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Monica Grady* The Open University (The Conversation)

Silhuetas abstratas

Eu ainda acreditava em Deus (agora sou ateu) quando ouvi a seguinte pergunta em um seminário, feita pela primeira vez por Einstein, e fiquei impressionado com sua elegância e profundidade:

“Se existe um Deus que criou todo o universo e TODAS as leis da física, Deus segue as próprias leis de Deus? Ou Deus pode suplantar suas próprias leis, como por exemplo viajar mais rápido do que a velocidade da luz e, assim, ser capaz de estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo?”

A resposta poderia nos ajudar a provar se Deus existe ou não, ou é aqui que o empirismo científico e a fé religiosa se cruzam, sem NENHUMA resposta verdadeira? David Frost, 67 anos, Los Angeles.

Eu estava em confinamento quando recebi essa pergunta e fiquei instantaneamente intrigada. Não é de se admirar o momento — eventos trágicos, como pandemias, muitas vezes nos levam a questionar a existência de Deus: se existe um Deus misericordioso, por que uma catástrofe como esta está acontecendo?

A ideia de que Deus pode estar “limitado” pelas leis da física — que também regem a química e a biologia e, portanto, os limites da ciência médica — era interessante de explorar.

Se Deus não fosse capaz de infringir as leis da física, provavelmente não seria tão poderoso quanto você esperaria que um ser supremo fosse. Mas se fosse capaz, por que não vemos nenhuma evidência de que as leis da física foram infringidas no Universo?

Para abordar essa questão, vamos analisá-la por partes. Primeiro, Deus pode viajar mais rápido que a luz? Vamos apenas considerar a pergunta ao pé da letra. A luz viaja a uma velocidade aproximada de 3 x 10⁵ km/s.

Aprendemos na escola que nada pode viajar mais rápido do que a velocidade da luz — nem mesmo a nave espacial USS Enterprise de Jornada nas Estrelas, quando estava com seu motor movido a cristais de dilítio na potência máxima.

Mas isso é verdade? Alguns anos atrás, um grupo de físicos postulou que as chamadas partículas táquions viajavam acima da velocidade da luz. Felizmente, sua existência como partículas reais é considerada altamente improvável. 

Se existissem, teriam uma massa imaginária e o tecido do espaço-tempo ficaria distorcido — levando a violações de causalidade (e possivelmente uma dor de cabeça para Deus).

Tudo indica, até agora, que não foi observado nenhum objeto que possa viajar mais rápido do que a velocidade da luz. Isso em si não diz absolutamente nada sobre Deus. Apenas reforça o conhecimento de que a luz viaja muito rápido.

As coisas ficam um pouco mais interessantes quando você considera a distância que a luz viajou desde o início.

Alamy – Se Deus existe, ele está sujeito às leis da física?

Partindo do pressuposto da cosmologia tradicional do Big Bang e da velocidade da luz de 3 x 10⁵ km/s, então podemos calcular que a luz viajou aproximadamente 10²³ km nos 13,8 bilhões de anos de existência do Universo. Ou melhor, da existência do Universo observável.

O Universo está se expandindo a uma taxa de aproximadamente 70 km/s por Mpc (1 Mpc = 1 Megaparsec ou aproximadamente 3 x 10 elevado à 19ª potência km), então as estimativas atuais sugerem que a distância até os confins do Universo é de 46 bilhões de anos-luz.

Conforme o tempo passa, o volume do espaço aumenta, e a luz precisa viajar por mais tempo para chegar até nós.

Há muito mais universo lá fora do que somos capazes de enxergar, mas o objeto mais distante que vimos é uma galáxia, GN-z11, observada pelo Telescópio Espacial Hubble.

Ela está a aproximadamente 10²³ km ou 13,4 bilhões de anos-luz de distância, o que significa que levou 13,4 bilhões de anos para que a luz da galáxia nos alcançar. Mas quando a luz “foi acesa”, a galáxia estava a apenas três bilhões de anos-luz de distância da nossa galáxia, a Via Láctea.

Não podemos observar ou ver todo o Universo que se desenvolveu desde o Big Bang porque não passou tempo suficiente para que a luz das primeiras frações de segundo nos alcançasse.

Alguns argumentam que, por isso, não podemos ter certeza se as leis da física poderiam ser violadas em outras regiões cósmicas — talvez sejam apenas leis locais e acidentais. E isso nos leva a algo ainda maior do que o Universo.

O multiverso

Muitos cosmologistas acreditam que o Universo pode ser parte de um cosmos mais extenso, um multiverso, onde muitos universos diferentes coexistem, mas não interagem.

