A Monexa Gateway de Pagamentos foi registrada 19 dias antes dos desvios milionários
A Monexa recebeu cinco repasses durante a invasão: quatro de R$ 10 milhões e outro de R$ 5 milhões | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
A empresa Monexa Gateway de Pagamentos, aberta 19 dias antes do ataque cibernético que desviou cifras milionárias da intermediadora C&M Software, recebeu R$ 45 milhões em transferências Pix.
Segundo o portal UOL, a Monexa recebeu cinco repasses durante a invasão: quatro de R$ 10 milhões e outro de R$ 5 milhões, todos por meio do Nuoro Pay — que foi suspenso do sistema Pix depois da descoberta das fraudes.
A Monexa foi registrada em 11 de junho, enquanto os desvios ocorreram na madrugada de 30 de junho. A empresa está formalmente em nome de Lavinia Lorraine Ferreira dos Santos, apontada como única sócia administradora.
Além da Monexa, outras quatro companhias foram abertas por Lavinia na mesma data: Nuvora Gateway de Pagamentos, Pay Gateway de Pagame, Altrix Gateway de Pagame e Veltro Gateway de Pagamentos, todas com sede em São José dos Pinhais, no Paraná.
Milhões de reais via Pix
Os desvios ocorreram entre 4h30 e 7h da manhã do dia 30, conforme relatado pela polícia, quando transferências em série via Pix foram realizadas antes de o golpe ser notado por funcionários do Banco BMP.
Na última sexta-feira, 4, a polícia prendeu João Nazareno Roque, funcionário da C&M Software havia três anos. Ele é acusado de ter atuado como facilitador, porque supostamente permitiu a invasão do sistema em troca de R$ 15 mil, segundo as investigações. O esquema viabilizou a retirada de valores milionários das contas reservas de instituições financeiras.
A C&M Software declarou ter adotado “todas as medidas técnicas e legais” para conter o ataque e que seus sistemas permanecem sob “monitoramento e controle rigorosos”. Em nota, a C&M informou que segue colaborando com as autoridades.
“Até o momento, as evidências apontam que o incidente decorreu do uso de técnicas de engenharia social para o compartilhamento indevido de credenciais de acesso, e não de falhas nos sistemas ou na tecnologia da CMSW”, acrescentou a companhia.
O caso está sendo investigado em conjunto pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 270 milhões de uma conta ligada ao repasse dos recursos desviados. As suspeitas incluem crimes como furto qualificado, invasão de dispositivo informático, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
O que se sabe sobre o ataque cibernético
A Polícia Civil de São Paulo e o Banco Central investigam o caso, enquanto o funcionamento do Pix segue com restrições para instituições que dependem da C&M.
O ataque hacker comprometeu operações do Pix e reservas bancárias no Brasil. O prejuízo pode chegar a R$ 1 bilhão, segundo o Banco Central.
A invasão ocorreu na quarta-feira 2 e teve como alvo a infraestrutura da C&M Software, responsável por conectar instituições ao Sistema de Pagamentos Brasileiro.
O Banco Central determinou a suspensão emergencial do acesso das instituições à infraestrutura operada pela C&M, afetando liquidações e pagamentos interbancários.
A C&M afirmou ter sido vítima direta do ataque e acionou protocolos de segurança, informando que seus sistemas críticos continuam operacionais.
Entre os bancos afetados está a BMP, que teve recursos da conta reserva acessados indevidamente, mas garantiu ter colaterais para cobrir o valor e que nenhum cliente foi prejudicado.
A ofensiva dos criminosos do Pix atingiu a C&M Software, que conecta instituições ao Sistema de Pagamentos Brasileiro | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Texto segue para avaliação da Comissão de Constituição e Justiça
De acordo com a proposta apresentada no Senado, o uso de força letal será considerado legítimo para reagir a invasões, seja em domicílios próprios ou de terceiros | Foto: Freepic-diller/Freepik
A Comissão de Segurança Pública do Senado deu sinal verde, na última terça-feira, 1º, para um projeto de lei que libera uso de armas e de armadilhas contra invasores de terra.
