de bordo. Nessa época, começaram os voos da companhia para Nova York (EUA) com o avião Constellation.

Berta convidou o chef austríaco Max von Stuckart, que havia fugido da Segunda Guerra Mundial e vindo ao Brasil. Desde então, os pratos alcançaram outro patamar, concorrendo com aqueles servidos em restaurantes e outras empresas aéreas.

Os menus eram dos mais variados, e continham diversas opções, não apenas o “carne ou massa” de hoje em dia. Veja imagens de alguns pratos do serviço de bordo da Varig de antigamente:

Informações UOL


Rosy e Lincoln se conheceram quando ele ainda era um adolescente; hoje estão juntos - Arquivo pessoal
Rosy e Lincoln se conheceram quando ele ainda era um adolescente; hoje estão juntos Imagem: Arquivo pessoal

A professora de São Paulo Rosy Roncon, de 64 anos, relutou antes de aceitar se relacionar com o seu ex-aluno Lincoln Martins, de 28, atendente de farmácia e estudante de psicologia. Eles já se conheciam havia 15 anos, mas o namoro começou só em agosto de 2022.

A diferença de idade chama a atenção e motiva comentários preconceituosos. A Universa, Rosy conta sua história.

“Há 15 anos, dei aula [de língua portuguesa] para o Lincoln [na rede estadual], quando ele ainda era uma criança. Depois que deixei de ser professora dele, o Lincoln sempre arrumava um motivo para entrar em contato. Mandava mensagem perguntando se eu tinha lido algum livro, me pedindo sugestões de leitura, opiniões sobre textos que havia escrito.

Era normal estar em contato com meus ex-alunos, mas, depois de 15 anos [das aulas], ele começou a mandar mensagens diariamente, falando coisas cotidianas. Um belo dia, confessou que era apaixonado por mim, que nunca me esqueceu, sonhava e pensava em mim com freqüência. Foi uma surpresa e achei até engraçado.

Procurei respeitar o que ele estava me falando. Tentei convencê-lo de que era uma ilusão, de que gostava de mim como professora. Falei que já era uma senhora e para ele olhar para os lados porque deveria ter muita menina querendo ficar com ele.

Só que o Lincoln disse que não, que me acompanhava pelas redes sociais e só não falou antes [que era apaixonado] porque ainda era moleque e estava esperando se transformar em um homem para tomar alguma atitude.

Isso durou uns três meses até que resolvi colocar um ponto final porque a coisa estava crescendo muito. Então falei: ‘vem para a minha casa e vamos conversar’.

Estava tão desinteressada [no dia do encontro] que nem tomei banho. Para minha surpresa, na hora em que fomos nos cumprimentar, saiu um beijo e foi bom. Não só foi bom: vi que aquilo era tão normal e parecia que aquele beijo acontecia toda hora.

Ela - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ela teve de lidar com os próprios preconceitos em relação à diferença de idadeImagem: Arquivo pessoal

Mexeu comigo e pensei: ‘ferrou tudo’. Minha intenção era de que ele chegasse [em minha casa] e visse as minhas marcas da idade, gordurinhas a mais, o cabelo branco.

Achei que ele teria um choque de realidade. Pensava que iríamos rir de tudo isso e seguiríamos em frente.

Depois daquele beijo entrei em uma confusão danada porque eu tinha gostado muito do beijo e de conversar com ele. Só que, de certa forma, me assustava muito começar um relacionamento e ele deixava claro que era isso o que querianone

Eu não queria. O preconceito era meu e pensava em como apresentar um garoto de vinte e poucos anos para meus amigos. Ficava com medo do julgamento da minha família, mas a gente continuou se vendo. Em 15 dias, assumimos para todos que estávamos juntos.

Começou uma enxurrada de conselhos. Falavam para eu ter cuidado com minha senha do banco, que ele me exploraria. Ficava com medo a cada vez que alguém vinha me aconselhar, porque gerava uma dúvida se eles estavam com razão. Por outro lado, estar com o Lincoln era tão bom, eu ficava tão bem.