A ideia do multiverso é apoiada pela teoria da inflação — a ideia de que o universo se expandiu enormemente antes de ter 10 elevado à potência de -32 segundos de idade. 

A inflação é uma teoria importante porque pode explicar por que o Universo tem a forma e a estrutura que vemos ao nosso redor.

Mas se a inflação pode acontecer uma vez, por que não várias vezes? Sabemos a partir de experimentos que as flutuações quânticas podem dar origem a pares de partículas que passam a existir repentinamente, e desaparecem momentos depois.

NASA

A física quântica poderia ajudar a explicar um Deus capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo?

E se essas flutuações podem produzir partículas, por que não átomos ou universos inteiros? Foi sugerido que, durante o período de inflação caótica, nem tudo estava acontecendo no mesmo ritmo — flutuações quânticas durante a expansão poderiam ter produzido bolhas que explodiram para se tornarem universos por si só.

Mas como Deus se encaixa no multiverso? Uma dor de cabeça para os cosmologistas é o fato de que nosso Universo parece perfeitamente ajustado para a existência de vida.

As partículas fundamentais criadas no Big Bang tinham as propriedades certas para permitir a formação de hidrogênio e deutério — substâncias que produziram as primeiras estrelas.

As leis da física que regem as reações nucleares nestas estrelas produziram as coisas de que a vida é feita — carbono, nitrogênio e oxigênio.

Como todas as leis da física e parâmetros do universo têm os valores que permitem que estrelas, planetas e, por fim, a vida se desenvolvam?

Alguns argumentam que é apenas uma feliz coincidência. Outros dizem que não deveríamos nos surpreender ao ver leis físicas “bioamigáveis” — afinal elas nos produziram, então o que mais poderíamos ver?

Alguns teístas, no entanto, argumentam que isso indica a existência de um Deus criando condições favoráveis.

Mas Deus não é uma explicação científica válida. A teoria do multiverso, ao contrário, resolve o mistério porque permite que universos distintos tenham leis físicas diferentes.

Portanto, não é surpreendente que nos vejamos em um dos poucos universos que poderiam abrigar vida. Claro, você não pode refutar a ideia de que um Deus pode ter criado o multiverso.

Tudo isso é muito hipotético, e uma das maiores críticas às teorias do multiverso é que, como parece não ter havido interações entre nosso Universo e outros universos, a noção de multiverso não pode ser testada diretamente.

Estranheza quântica

Agora vamos considerar se Deus pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Grande parte da ciência e tecnologia que usamos na ciência espacial é baseada na teoria contra-intuitiva do minúsculo mundo de átomos e partículas conhecido como mecânica quântica.

A teoria permite algo chamado entrelaçamento (ou emaranhamento) quântico: partículas assustadoramente conectadas. Se duas partículas estão entrelaçadas, você manipula automaticamente sua contraparte ao manipulá-la, mesmo se estiverem muito distantes e sem interagir.

Há descrições de entrelaçamento melhores do que a que estou apresentando aqui — mas isso é simples o suficiente para que eu possa prosseguir.

Imagine uma partícula que decai em duas subpartículas, A e B. As propriedades das subpartículas devem se somar para formar as propriedades da partícula original — este é o princípio da conservação.

Getty ImagesAlbert Einstein descreveu o entrelaçamento quântico como ‘uma ação fantasmagórica à distância’

Por exemplo, todas as partículas têm uma propriedade quântica chamada “spin” — a grosso modo, elas se movem como se fossem minúsculas agulhas de bússola.

Se a partícula original tem um “spin” zero, uma das duas subpartículas deve ter um spin positivo, e a outra um spin negativo, o que significa que cada uma, A e B, tem 50% de chance de ter um spin positivo ou negativo. (De acordo com a mecânica quântica, as partículas estão, por definição, em um misto de diferentes estados até que você realmente as mede.)

As propriedades de A e B não são independentes uma da outra — elas estão entrelaçadas —, mesmo se estiverem localizadas em laboratórios separados, em planetas diferentes.

Se você medir o spin de A e descobrir que é positivo, imagine que uma amiga mediu o spin de B exatamente ao mesmo tempo que você mediu A. Para que o princípio da conservação funcione, ela deve descobrir que o spin de B é negativo.

Mas — e é aqui que as coisas ficam turvas — como a subpartícula A, B tinha 50% de chance de ser positiva, então seu estado de spin “se tornou” negativo no momento em que o estado de spin de A foi medido como positivo.

Em outras palavras, as informações sobre o estado de spin foram transferidas entre as duas subpartículas instantaneamente. Essa transferência de informações quânticas aparentemente acontece mais rápido do que a velocidade da luz.

