Nesta terça-feira (30), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu exonerar do cargo o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti. A medida ocorre após uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um suposto esquema de espionagem que teria acontecido dentro do órgão.
Moretti estava no cargo desde março de 2023. O cientista político Marco Cepik irá assumir o posto, considerado o número 2 no comando da Abin.
Na última quinta-feira (25), a PF foi às ruas cumprir 21 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no suposto esquema que teria acontecido dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Um dos alvos foi o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da agência. A PF investiga se a Abin foi usada para monitorar adversários do ex-presidente Bolsonaro (PL).
O jornalista Cristiano Gomes, hoje com 48 anos, relata que foi alvo do religioso, em maio de 1987
O jornalista Cristiano Gomes, durante entrevista a Oeste | Foto: Reprodução/Anderson Scardoelli/StreamYard
Terça-feira, 12 de maio de 1987. A data é marcante para o jornalista Cristiano Gomes. Sua avó paterna havia morrido naquele dia. Uma semana depois, ele foi vítima de assédio sexual. Cristiano tinha 11 anos na época.
Na missa de sétimo dia da avó, ele estava com familiares na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, bairro da zona leste de São Paulo, onde era coroinha. Depois da celebração fúnebre, Cristiano foi à sacristia para chorar. Num primeiro momento, foi acolhido pelo pároco de plantão. Depois, no entanto, percebeu que aquilo não era apenas um mero consolo fraternal.
O religioso passou a pressionar seu corpo contra o de Cristiano, a fazer carícias e a encostar a sua barba no rosto do garoto. Assustado e percebendo a excitação do algoz, conseguiu escapar e saiu da igreja para nunca mais voltar. Jamais esqueceu o que passou, muito menos o autor do assédio: o padre Júlio Renato Lancellotti.
Quase 37 anos depois do ocorrido, Cristiano resolveu tornar público o episódio do qual foi vítima. Em conversa exclusiva com Oeste, ele reforça não ter interesse algum em fama nem muito menos em “se dar bem” a partir da denúncia contra o padre. Antes de qualquer acusação, adianta-se para avisar que não é “bolsonarista” nem que foi motivado por questões político-partidárias.
Cristiano acredita que chegou a hora de falar publicamente sobre o caso — que guardou em segredo até da própria família — em razão dos últimos acontecimentos. Mesmo com medo de pôr sua segurança em risco, Cristiano, hoje com 48 anos, demonstra indignação com a rede de apoio a Lancellotti, que reúne boa parte da imprensa e da esquerda — e agora quer premiar o padre com o Nobel da Paz. A indignação de Cristiano aumentou com a informação, publicada em primeira mão por Oeste, de que uma nova perícia atestou a veracidade do vídeo em que Lancellotti aparece se masturbando para um menor de idade.
“Terminada a missa de sétimo dia, fui à sacristia e entrei num choro incessante, finalmente havia caído a ficha de que eu nunca mais iria ver a minha avó”, lembra Cristiano. “Nesse momento, o padre entrou e me abraçou, um abraço que parecia ser afetuoso. Eu tinha muita admiração por ele e recebi aquele abraço como se fosse de um pai. Ele me abraçava e falava ‘te gosto muito, não fique assim’. Só que isso evoluiu. A barba dele, por fazer, começou a ‘roçar’ no meu rosto, ele apertou mais o corpo contra o meu e começou a fazer movimentos — ou seja, esfregar-se em mim. Naquele momento, senti que ele estava excitado. Toda aquela admiração que eu tinha por ele virou medo. Eu me desvencilhei dos braços dele, saí correndo e nunca mais voltei à igreja.”
“As pessoas conhecem o personagem padre Júlio”, diz Cristiano. “Mas eu, da pior maneira possível, conheci o homem Júlio Renato Lancellotti.”
Sobre o tempo em silêncio, Cristiano afirma que só teve coragem de falar sobre o caso de assédio sexual depois que o seu pai morreu, em 2012. Havia um misto de vergonha e medo. “Não é fácil, ninguém sente orgulho em falar que foi assediado”, conta. “Eu era uma criança. Seria a minha palavra contra a dele, que certamente falaria que eu estava abalado com a morte da minha avó e que não tinha sido nada daquilo.”