Em pouco tempo nos apresentamos para as nossas famílias. O Lincoln passou a fazer parte do meu cotidiano.

Meus amigos chegaram a falar que ele só estava de olho nos meus bens materiais, mas sou professora, nem tenho um padrão de vida altonone

Rosy - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Rosy e Lincoln viajam juntos e se apresentaram às famíliasImagem: Arquivo pessoal

Minha irmã ficou com medo de eu ficar com ele sozinha e ele me assaltar, porque ela via muitas notícias na TV sobre isso.

O caso mais agressivo de preconceito foi quando voltávamos do teatro, em uma noite de sábado, e resolvemos dar uma volta na Avenida Paulista. Um cara olhou bem sério e perguntou para ele como fazia para arrumar uma coroa que o sustentasse, uma sugar mommy [mulheres que pagam por relacionamentos afetivos com pessoas mais jovens].

Olhamos um para a cara do outro e continuamos andando. O Lincoln falou que arrumamos um fã, mais um que se preocupa com nossa vida.

O que posso falar agora é que estou muito feliz, viajamos, adoramos estar um com o outro. Ele fica a metade da semana aqui [na casa dela] e eu também vou muito à casa onde ele mora com a família. Não me arrependo de nada.

Informações Universa UOL


"O governo não pode deixar as padarias falirem", diz o padeiro francês Éric Kayser, que tem buscado otimizar o consumo de energia - Divulgação
‘O governo não pode deixar as padarias falirem’, diz o padeiro francês Éric Kayser, que tem buscado otimizar o consumo de energia Imagem: Divulgação

O padeiro Eddy Mariel, 50, dono de uma pequena padaria familiar no nono distrito de Paris, passou a chegar ao trabalho mais cedo, às 3h da manhã, para dar tempo de preparar seus pães e croissants no horário em que a tarifa de eletricidade é mais barata. Assim como os cerca de 33 mil padeiros na França, Mariel vem sofrendo o impacto duplo da explosão dos preços dos ingredientes (manteiga, farinha e ovos) e da energia, que aumentou consideravelmente após o início da guerra na Ucrânia.

A baguete francesa se tornou patrimônio imaterial da Unesco, em novembro, mas a alegria com a notícia durou pouco para os padeiros do país. Alguns tiveram de encerrar suas atividades nas últimas semanas. A crise chegou a tal proporção que muitos desses profissionais decidiram ir às ruas na segunda-feira (23) para protestar contra a alta dos preços.

Recentemente, o governo francês anunciou algumas ajudas ao setor — propôs o adiamento do pagamento de impostos e de contribuições sociais das padarias, e uma tarifa máxima acertada com os fornecedores de eletricidade, nesse caso válida apenas para pequenas padarias com até 10 funcionários e com faturamento anual inferior a 2 milhões de euros.

A padaria de Mariel se encaixa nesse perfil e poderá se beneficiar dessa tarifa máxima permitida, de até 280 euros o kWh em 2023. Com a redução, ele conta que irá economizar 800 euros por ano. Mesmo assim, sua conta de energia totalizará 4.200 euros em 2023, o triplo do que costumava pagar anualmente até outubro do ano passado. Entre matéria-prima e energia, seus custos subiram 65%, afirma.

“Todo nosso dinheiro disponível em caixa virou fumaça. Não temos mais nada guardado para uma eventualidade”, diz. Na padaria fundada em 1979 por seu pai, já falecido, trabalham também sua mãe e sua irmã. Mariel começa a trabalhar de madrugada e passa o dia todo no local, ajudando também nas vendas, que não vão tão bem. As dificuldades, diz ele, já começaram na pandemia de covid-19.

A fim de reduzir o impacto de seus custos maiores, Mariel precisou aumentar os preços — em geral, dez centavos de euro. A baguete “tradição”, feita com uma farinha especial, subiu quase 10%, passando para 1,30 euro. Mesmo com as ajudas do governo, ele sente que pesa uma ameaça sobre o seu negócio. “Não estamos serenos.”