Dado que o próprio Einstein descreveu o entrelaçamento quântico como “uma ação fantasmagórica à distância”, acho que todos nós podemos ser perdoados por achar esse efeito um tanto bizarro.

Portanto, há algo mais rápido do que a velocidade da luz, no fim das contas: a informação quântica.

Isso não prova ou refuta a existência de Deus, mas pode nos ajudar a pensar em Deus em termos físicos — talvez como uma chuva de partículas entrelaçadas, transferindo informações quânticas para lá e para cá, e ocupando assim vários lugares ao mesmo tempo? Até muitos universos ao mesmo tempo?

Eu tenho esta imagem de Deus equilibrando pratos giratórios do tamanho de galáxias enquanto faz malabarismo com bolas do tamanho de planetas — jogando fragmentos de informação de um universo oscilante para outro, para manter tudo em movimento.

Felizmente, Deus pode realizar várias tarefas ao mesmo tempo — mantendo o tecido do espaço-tempo em funcionamento. Tudo o que é necessário é um pouco de fé.

NASA- Será que Deus equilibra pratos do tamanho de uma galáxia enquanto faz malabarismo com bolas planetárias?

Este artigo chegou perto de responder às perguntas feitas? Suspeito que não: se você acredita em Deus (como eu), então a ideia de Deus ser limitado pelas leis da física é absurda, porque Deus pode fazer tudo, até mesmo viajar mais rápido que a luz. Se você não acredita em Deus, a questão é igualmente absurda, porque não existe um Deus e nada pode viajar mais rápido do que a luz.

Talvez a questão seja realmente para agnósticos, que não sabem se Deus existe.

É aí que, de fato, a ciência e a religião diferem. A ciência requer prova, a crença religiosa requer fé. Os cientistas não tentam provar ou refutar a existência de Deus porque sabem que não existe um experimento que possa detectar Deus.

E se você acredita em Deus, não importa o que os cientistas descubram sobre o Universo — qualquer cosmos pode ser considerado consistente com Deus.

Nossa visão de Deus, da física ou de qualquer outra coisa, em última análise, depende da perspectiva.

Mas vamos terminar com a citação de uma fonte verdadeiramente qualificada. Não, não é a Bíblia. Tampouco um livro de cosmologia. É do livro O senhor da foice, do escritor britânico Terry Pratchett:

“A luz pensa que viaja mais rápido do que qualquer coisa, mas está errada. Não importa o quão rápido a luz viaje, ela descobre que a escuridão sempre chegou primeiro, e está esperando por ela.”

* Monica Grady é professora de ciências planetárias e espaciais na The Open University.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

informações BBC


Desde que Bolsonaro foi eleito a extrema mídia e a esquerda dizem que a intenção dele é promover um golpe militar no Brasil. Qualquer movimentação por parte do governo, independente do que seja, a grita acontece. A ladainha é sempre a mesma: a democracia corre perigo.


Com o surgimento da pandemia, o STF deu poderes de ditadores aos governadores. Eles tomaram atitudes de fazer inveja aos ditadores africanos. A população foi acuada e, praticamente, não reagiu. Apenas as hostes bolsonaristas vão às ruas e às redes sociais gritarem contra os déspotas.


Essa semana o presidente resolveu demitir o ministro chefe das Forças Armadas e ainda mandou de volta à caserna os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Pronto, a grita aumentou de tom. A extrema mídia e a esquerda ficaram em polvorosa. Se mudanças em áreas que não são militares, já eram motivos para narrativas. Imagina em um setor que tem uma estrutura pronta para ação de segurança em qualquer parte do país.

Bolsonaro tem dito que é democrático e quer respeitar a Constituição. Que da sua parte o golpe nunca acontecerá. Mas sempre tem repetido e, durante a sua campanha disse por diversas vezes, que o Golpe de 64 mudou o país.

Mas aí vêm os governadores e usam todo aparato de segurança contra a população. Que assiste inerte com ressalva, apenas, às hostes bolsonaristas, como eu disse anteriormente.

Ora, se a população não consegue se indignar e ir para as ruas contra a polícia, que diga-se de passagem é despreparada. Vai conseguir reagir ao poderio bélico das Forças Armadas? Portanto, foram os governadores que mostraram a Bolsonaro o caminho das pedras. Preocupante!

Por Joilton Freitas


Por Djalma Andrade
Psicólogo/Neuropsicólogo

Que grito foi esse? Não se trata de “que tiro foi esse”, mas de que grito foi esse: “comunidade, venha testemunhar a honra ou desonra da polícia do estado da Bahia”. Eis o grito de ordem do policial, na tarde desse domingo, 28,03, no farol da barra, ponto turístico de Salvador.

