Marcos Susskind, que vive há dez anos na periferia de Tel Aviv, fala ao Rotativo News sobre o impacto do acordo de paz, a desinformação durante o conflito e a esperança de estabilidade após dois anos de tensão.
Por Emanueli Pilger
Depois de dois anos de intensos confrontos entre Israel e o grupo Hamas, o anúncio de um acordo de paz trouxe alívio e esperança à população israelense. Para o brasileiro Marcos Susskind, que vive há dez anos em Holon, na periferia de Tel Aviv, o momento representa “uma explosão de alegria” e o início de um possível recomeço, após um período marcado por medo, perdas e desinformação, ressaltou o brasileiro em entrevista ao Rotativo News nesta sexta-feira (10).
Susskind se mudou para Israel em busca de uma vida mais tranquila e de uma conexão mais próxima com a cultura e a história do povo judeu. Segundo ele, a escolha foi motivada tanto por razões espirituais quanto por um sentimento de pertencimento.

Arquivo Pessoal/Marcos
“Vim para cá em busca de paz interior e de uma vida com mais sentido. Israel é um país que, mesmo com todos os conflitos, tem uma energia de reconstrução e de fé que me inspira todos os dias”, frisou.
“A gente não sentia a guerra nas cidades, ela se concentrava nas fronteiras. Mas havia uma tristeza profunda pela dor dos soldados, dos feridos e dos sequestrados. De repente, essa tristeza foi substituída por uma euforia imensa. As ruas se encheram de bandeiras e sorrisos”, contou Susskind
Desinformação e ajuda humanitária
Susskind destacou a importância de combater a desinformação sobre o conflito, especialmente em relação à crise humanitária na Faixa de Gaza. Segundo ele, “muitas das imagens de crianças famintas que circulam nas redes não são de Gaza, mas do Iêmen”.
De acordo com o brasileiro, mesmo nos momentos mais críticos da guerra, a região recebeu caminhões com mantimentos e medicamentos.
“Nos piores dias, entravam 75 carretas diárias com ajuda humanitária. Nas últimas semanas, esse número chegou a 300 carretas por dia. Entraram também tendas, equipamentos médicos e suprimentos básicos. Infelizmente, o Hamas dificultava a distribuição, criando pontos de risco para os voluntários”, lamentou.
As marcas da guerra
Marcos Susskind relatou que a guerra deixou cicatrizes profundas em Israel. Estima-se que cerca de 5 mil israelenses morreram e mais de 16 mil ficaram feridos, muitos com sequelas permanentes. Além disso, aproximadamente 600 mil pessoas convivem com traumas psicológicos.
“Todo prédio em Israel tem um quarto antibombas. Cada supermercado, farmácia ou loja possui abrigos antiaéreos. Isso faz parte da vida aqui. O país tenta proteger ao máximo seus cidadãos, mas o impacto emocional é devastador”, relatou.
Reféns e futuro incerto
Sobre a libertação dos reféns, Susskind afirmou que, até o momento da entrevista, nenhum havia sido libertado, apesar do cessar-fogo firmado.
“O acordo prevê que, em até 72 horas, os 20 reféns vivos sejam devolvidos. Os corpos dos assassinados serão entregues aos poucos, conforme forem encontrados”, explicou.
Israel propôs a criação de um grupo internacional com participação dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita para auxiliar na localização dos corpos.

Foto: Jornal Maariv, com crédito da Roiters
Entre a dor e a esperança
Mesmo diante das incertezas, o sentimento predominante, segundo Susskind, é o de esperança.

Foto: canal de TV Kan News
“Depois de tanta dor, esse acordo representa a possibilidade de respirar novamente. Que essa paz, ainda que frágil, consiga durar”, afirmou.
🎧 Ouça a entrevista completa com Marcos Susskind no podcast do Rotativo News.