Padeiro Brahim Ayeb, em Paris - Daniela Fernandes/UOL - Daniela Fernandes/UOL
‘Os preços da manteiga e do leite dobraram. Os dos ovos triplicaram. Nossa profissão está ameaçada’, diz AyebImagem: Daniela Fernandes/UOL

Sobreviventes

Brahim Ayeb, proprietário de uma pequena padaria que leva seu sobrenome na movimentada rua do Faubourg Saint-Denis, no décimo distrito de Paris, também anda com menos clientes. “As pessoas compram apenas o necessário”, ressalta. Ele também teve de aumentar os preços: o croissant subiu 10 centavos e, os doces, de 20 a 30 centavos. “Não conseguimos fazer de outra forma. Os preços da manteiga e do leite dobraram. Os dos ovos triplicaram. Nossa profissão está ameaçada.”

O contrato de eletricidade negociado por Ayeb no início de 2021 é válido até o final de 2023. “Resta saber qual será a tarifa cobrada quando o contrato for renovado. É uma preocupação”, afirma.

A manifestação de padeiros organizada pelo Coletivo para a Sobrevivência das Padarias e das Profissões Artesanais visa estender a tarifa máxima de eletricidade garantida pelo governo a todas as empresas do setor, independentemente do tamanho.

“Apesar das ajudas do governo para pagar as contas de energia e outros benefícios anunciados, isso não impedirá que nossas faturas dobrem, tripliquem ou até quintupliquem. Algumas empresas já fecharam e não podemos aceitar isso”, declarou à imprensa francesa o padeiro Frédéric Roy, da cidade de Nice, que criou a associação que organiza a passeata.

Padeiro Eddy Mariel, em Paris - Daniela Fernandes/UOL - Daniela Fernandes/UOL
Mariel conta que, com a alta dos preços de matéria-prima e de energia, seus custos subiram 65%Imagem: Daniela Fernandes/UOL

Entretanto, a profissão está dividida. O presidente da Confederação Nacional das Padarias Francesas, Dominique Anract, não participará da manifestação e não acha o protesto necessário. Ele acredita que, por enquanto, o setor tem sido ouvido pelo Estado.

Alguns têm mais meios para enfrentar a alta dos preços. É o caso do renomado padeiro francês Éric Kayser, que possui 300 pontos de venda, incluindo alguns no exterior. Ele utiliza a inteligência artificial para fazer cálculos para otimizar o consumo de energia. “Paramos o forno quando o cozimento termina e acendemos depois. É como um carro que ligamos só quando vamos usar”, diz ao TAB.

“Também temos mais cuidado com a utilização da farinha para evitar desperdícios e calculamos melhor a produção para evitar sobras de pães”, acrescenta. Por enquanto, seus contratos de energia também foram firmados antes da explosão das tarifas. “Veremos o que vai ocorrer quando formos renegociá-los.”

Os preços de seus produtos subiram pouco mais de 10%. A baguete “tradição” passou de 1,15 para 1,30 euro, e o croissant, de 1,20 para 1,35 euro. Ele também espera que o setor receba ajudas. “O governo não pode deixar as padarias falirem.”

Na França, a profissão de padeiro é considerada simbólica. Em muitos vilarejos, uma padaria que fecha representa uma perda considerável para os habitantes. Para muitos, é como um serviço público, como uma agência dos correios ou uma estação de trem, que deixa de existir na localidade. Na atual crise das padarias, se não tiver pão, que dirá brioche.

Informações TAB UOL


Alta de preços em metrópoles faz moradores, principalmente os mais jovens, buscarem espaços pequenos em áreas centrais, no lugar de imóveis grandes que demandam mais tempo de locomoção até o centro.

Menores apartamentos — Foto: Montagem/Reprodução/Redes sociais

Menores apartamentos — Foto: Montagem/Reprodução/Redes sociais 

O alto gasto com moradia em grandes cidades fez surgir um boom de apartamentos muito pequenos em várias partes do mundo, atraindo, principalmente, quem abre mão de espaço para poder viver em regiões centrais. 