Que grito foi esse? Infelizmente o grito já foi silenciado pelo diagnóstico, surto! A psicologia social nos ensina que em qualquer categoria ou ordem social, sempre vai se erguer alguém para denunciar um sistema, mas o próprio sistema abafa sua voz através de diagnósticos direcionados, o surtado, o louco.

Que grito foi esse? O diagnóstico já dado não me tira seu alto e bom som, seu barulho estridente ainda ecoa em meus ouvidos. Em minha análise, não se diz de um grito de um surtado, mas do grito de socorro de uma categoria, a polícia militar da Bahia. Ao cobrir a face com tinta, o policial do farol da barra deixa claro que não fala em nome de si, mas de uma categoria, não há identidade, há morte psicológica diariamente.

Que grito foi esse? É o grito do policial do farol da barra que, lucidamente, escolhe o principal ponto turístico da cidade, é o contraste social, a realidade, a vida diária de tortura psíquica do policial sendo posta no palco principal da cidade, o farol da barra. A mensagem é clara e objetiva, vejam!

Que grito foi esse? É o grito do policial do farol da barra, abatido pelos próprios colegas de profissão, porque também estão abatidos pela humilhação das remunerações, pelas desvalorizações, pelas exposições de suas vidas, pelas incertezas de retorno para casa. É como canta o Rappa: “também morre quem atira”, quando não a morte física, a morte psicológica.

Que grito foi esse? É o grito do policial do farol da barra que sobe no palco principal para rasgar o silêncio dos colegas que velam suas próprias mortes psíquicas nas madrugadas sombrias, geralmente em um lar sem conforto, na periferia dos transtornos mentais que o medo e o risco à vida impõem. Que grito foi esse?

Artigo: Tenha Empatia
28 de Março de 2021

por Taiguara Fernandes de Sousa

Eu já contei aqui para vocês a história de quando, no começo do escritório, sem entrar honorário nenhum, eu passei bastante dificuldade.

Eu morava num quarto alugado, cujo único outro cômodo era um banheiro.

No momento mais crítico, após meses sem receber nada, minhas reservas acabaram.

Olhei para a conta corrente e o saldo era de apenas R$ 200,00.

200 fucking pratas.

Eu precisava pagar aluguel, a parcela do financiamento do carro e fazer feira — como a maior parte dos brasileiros.

Não tem como. É matemática.

Claro que bateu medo. E eu só pude rezar — uma das orações mais sinceras da vida — abandonando-me e pedindo uma solução para não ter que arrumar as malas.

Providencialmente, nos dias seguintes, um cliente (já esquecido até) apareceu e nos pagou e eu pude me virar por mais uns dois meses.

Eu não me envergonho disso. Pelo contrário, hoje conto isso com orgulho, porque faz parte de mim.

É o que me ajuda a não esquecer de onde vim e a ter empatia pelos outros que passam por essa situação.

É fácil defender lockdown quando você tem salário certo no fim do mês e pode fazer paralisação — como a maioria dos agentes públicos e burocratas que só vivem reclamando de “receber pouco”.

É fácil defender lockdown quando você é nascido em berço de ouro, mora em apartamento chique e “fica em casa” pedindo sushi e tomando vinhozinho enquanto assiste série na Amazon Prime.

O seu vinhozinho vai pagar o aluguel da dona Maria?

O seu sushi vai comprar a feira do seu João?

Algum burocrata vai doar o seu salário para ajudá-los?

Fala-se tanto em “efeitos colaterais” de remédios, mas não se pensa nos efeitos colaterais dessas medidas que também afetam pessoas.

Você não pode dizer que está cuidando de uma doença e, do outro lado, matar a pessoa de desemprego, miséria e fome — no fim, qual foi a vida que você conservou?

Então, não seja tão rápido para julgar as pessoas que precisam trabalhar.

Se a vida foi mais fácil para você, seja grato, mas não as julgue por elas não engolirem medidas desastrosas que acabam a vida delas, mas não arriscam nada da sua aí.

Tenha empatia.

Elas têm bocas para dar de comer e são mais vítimas dos dissabores da existência do que você.

A lâmpada e a mariposa
16 de Março de 2021

Por Joilton Freitas

Foto: Geração Forte

A luz artificial da lâmpada exerce um poder de atração irresistível sobre a mariposa. Culpa da natureza que a fez nessa condição. Eu não sei ao certo por que isso acontece. Por que exatamente a lâmpada e, não a luz, tem esse poder sobre esse tipo de inseto?
Se a lâmpada exerce esse fascínio sobre a mariposa, o mesmo acontece com o poder sobre os humanos. Pelo menos para a maioria da raça humana, que caminha com passos de formiga e sem vontade.