Fora isso, Cristiano admite que, pelo tempo em silêncio e pelo misto de vergonha e medo, não levou o caso adiante. Não há registro de boletim de ocorrência, denúncia formal ao Ministério Público nem comunicado do ocorrido a algum órgão da Igreja Católica. Condições essas que ele está disposto a mudar. “Estou à disposição das autoridades e da Igreja”, enfatiza. “Quero levar adiante essa denúncia, pois acredito que chegou a hora de as pessoas saberem quem é não o padre que aparece na imprensa, mas o ser humano Júlio Renato Lancellotti, que, repito, tive o desprazer de conhecer da pior forma possível.”
Reencontros com Júlio Lancellotti
O vídeo em que Júlio Lancellotti aparece foi gravado em 2019 | Foto: Julia Prado/Ministério da Saúde
Mesmo sem nunca mais voltar à igreja que tem Lancellotti como pároco, Cristiano informa que se reencontrou com o padre em duas oportunidades. A primeira vez que voltou a ficar cara a cara com o religioso ocorreu quando ainda era menor de idade, em frente ao 8º Distrito Policial de São Paulo, a metros da Paróquia São Miguel Arcanjo. Houve um diálogo de poucas palavras, mas Cristiano fez questão de deixar claro que se lembrava do assédio.
“Sempre tive medo dele, mas queria que ele soubesse que eu me lembrava do que havia acontecido”, diz. “Ele perguntou como eu estava, e eu disse que estava trabalhando na Polícia Civil, que agora eu era investigador.” A mentira, de acordo com Cristiano, foi a forma que encontrou para tentar amedrontar o padre. “Quis intimidá-lo, mostrar que eu não tinha me esquecido do que ele fez comigo.”
O último encontro aconteceu em 2015. Lancellotti foi o responsável por celebrar o casamento do irmão mais novo do jornalista. A celebração ocorreu na capela que fica nas dependências do campus da Mooca da Universidade São Judas Tadeu. Na ocasião, Cristiano teve certeza de que o padre se lembrava do assédio sexual.
“Lancellotti fez questão de dizer que o meu irmão tinha sido batizado por ele, e de fato o foi, na paróquia dele”, conta. “Mas ele não falou que eu tinha sido coroinha dele. Ali, tive a certeza de que ele se lembrava do que havia feito comigo.”
Depois disso, os caminhos de Cristiano e Lancellotti nunca mais se cruzaram. No decorrer do tempo, contudo, o jornalista recebeu indícios de que não foi sua única vítima. Semanas depois de ter sido assediado, um colega de escola perguntou por qual razão ele tinha deixado de comparecer às missas. Mesmo sem ter a confirmação, esse amigo de colégio disse que já sabia o motivo da repentina mudança na rotina de Cristiano: Lancellotti havia mexido com ele.
Na mesma época, segundo Cristiano, uma mulher chamada Vitória, que colaborava com o padre, também deu indícios de que sabia o que de fato tinha acontecido. “A gente morava na mesma rua e ela falou que o padre gostava muito de mim e que não tinha acontecido nada, de que tudo foi ‘apenas demonstração de carinho’.” Vitória já morreu, avisa Cristiano.
Caso ficasse frente a frente com o padre hoje, Cristiano revela qual seria sua reação. “A única coisa que tenho a dizer, olhando para os olhos dele, é que, por mais que negue, ele, eu e Deus sabemos que é verdade”, diz. “Aproveitaria para perguntar para onde ele acha que vai quando morrer, se é que ele acredita na Palavra que prega.”
Silêncio já havia sido rompido
Com acesso exclusivo ao documento, Oeste publicou uma série de reportagens sobre o padre Júlio Lancellotti | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Cristiano Gomes lembra que essa não é a primeira vez que torna público o assédio sexual. Ele descreveu o episódio no seu perfil no Facebook em duas ocasiões.
A primeira foi em fevereiro de 2018, quando Cristiano recordou a denúncia feita dez anos antes por Anderson Batista, um ex-interno da Fundação Casa, que admitiu ter chantageado o padre para não revelar a história de que, supostamente, chegou a manter relações sexuais com o religioso. Ninguém se interessou em ouvir Cristiano.