Tem empreendimento de 10 m² por R$ 200 mil no Centro de São Paulo; imóvel de 3 m² com aluguel equivalente a quase R$ 2 mil na Coreia do Sul; e a casa mais estreita de Londres, vendida por US$ 1,3 milhão

Um levantamento de 2022 do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) apontou um crescimento na oferta de apartamentos de até 30 m² na capital paulista, maior metrópole brasileira. 

Em 2016, nos cinco primeiros meses do ano, foram lançados 30 imóveis desta categoria na cidade. No mesmo período de 2022, o número saltou para 5.066. 

Veja abaixo como é viver em alguns desses espaços pelo mundo. 

Vídeo mostra imóvel anunciado como "menor apartamento da América Latina"

Vídeo mostra imóvel anunciado como “menor apartamento da América Latina” 

Na Santa Cecília, bairro central da cidade de São Paulo, um imóvel de 10 m² foi anunciado em 2022 como o “menor apartamento da América Latina”. 

No espaço, apenas um box divide o banheiro do resto do espaço – a cozinha junto de um dormitório. No vídeo, publicado por um corretor na internet, a informação era de que o valor da venda era de R$ 200 mil. 

O vídeo gerou indignação nas redes sociais. “Por que a música é feliz, se o vídeo é triste?”, postou um internauta. Mas houve quem defendesse: “Lado bom, a faxina mais rápida do mundo acontecerá”, escreveu outro. Dentre as vantagens, também foi listada a proximidade com o metrô e outros serviços. 

A incorporadora Vitacon informou à época que lançou o prédio, que também possui apartamentos de até 77m², em 2017, com o valor da unidade de 10 m² a R$ 99 mil. 

Segundo a construtora, todas as unidades foram vendidas no fim de semana de lançamento. O edifício tem áreas compartilhadas entre os moradores, como uma cozinha comunitária com o nome de “cokitchen”, coworking, lavanderia, academia e cinebar. 

Brasileira mostra apartamento de 3m² na Coreia do Sul

Brasileira mostra apartamento de 3m² na Coreia do Sul 

Na Coreia do Sul, os microapartamentos conhecidos como goshiwon têm apenas 5 m², e às vezes, 3 m². São moradias que saem mais em conta do que os apartamentos convencionais e foram pensadas para estudantes e idosos que moram sozinhos. 

Geralmente, há espaço apenas para a cama, um vaso sanitário, pequeno armário de roupa e mesa. Há opções com e sem janela, com banheiro privado ou compartilhado. 

As cozinhas e lavanderias geralmente são coletivas, e há andares só de homens e só de mulheres. É comum os proprietários deixarem de “mimo” nas cozinhas coletivas macarrão instantâneo e arroz. 

Mesmo em apartamentos com janela, muitas vezes a vista é para o corredor do prédio. A regulagem da temperatura, pelo aquecedor ou pelo ar-condicionado, geralmente não é feita pelo inquilino, mas pelo dono do imóvel, o que dificulta para quem mora controlar a circulação de ar. 

Os aluguéis ficam na faixa de R$ 1.900, segundo relatos à BBC de brasileiras que moram no país. 

Casa mais estreita de Londres

Reprodução de página da agência imobiliária que anuncia a casa mais fina de Londres — Foto: Reprodução 

Em Londres, chamou a atenção em 2021 o anúncio da venda de uma casa que não é exatamente minúscula, pois tem cinco andares, mas é peculiar por ser considerada a mais estreita da capital inglesa: tem 1,7 m de largura. 

O imóvel, que funcionou como depósito de chapéus, fica entre um consultório médico e um salão e beleza, e foi anunciado por US$ 1,3 milhão (R$ 6,6 milhões na atual conversão). 

A construção data do período entre o final do século XIX e o início do século XX. O alto preço se deve muito a seu valor histórico, mas também à localidade, no bairro de Shepherd’s Bush, próximo ao Holland Park e a Notting Hill. 

O valor de venda é exagerado até em relação ao custo médio de uma casa no Reino Unido, que é de 256 mil libras (R$ 1,6 milhão na atual conversão). 

Embora a cozinha da casa, localizada no mezanino, seja o local mais estreito, ela abre para uma sala de jantar com o dobro do tamanho. Atrás, duas portas que funcionam ao mesmo tempo como janelas abrem para um jardim de 2,5 metros de largura. 