O poder é tão atraente, que até quem odeia quem está no comando central, quer participar dele. Nem que seja por poucos dias. Ninguém vai para o poder pensando em roubar. Alguns, sucumbem ao canto da sereia depois que sentem o sabor do poder e aí que vem a corrupção. As pessoas buscam o poder por vaidade, simples assim.

Veja o que aconteceu com Sérgio Moro, juiz federal com uma carreira brilhante. Deixou tudo para trás para se aventurar como ministro de Bolsonaro. Um homem que ele não conhecia e não tinha a mínima noção do seu temperamento na intimidade. E que, na verdade, secretamente desprezava. Isso fica evidente no vídeo divulgado pelo presidente depois da sua saída da pasta da Justiça. Bolsonaro, ainda deputado, foi cumprimentá-lo no saguão do aeroporto de Brasília, Moro o deixou com a mão estendida.

Mas a médica Ludhmila Hajjar é um caso quase que patológico pelo poder. Médica renomada do Sírio-Libanês, ela não resistiu à atração exercida pelo poder. O foco era o cargo de Ministra da Saúde no lugar de Pazuello. Seria mais um caso de amor pelo poder, não fosse o desprezo que Ludhmila reserva ao presidente. Ela foi para reunião de entrevista com o chefe do Executivo em busca do cargo. E logo depois da sua saída, o presidente recebe um áudio da pretensa ministra. Nele, a médica mostra toda a sua ojeriza ao presidente. O mínimo que ela o chamou foi de psicopata. Por isso, a médica foi descartada.

Mas Hajjar não se fez de rogada. Saiu contando o tipo de conversa que teve na reunião com Bolsonaro e alegou que foi ela quem não aceitou o cargo.

Se ela não queria ser ministra. Por que foi para a reunião de emprego com um homem que ela despreza?
Sorte do presidente. A julgar pelo seu comportamento, a vida dela na Esplanada dos Ministérios seria bem curta. E o pior: sairia atirando. Como a mariposa que tenta agarrar a lâmpada sem conseguir, Ludhmila também não deu o bote no coelho esperto que se tornou Bolsonaro.


Prof. frei Jorge Rocha, ofmcap.1


Nos últimos tempos, após decreto e decretos, sempre se escuta a expressão “atividade
essencial”. É natural que se esboce em cada cidadão a seguinte pergunta: o que é atividade essencial e onde encontrar uma definição segura? Numa análise preliminar, entende-se como “essencial” aquilo que caracteriza o básico para subsistência da vida humana. E a pergunta poderia se desdobrar: o que é essencial para a vida humana? É bom parar por aqui, a fim de não se cair num tautologismo infinitivo dos porquês, mas é preciso continuar refletindo e fazer um breve esboço.


Numa tentativa de conceitualização, a partir do prisma jurídico, uma luz se lança através do Decreto Federal 10.282 de 2020, que afirma: “[essenciais] são aqueles indispensáveis
ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população” (§ 1o do artigo 3o do Decreto Federal). Mesmo não sendo um conceito absoluto, é um caminho na tentativa de compreensão.


A conceitualização jurídica não termina com a querela nem encerra a discussão sobre o que é, de fato, essencial, de modo especial em tempos pandêmicos. Ilustrando com algumas atividades em busca da essencialidade, entende-se, por exemplo, após as brigas
jurídicas e os devidos recursos nas referidas instâncias, que a atividade física é essencial, pois ela, segundo os especialistas, cria um equilíbrio entre o corpo e a mente, evita transtornos psíquicos, diminui os riscos de suicídio e, com isso, restabelece um nível de saúde elevado, sobretudo, em tempos de crise. Isso a tornaria indispensável na prática de uma vida sadia. Na mesma esteira, incluem-se os profissionais da chamada área psi, pois o cuidado com a mente gera pessoas equilibradas e, por conseguinte, homens e
mulheres com uma capacidade de intervenção social que gera relações de qualidade com um alto grau de empatia social.