O texto aprovado segue agora para avaliação da Comissão de Constituição e Justiça — etapa obrigatória antes de eventual votação no plenário do Senado. De acordo com a proposta, o uso de força letal será considerado legítimo para reagir a invasões, seja em domicílios próprios ou de terceiros.
Senado aprova instalação de armadilhas
A iniciativa também autoriza a instalação de armadilhas, artefatos similares e o uso de cães de guarda para proteger propriedades. O proprietário, segundo o projeto, não responderá civil ou criminalmente por possíveis ferimentos ou mortes de invasores nesses casos.
O projeto foi apresentado pelo senador Wilder Morais (PL-GO) e teve o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) como relator. No parecer, argumenta-se que a medida visa a proteger não só o patrimônio, mas principalmente a vida dos moradores ou ocupantes do local invadido. A lógica também se aplica a veículos.
“A proposta dá mais segurança jurídica para quem usa arma de fogo para se defender”, afirmou Flávio Bolsonaro durante o debate.
Se aprovado no Congresso, o projeto vai acrescentar dois novos incisos ao Código Penal. Atualmente, a lei reconhece legítima defesa para quem reage moderadamente a uma agressão injusta, atual ou iminente.
Concurso prevê a oferta de 3.652 vagas em 32 órgãos públicos federais, com aplicação das provas em 228 cidades brasileiras
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com pedido na Justiça Federal do Distrito Federal para suspender imediatamente o Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2025, conhecido como “Enem dos Concursos”. A solicitação, divulgada nesta quarta-feira (3), aponta falhas persistentes no edital relacionadas às cotas raciais e cobra da União medidas que garantam segurança jurídica e respeito aos direitos dos candidatos beneficiários das ações afirmativas.
Com edital publicado no domingo (30), o CNU prevê a oferta de 3.652 vagas em 32 órgãos públicos federais, com aplicação das provas em 228 cidades brasileiras, incluindo 18 municípios baianos como Salvador, Feira de Santana, Ilhéus e Vitória da Conquista.
Para o MPF, embora o novo edital mencione a ampliação do percentual de cotas conforme a nova Lei nº 15.142/2025, ele repete problemas identificados na edição anterior. Entre eles, a ausência de critérios objetivos para o sorteio de vagas quando o número ofertado é inferior ao exigido legalmente, o que, segundo o órgão, compromete a segurança jurídica dos candidatos cotistas.
O Ministério Público também critica a omissão de regras claras sobre a formação de cadastro de reserva proporcional por modalidade de cota, o que dificultaria o controle das convocações. Outro ponto questionado é a definição de que as decisões das comissões de heteroidentificação são finais, sem direito a recurso, o que, para o MPF, fere princípios constitucionais como o da ampla defesa.
O pedido solicita que o concurso só tenha continuidade após a comprovação, por parte da União, de que todas as falhas foram corrigidas. Enquanto isso, as inscrições seguem abertas até o dia 20 de julho no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), organizadora do certame. Das vagas ofertadas, 3.144 são para nível superior e 508 para nível médio.
País vizinho questiona posse brasileira da região de Rincão de Artigas, no Rio Grande do Sul; área abriga parque eólico com investimento bilionário
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Itamaraty pretende resolver por meio de vias diplomáticas a disputa territorial com o Uruguai pela região conhecida como Rincão de Artigas, localizada em Santana do Livramento, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Em nota recente enviada ao governo brasileiro, o Ministério de Relações Exteriores do Uruguai solicitou a reabertura das discussões sobre a área, reacendendo uma disputa centenária pelo território.
Segundo informações da CNN, as tratativas iniciais ocorrerão por meio de conversas entre representantes das chancelarias dos dois países. O Brasil defende a manutenção da posse da área, sob sua administração há décadas.