Na capital japonesa, os apartamentos minúsculos também são uma opção para jovens profissionais que preferem boa localização em vez de gastar tempo no transporte público morando nos subúrbios de Tóquio. 

O morador de um desses imóveis, de 9 m², contou em entrevista à BBC que a área é tão pequena que ele costuma fazer as refeições em pé. 

Segundo a empresa Spilytus, responsável por apartamentos desse tipo em Tóquio, pessoas na faixa dos 20 e 30 anos representam 80% dos inquilinos.

Informações G1


iStock
Imagem: iStock

Mais um, três, 10, 20 até 100. Para os acumuladores de animais de estimação, o número não importa, sempre cabe mais um pet dentro de casa. A presença de um animal é sinônimo de afeto, fascínio e companhia, porém, como tudo em exagero, pode ser sinal de que a saúde mental está pedindo socorro.

Conviver com quantidade excessiva de animais se caracteriza como um transtorno de acumulação e pode ser denominado de síndrome de Noé. Ela é uma variante da síndrome de Diógenes, que tem como sintomas negligência extrema no autocuidado, desorganização importante do ambiente doméstico e comportamento de coletar coisas sem valor.

Síndrome demanda número mínimo de bichos?

Não há um número específico de animais que uma pessoa possa ter. A acumulação é definida de acordo com o comportamento de um indivíduo, quando a vontade de cuidar ou obter animais deixa de ser vista como uma responsabilidade e vira uma obsessão.

Mas, geralmente, a situação acontece quando há quantidade de animais de estimação que ultrapassam a capacidade de o cuidador de alimentar, prestar atendimento veterinário ou oferecer o mínimo de condições de higiene para que os bichinhos vivam em harmonia com o ambiente.

Não conseguir dar o cuidado que esses pets precisam também pode trazer sentimentos como sofrimento e angústia, além de um sentimento de não ser capaz de sair desta situação.

“No acúmulo existe a dificuldade persistente de se desfazer de algo. Por vezes, pode estar também atrelado a quadros depressivos, além de condições como acumulação compulsiva, apego exagerado, dificuldade em doar e necessidades que vão da dependência à falta de organização, limpeza até o cuidado com o animal”, explica o psicólogo Davi Rodriguez Ruivo Fernandes, conselheiro do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

Gatos - iStock - iStock
Animais também sofrem com tutores acumuladores, pois geralmente não têm cuidados adequadosImagem: iStock

Motivos por trás da acumulação de animais

Os estudos apontam que gatos e cachorros são os animais que estão mais presentes na vida das pessoas que sofrem com a síndrome de Noé.

Solidão, isolamento, ausência de laços afetivos e sociais podem explicar o motivo por trás do acúmulo de pets, embora outros aspectos de saúde mental e de experiência de vida possam influenciar.

Diferentes pesquisas apresentaram o perfil dos acumuladores como sendo predominantemente do sexo feminino, já na terceira idade, socialmente isoladas, que acumulam em média mais de 30 animais.

Um estudo publicado no periódico Review of General Psychology justificou que o perfil dos acumuladores pode ser associado a perdas que acompanham o envelhecimento, como a mudança e distanciamento dos filhos, a morte de cônjuges e amigos, o desaparecimento de um grupo de referência ou uma queda dramática do status na sociedade.

A solidão no idoso, como em qualquer outro fator estressante para essa idade, pode ser um gatilho de transtorno cumulativo, mas caso tenha tendência a isso. Essa tendência pode acontecer precocemente na vida, com pico por volta dos 30 anos e, naturalmente, com a solidão. Sem alguém para servir de freio, é possível que esse transtorno se agrave ou saia do controle nessa faixa etária, virando, assim, uma compulsão. Sérgio Rocha, médico psiquiatra, mestre em neurociência pelo IAEU (Instituto de Altos Estudios Universitarios) de Barcelona, Espanha.none

