O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou nesta quarta-feira, 26, o pedido de recuperação judicial do Vasco da Gama, num movimento que permite ao clube negociar sua dívida de cerca de R$ 1,4 bilhão.
O processo corre na 4ª Vara Empresarial e aguarda a nomeação de um administrador judicial. Será ele quem coordenará as ações para a reestruturação financeira do clube.
Em crise financeira agravada pela falta de aportes da antiga parceira, 777 Partners, e pelos custos do Regime Centralizado de Execuções, o Vasco vê na recuperação judicial uma chance de aumentar a segurança jurídica. Isso cria um cenário de previsibilidade e estabilidade, essencial para atrair investidores e passar confiança aos credores.
O presidente do clube, Pedrinho, e o CEO da Vasco SAF, Carlos Amodeo, estão confiantes em que o mecanismo jurídico da recuperação judicial permitirá que o Vasco comece uma reestruturação e encaminhe uma situação saudável financeiramente.
Com o pedido aceito, o Vasco tem um prazo de seis meses para as obrigações de pagamento serem suspensas. Nesse período, o administrador judicial nomeado deve elaborar uma lista de credores e enviar cartas para iniciar as negociações. Depois de 60 dias, o clube precisa apresentar um plano de recuperação factível para se restabelecer financeiramente.
As estratégias do plano de recuperação incluem redução ou parcelamento dos valores devidos e reorganização estrutural. Uma vez apresentado, ele será discutido e votado em assembleia geral com participação de credores, que podem propor alterações ou sugerir um novo plano.
Se aprovado por todas as classes de credores, as novas condições substituirão as antigas dívidas do clube.
O processo conta com o apoio da Alvarez & Marsal, consultoria que já auxiliou clubes, como Cruzeiro, de Minas Gerais, e Coritiba, do Paraná. Porém, no caso do Vasco, a recuperação judicial inclui tanto a associação civil quanto a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), já que parte das dívidas foi transferida para a empresa criada na venda do futebol para a 777 Partners, em 2022.
Se não cumprir o plano de recuperação, os credores podem solicitar a falência da Vasco SAF. Nesse cenário, ocorreria o leilão dos bens da empresa, que encerraria suas atividades — algo inédito no futebol brasileiro.
Informações Revista Oeste