A segunda ocorreu em junho de 2022. Sem meias palavras, Cristiano detalhou o que ocorreu com ele na sacristia da Paróquia São Miguel Arcanjo em 12 de maio de 1987 (confira a íntegra do relato abaixo). Ele lembra que, antes mesmo de ser divulgada a nova perícia que atesta a veracidade do vídeo em que aparece se masturbando para um menor de idade, o padre, que teve o perfil marcado no Facebook, bloqueou o jornalista na rede social.
Mesmo depois da publicação, o caso não ganhou espaço na mídia. O silêncio também prosseguiu entre a alta cúpula da Igreja Católica em São Paulo. “As pessoas conhecem o padre Júlio”, desabafa. “Parabéns, o padre Júlio é sensacional. Vamos agora conhecer o homem Júlio Renato Lancellotti, que não deve ser enaltecido. Esse abusa de criança.”
Oeste tentou contato com o padre Lancellotti e com a Paróquia São Miguel Arcanjo. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Leia, abaixo, o relato publicado por Cristiano Gomes em 30 de junho de 2022
Na tarde deste sábado, 20, Jacqueline Tirotti disponibilizou ao público a perícia dos vídeos que mostram o padre Júlio Lancellotti se masturbando para um menor de idade | Foto: José Cruz/Agência Brasil
“Em maio de 1987, depois de lutar contra um câncer, minha avó paterna — que, praticamente, era minha mãe, pois cuidava dos netos para sua nora e seu filho trabalharem — morreu.
Naquela época, eu era coroinha da Paróquia de São Miguel Arcanjo, igreja na qual fui batizado e fiz a primeira comunhão. A missa de sétimo dia da minha avó foi realizada lá.
Aos 11 anos de idade, pela primeira vez, senti a dor da perda de alguém que tanto se ama. Minha avó era doce, era linda, era meu porto seguro, àquela época. A ‘ficha caiu’ ao término da cerimônia.
Fui em direção à sacristia e, já no interior do cômodo, comecei a chorar muito: ‘Como assim? Por que nunca mais verei minha avó?’. Era criança, não tinha a capacidade de compreender a morte.
Minutos depois, adentrou ao recinto o pároco JÚLIO LANCELLOTTI que, naqueles anos, não era conhecido como é hoje. Ele abraçou-me e, num primeiro instante, senti-me acolhido, parecia ser um abraço fraterno e eu o admirava pela forma com a qual pregava a Palavra e, também, pelas críticas veladas às mazelas dos governantes e sua luta pela extinta Casa Vida, que acolhia crianças soropositivas.
Mas a demonstração de ato carinhoso partiu para carícias enquanto ele forçava seu corpo ao meu, roçando a barba por fazer em meu rosto e encostando seu pênis, ereto, dentro de sua calça, em mim.
Assustado, consegui desvencilhar-me e nunca mais coloquei os pés na igreja. Meus pais perguntavam-me o porquê, já que eu gostava de prestar serviço àquela paróquia, e eu respondia, simplesmente, que não queria mais. Se eu contasse, em casa, o que havia acontecido, meu pai, certamente, espancaria o padre e, como não houve relação sexual consumada, como poderia provar? O próprio Lancellotti poderia dizer tratar-se de confusão emocional e ninguém acreditaria na versão de uma criança. Ou acreditaria?
Desde então, não havia dito a ninguém o que me ocorreu. Só em 2012, 25 anos depois, com a morte do meu pai, é que trouxe isso à tona à minha família.
Silenciei por vergonha e medo. Naqueles anos parecia ser ‘normal’ assediar menores. Não parecia tão errado passar a mão em suas partes íntimas; adultos apresentarem revistas eróticas a crianças; chamar de macaco o amiguinho negro; de aleijado o deficiente físico; de retardado o deficiente mental… parecia que tudo era permitido.
Os tempos mudaram, ganhamos CONSCIÊNCIA, mas; hoje… quem acreditará nessa história, tendo em vista a popularidade do sacerdote, mesmo com outras denúncias contra ele no passado? Talvez os da Mooca mas, em geral, É SÓ MAIS UM CASO DE ASSÉDIO EM UM TERRENO ONDE É PRATICADO MILENARMENTE!