Recentemente, um estudo publicado na Innovation in Clinical Neuroscience revisou cerca de 23 trabalhos publicados em português, espanhol e inglês sobre a síndrome de Noé. Apesar de a doença ser pouco abordada pela ciência, os pesquisadores encontraram três possíveis subtipos de comportamentos que são gatilhos para que o zelo chegue a um transtorno de compulsão:

  • Cuidador sobrecarregado: tem forte apego aos animais, mas minimiza os problemas de cuidado com os bichos, e mesmo tendo consciência, não consegue remediar a situação;
  • Acumulador de resgate: tem um zelo missionário, busca salvar todos os animais, acredita que apenas ele pode cuidar dos bichinhos, o que se torna uma obsessão;
  • Acumulador explorador: pode apresentar uma aparência de proteção e ser responsável pela função, mas é indiferente aos danos causados aos animais.
Gatos; pets; bichos - iStock - iStock
Acumuladores geralmente são do sexo feminino, já na terceira idade, socialmente isoladas, que acumulam em média mais de 30 animaisImagem: iStock

Risco de transmissão de doenças

Em todas as situações e subtipos de acumuladores, o isolamento social e os riscos à saúde são iminentes. Além dos transtornos da saúde mental, a saúde física do tutor e da sua comunidade ficam vulneráveis a zoonoses, doenças transmitidas por animais, além dos animais ficarem mais agressivos devido aos maus tratos e poderem atacar o próprio dono ou terceiros.

Amaury Pachione, médico infectologista com atuação em vigilância epidemiológica, aponta que há diferentes tipos de bactérias, vírus e fungos que podem ser transmitidas por meio de contato direto, com secreções, fezes, feridas, assim como o contato indireto com objetos e o próprio ambiente. Outro agravante é a presença de animais intermediários para a transmissão como carrapatos e mosquitos. As doenças mais comuns podem ser a raiva, febre maculosa e a doença da arranhadura do gato.

Além da higiene do local, tutor e de cada animal, é essencial estar em dia com a vacinação de todos os animais. Principalmente a raiva, que é a mais letal da zoonoses. Além de ficar atento ao diagnóstico precoce. Caso o animal fique doente e surgirem sintomas como febre, vale buscar assistência. Amaury Pachione, médico infectologista.none

Como ajudar uma pessoa acumuladora de animais

Amigos, familiares e vizinhos devem se atentar à situação de acumuladores de animais, considerando a segurança da saúde pública da região, além de garantir que os pets não estão sofrendo maus tratos.

Nesta situação, é importante avaliar junto com as autoridades policiais locais se, de fato, o tutor é um acumulador compulsivo e não apenas alguém que esteja realizando perversamente o cuidado mal feito, com terceiras intenções, como o desejo de venda.

De acordo com os especialistas, mesmo quando o caso se configura como um transtorno de saúde mental, é Importante a avaliação com um profissional de saúde, seja uma psicólogo, psiquiatra, assistência social e, se for o caso, até da vigilância sanitária.

O representante do Conselho Regional de Psicologia aconselha que a empatia ainda deve ser prioridade do diálogo no momento de abordar uma pessoa com síndrome de Noé. “Para ajudar é necessário muito carinho e paciência. Não entrar no confronto. Construir um diálogo e, aos poucos, a partir do vínculo e confiança, ir em busca de ajuda. Lembrando que para a pessoa acumuladora, a situação também pode ser geradora de sofrimento mental.”

Informações UOL


Cara Delevingne admite que já sofreu com dependência de pornografia - Getty Images
Cara Delevingne admite que já sofreu com dependência de pornografia Imagem: Getty Images

A atriz e modelo Cara Delevingne, 30, admitiu que já sofreu com a dependência de pornografia, problema caracterizado por uma busca obsessiva pelo prazer sexual através da visualização de material pornográfico e/ou masturbação. Ao documentário “Planet Sex”, que vai ao ar em seis partes no canal britânico BBC a partir de hoje, ela contou que não conseguia ter orgasmos sem assistir conteúdos pornográficos.