Os comerciantes, incluindo os supermercados, requerem a primazia de também serem considerados como essenciais, por quê? Os integrantes destas áreas afirmam que o comércio, enquanto lugar, é o local de menor transmissibilidade, pois os cuidados de
1 Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália), Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica Argentina, Superintendente da Fundação Santo Antônio, Radialista e Apresentador. Professor na Universidade Católica do Salvador.

distanciamento social e da assepsia das mãos são observados com rigor. Sendo assim, o comércio torna-se um ambiente de impulso econômico e – quem diria – até um espaço de entretenimento. Ademais, o vigor do comércio estaria dando um suporte para garantir a vida pós-pandêmica e, por isso mesmo, o comercio é uma atividade essencial. Mesmo com tanto cuidado, comércio e supermercados não têm um passe livre para se sobrepor a quaisquer outras atividades. Tudo precisa ser moderado.


Por outro lado, a comunicação é, também, essencial, pois, como fica o povo sem informação? Uma boa informação é um veículo seguro através do qual começa a saúde, são dirimidas as dúvidas, dá dinamismo ao cotidiano pelo entretenimento. Notícia é conhecimento, é cultura; notícia é cidadania, é compromisso com a verdade, pois manter- se bem-informado gera a saúde mental durante a pandemia e, por conseguinte, dissemina uma rede de informação segura, distanciando-se das narrativas, das fake news e, aproximando-se dos fatos comprovados pela ciência, contribui na formação crítica de um
cidadão, formando um povo esclarecido e inibindo a ignorância. Ademais, conhecer a verdade é libertação, pois, “conhecereis a Verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).


O cuidado espiritual é indispensável em tempo de crise, portanto, é uma atividade essencial. O senso religioso contribui com este momento, sublinhando a fragilidade da vida e, por causa disso, uma maior preocupação com o outro, gerando uma empatia e uma interdependência, criando uma relação sadia com Absoluto que nos leva a abraçar a vida, pois, segundo o ensinamento bíblico, disse Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (cf. Jo 10,10). Por causa disso, abraçar a Deus é abraçar uma vida que não se acaba, uma vida com sentido que não se esgota na contingência da vida humana. Proteger a vida, na atual conjuntura, está mais para lockdown que para exposição.


A essencialidade do serviço espiritual não significa, necessariamente, manter os templos de portas abertas – ou entreabertas -, mas é um agir além fronteiras e estruturas físicas. Vital na Igreja, como disse o Papa Francisco, ‘é não se fechar e não se sentir satisfeita com o que já conquistou’. Ela [a Igreja] é além dos seus templos, pois a Igreja é um Mistério, Tenda de Deus no meio do mundo, Tabernáculo do Eterno, onde o Espírito de Deus veio morar. Para compreender isso, é preciso perceber que a fé exerce mais que um papel fundamental como fator de equilíbrio psicoemocional, mediada pela Igreja. O estar na Igreja, presencialmente ou através das diversas plataformas de comunicação, contempla algo da natureza humana que só se encontra nesse ocular teológico, conforme nos lembra São Gregório Magno: “Deus coloca-se na posição de educar-nos durante toda a vida, quer curar-nos e fazer com que nos assemelhemos cada vez mais a Seu Filho; mas para isso é preciso começar a ver todas as coisas à luz de Deus”. Ver o mundo a partir de Deus, afirma o Santo Padre, o Papa Francisco, significa que: “Devemos olhar o nosso mundo com simpatia, sem medo, sem preconceitos e com coragem, como Deus olha para ele, sentindo como nossas as dores, as alegrias e as esperanças dos nossos irmãos; e daí anunciar com a vida e a palavra, e fazer ‘conhecer e amar Jesus e Maria’, com a criatividade de diaconias e obras de apostolado”.


A Igreja, nesse sentido, é um locus privilegiado que ilumina esse ocular. Na LG, n. 1, encontramos: A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cfr. Mc. 16,15). Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano, pretende ela, na sequência dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo.


É bem verdade, que muitos outros grupos poderão requerer a primazia da essencialidade em tempos pandêmicos. Isso nos leva a crer que essencial poderá percorrer, pelo menos, dois caminhos: é um conceito objetivo quando preconiza que é aquilo sem o qual o ser humano seria menos ser humano, isto é, é um movimento básico que impulsiona e dinamiza a vida humana. Porém, por outro lado, é um conceito subjetivo, pois a vida humana não é previsível e as necessidades variam de acordo com o ritmo de cada existência humana. As dores e os desejos são os mais variados, como também as vitórias e as derrotadas são encaradas a partir do ocular de cada um. Deve-se, portanto, a partir daquilo que se conceitua como essencial (objetivo), contemplar as individualidades, valorizando as alteridades. Irrenunciável mesmo é perceber que a vida é “dom e compromisso” e precisa ser protegida por todos, antes, durante e pós-pandemia num eterno “é tempo de cuidar”.