Infelizmente, há mais de séculos institucionalizam os muitos absurdos neste país, que vão além do machismo e de suas vertentes.
E, sobre esse meu relato, ainda não houve, em meu Facebook, uma única manifestação de algum colega. Sou jornalista.
Portanto, CASOS DE ASSÉDIO, NO BRASIL, SÃO CONSIDERADOS GRAVES A DEPENDER DAS IDENTIDADES DOS MALFEITORES. Se for conveniente, serão denunciados. Se não, ignorados.”
Com cargo em gerência na ANTT, servidor pediu vários empréstimos para investir em gado e acabou dando calote milionário em várias vitimas
Um servidor com cargo de gerência na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é acusado de golpes milionários em Brasília. O homem acumula dívidas e processos judiciais em que vítimas narraram a mesma situação. Elas emprestaram dinheiro ao servidor público, que pedia grandes quantias sob a desculpa de que investiria em gados, mas, na data do pagamento, não honrava os compromissos. A reportagem teve acesso a nove ações contra ele, que mostram, ao todo, um valor devido de R$ 1,6 milhão.
Edinailton Silva Rodrigues é gerente de Modelagem Econômico-Financeira substituto na ANTT. Segundo as vítimas, ele dizia ter uma fazenda no Maranhão e pedia dinheiro para comprar gados, engordar os bovinos e pagar os empréstimos com o valor da venda do gado gordo. Somente com dois moradores da Asa Norte, ele conseguiu arrecadar R$ 557 mil.
Graduado em direito e economia pela Universidade de Brasília (UnB), Edinailton fez empréstimos com amigos, conhecidos da época da faculdade e colegas de trabalho. Para dar segurança às vítimas, ele chegava a assinar documentos de confissão de dívidas.
“O devedor reconhece e confessa que deve R$ 464.777,00 ao credor relativo às parcelas vencidas e inadimplidas, assim como as vincendas”, diz documento que ele assinou em março de 2023, autenticado no 4º Ofício de Notas, da Asa Norte.
A quinta cláusula do contrato prevê, ainda, multa e juros em caso de não pagamento. O valor teria que ser pago em 17 de março de 2023, mas, como consta na petição da defesa da vítima, “a dívida restou integralmente inadimplida”. Ou seja, nada foi recebido. O advogado atualizou o montante com a multa contratual, as custas processuais e os honorários, fazendo com que a quantia devida ficasse em R$ 601.849,87, somente de um dos processos, contra uma pessoa que foi lesada.
Penhora de salário
Em outro caso, o servidor da ANTT pediu empréstimo de R$ 29.246,46 e também assinou confissão de dívida. Em decisão de setembro do ano passado, a Justiça entendeu que Edinailton usufruiu “dos bens e serviços e não cumpriu com a obrigação, causando prejuízo à parte exequente”, e afirmou que os comprovantes de rendimentos dele “demonstram sua capacidade de pagamento do débito, embora não de uma só vez”.
“Assim, é razoável que haja desconto mensal em folha de pagamento, de percentual sobre o salário, para fim de quitação do débito, eis que não atingirão a dignidade do(s) executado(s), nem impedirá sua sobrevivência e de sua família. Ante o exposto, defiro em parte o pedido do exequente, determinando a penhora de 10% do salário líquido do(s) executado(s) Edinailton Silva Rodrigues, a se realizar mensalmente mediante desconto em folha de pagamento, até a satisfação integral do débito de R$ 42.171,17 (atualizado em 24/08/2023).”
Segundo o Portal da Transparência, o servidor recebe um salário bruto de R$ 21.300,65. Ele, no entanto, recorreu. Uma nova decisão avaliou que, em princípio, “salários são impenhoráveis para pagamento” de casos como esse, como forma de proteger a “dignidade e sobrevivência do devedor e de seus dependentes”. “Tem-se aberto exceção em casos excepcionais que deverão ser justificados mediante esgotamento de outros meios para satisfação da dívida e através de cotejo analítico da situação econômico-financeira do devedor, o que não se evidencia de plano, pelo menos em princípio”, traz a decisão.