Com 237 km², o Rincão de Artigas não possui áreas de preservação ambiental nem produção agrícola significativa. A área foi cedida pelo governo federal à Eletrobras para a construção de um parque eólico, que já recebeu investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões.
O projeto de energia, que futuramente terá capacidade para abastecer cerca de 1,5 milhão de consumidores, reacendeu a disputa sobre a soberania do território.
No comunicado oficial enviado de Montevidéu a Brasília, as autoridades uruguaias voltaram a questionar a legitimidade da posse brasileira e relembraram que o tema chegou a ser discutido em 1988, ano da promulgação da Constituição brasileira. O documento ressalta que ambos os países prezam por “irmandade, equidade e justiça”.
O Uruguai alega que, com a conquista da independência em 1856, um acordo foi firmado para a definição das fronteiras nacionais. No entanto, segundo o país vizinho, um erro na demarcação territorial teria deixado o Rincão de Artigas, de forma equivocada, sob posse do Brasil.
Atualmente, no Google Maps, a área aparece com linhas pontilhadas, recurso utilizado para indicar fronteiras em disputa entre países ou sem reconhecimento formal.
Campanha do plano Pena Justa atende a uma decisão do STF
Prédio do CNJ, em Brasília | Foto: Reprodução/CNJ
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começou, na segunda-feira 30, o I Mutirão Processual Penal do plano Pena Justa, mobilização que reúne Tribunais de Justiça estaduais, Tribunais Regionais Federais e diversos órgãos do sistema judiciário brasileiro, com foco na revisão de processos relacionados ao porte de maconha para consumo pessoal.
A iniciativa, que segue até 30 de julho, tem como um dos principais objetivos cumprir a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 635.659, que determinou a reavaliação das condenações por posse de pequenas quantidades da substância.
A decisão do STF determinou a descriminalização do porte de até 40 gramas ou seis plantas fêmeas da planta Cannabis sativa e retirou o enquadramento penal previsto no artigo 28 da Lei de Drogas.
Para atender a essa diretriz, o mutirão vai revisar processos em que pessoas tenham sido condenadas por posse dessa quantidade, bem como avaliar se casos tipificados como tráfico não deveriam ser requalificados.
Conforme informou o CNJ, “os processos que forem identificados pelos tribunais serão revistos, passando por uma etapa em que tanto o Ministério Público como os advogados ou a Defensoria Pública da pessoa processada poderão se pronunciar sobre o reenquadramento da condenação”.
Além da revisão de processos sobre o porte de maconha, o mutirão contempla outros três eixos: reavaliação de prisões preventivas de gestantes, lactantes e mães de crianças de até 12 anos ou pessoas com deficiência; análise de prisões preventivas que ultrapassam um ano; e saneamento de processos em execução penal com incidentes pendentes ou pena já extinta.
Nos Estados, o trabalho é desenvolvido com base em listas pré-selecionadas de processos obtidas pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) e pelo Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, complementadas por levantamentos manuais feitos pelos tribunais.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por exemplo, identificou 4,6 mil processos relacionados especificamente ao porte de maconha, que serão submetidos a nova análise. Já o Tribunal de Justiça do Amazonas utiliza o SEEU para revisar simultaneamente processos sem a necessidade de deslocamento dos magistrados.
Revisão de processos envolvendo maconha ainda não tem números consolidados
O coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ, Luís Lanfredi, destacou que não há previsão imediata de número consolidado de casos pré-selecionados para revisão.
Ele explicou que “não foi possível criar listas de processos usando os sistemas nacionais existentes”, e que, por isso, as informações coletadas ainda passarão por filtros adicionais antes da consolidação definitiva dos dados.
Os processos incluídos na revisão seguirão diferentes encaminhamentos. A depender da análise individual, poderão ser mantidas as condenações por tráfico, rescindidas as decisões por porte, reenquadradas condenações e, em alguns casos, remetidos aos advogados e ao Ministério Público para manifestação, sem prazo obrigatório de conclusão dentro do período do mutirão.