Uma epidemia que já existia antes da covid-19 agora caminha lado a lado com a pandemia de coronavírus e preocupa autoridades e especialistas na área de saúde mental: os transtornos mentais, como depressão e ansiedade, estão impactando a população e poderão colapsar o sistema de saúde, atingindo, inclusive, a economia brasileira nos próximos anos.
O alerta amarelo surge em pesquisas realizadas por universidades e associações, durante a pandemia, e também nos dados mais atuais da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Em 2020, o órgão confirmou recorde de 576,6 mil concessões de auxílio-doença e aposentadorias por invalidez devido a transtornos mentais e comportamentais. Os números são 26% a mais do que os registrados em 2019. Nos dois benefícios, os registros do primeiro ano da pandemia são os maiores da série histórica, iniciada em 2006.

No auxílio-doença, os afastamentos por transtornos mentais, como depressão e ansiedade, tiveram aumento de 33,7%, passando de 213,2 mil, em 2019, para 285,2 mil, em 2020. A alta dos pedidos de auxílio-doença por transtornos mentais superou aquela que costumava ser a campeã da lista: lesões causadas por fatores externos, como acidentes. Já o número de aposentadorias por invalidez concedidas em decorrência de problemas mentais subiu de 241,9 mil para 291,3 mil de 2019 para 2020, um aumento de 20,4%.

Por: GZH Saúde


Foto: Sérgio Lima

Depois de muito tempo, o mundo parecia caminhar bem. Os EUA chegaram a um apogeu econômico nunca antes experimentado na sua história e sem fazer guerra. O Oriente Médio, depois da queda de vários ditadores, experimentava uma tranquilidade quase que normal, a exceção continua sendo a Síria. O conflito entre judeus e palestinos foi arrefecido. Na Europa, o partido Conservador inglês venceu de maneira esmagadora os Trabalhistas. Na América do Sul, a eleição do conservador Bolsonaro deu esperança ao Brasil – que teve 30 anos de governos de centro e esquerda – de poder escrever uma nova história.

Mas da Ásia veio a tempestade: O coronavírus! A princípio o mundo ocidental não acreditava na terrível ameaça que vinha da China. A OMS, uma organização que se preocupa mais com a geopolítica do que com a saúde mundial, estava perdida e continua até o momento. Os governos não sabiam que atitude tomar diante de uma ameaça desse tamanho e de nível global.

Mas no caos existe oportunidade, diz Sun Tzu, no livro A Arte da Guerra. Foi pensando nisso que a esquerda, a extrema mídia, intelectuais e artistas desse lado do planeta vislumbraram a oportunidade de tirar do poder Donald Trump, EUA, e Bolsonaro, no Brasil. Presidentes declaradamente conservadores e liberais.

Nos EUA e no Brasil foram montados planos para desgastar os dois presidentes. Donald Trump não foi reeleito, coisa muito rara nos Estados Unidos. No Brasil, Bolsonaro vive sob ataque diuturno da extrema mídia, do Congresso e principalmente do STF.

O STF vem há dois anos adentrando os poderes do Executivo e do Legislativo. A Suprema Corte tem violado a Constituição, a liberdade de expressão, de direitos individuais e humanos diante dos olhos passivos da imprensa e da sociedade.

A decisão monocrática do ministro Luiz Fachin, de anular todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faz parte desse plano. O veneno usado nos Estados Unidos contra Trump, parece não funcionar contra Bolsonaro. Mesmo diante dos ataques, a sua base eleitoral continua muito forte. Todas as pesquisas mostram o atual presidente caminhando para uma reeleição. Dos nomes colocados como possíveis candidatos para presidente nas eleições de 2022, Lula é quem tem alguma chance de derrotar Bolsonaro. O STF, passando por cima da Constituição, deu super poderes aos governadores, que roubam o dinheiro da saúde e que impõem restrições e toque de recolher a população. O STF sabe que as manifestações estão proibidas. Que a população não pode sair às ruas para manifestações. Foi diante dessa tempestade perfeita que Fachin anulou as condenações de Lula, um homem que comandou o maior assalto aos cofres da nação que se tem notícia.

