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A cozinheira Zuleide Pereira Alves, 38, com a filha Rhilari Victoria, de dez dias, no abrigo improvisado em Itatinga, em São Sebastião (SP) - Keiny Andrade/UOL
A cozinheira Zuleide Pereira Alves, 38, com a filha Rhilari Victoria, de dez dias, no abrigo improvisado em Itatinga, em São Sebastião (SP) Imagem: Keiny Andrade/UOL

Rhilari Victoria completa hoje dez dias de vida, pesa 3kg e não sai do peito da mãe, a cozinheira Zuleide Pereira Alves, 38. “Deixa que eu falo”, diz, enquanto alimenta a criança e relembra as horas de horror — das 2h da manhã de sábado (18) às 9h de domingo — quando perdeu sua casa na tragédia que destruiu parte do litoral norte de São Paulo. Ela e mais onze pessoas compartilham agora o chão, o teto e as paredes de uma sala de aula de 50 m², transformada em abrigo, próxima de onde moravam. As quatro famílias viviam em casas vizinhas na Rua Antonio Tenório dos Santos, no bairro de Itatinga, em São Sebastião (SP).

As vítimas têm sido bem atendidas. Falaram com psicóloga, foram consultadas por um médico. Tomaram banho, comeram. As doações começaram a chegar ao local. O amparo não livra Zuleide dos pesadelos. Ela tem medo de nunca mais sair dali, daquela avalanche.

Naquela noite a bebê recebeu a visita da madrinha, que não mora na região. As comadres falavam sobre coisas da televisão e fumavam um cigarro. “De repente, escutamos um barulho. Não era um trovão, era o morro rachando. Descia moto, carro, era tudo levado pela lama”, conta Zuleide, que entrou em desespero e saiu gritando, acordando os parentes que moravam ao lado. “Gente, o morro tá desabando, o morro tá descendo, o morro tá descendo!” Alguns dormiam.

As pedras que rolavam batiam nas casas com força. Um carro foi arrastado para dentro da casa de sua irmã.

Daí veio uma segunda avalanche. “Gritei ‘pelo amor de Deus, pega as crianças e vamos correr’. Fomos para a casa da sogra da minha irmã, já tinha um pessoal lá. O morro não parou mais de cair.”

Uma família pulou na lama para, segundos depois, um poste cair sobre a casa de onde saíram. Zuleide apenas pensava que iriam todos morrer soterrados. Ela conseguiu salvar a filha de Gabriel Moromizato, 27. Ele presta serviços de limpeza para a prefeitura e conseguiu mergulhar com a criança primeiro, entregá-la a Zuleide e depois fazer o mesmo para resgatar a mulher.

Espremidos na casa da sogra, a lama foi entrando e subindo. O portão foi trancado pelas pedras e subindo pelo quintal. Um botijão de gás começou a vazar.

Gabriel Moromizato, 27, Maysa Almeida, 25, e a filha do casal Mayumi, 5, no abrigo improvisado em Itatinga - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Gabriel Moromizato, 27, Maysa Almeida, 25, e a filha do casal Mayumi, 5, no abrigoImagem: Keiny Andrade/UOL

Gritando por socorro

Resgate e polícia foram acionados, mas ninguém apareceu. Por telefone, as vítimas ouviram que o socorro, naquele momento, estava concentrado na costa sul porque a calamidade lá era maior. “Então a gente tem que esperar morrer pra vir o socorro?”, perguntava Zuleide. Do outro lado, outra pergunta: “mas tem vítima?”. Crianças gritavam de medo.

No meio da madrugada, as 11 pessoas pularam o muro debaixo de chuva com a bebê e duas crianças. Uma corrente de lama passava com força. Entraram na correnteza para escapar.

O socorro apareceu às 9h, depois que já tinham saído da zona de perigo. O pai de Rhilari pisou na lama assentada, quando a chuva deu uma trégua. O barro batia na cintura. Um braço segurava a criança no alto, só com uma mão; a outra apoiava no muro.

“Todos iam segurando no muro, pisando em caco de vidro, pedra com ponta. Paramos em frente ao escadão”, explicou Zuleide. O escadão era a parte mais baixa, onde havia dezenas de árvores se amontoando.

Polícia Civil de SP monta tenda para receber corpos para identificação de vítimas dos desabamentos na cidade de São Sebastião - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Polícia Civil de SP monta tenda para receber corpos para identificação de vítimas dos desabamentos na cidade de São SebastiãoImagem: Keiny Andrade/UOL

Os sobreviventes só encontraram a equipe de salvamento quando saíram da zona de perigo. Eles perderam tudo que tinham: geladeira, fogão, armário, camas, roupas, fraldas do chá de bebê de Rhilari, televisão. No encontro com as autoridades, pediram documentos para a liberação de auxílios.

“Como que vou salvar documento?”, pergunta Zuleide. “Claro que ninguém tem.”

Informações UOL

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