O plano Pena Justa foi criado para enfrentar o quadro reconhecido pelo STF como “Estado de Coisas Inconstitucional” no sistema prisional brasileiro. Entre seus objetivos, estão a redução da superlotação, a garantia da dignidade das pessoas presas e a padronização de procedimentos.
Programa Pena Justa tem objetivo de empregar e oferecer oportunidades de educação para pessoas no sistema prisional | Foto: Fellipe Sampaio/STF
A expectativa é que mutirões sejam realizados duas vezes por ano até 2027 e, depois disso, se tornem uma política permanente do CNJ. A metodologia adotada para o mutirão prevê, além da revisão processual, medidas de reinserção social das pessoas eventualmente beneficiadas.
De acordo com as orientações técnicas do CNJ, os tribunais devem articular com Escritórios Sociais e órgãos de assistência social para assegurar que as pessoas soltas recebam documentação, transporte e orientações sobre políticas públicas disponíveis.
Conforme descrito no caderno de orientações técnicas, a “saída digna do cárcere” deve ser acompanhada de procedimentos detalhados que facilitem a integração social e o acesso efetivo a direitos básicos pelas pessoas egressas.
Ao término das análises, os tribunais deverão informar ao CNJ a quantidade de processos revisados e o número de pessoas beneficiadas com extinção de pena, progressão de regime ou alteração da condenação. O resultado final será divulgado em relatório nacional previsto para outubro.
Fabricante brasileira fornece jatos comerciais de última geração à companhia escandinava e fortalece defesa aérea paraguaia com aeronaves Super Tucano
O modelo E195-E2, da Embraer | Foto: Embraer/Divulgação
A Embraer confirmou nesta terça-feira, 1º, um amplo acordo com a companhia aérea SAS. O contrato estabelece a venda de até 55 aeronaves. Estão previstas 45 unidades do modelo E195-E2, além de opção para mais dez exemplares.
Durante uma entrevista em Copenhague, o presidente-executivo da SAS, Anko van der Werff, trouxe detalhes sobre a negociação. A fabricante brasileira estimou o valor total do pedido em cerca de US$ 4 bilhões, algo próximo de R$ 21,71 bilhões.
O calendário de entregas começará no final de 2027. Outros lotes chegarão ao longo dos quatro anos seguintes. A Embraer destacou que esse contrato se tornou a maior encomenda direta da SAS desde 1996. Para a companhia aérea, a renovação da frota representa um passo estratégico.
A aeronave da Embraer transporta até 146 passageiros e utiliza um projeto de corredor único
De acordo com Van der Werff, o E195-E2 oferece a configuração e o desempenho necessários para apoiar a expansão das rotas na Escandinávia e em outros mercados internacionais. A aeronave transporta até 146 passageiros e utiliza um projeto de corredor único.
“É a aeronave certa para apoiar nosso crescimento futuro e para desenvolver nossa malha aérea tanto na Escandinávia quanto em outras regiões”, destacou o presidente.
Outro episódio recente envolveu uma disputa comercial que colocou a Embraer diante da Airbus. No início de junho de 2025, a fabricante brasileira perdeu uma concorrência para fornecer jatos à companhia aérea polonesa LOT. A Airbus fechou contrato de 40 unidades do modelo A220. Apesar do resultado negativo, a Embraer anunciou em junho novos negócios com a SkyWest e com os governos da Lituânia e de Portugal.
Já nesta segunda-feira, 30, a Embraer completou a entrega de quatro aviões Super Tucano ao Paraguai. O país adquiriu seis aeronaves, ao custo de US$ 105 milhões, aproximadamente R$ 573 milhões. As Forças Armadas pretendem usar os modelos no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Aeronave da FAB ficou responsável pelo translado de São Paulo para o Rio de Janeiro
Juliana Marins Foto: Reprodução/Redes Sociais
O corpo de Juliana Marins chegou ao Brasil, nesta terça-feira (1º), em um avião da companhia aérea Emirates Airlines. A aeronave pousou no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, por volta das 17h.