Artigo: O mecanismo
5 de Março de 2021

Por Joilton Freitas

O Brasil viveu períodos de ditaduras no século XX: Estado Novo, com Getúlio Vargas e a Ditadura Militar. Foram tempos difíceis. A livre expressão do pensamento era reprimida com prisão, tortura e até a morte. A partir dos anos 80, o Brasil voltou a ser um país democrático. Tivemos vários governos eleitos pelo povo. Esses governos enfrentaram uma oposição dura e combativa. Uma imprensa que passou a ser mais vigilante e mais crítica. Mas tanto a imprensa, como a oposição, tinham uma certa ética e um certo glamour. E mesmo os presidentes que foram afastados dos seus cargos tiveram uma vida fácil depois de perderem o poder, veja como é a vida de Collor e Dilma. Por que para tudo era encontrado um feliz meio termo? Porque o mecanismo estava satisfeito. Empreiteiros, banqueiros, imprensa, centrais sindicais, intelectuais, ONGs e artistas sugavam os recursos do Estado e fechavam os olhos para a corrupção que quase destruiu a nação.


Eis que chega ao poder Jair Messias Bolsonaro. Um deputado do “baixo clero”, sem meias palavras e com uma proposta conservadora/liberal e de combate à corrupção. Essa foi e continua sendo a agenda do presidente. Ninguém pode dizer que nos últimos dois anos teve corrupção no governo. As reformas estão caminhando e não avançaram mais por conta do Congresso Nacional.


Mas nenhum presidente enfrentou ataques tão ferozes como Bolsonaro. Por que? Voltamos a ele: O mecanismo. Quando Bolsonaro trancou as portas do cofre, ele fez um inimigo poderoso. Entranhado nas estruturas do país há tanto tempo, o mecanismo tem reagido de forma a derrubar o governo legitimamente eleito.
Os ataques diuturnos por parte da grande mídia, dos intelectuais e artistas servem como caixas de ressonância do sistema.


Com a pandemia, os abutres agradeceram a Deus pela tempestade perfeita. Passaram a culpar o presidente por tudo, até pela existência do vírus. STF, governadores, a grande mídia e a oposição se juntaram para o golpe final. O problema é que Bolsonaro tem o couro duro. Não se curva. Continua indo para cima. Mesmo com os constantes ataques, a sua popularidade sofreu poucos arranhões. Prova disto, é que a pesquisa do Instituto Paraná divulgada na última quinta-feira (04) mostra ele como favorito para 2022. A vacina está chegando, em breve, a vida voltará ao normal e o mecanismo vai continuar agonizando!


Por: Taiguara Fernandes de Sousa

“Vamos: o que podemos fazer para ter meu lockdown? Esses merdinhas estão muito desobedientes. Precisam voltar ao controle”.

Uma mesa de técnicos começou a expor os dados e a falar sobre como o costume nocivo de as pessoas comerem sem máscaras aumentou o contágio.

“Absurdo. Tem que comer de máscara”, disse o governador.

Trouxeram uma listinha de atividades. Bastava marcar um “x” para proibir.

“É, precisamos mostrar que somos duros… Fizemos vista grossa no Carnaval, eles já tiveram a putaria… É hora de acabar com essas férias! Que tal os restaurantes?”

Agora não. Os donos fariam barulho e as pessoas estavam gostando. Precisavam de mais um medinho antes disso.

“Tudo bem, tudo bem. Indústrias?”

Mas havia os impostos. Tinham que sanar umas contas antes de jogar o restante para o Governo Federal se virar.

“Certo. Na próxima… Ah, as igrejas! Sim”.

Indagaram se isso não traria oposição.

O governador gargalhou.

“Aqueles maricas! Não se preocupe. Eles nunca fazem nada, pagam de santinhos. E, se fizerem algo, sempre podemos dizer que eles… como falam? ‘Não vivem o amor’”.

Mas a Diocese mantinha alguns hospitais…

Gargalhou mais alto.

“Relaxe. Estão morrendo de medo da doença. Capaz de o Bispo mandar fechar antes da gente… Liga aí pro Dom”.

Tudo certo. O Dom apoiou. Ele estava trancado há meses e já até esquecera como era o mundo lá fora.

“Igrejas”, e marcou “x”.

“As praias? Sim. Os ambulantes não têm organização, não têm sindicatos, vão só chiar… Nem pagam ICMS! É bom que aprendem”.

Fechou.

Mais umas três atividades e tudo certo.

Alguém chegou com o relatório científico. O governador não leu.

“Muito grave, muito grave, mas seremos duros!”

E o tratamento precoce?

“Aqui trabalhamos com ciência, não com teorias da conspiração”.

Disseram que eram remédios antigos, já conhecidos…

“Sem comprovação!”

Mas um lobista trouxe uma vacina novíssima, criada ontem.

“Ah, a ciência! Queremos!”

O celular tocou.

“Oi, chuchuzinho”.

Era a filha de 15 anos. Hoje era o aniversário dela. 500 pessoas esperando na granja.

“Coloque o decreto para amanhã. Hoje tem essa festa da guria…”

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