
Emagrecer é, para muitos brasileiros, um verdadeiro desafio — físico, emocional e até social. A ideia de que basta “fechar a boca” ou “ter força de vontade” está cada vez mais ultrapassada. Quem explica isso é o médico Dr. Igor Nery, especialista em emagrecimento, que conversou com o Rotativo News nesta segunda-feira (19) sobre os obstáculos reais enfrentados por quem tenta perder peso, as estratégias de reeducação alimentar e o papel dos medicamentos como aliados no tratamento da obesidade.
Segundo Dr. Igor, há uma série de fatores que dificultam a perda de peso — e grande parte deles está além do controle individual. “O organismo tem mecanismos de defesa contra o emagrecimento. Quando você começa a perder peso, o corpo reage com mecanismos hormonais que tentam recuperar esse peso perdido. É um instinto de sobrevivência”, explica o médico.
Além disso, fatores genéticos, psicológicos, hormonais e o ambiente obesogênico — que estimula o consumo de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo — tornam o processo ainda mais desafiador.
Reeducação alimentar: o caminho sustentável
Apesar dos desafios, Dr. Igor Nery reforça que a reeducação alimentar é a base para um emagrecimento duradouro. “Não existe fórmula mágica. Dietas extremamente restritivas podem até funcionar a curto prazo, mas geram efeito rebote. O ideal é criar uma relação mais equilibrada com a comida, priorizando alimentos naturais, comendo com atenção plena e respeitando os sinais do corpo”, afirma. O acompanhamento de profissionais como nutricionistas e psicólogos também é fundamental nesse processo, ajudando o paciente a entender seus hábitos e gatilhos.
O papel dos medicamentos: Semaglutida, Mounjaro e Ozempic
Nos últimos anos, medicamentos como a semaglutida (vendida sob nomes como Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (conhecida como Mounjaro) têm ganhado destaque no tratamento da obesidade. Essas medicações agem no sistema digestivo e no cérebro, promovendo maior saciedade, menor apetite e melhora no controle da glicose.
“Esses medicamentos revolucionaram a forma como tratamos a obesidade. A semaglutida, por exemplo, tem mostrado resultados significativos, com pacientes perdendo entre 10% e 15% do peso corporal. Já a tirzepatida, por sua vez, vem apresentando eficácia ainda maior, em alguns casos passando de 20%”, destaca o médico.
Dr. Igor, no entanto, alerta que o uso dessas substâncias deve ser sempre supervisionado por um médico, já que existem riscos, contraindicações e efeitos colaterais que precisam ser avaliados individualmente.
Nova exigência da Anvisa: retenção de receita para compra de medicamentos
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma medida que torna obrigatória a retenção da receita médica para a compra de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e similares. A decisão visa aumentar o controle sobre o uso desses medicamentos, especialmente diante do aumento de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.
Com a nova regra, a prescrição médica deverá ser feita em duas vias, e a venda só poderá ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas será de até 90 dias a partir da data de emissão. A exigência se inicia em 26 de junho de 2025.
Mais saúde, menos preconceito
Para o especialista, é fundamental quebrar o estigma em torno da obesidade. “É preciso parar de enxergar o excesso de peso como uma falha de caráter. Obesidade é uma doença crônica, multifatorial, que merece ser tratada com respeito, ciência e acolhimento”, conclui.