A Justiça entendeu que o “risco de dano à digna sobrevivência do devedor é maior e mais relevante que o princípio da efetividade do processo”, e aceitou o pedido para suspender os descontos na folha de pagamento de Edinailton, até que o colegiado julgue o mérito do recurso.
Já em outro processo, uma decisão de janeiro de 2024, da 1ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais e Conflitos Arbitrais de Brasília, determinou a penhora de um carro do servidor, localizado no Maranhão.
Servidor se defende
Em resposta à reportagem, o servidor da ANTT acusado de calote afirmou que “os processos de execução em andamento, decorrentes de confissões de dívidas que foram declaradas junto à Receita Federal, são públicos e estão todos disponíveis no Processo Judicial Eletrônico”.
Edinailton ressalta que os processos de execução estão em andamento, e não há trânsito em julgado. Nos processos, ele discute o que aponta como excessos de execução e abusos de direito, por exemplo. Em um dos casos, em que uma parte cobra dois pagamentos não realizados, o servidor público diz que a vítima que o processa “se aproveitou da situação para incluir no contrato cláusulas draconianas”.
Na petição, ele contesta o montante cobrado e diz que o valor é excessivo, e que “cláusulas abusivas” foram inseridas no contrato de confissão de dívida. “O embargado tenta tão somente tirar proveito de uma situação de dificuldade pela qual passa o embargante para se locupletar, para isso cria uma narrativa fantasiosa”, se defende o servidor, no processo.
Na mesma peça, Edinailton reconhece que ainda possui um débito a ser quitado, mas alega que o valor devido, descontando o que já foi pago, “fica em torno de 1/3 do que o embargado executou”.
O Ex-ministro da Casa Civil no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Dirceu afirma que, na eleição de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pode ser uma candidata à Presidência competitiva. Ele argumenta que, apesar de inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda pode transferir capital eleitoral aos candidatos.
“Eu não subestimaria a Michelle como candidata”, disse Dirceu em entrevista à CNN nesta quinta-feira, 25. “O Bolsonaro tem uma natureza de uma força, o Bolsonaro elegeu senadores, o Tarcísio foi eleito em São Paulo.”
Apesar de reconhecer a competitividade de um candidato bolsonarista na próxima eleição presidencial, o petista reitera o favoritismo do atual presidente. “Em 2026, nós vamos reeleger o Lula”, disse Dirceu, um dos fundadores do PT, que diz estar de volta à cena política. “Vou passar a falar publicamente agora. Vou participar do debate público a partir deste ano.”
O quarto mandato de Lula, na análise de José Dirceu, é parte de um projeto de poder de longo prazo. Na entrevista, ele afirmou que um ciclo de governo de 12 anos à esquerda “é viável, é possível”. “Quando nós chegamos no governo, eu disse que tínhamos que ter uma perspectiva de 20 anos, e nós tivemos. Se a Dilma não tivesse sofrido golpe, nós teríamos governado o Brasil por 20 anos”, disse.
Apesar de o caso ainda não ter sido oficialmente contabilizado pela SES-DF, Metrópoles teve acesso ao atestado de óbito confirmando dengue
Com mais de 16 mil casos de dengue confirmados até o momento, o Distrito Federal explode em número de doentes e de mortes. A mais recente vítima fatal é uma psicóloga e moradora do Guará, de 29 anos, que perdeu a vida em um hospital particular no Cruzeiro Velho, após contrair a forma hemorrágica da doença.
O Metrópoles teve acesso ao atestado de óbito da mulher, que classifica a dengue como a causa da morte. Atendendo a um pedido da família, a reportagem não vai identificá-la. Apesar de a morte ter ocorrido em 19 de janeiro, o último boletim epidemiológico não apresenta a psicóloga como uma das vítimas. Segundo a Secretaria de Saúde, a área técnica pode levar até 60 dias para incluir um óbito no boletim.
Atestado de óbito
“A dor está muito grande”, detalhou a irmã da vítima. “Que a morte dela sirva como alerta de que estamos em uma situação grave no DF, que tem muito mais mortes do que as que foram divulgadas. Quando vi três mortes, fiquei revoltada, porque sabia que minha irmã não estava sendo contabilizada”, indignou-se.
