O presidente foi a Anguillara Veneta, cidade de um de seus antepassados que hoje é governada por um partido de extrema-direita, para receber título de cidadão honorário.
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Jair Bolsonaro durante uma visita a Anguillara Veneta, no nordeste da Itália, onde foi premiado com a cidadania honorária — Foto: PIERO CRUCIATTI / AFP
Manifestantes contrários e favoráveis ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foram à cidade de Anguillara Veneta, no norte da Itália, na tarde desta segunda-feira (11) onde ele recebeu o título de cidadão honorário da cidade em uma cerimônia oficial.
Inicialmente programada para acontecer na sede da prefeitura, a cerimônia foi transferida para uma residência do século 17 da região. Bolsonaro recebeu o título diante de quase 200 convidados, incluindo parentes e vereadores do município.
“Estou emocionado por estar aqui. Acho que dá para ver. Daqui saíram meus avós. Tenho o prazer de estar entre tantas pessoas boas”, disse Bolsonaro no início do encontro, segundo a agência italiana AGI, já que a maioria dos veículos de imprensa tiveram o acesso impedido.

Bolsonaro é recebido em cidade italiana com manifestações contra e a favor
Um bisavô de Bolsonaro emigrou de Anguillara Veneta para o Brasil. Hoje, a cidade tem cerca de 4 mil moradores e é governada pela Liga, partido de extrema-direita.
“Deus quis que eu fosse presidente do Brasil e estou honrando a família nesse país. Temos muito apoio popular. Estamos fazendo um grande trabalho, que o povo reconhece, ao contrário dos meios de comunicação”, acrescentou o presidente no ato que durou cerca de quatro horas.
Depois do evento, o presidente brasileiro foi almoçar com vários membros da família Bolsonaro, alguns parentes próximos, em uma elegante residência do século 17 da região.
A chegada do presidente mobilizou militantes de esquerda e de organizações antifascistas, contrários a sua política de extrema-direita, assim como um setor da comunidade brasileira que mora na Itália.
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Manifestações a favor e contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti /AFP
Manifestações contrárias
Sob uma chuva persistente e em meio à neblina, representantes de vários partidos de esquerda, de sindicatos e da associação antifascista ANPI protestaram com bandeiras e cartazes contra a honraria ao presidente brasileiro.
“Que visite a cidade de onde vem sua família é justo, mas não que o apresentem como um modelo a seguir com a concessão do título de cidadão honorário”, disse Antonio Spada, vereador da oposição.
“Fora Bolsonaro”, afirmava um cartaz, enquanto outro, escrito a mão, declarava “Anguillara ama o Brasil, mas não Bolsonaro”.
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Imagem de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta — Foto: Piero Cruciatti / AFP
Entre os manifestantes mais indignados estava o missionário italiano Massimo Ramundo, que viveu por 20 anos no Brasil, sendo 12 deles no Maranhão (estado que tem 34% do território ocupado pela floresta amazônica).
“É uma vergonha. Estou furioso com a prefeita desta cidade. Ela não sabe o que Bolsonaro fez e disse, não escutou suas declarações de teor racista, contra os indígenas, os vacinados, as mulheres. Além disso, ele quer que a Amazônia seja um negócio. Não respeita os valores do papa Francisco”, afirmou o religioso.
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Em Anguillara Veneta, mulheres fixam faixa em italiano onde se afirma que o título de cidadão honorário não deveria ser dado como um presente, mas, sim, conquistado; manifestantes protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti/ AFP
Manifestantes pró-Bolsonaro
Grupos de simpatizantes do presidente também se manifestaram. “Estou aqui para dizer que não está sozinho”, declarou Silvana Kowalsky, 50 anos, que viajou de Vicenza, a 85 quilômetros de distância, para expressar seu apoio.
Com chapéus e bandeiras do Brasil, os simpatizantes do presidente preparam-se para defender a homenagem.
“É um grande presidente e tem o direito, porque é descendente de italianos. Tudo o que a CPI (do Senado) fala dele é mentira”, afirmou o brasileiro Cláudio Resende, de 65 anos, que mora na Itália há 17 anos.
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Manifestantes a favor de Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021 — Foto: Piero Cruciatti / AFP
Informações G1