“Eu era viciada em pornografia? Eu não assistia todos os dias, porque não precisava ter um orgasmo todos os dias. Só que eu precisava assistir para ter um (orgasmo), então, acho que à sua maneira, é um vício”, disse Delevingne. A atriz afirmou que a dependência a fez ter “menos respeito” e “uma relação sexual muito pior consigo mesma”.

Em entrevista ao VivaBem, a psiquiatra Sônia Palma, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explicou que alguns questionamentos sobre a dependência de pornografia podem dar uma noção do quanto uma pessoa pode estar comprometida com o comportamento e ajudar a triar o diagnóstico da condição.

Em resumo, as questões, baseadas em critérios do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais) e da OMS (Organização Mundial de Saúde), abordam:

  • Escalada: se houve aumento do uso de pornografia para conseguir a mesma satisfação, ou se a pessoa escalou para gêneros diferentes de pornografia ao longo do tempo;
  • Sintomas de abstinência: quando a pessoa interrompe o uso da pornografia e passa a experimentar sintomas físicos ou emocionais de abstinência, como irritabilidade, ansiedade, agitação, dores de cabeça, suor ou náuseas;
  • Dificuldade de controlar o uso: às vezes faz uso de mais pornografia ou por mais tempo do que gostaria;
  • Consequências negativas: continua a usar pornografia, apesar de ter percebido consequências negativas no humor, autoestima, saúde, trabalho ou família;
  • Perda de tempo e de energia: perda significativa de tempo procurando, usando, escondendo ou se recuperando do uso de pornografia;
  • Desejo de parar: se já pensou em reduzir ou controlar o uso de pornografia, e quais tentativas frustradas foram adotadas para parar ou controlar seu uso.

Por que consumir pornografia em excesso faz mal?

Assim como uma droga, a pornografia satisfaz um desejo imediato por meio da masturbação/orgasmo, mas o excesso pode trazer danos à saúde.

Além de afetar o desempenho nas relações sexuais, é comum que o tempo perdido com conteúdo erótico cause um distanciamento do indivíduo em relação à própria realidade e seus compromissos diários, gerando isolamento sociale agravando quadros depressivos, por exemplo.

Após notar os danos que a maneira como estava consumindo pornografia causaram em sua vida, Cara Delevingne percebeu que o conteúdo pornográfico “dá aos jovens uma visão distorcida de como o sexo e a intimidade deveriam ser”. Ela abandonou a pornografia ao perceber que o conteúdo fazia com que ela se sentisse “insensível”.

Tratamento inclui ajuda psicológica

Consumo excessivo de pornografia causa danos à saúde - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Consumo excessivo de pornografia causa danos à saúdeImagem: Getty Images/iStockphoto

Para tentar controlar o comportamento obsessivo, a dica é limitar o número de masturbações diárias ou semanais. “Esses limites, reestruturações e dissociações são importantes para que você tente diminuir um pouco essa frequência”, diz o psiquiatra e colunista de VivaBem Jairo Bouer.

Em casos mais sérios, o tratamento funciona basicamente como em qualquer outro tipo de dependência: o ideal é que o dependente busqueterapia com psicólogo e acompanhamento com psiquiatra, ambos especializados em sexologia.

O uso de medicamentos é indicado se o paciente apresentar comorbidades como ansiedade, depressão e outros transtornos. A duração do tratamento varia de acordo com o quadro clínico apresentado.

Centros de Apoio

Alguns locais podem ajudar no tratamento. Veja a seguir:

Inpa

O Inpa (Instituto de Psicologia Aplicada), localizado em Brasília, oferece atendimento presencial e online para os que desejam abandonar o vício em pornografia virtual.

Safe Surfing

Possui objetivos variados, incluindo dependentes em pornografia. Todos os artigos e informações estão disponíveis em português.

D.A.S.A (Dependentes de Amor e Sexo Anônimos – São Paulo)

Irmandade de ajuda mútua, para pessoas compulsivas de sexo, assim como apego sentimental desesperado. Dependentes de pornografia também podem buscar apoio no DASA, que conta com reuniões online via plataforma Zoom.

Instituto Delete – RJ

Núcleo especializado em Detox Digital e institucionalizado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Conta com profissionais de saúde e outras especialidades.

Informações UOL