A jovem foi diagnosticada com dengue e procurou um hospital particular na Asa Norte, em 15 de janeiro. Ela foi orientada a ir para casa e se hidratar. A irmã reforça que o hospital estava lotado no dia e havia outras pessoas com suspeita da doença.
Dois dias depois, a vítima passou mal à noite, mas pensou que poderia aguardar até o dia seguinte e ir ao hospital pela manhã. “Ela viu que estava lotado da outra vez que foi e, entre esperar no pronto-socorro cheio ou em casa, achou melhor ficar em casa.”
No entanto, na madrugada, as dores abdominais ficaram insustentáveis, além de muito vômito. A família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e a jovem foi levada a um hospital da rede privada no Cruzeiro.
“No mesmo dia, minha irmã foi para UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e não saiu mais”, lamentou. “Era uma menina de 29 anos, com a vida toda pela frente, formada em psicologia pela Universidade de Brasília.”
Cenário
Até o momento, a Secretaria de Saúde reconhece apenas três mortes do caso, isso pelo prazo para concluir a investigação da doença. Ceilândia é a região administrativa com maior incidência de dengue, com 3.963 casos.
O óbito mais recente — também ainda não notificado pela Secretaria de Saúde — é de um paciente que estava internado no Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul, que morreu às 20h25 de quinta-feira (25/1) em decorrência de um quadro de dengue hemorrágica.
Em função do quadro grave na cidade, o Governo do Distrito Federal declarou situação de emergência na saúde pública. A medida autoriza o Executivo local a comprar insumos, contratar serviços e profissionais por tempo determinado, e, assim, de forma mais rápida, conter o avanço dos casos.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) chegou à conclusão de que a jovem de 12 anos, cujo corpo foi encontrado sem vida em uma rua de Belo Horizonte em 16 de janeiro, foi vítima de estupro e asfixia até a morte perpetrados pelo agressor, de 25 anos. Essa informação foi divulgada na manhã desta sexta-feira (26/1).
O indivíduo foi formalmente acusado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio, fraude processual e corrupção de menores. A soma das penas relacionadas a esses delitos pode resultar em uma condenação de até 53 anos de prisão.
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De acordo com a PCMG, o agressor planejava cometer o estupro desde o momento em que persuadiu a vítima a ir até a sua residência. Os exames periciais indicaram que durante o ato, ele aplicou pressão no tórax da jovem, privando-a de oxigênio.
O delegado encarregado do caso, Leandro Alves, afirmou que o agressor simulou prestar auxílio à vítima, com o propósito de criar uma narrativa falsa sobre o ocorrido.
“Ele permaneceu horas com ela dentro da casa onde o crime ocorreu e, depois, a levou para a casa do vizinho, simulando ter prestado socorro e acionando o Samu”, detalhou o delegado.
Os investigadores descartaram a possibilidade de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Câmeras de segurança flagraram o agressor abandonando a menina, morta, em uma rua.
Ele está preso desde o dia do crime, em 16 de janeiro. A Justiça tornou a prisão em flagrante do agressor em preventiva.
Menina era virgem e não usava drogas
Os laudos da perícia apontaram que a menina não fazia uso de entorpecentes e era virgem antes do abuso.
“Foi importante para nós uma série de laudos periciais que constataram que não tinha nada no corpo da vítima. Ficou comprovado que ela foi para o local sem o uso de nenhuma substância. Não encontramos nem remédio”, afirmou o delegado Leandro Alves.
A menina foi lembrada como “meiga, simpática e muito infantil”. Segundo a Polícia Civil, o homem tem atração sexual por menores de 18 anos e se mostrou “frio e muito articulado”.
“Ele tinha predileção sexual por meninas mais jovens. Não com característica de pedófilo. O que a gente sabe é que ele gosta de meninas mais jovens, mas não tem como a gente falar que ele é um maníaco. Não surgiu nenhuma outra informação concreta”, contou a delegada Alessandra Wilke.
Maquiador do Sem Censura cuidará da aparência de Cissa Guimarães e de convidados na estatal TV Brasil
O maquiador da apresentadora Cissa Guimarãesno programa Sem Censura, da TV Brasil, receberá salário mensal de R$ 16 mil. Pelos 12 meses de produção, o profissional, que também vai atuar como cabeleireiro, vai receber R$ 192 mil. O programa reestreia no dia 26 de fevereiro.
