A eleição seguiu a recomendação da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica

A Assembleia de Peritos do Irã elegeu Mojtaba, filho de Ali Khamenei, como o novo líder supremo do Irã. A eleição ocorreu nesta terça-feira, 3, mesmo depois de bombardeio que atingiu prédio em que 88 aiatolás iranianos se reuniam.

A eleição seguiu a recomendação da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), os Pasdaran. A informação foi divulgada pelo veículo estatal iraniano Iran International, que citou fontes confiáveis. O jornal israelense Haaretz também noticiou o fato em sua versão on-line.
Quem é Mojtaba Khamenei?
Mojtaba Khamenei, nascido em 8 de setembro de 1969, em Mashhad, é o segundo filho de Ali Khamenei e de sua mulher, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh.
Ao longo de décadas, Mojtaba se consolidou como uma figura poderosa nos bastidores da política iraniana, com forte conexão com facções conservadoras e com o IRGC.
Ele nunca ocupou cargos públicos eletivos nem teve um percurso formal de liderança religiosa, comparado a altos clérigos do regime, mas sua influência política e laços com a Guarda Revolucionária e milícias, como o Basij — que liderou atos durante a repressão às manifestações de 2009 —, o colocaram no centro das especulações sobre sucessão há anos.
Analistas ocidentais e especialistas em política iraniana tradicionalmente revelaram que, embora seu apoio entre segmentos conservadores seja forte, Mojtaba não tem tradição clerical — “a autoridade religiosa altamente qualificada” — suficiente, em tese, para ser uma liderança incontestável da posição segundo as regras formais de sucessão. Isso porque a Constituição do Irã exige que o líder supremo seja um jurista islamista respeitado e figura de grande peso religioso (marja’).
Contexto e controvérsias da eleição
A escolha de Mojtaba teria sido acelerada em um cenário de guerra e caos institucional, já que vários dos principais líderes, potenciais candidatos à sucessão, teriam morrido nos ataques recentes ou estão em posições estratégicas fragmentadas pelo conflito.
No contexto institucional, a Constituição iraniana prevê que a Assembleia dos Especialistas deve eleger o novo líder supremo, e que um conselho provisional (incluindo o presidente, o chefe da Justiça e um representante do Conselho dos Guardiões) assume temporariamente os poderes até a nomeação oficial.
O fato de um membro da família Khamenei assumir a sucessão representa um salto histórico no sistema político iraniano, que, apesar de teocrático e centralizado, não previa uma liderança hereditária semelhante a monarquias tradicionais desde a Revolução de 1979.
Essa nomeação pode acirrar tensões internas vivas, tanto entre reformistas quanto entre segmentos religiosos que veem a possibilidade de dinastia como contrária aos princípios do sistema de “velayat-e faqih” (guardião-jurista).
Informações Revista Oeste
