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O isolamento social está sendo flexibilizado em grande parte das cidades brasileiras. Diversos setores da economia, como lojas, salões de beleza e escritórios, estão voltando, aos poucos, à rotina. No entanto, gestores estaduais e municipais ainda não encontraram formas de retomar as aulas presenciais. Muitas mães se veem obrigadas a voltar a trabalhar e temem perder o emprego porque, sem o apoio de creches e escolas, não têm com quem deixar os filhos.
Os cuidados com as crianças e com a casa deveriam ser compartilhados entre seus responsáveis, mas essa obrigação ainda recai sobre a mulher. É o que mostram os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, de 2019. As mulheres que trabalham fora de casa passaram, em média, 18,5 horas semanais fazendo tarefas domésticas e cuidando de outras pessoas. Entre os homens ocupados, a média foi de 10,4 horas semanais.
Agora, essa diferença pode ter aumentado. Sandra Maria Silva, que é assessora especial de políticas afirmativas e professora de Administração na Universidade Estadual de Feira de Santana, diz que as mulheres estão expostas a uma sobrecarga fora do comum de trabalho doméstico, além de estarem sofrendo com o aumento da violência doméstica e da vulnerabilidade econômica. “Todas as desigualdades foram potencializadas e escancaradas com a pandemia”, afirma a professora que também leciona na Faculdade Anísio Teixeira.
No meio disso tudo, há a pressão de parte da sociedade para que a economia volte ao seu funcionamento “normal”. “Que normal é esse em que as mulheres precisam voltar ao trabalho e não sabem com quem vão deixar seus filhos? Os avós não podem cuidar das crianças porque estão isolados, a babá também deveria estar isolada, não tem escola”, contextualiza. “Os planos de retomada não têm considerado essas dimensões relacionadas ao gênero e isso é devastador.”
Sandra explica que essa situação pode fazer com que a mulher assuma uma posição ainda mais inferior no mercado de trabalho. Ela diz que, para se dedicarem totalmente ao emprego, as mães precisam ter a certeza de que seus filhos estão bem. “Se ela não tem essas garantias, ela não está plenamente no trabalho”, afirma. “Enquanto a mulher está pensando em todas essas coisas, o homem está no mercado de trabalho e está crescendo.”
Todos esses problemas são potencializados quando a mulher é negra, afirma Sandra. “O trabalho precário, a informalidade e a remuneração muito aquém do mínimo necessário são contextos que estão diretamente ligados à mulher negra”, afirma, lembrando que a maior parte dessas mulheres precisam dar conta da família sozinhas. “Elas estão em casa, sem renda, perdendo emprego ou na iminência de perder.”
Sandra aponta que a pandemia tende a piorar a situação da mulher negra no mercado de trabalho. “Com toda essa carga monstruosa de trabalho e a pressão, ela não tem tempo para fazer uma qualificação e se colocar em uma condição diferenciada no mercado de trabalho.”
Fonte: Estadão Conteúdo