Além dos salários, o maquiador vai dispor de produtos “de alta qualidade, apropriados para a transmissão de televisão”, incluindo bases, corretivos, sombras e batons.
O projeto de produção do Sem Censura estabelece ainda que “os produtos de maquiagem devem ser escolhidos levando em consideração a iluminação do estúdio e o tipo de câmera utilizada, para garantir que a maquiagem fique natural e sem brilho excessivo”. O profissional também terá à mão “uma variedade de cores de maquiagem disponíveis para atender aos diferentes tons de pele dos apresentadores e convidados”.
Para produzir o programa, que vai ao ar na TV Brasil desde 1985, a EBC contratou, também sem licitação, a produtora A Fábrica. O valor do contrato foi de R$ 5 milhões, montante referente a serviços de conteúdo (R$ 956 mil), criação (R$ 679 mil), apresentação (R$ 1,5 milhão), direção artística (R$ 720 mil), taxas e imposto do projeto (R$ 1 milhão).
Os salários da apresentadora e de sua equipe estão incluídos nos “serviços de apresentação”. Além de Cissa e seu maquiador, integram a equipe um figurinista, com salário de R$ 26 mil mensais; um assistente de figurino, com salário de R$ 12 mil; e uma camareira, com salário de R$ 8 mil.
A direção da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sob o governo Lula (PT) tentou interferir nas investigações sobre o uso do software espião FirstMile durante o governo Jair Bolsonaro (PL), diz a Polícia Federal.
No pedido que fez ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para a realização de operação desta quinta-feira (25), a PF afirma que “a direção atual da Abin realizou ações que interferiram no bom andamento da investigação”.
Para a PF, houve “conluio de parte dos investigados com a atual alta gestão da Abin”, que teriam causado prejuízos à investigação e também para a própria agência.
O órgão cita o número dois da agência, Alessandro Moretti, e diz que, em reunião com investigados, ele afirmou que a apuração sobre o caso tinha “fundo político e iria passar”. Moretti é delegado da PF.
“Não é postura esperada de Delegado de Polícia Federal que, até dezembro de 2022, ocupava a função de Diretor de Inteligência da Polícia Federal cuja essa unidade –Divisão de Operações de Inteligência– lhe era subordinada”, afirma a PF no pedido.
“A reverberação das declarações da Direção da Abin, portanto, possui o condão de influir na liberdade e na percepção da gravidade dos fatos pelos investigados ao afirmara existência de ‘fundo político’ aos investigados”, diz a entidade.
Com base em depoimento, a PF diz que houve, após o início das investigações, uma estratégia da direção-geral da Abin para “tentar acalmar a turma”.
“A percepção equivocada da gravidade dos fatos foi devidamente impregnada pela direção atual da Abin nos investigados”, diz a Polícia Federal.
Isso “não alterou o cenário vivido pelos investigados” em relação ao tempo em que estavam na gestão de Bolsonaro, “em nítida relação de continuidade”, afirma o órgão.
Moretti foi número dois de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, na Secretaria de Segurança do Distrito Federal, entre 2018 e 2021, e diretor de inteligência na PF no último ano do governo Bolsonaro.
Quando Lula indicou o delegado da PF Luiz Fernando Corrêa para o comando da Abin, o Senado atrasou sua sabatina por ele ter escolhido pessoas apontadas como bolsonaristas para a cúpula da agência, inclusive Moretti.
Ao ser sabatinado, Corrêa saiu em defesa de Moretti e disse à comissão que “gozando da confiança do presidente, jamais correria o risco de expor qualquer governo a uma situação no mínimo constrangedora de indicar alguém que não tivesse esse status para a posição que estamos indicando”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está persistindo em sua tentativa de emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, como CEO da Vale, iniciando uma nova fase da sucessão na mineradora que promete capítulos decisivos nos próximos dias.
