Apuração envolve medida sobre crédito de carbono com potencial de injetar bilhões no setor

A Polícia Federal (PF) investiga uma emenda apresentada pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, relacionada ao mercado de carbono, por suspeita de que a proposta poderia beneficiar interesses ligados à família do empresário Daniel Vorcaro.
Segundo apuração, os investigadores analisam duas minutas de projetos de lei que teriam sido elaboradas pelo Banco Master — pela assessoria de Vorcaro — e entregues ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os textos tratariam de “pautas relacionadas a crédito de carbono, mercado de carbono e também transição energética”.
Isso teria ocorrido em novembro de 2023. Um mês depois, em dezembro, Motta apresentou uma emenda ao PL n° 2.148/2015, que envolve justamente investimentos compulsórios em ativos ambientais ligados ao mercado de carbono.

Investigadores apuram possível benefício indireto ao pai de Vorcaro
O texto da emenda estabelece que seguradoras, empresas de previdência privada, companhias de capitalização e resseguradoras deveriam adquirir ativos ambientais ou cotas de fundos de investimentos em ativos ambientais. O porcentual mínimo previsto seria de 1% ao ano.
A PF avalia se a medida poderia beneficiar o pai de Vorcaro, que teria investido no mercado de carbono e precisaria de compradores para esses ativos. A medida poderia injetar cerca de R$ 9 bilhões por ano no setor. Depois da aprovação da emenda, seguradoras e empresas de previdência privada recorreram à Justiça contra a medida. O caso está atualmente no Supremo Tribunal Federal.
Motta aparece em mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Segundo as investigações, o deputado teria se encontrado com o empresário “em pelo menos cinco situações”. A primeira reunião identificada pelos investigadores teria ocorrido um mês depois de Motta assumir a Presidência da Câmara. A reportagem ainda não obteve resposta do gabinete de Hugo Motta.
Informações Revista Oeste