A Força Aérea Brasileira (FAB) levou o corpo para a Base Aérea do Galeão (BAGL), no Rio de Janeiro (RJ).
Juliana tinha 26 anos de idade. Ela morreu durante uma trilha em um vulcão na Indonésia.
O corpo deve passar por nova autópsia no Instituto Médico Legal (IML).
A jovem vai ser sepultada em Niterói, sua cidade natal. As informações são do G1.
Federação das Indústrias do Paraná pediu para ser ‘amiga da Corte’ na ação que discute a validade da decisão que cancelou a elevação do imposto
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior do Poder Judiciário do Brasil | Foto: Pedro França/Agência Senado
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF)para participar como amicus curiae (amiga da Corte) em uma ação que discute a validade de um decreto legislativo que cancelou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) feito pelo governo federal.
A solicitação ocorre no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.839, apresentada pelo Psol.
A federação representa mais de 72 mil indústrias paranaenses e quase 1 milhão de trabalhadores ligados ao setor. Segundo a Fiep, o aumento das alíquotas do IOF, que havia sido imposto por três decretos do Executivo em maio e junho de 2025, traria impacto direto nos custos de produção, no crédito e na inflação.
A entidade afirma que a decisão do Congresso de sustar esses decretos, formalizada no Decreto Legislativo nº 176/202, foi legítima e necessária.
Argumentos da Fiep
Na petição enviada ao STF, a Fiep afirma que o aumento do IOF não teve finalidade regulatória, como exige a Constituição, mas teve foco meramente arrecadatório, o que seria irregular.
Para a entidade, os decretos presidenciais “exorbitaram o poder regulamentar” ao criar, por conta própria, novas formas de cobrança do imposto, sem previsão legal.
Além disso, a federação critica a falta de transparência na edição dos decretos e os efeitos práticos nocivos à economia. Entre os impactos citados estão:
Aumento no custo de financiamentos imobiliários e automotivos;
Risco de encarecimento no programa Minha Casa Minha Vida;
Elevação do preço de alimentos por conta do crédito rural mais caro; e
Pressão sobre o preço dos combustíveis e sobre a inflação.
A Fiep também argumenta que a Constituição dá ao Congresso o poder de sustar decretos presidenciais que excedam sua função regulamentar, como teria ocorrido nesse caso. Por isso, defende a ideia de que o decreto legislativo deve ser mantido.
A discussão em torno do aumento do IOF
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e o presidente Lula | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O aumento do IOF, decretado pelo governo Lula em maio, gerou discussão entre os Poderes. O Executivo editou decretos que elevaram alíquotas sobre crédito, câmbio e seguros com o objetivo de reforçar a arrecadação e cumprir a meta fiscal do ano, estimando um ganho de até R$ 20 bilhões.
A medida, no entanto, foi derrubada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 176/2025. Parlamentares ressaltaram que o governo Lula extrapolou sua função ao criar novas formas de incidência do tributo sem aprovação legislativa. A revogação teve apoio expressivo na Câmara e no Senado.
O caso foi judicializado e será analisado pelo STF, que deverá definir até onde vai o poder do Executivo para modificar tributos por decreto e qual o limite de atuação do Congresso nesse tipo de controle.
Após coluna revelar “carona” de Janja e Moraes em voo da FAB, deputado acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar viagem
A “carona” dada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, à primeira-dama Janja e ao ministro do STF Alexandre de Moraes em um voo da FAB foi parar no Ministério Público Federal (MPF).
Após a coluna revelar o fato nesta segunda-feira (30/6), deputados de direita passaram a questionar a legalidade da carona. Um dos questionamentos foi feito pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).
Kataguiri protocolou uma representação no MPF pedindo a investigação de possível uso indevido dos aviões da FAB. O deputado avalia que carona pode configurar ato de improbidade administrativa de Lewandowski.