A Vale, privatizada há quase três décadas, é alvo da interferência direta de Lula, que busca influenciar os rumos da empresa. O atual presidente, Eduardo Bartolomeo, tem seu mandato expirando apenas em maio, mas, conforme o estatuto da companhia, o conselho de administração deve anunciar com pelo menos quatro meses de antecedência se o CEO será mantido ou se será iniciado um processo para escolher um novo executivo. Em 31 de janeiro, o colegiado tomará essa decisão crucial.
O governo, há mais de um ano, vem pressionando pela indicação de Guido Mantega para o posto. Em 2023, na primeira tentativa, a reação do mercado foi negativa, resultando em uma queda nas ações da Vale na Bolsa de Valores (B3). Agora, com o fim iminente do mandato de Bartolomeo, a pressão do Planalto para emplacar Mantega se intensificou.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, teria, segundo o jornalista Lauro Jardim, entrado em contato com acionistas da Vale, afirmando que Lula está firme em sua decisão de ter Mantega no comando da mineradora. No entanto, Silveira afirmou publicamente que o governo não tentará impor o nome do ex-ministro, respeitando a governança da empresa.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Silveira destacou que o governo quer participar da discussão sobre o futuro da maior mineradora do país, buscando reconquistar sua posição como a maior do mundo.
Eduardo Bartolomeo assumiu a presidência em 2019, sucedendo Fabio Schvartsman, afastado após o colapso da barragem de rejeitos de Brumadinho (MG). O conselho, atualmente, encontra-se dividido sobre a continuidade de Bartolomeo. Críticas em relação à sua postura discreta e distante do governo, que está focado na gestão profissional, têm surgido tanto no governo federal quanto no PT. O executivo foi reeleito em 2021, mas o futuro da liderança da Vale permanece incerto diante das pressões políticas e dos interesses no conselho da mineradora.
A Corte Especial debateu apenas se a eventual colaboração do ex-PM deveria tramitar sob os cuidados do MPF ou do MPRJ
À esquerda, Ronnie Lessa, e Élcio Queiroz, à direita, acusados de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes | Foto: Divulgação/Polícia Civil
Os ministros que compõem a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) se reuniram recentemente a portas fechadas para definir a competência do Ministério Público Federal (MPF) na apreciação de eventual termo de colaboração premiada com o ex-policial militar Ronnie Lessa, que é acusado de ter assassinado a vereadora Marielle Franco, em 2018.
Dois membros do grupo afirmaram reservadamente à reportagem que a suposta delação firmada pela Polícia Federal (PF) com Lessa não foi submetida ao STJ. A Corte Especial debateu apenas se a eventual colaboração do ex-PM deveria tramitar sob os cuidados do MPF ou do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPRJ).
O ex-sargento da Polícia Miliar (PM) Ronnie Lessa teria dito na delação que a vítima virou alvo por defender a ocupação de terrenos por pessoas de baixa renda | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
No último domingo, 21, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou que Lessa fez um acordo de delação premiada com a PF para apontar quem seria o mandante do crime que tirou a vida de Marielle. A corporação, por sua vez, afirmou em nota que apenas uma delação foi firmada até o momento, com o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Ele dirigiu o carro utilizado na campana que terminou com o assassinato da vereadora.
A PF afirmou em nota que “a divulgação e repercussão de informação que não condizem com a realidade comprometem o trabalho investigativo e expõem cidadãos”.
Na delação premiada realizada em julho de 2023, Élcio apontou a participação do grupo liderado pelo contraventor Bernardo Bello no assassinato da vereadora. Élcio também deu o nome de um suposto responsável por contratar Lessa. O delator citou o policial militar Edimilson Oliveira da Silva, conhecido como “Macalé”, assassinado em novembro de 2021.
As investigação do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes são sigilosas. Esse foi o motivo de os ministros do STJ terem debatido em sessão secreta a competência para realização de eventual delação premiada. O relator do caso no Tribunal Superior é o ministro Raul Araújo.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse nesta quarta-feira, 24, que não há previsão para a conclusão do caso. Ele também evitou comentar sobre a suposta delação de Ronnie Lessa. “Juridicamente, só há delação quando há homologação.”
“Não posso nem confirmar nem negar”, disse Dino, que também informou que somente os delegados escalados para a investigação têm detalhes sobre o caso. “É algo que todos nós, juntos, saberemos no momento processualmente adequado.”