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Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), afirmou nesta sexta-feira (10/10/2025), em Brasília, que o Brasil enfrenta “forte estrangulamento fiscal” e precisa de um ajuste estrutural para recuperar a capacidade de investimento.

O economista Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, alertou nesta sexta-feira (10/10/2025) que o Brasil enfrenta um grave estrangulamento fiscal e necessita de um “ajuste profundo” para recompor sua capacidade de investimento e garantir a sustentabilidade das políticas públicas. A avaliação consta na nota técnica “Endividamento público e tributação: federação e financiamento das políticas públicas”, divulgada nesta sexta-feira pela IFI.

Sistema fiscal em esgotamento

O estudo aponta que o país esgotou suas principais fontes de financiamento, baseadas em tributação e endividamento, o que compromete o horizonte de crescimento econômico.

“A restrição fiscal aguda inibe as alavancas que poderiam aumentar a produtividade da economia brasileira”, destacou Pestana.

Segundo o diretor da IFI, o Brasil trocou gasto presente por dívida futura, desconsiderando os efeitos intergeracionais dessa política.

“No cenário fiscal e orçamentário do setor público, o céu não é o limite. Há graves restrições e consequências importantes que mais cedo ou mais tarde se apresentarão, se a rota não for alterada”, afirmou o economista, acrescentando que a estratégia atual compromete os interesses vitais das futuras gerações.

União perde protagonismo nos investimentos

O documento também ressalta a deterioração da capacidade da União de liderar investimentos públicos, em contraste com a situação fiscal de estados e municípios, que, na média, se encontram em posição mais favorável. Pestana chama a atenção para um “desafio federativo crônico”, caracterizado pela dependência recorrente de governos estaduais e municipais em relação à União.

“Consolidou-se a tradição de o governo central socorrer permanentemente os entes federados regionais e locais”, explica o texto.

Para o economista, essa prática tornou-se insustentável, pois a União, em delicada situação fiscal, já não dispõe de condições para continuar sendo provedora de soluções fiscais para estados e municípios.

Impactos sobre o crescimento e o investimento público

A análise da IFI evidencia que o estrangulamento fiscal limita severamente os investimentos em infraestrutura, inovação e políticas sociais, elementos essenciais para a expansão sustentável do PIB. A redução da capacidade de investimento público, somada à rigidez orçamentária e ao crescimento das despesas obrigatórias, diminui a margem de manobra do governo e afeta a credibilidade da política fiscal.

De acordo com Pestana, o Brasil precisa de um redesenho estrutural do sistema tributário e de um novo pacto federativo, que distribua melhor as responsabilidades fiscais e promova maior eficiência no gasto público.

“Não há alternativa viável que não passe por ajuste profundo e responsabilidade intergeracional”, concluiu.

Ponto de saturação

O alerta da IFI reforça um consenso crescente entre economistas e analistas de contas públicas: o modelo de financiamento estatal brasileiro atingiu um ponto de saturação. O quadro combina alta carga tributária, baixo retorno social e dívida pública crescente, sem contrapartida em investimentos produtivos. O diagnóstico de Pestana ecoa críticas históricas sobre a ausência de disciplina fiscal e a politização das transferências intergovernamentais, que distorcem incentivos e fragilizam o equilíbrio federativo.

O desafio, portanto, vai além da contabilidade: envolve reconstruir a confiança na gestão fiscal, com transparência, previsibilidade e respeito às regras de responsabilidade. Sem isso, o país tende a permanecer aprisionado num ciclo de endividamento e baixo crescimento, onde cada geração herda menos capacidade de investimento e mais obrigações financeiras.

1. Diagnóstico Fiscal

2. Papel da União e dos Entes Federados

3. Efeitos Econômicos e Estruturais

4. Recomendações da IFI

5. Contexto Institucional

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