“A conduta descrita, consistente na utilização de aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) por agente público — no caso, a primeira-dama Janja da Silva — sem vínculo funcional direto ou atribuição institucional formalizada, e por autoridade do Judiciário, fora de agenda oficial previamente divulgada e com potencial ausência de interesse público, pode caracterizar grave desvio de finalidade administrativa, ensejando consequências civis, penais e administrativas”, diz Kataguiri.
Bolsonaristas questionam carona
O voo conjunto de Janja e Moraes também despertou questionamentos de figuras importantes da bancada bolsonarista. Dentre eles, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e Nikolas Ferreira (PL-MG).
Nikolas focou suas críticas em Moraes, relator do chamado “inquérito do golpe”. Segundo o deputado mineiro, o ministro do STF “nem disfarça” o fato de embarcar com a esposa do principal adversário de Jair Bolsonaro.
“Fico imaginando o teor das conversas entre ambos ao longo da viagem. O nível de imoralidade e de parcialidade demonstrado por esse senhor não tem limites”, afirmou Nikolas nas redes sociais.
Já o líder do PL na Câmara preferiu lembrar da vitória ao derrubar o decreto do IOF de Lula e questionar seus leitores ao compartilhar a notícia: “Já pagou seus impostos hoje?”.
Outro lado
Segundo registros da Aeronáutica, a aeronave da FAB decolou de Brasília às 9h15 e pousou no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, às 10h50, com 12 passageiros abordo.
Nem a FAB, nem o Ministério da Justiça informaram o nome dos passageiros. A coluna, porém, recebeu imagens de Janja e Moraes desembarcando do voo ao lado de Lewandowski e seguranças.
A assessoria de imprensa da primeira-dama confirmou que ela viajou no voo. Segundo a assessoria, Janja tinha uma consulta médica e “viajou de carona” em um voo já solicitado por Lewandowski.
“Janja tinha uma consulta na ginecologista e viajou de carona com os ministros, em um avião da FAB que já estava solicitado pelo ministro Lewandowski. Não tendo, então, custos adicionais para a União”, informou a assessoria de Janja.
Procurados, o Ministério da Justiça e a assessoria de imprensa do STF não responderam. O espaço segue aberto para eventuais manifestações de Lewandowski e de Alexandre de Moraes.
Taxa de inscrição será de R$ 70, com pagamento até o dia 21
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmou que as inscrições para a segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) começam no dia 2 de julho e vão até 20 de julho. A taxa de inscrição será de R$ 70, com pagamento até o dia 21. O edital completo será publicado ainda nesta segunda-feira (30).
Ao todo, serão ofertadas 3.642 vagas em 32 órgãos públicos, sendo 2.480 para preenchimento imediato e 1.172 destinadas a cadastro de reserva. As provas objetivas estão marcadas para o dia 5 de outubro, das 13h às 18h, e serão aplicadas em 228 cidades de todo o país, inclusive no Distrito Federal. Já as provas discursivas para os candidatos habilitados serão realizadas em 7 de dezembro.
A primeira lista de classificados será divulgada em 30 de janeiro de 2026, e a banca responsável pela organização do concurso será a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Como funcionam os blocos temáticos
Seguindo o mesmo modelo da primeira edição, os cargos estarão organizados em nove blocos temáticos, com agrupamento por áreas de atuação. Isso permite que o candidato concorra a mais de um cargo dentro do mesmo bloco com uma única inscrição.
Na hora da inscrição, será possível montar uma lista de preferência com base no perfil acadêmico, nas experiências e nas intenções profissionais do candidato.
Veja abaixo os blocos e áreas temáticas:
1. Infraestrutura, Exatas e Engenharias 2. Tecnologia, Dados e Inovação 3. Ambiental, Agrário e Biológicas 4. Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos 5. Trabalho e Previdência 6. Gestão Governamental e Administração Pública 7. Economia, Orçamento e Finanças Públicas 8. Setores Jurídicos e Correcionais 9. Controle e Governança Pública